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Foram encontradas 520 questões.

4116922 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Verbena
Orgão: Pref. Valparaíso Goiás-GO
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Leia o Texto 3 para responder à questão.

Texto 3

Durante muito tempo, o acadêmico Domício Proença foi o único negro na Academia Brasileira de Letras. E durante muito mais tempo ainda, a negritude de Machado de Assis lhe foi negada. Sobre Machado, em uma carta para o amigo José Veríssimo, que havia chamado Machado de mulato, após sua morte, disse o abolicionista Joaquim Nabuco: “Eu não o teria chamado mulato. E penso que nada lhe doeria mais do que essa síntese. Rogo que tire isso quando reduzir o artigo a páginas permanentes. A palavra não é literária e é pejorativa. O Machado para mim era branco, e creio que por tal se tomava: quando houvesse sangue estranho, isso em nada afetava a sua perfeita caracterização caucásica. Eu pelo menos só vi nele o grego”.

Ou seja, para ser portador da intelectualidade que o caracterizava, Machado de Assis teria, aos olhos de Joaquim Nabuco, que abrir mão de sua negritude, teria que abrir mão do seu defeito de cor. E cá estou eu, hoje, 128 anos depois de sua fundação, como a primeira escritora negra eleita para a Academia de Letras, falando pretoguês e escrevendo a partir de noções de oralitura e escrevivência. E assumo para mim, como uma das missões, promover a diversidade nessa casa e fazer avançar as coisas nas quais nela eu sempre critiquei, como a falta de diversidade na composição de seus membros, uma abertura maior para o público, verdadeiro dono da língua que aqui cultivamos, e um maior empenho na divulgação e na promoção da literatura brasileira. E isso, podendo ser quem eu sou.

GONÇALVES, Ana Maria. Discurso de posse. Disponível em:

https://www.academia.org.br/academicos/ana-maria-goncalves/discurso-de-

posse. Acesso em: 20 jan. 2026. [Adaptado].

Na construção sintática do discurso, a autora recorre a orações subordinadas para estabelecer relações entre termos do período. No segmento “verdadeiro dono da língua que aqui cultivamos”, como se classifica a oração “que aqui cultivamos”?
 

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4116921 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Verbena
Orgão: Pref. Valparaíso Goiás-GO
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Leia o Texto 3 para responder à questão.

Texto 3

Durante muito tempo, o acadêmico Domício Proença foi o único negro na Academia Brasileira de Letras. E durante muito mais tempo ainda, a negritude de Machado de Assis lhe foi negada. Sobre Machado, em uma carta para o amigo José Veríssimo, que havia chamado Machado de mulato, após sua morte, disse o abolicionista Joaquim Nabuco: “Eu não o teria chamado mulato. E penso que nada lhe doeria mais do que essa síntese. Rogo que tire isso quando reduzir o artigo a páginas permanentes. A palavra não é literária e é pejorativa. O Machado para mim era branco, e creio que por tal se tomava: quando houvesse sangue estranho, isso em nada afetava a sua perfeita caracterização caucásica. Eu pelo menos só vi nele o grego”.

Ou seja, para ser portador da intelectualidade que o caracterizava, Machado de Assis teria, aos olhos de Joaquim Nabuco, que abrir mão de sua negritude, teria que abrir mão do seu defeito de cor. E cá estou eu, hoje, 128 anos depois de sua fundação, como a primeira escritora negra eleita para a Academia de Letras, falando pretoguês e escrevendo a partir de noções de oralitura e escrevivência. E assumo para mim, como uma das missões, promover a diversidade nessa casa e fazer avançar as coisas nas quais nela eu sempre critiquei, como a falta de diversidade na composição de seus membros, uma abertura maior para o público, verdadeiro dono da língua que aqui cultivamos, e um maior empenho na divulgação e na promoção da literatura brasileira. E isso, podendo ser quem eu sou.

GONÇALVES, Ana Maria. Discurso de posse. Disponível em:

https://www.academia.org.br/academicos/ana-maria-goncalves/discurso-de-

posse. Acesso em: 20 jan. 2026. [Adaptado].

