Foram encontradas 100 questões.
Texto para responder às questões de 6 a 10.
1____(28/10/2011) Quem se dá ao trabalho de
acompanhar as notícias é provável que se impressione com
a desarticulação entre várias políticas que regem a vida dos
4 cidadãos nas maiores cidades — cada uma atira para um
lado e, somadas, provocam complicadas e indesejáveis
consequências na vida das pessoas. É o caso, entre muitas,
7 das políticas de transportes, construção de veículos,
expansão urbana, controle da poluição do ar, manutenção de
infraestruturas urbanas.
10____Segundo este jornal (20/10), só na primeira
quinzena de outubro, foram fabricados no país mais de
150 mil veículos e espera-se para o mês todo que as vendas
13 atinjam patamar semelhante ao de setembro (311,6 mil
veículos). A frota nacional já está além de 35 milhões. Só em
São Paulo, mais de 7 milhões. E até 2015 novas fábricas e
16 ampliação das atuais deverão acrescentar mais 2 milhões de
veículos à produção anual, que hoje está em torno de
4,3 milhões, incluindo também caminhões, ônibus e
19 comerciais leves. Ótimo para a economia ― pensarão
muitos. Mas que acontecerá nas cidades?
São Paulo, por exemplo, já tem um dos mais baixos
22 índices de mobilidade urbana no país (Mobilidade Brasil,
14/10), pior que os de todas as cidades maiores, onde as
questões já são graves. Uma das razões decorre de a frota
25 de coletivos estar estagnada há anos, enquanto a população
aumenta e sobe o número de automóveis. No Recife, onde a
frota de veículos se aproxima de 1 milhão, um deslocamento
28 de 22 quilômetros em transporte público leva duas horas. Em
Goiânia (O Popular, 15/10), a velocidade média da frota de
ônibus caiu 28% em três anos, para menos de
31 20 quilômetros por hora. Nesse período, a frota de
automóveis e motocicletas na cidade cresceu 75%. E ainda
há incentivos fiscais para a compra de veículos novos.
34Também contribui para o drama dos transportes o
fato de a rede ferroviária nacional responder hoje por menos
de 30% do transporte de cargas — especialmente por causa
37 do sucateamento a que foi submetida em parte, após as
privatizações. Com isso, é cada vez maior o transporte por
caminhões, ajudando a atravancar o trânsito das cidades: a
40 frota, na média (22 anos), ainda é muito antiga e contribui
fortemente, por esse motivo, para a poluição do ar urbano.
Quem acha que motos são um complicador no
43 trânsito assusta-se ao saber que as vendas de motos
superarão as de automóveis em 2012 e que, em dez anos,
haverá mais motos que carros nas ruas, segundo o Ipea
46 (Estado, 26/5). É bom lembrar que uma moto pode emitir até
40 vezes mais poluentes que um automóvel e que esses
veículos já são responsáveis pelo maior número de mortes
49 em acidentes.
Nossas grandes cidades, em meio a tudo isso, ainda
vivem atormentadas por enchentes, que também nos levam
52 ao andar de baixo e aos problemas que ali estão. Este jornal
informou (16/10) que, sob as calçadas paulistanas, estão
115 mil quilômetros de tubulações (quase três vezes e meia
55 a volta à Terra), incluindo redes de água e esgotos
(34 mil km), 4.700 km da rede de gás, 38 mil km da rede
telefônica, 2,7 mil da energia elétrica, 1,5 mil das
58 telecomunicações etc. Dividem o espaço com 9,2 milhões de
passageiros que usam o transporte subterrâneo. Cáspite!
Washington Novaes. O Estado de S.Paulo. Internet:
<www.ecodebate.com.br> (com adaptações).
Tomando como referência a norma padrão da língua portuguesa e a preservação do sentido original do texto, assinale a alternativa correta.
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Texto para responder às questões de 6 a 10.
1____(28/10/2011) Quem se dá ao trabalho de
acompanhar as notícias é provável que se impressione com
a desarticulação entre várias políticas que regem a vida dos
4 cidadãos nas maiores cidades — cada uma atira para um
lado e, somadas, provocam complicadas e indesejáveis
consequências na vida das pessoas. É o caso, entre muitas,
7 das políticas de transportes, construção de veículos,
expansão urbana, controle da poluição do ar, manutenção de
infraestruturas urbanas.
