Foram encontradas 4.226.378 questões.
- OrtografiaPontuaçãoDois-pontos
- OrtografiaPontuaçãoReticências
- OrtografiaPontuaçãoVírgula
- SintaxeTermos Acessórios e Independentes
Leia o texto a seguir para responder à questão.
A caminho de casa, entro num botequim da
Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na
realidade estou adiando o momento de escrever.
A perspectiva me assusta. Gostaria de estar
inspirado, de coroar de êxito mais um ano nesta
busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de
cada um. Eu pretendia apenas escolher da vida
diária algo de seu disperso conteúdo humano,
fruto da convivência, que a faz mais digna de ser
vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico.
Nesta perseguição do acidental, quer num
flagrante da esquina, quer nas palavras de uma
criança ou num incidente doméstico, torno-me
simples espectador e perco a noção do essencial.
Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e
tomo meu café, enquanto o verso do poeta se
repete na lembrança: “assim eu quereria meu
último poema”. Não sou poeta e estou sem
assunto. Lanço então meu último olhar fora de
mim, onde vivem os assuntos que merecem
crônica.
Ao fundo do botequim um casal de pretos
acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de
mármore ao longo da parede de espelhos. A
compostura da humildade, na contenção de
gestos e palavras, deixa-se acentuar pela
presença de uma negrinha de seus três anos, laço
na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre,
que se instalou também à mesa: mal ousa
balançar as perninhas curtas ou correr os olhos
grandes de curiosidade ao redor. Três seres
esquivos que compõem em torno à mesa a
instituição tradicional da família, célula da
sociedade. Vejo, porém, que preparam para algo
mais que matar a fome.
Passo a observá-los. O pai, depois de
contar o dinheiro que discretamente retirou do
bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na
cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo
sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando
imóvel, vagamente ansiosa, como se estivesse
aguardando a aprovação do garçom. Este ouve,
concentrado, o pedido do homem e depois se
afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando
para os lados, a reassegurar-se da naturalidade
de sua presença ali. A meu lado o garçom
encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do
balcão apanha o pedaço de bolo com a mão, larga-o no pratinho – um bolo simples, amarelo
escuro, apenas uma pequena fatia triangular.
A negrinha contida na sua expectativa, olha
a garrafa de coca-cola e o pratinho que o garçom
deixou à sua frente. Por que não começa a comer?
Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em
torno à mesa a um discreto ritual. A mãe remexe
em uma bolsa de plástico preto e brilhante, retira
qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de
fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta
como um animalzinho. Ninguém mais os observa
além de mim.
São três velinhas brancas, minúsculas, que
a mãe espeta caprichosamente na fatia de bolo. E
enquanto ela serve a coca-cola, o pai risca o
fósforo e acende as velas. Como a um gesto
ensaiado, a menina repousa o queixo no mármore
e sopra com força, apagando as chamas.
Imediatamente põe-se a bater palmas, muito
compenetrada, cantando num balbucio, a que os
pais se juntam, discretos: “parabéns pra você,
parabéns pra você...”. Depois a mãe recolhe as
velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha
agarra finalmente o bolo com as duas mãos
sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está
olhando para ela com ternura – ajeita-lhe a fitinha
no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe
cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim,
satisfeito, como a se convencer intimamente do
sucesso da celebração. De súbito, dá comigo a
observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se
perturba, constrangido – vacila, ameaça abaixar a
cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se
abre num sorriso.
Assim eu quereria a minha última crônica:
que fosse pura como esse sorriso.
SABINO, Fernando. A última crônica. In: Para gostar de ler -
Crônicas. Volume 5. São Paulo. Ática. 2003.
I. "Ao fundo do botequim, um casal de pretos acaba de sentar-se..."
II. "São três velinhas brancas, minúsculas..."
III. "Assim eu quereria a minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso."
Analise as afirmativas a seguir sobre o emprego dos sinais de pontuação e assinale (V) para verdadeiro ou (F) para falso.
( ) No trecho I, a vírgula separa a expressão "Ao fundo do botequim", que exerce a função de adjunto adverbial de lugar deslocado, do restante da oração.
( ) No trecho II, a vírgula separa os adjetivos "brancas" e "minúsculas", que caracterizam o substantivo "velinhas", constituindo uma enumeração de termos com a mesma função sintática.
( ) No trecho III, os dois-pontos introduzem a explicação do desejo expresso pelo narrador na primeira parte do enunciado.
( ) No trecho III, a retirada dos dois-pontos preservaria integralmente a relação de explicação estabelecida entre as duas partes do período.
( ) No trecho II, as reticências foram empregadas para indicar a omissão de palavras que não alteram o sentido da frase.
Após análise, conclui-se que a sequência correta é:
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Leia o texto a seguir para responder à questão.
A caminho de casa, entro num botequim da
Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na
realidade estou adiando o momento de escrever.
A perspectiva me assusta. Gostaria de estar
inspirado, de coroar de êxito mais um ano nesta
busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de
cada um. Eu pretendia apenas escolher da vida
diária algo de seu disperso conteúdo humano,
fruto da convivência, que a faz mais digna de ser
vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico.
Nesta perseguição do acidental, quer num
flagrante da esquina, quer nas palavras de uma
criança ou num incidente doméstico, torno-me
simples espectador e perco a noção do essencial.
Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e
tomo meu café, enquanto o verso do poeta se
repete na lembrança: “assim eu quereria meu
último poema”. Não sou poeta e estou sem
assunto. Lanço então meu último olhar fora de
mim, onde vivem os assuntos que merecem
crônica.
Ao fundo do botequim um casal de pretos
acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de
mármore ao longo da parede de espelhos. A
compostura da humildade, na contenção de
gestos e palavras, deixa-se acentuar pela
presença de uma negrinha de seus três anos, laço
na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre,
que se instalou também à mesa: mal ousa
balançar as perninhas curtas ou correr os olhos
grandes de curiosidade ao redor. Três seres
esquivos que compõem em torno à mesa a
instituição tradicional da família, célula da
sociedade. Vejo, porém, que preparam para algo
mais que matar a fome.
Passo a observá-los. O pai, depois de
contar o dinheiro que discretamente retirou do
bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na
cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo
sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando
imóvel, vagamente ansiosa, como se estivesse
aguardando a aprovação do garçom. Este ouve,
concentrado, o pedido do homem e depois se
afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando
para os lados, a reassegurar-se da naturalidade
de sua presença ali. A meu lado o garçom
encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do
balcão apanha o pedaço de bolo com a mão, larga-o no pratinho – um bolo simples, amarelo
escuro, apenas uma pequena fatia triangular.
A negrinha contida na sua expectativa, olha
a garrafa de coca-cola e o pratinho que o garçom
deixou à sua frente. Por que não começa a comer?
Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em
torno à mesa a um discreto ritual. A mãe remexe
em uma bolsa de plástico preto e brilhante, retira
qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de
fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta
como um animalzinho. Ninguém mais os observa
além de mim.
São três velinhas brancas, minúsculas, que
a mãe espeta caprichosamente na fatia de bolo. E
enquanto ela serve a coca-cola, o pai risca o
fósforo e acende as velas. Como a um gesto
ensaiado, a menina repousa o queixo no mármore
e sopra com força, apagando as chamas.
Imediatamente põe-se a bater palmas, muito
compenetrada, cantando num balbucio, a que os
pais se juntam, discretos: “parabéns pra você,
parabéns pra você...”. Depois a mãe recolhe as
velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha
agarra finalmente o bolo com as duas mãos
sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está
olhando para ela com ternura – ajeita-lhe a fitinha
no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe
cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim,
satisfeito, como a se convencer intimamente do
sucesso da celebração. De súbito, dá comigo a
observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se
perturba, constrangido – vacila, ameaça abaixar a
cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se
abre num sorriso.
Assim eu quereria a minha última crônica:
que fosse pura como esse sorriso.
SABINO, Fernando. A última crônica. In: Para gostar de ler -
Crônicas. Volume 5. São Paulo. Ática. 2003.
"A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acentuar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor."
Analise as afirmativas a seguir e marque (V) para verdadeiro ou (F) para falso.
( ) No contexto, a palavra compostura refere-se ao comportamento discreto, respeitoso e contido das personagens.
( ) A palavra compostura pode ser substituída por moderação, sem prejuízo significativo do sentido do texto.
( ) No trecho, a palavra compostura indica desorganização e agitação diante da situação vivida.
( ) A expressão "na contenção de gestos e palavras" contribui para a construção do sentido da palavra compostura.
( ) A palavra compostura foi empregada para caracterizar um comportamento marcado pela simplicidade e pela discrição.
Após análise, conclui-se que a sequência correta é:
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A caminho de casa, entro num botequim da
Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na
realidade estou adiando o momento de escrever.
