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As cotas para negros e a desigualdade brasileira
O sucesso das políticas públicas depende da definição clara dos problemas que elas querem combater, bem como da adoção de medidas que acertem o alvo correto. Essa pequena digressão técnica é necessária para tornar mais preciso um debate que está no centro da agenda pública: a questão das cotas para negros em universidades. Para que serviria essa política discutida hoje de forma tão radical? Com certeza ela não seria capaz de atenuar o sofrimento dos negros durante a escravidão.(b)
Quanto a isso, o máximo que podemos fazer é lembrar sempre dessa mácula(b) da história brasileira.
É importante frisar isso porque alguns revisionistas têm argumentado que a população negra não sofreu tanto assim, pois alguns dos africanos foram traficantes e outros, quando libertos, logo(c) compravam seu “escravinho”. Há ainda(c) a tese, arrancada à força do pensamento de Gilberto Freyre, de que a convivência entre brancos e negros fora “pacífica”. Afinal, milhares de estupros foram “consentidos”. [...]
Apresentar o debate da escravidão de forma completamente distorcida não ajuda o debate das cotas. Não que as desigualdades atuais sejam fruto apenas da escravidão. É bem provável que muito da situação atual se explique pela falta de políticas no pós-escravidão. Mas um fato é evidente nos estudos empíricos: há desigualdade entre brancos e negros com mesma situação de renda e escolaridade.
[...] Recentemente, coordenei uma pesquisa sobre escolas públicas e um dos pesquisadores presenciou o que só conhecíamos por estatística. Numa sala de aula com alunos em situação equivalente de pobreza, havia uma divisão na qual, de um lado, ficavam os brancos e, de outro, os negros. Isso se repetia no intervalo. Pior: o tratamento docente era francamente favorável aos brancos. Conversamos com a professora e com a diretora: nenhuma delas havia percebido essa discriminação. Um racismo tão invisível e enraizado é difícil de combater apenas com políticas iguais para todos. Para questões como essa, deveria valer a máxima, de tratar desigualmente os desiguais para alcançar a justiça social.
Não pense, leitor, que o problema está resolvido, pois a forma como for feita a política afirmativa, termo mais correto que cotas, afetará os resultados. Cotas muito amplas e sem nenhum critério de mérito não podem ser um desestímulo para o estudo dos negros?(d) Ademais, o cotismo não poderia se transformar numa política racialista que geraria uma tensão inexistente em nossa sociedade? São perguntas fundamentadas (e não ideológicas) em termos de políticas públicas.
Para elas, deve haver respostas ainda no terreno das políticas afirmativas.
(ABRUCIO, Fernando. Revista Época, Globo, Rio de Janeiro, 22 mar. 2010, p. 51.)
Sobre a construção do texto, NÃO se pode afirmar que
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Palavreado
“Lorota”, para mim, é uma manicura gorda. É explorada pelo namorado, Falcatrua. Vivem juntos num pitéu, um apartamento pequeno. Um dia batem na porta. É Martelo, o inspetor italiano.
- Dove está il tuo megano?
- Meu quê?
- Il fistulado del tuo matagoso umbráculo.
- O Falcatrua? Está trabalhando.
- Sei. Com sua tragada de perônios. Magarefe, Barroco, Cantochão e Acepipe. Conheço bem o quintal.
São uns melindres de marca maior.
- Que foi que o Falcatrua fez?
- Está vendendo falácia inglesa enlatada.
- E daí?
- Daí que dentro da lata não tem nada. Parco manolo!
(VERISSIMO, Luís Fernando. Comédias para se ler na escola.
Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. p. 76.)
O modo como o cronista lida com determinadas palavras no texto o aproxima do procedimento poético que
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Leia o texto abaixo.
Certa feita, tirando minhas dúvidas em português, me deparei com a seguinte frase: a turma é boa; às vezes, na sala de aula fazem bagunça. O coletivo exige o verbo na terceira pessoa do singular. No entanto o autor explicava que se tratava de silepse de número. Quer dizer o verbo concorda com o que está implícito no coletivo, os rapazes, as moças etc.
30/11/2009 10:56 - Deodato Lopes
(RECANTO DAS LETRAS. Disponível em: <http://66.228.120.252/gramatica/875742>.
Acesso em: 3 mar. 2010.)
Considerando a definição de silepse exposta, a alternativa que apresenta tal fenômeno é
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As cotas para negros e a desigualdade brasileira
O sucesso das políticas públicas depende da definição clara dos problemas que elas querem combater, bem como da adoção de medidas que acertem o alvo correto. Essa pequena digressão técnica é necessária para tornar mais preciso um debate que está no centro da agenda pública:(a) a questão das cotas para negros em universidades. Para que serviria essa política discutida hoje de forma tão radical? Com certeza ela não seria capaz de atenuar o sofrimento dos negros durante a escravidão.