No discurso, a autora emprega os termos “oralitura”, “escrevivência” e “pretoguês”, associados à reflexão sobre linguagem, identidade e produção cultural. Considerando a formação dessas palavras, os três termos resultam de processo morfológico de
 

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4116920 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Verbena
Orgão: Pref. Valparaíso Goiás-GO
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Leia o Texto 3 para responder à questão.

Texto 3

Durante muito tempo, o acadêmico Domício Proença foi o único negro na Academia Brasileira de Letras. E durante muito mais tempo ainda, a negritude de Machado de Assis lhe foi negada. Sobre Machado, em uma carta para o amigo José Veríssimo, que havia chamado Machado de mulato, após sua morte, disse o abolicionista Joaquim Nabuco: “Eu não o teria chamado mulato. E penso que nada lhe doeria mais do que essa síntese. Rogo que tire isso quando reduzir o artigo a páginas permanentes. A palavra não é literária e é pejorativa. O Machado para mim era branco, e creio que por tal se tomava: quando houvesse sangue estranho, isso em nada afetava a sua perfeita caracterização caucásica. Eu pelo menos só vi nele o grego”.

Ou seja, para ser portador da intelectualidade que o caracterizava, Machado de Assis teria, aos olhos de Joaquim Nabuco, que abrir mão de sua negritude, teria que abrir mão do seu defeito de cor. E cá estou eu, hoje, 128 anos depois de sua fundação, como a primeira escritora negra eleita para a Academia de Letras, falando pretoguês e escrevendo a partir de noções de oralitura e escrevivência. E assumo para mim, como uma das missões, promover a diversidade nessa casa e fazer avançar as coisas nas quais nela eu sempre critiquei, como a falta de diversidade na composição de seus membros, uma abertura maior para o público, verdadeiro dono da língua que aqui cultivamos, e um maior empenho na divulgação e na promoção da literatura brasileira. E isso, podendo ser quem eu sou.

GONÇALVES, Ana Maria. Discurso de posse. Disponível em:

https://www.academia.org.br/academicos/ana-maria-goncalves/discurso-de-

posse. Acesso em: 20 jan. 2026. [Adaptado].

Em textos de caráter institucional, como o discurso de posse da escritora Ana Maria Gonçalves na Academia Brasileira de Letras, a progressão temática organiza o desenvolvimento das ideias para sustentar um posicionamento discursivo. No texto apresentado, essa progressão constrói-se principalmente pela
 

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4116919 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Verbena
Orgão: Pref. Valparaíso Goiás-GO
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Leia o Texto 2 para responder à questão.

Texto 2


a favor dos sem partido

sem dinheiro pra passagem

a favor dos estudantes

emperrando as engrenagens

a favor de uma garota

que tinha um olhar selvagem

e carregava um cartaz

escrito apenas “CORAGEM”

vou às ruas e hoje escrevo

uma balada-homenagem

vi um velho de muletas –

velhice = jardinagem –

caminhar cinco quilômetros

na maior camaradagem

vi uma mulher dançando

com seus cabelos na aragem

do alto de um edifício

incentivando a passagem

da passeata – e por isso

rendo aqui minha homenagem

que o governo não ignore –

nem se esconda na folhagem

da retórica política –

essa universal mensagem

pra que a esperança não morra

depois de nadar, na margem

nem a justiça se torne

iada, rancor, miragem

– ao eventual ouvinte

do poder, presto homenagem

dói o dia, dói a vida

dói em cada cartilagem

à dor, cerne da poesia

me doo nesta homenagem.

CORSALETTI, Fabrício. Balada a favor das últimas manifestações. In:

CORSALETTI, F. Baladas. São Paulo: Companhia das Letras, 2016.

Em um dos trechos do poema, o autor recorre a uma sequência de substantivos abstratos para construir efeitos expressivos. Trata-se do excerto “piada, rancor, miragem”, no qual o recurso linguístico empregado estrutura-se pela
 

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4116918 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Verbena
Orgão: Pref. Valparaíso Goiás-GO
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Leia o Texto 2 para responder à questão.

