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Cabe aos profissionais da Odontologia dirigir ações que visem satisfazer as necessidades de saúde da população. Sobre os direitos fundamentais dos profissionais inscritos, segundo suas atribuições específicas, assinale a afirmativa incorreta.
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TEXTO I
O deus das pequenas coisas
1 Existe a grande ética, aquela analisada por Aristóteles e que fala das escolhas corretas para atingir a felicidade
2 verdadeira. Também a grande ética contemporânea trata da lisura nos negócios públicos e privados e inunda nossas manchetes
3 há alguns anos. A grande ética filosófica e politica é um debate fundamental e uma prática indispensável. Hoje quero tratar da
4 pequena ética, a etiqueta.
5 Muita gente imagina que aprender etiqueta é distinguir o copo correto para o vinho adequado, a maneira apropriada de
6 segurar o escargot ou instruções para que o uso da lavanda seja natural. Lembrem-se: alguém de família aristocrática nunca
7 precisou de uma aula sobre a lavanda porque nasceu vendo seu uso. O nosso nobre não aprendeu o correto uso do guardanapo
8 com uma professora de boas maneiras ou em algum livro, ele viu sua mãe usando desde a infância. O ramo formal da etiqueta
9 tem algumas regras de bom senso e outras absolutamente ridículas. Volto à origem do termo. No Antigo regime, quando alguém
10 que não pertencia ao circulo da polidez da nobreza ganhava um convite para visitar a corte, recebia uma etiqueta, um pequeno
11 "rótulo com as instruções do que fazer e do que não fazer.
12 Não quero falar do campo do uso de garfos e facas. Não desejo distribuir etiquetas de visita ao rei. Quero falar da etiqueta
13 como pequena ética. O centro da etiqueta é fazer com que meu comportamento exista em harmonia com os outros, sem perturbar,
14 invadir, desagradar ou agredir pessoas de forma intencional. Se a grande ética mira na convivência da polis e das suas
15 instituições, a pequena ética fala do respeito microfísico do poder da gentileza.
16 No recorte que quero abordar aqui, o primeiro passo é multiplicar expressões que me desloquem do centro do universo.
17 Com palavras e gestos, devo indicar que faço parte de um todo maior e que existo, mas não vivo isolado. Assim, por favor", "com
18 licença", "muito obrigado e o coloquial "me desculpe" indicam que desejo me harmonizar com outras pessoas, respeitar suas
19 existências. Todos os indivíduos que prestam favores, devem ser notados para retirá-los do seu caráter de robôs e reintegrá-los
20 ao mundo humano. O por favor e o "muito obrigado tem, ambos, o dom de aplainar o automatismo das ações, reconhecer que
21 existe um ser humano que esta me servindo e que, por pequeno que seja o gesto, deve ser notado. Se o gesto for feito por
22 alguém que não tem nenhuma necessidade de me dirigir uma ajuda, as expressões se tomam mais enfáticas ainda. Se a pessoa
23 que me serve, por motivos profissionais, cumpre seu estatuto laboral, as duas expressões revestem o servido com a aura da
24 gentileza e da humanidade, reconhecendo o bom serviço e o humano que ali trabalha e cumpre bem seu oficio.
25 Com licença" implica a plena consciência de que necessito invadir um espaço que não é meu. O coloquial e proclítico me
26 desculpe" afirma ao mundo minha falibilidade e meu arrependimento por um gesto ou expressão inadequados. Um pedido de
27 desculpas, pequeno ou grande, é o simbólico reconhecimento da nossa igualdade e de que somos perfectíveis, não perfeitos.
28 As quatro expressões utilizadas devem ser enunciadas de forma clara e olhando nos olhos da pessoa. Sem esse cuidado,
29 ingressam no campo do automatismo e deixam de ser uma pequena ética para se diluírem no campo oco da formalidade fria.
30 A cena se repete diariamente nos restaurantes. O individuo faz um pedido olhando para o prato ou pior, digitando algo no
31 celular. Sem contato visual e com a voz projetada para baixo, amiúde não é entendido e chega a se imitar com a falha que, na origem,
32 é dele. Depois, recebe o pedido e de novo não agradece ou sorri. Malgrado o gesto grosseiro e vulgar, utiliza o talher correto para o
33 peixe e harmoniza o vinho com sabedoria. Ele compreendeu o acessório e ignorou o principal. Se fosse um católico, saberia todas
34 as respostas da missa com clareza, só não sabe o sentido real da sua presença na igreja.
