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"O naturalismo surge com a proposta de conduzir a literatura por outros rumos, diferentes daqueles assumidos pelo romantismo, principalmente no que diz respeito ao sentimentalismo exacerbado que marca a produção literária deste período, mas, como afirma Machado de Assis (1839-1908), "sair de um excesso para cair em outro, não é regenerar nada; é trocar o agente da corrupção". [ ... ]
Para exemplificar esta relação entre romantismo e naturalismo, pode-se citar a passagem do romance O Bom-crioulo em que Amaro é chicoteado inúmeras vezes sem qualquer gemido de dor e, somente após cento e cinquenta chibatadas, pôde-se ver um fio de sangue a escorrer em suas costas, o que conota a força e a resistência que o personagem tem, que de tão animalizadas atingem paradoxalmente os patamares elevados da virilidade de um herói [ ... ]."
Sobre o texto e as escolas literárias a que ele faz referência, avalie as seguintes assertivas. Em seguida, assinale a alternativa CORRETA.
I. O romantismo apresenta um olhar idealizado para as origens brasileiras, o que justificaria um olhar de heroísmo para o negro.
II. O naturalismo apresenta um olhar pautado no cientificismo, que animaliza tanto o ser humano quanto as relações humanas.
III. O texto estabelece uma relação entre naturalismo e romantismo, uma vez que o naturalismo, ao exagerar na descrição naturalista, aproxima-se da idealização romântica.
IV. O texto estabelece uma relação entre naturalismo e romantismo apenas se houver uma idealização exagerada do protagonista da narrativa, pautada em descrição minuciosa.
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A IDEIA
De onde ela vem?! De que matéria bruta
Vem essa luz que sobre as nebulosas
Cai de incógnitas criptas misteriosas
Como as estalactites duma gruta?!
Vem da psicogenética1 e alta luta
Do feixe de moléculas nervosas,
Que, em desintegrações maravilhosas,
Delibera, e depois, quer e executa!
Vem do encéfalo absconso2 que a constringe3,
Chega em seguida às cordas da laringe,
Tísica4, tênue, mínima, raquítica ...
Quebra a força centrípeta que a amarra,
Mas, de repente, e quase morta, esbarra
No molambo5 da língua paralítica!
Dado o contexto do poema, avalie cada assertiva abaixo, se é V (verdadeira) ou F (falsa). Depois, assinale a sequência CORRETA.
( ) "tísica", "mínima", "raquítica" e "centrípeta" são adjetivos que desempenham a função de predicativo do sujeito.
( ) Em "a força centrípeta", "força" é substantivo e atua como núcleo do sujeito.
( ) Em "que a constringe" e "que a amarra", "a" é pronome pessoal e exerce a função de objeto direto.
( ) "executa" é um verbo regular, que é classificado como intransitivo.
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A IDEIA
De onde ela vem?! De que matéria bruta
Vem essa luz que sobre as nebulosas
Cai de incógnitas criptas misteriosas
Como as estalactites duma gruta?!
Vem da psicogenética1 e alta luta
Do feixe de moléculas nervosas,
Que, em desintegrações maravilhosas,
Delibera, e depois, quer e executa!
Vem do encéfalo absconso2 que a constringe3,
Chega em seguida às cordas da laringe,
Tísica4, tênue, mínima, raquítica ...
Quebra a força centrípeta que a amarra,
Mas, de repente, e quase morta, esbarra
No molambo5 da língua paralítica!
Glossário:
1 psicogenética: origem e evolução das funções psíquicas.
2 absconso: oculto, escondido.
3 constringir: apertar.
4 tísico: tuberculoso, fraco.
5 molambo: farrapo.
Uma característica do Parnasianismo evidenciada no poema é a
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"Prefiro a prosa ao verso, como modo de arte, por duas razões, das quais a primeira, que é minha, é que não tenho escolha, pois sou incapaz de escrever em verso. A segunda, porém, é de todos, e não é - creio bem - uma sombra ou disfarce da primeira. Vale pois a pena que eu a esfie, porque toca no sentido íntimo de toda a valia da arte.
Considero o verso como uma coisa intermédia, uma passagem da música para a prosa. Como a música, o verso é limitado por leis rítmicas, que, ainda que não sejam as leis rígidas do verso regular, existem todavia como resguardos, coações, dispositivos automáticos de opressão e castigo. Na prosa falamos livres. Podemos incluir ritmos musicais, e contudo pensar. Podemos incluir ritmos poéticos, e contudo estar fora deles. Um ritmo ocasional de verso não estorva a prosa; um ritmo ocasional de prosa faz tropeçar o verso.
