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COM BASE NO TEXTO IV, RESPONDA S QUESTÕES DE NÚMEROS 10 A 12.
TEXTO IV
O Tempo e o Amor
Tudo cura o tempo, tudo faz esquecer, tudo gasta, tudo digere, tudo acaba. Atreve-se o
tempo a colunas de mármore, quanto mais a corações de cera! São as afeições como as vidas,
que não há mais certo sinal de haverem de durar pouco, que terem durado muito. São como as
linhas que partem do centro para a circunferência, que, quanto mais continuadas, tanto menos
5unidas. Por isso os antigos sabiamente pintaram 5 o amor menino, porque não há amor tão
robusto, que chegue a ser velho. De todos os instrumentos com que o armou a natureza o
desarma o tempo. Afrouxa-lhe o arco, com que já não tira, embota-lhe as setas, com que já
não fere, abre-lhe os olhos, com que vê o que não via, e faz-lhe crescer as asas, com que voa
e foge. A razão natural de toda esta diferença, é porque o tempo tira a novidade às coisas,
10 descobre-lhes os defeitos, enfastia-lhes o gosto, e basta que sejam usadas para não serem
as mesmas. Gasta-se o ferro com o uso, quanto mais o amor? O mesmo amar é causa de não
amar, e o ter amado muito, de amar menos.
(VIEIRA, Pe. António. Sermão do Mandato, parte III, In: Sermões. Porto: Lello & Irmão, 1959. p. 94.)
Vocabulário:
Embotar: tornar menos cortante, menos agudo.
Enfastiar: causar ou sentir tédio (fastio).
O vocábulo “menino” classifica-se morfologicamente como substantivo. Entretanto, em “Por isso os antigos sabiamente pintaram o amor menino” (l. 5), a mesma palavra assume valor de adjetivo.
O trecho do Texto IV em que uma palavra também assume valor diferente do morfologicamente previsto é
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COM BASE NO TEXTO III, RESPONDA S QUESTÕES DE NÚMEROS 06 A 09.
TEXTO III
A despedideira
Há mulheres que querem que o seu homem seja o Sol. O meu quero-o nuvem. Há mulheres
que falam na voz do seu homem. O meu que seja calado e eu, nele, guarde meus silêncios. Para que
ele seja a minha voz quando Deus me pedir contas. [...]
Há muito tempo, me casei, também eu. Dispensei uma vida com esse alguém. Até que ele
5foi. Quando me deixou, já não me deixou a mim. Que eu já era outra, habilitada 5 a ser ninguém. s
vezes, contudo, ainda me adoece uma saudade desse homem. Lembro o tempo em que me encantei,
tudo era um princípio. Eu era nova, dezanovinha.
Quando ele me dirigiu palavra, nesse primeiríssimo dia, dei conta de que, até então, nunca
eu tinha falado com ninguém. O que havia feito era comerciar palavra, em negoceio de
10 sentimento. Falar é outra coisa, é essa ponte sagrada em que ficamos pendentes, suspensos sobre
o abismo. Falar é outra coisa, vos digo. Dessa vez, com esse homem, na palavra eu me divinizei.
Como perfume em que perdesse minha própria aparência. Me solvia na fala, insubstanciada.
Lembro desse encontro, dessa primogênita primeira vez. Como se aquele momento fosse,
afinal, toda minha vida. Aconteceu aqui, neste mesmo pátio em que agora o espero. Era uma
15 tarde boa para gente existir. O mundo cheirava a casa. O ar por ali parava. A brisa sem voar,
quase nidificava. Vez voz, os olhos e os olhares. Ele, em minha frente todo chegado como se a
sua única viagem tivesse sido para a minha vida.
No entanto, algo nele aparentava distância. [...]
Nesse mesmo pátio em que se estreava meu coração tudo iria, afinal, acabar. Porque ele
20 anunciou tudo nesse poente. Que a paixão dele desbrilhara. Sem mais nada, nem outra mulher
havendo. Só isso: a murchidão do que, antes, florescia. [...] O único intruso era o tempo, que nossa
rotina deixara crescer e pesar.
[...] Deixem-me agora evocar, aos goles de lembrança. Enquanto espero que ele volte, de
novo, a este pátio. Recordar tudo, de uma só vez, me dá sofrimento. Por isso, vou lembrando aos
25 poucos. Me debruço na varanda e a altura me tonteia. Quase vou na vertigem. Sabem o que
descobri? Que minha alma é feita de água. Não posso me debruçar tanto. Senão me entorno e
ainda morro vazia, sem gota.
