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Com relação aos fundamentos básicos da
Administração, analise as afirmativas a seguir:
I. A Administração compreende um processo contínuo de planejamento, organização, direção e controle voltado à coordenação de recursos para o alcance de objetivos institucionais.
II. A finalidade da Administração consiste, prioritariamente, em elevar a produtividade organizacional, enquanto aspectos como qualidade dos serviços, satisfação dos usuários e racionalização dos recursos decorrem da atuação dos setores operacionais.
III. A Administração caracteriza-se como uma atividade orientada por objetivos, aplicável tanto a organizações públicas quanto privadas, ainda que essas possuam finalidades institucionais distintas.
IV. Os fundamentos da Administração apresentam ampla aplicabilidade, permitindo a adoção dos mesmos métodos gerenciais em diferentes organizações, com resultados semelhantes quando os recursos disponíveis são equivalentes.
Após análise, conclui-se que está correto o que se afirma em:
I. A Administração compreende um processo contínuo de planejamento, organização, direção e controle voltado à coordenação de recursos para o alcance de objetivos institucionais.
II. A finalidade da Administração consiste, prioritariamente, em elevar a produtividade organizacional, enquanto aspectos como qualidade dos serviços, satisfação dos usuários e racionalização dos recursos decorrem da atuação dos setores operacionais.
III. A Administração caracteriza-se como uma atividade orientada por objetivos, aplicável tanto a organizações públicas quanto privadas, ainda que essas possuam finalidades institucionais distintas.
IV. Os fundamentos da Administração apresentam ampla aplicabilidade, permitindo a adoção dos mesmos métodos gerenciais em diferentes organizações, com resultados semelhantes quando os recursos disponíveis são equivalentes.
Após análise, conclui-se que está correto o que se afirma em:
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4270060
Ano: 2026
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: Ápice
Orgão: Pref. Taperoá-PB
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: Ápice
Orgão: Pref. Taperoá-PB
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Observe a imagem a seguir para responder à questão.

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Leia o texto a seguir para responder à questão.
A caminho de casa, entro num botequim da
Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na
realidade estou adiando o momento de escrever.
A perspectiva me assusta. Gostaria de estar
inspirado, de coroar de êxito mais um ano nesta
busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de
cada um. Eu pretendia apenas escolher da vida
diária algo de seu disperso conteúdo humano,
fruto da convivência, que a faz mais digna de ser
vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico.
Nesta perseguição do acidental, quer num
flagrante da esquina, quer nas palavras de uma
criança ou num incidente doméstico, torno-me
simples espectador e perco a noção do essencial.
Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e
tomo meu café, enquanto o verso do poeta se
repete na lembrança: “assim eu quereria meu
último poema”. Não sou poeta e estou sem
assunto. Lanço então meu último olhar fora de
mim, onde vivem os assuntos que merecem
crônica.
Ao fundo do botequim um casal de pretos
acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de
mármore ao longo da parede de espelhos. A
compostura da humildade, na contenção de
gestos e palavras, deixa-se acentuar pela
presença de uma negrinha de seus três anos, laço
na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre,
que se instalou também à mesa: mal ousa
balançar as perninhas curtas ou correr os olhos
grandes de curiosidade ao redor. Três seres
esquivos que compõem em torno à mesa a
instituição tradicional da família, célula da
sociedade. Vejo, porém, que preparam para algo
mais que matar a fome.
Passo a observá-los. O pai, depois de
contar o dinheiro que discretamente retirou do
bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na
cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo
sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando
imóvel, vagamente ansiosa, como se estivesse
aguardando a aprovação do garçom. Este ouve,
concentrado, o pedido do homem e depois se
afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando
para os lados, a reassegurar-se da naturalidade
de sua presença ali. A meu lado o garçom
encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do
balcão apanha o pedaço de bolo com a mão, larga-o no pratinho – um bolo simples, amarelo
escuro, apenas uma pequena fatia triangular.
A negrinha contida na sua expectativa, olha
a garrafa de coca-cola e o pratinho que o garçom
deixou à sua frente. Por que não começa a comer?
Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em
torno à mesa a um discreto ritual. A mãe remexe
em uma bolsa de plástico preto e brilhante, retira
qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de
fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta
como um animalzinho. Ninguém mais os observa
além de mim.
São três velinhas brancas, minúsculas, que
a mãe espeta caprichosamente na fatia de bolo. E
enquanto ela serve a coca-cola, o pai risca o
fósforo e acende as velas. Como a um gesto
ensaiado, a menina repousa o queixo no mármore
e sopra com força, apagando as chamas.
