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Foram encontradas 30 questões.

As assertivas que seguem abordam as progressões aritméticas e geométricas.

I. É possível que duas progressões com iguais termos inteiros maiores do que zero, sendo que uma é geométrica e uma é aritmética, mas suas razões são diferentes.
II. Caso seja de conhecimento o sétimo termo de uma progressão geométrica, assim como o seu quinto termo, é possível se obter a razão através da raiz quadrada do resultado da divisão do sétimo pelo quinto termo.


Acerca das assertivas, pode-se afirmar que:
 

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Um conjunto de números é composto por quatro elementos, ou seja, por quatro números. Sabe-se que esses números são todos inteiros maiores do que zero, além de que são diferentes entre si; logo, não há elemento repetido no conjunto. Portanto, trata-se de um conjunto amodal, não sendo possível estabelecer uma moda. Ainda, tem-se o valor da média aritmética dos números desse conjunto, mas não se tem o valor da mediana deles. O que pode ser afirmado sobre a mediana, não sendo possível conhecer quais são esses quatro números que compõem o conjunto?
 

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Um servidor entrou em serviço, em certo dia, exatamente às 08h03min, saindo para almoço às 11h48min, retornando para o turno da tarde às 12h44min, e saindo ao final do expediente às 16h59min. Esse servidor é responsável por elaborar ofícios de resposta a pedidos de informação. Esses pedidos são recebidos ao longo do dia e são distribuídos aos servidores para respondê-los toda “hora cheia” (momento em que os minutos estão em “00”) em que o servidor está em serviço. Nesse sentido, qual a probabilidade aproximada de um processo em específico ser distribuído às 14h00min para esse servidor?
 

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Em uma folha qualquer foi desenhado um círculo, o qual possui diâmetro igual a 32 centímetros. Considere um quadrado no qual foi desenhado um X, ligando os vértices opostos desse quadrado. Nesse caso, esse quadrado foi desenhado dentro do círculo citado, coincidindo o centro do X do quadrado com o centro do círculo. Se a distância do centro do círculo até o ponto central de qualquer um dos lados desse quadrado é igual a 4,5 centímetros, qual das alternativas traz a área superficial interna ao círculo e externa ao quadrado? (Considere π = 3).
 