Porque eu não sou por mim. Existo refletida, ardível em paixão. Como a lua: o que brilho é
por luz de outro. A luz desse amante, luz dançando na água. Mesmo que surja assim, agora,
30 distante e fria. Cinza de um cigarro nunca fumado.
Pedi-lhe que viesse uma vez mais. Para que, de novo, se despeça de mim. E passados os anos,
tantos que já nem cabem na lembrança, eu ainda choro como se fosse a primeira despedida.
Porque esse adeus, só esse aceno é meu, todo inteiramente meu. Um adeus à medida de meu
amor.
35 [...] Toda a vida acreditei: amor é os dois se duplicarem em um. Mas hoje sinto: ser um é
ainda muito. De mais. Ambiciono, sim, ser o múltiplo de nada, Ninguém no plural.
Ninguéns.
(COUTO, Mia. O fio das missangas. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. p.51-54.)
Toda a vida acreditei: amor é os dois se duplicarem em um. Mas hoje sinto: ser um é ainda muito. De mais. Ambiciono, sim, ser o múltiplo de nada, Ninguém no plural.
Ninguéns. (l. 35-37)
Esse trecho apresenta metáforas construídas a partir de conceitos matemáticos: duplicidade, unicidade e multiplicidade.
Ele contraria a lógica matemática para enfatizar a percepção da narradora acerca do amor
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COM BASE NO TEXTO III, RESPONDA S QUESTÕES DE NÚMEROS 06 A 09.
TEXTO III
A despedideira
Há mulheres que querem que o seu homem seja o Sol. O meu quero-o nuvem. Há mulheres
que falam na voz do seu homem. O meu que seja calado e eu, nele, guarde meus silêncios. Para que
ele seja a minha voz quando Deus me pedir contas. [...]
Há muito tempo, me casei, também eu. Dispensei uma vida com esse alguém. Até que ele
5foi. Quando me deixou, já não me deixou a mim. Que eu já era outra, habilitada 5 a ser ninguém. s
vezes, contudo, ainda me adoece uma saudade desse homem. Lembro o tempo em que me encantei,
tudo era um princípio. Eu era nova, dezanovinha.
Quando ele me dirigiu palavra, nesse primeiríssimo dia, dei conta de que, até então, nunca
eu tinha falado com ninguém. O que havia feito era comerciar palavra, em negoceio de
10 sentimento. Falar é outra coisa, é essa ponte sagrada em que ficamos pendentes, suspensos sobre
o abismo. Falar é outra coisa, vos digo. Dessa vez, com esse homem, na palavra eu me divinizei.
Como perfume em que perdesse minha própria aparência. Me solvia na fala, insubstanciada.
Lembro desse encontro, dessa primogênita primeira vez. Como se aquele momento fosse,
afinal, toda minha vida. Aconteceu aqui, neste mesmo pátio em que agora o espero. Era uma
15 tarde boa para gente existir. O mundo cheirava a casa. O ar por ali parava. A brisa sem voar,
quase nidificava. Vez voz, os olhos e os olhares. Ele, em minha frente todo chegado como se a
sua única viagem tivesse sido para a minha vida.
No entanto, algo nele aparentava distância. [...]
Nesse mesmo pátio em que se estreava meu coração tudo iria, afinal, acabar. Porque ele
20 anunciou tudo nesse poente. Que a paixão dele desbrilhara. Sem mais nada, nem outra mulher
havendo. Só isso: a murchidão do que, antes, florescia. [...] O único intruso era o tempo, que nossa
rotina deixara crescer e pesar.
[...] Deixem-me agora evocar, aos goles de lembrança. Enquanto espero que ele volte, de
novo, a este pátio. Recordar tudo, de uma só vez, me dá sofrimento. Por isso, vou lembrando aos
25 poucos. Me debruço na varanda e a altura me tonteia. Quase vou na vertigem. Sabem o que
descobri? Que minha alma é feita de água. Não posso me debruçar tanto. Senão me entorno e
ainda morro vazia, sem gota.
Porque eu não sou por mim. Existo refletida, ardível em paixão. Como a lua: o que brilho é
por luz de outro. A luz desse amante, luz dançando na água. Mesmo que surja assim, agora,
30 distante e fria. Cinza de um cigarro nunca fumado.