35 A etiqueta empurra nosso egocentrismo para a jornada de purificação e o começo da ascensão moral. A gentileza é a
36 chave de uma canastra idaudita que libera surpresas positivas. Ser gentil desarma cenhos e punhos. A gentileza é o deus das
37 pequenas coisas, o antidoto ao Neandertal permanente que nos acompanha no trânsito, a mesa e no leito. A grosseria é densa
38 e esconde nosso ser dos outros, pois é uma defesa. A gentileza traz à tona o melhor de cada um.
39 De tudo o que já escrevi na vida, este é o que mais preciso ler, reler, refletir e tentar seguir o que recomendo aos
40 Outros. Meu troglodita interno é vivo, forte e altivo. Sob a pátina de civilizado há em mim um homem primitivo e tosco. É uma luta.
41 Sou derrotado com frequência, todavia tento, tento e tento novamente. Todas as muitas vezes que eu não consigo, peço licença
42 a vocês, dou meu muito obrigado ao carinho e, por favor, aceitem meu proclítico 'me desculpem".
KARNAL, Leandro. O coração das coisas. São Paulo: Contexto, 2019.
No trecho “A gentileza traz à tona o melhor de cada um” (l. 38), a ocorrência da crase deu-se de forma correta, atendendo à Norma Padrão da Língua Portuguesa. Assinale a alternativa em que a ocorrência da crase não obedece às exigências da norma padrão citada.
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TEXTO I
O deus das pequenas coisas
1 Existe a grande ética, aquela analisada por Aristóteles e que fala das escolhas corretas para atingir a felicidade
2 verdadeira. Também a grande ética contemporânea trata da lisura nos negócios públicos e privados e inunda nossas manchetes
3 há alguns anos. A grande ética filosófica e politica é um debate fundamental e uma prática indispensável. Hoje quero tratar da
4 pequena ética, a etiqueta.
5 Muita gente imagina que aprender etiqueta é distinguir o copo correto para o vinho adequado, a maneira apropriada de
6 segurar o escargot ou instruções para que o uso da lavanda seja natural. Lembrem-se: alguém de família aristocrática nunca
7 precisou de uma aula sobre a lavanda porque nasceu vendo seu uso. O nosso nobre não aprendeu o correto uso do guardanapo
8 com uma professora de boas maneiras ou em algum livro, ele viu sua mãe usando desde a infância. O ramo formal da etiqueta
9 tem algumas regras de bom senso e outras absolutamente ridículas. Volto à origem do termo. No Antigo regime, quando alguém
10 que não pertencia ao circulo da polidez da nobreza ganhava um convite para visitar a corte, recebia uma etiqueta, um pequeno
11 "rótulo com as instruções do que fazer e do que não fazer.
12 Não quero falar do campo do uso de garfos e facas. Não desejo distribuir etiquetas de visita ao rei. Quero falar da etiqueta
13 como pequena ética. O centro da etiqueta é fazer com que meu comportamento exista em harmonia com os outros, sem perturbar,
14 invadir, desagradar ou agredir pessoas de forma intencional. Se a grande ética mira na convivência da polis e das suas
15 instituições, a pequena ética fala do respeito microfísico do poder da gentileza.
16 No recorte que quero abordar aqui, o primeiro passo é multiplicar expressões que me desloquem do centro do universo.
17 Com palavras e gestos, devo indicar que faço parte de um todo maior e que existo, mas não vivo isolado. Assim, por favor", "com
18 licença", "muito obrigado e o coloquial "me desculpe" indicam que desejo me harmonizar com outras pessoas, respeitar suas
19 existências. Todos os indivíduos que prestam favores, devem ser notados para retirá-los do seu caráter de robôs e reintegrá-los
20 ao mundo humano. O por favor e o "muito obrigado tem, ambos, o dom de aplainar o automatismo das ações, reconhecer que
21 existe um ser humano que esta me servindo e que, por pequeno que seja o gesto, deve ser notado. Se o gesto for feito por
22 alguém que não tem nenhuma necessidade de me dirigir uma ajuda, as expressões se tomam mais enfáticas ainda. Se a pessoa
23 que me serve, por motivos profissionais, cumpre seu estatuto laboral, as duas expressões revestem o servido com a aura da
24 gentileza e da humanidade, reconhecendo o bom serviço e o humano que ali trabalha e cumpre bem seu oficio.