Na prosa se engloba toda a arte - em parte porque na palavra se contém todo o mundo, em parte porque na palavra livre se contém toda a possibilidade de o dizer e pensar. Na prosa damos tudo, por transposição: a cor e a forma, que a pintura não pode dar senão diretamente, em elas mesmas, sem dimensão íntima; o ritmo, que a música não pode dar senão diretamente, nele mesmo, sem corpo formal, nem aquele segundo corpo que é a ideia; a estrutura, que o arquiteto tem que formar de coisas duras, dadas, externas, e nós erguemos em ritmos, em indecisões, em decursos e fluidezas; a realidade, que o escultor tem que deixar no mundo, sem aura nem transubstanciação; a poesia, enfim, em que o poeta, como o iniciado numa ordem oculta, é servo, ainda que voluntário, de um grau e de um ritual."
O livro do desassossego é assinado por Bernardo Soares, um dos heterônimos de Fernando Pessoa. Sobre tais heterônimos, assinale a alternativa CORRETA.
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"Prefiro a prosa ao verso, como modo de arte, por duas razões, das quais a primeira, que é minha, é que não tenho escolha, pois sou incapaz de escrever em verso. A segunda, porém, é de todos, e não é - creio bem - uma sombra ou disfarce da primeira. Vale pois a pena que eu a esfie, porque toca no sentido íntimo de toda a valia da arte.
Considero o verso como uma coisa intermédia, uma passagem da música para a prosa. Como a música, o verso é limitado por leis rítmicas, que, ainda que não sejam as leis rígidas do verso regular, existem todavia como resguardos, coações, dispositivos automáticos de opressão e castigo. Na prosa falamos livres. Podemos incluir ritmos musicais, e contudo pensar. Podemos incluir ritmos poéticos, e contudo estar fora deles. Um ritmo ocasional de verso não estorva a prosa; um ritmo ocasional de prosa faz tropeçar o verso.
Na prosa se engloba toda a arte - em parte porque na palavra se contém todo o mundo, em parte porque na palavra livre se contém toda a possibilidade de o dizer e pensar. Na prosa damos tudo, por transposição: a cor e a forma, que a pintura não pode dar senão diretamente, em elas mesmas, sem dimensão íntima; o ritmo, que a música não pode dar senão diretamente, nele mesmo, sem corpo formal, nem aquele segundo corpo que é a ideia; a estrutura, que o arquiteto tem que formar de coisas duras, dadas, externas, e nós erguemos em ritmos, em indecisões, em decursos e fluidezas; a realidade, que o escultor tem que deixar no mundo, sem aura nem transubstanciação; a poesia, enfim, em que o poeta, como o iniciado numa ordem oculta, é servo, ainda que voluntário, de um grau e de um ritual."
Segundo os argumentos desenvolvidos, o narrador
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Leia os versos de Gonçalves Dias.
Sentado em sítio escuso descansava
Dos Timbiras o chefe em trono anoso,
Itajubá, o valente, o destemido
Acoçador das feras, o guerreiro
Fabricador das incansáveis lutas.
Seu pai, chefe também, também Timbira,
Chamava-se o Jaguar: dele era fama
Que os musculosos membros repeliam
A flecha sibilante, e que o seu crânio
Da maça aos tesos golpes não cedia.
A temática dos versos permite identificar uma das vertentes do Romantismo brasileiro, que é
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Leia os versos de “Mar português”, de Fernando Pessoa.
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem de passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
O poeta do Modernismo remete à temática da célebre epopeia “Os Lusíadas”, de Luís Vaz de Camões. Nos versos de Fernando Pessoa, o eu lírico
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Escritor plural, Mário de Andrade produziu obras inspiradas em suas pesquisas sobre o folclore brasileiro. Tal procedimento pode ser constatado no seguinte trecho:
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O contexto em que se desenvolveu o Romantismo expressou-se, na literatura, por meio de
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Leia o poema de Carlos Drummond de Andrade.
Poema do jornal
O fato ainda não acabou de acontecer
e já a mão nervosa do repórter
o transforma em notícia.
O marido está matando a mulher.
A mulher ensanguentada grita.
Ladrões arrombam o cofre.
A polícia dissolve o meeting.
A pena escreve.
Vem da sala de linotipos a doce música mecânica.
Esse poema exemplifica uma determinada vertente da poesia de Drummond, a saber, a poesia voltada para
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