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Farofa, a comida mestiça que está na mesa dos pobres e dos ricos
       Eu vou saudar a farofa! Ela nunca exige protagonismo. Está ali, na beirada do prato, como quem não quer chamar atenção, mas, silenciosamente, sustenta toda a estrutura da refeição. Tire a farofa da mesa e logo surge um desconforto, uma ausência que ninguém consegue nomear, mas todos sentem. Ela tem a estranha virtude dos coadjuvantes indispensáveis.
      As raízes da farofa estão na mandioca, planta domesticada pelos povos originários muito antes de qualquer europeu sonhar em atravessar oceanos. A farinha de mandioca, assim, se tornou não só base alimentar, mas também uma herança cultural. E sim, já existia ali uma espécie de farofa — farinha tostada na gordura da caça, enriquecida com pedaços de peixe, raízes, frutas ou ervas locais.
       Depois veio o choque da colonização. Junto dele, a presença forçada dos africanos, sequestrados de suas terras, que trouxeram para a cozinha brasileira um repertório de técnicas e sabores que mudou tudo. Na mistura ameríndia, entraram as gorduras generosas, os miúdos, as carnes defumadas, as cebolas dourando, o dendê, as especiarias. A cozinha virou espaço de resistência, de criação, de memória e de reinvenção.
     Sérgio Buarque fala que as famílias do interior colonial torravam todos os dias sua mandioca. Era uma “fineza da terra”, uma sofisticação em meio agreste e rude. Ela viaja no alforje bandeirante e acompanha a lida do gado. Sobrevive a viagens. Misturada ao charque, alimenta a colônia.
    Os portugueses, sempre pragmáticos, se adaptaram. Sem trigo para o pão, adotaram a farinha de mandioca como substituto. Trouxeram carnes curadas, embutidos, métodos de charcutaria, e acrescentaram novas camadas a esse prato que nunca se apresenta como prato.
      O curioso é que, apesar de carregar toda essa história, a farofa nunca pede palco. Está ali para servir, para acompanhar, para dar sentido ao conjunto. Ninguém recebe apenas com um prato de farofa, mas fica uma lacuna se ela desaparecer.
      E há, talvez, algo de profundamente brasileiro nisso. A farofa é, por definição, a comida mestiça, da adaptação, da criatividade. É improviso! É nacional e local. Sai do solo como mandioca/macaxeira/aipim. Torna-se uma “poupança enterrada” que pode ser sacada quando necessária. Diferente de uma fruta que amadurece e exige ser colhida imediatamente, a raiz da mandioca dorme, engrossa e anuncia que aguardará semanas, meses, anos até ser resgatada e saciar fome.
     Geógrafos deterministas dizem que milho e arroz geram Estado e burocracia. A mandioca é mais libertadora de estruturas políticas complexas.
       Ela está na mesa do pobre e do rico. No almoço apressado da obra, surge da farinha tostada com um pouco de sal e gordura. No restaurante estrelado, esconde-se sob a alcunha de “farofa de panko com manteiga trufada e castanhas”. Ela circula com a mesma desenvoltura no churrasco de esquina e no brunch gourmet. Pode ser feita com ovo (adoro!), banana, bacon, torresmo, cebola, carne-seca, cogumelo, amêndoas ou até daquela última bolacha esquecida no fundo do armário. O século dezenove adorava com banha de porco, mas incorpora bem a manteiga e o azeite de oliva. Metamorfose absoluta: aumenta o que é pouco, engrossa o que é ralo e esfria o que é quente. É um signo aberto em plena mesa.
       A farinha funciona com o luxo e com a escassez. A farofa não julga. Ela aceita o que há. Vive do que sobra. Sobrevive do que se oferece. E, ainda assim, nunca é menos. Ela contraria o zelo nutricional. Você pegou arroz e batatas? Nada como uma farofinha por cima para unir de forma harmoniosa a cota de carboidratos. Engordou? O culpado será o pudim e a batata frita. A farofa é inimputável. A barriga sempre será de “chope”, jamais de mandioca. A farofa é única e autoral. Ela nunca sai igual, porque nunca somos os mesmos.
     A farofa é Heráclito puro: tudo flui ou se esfarela... Cada farofa é uma fotografia daquele dia, uma digital irrepetível. É feita do que tinha, de quem estava, de como a vida se apresentou naquela hora. Talvez seja como o vinho. Cada safra carrega o clima, a terra, o tempo, a mão do produtor, o jeito da uva naquele ano. E é justamente isso que torna cada garrafa única. Assim também é a farofa. Nunca se repete. E, por isso, é tão especial.
     No fim, como a vida, farofa não tem receita. E talvez essa seja a beleza única da planta. No fundo, a vida é feita disso. De memória, de afeto e de esperança. Esperança de que, enquanto houver gente, haverá também farofa. E que, afinal, todos somos “farofeiros da vida” – improvisando, sobrevivendo, rindo e despejando colheradas da deliciosa farofa sobre o prato. Comida é afeto e cultura. Vai uma farofinha no seu domingo?
Autor: Leandro Karnal - Estadão (adaptado).
No trecho “A mandioca é mais libertadora de estruturas políticas complexas. Ela está na mesa do pobre e do rico.”, o pronome “ela” retoma o termo “a mandioca”, evitando sua repetição no período seguinte. Esse recurso exemplifica a coesão por:
 