25 Com licença" implica a plena consciência de que necessito invadir um espaço que não é meu. O coloquial e proclítico me
26 desculpe" afirma ao mundo minha falibilidade e meu arrependimento por um gesto ou expressão inadequados. Um pedido de
27 desculpas, pequeno ou grande, é o simbólico reconhecimento da nossa igualdade e de que somos perfectíveis, não perfeitos.
28 As quatro expressões utilizadas devem ser enunciadas de forma clara e olhando nos olhos da pessoa. Sem esse cuidado,
29 ingressam no campo do automatismo e deixam de ser uma pequena ética para se diluírem no campo oco da formalidade fria.
30 A cena se repete diariamente nos restaurantes. O individuo faz um pedido olhando para o prato ou pior, digitando algo no
31 celular. Sem contato visual e com a voz projetada para baixo, amiúde não é entendido e chega a se imitar com a falha que, na origem,
32 é dele. Depois, recebe o pedido e de novo não agradece ou sorri. Malgrado o gesto grosseiro e vulgar, utiliza o talher correto para o
33 peixe e harmoniza o vinho com sabedoria. Ele compreendeu o acessório e ignorou o principal. Se fosse um católico, saberia todas
34 as respostas da missa com clareza, só não sabe o sentido real da sua presença na igreja.
35 A etiqueta empurra nosso egocentrismo para a jornada de purificação e o começo da ascensão moral. A gentileza é a
36 chave de uma canastra idaudita que libera surpresas positivas. Ser gentil desarma cenhos e punhos. A gentileza é o deus das
37 pequenas coisas, o antidoto ao Neandertal permanente que nos acompanha no trânsito, a mesa e no leito. A grosseria é densa
38 e esconde nosso ser dos outros, pois é uma defesa. A gentileza traz à tona o melhor de cada um.
39 De tudo o que já escrevi na vida, este é o que mais preciso ler, reler, refletir e tentar seguir o que recomendo aos
40 Outros. Meu troglodita interno é vivo, forte e altivo. Sob a pátina de civilizado há em mim um homem primitivo e tosco. É uma luta.
41 Sou derrotado com frequência, todavia tento, tento e tento novamente. Todas as muitas vezes que eu não consigo, peço licença
42 a vocês, dou meu muito obrigado ao carinho e, por favor, aceitem meu proclítico 'me desculpem".
KARNAL, Leandro. O coração das coisas. São Paulo: Contexto, 2019.
Analise as assertivas a seguir:
I. No trecho “...ele viu sua mãe usando desde a infância” (l. 8), a palavra destacada é acentuada, pois trata-se de uma paroxítona terminada em ditongo.
II. Em “... deixam de ser uma pequena ética para se diluírem no campo oco da formalidade fria” (l. 29), o vocábulo em destaque segue a regra de acentuação das paroxítonas terminadas em EM.
III. Na oração “Sob a pátina de civilizado há em mim um homem primitivo e tosco” (l. 40), a palavra sublinhada é acentuada, pois segue a regra de acentuação das proparoxítonas.
É correto o que se afirma
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TEXTO I
O deus das pequenas coisas
1 Existe a grande ética, aquela analisada por Aristóteles e que fala das escolhas corretas para atingir a felicidade
2 verdadeira. Também a grande ética contemporânea trata da lisura nos negócios públicos e privados e inunda nossas manchetes
3 há alguns anos. A grande ética filosófica e politica é um debate fundamental e uma prática indispensável. Hoje quero tratar da
4 pequena ética, a etiqueta.
5 Muita gente imagina que aprender etiqueta é distinguir o copo correto para o vinho adequado, a maneira apropriada de
6 segurar o escargot ou instruções para que o uso da lavanda seja natural. Lembrem-se: alguém de família aristocrática nunca
7 precisou de uma aula sobre a lavanda porque nasceu vendo seu uso. O nosso nobre não aprendeu o correto uso do guardanapo
8 com uma professora de boas maneiras ou em algum livro, ele viu sua mãe usando desde a infância. O ramo formal da etiqueta
9 tem algumas regras de bom senso e outras absolutamente ridículas. Volto à origem do termo. No Antigo regime, quando alguém
10 que não pertencia ao circulo da polidez da nobreza ganhava um convite para visitar a corte, recebia uma etiqueta, um pequeno
11 "rótulo com as instruções do que fazer e do que não fazer.
