Foram encontradas 120 questões.
Ouço falar de escritores atemorizados, assombrados
com sua própria morte. Escritores que não temem o lento definhar do corpo, não temem o desfalecer da mente num sono
fatal. O que temem é um fim menor, é a morte de sua função.
Sofrem com a ameaça cada vez mais concreta de que máquinas passem a realizar seu trabalho, ponham-se a escrever romances, poemas, crônicas, ensaios filosóficos. Sentem
atordoados seus pobres cérebros ante a grandiosidade do
cérebro eletrônico, sentem obsoletos seus caóticos neurônios em face de algoritmos bem mais ordeiros, mais eficazes.
Esse receio já longevo e tratado em ficções demais ganhou contornos quase dramáticos nos últimos meses, desde
a aparição de programas que criam textos inéditos de qualidade razoável, e da publicação dos primeiros romances de
autoria eletrônica. O debate tem tomado mais de uma mesa
de bar, mais de um fórum virtual, confrontando não exatamente máquinas e humanos, mas sim céticos e apocalípticos,
calmos e atormentados. Os primeiros se riem da promessa
descumprida, riem das precariedades da máquina, de sua
absoluta inaptidão para o humor e o lirismo. Os segundos
mantêm os cenhos franzidos e alertam com sabedoria: não
se enganem, a máquina acaba de surgir, e há de se livrar das
fraquezas em velocidade impressionante.
De minha parte, se me permitem, prefiro permanecer
desassombrado — a morte literal ainda me parece um terror
mais palpável. Não que eu seja um cético, não duvido da capacidade robótica de nos abismar, confio que em pouco tempo computadores comporão obras consideráveis, e em muito
tempo podem chegar a portentos literários. Mas desconfio é
dos humanos: da nossa disposição de apreciar um romance
bom carente de um autor, desprovido de uma figura anterior feita de carne e de sonho. Desconfio que não queiramos
livros escritos sem suor e intenção, redigidos por seres insensíveis às desrazões da arte, por seres indiferentes à história
humana, seu prazer, sua dor.
(Julián Fuks. Disponível em: https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/
julian-fuks/2023/05/13/a-nova-morte-do-autor-substituidoagora-pelo-cerebro-eletronico.htm. Adaptado)
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com sua própria morte. Escritores que não temem o lento definhar do corpo, não temem o desfalecer da mente num sono
fatal. O que temem é um fim menor, é a morte de sua função.
Sofrem com a ameaça cada vez mais concreta de que máquinas passem a realizar seu trabalho, ponham-se a escrever romances, poemas, crônicas, ensaios filosóficos. Sentem
atordoados seus pobres cérebros ante a grandiosidade do
cérebro eletrônico, sentem obsoletos seus caóticos neurônios em face de algoritmos bem mais ordeiros, mais eficazes.
Esse receio já longevo e tratado em ficções demais ganhou contornos quase dramáticos nos últimos meses, desde
a aparição de programas que criam textos inéditos de qualidade razoável, e da publicação dos primeiros romances de
autoria eletrônica. O debate tem tomado mais de uma mesa
de bar, mais de um fórum virtual, confrontando não exatamente máquinas e humanos, mas sim céticos e apocalípticos,
calmos e atormentados. Os primeiros se riem da promessa
descumprida, riem das precariedades da máquina, de sua
absoluta inaptidão para o humor e o lirismo. Os segundos
mantêm os cenhos franzidos e alertam com sabedoria: não
se enganem, a máquina acaba de surgir, e há de se livrar das
fraquezas em velocidade impressionante.
De minha parte, se me permitem, prefiro permanecer
desassombrado — a morte literal ainda me parece um terror
mais palpável. Não que eu seja um cético, não duvido da capacidade robótica de nos abismar, confio que em pouco tempo computadores comporão obras consideráveis, e em muito
tempo podem chegar a portentos literários. Mas desconfio é
dos humanos: da nossa disposição de apreciar um romance
bom carente de um autor, desprovido de uma figura anterior feita de carne e de sonho. Desconfio que não queiramos
livros escritos sem suor e intenção, redigidos por seres insensíveis às desrazões da arte, por seres indiferentes à história
humana, seu prazer, sua dor.
