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Máfia do pau-brasil: esquema ilegal alimenta mercado global de violinos

Por Augusta Lunardi, Giacomo Zandonini e Natália Alana

A luz da tarde já entrava pelas janelas quando João Santos caminhou até um cofre de

metal numa sala estreita, tomada por pilhas de documentos, em um prédio do Ibama. Girou a

fechadura com a naturalidade de quem repete aquele gesto há anos. Do lado de dentro, não

havia dinheiro, armas ou joias — apenas dezenas de varetas de pau-brasil, já cortadas e prontas

para virar arcos de violino. Amarrados a cada lote, pequenos pedaços de papel traziam nomes

de empresas escritos ... mão. “Esse material vale milhões de reais; por isso, fica tão escondido”,

disse Santos ... reportagem da Agência Pública.

Santos é analista do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais

Renováveis (Ibama) e, por questões de segurança, seu nome foi alterado e o local onde trabalha

não será identificado. O principal depósito do Ibama, onde estão armazenadas toneladas de

pau-brasil apreendidas nos últimos anos, permanece fechado a visitas externas. A reportagem

solicitou acesso, mas o órgão negou o pedido, alegando motivos de segurança.

O Ibama conta com apenas 900 agentes responsáveis por proteger o meio ambiente e

combater o tráfico de fauna e flora em todo o país. Em 2018, na chamada Operação Dó Ré Mi,

um pequeno grupo de fiscais passou a investigar o comércio de madeira avermelhada,

considerada há séculos a matéria-prima ideal para os arcos dos instrumentos de corda mais

prestigiados do mundo. Três anos depois da Dó Ré Mi, em cooperação com a Polícia Federal (PF),

deflagraram-se as operações Ibirapitanga I e II — que ajudariam ... desvendar um sofisticado

esquema de fraude envolvendo a comercialização do pau-brasil, uma das espécies mais

ameaçadas da Mata Atlântica.

A investigação da Operação Dó Ré Mi começou em Guaraná, distrito do município de

Aracruz, no Espírito Santo, a cerca de cem quilômetros de Vitória. Cercada por morros verdes,

cafezais e fragmentos remanescentes da Mata Atlântica, a localidade pouco difere de tantas

outras comunidades rurais do interior brasileiro. Mas foi ali que fiscais passaram a rastrear

toneladas de toras e varetas de pau-brasil extraídas ilegalmente de áreas protegidas e mantidas

em depósitos sem documentação ou acobertadas por registros fraudulentos.

Uma única rua de Guaraná concentra algumas das principais empresas de arcos de violino

do Brasil: Arcos Brasil, Archets Brasil, Bogen Schaeffer e Horst John & Co. Em meio a casas

simples e oficinas discretas, ali se estabeleceu um polo que, nas últimas décadas, passou a

fornecer arcos e varetas para músicos, lojas de instrumentos e fabricantes especializados no

mundo todo. Ao contrário dos tradicionais ateliês europeus — muitos deles centenários,

conduzidos pelas mesmas famílias há gerações —, as empresas de Guaraná surgiram há bem

menos tempo. Ainda assim, abocanharam um dos segmentos mais exclusivos da indústria de

instrumentos musicais graças a uma vantagem que nenhum concorrente estrangeiro pode

alcançar: o acesso ao pau-brasil.

Ameaçado de extinção, o pau-brasil resiste hoje em fragmentos da Mata Atlântica,

sobretudo no sul da Bahia e no Rio de Janeiro, com pequenos núcleos também no Rio Grande do

Norte, na Paraíba, em Pernambuco, em Alagoas e no Espírito Santo.

Na origem dessa história está Horst Ewald Günther John, conhecido em Guaraná apenas

como Horst John. Depois da Segunda Guerra Mundial, o comerciante alemão se estabeleceu no

Espírito Santo e passou a atuar na extração e na comercialização de madeira. Nos anos 1970,

enxergou uma oportunidade de ir além da exportação da matéria-prima ao começar a enviar

jovens da região à Alemanha para aprender, com mestres archetiers, a arte de fabricar arcos

para instrumentos de corda. Em 1979, fundou a Horst John & Company e, em poucos anos,

Guaraná tornou-se referência internacional.

(Disponível em: https://apublica.org/2026/07/pau-brasil-como-se-da-esquema-ilegal-da-madeira-que-nomeou-pais/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

No fragmento retirado do texto “Do lado de dentro, não havia dinheiro, armas ou joias”, a expressão “Do lado de dentro” exerce a função de ______________, e a vírgula foi empregada para separar essa expressão, que se encontra ______________. O verbo “havia”, empregado com o sentido de existir, é ______________; consequentemente, a oração é ______________, e o segmento “dinheiro, armas ou joias” exerce a função de ______________.

Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do trecho acima.

 

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Por Augusta Lunardi, Giacomo Zandonini e Natália Alana

A luz da tarde já entrava pelas janelas quando João Santos caminhou até um cofre de

metal numa sala estreita, tomada por pilhas de documentos, em um prédio do Ibama. Girou a

fechadura com a naturalidade de quem repete aquele gesto há anos. Do lado de dentro, não

havia dinheiro, armas ou joias — apenas dezenas de varetas de pau-brasil, já cortadas e prontas

para virar arcos de violino. Amarrados a cada lote, pequenos pedaços de papel traziam nomes

de empresas escritos ... mão. “Esse material vale milhões de reais; por isso, fica tão escondido”,

disse Santos ... reportagem da Agência Pública.

Santos é analista do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais

Renováveis (Ibama) e, por questões de segurança, seu nome foi alterado e o local onde trabalha

não será identificado. O principal depósito do Ibama, onde estão armazenadas toneladas de

pau-brasil apreendidas nos últimos anos, permanece fechado a visitas externas. A reportagem

solicitou acesso, mas o órgão negou o pedido, alegando motivos de segurança.