Texto 2


a favor dos sem partido

sem dinheiro pra passagem

a favor dos estudantes

emperrando as engrenagens

a favor de uma garota

que tinha um olhar selvagem

e carregava um cartaz

escrito apenas “CORAGEM”

vou às ruas e hoje escrevo

uma balada-homenagem

vi um velho de muletas –

velhice = jardinagem –

caminhar cinco quilômetros

na maior camaradagem

vi uma mulher dançando

com seus cabelos na aragem

do alto de um edifício

incentivando a passagem

da passeata – e por isso

rendo aqui minha homenagem

que o governo não ignore –

nem se esconda na folhagem

da retórica política –

essa universal mensagem

pra que a esperança não morra

depois de nadar, na margem

nem a justiça se torne

iada, rancor, miragem

– ao eventual ouvinte

do poder, presto homenagem

dói o dia, dói a vida

dói em cada cartilagem

à dor, cerne da poesia

me doo nesta homenagem.

CORSALETTI, Fabrício. Balada a favor das últimas manifestações. In:

CORSALETTI, F. Baladas. São Paulo: Companhia das Letras, 2016.

Em textos poéticos, expressões podem ser empregadas com sentido metafórico em diferentes configurações sintáticas. Por meio da análise do trecho do poema “nem se esconda na folhagem/ da retórica política”, identifica-se que a expressão “na folhagem” desempenha a função sintática de
 

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4116917 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Verbena
Orgão: Pref. Valparaíso Goiás-GO
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Leia o Texto 2 para responder à questão.

Texto 2


a favor dos sem partido

sem dinheiro pra passagem

a favor dos estudantes

emperrando as engrenagens

a favor de uma garota

que tinha um olhar selvagem

e carregava um cartaz

escrito apenas “CORAGEM”

vou às ruas e hoje escrevo

uma balada-homenagem

vi um velho de muletas –

velhice = jardinagem –

caminhar cinco quilômetros

na maior camaradagem

vi uma mulher dançando

com seus cabelos na aragem

do alto de um edifício

incentivando a passagem

da passeata – e por isso

rendo aqui minha homenagem

que o governo não ignore –

nem se esconda na folhagem

da retórica política –

essa universal mensagem

pra que a esperança não morra

depois de nadar, na margem

nem a justiça se torne

iada, rancor, miragem

– ao eventual ouvinte

do poder, presto homenagem

dói o dia, dói a vida

dói em cada cartilagem

à dor, cerne da poesia

me doo nesta homenagem.

CORSALETTI, Fabrício. Balada a favor das últimas manifestações. In:

CORSALETTI, F. Baladas. São Paulo: Companhia das Letras, 2016.

A autodenominação do texto como “balada-homenagem” orienta a leitura do poema ao articular tradição lírica e circunstância histórica. Essa articulação resulta em um gênero que combina
 

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4116916 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Verbena
Orgão: Pref. Valparaíso Goiás-GO
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Leia o texto a seguir.

                                                        Enunciado 4540451-1
Disponível em: https://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/1625850525962243-andre- dahmer-abreexposicao-individual-em-sao-paulo. Acesso em: 17 jan. 2026.


Em textos verbais e verbo-visuais, o sentido de uma palavra pode variar conforme o contexto de uso, contribuindo para a construção do significado global do texto. Considerando o emprego da palavra “bárbaro” no último quadro da tirinha, o efeito crítico produzido decorre principalmente do uso de
 

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4116915 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Verbena
Orgão: Pref. Valparaíso Goiás-GO
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Leia o Texto 1 para responder à questão.

Texto 1

Nosso tema é o óbvio. Acho mesmo que os cientistas trabalham é com o óbvio. O negócio deles – nosso negócio – é lidar com o óbvio. Aparentemente, Deus é muito treteiro, faz as coisas de forma tão recôndita e disfarçada que se precisa desta categoria de gente – os cientistas – para ir tirando os véus, desvendando, a fim de revelar a obviedade do óbvio. O ruim deste procedimento é que parece um jogo sem fim. De fato, só conseguimos desmascarar uma obviedade para descobrir outras, mais óbvias ainda.