Imediatamente põe-se a bater palmas, muito
compenetrada, cantando num balbucio, a que os
pais se juntam, discretos: “parabéns pra você,
parabéns pra você...”. Depois a mãe recolhe as
velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha
agarra finalmente o bolo com as duas mãos
sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está
olhando para ela com ternura – ajeita-lhe a fitinha
no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe
cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim,
satisfeito, como a se convencer intimamente do
sucesso da celebração. De súbito, dá comigo a
observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se
perturba, constrangido – vacila, ameaça abaixar a
cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se
abre num sorriso.
Assim eu quereria a minha última crônica:
que fosse pura como esse sorriso.
SABINO, Fernando. A última crônica. In: Para gostar de ler -
Crônicas. Volume 5. São Paulo. Ática. 2003.
“De súbito, dá comigo a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido – vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.”
Considerando o sentido da palavra olhar no contexto apresentado, assinale a alternativa correta.
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Leia o texto a seguir para responder à questão.
A caminho de casa, entro num botequim da
Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na
realidade estou adiando o momento de escrever.
A perspectiva me assusta. Gostaria de estar
inspirado, de coroar de êxito mais um ano nesta
busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de
cada um. Eu pretendia apenas escolher da vida
diária algo de seu disperso conteúdo humano,
fruto da convivência, que a faz mais digna de ser
vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico.
Nesta perseguição do acidental, quer num
flagrante da esquina, quer nas palavras de uma
criança ou num incidente doméstico, torno-me
simples espectador e perco a noção do essencial.
Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e
tomo meu café, enquanto o verso do poeta se
repete na lembrança: “assim eu quereria meu
último poema”. Não sou poeta e estou sem
assunto. Lanço então meu último olhar fora de
mim, onde vivem os assuntos que merecem
crônica.
Ao fundo do botequim um casal de pretos
acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de
mármore ao longo da parede de espelhos. A
compostura da humildade, na contenção de
gestos e palavras, deixa-se acentuar pela
presença de uma negrinha de seus três anos, laço
na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre,
que se instalou também à mesa: mal ousa
balançar as perninhas curtas ou correr os olhos
grandes de curiosidade ao redor. Três seres
esquivos que compõem em torno à mesa a
instituição tradicional da família, célula da
sociedade. Vejo, porém, que preparam para algo
mais que matar a fome.
Passo a observá-los. O pai, depois de
contar o dinheiro que discretamente retirou do
bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na
cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo
sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando
imóvel, vagamente ansiosa, como se estivesse
aguardando a aprovação do garçom. Este ouve,
concentrado, o pedido do homem e depois se
afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando
para os lados, a reassegurar-se da naturalidade
de sua presença ali. A meu lado o garçom
encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do
balcão apanha o pedaço de bolo com a mão, larga-o no pratinho – um bolo simples, amarelo
escuro, apenas uma pequena fatia triangular.
A negrinha contida na sua expectativa, olha
a garrafa de coca-cola e o pratinho que o garçom
deixou à sua frente. Por que não começa a comer?
Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em
torno à mesa a um discreto ritual. A mãe remexe
em uma bolsa de plástico preto e brilhante, retira
qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de
fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta
como um animalzinho. Ninguém mais os observa
além de mim.
São três velinhas brancas, minúsculas, que
a mãe espeta caprichosamente na fatia de bolo. E
enquanto ela serve a coca-cola, o pai risca o
fósforo e acende as velas. Como a um gesto
ensaiado, a menina repousa o queixo no mármore
e sopra com força, apagando as chamas.
Imediatamente põe-se a bater palmas, muito
compenetrada, cantando num balbucio, a que os
pais se juntam, discretos: “parabéns pra você,
parabéns pra você...”. Depois a mãe recolhe as
velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha
agarra finalmente o bolo com as duas mãos
sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está
olhando para ela com ternura – ajeita-lhe a fitinha
no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe
cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim,
satisfeito, como a se convencer intimamente do
sucesso da celebração. De súbito, dá comigo a
observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se
perturba, constrangido – vacila, ameaça abaixar a
cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se
abre num sorriso.
Assim eu quereria a minha última crônica:
que fosse pura como esse sorriso.
SABINO, Fernando. A última crônica. In: Para gostar de ler -
Crônicas. Volume 5. São Paulo. Ática. 2003.
"Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo."
Considerando a norma-padrão da língua portuguesa, assinale a alternativa em que a forma verbal ouve está empregada corretamente.
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- OrtografiaAcentuação GráficaProparoxítonas, Paraxítonas, Oxítonas e Hiatos
- FonologiaNoções de Fonética
Leia o texto a seguir para responder à questão.
A caminho de casa, entro num botequim da
Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na
realidade estou adiando o momento de escrever.
A perspectiva me assusta. Gostaria de estar
inspirado, de coroar de êxito mais um ano nesta
busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de
cada um. Eu pretendia apenas escolher da vida
diária algo de seu disperso conteúdo humano,
fruto da convivência, que a faz mais digna de ser
vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico.
Nesta perseguição do acidental, quer num
flagrante da esquina, quer nas palavras de uma
criança ou num incidente doméstico, torno-me
simples espectador e perco a noção do essencial.
Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e
tomo meu café, enquanto o verso do poeta se
repete na lembrança: “assim eu quereria meu
último poema”. Não sou poeta e estou sem
assunto. Lanço então meu último olhar fora de
mim, onde vivem os assuntos que merecem
crônica.
Ao fundo do botequim um casal de pretos
acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de
mármore ao longo da parede de espelhos. A
compostura da humildade, na contenção de
gestos e palavras, deixa-se acentuar pela
presença de uma negrinha de seus três anos, laço
na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre,
que se instalou também à mesa: mal ousa
balançar as perninhas curtas ou correr os olhos
grandes de curiosidade ao redor. Três seres
esquivos que compõem em torno à mesa a
instituição tradicional da família, célula da
sociedade. Vejo, porém, que preparam para algo
mais que matar a fome.
Passo a observá-los. O pai, depois de
contar o dinheiro que discretamente retirou do
bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na
cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo
sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando
imóvel, vagamente ansiosa, como se estivesse
aguardando a aprovação do garçom. Este ouve,
concentrado, o pedido do homem e depois se
afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando
para os lados, a reassegurar-se da naturalidade
de sua presença ali. A meu lado o garçom
encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do
balcão apanha o pedaço de bolo com a mão, larga-o no pratinho – um bolo simples, amarelo
escuro, apenas uma pequena fatia triangular.
A negrinha contida na sua expectativa, olha
a garrafa de coca-cola e o pratinho que o garçom
deixou à sua frente. Por que não começa a comer?
Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em
torno à mesa a um discreto ritual. A mãe remexe
em uma bolsa de plástico preto e brilhante, retira
qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de
fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta
como um animalzinho. Ninguém mais os observa
além de mim.
São três velinhas brancas, minúsculas, que
a mãe espeta caprichosamente na fatia de bolo. E
enquanto ela serve a coca-cola, o pai risca o
fósforo e acende as velas. Como a um gesto
ensaiado, a menina repousa o queixo no mármore
e sopra com força, apagando as chamas.
Imediatamente põe-se a bater palmas, muito
compenetrada, cantando num balbucio, a que os
pais se juntam, discretos: “parabéns pra você,
parabéns pra você...”. Depois a mãe recolhe as
velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha
agarra finalmente o bolo com as duas mãos
sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está
olhando para ela com ternura – ajeita-lhe a fitinha
no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe
cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim,
satisfeito, como a se convencer intimamente do
sucesso da celebração. De súbito, dá comigo a
observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se
perturba, constrangido – vacila, ameaça abaixar a
cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se
abre num sorriso.
Assim eu quereria a minha última crônica:
que fosse pura como esse sorriso.
SABINO, Fernando. A última crônica. In: Para gostar de ler -
Crônicas. Volume 5. São Paulo. Ática. 2003.
I.“a família reunida...”
II.“um simples café...”
III.“uma pequena mesa...”
Com base nos estudos da língua portuguesa, analise as afirmativas a seguir e marque (V) para verdadeiro ou (F) para falso:
( ) A palavra “café” apresenta acento gráfico porque é uma palavra oxítona, isto é, possui a sílaba tônica na última posição (ca-FÉ).
( ) A palavra “família” deve ser pronunciada com maior intensidade na última sílaba, pois palavras terminadas em vogal tendem a apresentar tonicidade final.
( ) A palavra “mesa” apresenta tonicidade na primeira sílaba (ME-sa), sendo classificada como uma palavra paroxítona.