(Julián Fuks. Disponível em: https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/
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com sua própria morte. Escritores que não temem o lento definhar do corpo, não temem o desfalecer da mente num sono
fatal. O que temem é um fim menor, é a morte de sua função.
Sofrem com a ameaça cada vez mais concreta de que máquinas passem a realizar seu trabalho, ponham-se a escrever romances, poemas, crônicas, ensaios filosóficos. Sentem
atordoados seus pobres cérebros ante a grandiosidade do
cérebro eletrônico, sentem obsoletos seus caóticos neurônios em face de algoritmos bem mais ordeiros, mais eficazes.
Esse receio já longevo e tratado em ficções demais ganhou contornos quase dramáticos nos últimos meses, desde
a aparição de programas que criam textos inéditos de qualidade razoável, e da publicação dos primeiros romances de
autoria eletrônica. O debate tem tomado mais de uma mesa
de bar, mais de um fórum virtual, confrontando não exatamente máquinas e humanos, mas sim céticos e apocalípticos,
calmos e atormentados. Os primeiros se riem da promessa
descumprida, riem das precariedades da máquina, de sua
absoluta inaptidão para o humor e o lirismo. Os segundos
mantêm os cenhos franzidos e alertam com sabedoria: não
se enganem, a máquina acaba de surgir, e há de se livrar das
fraquezas em velocidade impressionante.
De minha parte, se me permitem, prefiro permanecer
desassombrado — a morte literal ainda me parece um terror
mais palpável. Não que eu seja um cético, não duvido da capacidade robótica de nos abismar, confio que em pouco tempo computadores comporão obras consideráveis, e em muito
tempo podem chegar a portentos literários. Mas desconfio é
dos humanos: da nossa disposição de apreciar um romance
bom carente de um autor, desprovido de uma figura anterior feita de carne e de sonho. Desconfio que não queiramos
livros escritos sem suor e intenção, redigidos por seres insensíveis às desrazões da arte, por seres indiferentes à história
humana, seu prazer, sua dor.
(Julián Fuks. Disponível em: https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/
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com sua própria morte. Escritores que não temem o lento definhar do corpo, não temem o desfalecer da mente num sono
fatal. O que temem é um fim menor, é a morte de sua função.
Sofrem com a ameaça cada vez mais concreta de que máquinas passem a realizar seu trabalho, ponham-se a escrever romances, poemas, crônicas, ensaios filosóficos. Sentem
atordoados seus pobres cérebros ante a grandiosidade do
cérebro eletrônico, sentem obsoletos seus caóticos neurônios em face de algoritmos bem mais ordeiros, mais eficazes.
Esse receio já longevo e tratado em ficções demais ganhou contornos quase dramáticos nos últimos meses, desde
a aparição de programas que criam textos inéditos de qualidade razoável, e da publicação dos primeiros romances de
autoria eletrônica. O debate tem tomado mais de uma mesa
de bar, mais de um fórum virtual, confrontando não exatamente máquinas e humanos, mas sim céticos e apocalípticos,
calmos e atormentados. Os primeiros se riem da promessa
descumprida, riem das precariedades da máquina, de sua
absoluta inaptidão para o humor e o lirismo. Os segundos
mantêm os cenhos franzidos e alertam com sabedoria: não
se enganem, a máquina acaba de surgir, e há de se livrar das
fraquezas em velocidade impressionante.
De minha parte, se me permitem, prefiro permanecer
desassombrado — a morte literal ainda me parece um terror
mais palpável. Não que eu seja um cético, não duvido da capacidade robótica de nos abismar, confio que em pouco tempo computadores comporão obras consideráveis, e em muito
tempo podem chegar a portentos literários. Mas desconfio é
dos humanos: da nossa disposição de apreciar um romance
bom carente de um autor, desprovido de uma figura anterior feita de carne e de sonho. Desconfio que não queiramos
livros escritos sem suor e intenção, redigidos por seres insensíveis às desrazões da arte, por seres indiferentes à história
humana, seu prazer, sua dor.