Quanto a isso, o máximo que podemos fazer é lembrar sempre dessa mácula da história brasileira.
É importante frisar isso porque alguns revisionistas têm argumentado que a população negra não sofreu tanto assim, pois alguns dos africanos foram traficantes e outros, quando libertos, logo compravam seu “escravinho”. Há ainda a tese, arrancada à força do pensamento de Gilberto Freyre, de que a convivência entre brancos e negros fora “pacífica”. Afinal, milhares de estupros foram “consentidos”. [...]
Apresentar o debate da escravidão de forma completamente distorcida não ajuda o debate das cotas.(b) Não que as desigualdades atuais sejam fruto apenas da escravidão. É bem provável que muito da situação atual se explique pela falta de políticas no pós-escravidão. Mas um fato é evidente nos estudos empíricos: há desigualdade entre brancos e negros com mesma situação de renda e escolaridade.
[...] Recentemente, coordenei uma pesquisa sobre escolas públicas e um dos pesquisadores presenciou o que só conhecíamos por estatística. Numa sala de aula com alunos em situação equivalente de pobreza, havia uma divisão na qual, de um lado, ficavam os brancos e, de outro, os negros.(c) Isso se repetia no intervalo. Pior: o tratamento docente era francamente favorável aos brancos. Conversamos com a professora e com a diretora: nenhuma delas havia percebido essa discriminação. Um racismo tão invisível e enraizado é difícil de combater apenas com políticas iguais para todos. Para questões como essa, deveria valer a máxima, de tratar desigualmente os desiguais para alcançar a justiça social.
Não pense, leitor, que o problema está resolvido, pois a forma como for feita a política afirmativa, termo mais correto que cotas, afetará os resultados. Cotas muito amplas e sem nenhum critério de mérito não podem ser um desestímulo para o estudo dos negros? Ademais, o cotismo não poderia se transformar numa política racialista que geraria uma tensão inexistente em nossa sociedade?(d) São perguntas fundamentadas (e não ideológicas) em termos de políticas públicas.
Para elas, deve haver respostas ainda no terreno das políticas afirmativas.
(ABRUCIO, Fernando. Revista Época, Globo, Rio de Janeiro, 22 mar. 2010, p. 51.)
Qual das frases a seguir apresenta uma construção condenada pela Gramática normativa?
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1382463
Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: IF-SUL
Orgão: IF-SUL
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: IF-SUL
Orgão: IF-SUL
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Compare os seguintes poemas.
Discreta e formosíssima Maria,
Enquanto estamos vendo a qualquer hora
Em tuas faces a rosa da Aurora,
Em teus olhos, e boca o Sol, e o dia:
Enquanto com gentil descortesia
O ar, que fresco Adônis te namora,
Te espalha a rica trança voadora,
Quando vem passear-te pela fria:
Goza, goza da flor da mocidade,
Que o tempo trota a toda ligeireza,
E imprime em toda a flor sua pisada.
Oh não aguardes, que a madura idade
Te converta em flor, essa beleza
Em terra, em cinza, em pó, em sombra em nada.
Gregório de Matos Guerra
Ilustre e hermosíssima Maria
mientras se dejan ver a cualquier hora
en tus mejillas la rosada aurora
Febo en tus ojos, y en tu frente el dia
y mientras con gentil descortesia
mueve el viento la hebra voladora
que la Aravbia en sus venas atesora
e el rico Tajo en sus arenas cria
goza cuello, cabello, lábio y frente
antes que lo que fué en tu edad dorada,
oro, lírio, clavel, cristal luciente,
no solo en plata o viola troncada
se vuleva, mas tu y ello juntamente
en tierra, en humo, en polvo, en sombra, en nada.
Luís de Góngora
É característica do Barroco verificável no soneto de Gregório de Matos Guerra
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Leia os textos a seguir.
Texto 1
Para um homem se ver a si mesmo são necessárias três coisas: olhos, espelho e luz. Se tem espelho e é cego, não se pode ver por falta de olhos; se tem espelho e olhos, e é de noite, não se pode ver por falta de luz. Logo, há mister luz, há mister espelho, e há mister olhos. Que coisa é a conversão de uma alma senão entrar um homem dentro em si, e ver-se a si mesmo? Para esta vista são necessários olhos, é necessária luz e é necessário espelho. O pregador concorre com o espelho, que é a doutrina; Deus concorre com a luz, que é a graça; o homem concorre com os olhos, que é o conhecimento.