( ) A pronúncia adequada dos vocábulos, considerando os princípios da ortoépia e da prosódia, contribui para a expressividade da leitura literária, pois os aspectos sonoros da língua participam da construção dos sentidos.
( ) A palavra família é uma paroxítona e recebe acento gráfico conforme a regra das paroxítonas terminadas em ditongo crescente.
Após análise, conclui-se que a sequência correta é:
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- OrtografiaPontuaçãoDois-pontos
- OrtografiaPontuaçãoReticências
- OrtografiaPontuaçãoVírgula
- SintaxeTermos Acessórios e Independentes
Leia o texto a seguir para responder à questão.
A caminho de casa, entro num botequim da
Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na
realidade estou adiando o momento de escrever.
A perspectiva me assusta. Gostaria de estar
inspirado, de coroar de êxito mais um ano nesta
busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de
cada um. Eu pretendia apenas escolher da vida
diária algo de seu disperso conteúdo humano,
fruto da convivência, que a faz mais digna de ser
vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico.
Nesta perseguição do acidental, quer num
flagrante da esquina, quer nas palavras de uma
criança ou num incidente doméstico, torno-me
simples espectador e perco a noção do essencial.
Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e
tomo meu café, enquanto o verso do poeta se
repete na lembrança: “assim eu quereria meu
último poema”. Não sou poeta e estou sem
assunto. Lanço então meu último olhar fora de
mim, onde vivem os assuntos que merecem
crônica.
Ao fundo do botequim um casal de pretos
acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de
mármore ao longo da parede de espelhos. A
compostura da humildade, na contenção de
gestos e palavras, deixa-se acentuar pela
presença de uma negrinha de seus três anos, laço
na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre,
que se instalou também à mesa: mal ousa
balançar as perninhas curtas ou correr os olhos
grandes de curiosidade ao redor. Três seres
esquivos que compõem em torno à mesa a
instituição tradicional da família, célula da
sociedade. Vejo, porém, que preparam para algo
mais que matar a fome.
Passo a observá-los. O pai, depois de
contar o dinheiro que discretamente retirou do
bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na
cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo
sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando
imóvel, vagamente ansiosa, como se estivesse
aguardando a aprovação do garçom. Este ouve,
concentrado, o pedido do homem e depois se
afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando
para os lados, a reassegurar-se da naturalidade
de sua presença ali. A meu lado o garçom
encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do
balcão apanha o pedaço de bolo com a mão, larga-o no pratinho – um bolo simples, amarelo
escuro, apenas uma pequena fatia triangular.
A negrinha contida na sua expectativa, olha
a garrafa de coca-cola e o pratinho que o garçom
deixou à sua frente. Por que não começa a comer?
Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em
torno à mesa a um discreto ritual. A mãe remexe
em uma bolsa de plástico preto e brilhante, retira
qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de
fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta
como um animalzinho. Ninguém mais os observa
além de mim.
São três velinhas brancas, minúsculas, que
a mãe espeta caprichosamente na fatia de bolo. E
enquanto ela serve a coca-cola, o pai risca o
fósforo e acende as velas. Como a um gesto
ensaiado, a menina repousa o queixo no mármore
e sopra com força, apagando as chamas.
Imediatamente põe-se a bater palmas, muito
compenetrada, cantando num balbucio, a que os
pais se juntam, discretos: “parabéns pra você,
parabéns pra você...”. Depois a mãe recolhe as
velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha
agarra finalmente o bolo com as duas mãos
sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está
olhando para ela com ternura – ajeita-lhe a fitinha
no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe
cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim,
satisfeito, como a se convencer intimamente do
sucesso da celebração. De súbito, dá comigo a
observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se
perturba, constrangido – vacila, ameaça abaixar a
cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se
abre num sorriso.
Assim eu quereria a minha última crônica:
que fosse pura como esse sorriso.
SABINO, Fernando. A última crônica. In: Para gostar de ler -
Crônicas. Volume 5. São Paulo. Ática. 2003.
I. "Ao fundo do botequim, um casal de pretos acaba de sentar-se..."
II. "São três velinhas brancas, minúsculas..."
III. "Assim eu quereria a minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso."
Analise as afirmativas a seguir sobre o emprego dos sinais de pontuação e assinale (V) para verdadeiro ou (F) para falso.
( ) No trecho I, a vírgula separa a expressão "Ao fundo do botequim", que exerce a função de adjunto adverbial de lugar deslocado, do restante da oração.