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Farofa, a comida mestiça que está na mesa dos pobres e dos ricos
       Eu vou saudar a farofa! Ela nunca exige protagonismo. Está ali, na beirada do prato, como quem não quer chamar atenção, mas, silenciosamente, sustenta toda a estrutura da refeição. Tire a farofa da mesa e logo surge um desconforto, uma ausência que ninguém consegue nomear, mas todos sentem. Ela tem a estranha virtude dos coadjuvantes indispensáveis.
      As raízes da farofa estão na mandioca, planta domesticada pelos povos originários muito antes de qualquer europeu sonhar em atravessar oceanos. A farinha de mandioca, assim, se tornou não só base alimentar, mas também uma herança cultural. E sim, já existia ali uma espécie de farofa — farinha tostada na gordura da caça, enriquecida com pedaços de peixe, raízes, frutas ou ervas locais.
       Depois veio o choque da colonização. Junto dele, a presença forçada dos africanos, sequestrados de suas terras, que trouxeram para a cozinha brasileira um repertório de técnicas e sabores que mudou tudo. Na mistura ameríndia, entraram as gorduras generosas, os miúdos, as carnes defumadas, as cebolas dourando, o dendê, as especiarias. A cozinha virou espaço de resistência, de criação, de memória e de reinvenção.
     Sérgio Buarque fala que as famílias do interior colonial torravam todos os dias sua mandioca. Era uma “fineza da terra”, uma sofisticação em meio agreste e rude. Ela viaja no alforje bandeirante e acompanha a lida do gado. Sobrevive a viagens. Misturada ao charque, alimenta a colônia.
    Os portugueses, sempre pragmáticos, se adaptaram. Sem trigo para o pão, adotaram a farinha de mandioca como substituto. Trouxeram carnes curadas, embutidos, métodos de charcutaria, e acrescentaram novas camadas a esse prato que nunca se apresenta como prato.
      O curioso é que, apesar de carregar toda essa história, a farofa nunca pede palco. Está ali para servir, para acompanhar, para dar sentido ao conjunto. Ninguém recebe apenas com um prato de farofa, mas fica uma lacuna se ela desaparecer.
      E há, talvez, algo de profundamente brasileiro nisso. A farofa é, por definição, a comida mestiça, da adaptação, da criatividade. É improviso! É nacional e local. Sai do solo como mandioca/macaxeira/aipim. Torna-se uma “poupança enterrada” que pode ser sacada quando necessária. Diferente de uma fruta que amadurece e exige ser colhida imediatamente, a raiz da mandioca dorme, engrossa e anuncia que aguardará semanas, meses, anos até ser resgatada e saciar fome.
     Geógrafos deterministas dizem que milho e arroz geram Estado e burocracia. A mandioca é mais libertadora de estruturas políticas complexas.
       Ela está na mesa do pobre e do rico. No almoço apressado da obra, surge da farinha tostada com um pouco de sal e gordura. No restaurante estrelado, esconde-se sob a alcunha de “farofa de panko com manteiga trufada e castanhas”. Ela circula com a mesma desenvoltura no churrasco de esquina e no brunch gourmet. Pode ser feita com ovo (adoro!), banana, bacon, torresmo, cebola, carne-seca, cogumelo, amêndoas ou até daquela última bolacha esquecida no fundo do armário. O século dezenove adorava com banha de porco, mas incorpora bem a manteiga e o azeite de oliva. Metamorfose absoluta: aumenta o que é pouco, engrossa o que é ralo e esfria o que é quente. É um signo aberto em plena mesa.
       A farinha funciona com o luxo e com a escassez. A farofa não julga. Ela aceita o que há. Vive do que sobra. Sobrevive do que se oferece. E, ainda assim, nunca é menos. Ela contraria o zelo nutricional. Você pegou arroz e batatas? Nada como uma farofinha por cima para unir de forma harmoniosa a cota de carboidratos. Engordou? O culpado será o pudim e a batata frita. A farofa é inimputável. A barriga sempre será de “chope”, jamais de mandioca. A farofa é única e autoral. Ela nunca sai igual, porque nunca somos os mesmos.
     A farofa é Heráclito puro: tudo flui ou se esfarela... Cada farofa é uma fotografia daquele dia, uma digital irrepetível. É feita do que tinha, de quem estava, de como a vida se apresentou naquela hora. Talvez seja como o vinho. Cada safra carrega o clima, a terra, o tempo, a mão do produtor, o jeito da uva naquele ano. E é justamente isso que torna cada garrafa única. Assim também é a farofa. Nunca se repete. E, por isso, é tão especial.
     No fim, como a vida, farofa não tem receita. E talvez essa seja a beleza única da planta. No fundo, a vida é feita disso. De memória, de afeto e de esperança. Esperança de que, enquanto houver gente, haverá também farofa. E que, afinal, todos somos “farofeiros da vida” – improvisando, sobrevivendo, rindo e despejando colheradas da deliciosa farofa sobre o prato. Comida é afeto e cultura. Vai uma farofinha no seu domingo?
Autor: Leandro Karnal - Estadão (adaptado).
Considerando os vocábulos churrasco, desenvoltura e enterrada e a presença de dígrafos consonantais e vocálicos, além da diferença entre letras e fonemas, analise as assertivas:

I. Em churrasco, há dois dígrafos consonantais, e a palavra apresenta 7 fonemas.
II. Em desenvoltura, há um dígrafo vocálico e a palavra apresenta 11 fonemas.
III. Em enterrada, há dois dígrafos, um vocálico e um consonantal, e a palavra apresenta 7 fonemas.