O Ibama conta com apenas 900 agentes responsáveis por proteger o meio ambiente e

combater o tráfico de fauna e flora em todo o país. Em 2018, na chamada Operação Dó Ré Mi,

um pequeno grupo de fiscais passou a investigar o comércio de madeira avermelhada,

considerada há séculos a matéria-prima ideal para os arcos dos instrumentos de corda mais

prestigiados do mundo. Três anos depois da Dó Ré Mi, em cooperação com a Polícia Federal (PF),

deflagraram-se as operações Ibirapitanga I e II — que ajudariam ... desvendar um sofisticado

esquema de fraude envolvendo a comercialização do pau-brasil, uma das espécies mais

ameaçadas da Mata Atlântica.

A investigação da Operação Dó Ré Mi começou em Guaraná, distrito do município de

Aracruz, no Espírito Santo, a cerca de cem quilômetros de Vitória. Cercada por morros verdes,

cafezais e fragmentos remanescentes da Mata Atlântica, a localidade pouco difere de tantas

outras comunidades rurais do interior brasileiro. Mas foi ali que fiscais passaram a rastrear

toneladas de toras e varetas de pau-brasil extraídas ilegalmente de áreas protegidas e mantidas

em depósitos sem documentação ou acobertadas por registros fraudulentos.

Uma única rua de Guaraná concentra algumas das principais empresas de arcos de violino

do Brasil: Arcos Brasil, Archets Brasil, Bogen Schaeffer e Horst John & Co. Em meio a casas

simples e oficinas discretas, ali se estabeleceu um polo que, nas últimas décadas, passou a

fornecer arcos e varetas para músicos, lojas de instrumentos e fabricantes especializados no

mundo todo. Ao contrário dos tradicionais ateliês europeus — muitos deles centenários,

conduzidos pelas mesmas famílias há gerações —, as empresas de Guaraná surgiram há bem

menos tempo. Ainda assim, abocanharam um dos segmentos mais exclusivos da indústria de

instrumentos musicais graças a uma vantagem que nenhum concorrente estrangeiro pode

alcançar: o acesso ao pau-brasil.

Ameaçado de extinção, o pau-brasil resiste hoje em fragmentos da Mata Atlântica,

sobretudo no sul da Bahia e no Rio de Janeiro, com pequenos núcleos também no Rio Grande do

Norte, na Paraíba, em Pernambuco, em Alagoas e no Espírito Santo.

Na origem dessa história está Horst Ewald Günther John, conhecido em Guaraná apenas

como Horst John. Depois da Segunda Guerra Mundial, o comerciante alemão se estabeleceu no

Espírito Santo e passou a atuar na extração e na comercialização de madeira. Nos anos 1970,

enxergou uma oportunidade de ir além da exportação da matéria-prima ao começar a enviar

jovens da região à Alemanha para aprender, com mestres archetiers, a arte de fabricar arcos

para instrumentos de corda. Em 1979, fundou a Horst John & Company e, em poucos anos,

Guaraná tornou-se referência internacional.

(Disponível em: https://apublica.org/2026/07/pau-brasil-como-se-da-esquema-ilegal-da-madeira-que-nomeou-pais/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

Sobre o fragmento retirado do texto “A reportagem solicitou acesso, mas o órgão negou o pedido, alegando motivos de segurança”, analise as perguntas abaixo:

• Como se classifica a oração “A reportagem solicitou acesso” em relação à oração seguinte?
• Em “A reportagem”, qual é a função sintática do vocábulo “A”?
• No trecho, qual é, respectivamente, a predicação dos verbos “solicitou” e “negou”?
• Na conversão da primeira oração para “O acesso foi solicitado pela reportagem”, qual é a função sintática de “pela reportagem”?
• Na conversão da segunda oração para “o pedido foi negado pelo órgão”, qual é a função sintática de “o pedido”?

Assinale a alternativa que indica, correta e respectivamente, as respostas para as perguntas acima.

 

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A luz da tarde já entrava pelas janelas quando João Santos caminhou até um cofre de

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fechadura com a naturalidade de quem repete aquele gesto há anos. Do lado de dentro, não

havia dinheiro, armas ou joias — apenas dezenas de varetas de pau-brasil, já cortadas e prontas

para virar arcos de violino. Amarrados a cada lote, pequenos pedaços de papel traziam nomes

de empresas escritos ... mão. “Esse material vale milhões de reais; por isso, fica tão escondido”,

disse Santos ... reportagem da Agência Pública.

Santos é analista do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais

Renováveis (Ibama) e, por questões de segurança, seu nome foi alterado e o local onde trabalha

não será identificado. O principal depósito do Ibama, onde estão armazenadas toneladas de

pau-brasil apreendidas nos últimos anos, permanece fechado a visitas externas. A reportagem

solicitou acesso, mas o órgão negou o pedido, alegando motivos de segurança.

O Ibama conta com apenas 900 agentes responsáveis por proteger o meio ambiente e

combater o tráfico de fauna e flora em todo o país. Em 2018, na chamada Operação Dó Ré Mi,

um pequeno grupo de fiscais passou a investigar o comércio de madeira avermelhada,

considerada há séculos a matéria-prima ideal para os arcos dos instrumentos de corda mais

prestigiados do mundo. Três anos depois da Dó Ré Mi, em cooperação com a Polícia Federal (PF),

deflagraram-se as operações Ibirapitanga I e II — que ajudariam ... desvendar um sofisticado

esquema de fraude envolvendo a comercialização do pau-brasil, uma das espécies mais

ameaçadas da Mata Atlântica.

A investigação da Operação Dó Ré Mi começou em Guaraná, distrito do município de

Aracruz, no Espírito Santo, a cerca de cem quilômetros de Vitória. Cercada por morros verdes,

cafezais e fragmentos remanescentes da Mata Atlântica, a localidade pouco difere de tantas

outras comunidades rurais do interior brasileiro. Mas foi ali que fiscais passaram a rastrear

toneladas de toras e varetas de pau-brasil extraídas ilegalmente de áreas protegidas e mantidas

em depósitos sem documentação ou acobertadas por registros fraudulentos.