(Julián Fuks. Disponível em: https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/
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com sua própria morte. Escritores que não temem o lento definhar do corpo, não temem o desfalecer da mente num sono
fatal. O que temem é um fim menor, é a morte de sua função.
Sofrem com a ameaça cada vez mais concreta de que máquinas passem a realizar seu trabalho, ponham-se a escrever romances, poemas, crônicas, ensaios filosóficos. Sentem
atordoados seus pobres cérebros ante a grandiosidade do
cérebro eletrônico, sentem obsoletos seus caóticos neurônios em face de algoritmos bem mais ordeiros, mais eficazes.
Esse receio já longevo e tratado em ficções demais ganhou contornos quase dramáticos nos últimos meses, desde
a aparição de programas que criam textos inéditos de qualidade razoável, e da publicação dos primeiros romances de
autoria eletrônica. O debate tem tomado mais de uma mesa
de bar, mais de um fórum virtual, confrontando não exatamente máquinas e humanos, mas sim céticos e apocalípticos,
calmos e atormentados. Os primeiros se riem da promessa
descumprida, riem das precariedades da máquina, de sua
absoluta inaptidão para o humor e o lirismo. Os segundos
mantêm os cenhos franzidos e alertam com sabedoria: não
se enganem, a máquina acaba de surgir, e há de se livrar das
fraquezas em velocidade impressionante.
De minha parte, se me permitem, prefiro permanecer
desassombrado — a morte literal ainda me parece um terror
mais palpável. Não que eu seja um cético, não duvido da capacidade robótica de nos abismar, confio que em pouco tempo computadores comporão obras consideráveis, e em muito
tempo podem chegar a portentos literários. Mas desconfio é
dos humanos: da nossa disposição de apreciar um romance
bom carente de um autor, desprovido de uma figura anterior feita de carne e de sonho. Desconfio que não queiramos
livros escritos sem suor e intenção, redigidos por seres insensíveis às desrazões da arte, por seres indiferentes à história
humana, seu prazer, sua dor.
(Julián Fuks. Disponível em: https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/
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Ao contrário da maioria dos humanos, eu me conectaria
à “máquina da felicidade”, descrita no célebre experimento
mental de Robert Nozick. Para quem não conhece, o filósofo
pede que imaginemos uma engenhoca capaz de gerar estímulos prazerosos tão perfeita que, se nos ligássemos a ela,
viveríamos uma vida de júbilos, que não teríamos como distinguir da realidade, e pergunta se escolheríamos a máquina
ou a realidade.
Nozick criou seu experimento para refutar o hedonismo
ético, isto é, a ideia de que o prazer é o fim que todos perseguimos. Se a maioria prefere a realidade à máquina, está
provado que o prazer não é tudo que importa. Embora Nozick
nunca tenha submetido seu experimento a testes, outros autores o fizeram, constatando maiorias a favor do real que ficam
entre 70% e 85%.
Por um bom tempo, a conclusão de Nozick foi considerada válida, mas filósofos começaram a questioná-la e a
demonstrar que não é tanto que desejemos o real, mas sim
que rejeitemos mudanças. Isso fica claro se modificarmos o
experimento. Em vez de perguntar ao sujeito se ele quer ser
ligado à máquina, nós o informamos de que passou a vida
conectado a uma e o questionamos se deseja permanecer
nessa condição ou passar a viver “na realidade”. Nesse caso,
a proporção dos que preferem o real cai para 13%.
Minha opção pessoal pela máquina é mais singela. Ainda
que exista uma realidade objetiva ou mesmo transcendente,
somos prisioneiros daquilo que estamos equipados para perceber como real. Nesse contexto, o experimento se torna só
uma pergunta sobre ter mais ou menos prazer. E não vejo
razão para ter menos, já que, para todos os efeitos, essa
seria nossa realidade.