Está correto o que se afirma em:
 

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Farofa, a comida mestiça que está na mesa dos pobres e dos ricos
       Eu vou saudar a farofa! Ela nunca exige protagonismo. Está ali, na beirada do prato, como quem não quer chamar atenção, mas, silenciosamente, sustenta toda a estrutura da refeição. Tire a farofa da mesa e logo surge um desconforto, uma ausência que ninguém consegue nomear, mas todos sentem. Ela tem a estranha virtude dos coadjuvantes indispensáveis.
      As raízes da farofa estão na mandioca, planta domesticada pelos povos originários muito antes de qualquer europeu sonhar em atravessar oceanos. A farinha de mandioca, assim, se tornou não só base alimentar, mas também uma herança cultural. E sim, já existia ali uma espécie de farofa — farinha tostada na gordura da caça, enriquecida com pedaços de peixe, raízes, frutas ou ervas locais.
       Depois veio o choque da colonização. Junto dele, a presença forçada dos africanos, sequestrados de suas terras, que trouxeram para a cozinha brasileira um repertório de técnicas e sabores que mudou tudo. Na mistura ameríndia, entraram as gorduras generosas, os miúdos, as carnes defumadas, as cebolas dourando, o dendê, as especiarias. A cozinha virou espaço de resistência, de criação, de memória e de reinvenção.
     Sérgio Buarque fala que as famílias do interior colonial torravam todos os dias sua mandioca. Era uma “fineza da terra”, uma sofisticação em meio agreste e rude. Ela viaja no alforje bandeirante e acompanha a lida do gado. Sobrevive a viagens. Misturada ao charque, alimenta a colônia.
    Os portugueses, sempre pragmáticos, se adaptaram. Sem trigo para o pão, adotaram a farinha de mandioca como substituto. Trouxeram carnes curadas, embutidos, métodos de charcutaria, e acrescentaram novas camadas a esse prato que nunca se apresenta como prato.
      O curioso é que, apesar de carregar toda essa história, a farofa nunca pede palco. Está ali para servir, para acompanhar, para dar sentido ao conjunto. Ninguém recebe apenas com um prato de farofa, mas fica uma lacuna se ela desaparecer.
      E há, talvez, algo de profundamente brasileiro nisso. A farofa é, por definição, a comida mestiça, da adaptação, da criatividade. É improviso! É nacional e local. Sai do solo como mandioca/macaxeira/aipim. Torna-se uma “poupança enterrada” que pode ser sacada quando necessária. Diferente de uma fruta que amadurece e exige ser colhida imediatamente, a raiz da mandioca dorme, engrossa e anuncia que aguardará semanas, meses, anos até ser resgatada e saciar fome.
     Geógrafos deterministas dizem que milho e arroz geram Estado e burocracia. A mandioca é mais libertadora de estruturas políticas complexas.
       Ela está na mesa do pobre e do rico. No almoço apressado da obra, surge da farinha tostada com um pouco de sal e gordura. No restaurante estrelado, esconde-se sob a alcunha de “farofa de panko com manteiga trufada e castanhas”. Ela circula com a mesma desenvoltura no churrasco de esquina e no brunch gourmet. Pode ser feita com ovo (adoro!), banana, bacon, torresmo, cebola, carne-seca, cogumelo, amêndoas ou até daquela última bolacha esquecida no fundo do armário. O século dezenove adorava com banha de porco, mas incorpora bem a manteiga e o azeite de oliva. Metamorfose absoluta: aumenta o que é pouco, engrossa o que é ralo e esfria o que é quente. É um signo aberto em plena mesa.
       A farinha funciona com o luxo e com a escassez. A farofa não julga. Ela aceita o que há. Vive do que sobra. Sobrevive do que se oferece. E, ainda assim, nunca é menos. Ela contraria o zelo nutricional. Você pegou arroz e batatas? Nada como uma farofinha por cima para unir de forma harmoniosa a cota de carboidratos. Engordou? O culpado será o pudim e a batata frita. A farofa é inimputável. A barriga sempre será de “chope”, jamais de mandioca. A farofa é única e autoral. Ela nunca sai igual, porque nunca somos os mesmos.
     A farofa é Heráclito puro: tudo flui ou se esfarela... Cada farofa é uma fotografia daquele dia, uma digital irrepetível. É feita do que tinha, de quem estava, de como a vida se apresentou naquela hora. Talvez seja como o vinho. Cada safra carrega o clima, a terra, o tempo, a mão do produtor, o jeito da uva naquele ano. E é justamente isso que torna cada garrafa única. Assim também é a farofa. Nunca se repete. E, por isso, é tão especial.
     No fim, como a vida, farofa não tem receita. E talvez essa seja a beleza única da planta. No fundo, a vida é feita disso. De memória, de afeto e de esperança. Esperança de que, enquanto houver gente, haverá também farofa. E que, afinal, todos somos “farofeiros da vida” – improvisando, sobrevivendo, rindo e despejando colheradas da deliciosa farofa sobre o prato. Comida é afeto e cultura. Vai uma farofinha no seu domingo?
Autor: Leandro Karnal - Estadão (adaptado).
No trecho “A farofa é única e autoral”, o verbo destacado estabelece uma relação entre o sujeito e uma característica atribuída a ele. Nesse caso, quanto à transitividade, o verbo “é” classifica-se como:
 

