Foram encontradas 235 questões.
A ideia de que uma nova tecnologia está estragando a língua reaparece sempre que nossos
hábitos de comunicação se transformam. Uma mensagem como “kd vc?” pode levar alguém a
imaginar que seu autor desaprendeu a escrever. Entretanto, a mesma pessoa que emprega essa
abreviação em uma conversa informal pode escrever de outra forma em um currículo, em um
trabalho acadêmico ou em uma solicitação profissional. Isso revela uma capacidade importante de
ajustar a linguagem às diferentes situações da vida.
A Linguística Aplicada procura compreender essas práticas antes de julgá-las. Nas redes
sociais e nos aplicativos, combinamos palavras, áudios, imagens, vídeos, emojis, GIFs e links.
Também aprendemos a interpretar sinais muito sutis. Um ponto final pode ser apenas um sinal de
pontuação em determinado texto e parecer frio, ríspido ou irritado em uma conversa pelo
WhatsApp. Um emoji pode suavizar uma frase, sugerir ironia ou alterar completamente o seu
sentido. Tudo isso exige competências comunicativas complexas.
O linguista Alastair Pennycook nos ajuda a perceber outra dimensão dessa discussão. Para ele,
as ideias que temos sobre a linguagem foram profundamente marcadas por uma tradição europeia
e colonial que transformou determinadas formas de falar e escrever em padrões supostamente
universais. Por isso, classificar uma prática linguística como pobre, errada ou inferior nunca é um
gesto completamente inocente. Precisamos perguntar quem estabeleceu o padrão, quais grupos
sociais são reconhecidos por ele e quais vozes acabam tratadas como menos legítimas.
A escrita digital torna essa disputa muito visível. Muitas práticas condenadas como sinais de
empobrecimento são, na verdade, demonstrações de criatividade, adaptação e pertencimento.
Memes, abreviações, variações ortográficas e combinações entre texto e imagem podem expressar
humor, identidade, intimidade e crítica social. Isso não significa que todas as formas de escrita
sirvam igualmente para qualquer situação. Significa reconhecer que saber uma língua envolve
circular entre diferentes registros e compreender os efeitos das escolhas realizadas.
Também precisamos considerar que as plataformas interferem nessas práticas. Elas promovem
algumas formas de expressão, reduzem a visibilidade de outras e estabelecem limites para aquilo
que pode circular. A linguagem digital, portanto, não se desenvolve em um espaço neutro. Ela está
atravessada por relações comerciais, raciais, culturais e políticas.
É importante salientar que não estamos assistindo ao empobrecimento da língua. Estamos
diante da ampliação e da diversificação de nossos recursos comunicativos. O desafio consiste em
garantir que essa ampliação venha acompanhada de formação crítica, para que as pessoas saibam
produzir sentidos, reconhecer desigualdades e compreender por que algumas formas de falar e
escrever recebem mais prestígio do que outras.
ARAÚJO, Júlio. “O feed é uma seleção orientada por interesses políticos, econômicos e ideológicos”. Entrevista. Entre, UFC, v.3, n.1, 2026. Disponível em: https://aentre.com.br/entrevistas/o-feed-e-uma-selecao-orientada-por-interesses-politicos-economicos-e-ideologicos/. Acesso em: 13 set. 2026.
Provas
A ideia de que uma nova tecnologia está estragando a língua reaparece sempre que nossos
hábitos de comunicação se transformam. Uma mensagem como “kd vc?” pode levar alguém a
imaginar que seu autor desaprendeu a escrever. Entretanto, a mesma pessoa que emprega essa
abreviação em uma conversa informal pode escrever de outra forma em um currículo, em um
trabalho acadêmico ou em uma solicitação profissional. Isso revela uma capacidade importante de
ajustar a linguagem às diferentes situações da vida.
A Linguística Aplicada procura compreender essas práticas antes de julgá-las. Nas redes
sociais e nos aplicativos, combinamos palavras, áudios, imagens, vídeos, emojis, GIFs e links.
Também aprendemos a interpretar sinais muito sutis. Um ponto final pode ser apenas um sinal de
pontuação em determinado texto e parecer frio, ríspido ou irritado em uma conversa pelo
WhatsApp. Um emoji pode suavizar uma frase, sugerir ironia ou alterar completamente o seu
sentido. Tudo isso exige competências comunicativas complexas.