Para começar, antes de entrar na obviedade educacional – que é nosso tema – vejamos algumas outras obviedades. É óbvio, por exemplo, que todo santo dia o sol nasce, se levanta, dá sua volta pelo céu, e se põe. Sabemos hoje muito bem que isto não é verdade. Mas foi preciso muita astúcia e gana para mostrar que a aurora e o crepúsculo são tretas de Deus. Não é assim? Gerações de sábios passaram por sacrifícios, recordados por todos, porque disseram que Deus estava nos enganando com aquele espetáculo diário. Demonstrar que a coisa não era como parecia, além de muito difícil, foi penoso, todos sabemos.

Outra obviedade, tão óbvia quanto esta ou mais óbvia ainda, é que os pobres vivem dos ricos. Está na cara? Sem os ricos o que é que seria dos pobres? Quem é que poderia fazer uma caridade? Me dá um empreguinho aí! Seria impossível arranjar qualquer ajuda. Me dá um dinheirinho aí! Sem rico o mundo estaria incompleto, os pobres estariam perdidos. Mas vieram uns Barbados dizendo que não, e atrapalharam tudo. Tiraram aquela obviedade e puseram outra oposta no lugar. Aliás, uma obviedade subversiva.

Uma terceira obviedade que vocês conhecem bem, por ser patente, é que os negros são inferiores aos brancos. Basta olhar! Eles fazem um esforço danado para ganhar a vida, mas não ascendem como a gente. Sua situação é de uma inferioridade social e cultural tão visível, tão evidente, que é óbvia. Pois não é assim, dizem os cientistas. Não é assim, não. É diferente! Os negros foram inferiorizados. Foram e continuam sendo postos nessa posição de inferioridade por tais e quais razões históricas. Razões que nada têm a ver com suas capacidades e aptidões inatas mas, sim, tendo que ver com certos interesses muito concretos.

RIBEIRO, Darcy. Sobre o óbvio. In: RIBEIRO, D. Ensaios insólitos. Rio de

Janeiro: Fundação Biblioteca nacional; Brasília: Ed. UnB, 2011. p. 3-4.

[Adaptado].

A organização interna de um texto contribui para a articulação de suas ideias e para a compreensão global do discurso. No ensaio de Darcy Ribeiro, a apresentação sucessiva de diferentes “obviedades” contribui para essa organização porque
 

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4116914 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Verbena
Orgão: Pref. Valparaíso Goiás-GO
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Leia o Texto 1 para responder à questão.

Texto 1

Nosso tema é o óbvio. Acho mesmo que os cientistas trabalham é com o óbvio. O negócio deles – nosso negócio – é lidar com o óbvio. Aparentemente, Deus é muito treteiro, faz as coisas de forma tão recôndita e disfarçada que se precisa desta categoria de gente – os cientistas – para ir tirando os véus, desvendando, a fim de revelar a obviedade do óbvio. O ruim deste procedimento é que parece um jogo sem fim. De fato, só conseguimos desmascarar uma obviedade para descobrir outras, mais óbvias ainda.

Para começar, antes de entrar na obviedade educacional – que é nosso tema – vejamos algumas outras obviedades. É óbvio, por exemplo, que todo santo dia o sol nasce, se levanta, dá sua volta pelo céu, e se põe. Sabemos hoje muito bem que isto não é verdade. Mas foi preciso muita astúcia e gana para mostrar que a aurora e o crepúsculo são tretas de Deus. Não é assim? Gerações de sábios passaram por sacrifícios, recordados por todos, porque disseram que Deus estava nos enganando com aquele espetáculo diário. Demonstrar que a coisa não era como parecia, além de muito difícil, foi penoso, todos sabemos.

Outra obviedade, tão óbvia quanto esta ou mais óbvia ainda, é que os pobres vivem dos ricos. Está na cara? Sem os ricos o que é que seria dos pobres? Quem é que poderia fazer uma caridade? Me dá um empreguinho aí! Seria impossível arranjar qualquer ajuda. Me dá um dinheirinho aí! Sem rico o mundo estaria incompleto, os pobres estariam perdidos. Mas vieram uns Barbados dizendo que não, e atrapalharam tudo. Tiraram aquela obviedade e puseram outra oposta no lugar. Aliás, uma obviedade subversiva.