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Farofa, a comida mestiça que está na mesa dos pobres e dos ricos
       Eu vou saudar a farofa! Ela nunca exige protagonismo. Está ali, na beirada do prato, como quem não quer chamar atenção, mas, silenciosamente, sustenta toda a estrutura da refeição. Tire a farofa da mesa e logo surge um desconforto, uma ausência que ninguém consegue nomear, mas todos sentem. Ela tem a estranha virtude dos coadjuvantes indispensáveis.
      As raízes da farofa estão na mandioca, planta domesticada pelos povos originários muito antes de qualquer europeu sonhar em atravessar oceanos. A farinha de mandioca, assim, se tornou não só base alimentar, mas também uma herança cultural. E sim, já existia ali uma espécie de farofa — farinha tostada na gordura da caça, enriquecida com pedaços de peixe, raízes, frutas ou ervas locais.
       Depois veio o choque da colonização. Junto dele, a presença forçada dos africanos, sequestrados de suas terras, que trouxeram para a cozinha brasileira um repertório de técnicas e sabores que mudou tudo. Na mistura ameríndia, entraram as gorduras generosas, os miúdos, as carnes defumadas, as cebolas dourando, o dendê, as especiarias. A cozinha virou espaço de resistência, de criação, de memória e de reinvenção.
     Sérgio Buarque fala que as famílias do interior colonial torravam todos os dias sua mandioca. Era uma “fineza da terra”, uma sofisticação em meio agreste e rude. Ela viaja no alforje bandeirante e acompanha a lida do gado. Sobrevive a viagens. Misturada ao charque, alimenta a colônia.
    Os portugueses, sempre pragmáticos, se adaptaram. Sem trigo para o pão, adotaram a farinha de mandioca como substituto. Trouxeram carnes curadas, embutidos, métodos de charcutaria, e acrescentaram novas camadas a esse prato que nunca se apresenta como prato.
      O curioso é que, apesar de carregar toda essa história, a farofa nunca pede palco. Está ali para servir, para acompanhar, para dar sentido ao conjunto. Ninguém recebe apenas com um prato de farofa, mas fica uma lacuna se ela desaparecer.
      E há, talvez, algo de profundamente brasileiro nisso. A farofa é, por definição, a comida mestiça, da adaptação, da criatividade. É improviso! É nacional e local. Sai do solo como mandioca/macaxeira/aipim. Torna-se uma “poupança enterrada” que pode ser sacada quando necessária. Diferente de uma fruta que amadurece e exige ser colhida imediatamente, a raiz da mandioca dorme, engrossa e anuncia que aguardará semanas, meses, anos até ser resgatada e saciar fome.
     Geógrafos deterministas dizem que milho e arroz geram Estado e burocracia. A mandioca é mais libertadora de estruturas políticas complexas.
       Ela está na mesa do pobre e do rico. No almoço apressado da obra, surge da farinha tostada com um pouco de sal e gordura. No restaurante estrelado, esconde-se sob a alcunha de “farofa de panko com manteiga trufada e castanhas”. Ela circula com a mesma desenvoltura no churrasco de esquina e no brunch gourmet. Pode ser feita com ovo (adoro!), banana, bacon, torresmo, cebola, carne-seca, cogumelo, amêndoas ou até daquela última bolacha esquecida no fundo do armário. O século dezenove adorava com banha de porco, mas incorpora bem a manteiga e o azeite de oliva. Metamorfose absoluta: aumenta o que é pouco, engrossa o que é ralo e esfria o que é quente. É um signo aberto em plena mesa.
       A farinha funciona com o luxo e com a escassez. A farofa não julga. Ela aceita o que há. Vive do que sobra. Sobrevive do que se oferece. E, ainda assim, nunca é menos. Ela contraria o zelo nutricional. Você pegou arroz e batatas? Nada como uma farofinha por cima para unir de forma harmoniosa a cota de carboidratos. Engordou? O culpado será o pudim e a batata frita. A farofa é inimputável. A barriga sempre será de “chope”, jamais de mandioca. A farofa é única e autoral. Ela nunca sai igual, porque nunca somos os mesmos.
     A farofa é Heráclito puro: tudo flui ou se esfarela... Cada farofa é uma fotografia daquele dia, uma digital irrepetível. É feita do que tinha, de quem estava, de como a vida se apresentou naquela hora. Talvez seja como o vinho. Cada safra carrega o clima, a terra, o tempo, a mão do produtor, o jeito da uva naquele ano. E é justamente isso que torna cada garrafa única. Assim também é a farofa. Nunca se repete. E, por isso, é tão especial.
     No fim, como a vida, farofa não tem receita. E talvez essa seja a beleza única da planta. No fundo, a vida é feita disso. De memória, de afeto e de esperança. Esperança de que, enquanto houver gente, haverá também farofa. E que, afinal, todos somos “farofeiros da vida” – improvisando, sobrevivendo, rindo e despejando colheradas da deliciosa farofa sobre o prato. Comida é afeto e cultura. Vai uma farofinha no seu domingo?
Autor: Leandro Karnal - Estadão (adaptado).
Ao afirmar que “a farofa é Heráclito puro: tudo flui ou se esfarela”, o autor mobiliza uma referência filosófica para reforçar a ideia de que a farofa:
 