10____Segundo este jornal (20/10), só na primeira
quinzena de outubro, foram fabricados no país mais de
150 mil veículos e espera-se para o mês todo que as vendas
13 atinjam patamar semelhante ao de setembro (311,6 mil
veículos). A frota nacional já está além de 35 milhões. Só em
São Paulo, mais de 7 milhões. E até 2015 novas fábricas e
16 ampliação das atuais deverão acrescentar mais 2 milhões de
veículos à produção anual, que hoje está em torno de
4,3 milhões, incluindo também caminhões, ônibus e
19 comerciais leves. Ótimo para a economia ― pensarão
muitos. Mas que acontecerá nas cidades?
São Paulo, por exemplo, já tem um dos mais baixos
22 índices de mobilidade urbana no país (Mobilidade Brasil,
14/10), pior que os de todas as cidades maiores, onde as
questões já são graves. Uma das razões decorre de a frota
25 de coletivos estar estagnada há anos, enquanto a população
aumenta e sobe o número de automóveis. No Recife, onde a
frota de veículos se aproxima de 1 milhão, um deslocamento
28 de 22 quilômetros em transporte público leva duas horas. Em
Goiânia (O Popular, 15/10), a velocidade média da frota de
ônibus caiu 28% em três anos, para menos de
31 20 quilômetros por hora. Nesse período, a frota de
automóveis e motocicletas na cidade cresceu 75%. E ainda
há incentivos fiscais para a compra de veículos novos.
34Também contribui para o drama dos transportes o
fato de a rede ferroviária nacional responder hoje por menos
de 30% do transporte de cargas — especialmente por causa
37 do sucateamento a que foi submetida em parte, após as
privatizações. Com isso, é cada vez maior o transporte por
caminhões, ajudando a atravancar o trânsito das cidades: a
40 frota, na média (22 anos), ainda é muito antiga e contribui
fortemente, por esse motivo, para a poluição do ar urbano.
Quem acha que motos são um complicador no
43 trânsito assusta-se ao saber que as vendas de motos
superarão as de automóveis em 2012 e que, em dez anos,
haverá mais motos que carros nas ruas, segundo o Ipea
46 (Estado, 26/5). É bom lembrar que uma moto pode emitir até
40 vezes mais poluentes que um automóvel e que esses
veículos já são responsáveis pelo maior número de mortes
49 em acidentes.
Nossas grandes cidades, em meio a tudo isso, ainda
vivem atormentadas por enchentes, que também nos levam
52 ao andar de baixo e aos problemas que ali estão. Este jornal
informou (16/10) que, sob as calçadas paulistanas, estão
115 mil quilômetros de tubulações (quase três vezes e meia
55 a volta à Terra), incluindo redes de água e esgotos
(34 mil km), 4.700 km da rede de gás, 38 mil km da rede
telefônica, 2,7 mil da energia elétrica, 1,5 mil das
58 telecomunicações etc. Dividem o espaço com 9,2 milhões de
passageiros que usam o transporte subterrâneo. Cáspite!
Washington Novaes. O Estado de S.Paulo. Internet:
<www.ecodebate.com.br> (com adaptações).
Assinale a alternativa em que a reescrita de fragmento do texto preserva a correção gramatical e o sentido original.
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Texto para responder às questões de 6 a 10.
1____(28/10/2011) Quem se dá ao trabalho de
acompanhar as notícias é provável que se impressione com
a desarticulação entre várias políticas que regem a vida dos
4 cidadãos nas maiores cidades — cada uma atira para um
lado e, somadas, provocam complicadas e indesejáveis
consequências na vida das pessoas. É o caso, entre muitas,
7 das políticas de transportes, construção de veículos,
expansão urbana, controle da poluição do ar, manutenção de
infraestruturas urbanas.
