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Texto 2
Desde que começou a envelhecer realmente começou a
querer ficar em casa.
Parece-me que achava feio passear quando não se era
mais jovem: o ar tão limpo, o corpo sujo de gordura e rugas.
Sobretudo a claridade do mar como desnuda. Não era para os
outros que era feio ela passear, todos admitem que os outros
sejam velhos. Mas para si mesma. Que ânsia, que cuidado com
o corpo perdido, o espírito aflito nos olhos, ah, mas as pupilas
essas límpidas.
Outra coisa: antigamente no seu rosto não se via o que
ela pensava, era só aquela face destacada, em oferta. Agora,
quando se vê sem querer ao espelho, quase grita horrorizada:
mas eu não estava pensando nisso! Embora fosse impossível
e inútil dizer em que rosto parecia pensar, e também impossível
e inútil dizer no que ela mesma pensava.
Ao redor as coisas frescas, uma história para a frente, e
o vento, o vento... Enquanto seu ventre crescia e as pernas
engrossavam, e os cabelos se haviam acomodado num
penteado natural e modesto que se formara sozinho.
LISPECTOR, Clarice. A não aceitação. In: LISPECTOR, Clarice. A
descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984. p. 291.
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Texto 2
Desde que começou a envelhecer realmente começou a
querer ficar em casa.
Parece-me que achava feio passear quando não se era
mais jovem: o ar tão limpo, o corpo sujo de gordura e rugas.
Sobretudo a claridade do mar como desnuda. Não era para os
outros que era feio ela passear, todos admitem que os outros
sejam velhos. Mas para si mesma. Que ânsia, que cuidado com
o corpo perdido, o espírito aflito nos olhos, ah, mas as pupilas
essas límpidas.
Outra coisa: antigamente no seu rosto não se via o que
ela pensava, era só aquela face destacada, em oferta. Agora,
quando se vê sem querer ao espelho, quase grita horrorizada:
mas eu não estava pensando nisso! Embora fosse impossível
e inútil dizer em que rosto parecia pensar, e também impossível
e inútil dizer no que ela mesma pensava.
Ao redor as coisas frescas, uma história para a frente, e
o vento, o vento... Enquanto seu ventre crescia e as pernas
engrossavam, e os cabelos se haviam acomodado num
penteado natural e modesto que se formara sozinho.
LISPECTOR, Clarice. A não aceitação. In: LISPECTOR, Clarice. A
descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984. p. 291.
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Texto 1
Pensar o corpo como algo produzido na e pela cultura é,
simultaneamente, um desafio e uma necessidade. Um desafio
porque rompe, de certa forma, com o olhar naturalista sobre o
qual muitas vezes o corpo é observado, explicado, classificado
e tratado. Uma necessidade porque ao desnaturalizá-lo revela,
sobretudo, que o corpo é histórico. Isto é, mais do que um dado
natural cuja materialidade nos presentifica no mundo, o corpo é
uma construção sobre a qual são conferidas diferentes marcas
em diferentes tempos, espaços, conjunturas econômicas,
grupos sociais, étnicos, etc. Não é, portanto, algo dado a priori
nem mesmo é universal: o corpo é provisório, mutável e
mutante, suscetível a inúmeras intervenções consoante o
desenvolvimento científico e tecnológico de cada cultura, bem
como suas leis, seus códigos morais, as representações que
cria sobre os corpos, os discursos que sobre ele produz e
reproduz.
Um corpo não é apenas um corpo. É também o seu
entorno. Mais do que um conjunto de músculos, ossos,
vísceras, reflexos e sensações, o corpo é também a roupa e os
acessórios que o adornam, as intervenções que nele se
operam, a imagem que dele se produz, as máquinas que nele
se acoplam, os sentidos que nele se incorporam, os silêncios
que por ele falam, os vestígios que nele se exibem, a educação
de seus gestos... enfim, é um sem limite de possibilidades
sempre reinventadas e a serem descobertas. Não são, portanto,
as semelhanças biológicas que o definem, mas,
fundamentalmente, os significados culturais e sociais que a ele
se atribuem.
GOELLNER, Silvana Vilodre. A produção cultural do corpo. In: LOURO,
Guacira Lopes (org.). Corpo, gênero e sexualidade; um debate contemporâneo
na educação. Petrópolis: Vozes, 2003. p. 28-29.
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- SintaxeTermos Integrantes da Oração
- MorfologiaPronomesPronomes PessoaisPronomes Pessoais Oblíquos
- Interpretação de TextosCoesão e Coerência
Texto 1
Pensar o corpo como algo produzido na e pela cultura é,
simultaneamente, um desafio e uma necessidade. Um desafio
porque rompe, de certa forma, com o olhar naturalista sobre o
qual muitas vezes o corpo é observado, explicado, classificado
e tratado. Uma necessidade porque ao desnaturalizá-lo revela,
sobretudo, que o corpo é histórico. Isto é, mais do que um dado
natural cuja materialidade nos presentifica no mundo, o corpo é
uma construção sobre a qual são conferidas diferentes marcas
em diferentes tempos, espaços, conjunturas econômicas,
grupos sociais, étnicos, etc. Não é, portanto, algo dado a priori
nem mesmo é universal: o corpo é provisório, mutável e
mutante, suscetível a inúmeras intervenções consoante o
desenvolvimento científico e tecnológico de cada cultura, bem
como suas leis, seus códigos morais, as representações que
cria sobre os corpos, os discursos que sobre ele produz e
reproduz.