Uma única rua de Guaraná concentra algumas das principais empresas de arcos de violino

do Brasil: Arcos Brasil, Archets Brasil, Bogen Schaeffer e Horst John & Co. Em meio a casas

simples e oficinas discretas, ali se estabeleceu um polo que, nas últimas décadas, passou a

fornecer arcos e varetas para músicos, lojas de instrumentos e fabricantes especializados no

mundo todo. Ao contrário dos tradicionais ateliês europeus — muitos deles centenários,

conduzidos pelas mesmas famílias há gerações —, as empresas de Guaraná surgiram há bem

menos tempo. Ainda assim, abocanharam um dos segmentos mais exclusivos da indústria de

instrumentos musicais graças a uma vantagem que nenhum concorrente estrangeiro pode

alcançar: o acesso ao pau-brasil.

Ameaçado de extinção, o pau-brasil resiste hoje em fragmentos da Mata Atlântica,

sobretudo no sul da Bahia e no Rio de Janeiro, com pequenos núcleos também no Rio Grande do

Norte, na Paraíba, em Pernambuco, em Alagoas e no Espírito Santo.

Na origem dessa história está Horst Ewald Günther John, conhecido em Guaraná apenas

como Horst John. Depois da Segunda Guerra Mundial, o comerciante alemão se estabeleceu no

Espírito Santo e passou a atuar na extração e na comercialização de madeira. Nos anos 1970,

enxergou uma oportunidade de ir além da exportação da matéria-prima ao começar a enviar

jovens da região à Alemanha para aprender, com mestres archetiers, a arte de fabricar arcos

para instrumentos de corda. Em 1979, fundou a Horst John & Company e, em poucos anos,

Guaraná tornou-se referência internacional.

(Disponível em: https://apublica.org/2026/07/pau-brasil-como-se-da-esquema-ilegal-da-madeira-que-nomeou-pais/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

No fragmento retirado do texto “Ainda assim, abocanharam um dos segmentos mais exclusivos da indústria de instrumentos musicais graças a uma vantagem que nenhum concorrente estrangeiro pode alcançar: o acesso ao pau-brasil”, o emprego figurado do verbo “abocanharam” contribui para

 

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A luz da tarde já entrava pelas janelas quando João Santos caminhou até um cofre de

metal numa sala estreita, tomada por pilhas de documentos, em um prédio do Ibama. Girou a

fechadura com a naturalidade de quem repete aquele gesto há anos. Do lado de dentro, não

havia dinheiro, armas ou joias — apenas dezenas de varetas de pau-brasil, já cortadas e prontas

para virar arcos de violino. Amarrados a cada lote, pequenos pedaços de papel traziam nomes

de empresas escritos ... mão. “Esse material vale milhões de reais; por isso, fica tão escondido”,

disse Santos ... reportagem da Agência Pública.

Santos é analista do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais

Renováveis (Ibama) e, por questões de segurança, seu nome foi alterado e o local onde trabalha

não será identificado. O principal depósito do Ibama, onde estão armazenadas toneladas de

pau-brasil apreendidas nos últimos anos, permanece fechado a visitas externas. A reportagem

solicitou acesso, mas o órgão negou o pedido, alegando motivos de segurança.

O Ibama conta com apenas 900 agentes responsáveis por proteger o meio ambiente e

combater o tráfico de fauna e flora em todo o país. Em 2018, na chamada Operação Dó Ré Mi,

um pequeno grupo de fiscais passou a investigar o comércio de madeira avermelhada,

considerada há séculos a matéria-prima ideal para os arcos dos instrumentos de corda mais

prestigiados do mundo. Três anos depois da Dó Ré Mi, em cooperação com a Polícia Federal (PF),

deflagraram-se as operações Ibirapitanga I e II — que ajudariam ... desvendar um sofisticado

esquema de fraude envolvendo a comercialização do pau-brasil, uma das espécies mais

ameaçadas da Mata Atlântica.

A investigação da Operação Dó Ré Mi começou em Guaraná, distrito do município de

Aracruz, no Espírito Santo, a cerca de cem quilômetros de Vitória. Cercada por morros verdes,

cafezais e fragmentos remanescentes da Mata Atlântica, a localidade pouco difere de tantas

outras comunidades rurais do interior brasileiro. Mas foi ali que fiscais passaram a rastrear

toneladas de toras e varetas de pau-brasil extraídas ilegalmente de áreas protegidas e mantidas

em depósitos sem documentação ou acobertadas por registros fraudulentos.

Uma única rua de Guaraná concentra algumas das principais empresas de arcos de violino

do Brasil: Arcos Brasil, Archets Brasil, Bogen Schaeffer e Horst John & Co. Em meio a casas

simples e oficinas discretas, ali se estabeleceu um polo que, nas últimas décadas, passou a

fornecer arcos e varetas para músicos, lojas de instrumentos e fabricantes especializados no

mundo todo. Ao contrário dos tradicionais ateliês europeus — muitos deles centenários,

conduzidos pelas mesmas famílias há gerações —, as empresas de Guaraná surgiram há bem

menos tempo. Ainda assim, abocanharam um dos segmentos mais exclusivos da indústria de

instrumentos musicais graças a uma vantagem que nenhum concorrente estrangeiro pode

alcançar: o acesso ao pau-brasil.

Ameaçado de extinção, o pau-brasil resiste hoje em fragmentos da Mata Atlântica,

sobretudo no sul da Bahia e no Rio de Janeiro, com pequenos núcleos também no Rio Grande do

Norte, na Paraíba, em Pernambuco, em Alagoas e no Espírito Santo.