10____Segundo este jornal (20/10), só na primeira
quinzena de outubro, foram fabricados no país mais de
150 mil veículos e espera-se para o mês todo que as vendas
13 atinjam patamar semelhante ao de setembro (311,6 mil
veículos). A frota nacional já está além de 35 milhões. Só em
São Paulo, mais de 7 milhões. E até 2015 novas fábricas e
16 ampliação das atuais deverão acrescentar mais 2 milhões de
veículos à produção anual, que hoje está em torno de
4,3 milhões, incluindo também caminhões, ônibus e
19 comerciais leves. Ótimo para a economia ― pensarão
muitos. Mas que acontecerá nas cidades?
São Paulo, por exemplo, já tem um dos mais baixos
22 índices de mobilidade urbana no país (Mobilidade Brasil,
14/10), pior que os de todas as cidades maiores, onde as
questões já são graves. Uma das razões decorre de a frota
25 de coletivos estar estagnada há anos, enquanto a população
aumenta e sobe o número de automóveis. No Recife, onde a
frota de veículos se aproxima de 1 milhão, um deslocamento
28 de 22 quilômetros em transporte público leva duas horas. Em
Goiânia (O Popular, 15/10), a velocidade média da frota de
ônibus caiu 28% em três anos, para menos de
31 20 quilômetros por hora. Nesse período, a frota de
automóveis e motocicletas na cidade cresceu 75%. E ainda
há incentivos fiscais para a compra de veículos novos.
34Também contribui para o drama dos transportes o
fato de a rede ferroviária nacional responder hoje por menos
de 30% do transporte de cargas — especialmente por causa
37 do sucateamento a que foi submetida em parte, após as
privatizações. Com isso, é cada vez maior o transporte por
caminhões, ajudando a atravancar o trânsito das cidades: a
40 frota, na média (22 anos), ainda é muito antiga e contribui
fortemente, por esse motivo, para a poluição do ar urbano.
Quem acha que motos são um complicador no
43 trânsito assusta-se ao saber que as vendas de motos
superarão as de automóveis em 2012 e que, em dez anos,
haverá mais motos que carros nas ruas, segundo o Ipea
46 (Estado, 26/5). É bom lembrar que uma moto pode emitir até
40 vezes mais poluentes que um automóvel e que esses
veículos já são responsáveis pelo maior número de mortes
49 em acidentes.
Nossas grandes cidades, em meio a tudo isso, ainda
vivem atormentadas por enchentes, que também nos levam
52 ao andar de baixo e aos problemas que ali estão. Este jornal
informou (16/10) que, sob as calçadas paulistanas, estão
115 mil quilômetros de tubulações (quase três vezes e meia
55 a volta à Terra), incluindo redes de água e esgotos
(34 mil km), 4.700 km da rede de gás, 38 mil km da rede
telefônica, 2,7 mil da energia elétrica, 1,5 mil das
58 telecomunicações etc. Dividem o espaço com 9,2 milhões de
passageiros que usam o transporte subterrâneo. Cáspite!
Washington Novaes. O Estado de S.Paulo. Internet:
<www.ecodebate.com.br> (com adaptações).
Assinale a alternativa que interpreta adequadamente ideias do texto.
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Texto para responder às questões de 6 a 10.
1____(28/10/2011) Quem se dá ao trabalho de
acompanhar as notícias é provável que se impressione com
a desarticulação entre várias políticas que regem a vida dos
4 cidadãos nas maiores cidades — cada uma atira para um
lado e, somadas, provocam complicadas e indesejáveis
consequências na vida das pessoas. É o caso, entre muitas,
7 das políticas de transportes, construção de veículos,
expansão urbana, controle da poluição do ar, manutenção de
infraestruturas urbanas.
10____Segundo este jornal (20/10), só na primeira
quinzena de outubro, foram fabricados no país mais de
150 mil veículos e espera-se para o mês todo que as vendas
13 atinjam patamar semelhante ao de setembro (311,6 mil
veículos). A frota nacional já está além de 35 milhões. Só em
São Paulo, mais de 7 milhões. E até 2015 novas fábricas e
16 ampliação das atuais deverão acrescentar mais 2 milhões de
veículos à produção anual, que hoje está em torno de
4,3 milhões, incluindo também caminhões, ônibus e
19 comerciais leves. Ótimo para a economia ― pensarão
muitos. Mas que acontecerá nas cidades?
