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O velho da roça perguntou: — Quanto é a batata, moço? — É dez. — Lá embaixo tem de oito, falou querendo mais parecer cidadão. — Por que não comprou lá embaixo, então? O velho acomodou aquilo como pôde na capanga vazia e engoliu em seco, de repente mais fino, mais murcho, a cabeça dele parecendo a cabecinha de um boneco com um chapéu. Deu um passo atrás, ainda olhando pro dono, e saiu como um cachorro. Glória largou suas compras no balcão, enojada de suas batatas, de seu pacote de manteiga, do seu miserável poder de comprar coisas a Cr$ 10,00 o quilo e ser tratada como primeira-ministra pelo boçal avarento.
Nessa passagem, a situação de tensão entre os personagens revela a
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Definem-se lutas como disputas em que os oponentes devem ser subjugados, mediante as técnicas e estratégias de desequilíbrio, contusão e imobilização, ou exclusão de determinado espaço na combinação de ações de ataque e defesa. Caracterizam-se por uma regulamentação específica, a fim de punir atitudes de violência e de deslealdade. Pode-se também entendê-las como de suma importância no desenvolvimento das pessoas. É possível realizar estímulos para o praticante entender o significado das lutas tanto como esporte quanto como reflexão e relaxamento. Assim, é importante lembrar que elas não são somente técnicas sistematizadas, mas também um conjunto de valores culturais construídos e reconstruídos ao longo do tempo, os quais devem ser pensados como instrumentos de aprendizagem e socialização.
Esse texto apresenta uma reflexão crítica sobre as lutas com base no(a)
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TEXTO I
Antes do século 19, época em que as fábricas de porcelana europeias conseguiam produzir bens baratos e de alta qualidade, as gravuras e cerâmicas daquele continente, principalmente estatuetas de figuras humanas, animais e pássaros, eram levadas à China, para serem copiadas e transformadas em serviços de mesa e enfeites em porcelana. Esses itens eram produzidos especialmente para encomendas ocidentais e não eram usados na China. Muitos destinavam-se a ornar prateleiras e nichos especialmente instalados em elegantes casas europeias, criando “salas chinesas” ou enfeitando gabinetes.
TEXTO II

Os traços orientais do rosto da estátua indicam a
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A roda dos não ausentes
O nada e o não,
ausência alguma,
borda em mim o empecilho.
Há tempos treino
o equilíbrio sobre
esse alquebrado corpo,
e, se inteira fui,
cada pedaço que guardo de mim
tem na memória o anelar
de outros pedaços.
E da história que me resta
estilhaçados sons esculpem
partes de uma música inteira.
Traço então a nossa roda gira-gira
em que os de ontem, os de hoje,
e os de amanhã se reconhecem
nos pedaços uns dos outros.
Inteiros.
Nesse poema, a expressividade construída pelo eu lírico remete ao(à)
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S. Exa., o leitor
Deus é testemunha de que nada tenho contra os leitores. Pelo contrário, se não existissem esses seres abnegados, não haveria livros nem jornais, e eu teria morrido de fome há anos. Mas vamos e venhamos, não podemos nos escravizar a eles, bajulando-os, procurando adivinhar o que pensam ou desejam. Ao contrário dos restaurantes e dos balcões comerciais, nem sempre os fregueses do nosso produto têm razão. Leio com atenção as cartas que as Redações recebem. [...] Raro é o dia em que não aparece um leitor furibundo comunicando que não mais assinará nem lerá o jornal por causa de um editorial, uma notícia ou um comentário que ele não aprovou.
Trabalhei durante anos num jornal que até o dia 1º de abril de 1964 criticava o governo de então. Veio o golpe militar e já no dia 2 o jornal passou a criticar o novo regime que se instalava no país. Naquele tempo, o jornal tinha uns 150 mil assinantes, era troço pra burro. [...] Com a mudança na opinião, a cólera dos leitores foi tal e tamanha que a tiragem chegou à metade. Dois meses depois, o estoque de papel, que deveria durar um ano, foi consumido pelas rotativas, as vendas triplicaram. O jornal era vendido até no câmbio paralelo.
Não mudara a linha editorial, que era liberal e continuou liberal, defendendo a democracia e o respeito aos direitos humanos violentados pela nova classe que chegara ao poder.
Não tinha nenhum compromisso partidário. Alguns leitores custaram a perceber isso.
Nas crônicas, de um modo geral, a linguagem caracteriza-se pela alternância dos registros formal e informal. O emprego do pronome de tratamento, em “S. Exa., o leitor”, justifica-se pela intenção de
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A gramática em cordel
Grupo de duas vogais
Numa sílaba em Português
Sabemos que é um ditongo.