Pedi-lhe que viesse uma vez mais. Para que, de novo, se despeça de mim. E passados os anos,
tantos que já nem cabem na lembrança, eu ainda choro como se fosse a primeira despedida.
Porque esse adeus, só esse aceno é meu, todo inteiramente meu. Um adeus à medida de meu
amor.
35 [...] Toda a vida acreditei: amor é os dois se duplicarem em um. Mas hoje sinto: ser um é
ainda muito. De mais. Ambiciono, sim, ser o múltiplo de nada, Ninguém no plural.
Ninguéns.
(COUTO, Mia. O fio das missangas. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. p.51-54.)
O texto de Mia Couto aborda, genericamente, o insucesso de relações amorosas.
Esse enfoque genérico é reforçado pelo uso do seguinte recurso textual:
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COM BASE NO TEXTO III, RESPONDA S QUESTÕES DE NÚMEROS 06 A 09.
TEXTO III
A despedideira
Há mulheres que querem que o seu homem seja o Sol. O meu quero-o nuvem. Há mulheres
que falam na voz do seu homem. O meu que seja calado e eu, nele, guarde meus silêncios. Para que
ele seja a minha voz quando Deus me pedir contas. [...]
Há muito tempo, me casei, também eu. Dispensei uma vida com esse alguém. Até que ele
5foi. Quando me deixou, já não me deixou a mim. Que eu já era outra, habilitada 5 a ser ninguém. s
vezes, contudo, ainda me adoece uma saudade desse homem. Lembro o tempo em que me encantei,
tudo era um princípio. Eu era nova, dezanovinha.
Quando ele me dirigiu palavra, nesse primeiríssimo dia, dei conta de que, até então, nunca
eu tinha falado com ninguém. O que havia feito era comerciar palavra, em negoceio de
10 sentimento. Falar é outra coisa, é essa ponte sagrada em que ficamos pendentes, suspensos sobre
o abismo. Falar é outra coisa, vos digo. Dessa vez, com esse homem, na palavra eu me divinizei.
Como perfume em que perdesse minha própria aparência. Me solvia na fala, insubstanciada.
Lembro desse encontro, dessa primogênita primeira vez. Como se aquele momento fosse,
afinal, toda minha vida. Aconteceu aqui, neste mesmo pátio em que agora o espero. Era uma
15 tarde boa para gente existir. O mundo cheirava a casa. O ar por ali parava. A brisa sem voar,
quase nidificava. Vez voz, os olhos e os olhares. Ele, em minha frente todo chegado como se a
sua única viagem tivesse sido para a minha vida.
No entanto, algo nele aparentava distância. [...]
Nesse mesmo pátio em que se estreava meu coração tudo iria, afinal, acabar. Porque ele
20 anunciou tudo nesse poente. Que a paixão dele desbrilhara. Sem mais nada, nem outra mulher
havendo. Só isso: a murchidão do que, antes, florescia. [...] O único intruso era o tempo, que nossa
rotina deixara crescer e pesar.
[...] Deixem-me agora evocar, aos goles de lembrança. Enquanto espero que ele volte, de
novo, a este pátio. Recordar tudo, de uma só vez, me dá sofrimento. Por isso, vou lembrando aos
25 poucos. Me debruço na varanda e a altura me tonteia. Quase vou na vertigem. Sabem o que
descobri? Que minha alma é feita de água. Não posso me debruçar tanto. Senão me entorno e
ainda morro vazia, sem gota.
Porque eu não sou por mim. Existo refletida, ardível em paixão. Como a lua: o que brilho é
por luz de outro. A luz desse amante, luz dançando na água. Mesmo que surja assim, agora,
30 distante e fria. Cinza de um cigarro nunca fumado.
Pedi-lhe que viesse uma vez mais. Para que, de novo, se despeça de mim. E passados os anos,
tantos que já nem cabem na lembrança, eu ainda choro como se fosse a primeira despedida.
Porque esse adeus, só esse aceno é meu, todo inteiramente meu. Um adeus à medida de meu
amor.
35 [...] Toda a vida acreditei: amor é os dois se duplicarem em um. Mas hoje sinto: ser um é
ainda muito. De mais. Ambiciono, sim, ser o múltiplo de nada, Ninguém no plural.
Ninguéns.
(COUTO, Mia. O fio das missangas. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. p.51-54.)