São Paulo, por exemplo, já tem um dos mais baixos
22 índices de mobilidade urbana no país (Mobilidade Brasil,
14/10), pior que os de todas as cidades maiores, onde as
questões já são graves. Uma das razões decorre de a frota
25 de coletivos estar estagnada há anos, enquanto a população
aumenta e sobe o número de automóveis. No Recife, onde a
frota de veículos se aproxima de 1 milhão, um deslocamento
28 de 22 quilômetros em transporte público leva duas horas. Em
Goiânia (O Popular, 15/10), a velocidade média da frota de
ônibus caiu 28% em três anos, para menos de
31 20 quilômetros por hora. Nesse período, a frota de
automóveis e motocicletas na cidade cresceu 75%. E ainda
há incentivos fiscais para a compra de veículos novos.
34Também contribui para o drama dos transportes o
fato de a rede ferroviária nacional responder hoje por menos
de 30% do transporte de cargas — especialmente por causa
37 do sucateamento a que foi submetida em parte, após as
privatizações. Com isso, é cada vez maior o transporte por
caminhões, ajudando a atravancar o trânsito das cidades: a
40 frota, na média (22 anos), ainda é muito antiga e contribui
fortemente, por esse motivo, para a poluição do ar urbano.
Quem acha que motos são um complicador no
43 trânsito assusta-se ao saber que as vendas de motos
superarão as de automóveis em 2012 e que, em dez anos,
haverá mais motos que carros nas ruas, segundo o Ipea
46 (Estado, 26/5). É bom lembrar que uma moto pode emitir até
40 vezes mais poluentes que um automóvel e que esses
veículos já são responsáveis pelo maior número de mortes
49 em acidentes.
Nossas grandes cidades, em meio a tudo isso, ainda
vivem atormentadas por enchentes, que também nos levam
52 ao andar de baixo e aos problemas que ali estão. Este jornal
informou (16/10) que, sob as calçadas paulistanas, estão
115 mil quilômetros de tubulações (quase três vezes e meia
55 a volta à Terra), incluindo redes de água e esgotos
(34 mil km), 4.700 km da rede de gás, 38 mil km da rede
telefônica, 2,7 mil da energia elétrica, 1,5 mil das
58 telecomunicações etc. Dividem o espaço com 9,2 milhões de
passageiros que usam o transporte subterrâneo. Cáspite!
Washington Novaes. O Estado de S.Paulo. Internet:
<www.ecodebate.com.br> (com adaptações).
Assinale a alternativa correta a respeito do texto.
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Texto, para responder às questões 4 e 5.
1____Um dia, quando lhe perguntarem onde é que
nasceu, a moça poderá responder, sorrindo: “Na lixeira”. Pois
realmente foi ali que a jogaram, entre cascas de banana e
4 borra de café, para que não vivesse; e foi dali que a
retiraram, viva, para que desse testemunho: até numa lixeira
a vida pode começar.
7____O suposto nascimento anterior, num quarto, não
vale para essa menina da Rua Pedro Américo; ele se
consumou na clandestinidade, a contragosto da mãe, talvez
10 sem que o pai tivesse notícia e mesmo sem que a mãe
tivesse notícia do pai. Não era desejado, não veio precedido
de amor, mas de vergonha, medo, angústia, recriminação.
13 Quem nasce sob tais condições negativas é como se não
nascesse, e a lixeira foi o instrumento providencial que
ocorreu à mãe dessa menina errada, para anular, em escala
16 individual, o efeito da explosão demográfica. Enquanto não
se decide a construção de crematórios para os que acabam
regularmente, aí está, para os que começam irregularmente,
19 o incinerador do lixo doméstico. Nem seria preciso queimar a
menina, com os demais detritos da casa. A morte viria
logo — necessária, oportuna, benfazeja.