O linguista Alastair Pennycook nos ajuda a perceber outra dimensão dessa discussão. Para ele,
as ideias que temos sobre a linguagem foram profundamente marcadas por uma tradição europeia
e colonial que transformou determinadas formas de falar e escrever em padrões supostamente
universais. Por isso, classificar uma prática linguística como pobre, errada ou inferior nunca é um
gesto completamente inocente. Precisamos perguntar quem estabeleceu o padrão, quais grupos
sociais são reconhecidos por ele e quais vozes acabam tratadas como menos legítimas.
A escrita digital torna essa disputa muito visível. Muitas práticas condenadas como sinais de
empobrecimento são, na verdade, demonstrações de criatividade, adaptação e pertencimento.
Memes, abreviações, variações ortográficas e combinações entre texto e imagem podem expressar
humor, identidade, intimidade e crítica social. Isso não significa que todas as formas de escrita
sirvam igualmente para qualquer situação. Significa reconhecer que saber uma língua envolve
circular entre diferentes registros e compreender os efeitos das escolhas realizadas.
Também precisamos considerar que as plataformas interferem nessas práticas. Elas promovem
algumas formas de expressão, reduzem a visibilidade de outras e estabelecem limites para aquilo
que pode circular. A linguagem digital, portanto, não se desenvolve em um espaço neutro. Ela está
atravessada por relações comerciais, raciais, culturais e políticas.
É importante salientar que não estamos assistindo ao empobrecimento da língua. Estamos
diante da ampliação e da diversificação de nossos recursos comunicativos. O desafio consiste em
garantir que essa ampliação venha acompanhada de formação crítica, para que as pessoas saibam
produzir sentidos, reconhecer desigualdades e compreender por que algumas formas de falar e
escrever recebem mais prestígio do que outras.
ARAÚJO, Júlio. “O feed é uma seleção orientada por interesses políticos, econômicos e ideológicos”. Entrevista. Entre, UFC, v.3, n.1, 2026. Disponível em: https://aentre.com.br/entrevistas/o-feed-e-uma-selecao-orientada-por-interesses-politicos-economicos-e-ideologicos/. Acesso em: 13 set. 2026.
Provas
A ideia de que uma nova tecnologia está estragando a língua reaparece sempre que nossos
hábitos de comunicação se transformam. Uma mensagem como “kd vc?” pode levar alguém a
imaginar que seu autor desaprendeu a escrever. Entretanto, a mesma pessoa que emprega essa
abreviação em uma conversa informal pode escrever de outra forma em um currículo, em um
trabalho acadêmico ou em uma solicitação profissional. Isso revela uma capacidade importante de
ajustar a linguagem às diferentes situações da vida.
A Linguística Aplicada procura compreender essas práticas antes de julgá-las. Nas redes
sociais e nos aplicativos, combinamos palavras, áudios, imagens, vídeos, emojis, GIFs e links.
Também aprendemos a interpretar sinais muito sutis. Um ponto final pode ser apenas um sinal de
pontuação em determinado texto e parecer frio, ríspido ou irritado em uma conversa pelo
WhatsApp. Um emoji pode suavizar uma frase, sugerir ironia ou alterar completamente o seu
sentido. Tudo isso exige competências comunicativas complexas.
O linguista Alastair Pennycook nos ajuda a perceber outra dimensão dessa discussão. Para ele,
as ideias que temos sobre a linguagem foram profundamente marcadas por uma tradição europeia
e colonial que transformou determinadas formas de falar e escrever em padrões supostamente
universais. Por isso, classificar uma prática linguística como pobre, errada ou inferior nunca é um
gesto completamente inocente. Precisamos perguntar quem estabeleceu o padrão, quais grupos
sociais são reconhecidos por ele e quais vozes acabam tratadas como menos legítimas.
A escrita digital torna essa disputa muito visível. Muitas práticas condenadas como sinais de
empobrecimento são, na verdade, demonstrações de criatividade, adaptação e pertencimento.
