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De acordo com Clifford Geertz (1978, pp. 101-142, com adaptações), a religião é “(1) um sistema de símbolos que atua para (2) estabelecer poderosas, penetrantes e duradouras disposições e motivações nos homens através da (3) formulação de conceitos de uma ordem de existência geral e (4) vestindo essas concepções com tal aura de fatualidade que (5) as disposições e motivações parecem singularmente realistas”. A partir dessa definição, Geertz entende os símbolos sagrados como:
I. elementos que funcionam para sintetizar o ethos de um povo e sua visão de mundo. Eles formulam uma congruência básica entre um estilo de vida particular e uma metafísica específica.
II. os símbolos são formulações tangíveis de noções, crenças, atitudes, julgamentos e ideias. Nesse sentido, a cruz é um exemplo de símbolo: falado, visualizado e modelado com as mãos quando a pessoa se benze.
III. os símbolos são o motor da religião. Esta ajusta as ações humanas a uma ordem cósmica imaginada e proporciona imagens da ordem cósmica no plano da existência, oferecendo uma ordenação da vida social.
São corretas as assertivas:
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Como importantes ações coletivas, organizadas com o propósito de expressar demandas e reivindicações da população, sabe-se que os movimentos sociais não podem ser concebidos sob uma perspectiva que os imobilize. Considerando, portanto, seu dinamismo, uma das principais características dos movimentos sociais na experiência contemporânea é:
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Levando-se em consideração alguns dos conceitos centrais da antropologia, indique a alternativa INCORRETA:
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Evans-Pritchard (1978, pp. 15-21) encontrou circunstâncias nada auspiciosas durante seu trabalho de campo entre os nueres. Os nueres estavam se recuperando de um brutal programa de “pacificação” por parte das autoridades coloniais e não tinham, por motivos mais do que legítimos, como propiciar uma acolhida hospitaleira a visitantes brancos. Da narrativa de sua experiência de campo, textualizada na introdução de Os Nuer, aprendemos que:
I. a relação de empatia com os “informantes” não é garantida a priori e supõe uma grande habilidade do antropólogo para contornar os conflitos que se mostram durante o trabalho de campo.
II. o fato de ter passado apenas um ano entre os nueres não o impediu de escrever um incontornável relato sobre a experiência daquele povo, sinalizando para o fato de que a qualidade das relações importa mais do que a sua duração.
III. as recusas encontradas no trabalho de campo indicavam que o antropólogo não era tratado como um superior, como havia acontecido em outros trabalhos de campo realizados por ele. O fato de ter sido tratado como um igual, sendo obrigado a contornar conflitos, talvez tenha ampliado o horizonte de suas descobertas.
IV.os informantes não são pessoas passivas e manipuláveis, podem não apenas sabotar uma investigação, mas também ridicularizar firmemente os esforços do antropólogo para extrair os fatos mais corriqueiros e as práticas mais inocentes.
São corretas as assertivas:
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Roberto Cardoso de Oliveira (1988) tenta captar as características de algumas tradições antropológicas a partir do que define como a “matriz disciplinar da antropologia”. Essa matriz é caracterizada pelos paradigmas que marcaram e marcam o pensamento antropológico. Tais paradigmas são pensados no âmbito de duas tradições, definidas pelo autor como a intelectualista e a empirista. Eles supõem ainda uma referência à categoria “tempo”, traduzida em termos como “sincronia” e “diacronia”. Sobre tais paradigmas, seria INCORRETO afirmar que:
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A descoberta das diferenças pelos viajantes do século XVI introduziu a dúvida no edifício do pensamento europeu e constitui os prolegômenos ou a “pré-história” da antropologia. O renascimento, diz Laplantine (1994, pp. 37-53, com adaptações), começou a explorar espaços até então desconhecidos e passou a elaborar discursos sobre os habitantes que povoavam esses espaços. Analise as assertivas abaixo sobre esses discursos e sobre o confronto visual com alteridade, indicando, a seguir, a alternativa correta.
I. As primeiras observações e os primeiros discursos sobre esses povos “distantes” provêm de, pelo menos, duas fontes: as reações dos primeiros viajantes, a chamada “literatura de viagem”, e os relatórios dos missionários.
