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HISTÓRIA 1: Num de seus cadernos de notas, Tchekhov registra esta anedota: “Um homem em Montecarlo vai ao cassino, ganha um milhão, volta para casa, suicida-se”. A forma clássica do conto está condensada no núcleo desse relato futuro e não escrito.
HISTÓRIA 2: Contra o previsível e o convencional (jogar – perder – suicidar-se), a intriga se oferece como um paradoxo. A anedota tende a desvincular a história do jogo e a história do suicídio. Essa cisão é a chave para definir o caráter duplo da forma do conto.
Primeira tese: um conto sempre conta duas histórias.
PIGLIA, Ricardo. “Teses sobre o conto”. In: Formas Breves. Trad. J. M. M. de Macedo.
São Paulo: Companhia das Letras, 2004.
O escritor e ensaísta Ricardo Piglia analisa autores clássicos a partir dessa sua tese. De acordo com ele:
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Erro de português
Quando o português chegou
Debaixo de uma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português
ANDRADE, Oswald de. “Erro de português”. In: O santeiro do mangue e outros poemas. São Paulo:
Globo/Secretaria do Estado da Cultura, 1991.
O poema “Erro de português” apresenta características recorrentes da Primeira Geração Modernista, da qual Oswald de Andrade foi membro profícuo. Encontram-se nele :
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A teoria semiótica procura (…) explicar os sentidos do texto. Para tanto, vai examinar, em primeiro lugar, os mecanismos e procedimentos de seu plano de conteúdo. O plano do conteúdo de um texto é, nesse caso, concebido, metodologicamente, sob a forma de um percurso gerativo.
BARROS, Diana Luz Pessoa de. “Estudos do discurso”. In: FIORIN, José Luiz (Org.).
Introdução à linguística II: princípios de análise. São Paulo: Contexto, 2008.
O referido percurso consiste nos níveis fundamental, narrativo e discursivo, os quais, respectivamente, contemplam:
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Texto III
Tecendo a manhã
Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito que um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.
E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que tecido, se eleva por si: luz balão.
João Cabral de Melo Neto.
O poema é dividido em duas estrofes, referindo cada uma delas, respectivamente:
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Texto II
Cogito
Eu sou como eu sou
Pronome
Pessoal intransferível
Do homem que iniciei
Na medida do impossível
Eu sou como eu sou
Agora
Sem grandes segredos dantes
Sem novos secretos dentes
Nesta hora
Eu sou como eu sou
Presente
Desferrolhado indecente
Feito um pedaço de mim
Eu sou como eu sou
Vidente
E vivo tranquilamente
Todas as horas do fim.
NETO, Torquato.
A estrofe que REFORÇA a ideia de que o momento presente define o eu lírico:
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Texto II
Cogito
Eu sou como eu sou
Pronome
Pessoal intransferível
Do homem que iniciei
Na medida do impossível
Eu sou como eu sou
Agora
Sem grandes segredos dantes
Sem novos secretos dentes
Nesta hora
Eu sou como eu sou
Presente
Desferrolhado indecente
Feito um pedaço de mim
Eu sou como eu sou
Vidente
E vivo tranquilamente
Todas as horas do fim.
NETO, Torquato.
O primeiro verso em cada estrofe se repete.
Com isso:
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