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Fernando Pessoa “criou” outros poetas, a quem deu personalidade própria — são seus heterônimos, Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis, cujas obras convivem com a sua.
Sabendo disso, leia o fragmento a seguir.
À dolorosa luz das grandes lâmpadas elétricas da fábrica
Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto,
Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.
Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r eterno!
Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria!
Em fúria fora e dentro de mim,
Por todos os meus nervos dissecados fora,
Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto!
Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos,
De vos ouvir demasiadamente de perto,
E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso
De expressão de todas as minhas sensações,
Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas!
A análise do poema permite atribuí-lo ao heterônimo
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Leia o soneto de Gregório de Matos.
Um soneto começo em vosso gabo1;
Contemos esta regra por primeira,
Já lá vão duas, e esta é a terceira,
Já este quartetinho está no cabo.
Na quinta agora a porca torce o rabo:
A sexta vá também desta maneira,
Na sétima entro já com grã2 canseira,
E saio dos quartetos muito brabo.
Agora nos tercetos que direi?
Direi, que vós, Senhor, a mim me honrais,
Gabando3-vos a vós, e eu fico um Rei.
Nesta vida um soneto já ditei,
Se desta agora escapo, nunca mais;
Louvado seja Deus, que o acabei.
A obra desse poeta é reconhecida por suas diferentes facetas. Esse soneto, escrito a pedido do Conde de Ericeira, que lhe pedira louvores, permite reconhecer
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Considere as seguintes informações:
Na verdade, tanto na Europa quanto no Brasil, em vez de um movimento uniforme, o que houve no início do século foram correntes artísticas que se caracterizaram pela quebra dos valores artísticos tradicionais e pela busca de técnicas e meios de expressão capazes de traduzir a nova realidade do século XX.
Uma das correntes artísticas desse período da literatura brasileira foi a poesia Pau-Brasil. O fragmento que expressa teses dessa corrente é:
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Leia o fragmento do conto “Famigerado”, de João Guimarães Rosa.
– Vosmecê agora me faça a boa obra de querer me ensinar o que é mesmo que é: fasmigerado… faz-me-gerado… falmisgeraldo… familhas-gerado…?
Disse, de golpe, trazia entre dentes aquela frase. Soara com riso seco. Mas, o gesto, que se seguiu, imperava-se de toda a rudez primitiva, de sua presença dilatada. Detinha minha resposta, não queria que eu a desse de imediato. E já aí outro susto vertiginoso surpreendia-me: alguém podia ter feito intriga, invencionice de atribuir-me a palavra de ofensa àquele homem; que muito, pois, que aqui ele se famanasse, vindo para exigir-me, rosto a rosto, o fatal, a vexatória satisfação?
– Saiba vosmecê que saí ind’hoje da Serra, que vim, sem parar, essas seis léguas, expresso direto pra mor de lhe preguntar a pregunta, pelo claro…
Se sério, se era. Transiu-se-me.
A obra de João Guimarães Rosa tem sua originalidade reconhecida em traços estilísticos que podem ser identificados nesse fragmento, tais como:
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Leia o fragmento de O Guarani, de José de Alencar.
O sol declinava no horizonte e deitava-se sobre as grandes florestas, que iluminava com os seus últimos raios.
Os espinheiros silvestres desatavam as flores alvas e delicadas; e o Ouricuri1 abria suas palmas mais novas, para receber no seu cálice o orvalho da noite. Os animais retardados procuravam a pousada, enquanto a juriti2, chamando a companheira, soltava os arrulhos3 doces e saudosos com que se despede do dia.
O urutau2 no fundo da mata solta as suas notas graves e sonoras, que, reboando pelas longas crestas4 de verdura, vão ecoar ao longe como o toque lento e pausado do ângelus5.
Uma característica do Romantismo brasileiro que pode ser identificada nesse fragmento de José de Alencar é
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Leia o fragmento do “Sermão da Visitação de Nossa Senhora”, do Padre Antônio Vieira.
Mas como a experiência ensina que, para a saúde ser segura e firme, não basta sobressarar a enfermidade, se não se arrancam as raízes e se cortam as causas dela, é necessário vermos ultimamente quais são e quais foram as causas desta enfermidade do Brasil. A causa da enfermidade do Brasil, bem examinada, é a mesma que a do pecado original. Pôs Deus no Paraíso terreal a nosso pai Adão, mandando-lhe que o guardasse e trabalhasse; e ele, parecendo-lhe melhor o guardar do que o trabalhar, lançou mão à árvore vedada, tomou o pomo que não era seu, e perdeu a justiça, em que vivia, para si e para o gênero humano. Esta foi a origem do pecado original e esta é a causa original das doenças do Brasil – tomar o alheio, cobiças, interesses, ganhos e conveniências particulares, por onde a justiça se não guarda e o Estado se perde.
