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Escutatória
Por Rubem Alves
Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular.
Faz muito tempo, nunca me esqueci. Eu ia de ônibus. Atrás duas mulheres conversavam. Uma delas contava para a amiga os seus sofrimentos. Uma delas contava do marido hospitalizado, dos médicos, dos exames complicados, das injeções na veia – a enfermeira nunca acertava – dos vômitos e das urinas. Era um relato comovente de dor. Até que o relato chegou ao fim, esperando, evidentemente, o aplauso, admiração, uma palavra de acolhimento na alma da outra que, supostamente, ouvia. Contudo, o que a sofredora ouviu foi o seguinte: “Mas isso não é nada…” A segunda iniciou, então, uma história de sofrimentos incomparavelmente mais terríveis e dignos de uma ópera que os sofrimentos da primeira.
Daí a dificuldade: a gente não aguenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor. No fundo somos todos iguais às duas mulheres do ônibus. Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil da nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos…
Há grupos religiosos cuja liturgia consiste de silêncio. Faz alguns anos passei uma semana num mosteiro na Suíça, Grand Champs. Eu e algumas outras pessoas ali estávamos para, juntos, escrever um livro. Era uma antiga fazenda. Velhas construções, não me esqueço da água no chafariz onde as pombas vinham beber. Havia uma disciplina de silêncio, não total, mas de uma fala mínima. O que me deu enorme prazer às refeições. Não tinha a obrigação de manter uma conversa com meus vizinhos de mesa. Podia comer pensando na comida. Também para comer é preciso não ter filosofia. Não ter obrigação de falar é uma felicidade. Mas logo fui informado que parte da disciplina do mosteiro era participar da liturgia três vezes por dia: às 7 da manhã, ao meio dia e às 6 da tarde. Estremeci de medo. Mas obedeci. O lugar sagrado era um velho celeiro, todo de madeira, teto muito alto. Escuro. Haviam aberto buracos na madeira, ali colocando vidros de várias cores. Era uma atmosfera de luz mortiça, iluminado por algumas velas sobre o altar, uma mesa simples com um ícone oriental de Cristo. Uns poucos bancos arranjados em “U” definiam um amplo espaço vazio, no centro, onde quem quisesse podia se assentar numa almofada, sobre um tapete. Cheguei alguns minutos antes da hora marcada. Era um grande silêncio. Estranhei. Os suíços são sempre pontuais. A liturgia não começava. E ninguém tomava providências. Todos continuavam do mesmo jeito, sem nada fazer. Ninguém que se levantasse para dizer: “Meus irmãos, vamos cantar o hino…” Cinco minutos, dez, quinze. Só depois de vinte minutos é que eu, estúpido, percebi que tudo já se iniciara vinte minutos antes. As pessoas estavam lá para se alimentar de silêncio. E eu comecei a me alimentar de silêncio também. Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia. Eu comecei a ouvir. Me veio agora a ideia de que, talvez, essa seja a essência da experiência religiosa – quando ficamos mudos, sem fala. Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia que de tão linda nos faz chorar. Pra mim Deus é isso: a beleza que se ouve no silêncio. Daí a importância de saber ouvir os outros: a beleza mora lá também. Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto…
Disponível em: http://www.institutorubemalves.org.br/rubem-alves/carpe-diem/cronicas/escutatoria-3/ - texto adaptado.
Assinale a alternativa na qual haja a ocorrência de um dígrafo.
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Saúde e tecnologia, uma relação complexa
Uma coisa não se pode negar, o mundo evoluiu tecnologicamente nas últimas cinco décadas muito mais que nos demais séculos juntos. E os impactos dessa evolução tecnológica tem transformado a vida em sociedade e acarretado efeitos positivos e negativos.
Se por um lado, com um pequenino delay, se pode conversar por vídeo com alguém que esteja do outro lado do mundo usando um aparelho que muitas pessoas ......... no bolso, existem pessoas que estando na mesma mesa não trocam duas palavras durante uma refeição conjunta, pois estão constantemente usando um smartphone.