No Texto III, na busca do entendimento de si e do amor, a narradora aponta dois tipos de homem. De acordo com o primeiro parágrafo, homem-sol apresenta como traço marcante a
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COM BASE NO TEXTO III, RESPONDA S QUESTÕES DE NÚMEROS 06 A 09.
TEXTO III
A despedideira
Há mulheres que querem que o seu homem seja o Sol. O meu quero-o nuvem. Há mulheres
que falam na voz do seu homem. O meu que seja calado e eu, nele, guarde meus silêncios. Para que
ele seja a minha voz quando Deus me pedir contas. [...]
Há muito tempo, me casei, também eu. Dispensei uma vida com esse alguém. Até que ele
5foi. Quando me deixou, já não me deixou a mim. Que eu já era outra, habilitada 5 a ser ninguém. s
vezes, contudo, ainda me adoece uma saudade desse homem. Lembro o tempo em que me encantei,
tudo era um princípio. Eu era nova, dezanovinha.
Quando ele me dirigiu palavra, nesse primeiríssimo dia, dei conta de que, até então, nunca
eu tinha falado com ninguém. O que havia feito era comerciar palavra, em negoceio de
10 sentimento. Falar é outra coisa, é essa ponte sagrada em que ficamos pendentes, suspensos sobre
o abismo. Falar é outra coisa, vos digo. Dessa vez, com esse homem, na palavra eu me divinizei.
Como perfume em que perdesse minha própria aparência. Me solvia na fala, insubstanciada.
Lembro desse encontro, dessa primogênita primeira vez. Como se aquele momento fosse,
afinal, toda minha vida. Aconteceu aqui, neste mesmo pátio em que agora o espero. Era uma
15 tarde boa para gente existir. O mundo cheirava a casa. O ar por ali parava. A brisa sem voar,
quase nidificava. Vez voz, os olhos e os olhares. Ele, em minha frente todo chegado como se a
sua única viagem tivesse sido para a minha vida.
No entanto, algo nele aparentava distância. [...]
Nesse mesmo pátio em que se estreava meu coração tudo iria, afinal, acabar. Porque ele
20 anunciou tudo nesse poente. Que a paixão dele desbrilhara. Sem mais nada, nem outra mulher
havendo. Só isso: a murchidão do que, antes, florescia. [...] O único intruso era o tempo, que nossa
rotina deixara crescer e pesar.
[...] Deixem-me agora evocar, aos goles de lembrança. Enquanto espero que ele volte, de
novo, a este pátio. Recordar tudo, de uma só vez, me dá sofrimento. Por isso, vou lembrando aos
25 poucos. Me debruço na varanda e a altura me tonteia. Quase vou na vertigem. Sabem o que
descobri? Que minha alma é feita de água. Não posso me debruçar tanto. Senão me entorno e
ainda morro vazia, sem gota.
Porque eu não sou por mim. Existo refletida, ardível em paixão. Como a lua: o que brilho é
por luz de outro. A luz desse amante, luz dançando na água. Mesmo que surja assim, agora,
30 distante e fria. Cinza de um cigarro nunca fumado.
Pedi-lhe que viesse uma vez mais. Para que, de novo, se despeça de mim. E passados os anos,
tantos que já nem cabem na lembrança, eu ainda choro como se fosse a primeira despedida.
Porque esse adeus, só esse aceno é meu, todo inteiramente meu. Um adeus à medida de meu
amor.
35 [...] Toda a vida acreditei: amor é os dois se duplicarem em um. Mas hoje sinto: ser um é
ainda muito. De mais. Ambiciono, sim, ser o múltiplo de nada, Ninguém no plural.
Ninguéns.
(COUTO, Mia. O fio das missangas. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. p.51-54.)
TEXTO II
Casamento
Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
5ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como ‘este foi difícil’
‘prateou no ar dando rabanadas’
10e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
15Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.
(PRADO, Adélia. Terra de Santa Cruz, Rio de Janeiro: Record, 2006. p. 25.)
A QUESTÃO 06 REFERE-SE AOS TEXTOS II E III.
Tanto no poema de Adélia Prado quanto no conto de Mia Couto, a expressão “primeira vez” remete a momentos felizes:
“O silêncio de quando nos vimos a primeira vez / atravessa a cozinha como um rio profundo”
(Texto II, v. 11 e 12)
“Quando ele me dirigiu palavra, nesse primeiríssimo dia, dei conta de que, até então, nunca eu tinha falado com ninguém. [...] Dessa vez, com esse homem, na palavra eu me divinizei. [...] Lembro desse encontro, dessa primogênita primeira vez”.
