Sobre os princípios curriculares importantes para o processo de seleção dos conteúdos de ensino, analise as afirmativas a seguir.
I. O princípio da relevância social do conteúdo implica em compreender seu sentido e significado para a reflexão pedagógica escolar. Ele deve ser vinculado à explicação da realidade social concreta e oferecer subsídios para a compreensão de determinantes sócio-históricos do aluno, particularmente, sua condição de classe social.
II. O princípio da contemporaneidade implica em adequar o conteúdo à capacidade cognitiva e à prática social do aluno ao seu próprio conhecimento e às suas possibilidades enquanto sujeito histórico.
Determinado educador físico está elaborando um programa de treinamento para um grupo de atletas que participará de uma competição em altitudes elevadas. Diante do contexto, sobre cuidados e adaptações necessários para otimizar o desempenho dos atletas nessas condições assinale a afirmativa correta.
“A Educação Física Escolar [...] sempre
exerceu certa atratividade por conta de se
desenvolver dentro de práticas e atividades físicas
que se opunham ao processo pedagógico regular,
ou seja, uma atividade sem exigências cognitivas
mais apuradas e que visassem um processo
formativo. Por conta desse processo ainda hoje a
Educação Física é esperada pelos alunos como
um momento de desprendimento e de
descompromisso com algo mais organizado, com
intenção formativa e que tenha vínculo profundo
com suas formações.
A espera é justamente a de liberdade e
desprendimento, momento que se utiliza para
brincar (sem compromisso com um brincar
formativo), jogar(sem a discussão da complexidade e dos valores do jogo), se divertir (sem o uso
pedagógico do tempo e do espaço). Romper com
essa situação tem sido a busca pela área e seus
profissionais ao longo das últimas décadas”.
(Oliveira, A. A. B.; Souza, V. F. M. Educação física escolar: da
atividade da prática descompromissada à atratividade da
prática formativa. In: Bossle F; Athayde P; Lara L, (orgs.).
Ciências do esporte, educação física e produção do
conhecimento, 40, 2020, p. 119-130.)
Sobre o desafio de transformação desta realidade
os(as) autores(as) apontam
“Tenho afirmado em outros trabalhos que
"cultura" é o principal conceito para a educação
física, porque todas as manifestações corporais
humanas são geradas na dinâmica cultural,
desde os primórdios da evolução até hoje,
expressando-se diversificadamente e com significados próprios no contexto de grupos culturais
específicos. O profissional de educação física não
atua sobre o corpo ou com o movimento em si,
não trabalha com o esporte em si, não lida com a
ginástica em si. Ele trata do ser humano nas suas
manifestações culturais relacionadas ao corpo e
ao movimento humanos, historicamente definidas
como jogo, esporte, dança, luta e ginástica. O que
irá definir se uma ação corporal é digna de trato
pedagógico pela educação física é a própria
consideração e análise desta expressão na
dinâmica cultural específica do contexto onde se
realiza”.
(DAÓLIO, J. Educação Física e o conceito de cultura.
Campinas: Autores Associados, 2004.)
Para Jocimar Daólio, a “cultura” aparece na obra
de vários autores da Educação Física brasileira,
quais sejam
“[...] avaliar é um processo que procura
auxiliar o aluno a aprender, mais e melhor. Em
outras palavras, avaliar é mais complexo do que
tomar exclusivamente o desempenho dos alunos
em uma prova e considerá-lo aprovado ou
reprovado, mesmo porque cada aluno chega à
escola e às práticas corporais com certo nível de
conhecimento, carregando experiências anteriores e com características pessoais. Particularmente, para a Educação Física avaliar implica
ajudar o aluno a perceber as suas facilidades, as
suas dificuldades e, sobretudo, pretende ajudá-lo
a identificar os seus progressos de tal modo que
tenha condições de continuar avançando”.
(DARIDO, Suraya Cristina. A avaliação da educação física na escola.
Caderno de formação: formação de professores didática geral.
Universidade Estadual Paulista. Prograd. São Paulo: Cultura
Acadêmica, v. 16, p. 127-140, 2012.)
Acerca do momento adequado à avaliação na
Educação Física escolar, Darido (2012) indica
“A primeira edição dos Jogos dos Povos
Indígenas foi realizada em 1996 na cidade de
Goiânia, por iniciativa do Comitê Intertribal
(Memória e Ciência Indígena). Sendo uma
construção política entre poder público, setores
privados e lideranças indígenas, rememorando a
polissemia do conceito de esporte, o empoderamento inerente a essas celebrações e a
(re)significação de seus valores”.
(PEREIRA, A. S. M. Práticas corporais indígenas: jogos,
brincadeiras e lutas para a implementação da lei 11.645/08 na
Educação Física escolar. Editora Aliás, 2021)
Sobre os Jogos dos Povos Indígenas, Pereira
(2021) reflete em seu livro que
“A narrativa que advoga a realização de
uma quantidade de minutos de atividades físicas
por semana, com o propósito de melhoria da
saúde, traz consigo uma ideia de medicalização
das práticas corporais ou atividades físicas, além
de manifestar uma posição moralizante, na
medida em que imputa ao indivíduo a
responsabilidade por sua própria saúde, ao
mesmo tempo em que exime o Estado dessa
obrigação.”
Com base na afirmação acima, é fundamental
que o professor de educação física escolar,
alinhado com as perspectivas críticas e pós-críticas, aborde a relação da atividade física com
a saúde a partir das seguintes ideias:
“Na legislação brasileira, pessoas com
deficiência, transtorno do espectro autista e altas
habilidades/superdotação são consideradas
como público-alvo da educação especial e
historicamente a inclusão é vinculada, sobretudo,
a esse campo (BRASIL, 2008). Considerando a
Educação Física escolar na perspectiva inclusiva,
baseada numa abordagem não padronizada e
mecanicista do corpo e do movimento, nos
embasamos em um conceito de inclusão
dialético, processual e infindável, que não é
ingênuo e está permeado por dimensões
materiais, políticas, sociais, culturais, relacionais e
subjetivas”.
(adaptado de Fonseca, Michele Pereira de Souza da; Brito,
Leandro Teofilo de. Por uma perspectiva inclusiva na Educação
Física escolar. In: Educação física, soberania popular, ciência e
vida / Rosa Malena de Araújo Carvalho, Alexandre Palma,
André dos Santos Souza Cavalcanti (organizadores). Niterói :
Intertexto, 2022.)
De acordo com os autores, pensar em uma
Educação Física escolar na perspectiva inclusiva,
que valorize as diferenças, perpassa
“Diante de todo o contexto de pandemia,
agravado por uma crise política em nosso país, as
desigualdades em nossa sociedade ficaram mais
latentes. As tensões sociais aumentaram e mais
uma vez as minorias ficaram à margem das ações
do governo. Um governo neoliberal à frente de
uma sociedade com estrutura patriarcal,
capitalista e colonialista, que moldou a escola a
partir de um padrão de homem, de corpo e de
sociedade, desconsiderando a diferença como
uma característica humana. Diante do cenário
caótico de pandemia, o governo brasileiro decidiu
no primeiro momento suspender as aulas
presenciais, em seguida, com tensões de
instituições privadas, implantou o denominado
ensino remoto e em um terceiro momento
flexibilizou a volta às aulas em função da forte
pressão de instituições privadas, mais uma vez
colocando a economia à frente da vida e de certa
forma escolhendo quem vive e quem morre, o que
podemos considerar uma necropolítica.”
(Dias, Maria Aparecida; Machado, Roseli Belmonte; Carvalho
Junior, Arlindo Fernando Paiva de; Martins, Rafael Costa.
Corpo, diferença e distanciamento: desafios e possibilidades
em tempos de pandemia." Educação Física e Ciências do
Esporte no tempo presente. 2021).
Diante do cenário pandêmico refletindo com os
autores do texto “Corpo, diferença e distanciamento: desafios e possibilidades em tempos
de pandemia” é possível afirmar sobre a inclusão
de pessoas com deficiência: