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Leia o texto para responder a questão.
Animal mais letal do mundo é menor do que se pensa
Um milhão e meio de mortes por ano são causadas por
animais, mais de metade é devido a apenas um tipo deles
Por Paloma Lazzaro
Tubarão, jacaré e onças são alguns dos animais que vêm
à mente das pessoas quando o assunto é espécies mortíferas. No
entanto, eles estão longe do topo da lista de bichos que causam
mais mortes no planeta. Juntos, tubarões e crocodilos são
responsáveis por apenas 156 óbitos anuais, de acordo com
dados de organizações de saúde compilados pelo Our World in
Data. O ser humano, que em si é a causa de morte de 600
mil membros da própria espécie por ano, também não é o
primeiro colocado, mas o segundo. E o animal mais mortífero
do mundo é bem menor que qualquer uma das espécies listadas
previamente. Mosquitos são os responsáveis por mais mortes
no mundo
No planeta, aproximadamente 760 mil pessoas por ano
têm suas mortes causadas por mosquitos. Claro, uma picada em
si não é o motivo desses óbitos, mas as doenças transmitidas
pelos insetos. A malária é, por uma grande margem, a mais fatal
de todas, sendo responsável por de 80% dessas mortes. Ela é
transmitida e disseminada pelo mosquito Anopheles, e ainda
mata cerca de meio milhão de crianças todos os anos. Outras
100 mil fatalidades anuais se devem a outras doenças, como a
dengue e febre amarela, ambas transmitidas pelo mosquito
Aedes aegypti, e encefalite japonesa, transmitida pelo
mosquito Culex.
Cobras matam 100 mil pessoas por ano
As cobras já são causa de medo em diversas pessoas, e
os dados corroboram esse temor. Os répteis são responsáveis
por, aproximadamente, 100 mil mortes por ano. Essa alta
fatalidade se deve a como os ataques de cobras peçonhentas
ocorrem. Boa parte deles se dá em áreas rurais, onde antídotos
e tratamento rápido, necessários à sobrevivência no caso de
uma picada, estão pouco disponíveis.
Cachorros são 800 vezes mais fatais que que aranhas
O quarto colocado da lista de animais mortíferos é o
melhor amigo do homem. Mortes causadas por cachorros
somam 40 mil casos anuais. Assim como os mosquitos e as
cobras, os cachorros não matam humanos por meio de feridas
diretas ou os devorando, mas indiretamente. A raiva, doença
viral com taxa de mortalidade próxima a 100%, é o grande pivô
por trás de tantos óbitos. Atualmente, existe tratamento para a
raiva feito com o soro antirrábico. Porém, assim como o
tratamento para mordidas de cobra, ele deve ser administrado
rapidamente, o que é difícil em regiões com pouca cobertura
dos sistemas de saúde.
Disponível em https://exame.com/ciencia/animal-mais-letal-do-mundo-emenor-do-que-sepensa/?utm_source=copiaecola&utm_medium=compartilhamento
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Animal mais letal do mundo é menor do que se pensa
Um milhão e meio de mortes por ano são causadas por
animais, mais de metade é devido a apenas um tipo deles
Por Paloma Lazzaro
Tubarão, jacaré e onças são alguns dos animais que vêm
à mente das pessoas quando o assunto é espécies mortíferas. No
entanto, eles estão longe do topo da lista de bichos que causam
mais mortes no planeta. Juntos, tubarões e crocodilos são
responsáveis por apenas 156 óbitos anuais, de acordo com
dados de organizações de saúde compilados pelo Our World in
Data. O ser humano, que em si é a causa de morte de 600
mil membros da própria espécie por ano, também não é o
primeiro colocado, mas o segundo. E o animal mais mortífero
do mundo é bem menor que qualquer uma das espécies listadas
previamente. Mosquitos são os responsáveis por mais mortes
no mundo
No planeta, aproximadamente 760 mil pessoas por ano
têm suas mortes causadas por mosquitos. Claro, uma picada em
si não é o motivo desses óbitos, mas as doenças transmitidas
pelos insetos. A malária é, por uma grande margem, a mais fatal
de todas, sendo responsável por de 80% dessas mortes. Ela é
transmitida e disseminada pelo mosquito Anopheles, e ainda
mata cerca de meio milhão de crianças todos os anos. Outras
100 mil fatalidades anuais se devem a outras doenças, como a
dengue e febre amarela, ambas transmitidas pelo mosquito
Aedes aegypti, e encefalite japonesa, transmitida pelo
mosquito Culex.
Cobras matam 100 mil pessoas por ano
As cobras já são causa de medo em diversas pessoas, e
os dados corroboram esse temor. Os répteis são responsáveis
por, aproximadamente, 100 mil mortes por ano. Essa alta
fatalidade se deve a como os ataques de cobras peçonhentas
ocorrem. Boa parte deles se dá em áreas rurais, onde antídotos
e tratamento rápido, necessários à sobrevivência no caso de
uma picada, estão pouco disponíveis.
Cachorros são 800 vezes mais fatais que que aranhas
O quarto colocado da lista de animais mortíferos é o
melhor amigo do homem. Mortes causadas por cachorros
somam 40 mil casos anuais. Assim como os mosquitos e as
cobras, os cachorros não matam humanos por meio de feridas
diretas ou os devorando, mas indiretamente. A raiva, doença
viral com taxa de mortalidade próxima a 100%, é o grande pivô
por trás de tantos óbitos. Atualmente, existe tratamento para a
raiva feito com o soro antirrábico. Porém, assim como o
tratamento para mordidas de cobra, ele deve ser administrado
rapidamente, o que é difícil em regiões com pouca cobertura
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Animal mais letal do mundo é menor do que se pensa
Um milhão e meio de mortes por ano são causadas por
animais, mais de metade é devido a apenas um tipo deles
Por Paloma Lazzaro
Tubarão, jacaré e onças são alguns dos animais que vêm
à mente das pessoas quando o assunto é espécies mortíferas. No
entanto, eles estão longe do topo da lista de bichos que causam
mais mortes no planeta. Juntos, tubarões e crocodilos são
responsáveis por apenas 156 óbitos anuais, de acordo com
dados de organizações de saúde compilados pelo Our World in
Data. O ser humano, que em si é a causa de morte de 600
mil membros da própria espécie por ano, também não é o
primeiro colocado, mas o segundo. E o animal mais mortífero
do mundo é bem menor que qualquer uma das espécies listadas
previamente. Mosquitos são os responsáveis por mais mortes
no mundo
No planeta, aproximadamente 760 mil pessoas por ano
têm suas mortes causadas por mosquitos. Claro, uma picada em
si não é o motivo desses óbitos, mas as doenças transmitidas
pelos insetos. A malária é, por uma grande margem, a mais fatal
de todas, sendo responsável por de 80% dessas mortes. Ela é
transmitida e disseminada pelo mosquito Anopheles, e ainda
mata cerca de meio milhão de crianças todos os anos. Outras
100 mil fatalidades anuais se devem a outras doenças, como a
dengue e febre amarela, ambas transmitidas pelo mosquito
Aedes aegypti, e encefalite japonesa, transmitida pelo
mosquito Culex.