Na origem dessa história está Horst Ewald Günther John, conhecido em Guaraná apenas

como Horst John. Depois da Segunda Guerra Mundial, o comerciante alemão se estabeleceu no

Espírito Santo e passou a atuar na extração e na comercialização de madeira. Nos anos 1970,

enxergou uma oportunidade de ir além da exportação da matéria-prima ao começar a enviar

jovens da região à Alemanha para aprender, com mestres archetiers, a arte de fabricar arcos

para instrumentos de corda. Em 1979, fundou a Horst John & Company e, em poucos anos,

Guaraná tornou-se referência internacional.

(Disponível em: https://apublica.org/2026/07/pau-brasil-como-se-da-esquema-ilegal-da-madeira-que-nomeou-pais/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

Com base no fragmento retirado do texto “Mas foi ali que fiscais passaram a rastrear toneladas de toras e varetas de pau-brasil extraídas ilegalmente de áreas protegidas e mantidas em depósitos sem documentação ou acobertadas por registros fraudulentos”, sobre os vocábulos sublinhados, analise a sentença abaixo:

O vocábulo “Mas” é uma conjunção coordenativa adversativa que estabelece uma relação de contraste com a informação apresentada anteriormente no texto, enquanto o vocábulo “e”, empregado entre “toras” e “varetas”, é uma conjunção coordenativa aditiva que liga termos de mesma função sintática (1ª parte). O vocábulo “ilegalmente” é um advérbio de modo que modifica a forma verbal “extraídas”, indicando a maneira como ocorreu a extração das toras e varetas de pau-brasil (2ª parte). O vocábulo “fraudulentos” é um adjetivo que caracteriza o substantivo “registros” e exerce, no fragmento, a função sintática de predicativo do sujeito (3ª parte).

Quais partes estão corretas?

 

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Por Augusta Lunardi, Giacomo Zandonini e Natália Alana

A luz da tarde já entrava pelas janelas quando João Santos caminhou até um cofre de

metal numa sala estreita, tomada por pilhas de documentos, em um prédio do Ibama. Girou a

fechadura com a naturalidade de quem repete aquele gesto há anos. Do lado de dentro, não

havia dinheiro, armas ou joias — apenas dezenas de varetas de pau-brasil, já cortadas e prontas

para virar arcos de violino. Amarrados a cada lote, pequenos pedaços de papel traziam nomes

de empresas escritos ... mão. “Esse material vale milhões de reais; por isso, fica tão escondido”,

disse Santos ... reportagem da Agência Pública.

Santos é analista do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais

Renováveis (Ibama) e, por questões de segurança, seu nome foi alterado e o local onde trabalha

não será identificado. O principal depósito do Ibama, onde estão armazenadas toneladas de

pau-brasil apreendidas nos últimos anos, permanece fechado a visitas externas. A reportagem

solicitou acesso, mas o órgão negou o pedido, alegando motivos de segurança.

O Ibama conta com apenas 900 agentes responsáveis por proteger o meio ambiente e

combater o tráfico de fauna e flora em todo o país. Em 2018, na chamada Operação Dó Ré Mi,

um pequeno grupo de fiscais passou a investigar o comércio de madeira avermelhada,

considerada há séculos a matéria-prima ideal para os arcos dos instrumentos de corda mais

prestigiados do mundo. Três anos depois da Dó Ré Mi, em cooperação com a Polícia Federal (PF),

deflagraram-se as operações Ibirapitanga I e II — que ajudariam ... desvendar um sofisticado

esquema de fraude envolvendo a comercialização do pau-brasil, uma das espécies mais

ameaçadas da Mata Atlântica.

A investigação da Operação Dó Ré Mi começou em Guaraná, distrito do município de

Aracruz, no Espírito Santo, a cerca de cem quilômetros de Vitória. Cercada por morros verdes,

cafezais e fragmentos remanescentes da Mata Atlântica, a localidade pouco difere de tantas

outras comunidades rurais do interior brasileiro. Mas foi ali que fiscais passaram a rastrear

toneladas de toras e varetas de pau-brasil extraídas ilegalmente de áreas protegidas e mantidas

em depósitos sem documentação ou acobertadas por registros fraudulentos.

Uma única rua de Guaraná concentra algumas das principais empresas de arcos de violino

do Brasil: Arcos Brasil, Archets Brasil, Bogen Schaeffer e Horst John & Co. Em meio a casas

simples e oficinas discretas, ali se estabeleceu um polo que, nas últimas décadas, passou a

fornecer arcos e varetas para músicos, lojas de instrumentos e fabricantes especializados no

mundo todo. Ao contrário dos tradicionais ateliês europeus — muitos deles centenários,

conduzidos pelas mesmas famílias há gerações —, as empresas de Guaraná surgiram há bem

menos tempo. Ainda assim, abocanharam um dos segmentos mais exclusivos da indústria de

instrumentos musicais graças a uma vantagem que nenhum concorrente estrangeiro pode

alcançar: o acesso ao pau-brasil.

Ameaçado de extinção, o pau-brasil resiste hoje em fragmentos da Mata Atlântica,

sobretudo no sul da Bahia e no Rio de Janeiro, com pequenos núcleos também no Rio Grande do

Norte, na Paraíba, em Pernambuco, em Alagoas e no Espírito Santo.

Na origem dessa história está Horst Ewald Günther John, conhecido em Guaraná apenas

como Horst John. Depois da Segunda Guerra Mundial, o comerciante alemão se estabeleceu no

Espírito Santo e passou a atuar na extração e na comercialização de madeira. Nos anos 1970,

enxergou uma oportunidade de ir além da exportação da matéria-prima ao começar a enviar

jovens da região à Alemanha para aprender, com mestres archetiers, a arte de fabricar arcos

para instrumentos de corda. Em 1979, fundou a Horst John & Company e, em poucos anos,

Guaraná tornou-se referência internacional.