A prosa de Vieira exemplifica a vertente conceptista do Barroco, caracterizada pelo jogo de ideias. Nesse fragmento, Vieira recorre
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Leia um trecho da obra O primo Basílio, do escritor realista Eça de Queirós (1845 - 1900), para responder a questão.
Tinham dado onze horas no cuco da sala de jantar. Jorge fechou o volume de Luís Figuier que estivera folheando devagar, estirado na velha voltaire1 de marroquim2 escuro, espreguiçou-se, bocejou e disse:
— Tu não te vais vestir, Luísa?
— Logo.
Ficara sentada à mesa a ler o Diário de Notícias, no seu roupão de manhã de fazenda preta, bordado a sutache3, com largos botões de madrepérola; o cabelo louro um pouco desmanchado, com um tom seco do calor do travesseiro, enrolava-se, torcido no alto da cabeça pequenina, de perfil bonito; a sua pele tinha a brancura tenra e láctea das louras; com o cotovelo encostado à mesa acariciava a orelha, e, no movimento lento e suave dos seus dedos, dois anéis de rubis miudinhos davam cintilações escarlates4.
Tinham acabado de almoçar.
Uma característica da estética realista presente no texto é
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Leia um trecho da obra O guarani, do escritor romântico José de Alencar (1829-1877), para responder a questão.
Era Peri.
Altivo, nobre, radiante da coragem invencível e do sublime heroísmo de que já dera tantos exemplos, o índio se apresentava só em face de duzentos inimigos fortes e sequiosos1 de vingança.
Caindo do alto de uma árvore sobre eles, tinha abatido dois; e volvendo o seu montante2 como um raio em torno de sua cabeça abriu um círculo no meio dos selvagens.
Então encostou-se a uma lasca de pedra que descansava sobre uma ondulação do terreno, e preparou-se para o combate monstruoso de um só homem contra duzentos.
A posição em que se achava o favorecia, se isso é possível à vista de uma tal disparidade de número: apenas dois inimigos podiam atacá-lo de frente.
Passado o primeiro espanto, os selvagens bramindo3 atiraram-se todos como uma só mole4, como uma tromba5 do oceano, contra o índio que ousava atacá-los a peito descoberto.
Uma característica da estética romântica brasileira presente no texto é a valorização
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Leia o texto para responder a questão.
Afonso era um pouco baixo, maciço, de ombros quadrados e fortes: e com a sua face larga de nariz aquilino, a pele corada, quase vermelha, o cabelo branco todo cortado à escovinha, e a barba de neve aguda e longa – lembrava, como dizia Carlos, um varão esforçado das idades heroicas, um D. Duarte de Meneses ou um Afonso de Albuquerque. E isto fazia sorrir o velho, recordar ao neto, gracejando, quanto as aparências iludem! Não, não era Meneses, nem Albuquerque, apenas um antepassado bonacheirão que amava os seus livros, o conchego da sua poltrona, o seu whist1 ao canto do fogão. Ele mesmo costumava dizer que era simplesmente um egoísta: – mas nunca, como agora na velhice, as generosidades do seu coração tinham sido tão profundas e largas. Parte do seu rendimento ia-se-lhe por entre os dedos, esparsamente2, numa caridade enternecida. Cada vez amava mais o que é pobre e o que é fraco.
Uma característica da estética realista presente no texto é
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Leia o texto para responder a questão.
Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema.
Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna e mais longos que seu talhe1 de palmeira.
O favo da jati2 não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado.
Mais rápida que a ema selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu onde campeava3 sua guerreira tribo da grande nação tabajara, o pé grácil e nu, mal roçando alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas.
Um dia, ao pino do sol, ela repousava em um claro da floresta. Banhava-lhe o corpo a sombra da oiticica4, mais fresca do que o orvalho da noite. Os ramos da acácia silvestre esparziam5 flores sobre os úmidos cabelos. Escondidos na folhagem os pássaros ameigavam o canto.
Uma característica da estética romântica brasileira presente no texto é
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