Cobras matam 100 mil pessoas por ano
As cobras já são causa de medo em diversas pessoas, e
os dados corroboram esse temor. Os répteis são responsáveis
por, aproximadamente, 100 mil mortes por ano. Essa alta
fatalidade se deve a como os ataques de cobras peçonhentas
ocorrem. Boa parte deles se dá em áreas rurais, onde antídotos
e tratamento rápido, necessários à sobrevivência no caso de
uma picada, estão pouco disponíveis.
Cachorros são 800 vezes mais fatais que que aranhas
O quarto colocado da lista de animais mortíferos é o
melhor amigo do homem. Mortes causadas por cachorros
somam 40 mil casos anuais. Assim como os mosquitos e as
cobras, os cachorros não matam humanos por meio de feridas
diretas ou os devorando, mas indiretamente. A raiva, doença
viral com taxa de mortalidade próxima a 100%, é o grande pivô
por trás de tantos óbitos. Atualmente, existe tratamento para a
raiva feito com o soro antirrábico. Porém, assim como o
tratamento para mordidas de cobra, ele deve ser administrado
rapidamente, o que é difícil em regiões com pouca cobertura
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Uso de suplementos proteicos de whey protein e creatina em
crianças e adolescentes: implicações clínicas e nutricionais
Nota emitida pela Sociedade Brasileira de Pediatria
Contexto atual e relevância para a pediatria
Os produtos comercialmente conhecidos como whey
protein e creatina são enquadrados pela Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (ANVISA) na categoria de suplementos
alimentares, sendo compostos, respectivamente, por proteína
do soro do leite e creatina. O whey protein apresenta-se em
diferentes formas (concentrada, isolada ou hidrolisada) e é
divulgado com alegações relacionadas ao ganho de massa
muscular e à melhora do desempenho físico. A creatina, por sua
vez, é um composto nitrogenado derivado de aminoácidos
(arginina, glicina e metionina), produzido pelo organismo e
também obtido pela alimentação, especialmente por meio de
carnes e peixes, e desempenha papel no metabolismo
energético celular, especialmente em tecidos de alta demanda,
como o músculo esquelético. Esses suplementos estão
amplamente difundidos no contexto da prática de atividade
física e esportiva entre adultos e caracterizam-se, em sua
maioria, como produtos ultraprocessados, por incorporarem
ingredientes como aromatizantes, edulcorantes e
emulsificantes. Diferentemente dos alimentos, que fornecem
proteínas associadas a vitaminas, minerais, fibras e compostos
bioativos, esses produtos promovem uma oferta concentrada e
descontextualizada de nutrientes, em desacordo com as
recomendações de uma alimentação adequada e saudável. O
whey protein e a creatina têm sido introduzidos, de forma
inadvertida, na alimentação de crianças e adolescentes,
impulsionados por estratégias de marketing e pela influência
das mídias digitais, frequentemente sem indicação clínica e sem
orientação profissional. Esse cenário é agravado pela crescente
oferta desses suplementos com apelo direcionado ao público
infantil, por meio de rotulagem atrativa, sabores adocicados e
formatos lúdicos, como balas, gomas e bebidas saborizadas.
Tais características favorecem a percepção equivocada de que
se trata de produtos habituais para a faixa etária pediátrica.
Necessidades proteicas na infância e adolescência: o
papel dos alimentos
A proteína é essencial para o crescimento e o
desenvolvimento, mas sua necessidade é frequentemente
superestimada. Crianças e adolescentes saudáveis apresentam
requerimentos proteicos que, em média, variam entre 0,85 e
0,95 g/kg/dia, facilmente atingidos por meio de uma
alimentação variada e equilibrada. Na prática, observa-se que
muitas crianças já apresentam ingestão proteica superior às
necessidades fisiológicas, de modo que a adição de
suplementos — mesmo em pequenas quantidades — não traz
benefício comprovado e não é isenta de riscos. Uma
alimentação baseada em alimentos in natura e minimamente
processados — como carnes, ovos, leite e derivados,
leguminosas, cereais, tubérculos, frutas e hortaliças — assegura
não apenas a adequada oferta proteica (quantidade e qualidade),
mas também a ingestão de todos os nutrientes essenciais para o
crescimento e desenvolvimento saudáveis. O uso de
suplementos proteicos na pediatria é restrito a condições
clínicas específicas, como desnutrição, doenças crônicas,
síndromes de má absorção ou aumento da demanda metabólica,
entre outras, sempre sob prescrição e acompanhamento
profissional. Esse contexto não é extrapolável ao uso de suplementos de whey protein ou de creatina em crianças e
adolescentes com ou sem doenças associadas. Estudos
descrevem potenciais efeitos adversos renais, hepáticos e
metabólicos associados ao consumo excessivo e crônico de
proteína, atribuídos à sobrecarga das vias de metabolização e
de excreção de compostos nitrogenados. No rim, pode-se
observar aumento da produção de ureia e hiperfiltração
glomerular, com potencial de lesão intraglomerular em
indivíduos suscetíveis. No fígado, intensificam-se a
desaminação e o ciclo da ureia, elevando a produção de amônia,
especialmente em contextos de imaturidade. Do ponto de vista
metabólico, o excesso proteico pode estimular a secreção de
insulina e de Fator de Crescimento Semelhante à Insulina tipo
1 (IGF-1), interferir no balanço energético e favorecer a
lipogênese. Diante das evidências científicas atuais, não há
indicação para o uso rotineiro de suplementos proteicos à base
de whey protein e de creatina em crianças e adolescentes
saudáveis. Nessa fase, deve-se priorizar a construção do
comportamento alimentar e a oferta de uma alimentação
diversificada, capaz de atender às necessidades nutricionais de
cada etapa do desenvolvimento. O uso indiscriminado desses
suplementos, além de favorecer a ingestão excessiva de
nutrientes com potencial de sobrecarga de órgãos e sistemas,
também expõe as crianças e adolescentes a aditivos alimentares
(corantes, conservantes, emulsificantes) e pode determinar a
substituição de refeições, contribuindo para práticas
alimentares inadequadas e para o desenvolvimento de uma
relação disfuncional com a alimentação, cenário
frequentemente agravado pela influência das redes sociais e por
padrões corporais idealizados. O ato de se alimentar não se
limita ao consumo de nutrientes, mas integra um processo
relacional, cultural e identitário, construído no convívio
familiar e social e marcado por escolhas, preparo e modos de
consumo que expressam valores, tradições e vínculos afetivos.