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Farofa, a comida mestiça que está na mesa dos pobres e dos ricos
       Eu vou saudar a farofa! Ela nunca exige protagonismo. Está ali, na beirada do prato, como quem não quer chamar atenção, mas, silenciosamente, sustenta toda a estrutura da refeição. Tire a farofa da mesa e logo surge um desconforto, uma ausência que ninguém consegue nomear, mas todos sentem. Ela tem a estranha virtude dos coadjuvantes indispensáveis.
      As raízes da farofa estão na mandioca, planta domesticada pelos povos originários muito antes de qualquer europeu sonhar em atravessar oceanos. A farinha de mandioca, assim, se tornou não só base alimentar, mas também uma herança cultural. E sim, já existia ali uma espécie de farofa — farinha tostada na gordura da caça, enriquecida com pedaços de peixe, raízes, frutas ou ervas locais.
       Depois veio o choque da colonização. Junto dele, a presença forçada dos africanos, sequestrados de suas terras, que trouxeram para a cozinha brasileira um repertório de técnicas e sabores que mudou tudo. Na mistura ameríndia, entraram as gorduras generosas, os miúdos, as carnes defumadas, as cebolas dourando, o dendê, as especiarias. A cozinha virou espaço de resistência, de criação, de memória e de reinvenção.
     Sérgio Buarque fala que as famílias do interior colonial torravam todos os dias sua mandioca. Era uma “fineza da terra”, uma sofisticação em meio agreste e rude. Ela viaja no alforje bandeirante e acompanha a lida do gado. Sobrevive a viagens. Misturada ao charque, alimenta a colônia.
    Os portugueses, sempre pragmáticos, se adaptaram. Sem trigo para o pão, adotaram a farinha de mandioca como substituto. Trouxeram carnes curadas, embutidos, métodos de charcutaria, e acrescentaram novas camadas a esse prato que nunca se apresenta como prato.
      O curioso é que, apesar de carregar toda essa história, a farofa nunca pede palco. Está ali para servir, para acompanhar, para dar sentido ao conjunto. Ninguém recebe apenas com um prato de farofa, mas fica uma lacuna se ela desaparecer.
      E há, talvez, algo de profundamente brasileiro nisso. A farofa é, por definição, a comida mestiça, da adaptação, da criatividade. É improviso! É nacional e local. Sai do solo como mandioca/macaxeira/aipim. Torna-se uma “poupança enterrada” que pode ser sacada quando necessária. Diferente de uma fruta que amadurece e exige ser colhida imediatamente, a raiz da mandioca dorme, engrossa e anuncia que aguardará semanas, meses, anos até ser resgatada e saciar fome.
     Geógrafos deterministas dizem que milho e arroz geram Estado e burocracia. A mandioca é mais libertadora de estruturas políticas complexas.