(Hélio Schwartsman. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/
helioschwartsman/2023/06/a-felicidade-num-clique.shtml)
•Embora Nozick nunca tenha submetido seu experimento a testes... (2° parágrafo)
•...constatando maiorias a favor do real... (2° parágrafo)
•Isso fica claro se modificarmos o experimento. (3° parágrafo)
As passagens em destaque foram reescritas segundo a norma-padrão em:
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Ao contrário da maioria dos humanos, eu me conectaria
à “máquina da felicidade”, descrita no célebre experimento
mental de Robert Nozick. Para quem não conhece, o filósofo
pede que imaginemos uma engenhoca capaz de gerar estímulos prazerosos tão perfeita que, se nos ligássemos a ela,
viveríamos uma vida de júbilos, que não teríamos como distinguir da realidade, e pergunta se escolheríamos a máquina
ou a realidade.
Nozick criou seu experimento para refutar o hedonismo
ético, isto é, a ideia de que o prazer é o fim que todos perseguimos. Se a maioria prefere a realidade à máquina, está
provado que o prazer não é tudo que importa. Embora Nozick
nunca tenha submetido seu experimento a testes, outros autores o fizeram, constatando maiorias a favor do real que ficam
entre 70% e 85%.
Por um bom tempo, a conclusão de Nozick foi considerada válida, mas filósofos começaram a questioná-la e a
demonstrar que não é tanto que desejemos o real, mas sim
que rejeitemos mudanças. Isso fica claro se modificarmos o
experimento. Em vez de perguntar ao sujeito se ele quer ser
ligado à máquina, nós o informamos de que passou a vida
conectado a uma e o questionamos se deseja permanecer
nessa condição ou passar a viver “na realidade”. Nesse caso,
a proporção dos que preferem o real cai para 13%.
Minha opção pessoal pela máquina é mais singela. Ainda
que exista uma realidade objetiva ou mesmo transcendente,
somos prisioneiros daquilo que estamos equipados para perceber como real. Nesse contexto, o experimento se torna só
uma pergunta sobre ter mais ou menos prazer. E não vejo
razão para ter menos, já que, para todos os efeitos, essa
seria nossa realidade.
(Hélio Schwartsman. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/
helioschwartsman/2023/06/a-felicidade-num-clique.shtml)
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Ao contrário da maioria dos humanos, eu me conectaria
à “máquina da felicidade”, descrita no célebre experimento
mental de Robert Nozick. Para quem não conhece, o filósofo
pede que imaginemos uma engenhoca capaz de gerar estímulos prazerosos tão perfeita que, se nos ligássemos a ela,
viveríamos uma vida de júbilos, que não teríamos como distinguir da realidade, e pergunta se escolheríamos a máquina
ou a realidade.
Nozick criou seu experimento para refutar o hedonismo
ético, isto é, a ideia de que o prazer é o fim que todos perseguimos. Se a maioria prefere a realidade à máquina, está
provado que o prazer não é tudo que importa. Embora Nozick
nunca tenha submetido seu experimento a testes, outros autores o fizeram, constatando maiorias a favor do real que ficam
entre 70% e 85%.
Por um bom tempo, a conclusão de Nozick foi considerada válida, mas filósofos começaram a questioná-la e a
demonstrar que não é tanto que desejemos o real, mas sim
que rejeitemos mudanças. Isso fica claro se modificarmos o
experimento. Em vez de perguntar ao sujeito se ele quer ser
ligado à máquina, nós o informamos de que passou a vida
conectado a uma e o questionamos se deseja permanecer
nessa condição ou passar a viver “na realidade”. Nesse caso,
a proporção dos que preferem o real cai para 13%.