A perspectiva me assusta. Gostaria de estar
inspirado, de coroar de êxito mais um ano nesta
busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de
cada um. Eu pretendia apenas escolher da vida
diária algo de seu disperso conteúdo humano,
fruto da convivência, que a faz mais digna de ser
vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico.
Nesta perseguição do acidental, quer num
flagrante da esquina, quer nas palavras de uma
criança ou num incidente doméstico, torno-me
simples espectador e perco a noção do essencial.
Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e
tomo meu café, enquanto o verso do poeta se
repete na lembrança: “assim eu quereria meu
último poema”. Não sou poeta e estou sem
assunto. Lanço então meu último olhar fora de
mim, onde vivem os assuntos que merecem
crônica.
Ao fundo do botequim um casal de pretos
acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de
mármore ao longo da parede de espelhos. A
compostura da humildade, na contenção de
gestos e palavras, deixa-se acentuar pela
presença de uma negrinha de seus três anos, laço
na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre,
que se instalou também à mesa: mal ousa
balançar as perninhas curtas ou correr os olhos
grandes de curiosidade ao redor. Três seres
esquivos que compõem em torno à mesa a
instituição tradicional da família, célula da
sociedade. Vejo, porém, que preparam para algo
mais que matar a fome.
Passo a observá-los. O pai, depois de
contar o dinheiro que discretamente retirou do
bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na
cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo
sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando
imóvel, vagamente ansiosa, como se estivesse
aguardando a aprovação do garçom. Este ouve,
concentrado, o pedido do homem e depois se
afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando
para os lados, a reassegurar-se da naturalidade
de sua presença ali. A meu lado o garçom
encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do
balcão apanha o pedaço de bolo com a mão, larga-o no pratinho – um bolo simples, amarelo
escuro, apenas uma pequena fatia triangular.
A negrinha contida na sua expectativa, olha
a garrafa de coca-cola e o pratinho que o garçom
deixou à sua frente. Por que não começa a comer?
Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em
torno à mesa a um discreto ritual. A mãe remexe
em uma bolsa de plástico preto e brilhante, retira
qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de
fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta
como um animalzinho. Ninguém mais os observa
além de mim.
São três velinhas brancas, minúsculas, que
a mãe espeta caprichosamente na fatia de bolo. E
enquanto ela serve a coca-cola, o pai risca o
fósforo e acende as velas. Como a um gesto
ensaiado, a menina repousa o queixo no mármore
e sopra com força, apagando as chamas.
Imediatamente põe-se a bater palmas, muito
compenetrada, cantando num balbucio, a que os
pais se juntam, discretos: “parabéns pra você,
parabéns pra você...”. Depois a mãe recolhe as
velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha
agarra finalmente o bolo com as duas mãos
sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está
olhando para ela com ternura – ajeita-lhe a fitinha
no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe
cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim,
satisfeito, como a se convencer intimamente do
sucesso da celebração. De súbito, dá comigo a
observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se
perturba, constrangido – vacila, ameaça abaixar a
cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se
abre num sorriso.
Assim eu quereria a minha última crônica:
que fosse pura como esse sorriso.
SABINO, Fernando. A última crônica. In: Para gostar de ler -
Crônicas. Volume 5. São Paulo. Ática. 2003.
( ) Ao longo da crônica, o narrador modifica sua percepção inicial ao descobrir que um acontecimento aparentemente comum pode revelar profundas experiências humanas.
( ) A descrição detalhada da comemoração do aniversário da menina tem como principal finalidade despertar no leitor um sentimento de piedade diante da pobreza da família.
( ) O encontro de olhares entre o narrador e o pai da menina contribui para transformar a relação entre observador e observado, culminando em um desfecho marcado pelo reconhecimento da dignidade humana.
( ) O desfecho da crônica evidencia que o narrador passa a compreender que a simplicidade do cotidiano pode constituir matéria-prima para a produção literária.
( ) O desfecho da crônica evidencia que o narrador continua acreditando que a literatura deve se basear apenas em fatos grandiosos, sem valorizar os elementos simples presentes no cotidiano.
Após análise, conclui-se que a sequência correta é:
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Observe a imagem a seguir para responder à questão.

( ) A forma verbal haverá está conjugada no futuro do presente do modo indicativo.
( ) A forma verbal passar, no contexto do texto, está conjugada no futuro do subjuntivo.
( ) As formas verbais haverá e passar, no contexto do texto, pertencem ao mesmo modo verbal.
( ) A forma verbal passar expressa uma condição para a realização da ação indicada por haverá.