12 Não quero falar do campo do uso de garfos e facas. Não desejo distribuir etiquetas de visita ao rei. Quero falar da etiqueta
13 como pequena ética. O centro da etiqueta é fazer com que meu comportamento exista em harmonia com os outros, sem perturbar,
14 invadir, desagradar ou agredir pessoas de forma intencional. Se a grande ética mira na convivência da polis e das suas
15 instituições, a pequena ética fala do respeito microfísico do poder da gentileza.
16 No recorte que quero abordar aqui, o primeiro passo é multiplicar expressões que me desloquem do centro do universo.
17 Com palavras e gestos, devo indicar que faço parte de um todo maior e que existo, mas não vivo isolado. Assim, por favor", "com
18 licença", "muito obrigado e o coloquial "me desculpe" indicam que desejo me harmonizar com outras pessoas, respeitar suas
19 existências. Todos os indivíduos que prestam favores, devem ser notados para retirá-los do seu caráter de robôs e reintegrá-los
20 ao mundo humano. O por favor e o "muito obrigado tem, ambos, o dom de aplainar o automatismo das ações, reconhecer que
21 existe um ser humano que esta me servindo e que, por pequeno que seja o gesto, deve ser notado. Se o gesto for feito por
22 alguém que não tem nenhuma necessidade de me dirigir uma ajuda, as expressões se tomam mais enfáticas ainda. Se a pessoa
23 que me serve, por motivos profissionais, cumpre seu estatuto laboral, as duas expressões revestem o servido com a aura da
24 gentileza e da humanidade, reconhecendo o bom serviço e o humano que ali trabalha e cumpre bem seu oficio.
25 Com licença" implica a plena consciência de que necessito invadir um espaço que não é meu. O coloquial e proclítico me
26 desculpe" afirma ao mundo minha falibilidade e meu arrependimento por um gesto ou expressão inadequados. Um pedido de
27 desculpas, pequeno ou grande, é o simbólico reconhecimento da nossa igualdade e de que somos perfectíveis, não perfeitos.
28 As quatro expressões utilizadas devem ser enunciadas de forma clara e olhando nos olhos da pessoa. Sem esse cuidado,
29 ingressam no campo do automatismo e deixam de ser uma pequena ética para se diluírem no campo oco da formalidade fria.
30 A cena se repete diariamente nos restaurantes. O individuo faz um pedido olhando para o prato ou pior, digitando algo no
31 celular. Sem contato visual e com a voz projetada para baixo, amiúde não é entendido e chega a se imitar com a falha que, na origem,
32 é dele. Depois, recebe o pedido e de novo não agradece ou sorri. Malgrado o gesto grosseiro e vulgar, utiliza o talher correto para o
33 peixe e harmoniza o vinho com sabedoria. Ele compreendeu o acessório e ignorou o principal. Se fosse um católico, saberia todas
34 as respostas da missa com clareza, só não sabe o sentido real da sua presença na igreja.
35 A etiqueta empurra nosso egocentrismo para a jornada de purificação e o começo da ascensão moral. A gentileza é a
36 chave de uma canastra idaudita que libera surpresas positivas. Ser gentil desarma cenhos e punhos. A gentileza é o deus das
37 pequenas coisas, o antidoto ao Neandertal permanente que nos acompanha no trânsito, a mesa e no leito. A grosseria é densa
38 e esconde nosso ser dos outros, pois é uma defesa. A gentileza traz à tona o melhor de cada um.
39 De tudo o que já escrevi na vida, este é o que mais preciso ler, reler, refletir e tentar seguir o que recomendo aos
40 Outros. Meu troglodita interno é vivo, forte e altivo. Sob a pátina de civilizado há em mim um homem primitivo e tosco. É uma luta.
41 Sou derrotado com frequência, todavia tento, tento e tento novamente. Todas as muitas vezes que eu não consigo, peço licença
42 a vocês, dou meu muito obrigado ao carinho e, por favor, aceitem meu proclítico 'me desculpem".
KARNAL, Leandro. O coração das coisas. São Paulo: Contexto, 2019.
Na passagem “(...) o primeiro passo é multiplicar expressões que me desloquem do centro do universo.” (l. 16), o pronome oblíquo destacado está proclítico em relação ao verbo, atendendo à norma padrão da Língua Portuguesa. Assinale a alternativa em que a posição do pronome oblíquo em relação ao verbo não atende à norma padrão citada.