Viagens de muitos quilômetros que duravam dias, de trem ou carro de boi, hoje podem ser feitas em algumas horas num automóvel comum. Mas há também quem não vá até a padaria ou ao mercadinho a 100 metros de sua residência sem usar um carro ou motocicleta.
A tecnologia, como tudo na vida, ......... prós e contras e quem pode maximizar ou minimizar seus impactos somos nós, que decidimos como usá-la. Mas e como saber qual o ponto de equilíbrio? Simples, quando começam a haver prejuízos diretos na saúde pessoal e coletiva, que poderiam ser evitados com mudanças comportamentais no cotidiano.
Quem não conhece pais, professoras e gestores preocupados com uso excessivo de smartphones e mídias sociais entre seus grupos cotidianos, por entenderem que podem trazer prejuízo ao seu desempenho? Ou quem pense em usar menos o automóvel para resolver problemas de excesso de peso e outras doenças que geralmente são associadas a ele?
O fato é que quando o uso de tecnologias passa a prejudicar a saúde, as habilidades sociais e mesmo o desempenho laboral precisam ser revistos. Movimentos nesse sentido ......... sido feitos por grupos de amigos que ao se encontrarem, desligam ou guardam os celulares para aproveitar melhor interagir face a face.
Algumas famílias ......... colocado regras de uso de celular durante refeições e atividades em conjunto. Empresas ........., quanto ao uso de smartphone durante o expediente, restringido e flexibilizado horários para auxiliar quem utiliza esquemas coletivos de carona ou bicicleta, como formas de transporte no roteiro casa-trabalho-casa.
Duas décadas atrás foi preciso regrar o uso do cigarro e do celular, para manter a convivência coletiva em níveis aceitáveis, privilegiando o bem comum. O caminho agora, também precisa ser construído coletivamente, procurando o equilíbrio e buscando utilizar a tecnologia como instrumento de crescimento e não de deterioração das relações, da saúde e do meio ambiente.
(Fonte: Renan da Cunha Soares Júnior, campograndenews.com.br/artigos/saude-e-tecnologia-uma-relacao-complexa, publicado em 09-06-2017 – texto adaptado.)
No que tange à flexão do verbo ter, assinale a alternativa que completa, correta e respectivamente, as lacunas pontilhadas.
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1440681
Ano: 2018
Disciplina: Serviço Social
Banca: FUNDATEC
Orgão: Pref. Monte Belo do Sul-RS
Disciplina: Serviço Social
Banca: FUNDATEC
Orgão: Pref. Monte Belo do Sul-RS
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Considerando o planejamento da intervenção social, analise as afirmativas abaixo:
I. O planejamento supõe ação contínua sobre um conjunto dinâmico de situações em um determinado momento histórico.
II. A dimensão política do planejamento decorre de que é um processo contínuo de tomada de decisões.
III. Para que o planejado se efetive na direção desejada, basta enfatizar os aspectos técnicos operativos tradicionais.
IV. Na prática, a (re)construção do objeto da ação profissional é um processo que envolve apenas a operacionalização das demandas institucionais.
V. Para que a identificação das prioridades de intervenção se faça de maneira racional e objetiva, é preciso considerar os critérios de relevância e viabilidade.
Quais estão corretas?
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Segunda Fase do Modernismo
A segunda fase do modernismo, que iniciou em 1930 e terminou em 1945, é repleta de obras literárias com domínio da prova de quase absoluta ficção. Foi nesse período também que as novas formas de arte apresentadas na primeira fase do movimento começaram, de fato, a se espalhar entre os artistas, fato este que faz com que a segunda fase seja conhecida, também, pela alcunha de “Fase da Consolidação”, ou seja, os ideais modernistas passaram a ser difundidos e as suas estruturas começaram a ser edificadas na cultura do país. Nesse momento, em que o Brasil vivia sob o governo de Getúlio Vargas e o viu instituir um golpe de estado no país sob a argumentação de que o Brasil estava ameaçado de um golpe comunista (o Plano Cohen), o modernismo seguiu sendo uma referência no mundo das artes, ainda mais, pela sua consolidação como tal. É válido lembrar que essa época era de enorme turbulência para todo o mundo, visto que o planeta estava em plena época da Segunda Guerra Mundial, que terminou, justamente, em 1945, quando a segunda fase do modernismo também se encerrou.