Memes, abreviações, variações ortográficas e combinações entre texto e imagem podem expressar
humor, identidade, intimidade e crítica social. Isso não significa que todas as formas de escrita
sirvam igualmente para qualquer situação. Significa reconhecer que saber uma língua envolve
circular entre diferentes registros e compreender os efeitos das escolhas realizadas.
Também precisamos considerar que as plataformas interferem nessas práticas. Elas promovem
algumas formas de expressão, reduzem a visibilidade de outras e estabelecem limites para aquilo
que pode circular. A linguagem digital, portanto, não se desenvolve em um espaço neutro. Ela está
atravessada por relações comerciais, raciais, culturais e políticas.
É importante salientar que não estamos assistindo ao empobrecimento da língua. Estamos
diante da ampliação e da diversificação de nossos recursos comunicativos. O desafio consiste em
garantir que essa ampliação venha acompanhada de formação crítica, para que as pessoas saibam
produzir sentidos, reconhecer desigualdades e compreender por que algumas formas de falar e
escrever recebem mais prestígio do que outras.
ARAÚJO, Júlio. “O feed é uma seleção orientada por interesses políticos, econômicos e ideológicos”. Entrevista. Entre, UFC, v.3, n.1, 2026. Disponível em: https://aentre.com.br/entrevistas/o-feed-e-uma-selecao-orientada-por-interesses-politicos-economicos-e-ideologicos/. Acesso em: 13 set. 2026.
Provas
A ideia de que uma nova tecnologia está estragando a língua reaparece sempre que nossos
hábitos de comunicação se transformam. Uma mensagem como “kd vc?” pode levar alguém a
imaginar que seu autor desaprendeu a escrever. Entretanto, a mesma pessoa que emprega essa
abreviação em uma conversa informal pode escrever de outra forma em um currículo, em um
trabalho acadêmico ou em uma solicitação profissional. Isso revela uma capacidade importante de
ajustar a linguagem às diferentes situações da vida.
A Linguística Aplicada procura compreender essas práticas antes de julgá-las. Nas redes
sociais e nos aplicativos, combinamos palavras, áudios, imagens, vídeos, emojis, GIFs e links.
Também aprendemos a interpretar sinais muito sutis. Um ponto final pode ser apenas um sinal de
pontuação em determinado texto e parecer frio, ríspido ou irritado em uma conversa pelo
WhatsApp. Um emoji pode suavizar uma frase, sugerir ironia ou alterar completamente o seu
sentido. Tudo isso exige competências comunicativas complexas.
O linguista Alastair Pennycook nos ajuda a perceber outra dimensão dessa discussão. Para ele,
as ideias que temos sobre a linguagem foram profundamente marcadas por uma tradição europeia
e colonial que transformou determinadas formas de falar e escrever em padrões supostamente
universais. Por isso, classificar uma prática linguística como pobre, errada ou inferior nunca é um
gesto completamente inocente. Precisamos perguntar quem estabeleceu o padrão, quais grupos
sociais são reconhecidos por ele e quais vozes acabam tratadas como menos legítimas.
A escrita digital torna essa disputa muito visível. Muitas práticas condenadas como sinais de
empobrecimento são, na verdade, demonstrações de criatividade, adaptação e pertencimento.
Memes, abreviações, variações ortográficas e combinações entre texto e imagem podem expressar
humor, identidade, intimidade e crítica social. Isso não significa que todas as formas de escrita
sirvam igualmente para qualquer situação. Significa reconhecer que saber uma língua envolve
circular entre diferentes registros e compreender os efeitos das escolhas realizadas.
Também precisamos considerar que as plataformas interferem nessas práticas. Elas promovem
algumas formas de expressão, reduzem a visibilidade de outras e estabelecem limites para aquilo
que pode circular. A linguagem digital, portanto, não se desenvolve em um espaço neutro. Ela está
atravessada por relações comerciais, raciais, culturais e políticas.
É importante salientar que não estamos assistindo ao empobrecimento da língua. Estamos
diante da ampliação e da diversificação de nossos recursos comunicativos. O desafio consiste em
garantir que essa ampliação venha acompanhada de formação crítica, para que as pessoas saibam
produzir sentidos, reconhecer desigualdades e compreender por que algumas formas de falar e
escrever recebem mais prestígio do que outras.