( ) No trecho II, a vírgula separa os adjetivos "brancas" e "minúsculas", que caracterizam o substantivo "velinhas", constituindo uma enumeração de termos com a mesma função sintática.
( ) No trecho III, os dois-pontos introduzem a explicação do desejo expresso pelo narrador na primeira parte do enunciado.
( ) No trecho III, a retirada dos dois-pontos preservaria integralmente a relação de explicação estabelecida entre as duas partes do período.
( ) No trecho II, as reticências foram empregadas para indicar a omissão de palavras que não alteram o sentido da frase.
Após análise, conclui-se que a sequência correta é:
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Leia o texto a seguir para responder à questão.
A caminho de casa, entro num botequim da
Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na
realidade estou adiando o momento de escrever.
A perspectiva me assusta. Gostaria de estar
inspirado, de coroar de êxito mais um ano nesta
busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de
cada um. Eu pretendia apenas escolher da vida
diária algo de seu disperso conteúdo humano,
fruto da convivência, que a faz mais digna de ser
vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico.
Nesta perseguição do acidental, quer num
flagrante da esquina, quer nas palavras de uma
criança ou num incidente doméstico, torno-me
simples espectador e perco a noção do essencial.
Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e
tomo meu café, enquanto o verso do poeta se
repete na lembrança: “assim eu quereria meu
último poema”. Não sou poeta e estou sem
assunto. Lanço então meu último olhar fora de
mim, onde vivem os assuntos que merecem
crônica.
Ao fundo do botequim um casal de pretos
acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de
mármore ao longo da parede de espelhos. A
compostura da humildade, na contenção de
gestos e palavras, deixa-se acentuar pela
presença de uma negrinha de seus três anos, laço
na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre,
que se instalou também à mesa: mal ousa
balançar as perninhas curtas ou correr os olhos
grandes de curiosidade ao redor. Três seres
esquivos que compõem em torno à mesa a
instituição tradicional da família, célula da
sociedade. Vejo, porém, que preparam para algo
mais que matar a fome.
Passo a observá-los. O pai, depois de
contar o dinheiro que discretamente retirou do
bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na
cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo
sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando
imóvel, vagamente ansiosa, como se estivesse
aguardando a aprovação do garçom. Este ouve,
concentrado, o pedido do homem e depois se
afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando
para os lados, a reassegurar-se da naturalidade
de sua presença ali. A meu lado o garçom
encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do
balcão apanha o pedaço de bolo com a mão, larga-o no pratinho – um bolo simples, amarelo
escuro, apenas uma pequena fatia triangular.
A negrinha contida na sua expectativa, olha
a garrafa de coca-cola e o pratinho que o garçom
deixou à sua frente. Por que não começa a comer?
Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em
torno à mesa a um discreto ritual. A mãe remexe
em uma bolsa de plástico preto e brilhante, retira
qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de
fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta
como um animalzinho. Ninguém mais os observa
além de mim.
São três velinhas brancas, minúsculas, que
a mãe espeta caprichosamente na fatia de bolo. E
enquanto ela serve a coca-cola, o pai risca o
fósforo e acende as velas. Como a um gesto
ensaiado, a menina repousa o queixo no mármore
e sopra com força, apagando as chamas.
Imediatamente põe-se a bater palmas, muito
compenetrada, cantando num balbucio, a que os
pais se juntam, discretos: “parabéns pra você,
parabéns pra você...”. Depois a mãe recolhe as
velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha
agarra finalmente o bolo com as duas mãos
sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está
olhando para ela com ternura – ajeita-lhe a fitinha
no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe
cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim,
satisfeito, como a se convencer intimamente do
sucesso da celebração. De súbito, dá comigo a
observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se
perturba, constrangido – vacila, ameaça abaixar a
cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se
abre num sorriso.
Assim eu quereria a minha última crônica:
que fosse pura como esse sorriso.
SABINO, Fernando. A última crônica. In: Para gostar de ler -
Crônicas. Volume 5. São Paulo. Ática. 2003.
"A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acentuar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor."
Analise as afirmativas a seguir e marque (V) para verdadeiro ou (F) para falso.
( ) No contexto, a palavra compostura refere-se ao comportamento discreto, respeitoso e contido das personagens.
( ) A palavra compostura pode ser substituída por moderação, sem prejuízo significativo do sentido do texto.
( ) No trecho, a palavra compostura indica desorganização e agitação diante da situação vivida.
( ) A expressão "na contenção de gestos e palavras" contribui para a construção do sentido da palavra compostura.