Minha opção pessoal pela máquina é mais singela. Ainda
que exista uma realidade objetiva ou mesmo transcendente,
somos prisioneiros daquilo que estamos equipados para perceber como real. Nesse contexto, o experimento se torna só
uma pergunta sobre ter mais ou menos prazer. E não vejo
razão para ter menos, já que, para todos os efeitos, essa
seria nossa realidade.
(Hélio Schwartsman. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/
helioschwartsman/2023/06/a-felicidade-num-clique.shtml)
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à “máquina da felicidade”, descrita no célebre experimento
mental de Robert Nozick. Para quem não conhece, o filósofo
pede que imaginemos uma engenhoca capaz de gerar estímulos prazerosos tão perfeita que, se nos ligássemos a ela,
viveríamos uma vida de júbilos, que não teríamos como distinguir da realidade, e pergunta se escolheríamos a máquina
ou a realidade.
Nozick criou seu experimento para refutar o hedonismo
ético, isto é, a ideia de que o prazer é o fim que todos perseguimos. Se a maioria prefere a realidade à máquina, está
provado que o prazer não é tudo que importa. Embora Nozick
nunca tenha submetido seu experimento a testes, outros autores o fizeram, constatando maiorias a favor do real que ficam
entre 70% e 85%.
Por um bom tempo, a conclusão de Nozick foi considerada válida, mas filósofos começaram a questioná-la e a
demonstrar que não é tanto que desejemos o real, mas sim
que rejeitemos mudanças. Isso fica claro se modificarmos o
experimento. Em vez de perguntar ao sujeito se ele quer ser
ligado à máquina, nós o informamos de que passou a vida
conectado a uma e o questionamos se deseja permanecer
nessa condição ou passar a viver “na realidade”. Nesse caso,
a proporção dos que preferem o real cai para 13%.
Minha opção pessoal pela máquina é mais singela. Ainda
que exista uma realidade objetiva ou mesmo transcendente,
somos prisioneiros daquilo que estamos equipados para perceber como real. Nesse contexto, o experimento se torna só
uma pergunta sobre ter mais ou menos prazer. E não vejo
razão para ter menos, já que, para todos os efeitos, essa
seria nossa realidade.
(Hélio Schwartsman. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/
helioschwartsman/2023/06/a-felicidade-num-clique.shtml)
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Ao contrário da maioria dos humanos, eu me conectaria
à “máquina da felicidade”, descrita no célebre experimento
mental de Robert Nozick. Para quem não conhece, o filósofo
pede que imaginemos uma engenhoca capaz de gerar estímulos prazerosos tão perfeita que, se nos ligássemos a ela,
viveríamos uma vida de júbilos, que não teríamos como distinguir da realidade, e pergunta se escolheríamos a máquina
ou a realidade.
Nozick criou seu experimento para refutar o hedonismo
ético, isto é, a ideia de que o prazer é o fim que todos perseguimos. Se a maioria prefere a realidade à máquina, está
provado que o prazer não é tudo que importa. Embora Nozick
nunca tenha submetido seu experimento a testes, outros autores o fizeram, constatando maiorias a favor do real que ficam
entre 70% e 85%.
Por um bom tempo, a conclusão de Nozick foi considerada válida, mas filósofos começaram a questioná-la e a
demonstrar que não é tanto que desejemos o real, mas sim
que rejeitemos mudanças. Isso fica claro se modificarmos o
experimento. Em vez de perguntar ao sujeito se ele quer ser
ligado à máquina, nós o informamos de que passou a vida
conectado a uma e o questionamos se deseja permanecer
nessa condição ou passar a viver “na realidade”. Nesse caso,
a proporção dos que preferem o real cai para 13%.
Minha opção pessoal pela máquina é mais singela. Ainda
que exista uma realidade objetiva ou mesmo transcendente,
somos prisioneiros daquilo que estamos equipados para perceber como real. Nesse contexto, o experimento se torna só
uma pergunta sobre ter mais ou menos prazer. E não vejo
razão para ter menos, já que, para todos os efeitos, essa
seria nossa realidade.
(Hélio Schwartsman. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/
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