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2492024 Ano: 2014
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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Porque há o direito ao grito.
Então eu grito.

Grito puro e sem pedir esmola. Sei que há moças que vendem o corpo, única posse real, em troca de um bom jantar em vez de um sanduíche de mortadela. Mas a pessoa de quem falarei mal tem corpo para vender, ninguém a quer, ela é virgem e inócua, não faz falta a ninguém. Aliás — descubro eu agora — eu também não faço a menor falta, e até o que escrevo um outro escreveria. Um outro escritor, sim, mas teria que ser homem porque escritora mulher pode lacrimejar piegas.

Como a nordestina, há milhares de moças espalhadas por cortiços, vagas de cama num quarto, atrás de balcões trabalhando até a estafa. Não notam sequer que são facilmente substituíveis e que tanto existiram como não existiriam. Poucas se queixam e ao que eu saiba nenhuma reclama por não saber a quem. Esse quem será que existe?

Estou esquentando o corpo para iniciar, esfregando as mãos uma na outra para ter coragem. Agora me lembrei de que houve um tempo em que para me esquentar o espírito eu rezava: o movimento é espírito. A reza era um meio de mudamente e escondido de todos atingir-me a mim mesmo.

Quando rezava, conseguia um oco de alma — e esse oco é o tudo que posso eu jamais ter. Mais do que isso, nada. Mas o vazio tem o valor e a semelhança do pleno. Um meio de obter é não procurar, um meio de ter é o de não pedir e somente acreditar que o silêncio que eu creio em mim é resposta a meu — a meu mistério.

Clarice Lispector. A Hora da Estrela.
Rio de Janeiro: Rocco, 1999, p.13-4.

Tendo como referência o fragmento acima, da obra A Hora da Estrela, de Clarice Lispector, julgue o item a seguir.

Nos romances de Clarice Lispector, a linguagem, conforme evidenciado no fragmento acima, é predominantemente objetiva, uma vez que a autora deseja aproximar o jornalismo da literatura.

 

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2492022 Ano: 2014
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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Porque há o direito ao grito.
Então eu grito.

Grito puro e sem pedir esmola. Sei que há moças que vendem o corpo, única posse real, em troca de um bom jantar em vez de um sanduíche de mortadela. Mas a pessoa de quem falarei mal tem corpo para vender, ninguém a quer, ela é virgem e inócua, não faz falta a ninguém. Aliás — descubro eu agora — eu também não faço a menor falta, e até o que escrevo um outro escreveria. Um outro escritor, sim, mas teria que ser homem porque escritora mulher pode lacrimejar piegas.

Como a nordestina, há milhares de moças espalhadas por cortiços, vagas de cama num quarto, atrás de balcões trabalhando até a estafa. Não notam sequer que são facilmente substituíveis e que tanto existiram como não existiriam. Poucas se queixam e ao que eu saiba nenhuma reclama por não saber a quem. Esse quem será que existe?

Estou esquentando o corpo para iniciar, esfregando as mãos uma na outra para ter coragem. Agora me lembrei de que houve um tempo em que para me esquentar o espírito eu rezava: o movimento é espírito. A reza era um meio de mudamente e escondido de todos atingir-me a mim mesmo.

Quando rezava, conseguia um oco de alma — e esse oco é o tudo que posso eu jamais ter. Mais do que isso, nada. Mas o vazio tem o valor e a semelhança do pleno. Um meio de obter é não procurar, um meio de ter é o de não pedir e somente acreditar que o silêncio que eu creio em mim é resposta a meu — a meu mistério.

Clarice Lispector. A Hora da Estrela.
Rio de Janeiro: Rocco, 1999, p.13-4.

Tendo como referência o fragmento acima, da obra A Hora da Estrela, de Clarice Lispector, julgue o item a seguir.

Conforme é possível perceber em diversos trechos do fragmento apresentado, a ironia é forte marca da escrita de Clarice Lispector.