(Texto III, l. 8-13)
O silêncio (Texto II) e a palavra (Texto III), tão marcantes no primeiro encontro de cada casal,
remetem, respectivamente à ideia de
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COM BASE NO TEXTO II, RESPONDA S QUESTÕES DE NÚMEROS 03 A 05.
TEXTO II
Casamento
Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
5ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como ‘este foi difícil’
‘prateou no ar dando rabanadas’
10e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
15Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.
(PRADO, Adélia. Terra de Santa Cruz, Rio de Janeiro: Record, 2006. p. 25.)
ele fala coisas como ‘este foi difícil’
‘prateou no ar dando rabanadas’ (v. 8 e 9)
Nesse trecho, há um recurso de coesão textual em que o termo sublinhado é retomado por meio de elipse.
Esse mesmo recurso está presente em
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COM BASE NO TEXTO II, RESPONDA S QUESTÕES DE NÚMEROS 03 A 05.
TEXTO II
Casamento
Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
5ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como ‘este foi difícil’
‘prateou no ar dando rabanadas’
10e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
15Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.
(PRADO, Adélia. Terra de Santa Cruz, Rio de Janeiro: Record, 2006. p. 25.)
O casamento é tratado sob dois pontos de vista. Para reforçar um deles, a autora faz uso de alguns recursos linguísticos.
O verso que, no poema, apresenta um desses recursos com seu respectivo efeito de sentido é
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COM BASE NO TEXTO II, RESPONDA S QUESTÕES DE NÚMEROS 03 A 05.
TEXTO II
Casamento
Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
5ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como ‘este foi difícil’
‘prateou no ar dando rabanadas’
10e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
15Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.
(PRADO, Adélia. Terra de Santa Cruz, Rio de Janeiro: Record, 2006. p. 25.)
O título do poema de Adélia Prado pode ser lido de forma diversa, tendo em vista as experiências do leitor. Nos três primeiros versos, há uma ideia de casamento que se contrapõe a outra, presente nos versos seguintes.
Pode-se dizer que a primeira e a segunda ideias se caracterizam, respectivamente, por
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COM BASE NO TEXTO I, RESPONDA S QUESTÕES DE NÚMEROS 01 E 02.
TEXTO I
Amar
Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer, amar e malamar,
amar, desamar, amar?
5 sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal,
senão rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
10 o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o cru,
15 um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
20 e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossa amar a água implícita,
e o beijo tácito, e a sede infinita.
(ANDRADE, Carlos Drummond de. Claro enigma. São Paulo: Companhia das Letras. 2012. p. 26.)
Amar
Vocabulário:
Expectante: aquele que espera, que observa.
Inerte: o que não possui movimento nem se consegue movimentar; imóvel.
Inóspito: local sem condições para ser habitado.
Pérfida: desleal; em que há traição, falsidade.
Rapina: ato de roubar astuciosa e violentamente.
Tácito: algo que é implícito ou que está subentendido.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
De acordo com a estrofe acima, o nosso destino é amar e se doar incondicionalmente. Para reforçar tal ideia, o poeta vale-se de
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COM BASE NO TEXTO I, RESPONDA S QUESTÕES DE NÚMEROS 01 E 02.
TEXTO I
Amar
Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer, amar e malamar,
amar, desamar, amar?
5 sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal,
senão rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
10 o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o cru,
15 um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
20 e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossa amar a água implícita,
e o beijo tácito, e a sede infinita.
(ANDRADE, Carlos Drummond de. Claro enigma. São Paulo: Companhia das Letras. 2012. p. 26.)
Amar
Vocabulário:
Expectante: aquele que espera, que observa.
Inerte: o que não possui movimento nem se consegue movimentar; imóvel.
Inóspito: local sem condições para ser habitado.
Pérfida: desleal; em que há traição, falsidade.
Rapina: ato de roubar astuciosa e violentamente.
Tácito: algo que é implícito ou que está subentendido.
Algumas estratégias argumentativas foram empregadas no Texto I para persuadir o leitor de que a opinião do eu lírico é um fato inquestionável.
A estratégia de persuasão presente no poema caracteriza-se de modo mais evidente pelo uso de
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