Considerações finais
O uso de suplementos proteicos à base de whey protein
e de creatina não é indicado para crianças saudáveis e não deve
ser adotado de forma rotineira na adolescência. Uma
alimentação saudável, variada e baseada em alimentos in natura
ou minimamente processados, em preparações culinárias, é
suficiente para atender às necessidades nutricionais e promover
a formação de hábitos alimentares adequados. A suplementação
deve ser reservada a situações clínicas específicas, com
avaliação individualizada e acompanhamento profissional. O
pediatra desempenha papel central na orientação de famílias,
crianças e adolescentes, sendo fundamental esclarecer que
esses suplementos não são necessários para o crescimento e
desenvolvimento adequados. A abordagem deve contemplar a
educação nutricional, a valorização de práticas alimentares
saudáveis e a discussão crítica sobre influências externas, como
o marketing e as mídias sociais. Além disso, é essencial
reconhecer precocemente o uso inadequado desses produtos e
intervir de forma oportuna. O cuidado com a alimentação na
infância e na adolescência constitui uma estratégia fundamental
para a promoção da saúde ao longo da vida.
Disponível em https://www.sbp.com.br/pediatras-alertam-sobre-perigos-douso-de-suplementos-proteicos-de-whey-protein-e-creatina-por-criancas-eadolescentes/
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Uso de suplementos proteicos de whey protein e creatina em
crianças e adolescentes: implicações clínicas e nutricionais
Nota emitida pela Sociedade Brasileira de Pediatria
Contexto atual e relevância para a pediatria
Os produtos comercialmente conhecidos como whey
protein e creatina são enquadrados pela Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (ANVISA) na categoria de suplementos
alimentares, sendo compostos, respectivamente, por proteína
do soro do leite e creatina. O whey protein apresenta-se em
diferentes formas (concentrada, isolada ou hidrolisada) e é
divulgado com alegações relacionadas ao ganho de massa
muscular e à melhora do desempenho físico. A creatina, por sua
vez, é um composto nitrogenado derivado de aminoácidos
(arginina, glicina e metionina), produzido pelo organismo e
também obtido pela alimentação, especialmente por meio de
carnes e peixes, e desempenha papel no metabolismo
energético celular, especialmente em tecidos de alta demanda,
como o músculo esquelético. Esses suplementos estão
amplamente difundidos no contexto da prática de atividade
física e esportiva entre adultos e caracterizam-se, em sua
maioria, como produtos ultraprocessados, por incorporarem
ingredientes como aromatizantes, edulcorantes e
emulsificantes. Diferentemente dos alimentos, que fornecem
proteínas associadas a vitaminas, minerais, fibras e compostos
bioativos, esses produtos promovem uma oferta concentrada e
descontextualizada de nutrientes, em desacordo com as
recomendações de uma alimentação adequada e saudável. O
whey protein e a creatina têm sido introduzidos, de forma
inadvertida, na alimentação de crianças e adolescentes,
impulsionados por estratégias de marketing e pela influência
das mídias digitais, frequentemente sem indicação clínica e sem
orientação profissional. Esse cenário é agravado pela crescente
oferta desses suplementos com apelo direcionado ao público
infantil, por meio de rotulagem atrativa, sabores adocicados e
formatos lúdicos, como balas, gomas e bebidas saborizadas.
Tais características favorecem a percepção equivocada de que
se trata de produtos habituais para a faixa etária pediátrica.
Necessidades proteicas na infância e adolescência: o
papel dos alimentos
A proteína é essencial para o crescimento e o
desenvolvimento, mas sua necessidade é frequentemente
superestimada. Crianças e adolescentes saudáveis apresentam
requerimentos proteicos que, em média, variam entre 0,85 e
0,95 g/kg/dia, facilmente atingidos por meio de uma
alimentação variada e equilibrada. Na prática, observa-se que
muitas crianças já apresentam ingestão proteica superior às
necessidades fisiológicas, de modo que a adição de
suplementos — mesmo em pequenas quantidades — não traz
benefício comprovado e não é isenta de riscos. Uma
alimentação baseada em alimentos in natura e minimamente
processados — como carnes, ovos, leite e derivados,
leguminosas, cereais, tubérculos, frutas e hortaliças — assegura
não apenas a adequada oferta proteica (quantidade e qualidade),
mas também a ingestão de todos os nutrientes essenciais para o
crescimento e desenvolvimento saudáveis. O uso de
suplementos proteicos na pediatria é restrito a condições
clínicas específicas, como desnutrição, doenças crônicas,
síndromes de má absorção ou aumento da demanda metabólica,
entre outras, sempre sob prescrição e acompanhamento
profissional. Esse contexto não é extrapolável ao uso de suplementos de whey protein ou de creatina em crianças e
adolescentes com ou sem doenças associadas. Estudos
descrevem potenciais efeitos adversos renais, hepáticos e
metabólicos associados ao consumo excessivo e crônico de
proteína, atribuídos à sobrecarga das vias de metabolização e
de excreção de compostos nitrogenados. No rim, pode-se
observar aumento da produção de ureia e hiperfiltração
glomerular, com potencial de lesão intraglomerular em
indivíduos suscetíveis. No fígado, intensificam-se a
desaminação e o ciclo da ureia, elevando a produção de amônia,
especialmente em contextos de imaturidade. Do ponto de vista
metabólico, o excesso proteico pode estimular a secreção de
insulina e de Fator de Crescimento Semelhante à Insulina tipo
1 (IGF-1), interferir no balanço energético e favorecer a
lipogênese. Diante das evidências científicas atuais, não há
indicação para o uso rotineiro de suplementos proteicos à base
de whey protein e de creatina em crianças e adolescentes
saudáveis. Nessa fase, deve-se priorizar a construção do
comportamento alimentar e a oferta de uma alimentação
diversificada, capaz de atender às necessidades nutricionais de
cada etapa do desenvolvimento. O uso indiscriminado desses
suplementos, além de favorecer a ingestão excessiva de
nutrientes com potencial de sobrecarga de órgãos e sistemas,
também expõe as crianças e adolescentes a aditivos alimentares
(corantes, conservantes, emulsificantes) e pode determinar a
substituição de refeições, contribuindo para práticas
alimentares inadequadas e para o desenvolvimento de uma
relação disfuncional com a alimentação, cenário
frequentemente agravado pela influência das redes sociais e por
padrões corporais idealizados. O ato de se alimentar não se
limita ao consumo de nutrientes, mas integra um processo
relacional, cultural e identitário, construído no convívio
familiar e social e marcado por escolhas, preparo e modos de
consumo que expressam valores, tradições e vínculos afetivos.