22___Mas, naquele dia, a lixeira reagiu de forma
imprevista, abstendo-se de cumprir a missão que já tantas
mães solteiras, desesperadas ou não, lhe confiaram. Ficou
25 surda aos argumentos sociais, morais e econômicos que
demonstram a inconveniência de salvar-se uma vida de
origem equívoca e de custeio incerto. Guardou a menina
28 como a lixeira pode guardar, sem qualquer cuidado higiênico
ou resquício de conforto, mas guardou-a. Não lhe abafou o
chorinho com o desmoronamento de um pacote de restos de
31 cozinha, ou a queda de uma lata vazia de pessegada sobre a
cabeça. Na verdade, estimulou-a a chorar e bradar,
dando-lhe ar pútrido e temperatura de fornalha, para que
34 melhor protestasse e atraísse, pelo sofrimento revoltado, a
atenção do faxineiro.
E chegou o faxineiro e tirou daquelas entranhas a
37 recém-nascida, como o obstetra faz o parto. Estava
nascendo, na porcaria, uma criança; e outro menino não
nasceu, faz muito tempo, num cocho de comida de animais,
40 no estábulo, entre o farelo e o milho? A lixeira pode fazer as
vezes de maternidade, berçário moderno para a vida que
quer manifestar-se de qualquer modo e não encontra outra
43 saída. O obscuro humanitarismo, a piedade e a simpatia
dessa lixeira, não salvaram, criaram a vida. Foi lá que a
criança verdadeiramente nasceu, quando os seres humanos,
46 a ordem econômica e os últimos preconceitos lhe negaram
ou lhe impediram a existência.
A menina, mais tarde, poderá dizer com alegria
49 reconhecida: “Devo minha vida a uma lixeira, foi nela que vim
ao mundo”. E nós também devemos alguma coisa a essa
lixeira: a lição de respeito à vida.
Carlos Drummond de Andrade. Poesia e prosa
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, v. 1.
Em várias passagens do texto, é mostrada a rejeição sofrida pela menina. Assinale a alternativa em que essa rejeição não aparece.
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Texto, para responder às questões 4 e 5.
1____Um dia, quando lhe perguntarem onde é que
nasceu, a moça poderá responder, sorrindo: “Na lixeira”. Pois
realmente foi ali que a jogaram, entre cascas de banana e
4 borra de café, para que não vivesse; e foi dali que a
retiraram, viva, para que desse testemunho: até numa lixeira
a vida pode começar.
7____O suposto nascimento anterior, num quarto, não
vale para essa menina da Rua Pedro Américo; ele se
consumou na clandestinidade, a contragosto da mãe, talvez
10 sem que o pai tivesse notícia e mesmo sem que a mãe
tivesse notícia do pai. Não era desejado, não veio precedido
de amor, mas de vergonha, medo, angústia, recriminação.
13 Quem nasce sob tais condições negativas é como se não
nascesse, e a lixeira foi o instrumento providencial que
ocorreu à mãe dessa menina errada, para anular, em escala
16 individual, o efeito da explosão demográfica. Enquanto não
se decide a construção de crematórios para os que acabam
regularmente, aí está, para os que começam irregularmente,
19 o incinerador do lixo doméstico. Nem seria preciso queimar a
menina, com os demais detritos da casa. A morte viria
logo — necessária, oportuna, benfazeja.
22___Mas, naquele dia, a lixeira reagiu de forma
imprevista, abstendo-se de cumprir a missão que já tantas
mães solteiras, desesperadas ou não, lhe confiaram. Ficou
25 surda aos argumentos sociais, morais e econômicos que
demonstram a inconveniência de salvar-se uma vida de
origem equívoca e de custeio incerto. Guardou a menina
28 como a lixeira pode guardar, sem qualquer cuidado higiênico
ou resquício de conforto, mas guardou-a. Não lhe abafou o
chorinho com o desmoronamento de um pacote de restos de
31 cozinha, ou a queda de uma lata vazia de pessegada sobre a
cabeça. Na verdade, estimulou-a a chorar e bradar,
dando-lhe ar pútrido e temperatura de fornalha, para que
34 melhor protestasse e atraísse, pelo sofrimento revoltado, a
atenção do faxineiro.