( ) A palavra compostura foi empregada para caracterizar um comportamento marcado pela simplicidade e pela discrição.
Após análise, conclui-se que a sequência correta é:
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A caminho de casa, entro num botequim da
Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na
realidade estou adiando o momento de escrever.
A perspectiva me assusta. Gostaria de estar
inspirado, de coroar de êxito mais um ano nesta
busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de
cada um. Eu pretendia apenas escolher da vida
diária algo de seu disperso conteúdo humano,
fruto da convivência, que a faz mais digna de ser
vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico.
Nesta perseguição do acidental, quer num
flagrante da esquina, quer nas palavras de uma
criança ou num incidente doméstico, torno-me
simples espectador e perco a noção do essencial.
Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e
tomo meu café, enquanto o verso do poeta se
repete na lembrança: “assim eu quereria meu
último poema”. Não sou poeta e estou sem
assunto. Lanço então meu último olhar fora de
mim, onde vivem os assuntos que merecem
crônica.
Ao fundo do botequim um casal de pretos
acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de
mármore ao longo da parede de espelhos. A
compostura da humildade, na contenção de
gestos e palavras, deixa-se acentuar pela
presença de uma negrinha de seus três anos, laço
na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre,
que se instalou também à mesa: mal ousa
balançar as perninhas curtas ou correr os olhos
grandes de curiosidade ao redor. Três seres
esquivos que compõem em torno à mesa a
instituição tradicional da família, célula da
sociedade. Vejo, porém, que preparam para algo
mais que matar a fome.
Passo a observá-los. O pai, depois de
contar o dinheiro que discretamente retirou do
bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na
cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo
sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando
imóvel, vagamente ansiosa, como se estivesse
aguardando a aprovação do garçom. Este ouve,
concentrado, o pedido do homem e depois se
afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando
para os lados, a reassegurar-se da naturalidade
de sua presença ali. A meu lado o garçom
encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do
balcão apanha o pedaço de bolo com a mão, larga-o no pratinho – um bolo simples, amarelo
escuro, apenas uma pequena fatia triangular.
A negrinha contida na sua expectativa, olha
a garrafa de coca-cola e o pratinho que o garçom
deixou à sua frente. Por que não começa a comer?
Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em
torno à mesa a um discreto ritual. A mãe remexe
em uma bolsa de plástico preto e brilhante, retira
qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de
fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta
como um animalzinho. Ninguém mais os observa
além de mim.
São três velinhas brancas, minúsculas, que
a mãe espeta caprichosamente na fatia de bolo. E
enquanto ela serve a coca-cola, o pai risca o
fósforo e acende as velas. Como a um gesto
ensaiado, a menina repousa o queixo no mármore
e sopra com força, apagando as chamas.
Imediatamente põe-se a bater palmas, muito
compenetrada, cantando num balbucio, a que os
pais se juntam, discretos: “parabéns pra você,
parabéns pra você...”. Depois a mãe recolhe as
velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha
agarra finalmente o bolo com as duas mãos
sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está
olhando para ela com ternura – ajeita-lhe a fitinha
no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe
cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim,
satisfeito, como a se convencer intimamente do
sucesso da celebração. De súbito, dá comigo a
observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se
perturba, constrangido – vacila, ameaça abaixar a
cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se
abre num sorriso.
Assim eu quereria a minha última crônica:
que fosse pura como esse sorriso.
SABINO, Fernando. A última crônica. In: Para gostar de ler -
Crônicas. Volume 5. São Paulo. Ática. 2003.
( ) Ao longo da crônica, o narrador modifica sua percepção inicial ao descobrir que um acontecimento aparentemente comum pode revelar profundas experiências humanas.
( ) A descrição detalhada da comemoração do aniversário da menina tem como principal finalidade despertar no leitor um sentimento de piedade diante da pobreza da família.
( ) O encontro de olhares entre o narrador e o pai da menina contribui para transformar a relação entre observador e observado, culminando em um desfecho marcado pelo reconhecimento da dignidade humana.
( ) O desfecho da crônica evidencia que o narrador passa a compreender que a simplicidade do cotidiano pode constituir matéria-prima para a produção literária.
( ) O desfecho da crônica evidencia que o narrador continua acreditando que a literatura deve se basear apenas em fatos grandiosos, sem valorizar os elementos simples presentes no cotidiano.
Após análise, conclui-se que a sequência correta é:
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