(Fonte: http://cultura.culturamix.com/literatura/fases-do-modernismo - fragmento adaptado)
Em relação ao último período do texto, avalie as afirmações que seguem:
I. Evidencia-se a ocorrência de seis orações subordinadas.
II. As duas ocorrências da palavra ‘que’, destacadas no fragmento, pertencem à mesma classe gramatical.
III. ‘Visto que’ e ‘quando’, sem prejuízo do sentido ou necessidade de ajustes, poderiam ser substituídos, respectivamente, por ainda que e consoante.
Quais estão corretas?
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Depoimento de uma professora do 1º ano: “Os alunos estavam muito motivados para a visita ao zoológico. Eles fizeram o relato com prazer porque se lembravam da visita realizada e puderam comentar com os seus pais e colegas suas observações. Mostraram-se muito orgulhosos por terem sido capazes de escrever o pequeno relato.” (JOLIBERT, 2006) Em relação à produção textual, conforme o referido autor, é correto afirmar que:
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Analise as seguintes afirmativas em relação aos possíveis efeitos colaterais dos diuréticos tiazídicos:
I. Aumentam o ritmo de filtração glomerular.
II. Diminuem a glicemia e a uricemia.
III. Aumentam níveis de LDL e dos triglicerídeos.
Quais estão corretas?
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O fracasso escolar não deve ser uma análise apenas da psicopedagogia. O fracasso escolar nasce de um “discurso fraturado”, em que se deve considerar importantes elementos. Qual o elemento norteador do estudo psicopedagógico?
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1440675
Ano: 2018
Disciplina: Legislação Municipal
Banca: FUNDATEC
Orgão: Pref. Monte Belo do Sul-RS
Disciplina: Legislação Municipal
Banca: FUNDATEC
Orgão: Pref. Monte Belo do Sul-RS
Considere a Lei Municipal nº 366/2001 e suas alterações posteriores até a Lei Municipal nº 1.302/2017, que dispõe sobre o Regime Jurídico dos Servidores Públicos do Município de Monte Belo do Sul.
De acordo com o art. 21, do referido Regime, ao entrar em exercício, o servidor nomeado para cargo de provimento efetivo ficará sujeito a estágio probatório porperíodo de 36 (trinta e seis) meses, durante o qual a sua aptidão, capacidade e desempenho serão objeto de avaliação por Comissão Especial designada para esse fim, com vista à aquisição da estabilidade. Nesse sentido, dentre os quesitos que deverão ser observados na avaliação do servidor, durante o estágio probatório, estão:
I. Eficiência.
II. Responsabilidade.
III. Relacionamento.
IV. Iniciativa.
Quais estão corretos?
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1440674
Ano: 2018
Disciplina: Direito Constitucional
Banca: FUNDATEC
Orgão: Pref. Monte Belo do Sul-RS
Disciplina: Direito Constitucional
Banca: FUNDATEC
Orgão: Pref. Monte Belo do Sul-RS
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Considere a Lei Orgânica do Município de Monte Belo do Sul, vigente na data do edital do presente concurso.
De acordo com o art. 47, da referida Lei Orgânica, no processo legislativo NÃO está a elaboração de:
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Em uma escola de educação infantil, trabalham 52 funcionários nas funções de auxiliar de creche e monitores. Sabe-se que a razão entre o número de monitores e de auxiliares de creche é de cinco para oito. Nessa situação, o número total de monitores corresponde a:
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