E chegou o faxineiro e tirou daquelas entranhas a
37 recém-nascida, como o obstetra faz o parto. Estava
nascendo, na porcaria, uma criança; e outro menino não
nasceu, faz muito tempo, num cocho de comida de animais,
40 no estábulo, entre o farelo e o milho? A lixeira pode fazer as
vezes de maternidade, berçário moderno para a vida que
quer manifestar-se de qualquer modo e não encontra outra
43 saída. O obscuro humanitarismo, a piedade e a simpatia
dessa lixeira, não salvaram, criaram a vida. Foi lá que a
criança verdadeiramente nasceu, quando os seres humanos,
46 a ordem econômica e os últimos preconceitos lhe negaram
ou lhe impediram a existência.
A menina, mais tarde, poderá dizer com alegria
49 reconhecida: “Devo minha vida a uma lixeira, foi nela que vim
ao mundo”. E nós também devemos alguma coisa a essa
lixeira: a lição de respeito à vida.
Carlos Drummond de Andrade. Poesia e prosa
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, v. 1.
Em muitas passagens do texto, aparece a figura de estilo conhecida como personificação ou prosopopeia, que consiste em atribuir a objetos inanimados ou a seres irracionais sentimentos ou ações próprias dos seres humanos. Assinale a alternativa em que não aparece essa figura.
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Texto para responder às questões de 1 a 3.
1____Em 26 de setembro de 1991, quatro homens e
quatro mulheres entraram em uma gigantesca estrutura
geodésica de vidro e metal, com 12.000 metros quadrados,
4 em Tucson, Arizona, em pleno deserto, para ali ficarem
trancafiados por dois anos. Era o projeto Biosfera 2, que
abrigava 3.800 espécies animais e vegetais e simulações dos
7 cinco principais biomas do planeta Terra, com o propósito de
entender como a biosfera planetária funciona e como o ser
humano interage com os ecossistemas. Foram monitorados
10 por dois mil sensores eletrônicos e assistidos por 600 mil
pagantes em todo o mundo.
Em 16 de setembro de 1999, nove pessoas
13 entraram em uma mansão em Almere, na Holanda, para
ficarem também trancafiadas, dessa vez por 106 dias, sem
nenhum contato com o mundo exterior, acompanhadas por
16 uma parafernália de câmeras e microfones. Era a primeira
edição do reality Show Big Brother idealizado pela empresa
de entretenimentos Endemol. Embora o nome faça alusão à
19 distopia literária de George Orwel, “1984”, na verdade o
programa foi explicitamente inspirado na experiência Biosfera
2 de, então, oito anos atrás.
22___Como experimento científico, o projeto Biosfera 2 foi
um resumo de todas as ideologias ecológicas, climáticas,
microcósmicas e biogenéticas. Mas foi muito mais que isso.
25 Foi uma atração experimental. Bancado por um bilionário
texano pela bagatela de 200 milhões de dólares, desde o
início havia um implícito senso midiático e de espetáculo. É o
28 momento em que a tecnociência se converte em show. Se
não, como explicar a inviabilidade da pesquisa científica em
um ambiente onde oito pesquisadores enclausurados e
31 isolados do mundo passavam 95% do tempo lutando pela
sobrevivência (fazendo a comida crescer, lutando contra
pragas e tentando resolver problemas básicos como higiene
34 e saúde)? Não sobrava muito tempo para o trabalho
científico.
O projeto foi um fracasso científico, mas um sucesso
37 midiático. Dos objetivos iniciais publicamente divulgados
como estudos dos biomas terrestres, dinâmica dos
ecossistemas e sustentabilidade do ser humano em
40 ambientes extraterrestres, havia outro objetivo secreto: a
endocolonização (a colonização interna da mente humana).
Os milhares de sensores eletrônicos e câmeras espalhados
43 no interior da gigantesca estrutura geodésica e o
monitoramento ao vivo por meio de telas de TVs buscavam
outros tipos de dados: o esquadrinhamento do
46 comportamento humano, dessa vez não mais em laboratórios
de psicologia, mas em cenografias controladas nas quais
indivíduos lutam pela sobrevivência.
49___Se no projeto tecnocientífico a ecologia e a
sustentabilidade foram álibis para a iniciativa de
endocolonização, na TV o gênero reality show, sob o álibi da
52 interatividade, transformou-se em laboratório etnográfico para
prospectar dados e análise dos comportamentos e das
motivações.
