Magna Concursos

Foram encontradas 1.493 questões.

Leia o texto a seguir para responder à questão.


Uma aurora doida


A aurora chegou tão bonita vestida de rosa, passou pela vidraça do quarto do hotel, de que não corro nunca as cortinas, passou através de minhas pálpebras, acordou meus olhos. Mas não me acordou a alma, que ficou dorme-simdorme-não, muito boba e semi-iluminada. Minha alma cheia de caracóis e formiguinhas.

Depois ela, a aurora, foi esvoaçar sobre os telhados e era como se aquilo estivesse acontecendo no passado e todo mundo fosse vivo. Meus olhos ficaram namorando aquela aurora doida que esvoaçava e se adelgaçava e me alienava e deixava nascer de seu ventre róseo os primeiros passarinhos matutinos.

Como são vivos e novos os passarinhos enxotados pela aurora! Como a alma de um homem é boba e vadia! Como a doçura da preguiça de uma criatura que amanhece é infinita! Como às vezes, tantas vezes, ao surgir o dia, o homem se descobre miraculosamente perdoado de todos os crimes, crimes não, das coisas feias que cometeu e das coisas belas que deixou de cometer. Quem nos perdoa, não sabemos. Deve ser assim: o sofrimento se junta, vai juntando dentro da gente, arranhando, lacerando, doendo, até que um dia a dor é tanta que nos pune. Então ficamos perdoados e felizes. Puros, recomeçamos de alma nova, passada a limpo como um exercício de escola.

Mas a aurora começou a sentir que ia morrer. Ficou pálida. Ficou mais pálida ainda. Um ventinho frio levantava as grinaldas da janela. As árvores começaram por milagre a dar folhas, flores e frutos. Os pássaros se coloriram. Ônibus fumacentos avançaram sobre a cidade. Homens gritavam vendendo coisas. A aurora foi ficando palidíssima e morreu, morreu diante dos meus olhos, no instante em que duas estrelinhas tímidas eram riscadas do espetáculo noturno. Amanhecia depressa demais.


Tinha chegado a hora do enterro da aurora. O coche, puxado por andorinhas de sobrecasaca, foi levado com solenidade para longe, para muito além de um monte azulmarinho e desapareceu.

Fiquei só outra vez, mas não dei a mínima. Por um momento quis que a aurora voltasse. Depois resolvi ser novamente um homem, com duas pernas, dois braços, dez dedos práticos, uma cabeça mais ou menos, mas capaz de decidir onde devo pôr os meus pés. Não é sadio ficar chorando a perda de uma aurora, mesmo uma aurora tão especial como aquela, capaz de perdoar-nos de todos os pecados.

Ergui-me da cama resoluto como um rei e fui lavar esta minha cara de português subjetivo. Escovei os dentes com um máximo de confiança. Abençoado sejas, irmão dentifrício, que me refrescas a boca habituada a venenos. Em jejum de alimento e ideias, acendi meu primeiro cigarro. Que me dá tosse. Abençoada sejas, irmã fumaça, que sobes para o céu.

Deitei-me na cama de novo, enquanto os cavalos dos poemas antigos traziam o astro-rei em atropelada brilhante. Vi-os, fortes e louros, irromper pelo céu onde tinha morrido de morte linda a aurora. Abençoado seja o Sol. Abençoado seja o dia. Abençoada seja a preguiça. Abençoados sejam os pássaros. Abençoadas sejam as criaturas. E abençoada seja a aurora. Que me perdoa de meus pecados.


CAMPOS, P. M. Uma aurora doida. In: Primeiro Plano - Diário Carioca, 1959. Disponível em Enunciado 4769754-1 .

O trecho a seguir, retirado do texto, que apresenta um advérbio de modo é:
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas

Leia o texto a seguir para responder à questão.


Uma aurora doida


A aurora chegou tão bonita vestida de rosa, passou pela vidraça do quarto do hotel, de que não corro nunca as cortinas, passou através de minhas pálpebras, acordou meus olhos. Mas não me acordou a alma, que ficou dorme-simdorme-não, muito boba e semi-iluminada. Minha alma cheia de caracóis e formiguinhas.

Depois ela, a aurora, foi esvoaçar sobre os telhados e era como se aquilo estivesse acontecendo no passado e todo mundo fosse vivo. Meus olhos ficaram namorando aquela aurora doida que esvoaçava e se adelgaçava e me alienava e deixava nascer de seu ventre róseo os primeiros passarinhos matutinos.

Como são vivos e novos os passarinhos enxotados pela aurora! Como a alma de um homem é boba e vadia! Como a doçura da preguiça de uma criatura que amanhece é infinita! Como às vezes, tantas vezes, ao surgir o dia, o homem se descobre miraculosamente perdoado de todos os crimes, crimes não, das coisas feias que cometeu e das coisas belas que deixou de cometer. Quem nos perdoa, não sabemos. Deve ser assim: o sofrimento se junta, vai juntando dentro da gente, arranhando, lacerando, doendo, até que um dia a dor é tanta que nos pune. Então ficamos perdoados e felizes. Puros, recomeçamos de alma nova, passada a limpo como um exercício de escola.