ARAÚJO, Júlio. “O feed é uma seleção orientada por interesses políticos, econômicos e ideológicos”. Entrevista. Entre, UFC, v.3, n.1, 2026. Disponível em: https://aentre.com.br/entrevistas/o-feed-e-uma-selecao-orientada-por-interesses-politicos-economicos-e-ideologicos/. Acesso em: 13 set. 2026.
Provas
A ideia de que uma nova tecnologia está estragando a língua reaparece sempre que nossos
hábitos de comunicação se transformam. Uma mensagem como “kd vc?” pode levar alguém a
imaginar que seu autor desaprendeu a escrever. Entretanto, a mesma pessoa que emprega essa
abreviação em uma conversa informal pode escrever de outra forma em um currículo, em um
trabalho acadêmico ou em uma solicitação profissional. Isso revela uma capacidade importante de
ajustar a linguagem às diferentes situações da vida.
A Linguística Aplicada procura compreender essas práticas antes de julgá-las. Nas redes
sociais e nos aplicativos, combinamos palavras, áudios, imagens, vídeos, emojis, GIFs e links.
Também aprendemos a interpretar sinais muito sutis. Um ponto final pode ser apenas um sinal de
pontuação em determinado texto e parecer frio, ríspido ou irritado em uma conversa pelo
WhatsApp. Um emoji pode suavizar uma frase, sugerir ironia ou alterar completamente o seu
sentido. Tudo isso exige competências comunicativas complexas.
O linguista Alastair Pennycook nos ajuda a perceber outra dimensão dessa discussão. Para ele,
as ideias que temos sobre a linguagem foram profundamente marcadas por uma tradição europeia
e colonial que transformou determinadas formas de falar e escrever em padrões supostamente
universais. Por isso, classificar uma prática linguística como pobre, errada ou inferior nunca é um
gesto completamente inocente. Precisamos perguntar quem estabeleceu o padrão, quais grupos
sociais são reconhecidos por ele e quais vozes acabam tratadas como menos legítimas.
A escrita digital torna essa disputa muito visível. Muitas práticas condenadas como sinais de
empobrecimento são, na verdade, demonstrações de criatividade, adaptação e pertencimento.
Memes, abreviações, variações ortográficas e combinações entre texto e imagem podem expressar
humor, identidade, intimidade e crítica social. Isso não significa que todas as formas de escrita
sirvam igualmente para qualquer situação. Significa reconhecer que saber uma língua envolve
circular entre diferentes registros e compreender os efeitos das escolhas realizadas.
Também precisamos considerar que as plataformas interferem nessas práticas. Elas promovem
algumas formas de expressão, reduzem a visibilidade de outras e estabelecem limites para aquilo
que pode circular. A linguagem digital, portanto, não se desenvolve em um espaço neutro. Ela está
atravessada por relações comerciais, raciais, culturais e políticas.
É importante salientar que não estamos assistindo ao empobrecimento da língua. Estamos
diante da ampliação e da diversificação de nossos recursos comunicativos. O desafio consiste em
garantir que essa ampliação venha acompanhada de formação crítica, para que as pessoas saibam
produzir sentidos, reconhecer desigualdades e compreender por que algumas formas de falar e
escrever recebem mais prestígio do que outras.
ARAÚJO, Júlio. “O feed é uma seleção orientada por interesses políticos, econômicos e ideológicos”. Entrevista. Entre, UFC, v.3, n.1, 2026. Disponível em: https://aentre.com.br/entrevistas/o-feed-e-uma-selecao-orientada-por-interesses-politicos-economicos-e-ideologicos/. Acesso em: 13 set. 2026.
Provas
- SintaxeFrase, Oração e PeríodoOração SubordinadaSubordinada Reduzida
- SintaxeFrase, Oração e PeríodoOração SubordinadaSubordinadas Adverbial
Chega-me do Japão, por essas correntes que atravessam o mundo mais depressa que
qualquer vírus que já estudei, a notícia de que o psicólogo Hideki Wada escreveu um livro
chamado "A parede dos 80 Anos" e vendeu, num sopro, meio milhão de exemplares. Caminha
para o milhão. O Japão inteiro, ao que parece, quer aprender a envelhecer. Como se já não
fossem experts no assunto.