Considerações finais
O uso de suplementos proteicos à base de whey protein
e de creatina não é indicado para crianças saudáveis e não deve
ser adotado de forma rotineira na adolescência. Uma
alimentação saudável, variada e baseada em alimentos in natura
ou minimamente processados, em preparações culinárias, é
suficiente para atender às necessidades nutricionais e promover
a formação de hábitos alimentares adequados. A suplementação
deve ser reservada a situações clínicas específicas, com
avaliação individualizada e acompanhamento profissional. O
pediatra desempenha papel central na orientação de famílias,
crianças e adolescentes, sendo fundamental esclarecer que
esses suplementos não são necessários para o crescimento e
desenvolvimento adequados. A abordagem deve contemplar a
educação nutricional, a valorização de práticas alimentares
saudáveis e a discussão crítica sobre influências externas, como
o marketing e as mídias sociais. Além disso, é essencial
reconhecer precocemente o uso inadequado desses produtos e
intervir de forma oportuna. O cuidado com a alimentação na
infância e na adolescência constitui uma estratégia fundamental
para a promoção da saúde ao longo da vida.
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crianças e adolescentes: implicações clínicas e nutricionais
Nota emitida pela Sociedade Brasileira de Pediatria
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Os produtos comercialmente conhecidos como whey
protein e creatina são enquadrados pela Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (ANVISA) na categoria de suplementos
alimentares, sendo compostos, respectivamente, por proteína
do soro do leite e creatina. O whey protein apresenta-se em
diferentes formas (concentrada, isolada ou hidrolisada) e é
divulgado com alegações relacionadas ao ganho de massa
muscular e à melhora do desempenho físico. A creatina, por sua
vez, é um composto nitrogenado derivado de aminoácidos
(arginina, glicina e metionina), produzido pelo organismo e
também obtido pela alimentação, especialmente por meio de
carnes e peixes, e desempenha papel no metabolismo
energético celular, especialmente em tecidos de alta demanda,
como o músculo esquelético. Esses suplementos estão
amplamente difundidos no contexto da prática de atividade
física e esportiva entre adultos e caracterizam-se, em sua
maioria, como produtos ultraprocessados, por incorporarem
ingredientes como aromatizantes, edulcorantes e
emulsificantes. Diferentemente dos alimentos, que fornecem
proteínas associadas a vitaminas, minerais, fibras e compostos
bioativos, esses produtos promovem uma oferta concentrada e
descontextualizada de nutrientes, em desacordo com as
recomendações de uma alimentação adequada e saudável. O
whey protein e a creatina têm sido introduzidos, de forma
inadvertida, na alimentação de crianças e adolescentes,
impulsionados por estratégias de marketing e pela influência
das mídias digitais, frequentemente sem indicação clínica e sem
orientação profissional. Esse cenário é agravado pela crescente
oferta desses suplementos com apelo direcionado ao público
infantil, por meio de rotulagem atrativa, sabores adocicados e
formatos lúdicos, como balas, gomas e bebidas saborizadas.
Tais características favorecem a percepção equivocada de que
se trata de produtos habituais para a faixa etária pediátrica.
Necessidades proteicas na infância e adolescência: o
papel dos alimentos
A proteína é essencial para o crescimento e o
desenvolvimento, mas sua necessidade é frequentemente
superestimada. Crianças e adolescentes saudáveis apresentam
requerimentos proteicos que, em média, variam entre 0,85 e
0,95 g/kg/dia, facilmente atingidos por meio de uma
alimentação variada e equilibrada. Na prática, observa-se que
muitas crianças já apresentam ingestão proteica superior às
necessidades fisiológicas, de modo que a adição de
suplementos — mesmo em pequenas quantidades — não traz
benefício comprovado e não é isenta de riscos. Uma
alimentação baseada em alimentos in natura e minimamente
processados — como carnes, ovos, leite e derivados,
leguminosas, cereais, tubérculos, frutas e hortaliças — assegura
não apenas a adequada oferta proteica (quantidade e qualidade),
mas também a ingestão de todos os nutrientes essenciais para o
crescimento e desenvolvimento saudáveis. O uso de
suplementos proteicos na pediatria é restrito a condições
clínicas específicas, como desnutrição, doenças crônicas,
síndromes de má absorção ou aumento da demanda metabólica,
entre outras, sempre sob prescrição e acompanhamento
profissional. Esse contexto não é extrapolável ao uso de suplementos de whey protein ou de creatina em crianças e
adolescentes com ou sem doenças associadas. Estudos
descrevem potenciais efeitos adversos renais, hepáticos e
metabólicos associados ao consumo excessivo e crônico de
proteína, atribuídos à sobrecarga das vias de metabolização e
de excreção de compostos nitrogenados. No rim, pode-se
observar aumento da produção de ureia e hiperfiltração
glomerular, com potencial de lesão intraglomerular em
indivíduos suscetíveis. No fígado, intensificam-se a
desaminação e o ciclo da ureia, elevando a produção de amônia,
especialmente em contextos de imaturidade. Do ponto de vista
metabólico, o excesso proteico pode estimular a secreção de
insulina e de Fator de Crescimento Semelhante à Insulina tipo
1 (IGF-1), interferir no balanço energético e favorecer a
lipogênese. Diante das evidências científicas atuais, não há
indicação para o uso rotineiro de suplementos proteicos à base
de whey protein e de creatina em crianças e adolescentes
saudáveis. Nessa fase, deve-se priorizar a construção do
comportamento alimentar e a oferta de uma alimentação
diversificada, capaz de atender às necessidades nutricionais de
cada etapa do desenvolvimento. O uso indiscriminado desses
suplementos, além de favorecer a ingestão excessiva de
nutrientes com potencial de sobrecarga de órgãos e sistemas,
também expõe as crianças e adolescentes a aditivos alimentares
(corantes, conservantes, emulsificantes) e pode determinar a
substituição de refeições, contribuindo para práticas
alimentares inadequadas e para o desenvolvimento de uma
relação disfuncional com a alimentação, cenário
frequentemente agravado pela influência das redes sociais e por
padrões corporais idealizados. O ato de se alimentar não se
limita ao consumo de nutrientes, mas integra um processo
relacional, cultural e identitário, construído no convívio
familiar e social e marcado por escolhas, preparo e modos de
consumo que expressam valores, tradições e vínculos afetivos.
Considerações finais
O uso de suplementos proteicos à base de whey protein
e de creatina não é indicado para crianças saudáveis e não deve
ser adotado de forma rotineira na adolescência. Uma
alimentação saudável, variada e baseada em alimentos in natura
ou minimamente processados, em preparações culinárias, é
suficiente para atender às necessidades nutricionais e promover
a formação de hábitos alimentares adequados. A suplementação
deve ser reservada a situações clínicas específicas, com
avaliação individualizada e acompanhamento profissional. O
pediatra desempenha papel central na orientação de famílias,
crianças e adolescentes, sendo fundamental esclarecer que
esses suplementos não são necessários para o crescimento e
desenvolvimento adequados. A abordagem deve contemplar a
educação nutricional, a valorização de práticas alimentares
saudáveis e a discussão crítica sobre influências externas, como
o marketing e as mídias sociais. Além disso, é essencial
reconhecer precocemente o uso inadequado desses produtos e
intervir de forma oportuna. O cuidado com a alimentação na
infância e na adolescência constitui uma estratégia fundamental
para a promoção da saúde ao longo da vida.