II. As grandes questões então colocadas que nasciam desse “primeiro confronto visual com a alteridade” eram as seguintes: Aqueles que acabaram de ser descobertos pertenciam à humanidade? O “selvagem” tem uma alma? O pecado original também lhe diz respeito? O critério essencial para saber se lhes convinha atribuir um estatuto humano era, nessa época, religioso. Os missionários se perguntavam pela possibilidade de levar a revelação aos “selvagens” e assim catequizá-los.
III. As respostas ideológicas relativas à descoberta das diferenças pelos viajantes do século XVI concorriam para um duplo discurso: havia aqueles que recusavam o estranho, apreendido a partir da falta, cujo corolário era a boa consciência que se tem sobre si e sua sociedade, remetendo a atitudes que iam desde a condescendência e a proteção paternalista do outro até sua exclusão; havia ainda aqueles que nutriam uma fascinação pelo estranho, cujo corolário era a má consciência que se tem sobre si e sua sociedade. Daí teríamos dois antípodas ou figuras para pensar o selvagem e o civilizado: para os primeiros, aqueles que recusavam o estranho, a figura era a do “mau selvagem e do bom civilizado” e, para aqueles fascinados pelo estranho, a figura era aquela do “bom selvagem e do mau civilizado”.
São corretas as assertivas:
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Refletindo sobre o processo de investigação empírica, o antropólogo americano C. Geertz, apud Cardoso (1998), afirma a existência de duas etapas bem distintas no curso do referido processo. A primeira diz respeito à experiência do antropólogo vivendo a situação de estar em campo; a segunda, por seu turno, reporta-se ao trabalho do pesquisador já em seu gabinete, no retorno ao seu contexto acadêmico, por exemplo. Essa experiência de retorno, para C. Geertz, se configura como um delicado momento da pesquisa, principalmente porque:
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O turismo apresenta-se, no mundo contemporâneo, como uma das principais expressões de mobilidade humana. Sua relação com a antropologia estabelece-se, primeiramente, a partir da análise dos efeitos experimentados por pequenas comunidades diante dos processos de visitação; no entanto, tal relação vem ganhando novos contornos, na medida em que novas preocupações são elaboradas. Diante da diversidade de temas que podem ser destacados, os souvenirs surgem como possibilidades de reflexão sobre:
I. mercantilização da experiência de viagem;
II. memória e dádiva;
III. capital simbólico e distinção.
Considerando o exposto, são corretas:
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O paradigma hermenêutico que se apresenta como um dos elementos constituintes da matriz disciplinar da antropologia pode ser associado à:
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Roberto Cardoso de Oliveira (1988) interpreta a pós-modernidade em antropologia a partir das categorias de ordem e desordem, no intuito de compreender como a antropologia, em seus diversos paradigmas, pensou elementos como a subjetividade, o indivíduo e a história. Julgue os itens subsequentes e assinale a alternativa correta.
I. Para a antropologia pós-moderna, as “antropologias tradicionais” domesticaram ou neutralizaram o indivíduo, a subjetividade e a história, priorizando categorias como “padrões”, “estruturas” e “funções”.
II. A pós-modernidade na antropologia e o concomitante sucesso do paradigma hermenêutico que lhe dá sustentação não são casuais, mas dizem respeito à legítima descrença quanto às promessas das “grandes narrativas” de emancipação da modernidade, desde a narrativa cristã de redenção de delito adâmico pelo amor até a narrativa capitalista da emancipação da pobreza pelo desenvolvimento técnico-industrial.
III. Apesar das críticas, para a hermenêutica, a antropologia sempre foi uma ciência “pós-moderna”, pois a crítica ao cientificismo sempre foi uma de suas marcas principais, especialmente em função da articulação da ciência antropológica com a estética.
IV. A antropologia dita “pós-moderna”, em suas várias versões, sinaliza para um conjunto de reflexões capazes de atualizar as potencialidades da disciplina, apesar do risco do interpretativismo, entendido como um desenvolvimento perverso do paradigma hermenêutico.
São corretas as assertivas:
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