(Disponível em: https://apublica.org/2026/07/pau-brasil-como-se-da-esquema-ilegal-da-madeira-que-nomeou-pais/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando a classificação morfológica e o funcionamento dos vocábulos sublinhados nos seguintes trechos, retirados do texto, analise as assertivas abaixo:

I. Em “um pequeno grupo de fiscais passou a investigar o comércio”, o vocábulo sublinhado é uma preposição que introduz o verbo “investigar”, empregado no infinitivo.
II. Em “uma das espécies mais ameaçadas da Mata Atlântica”, o vocábulo sublinhado é um advérbio de intensidade que modifica o adjetivo “ameaçadas”.
III. Em “Mas foi ali que fiscais passaram a rastrear toneladas de toras e varetas”, o vocábulo sublinhado é um advérbio de lugar que contribui para a coesão textual ao retomar a localidade de Guaraná.

Quais estão corretas?

 

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A luz da tarde já entrava pelas janelas quando João Santos caminhou até um cofre de

metal numa sala estreita, tomada por pilhas de documentos, em um prédio do Ibama. Girou a

fechadura com a naturalidade de quem repete aquele gesto há anos. Do lado de dentro, não

havia dinheiro, armas ou joias — apenas dezenas de varetas de pau-brasil, já cortadas e prontas

para virar arcos de violino. Amarrados a cada lote, pequenos pedaços de papel traziam nomes

de empresas escritos ... mão. “Esse material vale milhões de reais; por isso, fica tão escondido”,

disse Santos ... reportagem da Agência Pública.

Santos é analista do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais

Renováveis (Ibama) e, por questões de segurança, seu nome foi alterado e o local onde trabalha

não será identificado. O principal depósito do Ibama, onde estão armazenadas toneladas de

pau-brasil apreendidas nos últimos anos, permanece fechado a visitas externas. A reportagem

solicitou acesso, mas o órgão negou o pedido, alegando motivos de segurança.

O Ibama conta com apenas 900 agentes responsáveis por proteger o meio ambiente e

combater o tráfico de fauna e flora em todo o país. Em 2018, na chamada Operação Dó Ré Mi,

um pequeno grupo de fiscais passou a investigar o comércio de madeira avermelhada,

considerada há séculos a matéria-prima ideal para os arcos dos instrumentos de corda mais

prestigiados do mundo. Três anos depois da Dó Ré Mi, em cooperação com a Polícia Federal (PF),

deflagraram-se as operações Ibirapitanga I e II — que ajudariam ... desvendar um sofisticado

esquema de fraude envolvendo a comercialização do pau-brasil, uma das espécies mais

ameaçadas da Mata Atlântica.

A investigação da Operação Dó Ré Mi começou em Guaraná, distrito do município de

Aracruz, no Espírito Santo, a cerca de cem quilômetros de Vitória. Cercada por morros verdes,

cafezais e fragmentos remanescentes da Mata Atlântica, a localidade pouco difere de tantas

outras comunidades rurais do interior brasileiro. Mas foi ali que fiscais passaram a rastrear

toneladas de toras e varetas de pau-brasil extraídas ilegalmente de áreas protegidas e mantidas

em depósitos sem documentação ou acobertadas por registros fraudulentos.

Uma única rua de Guaraná concentra algumas das principais empresas de arcos de violino

do Brasil: Arcos Brasil, Archets Brasil, Bogen Schaeffer e Horst John & Co. Em meio a casas

simples e oficinas discretas, ali se estabeleceu um polo que, nas últimas décadas, passou a

fornecer arcos e varetas para músicos, lojas de instrumentos e fabricantes especializados no

mundo todo. Ao contrário dos tradicionais ateliês europeus — muitos deles centenários,

conduzidos pelas mesmas famílias há gerações —, as empresas de Guaraná surgiram há bem

menos tempo. Ainda assim, abocanharam um dos segmentos mais exclusivos da indústria de

instrumentos musicais graças a uma vantagem que nenhum concorrente estrangeiro pode

alcançar: o acesso ao pau-brasil.

Ameaçado de extinção, o pau-brasil resiste hoje em fragmentos da Mata Atlântica,

sobretudo no sul da Bahia e no Rio de Janeiro, com pequenos núcleos também no Rio Grande do

Norte, na Paraíba, em Pernambuco, em Alagoas e no Espírito Santo.

Na origem dessa história está Horst Ewald Günther John, conhecido em Guaraná apenas

como Horst John. Depois da Segunda Guerra Mundial, o comerciante alemão se estabeleceu no

Espírito Santo e passou a atuar na extração e na comercialização de madeira. Nos anos 1970,

enxergou uma oportunidade de ir além da exportação da matéria-prima ao começar a enviar

jovens da região à Alemanha para aprender, com mestres archetiers, a arte de fabricar arcos

para instrumentos de corda. Em 1979, fundou a Horst John & Company e, em poucos anos,

Guaraná tornou-se referência internacional.

(Disponível em: https://apublica.org/2026/07/pau-brasil-como-se-da-esquema-ilegal-da-madeira-que-nomeou-pais/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando os sentidos que apresentam no texto, os vocábulos sublinhados nos trechos abaixo, retirados do texto, poderiam ser substituídos, respectivamente, sem prejuízo do sentido original e da correção gramatical, por:

• “em cooperação com a Polícia Federal (PF), deflagraram-se as operações Ibirapitanga I e II — que ajudariam ... desvendar um sofisticado esquema de fraude”.
• “Cercada por morros verdes, cafezais e fragmentos remanescentes da Mata Atlântica”.

 

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Por Augusta Lunardi, Giacomo Zandonini e Natália Alana

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metal numa sala estreita, tomada por pilhas de documentos, em um prédio do Ibama. Girou a

fechadura com a naturalidade de quem repete aquele gesto há anos. Do lado de dentro, não

havia dinheiro, armas ou joias — apenas dezenas de varetas de pau-brasil, já cortadas e prontas

para virar arcos de violino. Amarrados a cada lote, pequenos pedaços de papel traziam nomes

de empresas escritos ... mão. “Esse material vale milhões de reais; por isso, fica tão escondido”,

disse Santos ... reportagem da Agência Pública.