Disponível em https://www.sbp.com.br/pediatras-alertam-sobre-perigos-douso-de-suplementos-proteicos-de-whey-protein-e-creatina-por-criancas-eadolescentes/
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Leia o texto para responder a questão.
Uso de suplementos proteicos de whey protein e creatina em
crianças e adolescentes: implicações clínicas e nutricionais
Nota emitida pela Sociedade Brasileira de Pediatria
Contexto atual e relevância para a pediatria
Os produtos comercialmente conhecidos como whey
protein e creatina são enquadrados pela Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (ANVISA) na categoria de suplementos
alimentares, sendo compostos, respectivamente, por proteína
do soro do leite e creatina. O whey protein apresenta-se em
diferentes formas (concentrada, isolada ou hidrolisada) e é
divulgado com alegações relacionadas ao ganho de massa
muscular e à melhora do desempenho físico. A creatina, por sua
vez, é um composto nitrogenado derivado de aminoácidos
(arginina, glicina e metionina), produzido pelo organismo e
também obtido pela alimentação, especialmente por meio de
carnes e peixes, e desempenha papel no metabolismo
energético celular, especialmente em tecidos de alta demanda,
como o músculo esquelético. Esses suplementos estão
amplamente difundidos no contexto da prática de atividade
física e esportiva entre adultos e caracterizam-se, em sua
maioria, como produtos ultraprocessados, por incorporarem
ingredientes como aromatizantes, edulcorantes e
emulsificantes. Diferentemente dos alimentos, que fornecem
proteínas associadas a vitaminas, minerais, fibras e compostos
bioativos, esses produtos promovem uma oferta concentrada e
descontextualizada de nutrientes, em desacordo com as
recomendações de uma alimentação adequada e saudável. O
whey protein e a creatina têm sido introduzidos, de forma
inadvertida, na alimentação de crianças e adolescentes,
impulsionados por estratégias de marketing e pela influência
das mídias digitais, frequentemente sem indicação clínica e sem
orientação profissional. Esse cenário é agravado pela crescente
oferta desses suplementos com apelo direcionado ao público
infantil, por meio de rotulagem atrativa, sabores adocicados e
formatos lúdicos, como balas, gomas e bebidas saborizadas.
Tais características favorecem a percepção equivocada de que
se trata de produtos habituais para a faixa etária pediátrica.
Necessidades proteicas na infância e adolescência: o
papel dos alimentos
A proteína é essencial para o crescimento e o
desenvolvimento, mas sua necessidade é frequentemente
superestimada. Crianças e adolescentes saudáveis apresentam
requerimentos proteicos que, em média, variam entre 0,85 e
0,95 g/kg/dia, facilmente atingidos por meio de uma
alimentação variada e equilibrada. Na prática, observa-se que
muitas crianças já apresentam ingestão proteica superior às
necessidades fisiológicas, de modo que a adição de
suplementos — mesmo em pequenas quantidades — não traz
benefício comprovado e não é isenta de riscos. Uma
alimentação baseada em alimentos in natura e minimamente
processados — como carnes, ovos, leite e derivados,
leguminosas, cereais, tubérculos, frutas e hortaliças — assegura
não apenas a adequada oferta proteica (quantidade e qualidade),
mas também a ingestão de todos os nutrientes essenciais para o
crescimento e desenvolvimento saudáveis. O uso de
suplementos proteicos na pediatria é restrito a condições
clínicas específicas, como desnutrição, doenças crônicas,
síndromes de má absorção ou aumento da demanda metabólica,
entre outras, sempre sob prescrição e acompanhamento
profissional. Esse contexto não é extrapolável ao uso de suplementos de whey protein ou de creatina em crianças e
adolescentes com ou sem doenças associadas. Estudos
descrevem potenciais efeitos adversos renais, hepáticos e
metabólicos associados ao consumo excessivo e crônico de
proteína, atribuídos à sobrecarga das vias de metabolização e
de excreção de compostos nitrogenados. No rim, pode-se
observar aumento da produção de ureia e hiperfiltração
glomerular, com potencial de lesão intraglomerular em
indivíduos suscetíveis. No fígado, intensificam-se a
desaminação e o ciclo da ureia, elevando a produção de amônia,
especialmente em contextos de imaturidade. Do ponto de vista
metabólico, o excesso proteico pode estimular a secreção de
insulina e de Fator de Crescimento Semelhante à Insulina tipo
1 (IGF-1), interferir no balanço energético e favorecer a
lipogênese. Diante das evidências científicas atuais, não há
indicação para o uso rotineiro de suplementos proteicos à base
de whey protein e de creatina em crianças e adolescentes
saudáveis. Nessa fase, deve-se priorizar a construção do
comportamento alimentar e a oferta de uma alimentação
diversificada, capaz de atender às necessidades nutricionais de
cada etapa do desenvolvimento. O uso indiscriminado desses
suplementos, além de favorecer a ingestão excessiva de
nutrientes com potencial de sobrecarga de órgãos e sistemas,
também expõe as crianças e adolescentes a aditivos alimentares
(corantes, conservantes, emulsificantes) e pode determinar a
substituição de refeições, contribuindo para práticas
alimentares inadequadas e para o desenvolvimento de uma
relação disfuncional com a alimentação, cenário
frequentemente agravado pela influência das redes sociais e por
padrões corporais idealizados. O ato de se alimentar não se
limita ao consumo de nutrientes, mas integra um processo
relacional, cultural e identitário, construído no convívio
familiar e social e marcado por escolhas, preparo e modos de
consumo que expressam valores, tradições e vínculos afetivos.
Considerações finais
O uso de suplementos proteicos à base de whey protein
e de creatina não é indicado para crianças saudáveis e não deve
ser adotado de forma rotineira na adolescência. Uma
alimentação saudável, variada e baseada em alimentos in natura
ou minimamente processados, em preparações culinárias, é
suficiente para atender às necessidades nutricionais e promover
a formação de hábitos alimentares adequados. A suplementação
deve ser reservada a situações clínicas específicas, com
avaliação individualizada e acompanhamento profissional. O
pediatra desempenha papel central na orientação de famílias,
crianças e adolescentes, sendo fundamental esclarecer que
esses suplementos não são necessários para o crescimento e
desenvolvimento adequados. A abordagem deve contemplar a
educação nutricional, a valorização de práticas alimentares
saudáveis e a discussão crítica sobre influências externas, como
o marketing e as mídias sociais. Além disso, é essencial
reconhecer precocemente o uso inadequado desses produtos e
intervir de forma oportuna. O cuidado com a alimentação na
infância e na adolescência constitui uma estratégia fundamental
para a promoção da saúde ao longo da vida.