[...] Fui ler as frases com a desconfiança profissional de quem sempre duvida de gurus. [...]
E eis que descubro que o best-seller japonês foi escrito, na verdade, pela minha avó em Ibiá, por
volta de 1958. Atualmente, contribui para a obra a avó da Joana, Maria Helena Andrés (1
anos) [...].
"Quanto mais você mastigar, mais ativos estarão seu cérebro e seu corpo". Minha avó dizia
isso à mesa, sem cobrar nada, enquanto o frango caipira esfriava no prato. "Tomar sol traz
felicidade" — descoberta que qualquer lagartixa do quintal da fazenda já havia patenteado.
"Continue caminhando" — em Ibiá não havia alternativa: caminhava-se para a escola, para a
missa, para a venda, para lugar nenhum, que era o destino mais frequentado da cidade.
O doutor Wada recomenda ainda: "Estar sozinho não é solidão; é passar o tempo em paz".
Isso, no interior de Minas, chama-se sentar no banco da praça ao entardecer. Não precisou de
livro. Precisou de banco.
[...] Tenho posto em prática o primeiro mandamento — continue caminhando — sob a
supervisão rigorosa do Sushi, meu cãozinho salsicha, personal trainer mais baixo e mais
implacável de que se tem notícia. Todo fim de tarde ele me olha com aqueles olhos de quem já
leu Hideki Wada no original e me arrasta para a rua. Caminhamos os dois, cada um no seu
ritmo, ele farejando o mundo, eu ruminando crônicas. O doutor Wada aprovaria: exercício, sol,
alegria e uma companhia que não discute política.
[...] Se algum dia eu chegar à tal parede dos 80, não pretendo escalá-la, nem derrubá-la.
Pretendo encostar nela como quem encosta no muro da infância ao entardecer, esperando o
vizinho aparecer do outro lado para uma prosa. Porque envelhecer, aprendi com o doutor Wada,
com minha avó de Ibiá, Vó Helena e com nosso presidente, não é bater na parede. É descobrir
que a parede, bem olhada, sempre foi janela.
STARLING, Carlos. Estado de Minas. 04/08/2026. Disponível em: https://www.em.com.br/colunistas/carlos-starling/2026/08/7473216-bem-viver-o-muro-dos-80-anos.html. Acesso em 12 set. 20
Provas
Chega-me do Japão, por essas correntes que atravessam o mundo mais depressa que
qualquer vírus que já estudei, a notícia de que o psicólogo Hideki Wada escreveu um livro
chamado "A parede dos 80 Anos" e vendeu, num sopro, meio milhão de exemplares. Caminha
para o milhão. O Japão inteiro, ao que parece, quer aprender a envelhecer. Como se já não
fossem experts no assunto.
[...] Fui ler as frases com a desconfiança profissional de quem sempre duvida de gurus. [...]
E eis que descubro que o best-seller japonês foi escrito, na verdade, pela minha avó em Ibiá, por
volta de 1958. Atualmente, contribui para a obra a avó da Joana, Maria Helena Andrés (1
anos) [...].
"Quanto mais você mastigar, mais ativos estarão seu cérebro e seu corpo". Minha avó dizia
isso à mesa, sem cobrar nada, enquanto o frango caipira esfriava no prato. "Tomar sol traz
felicidade" — descoberta que qualquer lagartixa do quintal da fazenda já havia patenteado.
"Continue caminhando" — em Ibiá não havia alternativa: caminhava-se para a escola, para a
missa, para a venda, para lugar nenhum, que era o destino mais frequentado da cidade.
O doutor Wada recomenda ainda: "Estar sozinho não é solidão; é passar o tempo em paz".
Isso, no interior de Minas, chama-se sentar no banco da praça ao entardecer. Não precisou de
livro. Precisou de banco.
[...] Tenho posto em prática o primeiro mandamento — continue caminhando — sob a
supervisão rigorosa do Sushi, meu cãozinho salsicha, personal trainer mais baixo e mais
implacável de que se tem notícia. Todo fim de tarde ele me olha com aqueles olhos de quem já
leu Hideki Wada no original e me arrasta para a rua. Caminhamos os dois, cada um no seu
ritmo, ele farejando o mundo, eu ruminando crônicas. O doutor Wada aprovaria: exercício, sol,
alegria e uma companhia que não discute política.