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TEXTO I
O deus das pequenas coisas
1 Existe a grande ética, aquela analisada por Aristóteles e que fala das escolhas corretas para atingir a felicidade
2 verdadeira. Também a grande ética contemporânea trata da lisura nos negócios públicos e privados e inunda nossas manchetes
3 há alguns anos. A grande ética filosófica e politica é um debate fundamental e uma prática indispensável. Hoje quero tratar da
4 pequena ética, a etiqueta.
5 Muita gente imagina que aprender etiqueta é distinguir o copo correto para o vinho adequado, a maneira apropriada de
6 segurar o escargot ou instruções para que o uso da lavanda seja natural. Lembrem-se: alguém de família aristocrática nunca
7 precisou de uma aula sobre a lavanda porque nasceu vendo seu uso. O nosso nobre não aprendeu o correto uso do guardanapo
8 com uma professora de boas maneiras ou em algum livro, ele viu sua mãe usando desde a infância. O ramo formal da etiqueta
9 tem algumas regras de bom senso e outras absolutamente ridículas. Volto à origem do termo. No Antigo regime, quando alguém
10 que não pertencia ao circulo da polidez da nobreza ganhava um convite para visitar a corte, recebia uma etiqueta, um pequeno
11 "rótulo com as instruções do que fazer e do que não fazer.
12 Não quero falar do campo do uso de garfos e facas. Não desejo distribuir etiquetas de visita ao rei. Quero falar da etiqueta
13 como pequena ética. O centro da etiqueta é fazer com que meu comportamento exista em harmonia com os outros, sem perturbar,
14 invadir, desagradar ou agredir pessoas de forma intencional. Se a grande ética mira na convivência da polis e das suas
15 instituições, a pequena ética fala do respeito microfísico do poder da gentileza.
16 No recorte que quero abordar aqui, o primeiro passo é multiplicar expressões que me desloquem do centro do universo.
17 Com palavras e gestos, devo indicar que faço parte de um todo maior e que existo, mas não vivo isolado. Assim, por favor", "com
18 licença", "muito obrigado e o coloquial "me desculpe" indicam que desejo me harmonizar com outras pessoas, respeitar suas
19 existências. Todos os indivíduos que prestam favores, devem ser notados para retirá-los do seu caráter de robôs e reintegrá-los
20 ao mundo humano. O por favor e o "muito obrigado tem, ambos, o dom de aplainar o automatismo das ações, reconhecer que
21 existe um ser humano que esta me servindo e que, por pequeno que seja o gesto, deve ser notado. Se o gesto for feito por
22 alguém que não tem nenhuma necessidade de me dirigir uma ajuda, as expressões se tomam mais enfáticas ainda. Se a pessoa
23 que me serve, por motivos profissionais, cumpre seu estatuto laboral, as duas expressões revestem o servido com a aura da
24 gentileza e da humanidade, reconhecendo o bom serviço e o humano que ali trabalha e cumpre bem seu oficio.
25 Com licença" implica a plena consciência de que necessito invadir um espaço que não é meu. O coloquial e proclítico me
26 desculpe" afirma ao mundo minha falibilidade e meu arrependimento por um gesto ou expressão inadequados. Um pedido de
27 desculpas, pequeno ou grande, é o simbólico reconhecimento da nossa igualdade e de que somos perfectíveis, não perfeitos.
28 As quatro expressões utilizadas devem ser enunciadas de forma clara e olhando nos olhos da pessoa. Sem esse cuidado,
29 ingressam no campo do automatismo e deixam de ser uma pequena ética para se diluírem no campo oco da formalidade fria.
30 A cena se repete diariamente nos restaurantes. O individuo faz um pedido olhando para o prato ou pior, digitando algo no
31 celular. Sem contato visual e com a voz projetada para baixo, amiúde não é entendido e chega a se imitar com a falha que, na origem,
32 é dele. Depois, recebe o pedido e de novo não agradece ou sorri. Malgrado o gesto grosseiro e vulgar, utiliza o talher correto para o
33 peixe e harmoniza o vinho com sabedoria. Ele compreendeu o acessório e ignorou o principal. Se fosse um católico, saberia todas
34 as respostas da missa com clareza, só não sabe o sentido real da sua presença na igreja.