Disponível em https://www.sbp.com.br/pediatras-alertam-sobre-perigos-douso-de-suplementos-proteicos-de-whey-protein-e-creatina-por-criancas-eadolescentes/
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Leia o texto para responder a questão.
Uso de suplementos proteicos de whey protein e creatina em
crianças e adolescentes: implicações clínicas e nutricionais
Nota emitida pela Sociedade Brasileira de Pediatria
Contexto atual e relevância para a pediatria
Os produtos comercialmente conhecidos como whey
protein e creatina são enquadrados pela Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (ANVISA) na categoria de suplementos
alimentares, sendo compostos, respectivamente, por proteína
do soro do leite e creatina. O whey protein apresenta-se em
diferentes formas (concentrada, isolada ou hidrolisada) e é
divulgado com alegações relacionadas ao ganho de massa
muscular e à melhora do desempenho físico. A creatina, por sua
vez, é um composto nitrogenado derivado de aminoácidos
(arginina, glicina e metionina), produzido pelo organismo e
também obtido pela alimentação, especialmente por meio de
carnes e peixes, e desempenha papel no metabolismo
energético celular, especialmente em tecidos de alta demanda,
como o músculo esquelético. Esses suplementos estão
amplamente difundidos no contexto da prática de atividade
física e esportiva entre adultos e caracterizam-se, em sua
maioria, como produtos ultraprocessados, por incorporarem
ingredientes como aromatizantes, edulcorantes e
emulsificantes. Diferentemente dos alimentos, que fornecem
proteínas associadas a vitaminas, minerais, fibras e compostos
bioativos, esses produtos promovem uma oferta concentrada e
descontextualizada de nutrientes, em desacordo com as
recomendações de uma alimentação adequada e saudável. O
whey protein e a creatina têm sido introduzidos, de forma
inadvertida, na alimentação de crianças e adolescentes,
impulsionados por estratégias de marketing e pela influência
das mídias digitais, frequentemente sem indicação clínica e sem
orientação profissional. Esse cenário é agravado pela crescente
oferta desses suplementos com apelo direcionado ao público
infantil, por meio de rotulagem atrativa, sabores adocicados e
formatos lúdicos, como balas, gomas e bebidas saborizadas.
Tais características favorecem a percepção equivocada de que
se trata de produtos habituais para a faixa etária pediátrica.
Necessidades proteicas na infância e adolescência: o
papel dos alimentos
A proteína é essencial para o crescimento e o
desenvolvimento, mas sua necessidade é frequentemente
superestimada. Crianças e adolescentes saudáveis apresentam
requerimentos proteicos que, em média, variam entre 0,85 e
0,95 g/kg/dia, facilmente atingidos por meio de uma
alimentação variada e equilibrada. Na prática, observa-se que
muitas crianças já apresentam ingestão proteica superior às
necessidades fisiológicas, de modo que a adição de
suplementos — mesmo em pequenas quantidades — não traz
benefício comprovado e não é isenta de riscos. Uma
alimentação baseada em alimentos in natura e minimamente
processados — como carnes, ovos, leite e derivados,
leguminosas, cereais, tubérculos, frutas e hortaliças — assegura
não apenas a adequada oferta proteica (quantidade e qualidade),
mas também a ingestão de todos os nutrientes essenciais para o
crescimento e desenvolvimento saudáveis. O uso de
suplementos proteicos na pediatria é restrito a condições
clínicas específicas, como desnutrição, doenças crônicas,
síndromes de má absorção ou aumento da demanda metabólica,
entre outras, sempre sob prescrição e acompanhamento
profissional. Esse contexto não é extrapolável ao uso de suplementos de whey protein ou de creatina em crianças e
adolescentes com ou sem doenças associadas. Estudos
descrevem potenciais efeitos adversos renais, hepáticos e
metabólicos associados ao consumo excessivo e crônico de
proteína, atribuídos à sobrecarga das vias de metabolização e
de excreção de compostos nitrogenados. No rim, pode-se
observar aumento da produção de ureia e hiperfiltração
glomerular, com potencial de lesão intraglomerular em
indivíduos suscetíveis. No fígado, intensificam-se a
desaminação e o ciclo da ureia, elevando a produção de amônia,
especialmente em contextos de imaturidade. Do ponto de vista
metabólico, o excesso proteico pode estimular a secreção de
insulina e de Fator de Crescimento Semelhante à Insulina tipo
1 (IGF-1), interferir no balanço energético e favorecer a
lipogênese. Diante das evidências científicas atuais, não há
indicação para o uso rotineiro de suplementos proteicos à base
de whey protein e de creatina em crianças e adolescentes
saudáveis. Nessa fase, deve-se priorizar a construção do
comportamento alimentar e a oferta de uma alimentação
diversificada, capaz de atender às necessidades nutricionais de
cada etapa do desenvolvimento. O uso indiscriminado desses
suplementos, além de favorecer a ingestão excessiva de
nutrientes com potencial de sobrecarga de órgãos e sistemas,
também expõe as crianças e adolescentes a aditivos alimentares
(corantes, conservantes, emulsificantes) e pode determinar a
substituição de refeições, contribuindo para práticas
alimentares inadequadas e para o desenvolvimento de uma
relação disfuncional com a alimentação, cenário
frequentemente agravado pela influência das redes sociais e por
padrões corporais idealizados. O ato de se alimentar não se
limita ao consumo de nutrientes, mas integra um processo
relacional, cultural e identitário, construído no convívio
familiar e social e marcado por escolhas, preparo e modos de
consumo que expressam valores, tradições e vínculos afetivos.
Considerações finais
O uso de suplementos proteicos à base de whey protein
e de creatina não é indicado para crianças saudáveis e não deve
ser adotado de forma rotineira na adolescência. Uma
alimentação saudável, variada e baseada em alimentos in natura
ou minimamente processados, em preparações culinárias, é
suficiente para atender às necessidades nutricionais e promover
a formação de hábitos alimentares adequados. A suplementação
deve ser reservada a situações clínicas específicas, com
avaliação individualizada e acompanhamento profissional. O
pediatra desempenha papel central na orientação de famílias,
crianças e adolescentes, sendo fundamental esclarecer que
esses suplementos não são necessários para o crescimento e
desenvolvimento adequados. A abordagem deve contemplar a
educação nutricional, a valorização de práticas alimentares
saudáveis e a discussão crítica sobre influências externas, como
o marketing e as mídias sociais. Além disso, é essencial
reconhecer precocemente o uso inadequado desses produtos e
intervir de forma oportuna. O cuidado com a alimentação na
infância e na adolescência constitui uma estratégia fundamental
para a promoção da saúde ao longo da vida.