Santos é analista do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais

Renováveis (Ibama) e, por questões de segurança, seu nome foi alterado e o local onde trabalha

não será identificado. O principal depósito do Ibama, onde estão armazenadas toneladas de

pau-brasil apreendidas nos últimos anos, permanece fechado a visitas externas. A reportagem

solicitou acesso, mas o órgão negou o pedido, alegando motivos de segurança.

O Ibama conta com apenas 900 agentes responsáveis por proteger o meio ambiente e

combater o tráfico de fauna e flora em todo o país. Em 2018, na chamada Operação Dó Ré Mi,

um pequeno grupo de fiscais passou a investigar o comércio de madeira avermelhada,

considerada há séculos a matéria-prima ideal para os arcos dos instrumentos de corda mais

prestigiados do mundo. Três anos depois da Dó Ré Mi, em cooperação com a Polícia Federal (PF),

deflagraram-se as operações Ibirapitanga I e II — que ajudariam ... desvendar um sofisticado

esquema de fraude envolvendo a comercialização do pau-brasil, uma das espécies mais

ameaçadas da Mata Atlântica.

A investigação da Operação Dó Ré Mi começou em Guaraná, distrito do município de

Aracruz, no Espírito Santo, a cerca de cem quilômetros de Vitória. Cercada por morros verdes,

cafezais e fragmentos remanescentes da Mata Atlântica, a localidade pouco difere de tantas

outras comunidades rurais do interior brasileiro. Mas foi ali que fiscais passaram a rastrear

toneladas de toras e varetas de pau-brasil extraídas ilegalmente de áreas protegidas e mantidas

em depósitos sem documentação ou acobertadas por registros fraudulentos.

Uma única rua de Guaraná concentra algumas das principais empresas de arcos de violino

do Brasil: Arcos Brasil, Archets Brasil, Bogen Schaeffer e Horst John & Co. Em meio a casas

simples e oficinas discretas, ali se estabeleceu um polo que, nas últimas décadas, passou a

fornecer arcos e varetas para músicos, lojas de instrumentos e fabricantes especializados no

mundo todo. Ao contrário dos tradicionais ateliês europeus — muitos deles centenários,

conduzidos pelas mesmas famílias há gerações —, as empresas de Guaraná surgiram há bem

menos tempo. Ainda assim, abocanharam um dos segmentos mais exclusivos da indústria de

instrumentos musicais graças a uma vantagem que nenhum concorrente estrangeiro pode

alcançar: o acesso ao pau-brasil.

Ameaçado de extinção, o pau-brasil resiste hoje em fragmentos da Mata Atlântica,

sobretudo no sul da Bahia e no Rio de Janeiro, com pequenos núcleos também no Rio Grande do

Norte, na Paraíba, em Pernambuco, em Alagoas e no Espírito Santo.

Na origem dessa história está Horst Ewald Günther John, conhecido em Guaraná apenas

como Horst John. Depois da Segunda Guerra Mundial, o comerciante alemão se estabeleceu no

Espírito Santo e passou a atuar na extração e na comercialização de madeira. Nos anos 1970,

enxergou uma oportunidade de ir além da exportação da matéria-prima ao começar a enviar

jovens da região à Alemanha para aprender, com mestres archetiers, a arte de fabricar arcos

para instrumentos de corda. Em 1979, fundou a Horst John & Company e, em poucos anos,

Guaraná tornou-se referência internacional.

(Disponível em: https://apublica.org/2026/07/pau-brasil-como-se-da-esquema-ilegal-da-madeira-que-nomeou-pais/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

A comparação entre as empresas de Guaraná e os tradicionais ateliês europeus contribui para o desenvolvimento do texto ao

 

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Máfia do pau-brasil: esquema ilegal alimenta mercado global de violinos

Por Augusta Lunardi, Giacomo Zandonini e Natália Alana

A luz da tarde já entrava pelas janelas quando João Santos caminhou até um cofre de

metal numa sala estreita, tomada por pilhas de documentos, em um prédio do Ibama. Girou a

fechadura com a naturalidade de quem repete aquele gesto há anos. Do lado de dentro, não

havia dinheiro, armas ou joias — apenas dezenas de varetas de pau-brasil, já cortadas e prontas

para virar arcos de violino. Amarrados a cada lote, pequenos pedaços de papel traziam nomes

de empresas escritos ... mão. “Esse material vale milhões de reais; por isso, fica tão escondido”,

disse Santos ... reportagem da Agência Pública.

Santos é analista do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais

Renováveis (Ibama) e, por questões de segurança, seu nome foi alterado e o local onde trabalha

não será identificado. O principal depósito do Ibama, onde estão armazenadas toneladas de

pau-brasil apreendidas nos últimos anos, permanece fechado a visitas externas. A reportagem

solicitou acesso, mas o órgão negou o pedido, alegando motivos de segurança.

O Ibama conta com apenas 900 agentes responsáveis por proteger o meio ambiente e

combater o tráfico de fauna e flora em todo o país. Em 2018, na chamada Operação Dó Ré Mi,

um pequeno grupo de fiscais passou a investigar o comércio de madeira avermelhada,

considerada há séculos a matéria-prima ideal para os arcos dos instrumentos de corda mais

prestigiados do mundo. Três anos depois da Dó Ré Mi, em cooperação com a Polícia Federal (PF),

deflagraram-se as operações Ibirapitanga I e II — que ajudariam ... desvendar um sofisticado

esquema de fraude envolvendo a comercialização do pau-brasil, uma das espécies mais

ameaçadas da Mata Atlântica.