55 Biosfera 2 e reality show formaram secretas
alianças: foram a vanguarda de uma verdadeira estratégia de
popularizar e tornar aceitável à opinião pública os novos
58 tempos em que vivemos, quando, sob o álibi da
interatividade, todos disponibilizam gratuitamente em sites de
relacionamento para os bancos de dados corporativos seus
61 dados, aspirações, sonhos e fantasias pessoais em estado
bruto.
Internet: <http://cinegnose.blogspot.com> (com adaptações).
Acesso em 8/1/2012.
Assinale a alternativa correta.
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Texto para responder às questões de 1 a 3.
1____Em 26 de setembro de 1991, quatro homens e
quatro mulheres entraram em uma gigantesca estrutura
geodésica de vidro e metal, com 12.000 metros quadrados,
4 em Tucson, Arizona, em pleno deserto, para ali ficarem
trancafiados por dois anos. Era o projeto Biosfera 2, que
abrigava 3.800 espécies animais e vegetais e simulações dos
7 cinco principais biomas do planeta Terra, com o propósito de
entender como a biosfera planetária funciona e como o ser
humano interage com os ecossistemas. Foram monitorados
10 por dois mil sensores eletrônicos e assistidos por 600 mil
pagantes em todo o mundo.
Em 16 de setembro de 1999, nove pessoas
13 entraram em uma mansão em Almere, na Holanda, para
ficarem também trancafiadas, dessa vez por 106 dias, sem
nenhum contato com o mundo exterior, acompanhadas por
16 uma parafernália de câmeras e microfones. Era a primeira
edição do reality Show Big Brother idealizado pela empresa
de entretenimentos Endemol. Embora o nome faça alusão à
19 distopia literária de George Orwel, “1984”, na verdade o
programa foi explicitamente inspirado na experiência Biosfera
2 de, então, oito anos atrás.
22___Como experimento científico, o projeto Biosfera 2 foi
um resumo de todas as ideologias ecológicas, climáticas,
microcósmicas e biogenéticas. Mas foi muito mais que isso.
25 Foi uma atração experimental. Bancado por um bilionário
texano pela bagatela de 200 milhões de dólares, desde o
início havia um implícito senso midiático e de espetáculo. É o
28 momento em que a tecnociência se converte em show. Se
não, como explicar a inviabilidade da pesquisa científica em
um ambiente onde oito pesquisadores enclausurados e
31 isolados do mundo passavam 95% do tempo lutando pela
sobrevivência (fazendo a comida crescer, lutando contra
pragas e tentando resolver problemas básicos como higiene
34 e saúde)? Não sobrava muito tempo para o trabalho
científico.
O projeto foi um fracasso científico, mas um sucesso
37 midiático. Dos objetivos iniciais publicamente divulgados
como estudos dos biomas terrestres, dinâmica dos
ecossistemas e sustentabilidade do ser humano em
40 ambientes extraterrestres, havia outro objetivo secreto: a
endocolonização (a colonização interna da mente humana).
Os milhares de sensores eletrônicos e câmeras espalhados
43 no interior da gigantesca estrutura geodésica e o
monitoramento ao vivo por meio de telas de TVs buscavam
outros tipos de dados: o esquadrinhamento do
46 comportamento humano, dessa vez não mais em laboratórios
de psicologia, mas em cenografias controladas nas quais
indivíduos lutam pela sobrevivência.
49___Se no projeto tecnocientífico a ecologia e a
sustentabilidade foram álibis para a iniciativa de
endocolonização, na TV o gênero reality show, sob o álibi da
52 interatividade, transformou-se em laboratório etnográfico para
prospectar dados e análise dos comportamentos e das
motivações.
55 Biosfera 2 e reality show formaram secretas
alianças: foram a vanguarda de uma verdadeira estratégia de
popularizar e tornar aceitável à opinião pública os novos
58 tempos em que vivemos, quando, sob o álibi da
interatividade, todos disponibilizam gratuitamente em sites de
relacionamento para os bancos de dados corporativos seus
61 dados, aspirações, sonhos e fantasias pessoais em estado
bruto.
Internet: <http://cinegnose.blogspot.com> (com adaptações).