Mas a aurora começou a sentir que ia morrer. Ficou pálida. Ficou mais pálida ainda. Um ventinho frio levantava as grinaldas da janela. As árvores começaram por milagre a dar folhas, flores e frutos. Os pássaros se coloriram. Ônibus fumacentos avançaram sobre a cidade. Homens gritavam vendendo coisas. A aurora foi ficando palidíssima e morreu, morreu diante dos meus olhos, no instante em que duas estrelinhas tímidas eram riscadas do espetáculo noturno. Amanhecia depressa demais.


Tinha chegado a hora do enterro da aurora. O coche, puxado por andorinhas de sobrecasaca, foi levado com solenidade para longe, para muito além de um monte azulmarinho e desapareceu.

Fiquei só outra vez, mas não dei a mínima. Por um momento quis que a aurora voltasse. Depois resolvi ser novamente um homem, com duas pernas, dois braços, dez dedos práticos, uma cabeça mais ou menos, mas capaz de decidir onde devo pôr os meus pés. Não é sadio ficar chorando a perda de uma aurora, mesmo uma aurora tão especial como aquela, capaz de perdoar-nos de todos os pecados.

Ergui-me da cama resoluto como um rei e fui lavar esta minha cara de português subjetivo. Escovei os dentes com um máximo de confiança. Abençoado sejas, irmão dentifrício, que me refrescas a boca habituada a venenos. Em jejum de alimento e ideias, acendi meu primeiro cigarro. Que me dá tosse. Abençoada sejas, irmã fumaça, que sobes para o céu.

Deitei-me na cama de novo, enquanto os cavalos dos poemas antigos traziam o astro-rei em atropelada brilhante. Vi-os, fortes e louros, irromper pelo céu onde tinha morrido de morte linda a aurora. Abençoado seja o Sol. Abençoado seja o dia. Abençoada seja a preguiça. Abençoados sejam os pássaros. Abençoadas sejam as criaturas. E abençoada seja a aurora. Que me perdoa de meus pecados.


CAMPOS, P. M. Uma aurora doida. In: Primeiro Plano - Diário Carioca, 1959. Disponível em Enunciado 4769753-1 .

No texto, por vezes, o narrador se utiliza da figura de linguagem de personificação. Um trecho que o exemplifica é:
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
3925462 Ano: 2025
Disciplina: Pedagogia
Banca: Avança SP
Orgão: Pref. Cerquilho-SP
Provas:
Assinale a alternativa que apresenta o tipo de avaliação normalmente aplicada no início de uma etapa escolar, com o objetivo de sondar o nível de aprendizagem dos alunos para planejamento das etapas seguintes.
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
3925461 Ano: 2025
Disciplina: Pedagogia
Banca: Avança SP
Orgão: Pref. Cerquilho-SP
Provas:
Em “Pedagogia da Autonomia”, Paulo Freire desenvolve uma série de tópicos sobre a Educação, os quais são reunidos em três ideias básicas, que são as seguintes:
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
3925460 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: Avança SP
Orgão: Pref. Cerquilho-SP
Provas:
“Os linguistas nunca preconizaram a substituição do português padrão por qualquer forma de português não padrão como língua-alvo da escola: defenderam, o que é muito diferente, 1) que as variedades não padrão são línguas de pleno direito, no plano estrutural e até mesmo estético (...); 2) que as variedades não padrão podem ser utilizadas como um fator positivo no ensino, e até por esse motivo devem ser tratadas com respeito e 3) que a representação do português padrão que se pode retirar das gramáticas normativas é extremamente pobre.”
(ILARI, Rodolfo. Por que (não) ensinar gramática na escola, p. 177)
Com base no excerto acima, assinale a afirmativa correta.
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
3925459 Ano: 2025
Disciplina: Comunicação Social
Banca: Avança SP
Orgão: Pref. Cerquilho-SP
Provas:
Assinale a alternativa que completa corretamente a lacuna do enunciado abaixo:
“As __________ são o conjunto de ferramentas e recursos tecnológicos usados para processar, armazenar, transmitir e acessar informações, facilitando a comunicação e a automação de processos.”
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
3925458 Ano: 2025
Disciplina: Pedagogia
Banca: Avança SP
Orgão: Pref. Cerquilho-SP
Provas:

De acordo com Lev Vygotsky, existem três zonas de desenvolvimento, representadas no diagrama abaixo:

Enunciado 4769748-1

As atividades de ensino-aprendizagem devem se situar nos limites da(s):

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
3925457 Ano: 2025
Disciplina: Pedagogia
Banca: Avança SP
Orgão: Pref. Cerquilho-SP
Provas:
De acordo com a Lei nº 9.394/1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), compõem a educação escolar:
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
3925456 Ano: 2025
Disciplina: Direito da Criança e do Adolescente
Banca: Avança SP
Orgão: Pref. Cerquilho-SP
Provas:
Para efeitos de aplicação da Lei nº 8.069/1990 – Estatuto da Criança e do Adolescente, é considerado(a):
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
3925455 Ano: 2025
Disciplina: Pedagogia
Banca: Avança SP
Orgão: Pref. Cerquilho-SP
Provas:
Entre os princípios básicos do ensino, previstos pela Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, figura:
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas