Uma pessoa com surdocegueira tende a aprender a usar os
sentidos remanescentes ou os resíduos auditivos e visuais a
fim de estabelecer um meio de comunicação. Como visto,
não necessariamente deve ser diagnosticada a surdez
profunda ou severa, muito menos a cegueira aguda ou
profunda, mas sim, pode-se caracterizar a deficiência a partir
de graves perdas da visão e da audição, levando o sujeito a
desenvolver variadas possibilidades para comunicação,
favorecendo seu desenvolvimento nas atividades do seu dia
a dia, bem como lazer, educação, trabalho e vida social.
Sobre o trabalho de tradução-interpretação para este
público, podemos afirmar que:
O congresso de Milão aconteceu em 1880 e reuniu os
intelectuais da época em um evento que teria consequências
terríveis para as comunidades surdas do mundo todo. Nessa
ocasião ficou demonstrado que os surdos não tinham
problemas fisiológicos em relação ao aparelho fonador e
emissão de voz, fato esse do qual derivou a premissa
básica: os surdos não têm problemas para falar.
Baseando-se nessa premissa, a comunidade científica da
época impôs que:
Cada processo cognitivo acontece de maneira progressiva e
temporal, de modo que é a formação de uma estrutura
neurológica em etapas sucessivas que suporta o sistema
cognitivo e sem o amadurecimento necessário dessa
estrutura, o conhecimento, enquanto habilidade lógica para
interagir com os objetos da experiência, perde autonomia.
A escola é um grupo social que tem um papel importante no
desenvolvimento identitário da criança surda. Ela pode ser
um guia para a construção individual desta identidade que
será fruto das experiências e escolhas feitas pela criança ao
longo da sua vida. A escola deve, portanto, trabalhar com
atividades e ações pedagógicas que vão para além da sala
de aula com o objetivo de como esta aceitação pode ser algo
positivo para o seu desenvolvimento social. Entretanto,
assumir a identidade surda é ainda um processo complexo
para muito surdos.
Uma das razões para que este processo de aceitação seja
árduo repousa no fato de que:
O grau de surdez pode variar de leve a profundo. A surdez
leve pode, entretanto, ir se agravando com o tempo e virar
surdez profunda. São limiares de cálculo os resultados em
decibéis: normal: até 25 dB, leve: de 26 a 40 dB, moderada:
de 41 a 55 dB, moderadamente severa: de 56 a 70 dB,
severa: de 71 a 90 dB, profunda: maior que 91 dB.
A partir destas informações, podemos dizer que:
O reconhecimento linguístico das Línguas de Sinais teve seu início na década de 1960, por meio
das pesquisas do norte-americano William Stokoe. Porém, ainda hoje há mitos que rondam essas
línguas no imaginário da população em geral. De acordo com Quadros (2002), um deles é o de que
Considere o excerto extraído de Quadros (2002) que segue:
Durante os últimos 30 anos, fonologistas procuraram estabelecer as unidades formacionais dos sinais e o conjunto de traços distintivos de mais unidades, detalhando aspectos da
representação fonológica e discutindo modelos teóricos propostos para línguas naturais.
Além disso, tentaram testar um conjunto de construtos teóricos a fim de determinar a validade de modelos fonológicos contemporâneos e de seus princípios universais aplicáveis às
línguas de sinais.
No texto apresentado, a narração que se faz diz respeito a
Assim como as línguas orais, as línguas sinalizadas podem apresentar sinais compostos. Na LIBRAS,
são exemplos de sinais compostos “ACREDITAR”, “ESCOLA”, “IGREJA”. Quadros (2002) apresenta que,
na formação de sinais compostos em LIBRAS, três regras são observadas. São elas: regra do contato,
regra da sequência única e regra da antecipação da mão não-dominante. A regra da sequência única
determina que quando compostos são formados na LIBRAS,