Disponível em https://www.sbp.com.br/pediatras-alertam-sobre-perigos-douso-de-suplementos-proteicos-de-whey-protein-e-creatina-por-criancas-eadolescentes/
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crianças e adolescentes: implicações clínicas e nutricionais
Nota emitida pela Sociedade Brasileira de Pediatria
Contexto atual e relevância para a pediatria
Os produtos comercialmente conhecidos como whey
protein e creatina são enquadrados pela Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (ANVISA) na categoria de suplementos
alimentares, sendo compostos, respectivamente, por proteína
do soro do leite e creatina. O whey protein apresenta-se em
diferentes formas (concentrada, isolada ou hidrolisada) e é
divulgado com alegações relacionadas ao ganho de massa
muscular e à melhora do desempenho físico. A creatina, por sua
vez, é um composto nitrogenado derivado de aminoácidos
(arginina, glicina e metionina), produzido pelo organismo e
também obtido pela alimentação, especialmente por meio de
carnes e peixes, e desempenha papel no metabolismo
energético celular, especialmente em tecidos de alta demanda,
como o músculo esquelético. Esses suplementos estão
amplamente difundidos no contexto da prática de atividade
física e esportiva entre adultos e caracterizam-se, em sua
maioria, como produtos ultraprocessados, por incorporarem
ingredientes como aromatizantes, edulcorantes e
emulsificantes. Diferentemente dos alimentos, que fornecem
proteínas associadas a vitaminas, minerais, fibras e compostos
bioativos, esses produtos promovem uma oferta concentrada e
descontextualizada de nutrientes, em desacordo com as
recomendações de uma alimentação adequada e saudável. O
whey protein e a creatina têm sido introduzidos, de forma
inadvertida, na alimentação de crianças e adolescentes,
impulsionados por estratégias de marketing e pela influência
das mídias digitais, frequentemente sem indicação clínica e sem
orientação profissional. Esse cenário é agravado pela crescente
oferta desses suplementos com apelo direcionado ao público
infantil, por meio de rotulagem atrativa, sabores adocicados e
formatos lúdicos, como balas, gomas e bebidas saborizadas.
Tais características favorecem a percepção equivocada de que
se trata de produtos habituais para a faixa etária pediátrica.
Necessidades proteicas na infância e adolescência: o
papel dos alimentos
A proteína é essencial para o crescimento e o
desenvolvimento, mas sua necessidade é frequentemente
superestimada. Crianças e adolescentes saudáveis apresentam
requerimentos proteicos que, em média, variam entre 0,85 e
0,95 g/kg/dia, facilmente atingidos por meio de uma
alimentação variada e equilibrada. Na prática, observa-se que
muitas crianças já apresentam ingestão proteica superior às
necessidades fisiológicas, de modo que a adição de
suplementos — mesmo em pequenas quantidades — não traz
benefício comprovado e não é isenta de riscos. Uma
alimentação baseada em alimentos in natura e minimamente
processados — como carnes, ovos, leite e derivados,
leguminosas, cereais, tubérculos, frutas e hortaliças — assegura
não apenas a adequada oferta proteica (quantidade e qualidade),
mas também a ingestão de todos os nutrientes essenciais para o
crescimento e desenvolvimento saudáveis. O uso de
suplementos proteicos na pediatria é restrito a condições
clínicas específicas, como desnutrição, doenças crônicas,
síndromes de má absorção ou aumento da demanda metabólica,
entre outras, sempre sob prescrição e acompanhamento
profissional. Esse contexto não é extrapolável ao uso de suplementos de whey protein ou de creatina em crianças e
adolescentes com ou sem doenças associadas. Estudos
descrevem potenciais efeitos adversos renais, hepáticos e
metabólicos associados ao consumo excessivo e crônico de
proteína, atribuídos à sobrecarga das vias de metabolização e
de excreção de compostos nitrogenados. No rim, pode-se
observar aumento da produção de ureia e hiperfiltração
glomerular, com potencial de lesão intraglomerular em
indivíduos suscetíveis. No fígado, intensificam-se a
desaminação e o ciclo da ureia, elevando a produção de amônia,
especialmente em contextos de imaturidade. Do ponto de vista
metabólico, o excesso proteico pode estimular a secreção de
insulina e de Fator de Crescimento Semelhante à Insulina tipo
1 (IGF-1), interferir no balanço energético e favorecer a
lipogênese. Diante das evidências científicas atuais, não há
indicação para o uso rotineiro de suplementos proteicos à base
de whey protein e de creatina em crianças e adolescentes
saudáveis. Nessa fase, deve-se priorizar a construção do
comportamento alimentar e a oferta de uma alimentação
diversificada, capaz de atender às necessidades nutricionais de
cada etapa do desenvolvimento. O uso indiscriminado desses
suplementos, além de favorecer a ingestão excessiva de
nutrientes com potencial de sobrecarga de órgãos e sistemas,
também expõe as crianças e adolescentes a aditivos alimentares
(corantes, conservantes, emulsificantes) e pode determinar a
substituição de refeições, contribuindo para práticas
alimentares inadequadas e para o desenvolvimento de uma
relação disfuncional com a alimentação, cenário
frequentemente agravado pela influência das redes sociais e por
padrões corporais idealizados. O ato de se alimentar não se
limita ao consumo de nutrientes, mas integra um processo
relacional, cultural e identitário, construído no convívio
familiar e social e marcado por escolhas, preparo e modos de
consumo que expressam valores, tradições e vínculos afetivos.
Considerações finais
O uso de suplementos proteicos à base de whey protein
e de creatina não é indicado para crianças saudáveis e não deve
ser adotado de forma rotineira na adolescência. Uma
alimentação saudável, variada e baseada em alimentos in natura
ou minimamente processados, em preparações culinárias, é
suficiente para atender às necessidades nutricionais e promover
a formação de hábitos alimentares adequados. A suplementação
deve ser reservada a situações clínicas específicas, com
avaliação individualizada e acompanhamento profissional. O
pediatra desempenha papel central na orientação de famílias,
crianças e adolescentes, sendo fundamental esclarecer que
esses suplementos não são necessários para o crescimento e
desenvolvimento adequados. A abordagem deve contemplar a
educação nutricional, a valorização de práticas alimentares
saudáveis e a discussão crítica sobre influências externas, como
o marketing e as mídias sociais. Além disso, é essencial
reconhecer precocemente o uso inadequado desses produtos e
intervir de forma oportuna. O cuidado com a alimentação na
infância e na adolescência constitui uma estratégia fundamental
para a promoção da saúde ao longo da vida.