Tritongo, quando é de três
E sendo em sílabas vizinhas,
É hiato, dessa vez.
[...]
O substantivo vem,
Depois, a preposição.
Adjetivo, advérbio,
Vem agora a conjunção.
Numeral, artigo, verbo,
Pronome e interjeição.
[...]
Acho ser conveniente
Falar-se em preposição —
É palavra invariável,
Que sempre faz ligação
A outras duas palavras
E exprime posição.
Nesse cordel, além da função poética, também está presente a função metalinguística, pois ocorre a
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Durante a cerimônia de abertura do movimento Maio Amarelo, a Secretaria Nacional de Trânsito, o Observatório Nacional de Segurança Viária e os Correios lançaram o selo personalizado e o carimbo comemorativo dos 10 anos do Maio Amarelo.
O dirigente do Observatório destacou: “A campanha foi produzida a partir de um movimento de toda a sociedade, e esse movimento é composto pelas mais diversas esferas. Nela, faremos um chamamento: ‘No trânsito, escolha a vida!’, que embasa toda essa campanha e que tem o objetivo de chamar a atenção da sociedade para a questão de fazer boas escolhas”.

Nesse texto, a função da linguagem presente no chamamento “No trânsito, escolha a vida!” reforça o objetivo de
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O Vêneto brasileiro
O talian é uma língua forjada a partir do encontro, ocorrido em terras brasileiras, de imigrantes falantes de dialetos da região do Vêneto, na atual Itália, e possui expressivo contingente de falantes no sul do Brasil. Atualmente, as comunidades que utilizam o talian são mais encontradas nos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Há municípios, como Serafina Corrêa, no Rio Grande do Sul, em que o talian é língua oficial, assim como o português.
Estudos do Grupo de Trabalho da Diversidade Linguística, multissetorial, indicam que cerca de 500 mil pessoas utilizam o idioma no Brasil, em diversas regiões. Há, inclusive, estações de rádio na Região Sul e no sul da Região Centro-Oeste em que se transmitem programas em talian. No Rio Grande do Sul, o idioma já é patrimônio cultural imaterial oficial. Ainda sobre a disseminação da língua, em 2013 foi lançada a revista Talian Brasil. Alora, ou, como se diz em português, então, não há motivos para não catalogar o máximo possível a cultura trazida por essas comunidades, pois o idioma já é considerado uma língua nacional brasileira.
Nesse texto, o talian é apontado como parte do patrimônio linguístico brasileiro, pois
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No Brasil que não respira “é tudo pra ontem”
Pandemia de fumaça, seca e calor traz de volta os versos de Emicida que nos acolheram nos anos da covid
O desânimo que toma conta de mim está espelhado nos olhos de quem encontro nestes dias de fumaça e fogo. Escrevo do centro de São Paulo, quando a temperatura atinge 34 graus e a umidade despenca para menos de 20%. “Já houve dias piores”, me lembra o vizinho, “esse agora é o novo normal”.
Agora a gente entra e sai, mas sem respirar, morrendo a cada dia um pouquinho no fogo que queima de norte a sul, de leste a oeste, destruindo nossas riquezas compartilhadas. “Viver é partir, voltar e repartir, morte é quando a tragédia vira um costume”, canta Emicida em É tudo pra ontem.
É uma tragédia sem fronteiras, como a covid, e dessa vez não podemos apontar para um vírus nem apelar para as vacinas. Os culpados somos nós. Mesmo que sejam “os outros” a botar o fogo, há quanto tempo consentimos?
Nesse texto, há uma estratégia argumentativa de comparação utilizada para alertar sobre a gravidade do problema abordado. Essa estratégia revela-se no trecho:
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Não posso ser professor se não percebo cada vez melhor que, por não poder ser neutra, minha prática exige de mim uma definição. Uma tomada de posição. Sou professor a favor da decência contra o despudor, a favor da liberdade contra o autoritarismo, da autoridade contra a licenciosidade, da democracia contra a ditadura de direita ou de esquerda. Sou professor a favor da luta constante contra qualquer forma de discriminação, contra a dominação econômica dos indivíduos ou das classes sociais. Sou professor contra a ordem capitalista vigente que inventou esta aberração: a miséria na fartura. Sou professor a favor da esperança que me anima apesar de tudo. Sou professor contra o desengano que me consome e imobiliza.
Para reforçar o ponto de vista do autor, a progressão temática nesse texto é marcada pelo(a)
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