A investigação da Operação Dó Ré Mi começou em Guaraná, distrito do município de

Aracruz, no Espírito Santo, a cerca de cem quilômetros de Vitória. Cercada por morros verdes,

cafezais e fragmentos remanescentes da Mata Atlântica, a localidade pouco difere de tantas

outras comunidades rurais do interior brasileiro. Mas foi ali que fiscais passaram a rastrear

toneladas de toras e varetas de pau-brasil extraídas ilegalmente de áreas protegidas e mantidas

em depósitos sem documentação ou acobertadas por registros fraudulentos.

Uma única rua de Guaraná concentra algumas das principais empresas de arcos de violino

do Brasil: Arcos Brasil, Archets Brasil, Bogen Schaeffer e Horst John & Co. Em meio a casas

simples e oficinas discretas, ali se estabeleceu um polo que, nas últimas décadas, passou a

fornecer arcos e varetas para músicos, lojas de instrumentos e fabricantes especializados no

mundo todo. Ao contrário dos tradicionais ateliês europeus — muitos deles centenários,

conduzidos pelas mesmas famílias há gerações —, as empresas de Guaraná surgiram há bem

menos tempo. Ainda assim, abocanharam um dos segmentos mais exclusivos da indústria de

instrumentos musicais graças a uma vantagem que nenhum concorrente estrangeiro pode

alcançar: o acesso ao pau-brasil.

Ameaçado de extinção, o pau-brasil resiste hoje em fragmentos da Mata Atlântica,

sobretudo no sul da Bahia e no Rio de Janeiro, com pequenos núcleos também no Rio Grande do

Norte, na Paraíba, em Pernambuco, em Alagoas e no Espírito Santo.

Na origem dessa história está Horst Ewald Günther John, conhecido em Guaraná apenas

como Horst John. Depois da Segunda Guerra Mundial, o comerciante alemão se estabeleceu no

Espírito Santo e passou a atuar na extração e na comercialização de madeira. Nos anos 1970,

enxergou uma oportunidade de ir além da exportação da matéria-prima ao começar a enviar

jovens da região à Alemanha para aprender, com mestres archetiers, a arte de fabricar arcos

para instrumentos de corda. Em 1979, fundou a Horst John & Company e, em poucos anos,

Guaraná tornou-se referência internacional.

(Disponível em: https://apublica.org/2026/07/pau-brasil-como-se-da-esquema-ilegal-da-madeira-que-nomeou-pais/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

A relação entre o início e o final do primeiro parágrafo permite concluir que:

 

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Por Augusta Lunardi, Giacomo Zandonini e Natália Alana

A luz da tarde já entrava pelas janelas quando João Santos caminhou até um cofre de

metal numa sala estreita, tomada por pilhas de documentos, em um prédio do Ibama. Girou a

fechadura com a naturalidade de quem repete aquele gesto há anos. Do lado de dentro, não

havia dinheiro, armas ou joias — apenas dezenas de varetas de pau-brasil, já cortadas e prontas

para virar arcos de violino. Amarrados a cada lote, pequenos pedaços de papel traziam nomes

de empresas escritos ... mão. “Esse material vale milhões de reais; por isso, fica tão escondido”,

disse Santos ... reportagem da Agência Pública.

Santos é analista do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais

Renováveis (Ibama) e, por questões de segurança, seu nome foi alterado e o local onde trabalha

não será identificado. O principal depósito do Ibama, onde estão armazenadas toneladas de

pau-brasil apreendidas nos últimos anos, permanece fechado a visitas externas. A reportagem

solicitou acesso, mas o órgão negou o pedido, alegando motivos de segurança.

O Ibama conta com apenas 900 agentes responsáveis por proteger o meio ambiente e

combater o tráfico de fauna e flora em todo o país. Em 2018, na chamada Operação Dó Ré Mi,

um pequeno grupo de fiscais passou a investigar o comércio de madeira avermelhada,

considerada há séculos a matéria-prima ideal para os arcos dos instrumentos de corda mais

prestigiados do mundo. Três anos depois da Dó Ré Mi, em cooperação com a Polícia Federal (PF),

deflagraram-se as operações Ibirapitanga I e II — que ajudariam ... desvendar um sofisticado

esquema de fraude envolvendo a comercialização do pau-brasil, uma das espécies mais

ameaçadas da Mata Atlântica.

A investigação da Operação Dó Ré Mi começou em Guaraná, distrito do município de

Aracruz, no Espírito Santo, a cerca de cem quilômetros de Vitória. Cercada por morros verdes,

cafezais e fragmentos remanescentes da Mata Atlântica, a localidade pouco difere de tantas

outras comunidades rurais do interior brasileiro. Mas foi ali que fiscais passaram a rastrear

toneladas de toras e varetas de pau-brasil extraídas ilegalmente de áreas protegidas e mantidas

em depósitos sem documentação ou acobertadas por registros fraudulentos.

Uma única rua de Guaraná concentra algumas das principais empresas de arcos de violino

do Brasil: Arcos Brasil, Archets Brasil, Bogen Schaeffer e Horst John & Co. Em meio a casas

simples e oficinas discretas, ali se estabeleceu um polo que, nas últimas décadas, passou a

fornecer arcos e varetas para músicos, lojas de instrumentos e fabricantes especializados no

mundo todo. Ao contrário dos tradicionais ateliês europeus — muitos deles centenários,

conduzidos pelas mesmas famílias há gerações —, as empresas de Guaraná surgiram há bem

menos tempo. Ainda assim, abocanharam um dos segmentos mais exclusivos da indústria de

instrumentos musicais graças a uma vantagem que nenhum concorrente estrangeiro pode

alcançar: o acesso ao pau-brasil.

Ameaçado de extinção, o pau-brasil resiste hoje em fragmentos da Mata Atlântica,

sobretudo no sul da Bahia e no Rio de Janeiro, com pequenos núcleos também no Rio Grande do

Norte, na Paraíba, em Pernambuco, em Alagoas e no Espírito Santo.