Uma terceira obviedade que vocês conhecem bem, por ser patente, é que os negros são inferiores aos brancos. Basta olhar! Eles fazem um esforço danado para ganhar a vida, mas não ascendem como a gente. Sua situação é de uma inferioridade social e cultural tão visível, tão evidente, que é óbvia. Pois não é assim, dizem os cientistas. Não é assim, não. É diferente! Os negros foram inferiorizados. Foram e continuam sendo postos nessa posição de inferioridade por tais e quais razões históricas. Razões que nada têm a ver com suas capacidades e aptidões inatas mas, sim, tendo que ver com certos interesses muito concretos.

RIBEIRO, Darcy. Sobre o óbvio. In: RIBEIRO, D. Ensaios insólitos. Rio de

Janeiro: Fundação Biblioteca nacional; Brasília: Ed. UnB, 2011. p. 3-4.

[Adaptado].

No ensaio, como em outros textos argumentativos, determinadas escolhas lexicais e sintáticas influenciam a construção dos sentidos. Assim, no trecho em que o autor afirma que os negros “foram inferiorizados”, a formulação empregada desloca a interpretação
 

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4116913 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Verbena
Orgão: Pref. Valparaíso Goiás-GO
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Leia o Texto 1 para responder à questão.

Texto 1

Nosso tema é o óbvio. Acho mesmo que os cientistas trabalham é com o óbvio. O negócio deles – nosso negócio – é lidar com o óbvio. Aparentemente, Deus é muito treteiro, faz as coisas de forma tão recôndita e disfarçada que se precisa desta categoria de gente – os cientistas – para ir tirando os véus, desvendando, a fim de revelar a obviedade do óbvio. O ruim deste procedimento é que parece um jogo sem fim. De fato, só conseguimos desmascarar uma obviedade para descobrir outras, mais óbvias ainda.

Para começar, antes de entrar na obviedade educacional – que é nosso tema – vejamos algumas outras obviedades. É óbvio, por exemplo, que todo santo dia o sol nasce, se levanta, dá sua volta pelo céu, e se põe. Sabemos hoje muito bem que isto não é verdade. Mas foi preciso muita astúcia e gana para mostrar que a aurora e o crepúsculo são tretas de Deus. Não é assim? Gerações de sábios passaram por sacrifícios, recordados por todos, porque disseram que Deus estava nos enganando com aquele espetáculo diário. Demonstrar que a coisa não era como parecia, além de muito difícil, foi penoso, todos sabemos.

Outra obviedade, tão óbvia quanto esta ou mais óbvia ainda, é que os pobres vivem dos ricos. Está na cara? Sem os ricos o que é que seria dos pobres? Quem é que poderia fazer uma caridade? Me dá um empreguinho aí! Seria impossível arranjar qualquer ajuda. Me dá um dinheirinho aí! Sem rico o mundo estaria incompleto, os pobres estariam perdidos. Mas vieram uns Barbados dizendo que não, e atrapalharam tudo. Tiraram aquela obviedade e puseram outra oposta no lugar. Aliás, uma obviedade subversiva.

Uma terceira obviedade que vocês conhecem bem, por ser patente, é que os negros são inferiores aos brancos. Basta olhar! Eles fazem um esforço danado para ganhar a vida, mas não ascendem como a gente. Sua situação é de uma inferioridade social e cultural tão visível, tão evidente, que é óbvia. Pois não é assim, dizem os cientistas. Não é assim, não. É diferente! Os negros foram inferiorizados. Foram e continuam sendo postos nessa posição de inferioridade por tais e quais razões históricas. Razões que nada têm a ver com suas capacidades e aptidões inatas mas, sim, tendo que ver com certos interesses muito concretos.

RIBEIRO, Darcy. Sobre o óbvio. In: RIBEIRO, D. Ensaios insólitos. Rio de

Janeiro: Fundação Biblioteca nacional; Brasília: Ed. UnB, 2011. p. 3-4.

[Adaptado].

No ensaio “Sobre o óbvio”, Darcy Ribeiro apresenta diferentes situações consideradas evidentes para sustentar sua argumentação. Ao longo desse percurso, a estratégia adotada conduz o leitor
 

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