 

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2492020 Ano: 2014
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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Embora, em muitos aspectos, a literatura de Clarice contraste com a de Guimarães Rosa, ela tem em comum com a dele a experimentação da linguagem, a eliminação da fronteira entre a prosa e a poesia, uma dimensão mística e metafísica, bem como características barrocas. O barroco de um é, porém, diametralmente oposto ao do outro: em Guimarães Rosa, há criação vocabular, exuberância linguística, muitas narrativas entrelaçadas; em Clarice, há economia de palavras e ausência de narrativa, a aproximação ao barroco ocorre, sobretudo, através da repetição, que realça um significado cada vez mais fugidio à medida que se tenta explicitá-lo. [...] A poesia em Guimarães Rosa está nos ritmos, nas rimas internas, nas onomatopeias, nas aliterações, no aspecto formal do texto e também na criação de significados através da junção inusitada de palavras. A de Clarice, na vertigem de sentido e no “movimento em círculo da palavra ao silêncio e do silêncio à palavra”, enquanto seus textos vão desvendando um território em direção ao nada ou então ao reinício.

J. Almino. De Machado a Clarice: a força da literatura. In: C.G. Mota. Viagem
incompleta: a experiência brasileira. São Paulo: SENAC, 2000, p. 72-3.

Tendo o texto acima como referência inicial, julgue o item a seguir.

As ideias desenvolvidas no texto permitem inferir que os neologismos, abundantes nas obras de Guimarães Rosa, estão ausentes nas obras de Clarice Lispector.

 

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2492018 Ano: 2014
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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Embora, em muitos aspectos, a literatura de Clarice contraste com a de Guimarães Rosa, ela tem em comum com a dele a experimentação da linguagem, a eliminação da fronteira entre a prosa e a poesia, uma dimensão mística e metafísica, bem como características barrocas. O barroco de um é, porém, diametralmente oposto ao do outro: em Guimarães Rosa, há criação vocabular, exuberância linguística, muitas narrativas entrelaçadas; em Clarice, há economia de palavras e ausência de narrativa, a aproximação ao barroco ocorre, sobretudo, através da repetição, que realça um significado cada vez mais fugidio à medida que se tenta explicitá-lo. [...] A poesia em Guimarães Rosa está nos ritmos, nas rimas internas, nas onomatopeias, nas aliterações, no aspecto formal do texto e também na criação de significados através da junção inusitada de palavras. A de Clarice, na vertigem de sentido e no “movimento em círculo da palavra ao silêncio e do silêncio à palavra”, enquanto seus textos vão desvendando um território em direção ao nada ou então ao reinício.

J. Almino. De Machado a Clarice: a força da literatura. In: C.G. Mota. Viagem
incompleta: a experiência brasileira. São Paulo: SENAC, 2000, p. 72-3.

Tendo o texto acima como referência inicial, julgue o item a seguir.

Com base na análise dos recursos da linguagem poética empregados pelos dois autores mencionados no texto, conclui-se que ambos fazem parte da vanguarda que promoveu a Semana de Arte Moderna.

 

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2492017 Ano: 2014
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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Embora, em muitos aspectos, a literatura de Clarice contraste com a de Guimarães Rosa, ela tem em comum com a dele a experimentação da linguagem, a eliminação da fronteira entre a prosa e a poesia, uma dimensão mística e metafísica, bem como características barrocas. O barroco de um é, porém, diametralmente oposto ao do outro: em Guimarães Rosa, há criação vocabular, exuberância linguística, muitas narrativas entrelaçadas; em Clarice, há economia de palavras e ausência de narrativa, a aproximação ao barroco ocorre, sobretudo, através da repetição, que realça um significado cada vez mais fugidio à medida que se tenta explicitá-lo. [...] A poesia em Guimarães Rosa está nos ritmos, nas rimas internas, nas onomatopeias, nas aliterações, no aspecto formal do texto e também na criação de significados através da junção inusitada de palavras. A de Clarice, na vertigem de sentido e no “movimento em círculo da palavra ao silêncio e do silêncio à palavra”, enquanto seus textos vão desvendando um território em direção ao nada ou então ao reinício.

J. Almino. De Machado a Clarice: a força da literatura. In: C.G. Mota. Viagem
incompleta: a experiência brasileira. São Paulo: SENAC, 2000, p. 72-3.

Tendo o texto acima como referência inicial, julgue o item a seguir.

O autor do texto elenca características literárias das obras de Guimarães Rosa mais voltadas aos aspectos fônicos e morfológicos e as identifica também nas obras de Clarice Lispector, aproximando a produção literária desses autores.

 

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2492015 Ano: 2014
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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Embora, em muitos aspectos, a literatura de Clarice contraste com a de Guimarães Rosa, ela tem em comum com a dele a experimentação da linguagem, a eliminação da fronteira entre a prosa e a poesia, uma dimensão mística e metafísica, bem como características barrocas. O barroco de um é, porém, diametralmente oposto ao do outro: em Guimarães Rosa, há criação vocabular, exuberância linguística, muitas narrativas entrelaçadas; em Clarice, há economia de palavras e ausência de narrativa, a aproximação ao barroco ocorre, sobretudo, através da repetição, que realça um significado cada vez mais fugidio à medida que se tenta explicitá-lo. [...] A poesia em Guimarães Rosa está nos ritmos, nas rimas internas, nas onomatopeias, nas aliterações, no aspecto formal do texto e também na criação de significados através da junção inusitada de palavras. A de Clarice, na vertigem de sentido e no “movimento em círculo da palavra ao silêncio e do silêncio à palavra”, enquanto seus textos vão desvendando um território em direção ao nada ou então ao reinício.

J. Almino. De Machado a Clarice: a força da literatura. In: C.G. Mota. Viagem
incompleta: a experiência brasileira. São Paulo: SENAC, 2000, p. 72-3.

Tendo o texto acima como referência inicial, julgue o item a seguir.

O desenvolvimento das ideias do texto permite concluir que o autor enquadra Clarice Lispector e Guimarães Rosa como autores do período da literatura brasileira entre os séculos XVII e XVIII, no qual o expoente maior foi o padre Antonio Vieira.

 

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2492014 Ano: 2014
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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Embora, em muitos aspectos, a literatura de Clarice contraste com a de Guimarães Rosa, ela tem em comum com a dele a experimentação da linguagem, a eliminação da fronteira entre a prosa e a poesia, uma dimensão mística e metafísica, bem como características barrocas. O barroco de um é, porém, diametralmente oposto ao do outro: em Guimarães Rosa, há criação vocabular, exuberância linguística, muitas narrativas entrelaçadas; em Clarice, há economia de palavras e ausência de narrativa, a aproximação ao barroco ocorre, sobretudo, através da repetição, que realça um significado cada vez mais fugidio à medida que se tenta explicitá-lo. [...] A poesia em Guimarães Rosa está nos ritmos, nas rimas internas, nas onomatopeias, nas aliterações, no aspecto formal do texto e também na criação de significados através da junção inusitada de palavras. A de Clarice, na vertigem de sentido e no “movimento em círculo da palavra ao silêncio e do silêncio à palavra”, enquanto seus textos vão desvendando um território em direção ao nada ou então ao reinício.

J. Almino. De Machado a Clarice: a força da literatura. In: C.G. Mota. Viagem
incompleta: a experiência brasileira. São Paulo: SENAC, 2000, p. 72-3.

Tendo o texto acima como referência inicial, julgue o item a seguir.

Segundo o autor do texto, tanto a obra de Clarice Lispector quanto a de Guimarães Rosa apresentam características pré-modernistas, sobretudo no que se refere à utilização da linguagem literária.

 

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2491866 Ano: 2014
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: IF-SUL
Orgão: IF-SUL
Segundo Alfredo Bosi (1989), “Visto à luz da cultura europeia, o reage às correntes analíticas dos meados do século, assim como o reagira à Ilustração triunfante em [17] 89. Ambos os movimentos exprimem o desgosto das soluções racionalistas e mecânicas e nestas reconhecem o correlato da burguesia industrial em ascensão; ambos recusam-se a limitar a arte ao objeto, à técnica de produzi-lo, a seu aspecto palpável; ambos, enfim, esperam ir além do empírico e tocar, com a sonda da poesia, um fundo comum que susteria os fenômenos, chame-se Natureza, Absoluto, Deus ou Nada.”
A alternativa que completa, de forma correta, as lacunas do texto acima é, respectivamente
 

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2491744 Ano: 2014
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: STRIX
Orgão: EBMSP
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Nos versos de Adélia Prado, o eu poético revela-se

 

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2491722 Ano: 2014
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: STRIX
Orgão: EBMSP
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Enunciado 2965095-1

ANTUNES, Arnaldo. Cromossomos. Disponível em: <http://www.arnaldoantunes.
com.br/upload/artes_1/173_g.gif>. Acesso em: 15 set. 2014.

A análise temática e estilística do poema concreto de Arnaldo Antunes, intitulado “Cromossomos”, permite considerar como correta a afirmação feita em

 

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