Um corpo não é apenas um corpo. É também o seu
entorno. Mais do que um conjunto de músculos, ossos,
vísceras, reflexos e sensações, o corpo é também a roupa e os
acessórios que o adornam, as intervenções que nele se
operam, a imagem que dele se produz, as máquinas que nele
se acoplam, os sentidos que nele se incorporam, os silêncios
que por ele falam, os vestígios que nele se exibem, a educação
de seus gestos... enfim, é um sem limite de possibilidades
sempre reinventadas e a serem descobertas. Não são, portanto,
as semelhanças biológicas que o definem, mas,
fundamentalmente, os significados culturais e sociais que a ele
se atribuem.
GOELLNER, Silvana Vilodre. A produção cultural do corpo. In: LOURO,
Guacira Lopes (org.). Corpo, gênero e sexualidade; um debate contemporâneo
na educação. Petrópolis: Vozes, 2003. p. 28-29.
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Texto 1
Pensar o corpo como algo produzido na e pela cultura é,
simultaneamente, um desafio e uma necessidade. Um desafio
porque rompe, de certa forma, com o olhar naturalista sobre o
qual muitas vezes o corpo é observado, explicado, classificado
e tratado. Uma necessidade porque ao desnaturalizá-lo revela,
sobretudo, que o corpo é histórico. Isto é, mais do que um dado
natural cuja materialidade nos presentifica no mundo, o corpo é
uma construção sobre a qual são conferidas diferentes marcas
em diferentes tempos, espaços, conjunturas econômicas,
grupos sociais, étnicos, etc. Não é, portanto, algo dado a priori
nem mesmo é universal: o corpo é provisório, mutável e
mutante, suscetível a inúmeras intervenções consoante o
desenvolvimento científico e tecnológico de cada cultura, bem
como suas leis, seus códigos morais, as representações que
cria sobre os corpos, os discursos que sobre ele produz e
reproduz.
Um corpo não é apenas um corpo. É também o seu
entorno. Mais do que um conjunto de músculos, ossos,
vísceras, reflexos e sensações, o corpo é também a roupa e os
acessórios que o adornam, as intervenções que nele se
operam, a imagem que dele se produz, as máquinas que nele
se acoplam, os sentidos que nele se incorporam, os silêncios
que por ele falam, os vestígios que nele se exibem, a educação
de seus gestos... enfim, é um sem limite de possibilidades
sempre reinventadas e a serem descobertas. Não são, portanto,
as semelhanças biológicas que o definem, mas,
fundamentalmente, os significados culturais e sociais que a ele
se atribuem.
GOELLNER, Silvana Vilodre. A produção cultural do corpo. In: LOURO,
Guacira Lopes (org.). Corpo, gênero e sexualidade; um debate contemporâneo
na educação. Petrópolis: Vozes, 2003. p. 28-29.
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Uma equipe de Saúde da Família (eSF) acompanhou a
ocorrência de obesidade entre adultos de sua área de
abrangência durante quatro anos. Ao analisar os
indicadores, verificou que a incidência de novos casos
apresentou redução gradual nesse período. Entretanto, a
prevalência de obesidade permaneceu elevada e com
pouca variação. Considerando as características desses
indicadores, a interpretação mais adequada é que a
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Após um período de chuvas intensas, uma comunidade foi
afetada por alagamentos que comprometeram o
abastecimento de água, provocaram o acúmulo de resíduos
e obrigaram diversas famílias a se deslocarem para abrigos
temporários. Diante desse cenário, a equipe de saúde
passou a monitorar possíveis impactos à saúde da
população. A preocupação da vigilância em saúde nesse
contexto justifica-se porque desastres dessa natureza
podem favorecer a
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Durante visitas domiciliares após um período de chuvas
intensas, um Agente Comunitário de Saúde (ACS) observou
acúmulo de água em recipientes descobertos em diversos
quintais de sua microárea. A situação foi informada à equipe
de saúde, que passou a orientar os moradores sobre
medidas preventivas. Nesse contexto, a relevância da
atuação do ACS para a Vigilância Ambiental em Saúde está
relacionada à
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Durante a análise periódica dos indicadores de imunização,
uma equipe de Saúde da Família (eSF) verificou aumento
da proporção de crianças com esquemas vacinais
incompletos em sua área de abrangência. Embora não
houvesse registro recente de casos de doenças
imunopreveníveis, a situação foi considerada relevante para
a vigilância em saúde. A importância epidemiológica desse
achado decorre do fato de que a redução da cobertura
vacinal pode
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Ao analisar os registros das visitas domiciliares realizadas
nos últimos seis meses, uma equipe de Saúde da Família
(eSF) identificou redução da cobertura vacinal infantil em
determinada microárea, acompanhada do aumento do
número de crianças com esquemas vacinais incompletos. O
Agente Comunitário de Saúde registrou essas informações
durante as visitas domiciliares e as encaminhou à equipe
conforme os fluxos da Atenção Primária à Saúde. Nesse
contexto, a contribuição do Agente Comunitário de Saúde
para a vigilância epidemiológica está relacionada ao
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Cadernos
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