       Ela está na mesa do pobre e do rico. No almoço apressado da obra, surge da farinha tostada com um pouco de sal e gordura. No restaurante estrelado, esconde-se sob a alcunha de “farofa de panko com manteiga trufada e castanhas”. Ela circula com a mesma desenvoltura no churrasco de esquina e no brunch gourmet. Pode ser feita com ovo (adoro!), banana, bacon, torresmo, cebola, carne-seca, cogumelo, amêndoas ou até daquela última bolacha esquecida no fundo do armário. O século dezenove adorava com banha de porco, mas incorpora bem a manteiga e o azeite de oliva. Metamorfose absoluta: aumenta o que é pouco, engrossa o que é ralo e esfria o que é quente. É um signo aberto em plena mesa.
       A farinha funciona com o luxo e com a escassez. A farofa não julga. Ela aceita o que há. Vive do que sobra. Sobrevive do que se oferece. E, ainda assim, nunca é menos. Ela contraria o zelo nutricional. Você pegou arroz e batatas? Nada como uma farofinha por cima para unir de forma harmoniosa a cota de carboidratos. Engordou? O culpado será o pudim e a batata frita. A farofa é inimputável. A barriga sempre será de “chope”, jamais de mandioca. A farofa é única e autoral. Ela nunca sai igual, porque nunca somos os mesmos.
     A farofa é Heráclito puro: tudo flui ou se esfarela... Cada farofa é uma fotografia daquele dia, uma digital irrepetível. É feita do que tinha, de quem estava, de como a vida se apresentou naquela hora. Talvez seja como o vinho. Cada safra carrega o clima, a terra, o tempo, a mão do produtor, o jeito da uva naquele ano. E é justamente isso que torna cada garrafa única. Assim também é a farofa. Nunca se repete. E, por isso, é tão especial.
     No fim, como a vida, farofa não tem receita. E talvez essa seja a beleza única da planta. No fundo, a vida é feita disso. De memória, de afeto e de esperança. Esperança de que, enquanto houver gente, haverá também farofa. E que, afinal, todos somos “farofeiros da vida” – improvisando, sobrevivendo, rindo e despejando colheradas da deliciosa farofa sobre o prato. Comida é afeto e cultura. Vai uma farofinha no seu domingo?
Autor: Leandro Karnal - Estadão (adaptado).
No texto, a farofa é construída como elemento aparentemente secundário, mas dotado de forte densidade cultural e simbólica. Essa construção interpretativa se sustenta sobretudo porque o autor:
 

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Uma fábrica de produtos de polipropileno gera um código de identificação para cada novo produto que é criado e enviado para produção. Esse código é formado por quatro partes, nessa ordem: três dos dez algarismos existentes, sem possibilidade de repetição entre eles, mas importando a ordem; duas letras vogais, sem possibilidade de repetição entre elas, mas importando a ordem; um dos números primos entre 10 e 20; uma das letras consoantes existentes entre A e E, quando o alfabeto está em ordem alfabética. Nesse sentido, quantos códigos diferentes podem ser gerados?
Questão Anulada

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