(VIEIRA, Antônio. Sermão da Sexagésima.)
Texto 2
Imperfeito
Eu sei que meu amor
É imperfeito
Mas se ele deixar, vou lhe mostrar
O quanto também
Tenho defeito
Não é pra me gabar
Mas rio do que faço
Eu devia chorar
Eu sei o mal que fiz
Já está feito
Mas lhe pedi perdão, por ser assim
E o coração que
Tenho no peito
Não quer acreditar
Já nem estou mais aqui
Nem em qualquer lugar
Lá vai se embora meu mundo sem mim...
O que há de errado em ser tão errado assim?
Já vou saindo, não precisa empurrar...
Pois meu maior defeito é insistir
Que ele é perfeito,
Que é pura crueldade pedir pra ele mudar
Nem luz, nem espelho,
Nem olhos pra enxergar
Acho que sou alguém
Que nunca vai mudar.
[...]
(ULHOA, John. Isopor. São Paulo: BMG, 1999.
1 CD (3 min. 42seg.). Faixa 5.)
O conectivo “e” normalmente é usado como conjunção coordenativa aditiva. No entanto, isso NÃO ocorre na alternativa:
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1378093
Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: IF-SUL
Orgão: IF-SUL
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: IF-SUL
Orgão: IF-SUL
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Leia o seguinte trecho, extraído do romance São Bernardo.
Conheci que Madalena era boa em demasia, mas não conheci tudo de uma vez. Ela se revelou pouco a pouco, e nunca se revelou inteiramente. A culpa foi minha, ou antes, a culpa foi desta vida agreste, que me deu uma alma agreste.
E, falando assim, compreendo que perco o tempo. Com efeito, se me escapa o retrato moral de minha mulher, para que serve esta narrativa? Para nada, mas sou forçado a escrever. [...]
Procuro recordar o que dizíamos. Impossível. As minhas palavras eram apenas palavras, reprodução imperfeita de fatos exteriores, e as dela tinham alguma coisa que não consigo exprimir.
(RAMOS, Graciliano. São Bernardo. 34. ed. Rio de Janeiro: Record, 1979. p. 101-102.)
Em relação ao romance, as seguintes afirmações são corretas, EXCETO
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1376028
Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: IF-SUL
Orgão: IF-SUL
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: IF-SUL
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Para responder esta questão, considere o fragmento abaixo.
[...] Era um modo que o Prudêncio tinha de se desfazer das pancadas recebidas – transmitindo-as a outro. Eu, em criança, montava-o, punha-lhe um freio na boca, e desancava-o sem compaixão; ele gemia e sofria. Agora, porém, que era livre, dispunha de si mesmo, dos braços, das pernas, podia trabalhar, folgar, dormir, desagrilhoado da antiga condição, agora é que ele se desbancava: comprou um escravo, e ia-lhe pagando, com alto juro, as quantias que de mim recebera. Vejam as sutilezas do maroto!
(ASSIS, Machado de. Memórias póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Abril Cultural, 1978. p. 100.)
Analise as afirmações a seguir e marque (V) para verdadeiro e (F) para falso. O trecho citado
( ) compõe-se de uma digressão metalinguística típica do estilo machadiano.
( ) recria literariamente fato histórico referido por Fernando Abrucio no texto sobre desigualdades raciais.
( ) apresenta ironia referencial através da percepção do narrador da contradição entre condição atual e passada de Prudêncio.
A sequência correta é:
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Palavreado
“Lorota”, para mim, é uma manicura gorda. É explorada pelo namorado, Falcatrua. Vivem juntos num pitéu, um apartamento pequeno. Um dia batem na porta. É Martelo, o inspetor italiano.
- Dove está il tuo megano?
- Meu quê?
- Il fistulado del tuo matagoso umbráculo.
- O Falcatrua? Está trabalhando.
- Sei. Com sua tragada de perônios. Magarefe, Barroco, Cantochão e Acepipe. Conheço bem o quintal.
São uns melindres de marca maior.
- Que foi que o Falcatrua fez?
- Está vendendo falácia inglesa enlatada.
- E daí?
- Daí que dentro da lata não tem nada. Parco manolo!
(VERISSIMO, Luís Fernando. Comédias para se ler na escola.
Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. p. 76.)
Há, no texto, o predomínio da cena sobre sumário. Por isso, o foco narrativo dominante é
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1372052
Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: IF-SUL
Orgão: IF-SUL
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: IF-SUL
Orgão: IF-SUL
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Em São Bernardo, o foco narrativo modela sua verdadeira força expressiva porque projeta o nível de consciência da personagem em:
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