Na origem dessa história está Horst Ewald Günther John, conhecido em Guaraná apenas

como Horst John. Depois da Segunda Guerra Mundial, o comerciante alemão se estabeleceu no

Espírito Santo e passou a atuar na extração e na comercialização de madeira. Nos anos 1970,

enxergou uma oportunidade de ir além da exportação da matéria-prima ao começar a enviar

jovens da região à Alemanha para aprender, com mestres archetiers, a arte de fabricar arcos

para instrumentos de corda. Em 1979, fundou a Horst John & Company e, em poucos anos,

Guaraná tornou-se referência internacional.

(Disponível em: https://apublica.org/2026/07/pau-brasil-como-se-da-esquema-ilegal-da-madeira-que-nomeou-pais/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

Sobre o primeiro parágrafo do texto, analise as assertivas abaixo:

I. Constata-se que o parágrafo é predominantemente narrativo.
II. Embora predomine a narração, o parágrafo também apresenta elementos descritivos e uma fala reproduzida em discurso direto.
III. A expressão “com a naturalidade de quem repete aquele gesto há anos” sugere que a abertura do cofre era uma ação habitual para João Santos.
IV. O parágrafo finaliza com o uso de um vocativo, referindo-se ao entrevistado.

Quais estão corretas?

 

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Por Augusta Lunardi, Giacomo Zandonini e Natália Alana

A luz da tarde já entrava pelas janelas quando João Santos caminhou até um cofre de

metal numa sala estreita, tomada por pilhas de documentos, em um prédio do Ibama. Girou a

fechadura com a naturalidade de quem repete aquele gesto há anos. Do lado de dentro, não

havia dinheiro, armas ou joias — apenas dezenas de varetas de pau-brasil, já cortadas e prontas

para virar arcos de violino. Amarrados a cada lote, pequenos pedaços de papel traziam nomes

de empresas escritos ... mão. “Esse material vale milhões de reais; por isso, fica tão escondido”,

disse Santos ... reportagem da Agência Pública.

Santos é analista do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais

Renováveis (Ibama) e, por questões de segurança, seu nome foi alterado e o local onde trabalha

não será identificado. O principal depósito do Ibama, onde estão armazenadas toneladas de

pau-brasil apreendidas nos últimos anos, permanece fechado a visitas externas. A reportagem

solicitou acesso, mas o órgão negou o pedido, alegando motivos de segurança.

O Ibama conta com apenas 900 agentes responsáveis por proteger o meio ambiente e

combater o tráfico de fauna e flora em todo o país. Em 2018, na chamada Operação Dó Ré Mi,

um pequeno grupo de fiscais passou a investigar o comércio de madeira avermelhada,

considerada há séculos a matéria-prima ideal para os arcos dos instrumentos de corda mais

prestigiados do mundo. Três anos depois da Dó Ré Mi, em cooperação com a Polícia Federal (PF),

deflagraram-se as operações Ibirapitanga I e II — que ajudariam ... desvendar um sofisticado

esquema de fraude envolvendo a comercialização do pau-brasil, uma das espécies mais

ameaçadas da Mata Atlântica.

A investigação da Operação Dó Ré Mi começou em Guaraná, distrito do município de

Aracruz, no Espírito Santo, a cerca de cem quilômetros de Vitória. Cercada por morros verdes,

cafezais e fragmentos remanescentes da Mata Atlântica, a localidade pouco difere de tantas

outras comunidades rurais do interior brasileiro. Mas foi ali que fiscais passaram a rastrear

toneladas de toras e varetas de pau-brasil extraídas ilegalmente de áreas protegidas e mantidas

em depósitos sem documentação ou acobertadas por registros fraudulentos.

Uma única rua de Guaraná concentra algumas das principais empresas de arcos de violino

do Brasil: Arcos Brasil, Archets Brasil, Bogen Schaeffer e Horst John & Co. Em meio a casas

simples e oficinas discretas, ali se estabeleceu um polo que, nas últimas décadas, passou a

fornecer arcos e varetas para músicos, lojas de instrumentos e fabricantes especializados no

mundo todo. Ao contrário dos tradicionais ateliês europeus — muitos deles centenários,

conduzidos pelas mesmas famílias há gerações —, as empresas de Guaraná surgiram há bem

menos tempo. Ainda assim, abocanharam um dos segmentos mais exclusivos da indústria de

instrumentos musicais graças a uma vantagem que nenhum concorrente estrangeiro pode

alcançar: o acesso ao pau-brasil.

Ameaçado de extinção, o pau-brasil resiste hoje em fragmentos da Mata Atlântica,

sobretudo no sul da Bahia e no Rio de Janeiro, com pequenos núcleos também no Rio Grande do

Norte, na Paraíba, em Pernambuco, em Alagoas e no Espírito Santo.

Na origem dessa história está Horst Ewald Günther John, conhecido em Guaraná apenas

como Horst John. Depois da Segunda Guerra Mundial, o comerciante alemão se estabeleceu no

Espírito Santo e passou a atuar na extração e na comercialização de madeira. Nos anos 1970,

enxergou uma oportunidade de ir além da exportação da matéria-prima ao começar a enviar

jovens da região à Alemanha para aprender, com mestres archetiers, a arte de fabricar arcos

para instrumentos de corda. Em 1979, fundou a Horst John & Company e, em poucos anos,

Guaraná tornou-se referência internacional.

(Disponível em: https://apublica.org/2026/07/pau-brasil-como-se-da-esquema-ilegal-da-madeira-que-nomeou-pais/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando o emprego do acento indicativo de crase, assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas pontilhadas dos trechos abaixo, retirados do texto:

  • “Amarrados a cada lote, pequenos pedaços de papel traziam nomes de empresas escritos ... mão”.
  • “Esse material vale milhões de reais; por isso, fica tão escondido”, disse Santos ... reportagem da Agência Pública”.
  • “deflagraram-se as operações Ibirapitanga I e II — que ajudariam ... desvendar um sofisticado esquema de fraude”.
 

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