Acesso em 8/1/2012.
Assinale a alternativa que apresenta entre colchetes a identificação correta do termo a que se refere a palavra destacada em negrito.
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Texto para responder às questões de 1 a 3.
1____Em 26 de setembro de 1991, quatro homens e
quatro mulheres entraram em uma gigantesca estrutura
geodésica de vidro e metal, com 12.000 metros quadrados,
4 em Tucson, Arizona, em pleno deserto, para ali ficarem
trancafiados por dois anos. Era o projeto Biosfera 2, que
abrigava 3.800 espécies animais e vegetais e simulações dos
7 cinco principais biomas do planeta Terra, com o propósito de
entender como a biosfera planetária funciona e como o ser
humano interage com os ecossistemas. Foram monitorados
10 por dois mil sensores eletrônicos e assistidos por 600 mil
pagantes em todo o mundo.
Em 16 de setembro de 1999, nove pessoas
13 entraram em uma mansão em Almere, na Holanda, para
ficarem também trancafiadas, dessa vez por 106 dias, sem
nenhum contato com o mundo exterior, acompanhadas por
16 uma parafernália de câmeras e microfones. Era a primeira
edição do reality Show Big Brother idealizado pela empresa
de entretenimentos Endemol. Embora o nome faça alusão à
19 distopia literária de George Orwel, “1984”, na verdade o
programa foi explicitamente inspirado na experiência Biosfera
2 de, então, oito anos atrás.
22___Como experimento científico, o projeto Biosfera 2 foi
um resumo de todas as ideologias ecológicas, climáticas,
microcósmicas e biogenéticas. Mas foi muito mais que isso.
25 Foi uma atração experimental. Bancado por um bilionário
texano pela bagatela de 200 milhões de dólares, desde o
início havia um implícito senso midiático e de espetáculo. É o
28 momento em que a tecnociência se converte em show. Se
não, como explicar a inviabilidade da pesquisa científica em
um ambiente onde oito pesquisadores enclausurados e
31 isolados do mundo passavam 95% do tempo lutando pela
sobrevivência (fazendo a comida crescer, lutando contra
pragas e tentando resolver problemas básicos como higiene
34 e saúde)? Não sobrava muito tempo para o trabalho
científico.
O projeto foi um fracasso científico, mas um sucesso
37 midiático. Dos objetivos iniciais publicamente divulgados
como estudos dos biomas terrestres, dinâmica dos
ecossistemas e sustentabilidade do ser humano em
40 ambientes extraterrestres, havia outro objetivo secreto: a
endocolonização (a colonização interna da mente humana).
Os milhares de sensores eletrônicos e câmeras espalhados
43 no interior da gigantesca estrutura geodésica e o
monitoramento ao vivo por meio de telas de TVs buscavam
outros tipos de dados: o esquadrinhamento do
46 comportamento humano, dessa vez não mais em laboratórios
de psicologia, mas em cenografias controladas nas quais
indivíduos lutam pela sobrevivência.
49___Se no projeto tecnocientífico a ecologia e a
sustentabilidade foram álibis para a iniciativa de
endocolonização, na TV o gênero reality show, sob o álibi da
52 interatividade, transformou-se em laboratório etnográfico para
prospectar dados e análise dos comportamentos e das
motivações.
55 Biosfera 2 e reality show formaram secretas
alianças: foram a vanguarda de uma verdadeira estratégia de
popularizar e tornar aceitável à opinião pública os novos
58 tempos em que vivemos, quando, sob o álibi da
interatividade, todos disponibilizam gratuitamente em sites de
relacionamento para os bancos de dados corporativos seus
61 dados, aspirações, sonhos e fantasias pessoais em estado
bruto.
Internet: <http://cinegnose.blogspot.com> (com adaptações).
Acesso em 8/1/2012.
Assinale a alternativa que interpreta adequadamente ideias do texto.
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Um grande número de ocorrências de queimaduras por contato com águas-vivas foi registrado neste verão, principalmente no litoral do Paraná. Considerando a anatomia e o hábito de vida das águas-vivas, assinale a alternativa que apresenta uma explicação para a maior concentração delas no litoral.
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