( ) A forma verbal haverá está conjugada no futuro do presente do modo subjuntivo.
Após análise, conclui-se que a sequência correta é:
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Questão presente nas seguintes provas
Observe a imagem a seguir para responder à questão.

"Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses." (Rubem Alves)
Analise as afirmativas a seguir e assinale (V) para as verdadeiro ou (F) para falso.
( ) O trecho constitui um período composto, pois apresenta duas orações.
( ) O trecho "Não haverá borboletas" corresponde à oração principal do período.
( ) A oração "se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses" é independente da oração principal e não estabelece relação de sentido com ela.
( ) Se o texto fosse reescrito apenas como "Não haverá borboletas.", teríamos um período simples.
( ) A oração "se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses" é uma oração absoluta.
Após análise, conclui-se que a sequência correta é:
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Questão presente nas seguintes provas
- MorfologiaAdjetivos
- MorfologiaSubstantivos
- SemânticaSinônimos e Antônimos
- SemânticaDenotação e Conotação
- Interpretação de Textos
Observe a imagem a seguir para responder à questão.

( ) Dentro do contexto do texto, a palavra “metamorfoses” pode ser substituída por “transformações” sem prejuízo significativo de sentido.
( ) A palavra “silenciosas” tem como antônimo, no contexto, a palavra “barulhentas”.
( ) A substituição da palavra “longas” por “breves” mantém o mesmo sentido do texto.
( ) No texto, “vida e borboletas” estabelecem uma relação de antonímia.
( ) Dentro do contexto do texto, a palavra “metamorfoses” restringe-se ao seu significado dicionarizado, sem contribuir para a construção de um sentido figurado ou simbólico.
Após análise, conclui-se que a sequência correta é:
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Questão presente nas seguintes provas
Observe a imagem a seguir para responder à questão.

“Não quero saber como as coisas se comportam. Quero inventar comportamento para as coisas.”
Considerando o sentido global do texto e o destaque dado à expressão “Quero inventar”, é correto afirmar que o eu enunciador:
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Questão presente nas seguintes provas
- SintaxeTermos Acessórios e Independentes
- MorfologiaAdvérbios
- MorfologiaSubstantivos
- SemânticaSinônimos e Antônimos
- Interpretação de Textos
Observe a imagem a seguir para responder à questão.

( ) A palavra “não” é um advérbio de negação, pois exprime uma circunstância de negação ao incidir sobre o verbo quero.
( ) Se o advérbio “não” fosse retirado do texto, o sentido do primeiro período permaneceria inalterado.
( ) No contexto do Texto III, o advérbio “não” contribui para estabelecer a oposição entre o desejo de apenas conhecer a realidade e o desejo de recriá-la poeticamente.
( ) A palavra “não” é uma preposição, pois estabelece relação de dependência entre os verbos quero e saber.
( ) A palavra “não” funciona como um substantivo no primeiro período, pois nomeia uma ideia de negação apresentada pelo eu lírico.
Após análise, conclui-se que a sequência correta é:
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Questão presente nas seguintes provas
- OrtografiaPontuaçãoPonto de Exclamação e Interrogação
- OrtografiaPontuaçãoVírgula
- SintaxeFrase, Oração e PeríodoOração CoordenadaOrações Coordenadas Assindéticas
Leia o texto a seguir e responda à questão.
Insônia infeliz e feliz
Clarice Lispector
De repente os olhos bem abertos. E a
escuridão toda escura. Deve ser noite alta. Acendo
a luz da cabeceira e para o meu desespero são
duas horas da noite. E a cabeça clara e lúcida.
Ainda arranjarei alguém igual a quem eu possa
telefonar às duas da noite e que não me maldiga.
Quem?
Quem sofre de insônia? E as horas não
passam. Saio da cama, tomo café. E ainda por
cima com um desses horríveis substitutos do
açúcar porque Dr. José Carlos Cabral de Almeida,
dietista, acha que preciso perder os quatro quilos
que aumentei com a superalimentação depois do
incêndio. E o que se passa na luz acesa da sala?
Pensa-se uma escuridão clara. Não, não se
pensa. Sente-se.
Sente-se uma coisa que só tem um nome:
solidão. Ler? Jamais. Escrever? Jamais. Passa-se
um tempo, olha-se o relógio, quem sabe são cinco
horas. Nem quatro chegaram. Quem estará
acordado agora? E nem posso pedir que me
telefonem no meio da noite pois posso estar
dormindo e não perdoar. Tomar uma pílula para
dormir? Mas e o vício que nos espreita? Ninguém
me perdoaria o vício. Então fico sentada na sala,
sentindo. Sentindo o quê? O nada. E o telefone à
mão.