Disponível em https://www.sbp.com.br/pediatras-alertam-sobre-perigos-douso-de-suplementos-proteicos-de-whey-protein-e-creatina-por-criancas-eadolescentes/
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Uso de suplementos proteicos de whey protein e creatina em
crianças e adolescentes: implicações clínicas e nutricionais
Nota emitida pela Sociedade Brasileira de Pediatria
Contexto atual e relevância para a pediatria
Os produtos comercialmente conhecidos como whey
protein e creatina são enquadrados pela Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (ANVISA) na categoria de suplementos
alimentares, sendo compostos, respectivamente, por proteína
do soro do leite e creatina. O whey protein apresenta-se em
diferentes formas (concentrada, isolada ou hidrolisada) e é
divulgado com alegações relacionadas ao ganho de massa
muscular e à melhora do desempenho físico. A creatina, por sua
vez, é um composto nitrogenado derivado de aminoácidos
(arginina, glicina e metionina), produzido pelo organismo e
também obtido pela alimentação, especialmente por meio de
carnes e peixes, e desempenha papel no metabolismo
energético celular, especialmente em tecidos de alta demanda,
como o músculo esquelético. Esses suplementos estão
amplamente difundidos no contexto da prática de atividade
física e esportiva entre adultos e caracterizam-se, em sua
maioria, como produtos ultraprocessados, por incorporarem
ingredientes como aromatizantes, edulcorantes e
emulsificantes. Diferentemente dos alimentos, que fornecem
proteínas associadas a vitaminas, minerais, fibras e compostos
bioativos, esses produtos promovem uma oferta concentrada e
descontextualizada de nutrientes, em desacordo com as
recomendações de uma alimentação adequada e saudável. O
whey protein e a creatina têm sido introduzidos, de forma
inadvertida, na alimentação de crianças e adolescentes,
impulsionados por estratégias de marketing e pela influência
das mídias digitais, frequentemente sem indicação clínica e sem
orientação profissional. Esse cenário é agravado pela crescente
oferta desses suplementos com apelo direcionado ao público
infantil, por meio de rotulagem atrativa, sabores adocicados e
formatos lúdicos, como balas, gomas e bebidas saborizadas.
Tais características favorecem a percepção equivocada de que
se trata de produtos habituais para a faixa etária pediátrica.
Necessidades proteicas na infância e adolescência: o
papel dos alimentos
A proteína é essencial para o crescimento e o
desenvolvimento, mas sua necessidade é frequentemente
superestimada. Crianças e adolescentes saudáveis apresentam
requerimentos proteicos que, em média, variam entre 0,85 e
0,95 g/kg/dia, facilmente atingidos por meio de uma
alimentação variada e equilibrada. Na prática, observa-se que
muitas crianças já apresentam ingestão proteica superior às
necessidades fisiológicas, de modo que a adição de
suplementos — mesmo em pequenas quantidades — não traz
benefício comprovado e não é isenta de riscos. Uma
alimentação baseada em alimentos in natura e minimamente
processados — como carnes, ovos, leite e derivados,
leguminosas, cereais, tubérculos, frutas e hortaliças — assegura
não apenas a adequada oferta proteica (quantidade e qualidade),
mas também a ingestão de todos os nutrientes essenciais para o
crescimento e desenvolvimento saudáveis. O uso de
suplementos proteicos na pediatria é restrito a condições
clínicas específicas, como desnutrição, doenças crônicas,
síndromes de má absorção ou aumento da demanda metabólica,
entre outras, sempre sob prescrição e acompanhamento
profissional. Esse contexto não é extrapolável ao uso de suplementos de whey protein ou de creatina em crianças e
adolescentes com ou sem doenças associadas. Estudos
descrevem potenciais efeitos adversos renais, hepáticos e
metabólicos associados ao consumo excessivo e crônico de
proteína, atribuídos à sobrecarga das vias de metabolização e
de excreção de compostos nitrogenados. No rim, pode-se
observar aumento da produção de ureia e hiperfiltração
glomerular, com potencial de lesão intraglomerular em
indivíduos suscetíveis. No fígado, intensificam-se a
desaminação e o ciclo da ureia, elevando a produção de amônia,
especialmente em contextos de imaturidade. Do ponto de vista
metabólico, o excesso proteico pode estimular a secreção de
insulina e de Fator de Crescimento Semelhante à Insulina tipo
1 (IGF-1), interferir no balanço energético e favorecer a
lipogênese. Diante das evidências científicas atuais, não há
indicação para o uso rotineiro de suplementos proteicos à base
de whey protein e de creatina em crianças e adolescentes
saudáveis. Nessa fase, deve-se priorizar a construção do
comportamento alimentar e a oferta de uma alimentação
diversificada, capaz de atender às necessidades nutricionais de
cada etapa do desenvolvimento. O uso indiscriminado desses
suplementos, além de favorecer a ingestão excessiva de
nutrientes com potencial de sobrecarga de órgãos e sistemas,
também expõe as crianças e adolescentes a aditivos alimentares
(corantes, conservantes, emulsificantes) e pode determinar a
substituição de refeições, contribuindo para práticas
alimentares inadequadas e para o desenvolvimento de uma
relação disfuncional com a alimentação, cenário
frequentemente agravado pela influência das redes sociais e por
padrões corporais idealizados. O ato de se alimentar não se
limita ao consumo de nutrientes, mas integra um processo
relacional, cultural e identitário, construído no convívio
familiar e social e marcado por escolhas, preparo e modos de
consumo que expressam valores, tradições e vínculos afetivos.
Considerações finais
O uso de suplementos proteicos à base de whey protein
e de creatina não é indicado para crianças saudáveis e não deve
ser adotado de forma rotineira na adolescência. Uma
alimentação saudável, variada e baseada em alimentos in natura
ou minimamente processados, em preparações culinárias, é
suficiente para atender às necessidades nutricionais e promover
a formação de hábitos alimentares adequados. A suplementação
deve ser reservada a situações clínicas específicas, com
avaliação individualizada e acompanhamento profissional. O
pediatra desempenha papel central na orientação de famílias,
crianças e adolescentes, sendo fundamental esclarecer que
esses suplementos não são necessários para o crescimento e
desenvolvimento adequados. A abordagem deve contemplar a
educação nutricional, a valorização de práticas alimentares
saudáveis e a discussão crítica sobre influências externas, como
o marketing e as mídias sociais. Além disso, é essencial
reconhecer precocemente o uso inadequado desses produtos e
intervir de forma oportuna. O cuidado com a alimentação na
infância e na adolescência constitui uma estratégia fundamental
para a promoção da saúde ao longo da vida.
Disponível em https://www.sbp.com.br/pediatras-alertam-sobre-perigos-douso-de-suplementos-proteicos-de-whey-protein-e-creatina-por-criancas-eadolescentes/
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