35 A etiqueta empurra nosso egocentrismo para a jornada de purificação e o começo da ascensão moral. A gentileza é a
36 chave de uma canastra idaudita que libera surpresas positivas. Ser gentil desarma cenhos e punhos. A gentileza é o deus das
37 pequenas coisas, o antidoto ao Neandertal permanente que nos acompanha no trânsito, a mesa e no leito. A grosseria é densa
38 e esconde nosso ser dos outros, pois é uma defesa. A gentileza traz à tona o melhor de cada um.
39 De tudo o que já escrevi na vida, este é o que mais preciso ler, reler, refletir e tentar seguir o que recomendo aos
40 Outros. Meu troglodita interno é vivo, forte e altivo. Sob a pátina de civilizado há em mim um homem primitivo e tosco. É uma luta.
41 Sou derrotado com frequência, todavia tento, tento e tento novamente. Todas as muitas vezes que eu não consigo, peço licença
42 a vocês, dou meu muito obrigado ao carinho e, por favor, aceitem meu proclítico 'me desculpem".
KARNAL, Leandro. O coração das coisas. São Paulo: Contexto, 2019.
Assinale a alternativa em que a palavra “QUE” constitui uma conjunção integrante.
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TEXTO I
O deus das pequenas coisas
1 Existe a grande ética, aquela analisada por Aristóteles e que fala das escolhas corretas para atingir a felicidade
2 verdadeira. Também a grande ética contemporânea trata da lisura nos negócios públicos e privados e inunda nossas manchetes
3 há alguns anos. A grande ética filosófica e politica é um debate fundamental e uma prática indispensável. Hoje quero tratar da
4 pequena ética, a etiqueta.
5 Muita gente imagina que aprender etiqueta é distinguir o copo correto para o vinho adequado, a maneira apropriada de
6 segurar o escargot ou instruções para que o uso da lavanda seja natural. Lembrem-se: alguém de família aristocrática nunca
7 precisou de uma aula sobre a lavanda porque nasceu vendo seu uso. O nosso nobre não aprendeu o correto uso do guardanapo
8 com uma professora de boas maneiras ou em algum livro, ele viu sua mãe usando desde a infância. O ramo formal da etiqueta
9 tem algumas regras de bom senso e outras absolutamente ridículas. Volto à origem do termo. No Antigo regime, quando alguém
10 que não pertencia ao circulo da polidez da nobreza ganhava um convite para visitar a corte, recebia uma etiqueta, um pequeno
11 "rótulo com as instruções do que fazer e do que não fazer.
12 Não quero falar do campo do uso de garfos e facas. Não desejo distribuir etiquetas de visita ao rei. Quero falar da etiqueta
13 como pequena ética. O centro da etiqueta é fazer com que meu comportamento exista em harmonia com os outros, sem perturbar,
14 invadir, desagradar ou agredir pessoas de forma intencional. Se a grande ética mira na convivência da polis e das suas
15 instituições, a pequena ética fala do respeito microfísico do poder da gentileza.
16 No recorte que quero abordar aqui, o primeiro passo é multiplicar expressões que me desloquem do centro do universo.
17 Com palavras e gestos, devo indicar que faço parte de um todo maior e que existo, mas não vivo isolado. Assim, por favor", "com
18 licença", "muito obrigado e o coloquial "me desculpe" indicam que desejo me harmonizar com outras pessoas, respeitar suas
19 existências. Todos os indivíduos que prestam favores, devem ser notados para retirá-los do seu caráter de robôs e reintegrá-los
20 ao mundo humano. O por favor e o "muito obrigado tem, ambos, o dom de aplainar o automatismo das ações, reconhecer que
21 existe um ser humano que esta me servindo e que, por pequeno que seja o gesto, deve ser notado. Se o gesto for feito por
22 alguém que não tem nenhuma necessidade de me dirigir uma ajuda, as expressões se tomam mais enfáticas ainda. Se a pessoa
23 que me serve, por motivos profissionais, cumpre seu estatuto laboral, as duas expressões revestem o servido com a aura da
24 gentileza e da humanidade, reconhecendo o bom serviço e o humano que ali trabalha e cumpre bem seu oficio.
25 Com licença" implica a plena consciência de que necessito invadir um espaço que não é meu. O coloquial e proclítico me
26 desculpe" afirma ao mundo minha falibilidade e meu arrependimento por um gesto ou expressão inadequados. Um pedido de
27 desculpas, pequeno ou grande, é o simbólico reconhecimento da nossa igualdade e de que somos perfectíveis, não perfeitos.