Mas quantas vezes a insônia é um dom. De
repente acordar no meio da noite e ter essa coisa
rara: solidão. Quase nenhum ruído. Só o das
ondas do mar batendo na praia. E tomo café com
gosto, toda sozinha no mundo. Ninguém me
interrompe o nada. É um nada a um tempo vazio
e rico. E o telefone mudo, sem aquele toque súbito
que sobressalta. Depois vai amanhecendo.
As nuvens se clareando sob um sol às
vezes pálido como uma lua, às vezes de fogo puro.
Vou ao terraço e sou talvez a primeira do dia a ver
a espuma branca do mar. O mar é meu, o sol é
meu, a terra é minha. E sinto-me feliz por nada,
por tudo. Até que, como o sol subindo, a casa vai
acordando e há o reencontro com meus filhos
sonolentos.
Fonte:https://www.revistaprosaversoearte.com/content/uploads/2017
/01/2fb34981563848b2.jpg.Acesso em 14/07/2026.
"Quem sofre de insônia? E as horas não passam. Saio da cama, tomo café."
Com base na pontuação empregada no trecho, assinale a alternativa correta.
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Leia o texto a seguir e responda à questão.
Insônia infeliz e feliz
Clarice Lispector
De repente os olhos bem abertos. E a
escuridão toda escura. Deve ser noite alta. Acendo
a luz da cabeceira e para o meu desespero são
duas horas da noite. E a cabeça clara e lúcida.
Ainda arranjarei alguém igual a quem eu possa
telefonar às duas da noite e que não me maldiga.
Quem?
Quem sofre de insônia? E as horas não
passam. Saio da cama, tomo café. E ainda por
cima com um desses horríveis substitutos do
açúcar porque Dr. José Carlos Cabral de Almeida,
dietista, acha que preciso perder os quatro quilos
que aumentei com a superalimentação depois do
incêndio. E o que se passa na luz acesa da sala?
Pensa-se uma escuridão clara. Não, não se
pensa. Sente-se.
Sente-se uma coisa que só tem um nome:
solidão. Ler? Jamais. Escrever? Jamais. Passa-se
um tempo, olha-se o relógio, quem sabe são cinco
horas. Nem quatro chegaram. Quem estará
acordado agora? E nem posso pedir que me
telefonem no meio da noite pois posso estar
dormindo e não perdoar. Tomar uma pílula para
dormir? Mas e o vício que nos espreita? Ninguém
me perdoaria o vício. Então fico sentada na sala,
sentindo. Sentindo o quê? O nada. E o telefone à
mão.
Mas quantas vezes a insônia é um dom. De
repente acordar no meio da noite e ter essa coisa
rara: solidão. Quase nenhum ruído. Só o das
ondas do mar batendo na praia. E tomo café com
gosto, toda sozinha no mundo. Ninguém me
interrompe o nada. É um nada a um tempo vazio
e rico. E o telefone mudo, sem aquele toque súbito
que sobressalta. Depois vai amanhecendo.
As nuvens se clareando sob um sol às
vezes pálido como uma lua, às vezes de fogo puro.
Vou ao terraço e sou talvez a primeira do dia a ver
a espuma branca do mar. O mar é meu, o sol é
meu, a terra é minha. E sinto-me feliz por nada,
por tudo. Até que, como o sol subindo, a casa vai
acordando e há o reencontro com meus filhos
sonolentos.
Fonte:https://www.revistaprosaversoearte.com/content/uploads/2017
/01/2fb34981563848b2.jpg.Acesso em 14/07/2026.
"Ainda arranjarei alguém igual a quem eu possa telefonar às duas da noite e que não me maldiga." (Clarice Lispector)
( ) No trecho "às duas da noite", o acento grave indica a fusão da preposição a com o artigo definido feminino plural as.
( ) O emprego da crase em "às duas da noite" é obrigatório, pois a expressão indica um horário determinado.
( ) No trecho "igual a quem", ocorre crase antes do pronome “quem”.
( ) Se o trecho fosse reescrito como "telefonar a duas pessoas", o emprego da crase permaneceria obrigatório.
( ) O acento grave em "às duas da noite" é facultativo, pois indica apenas uma expressão de tempo, podendo ser omitido sem prejuízo à norma-padrão.
Após análise, conclui-se que a sequência correta é:
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