28 As quatro expressões utilizadas devem ser enunciadas de forma clara e olhando nos olhos da pessoa. Sem esse cuidado,
29 ingressam no campo do automatismo e deixam de ser uma pequena ética para se diluírem no campo oco da formalidade fria.
30 A cena se repete diariamente nos restaurantes. O individuo faz um pedido olhando para o prato ou pior, digitando algo no
31 celular. Sem contato visual e com a voz projetada para baixo, amiúde não é entendido e chega a se imitar com a falha que, na origem,
32 é dele. Depois, recebe o pedido e de novo não agradece ou sorri. Malgrado o gesto grosseiro e vulgar, utiliza o talher correto para o
33 peixe e harmoniza o vinho com sabedoria. Ele compreendeu o acessório e ignorou o principal. Se fosse um católico, saberia todas
34 as respostas da missa com clareza, só não sabe o sentido real da sua presença na igreja.
35 A etiqueta empurra nosso egocentrismo para a jornada de purificação e o começo da ascensão moral. A gentileza é a
36 chave de uma canastra idaudita que libera surpresas positivas. Ser gentil desarma cenhos e punhos. A gentileza é o deus das
37 pequenas coisas, o antidoto ao Neandertal permanente que nos acompanha no trânsito, a mesa e no leito. A grosseria é densa
38 e esconde nosso ser dos outros, pois é uma defesa. A gentileza traz à tona o melhor de cada um.
39 De tudo o que já escrevi na vida, este é o que mais preciso ler, reler, refletir e tentar seguir o que recomendo aos
40 Outros. Meu troglodita interno é vivo, forte e altivo. Sob a pátina de civilizado há em mim um homem primitivo e tosco. É uma luta.
41 Sou derrotado com frequência, todavia tento, tento e tento novamente. Todas as muitas vezes que eu não consigo, peço licença
42 a vocês, dou meu muito obrigado ao carinho e, por favor, aceitem meu proclítico 'me desculpem".
KARNAL, Leandro. O coração das coisas. São Paulo: Contexto, 2019.
Na passagem “Muita gente imagina que aprender etiqueta é distinguir o copo correto para o vinho adequado...” (l. 5), a oração destacada é classificada como
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Dr. Pedro enviou convites, através de mensagem de texto privada, aos seus pacientes antigos, ofertando uma aplicação de toxina botulínica ou uma profilaxia gratuita aos primeiros 50 pacientes que agendassem e comparecessem à consulta em seu consultório particular. A ação não foi divulgada em redes sociais. Levando em consideração essa suposta situação clínica, assinale a alternativa correta.
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João atendeu Maria em seu consultório odontológico e, durante o atendimento, percebeu que Maria apresentava os sintomas de coronavírus. Questionando Maria, esta confirmou que estava no terceiro dia de confirmação do vírus. João, então, informou à recepção que Maria estava infectada e adotou as medidas de vigilância sanitárias necessárias. Em seguida, Maria processou João por quebra de sigilo profissional entre cirurgião-dentista e paciente. A respeito da situação hipotética apresentada, assinale a alternativa correta.
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Consideram-se estabelecimentos de interesse à saúde e sujeitos a fiscalização, exceto
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A respeito do exercício legal da profissão de cirurgião dentista, atribua V para as assertivas verdadeiras e F para as assertivas falsas:
( ) | Somente poderá exercer a odontologia o cirurgião dentista habilitado por escola ou faculdade oficial ou reconhecida, após o registro do diploma na Diretoria do ensino superior, no serviço nacional de fiscalização de odontologia, sob cuja jurisdição se achar o local de sua atividade. |
( ) | Poderão exercer a odontologia no território nacional os habilitados por escolas estrangeiras, ainda que sem a revalidação do diploma e satisfeitas exigências do serviço nacional de fiscalização de odontologia. |
( ) | Poderão exercer a odontologia no território nacional os recém-formados, após ter concluído o curso, ainda que não tenham recebido o diploma. |
( ) | Poderá exercer a odontologia no território nacional, aquele que, mesmo com o diploma, não fez os registros exigidos |
( ) | Poderá exercer a odontologia o técnico de prótese dentária (TPD) que presta atendimento a cliente sem vinculação a um cirurgião dentista. |
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, no sentido de cima para baixo.
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