[...] Se algum dia eu chegar à tal parede dos 80, não pretendo escalá-la, nem derrubá-la.
Pretendo encostar nela como quem encosta no muro da infância ao entardecer, esperando o
vizinho aparecer do outro lado para uma prosa. Porque envelhecer, aprendi com o doutor Wada,
com minha avó de Ibiá, Vó Helena e com nosso presidente, não é bater na parede. É descobrir
que a parede, bem olhada, sempre foi janela.
STARLING, Carlos. Estado de Minas. 04/08/2026. Disponível em: https://www.em.com.br/colunistas/carlos-starling/2026/08/7473216-bem-viver-o-muro-dos-80-anos.html. Acesso em 12 set. 20
Provas
Chega-me do Japão, por essas correntes que atravessam o mundo mais depressa que
qualquer vírus que já estudei, a notícia de que o psicólogo Hideki Wada escreveu um livro
chamado "A parede dos 80 Anos" e vendeu, num sopro, meio milhão de exemplares. Caminha
para o milhão. O Japão inteiro, ao que parece, quer aprender a envelhecer. Como se já não
fossem experts no assunto.
[...] Fui ler as frases com a desconfiança profissional de quem sempre duvida de gurus. [...]
E eis que descubro que o best-seller japonês foi escrito, na verdade, pela minha avó em Ibiá, por
volta de 1958. Atualmente, contribui para a obra a avó da Joana, Maria Helena Andrés (1
anos) [...].
"Quanto mais você mastigar, mais ativos estarão seu cérebro e seu corpo". Minha avó dizia
isso à mesa, sem cobrar nada, enquanto o frango caipira esfriava no prato. "Tomar sol traz
felicidade" — descoberta que qualquer lagartixa do quintal da fazenda já havia patenteado.
"Continue caminhando" — em Ibiá não havia alternativa: caminhava-se para a escola, para a
missa, para a venda, para lugar nenhum, que era o destino mais frequentado da cidade.
O doutor Wada recomenda ainda: "Estar sozinho não é solidão; é passar o tempo em paz".
Isso, no interior de Minas, chama-se sentar no banco da praça ao entardecer. Não precisou de
livro. Precisou de banco.
[...] Tenho posto em prática o primeiro mandamento — continue caminhando — sob a
supervisão rigorosa do Sushi, meu cãozinho salsicha, personal trainer mais baixo e mais
implacável de que se tem notícia. Todo fim de tarde ele me olha com aqueles olhos de quem já
leu Hideki Wada no original e me arrasta para a rua. Caminhamos os dois, cada um no seu
ritmo, ele farejando o mundo, eu ruminando crônicas. O doutor Wada aprovaria: exercício, sol,
alegria e uma companhia que não discute política.
[...] Se algum dia eu chegar à tal parede dos 80, não pretendo escalá-la, nem derrubá-la.
Pretendo encostar nela como quem encosta no muro da infância ao entardecer, esperando o
vizinho aparecer do outro lado para uma prosa. Porque envelhecer, aprendi com o doutor Wada,
com minha avó de Ibiá, Vó Helena e com nosso presidente, não é bater na parede. É descobrir
que a parede, bem olhada, sempre foi janela.
STARLING, Carlos. Estado de Minas. 04/08/2026. Disponível em: https://www.em.com.br/colunistas/carlos-starling/2026/08/7473216-bem-viver-o-muro-dos-80-anos.html. Acesso em 12 set. 20
Provas
Chega-me do Japão, por essas correntes que atravessam o mundo mais depressa que
qualquer vírus que já estudei, a notícia de que o psicólogo Hideki Wada escreveu um livro
chamado "A parede dos 80 Anos" e vendeu, num sopro, meio milhão de exemplares. Caminha
para o milhão. O Japão inteiro, ao que parece, quer aprender a envelhecer. Como se já não
fossem experts no assunto.
[...] Fui ler as frases com a desconfiança profissional de quem sempre duvida de gurus. [...]
E eis que descubro que o best-seller japonês foi escrito, na verdade, pela minha avó em Ibiá, por
volta de 1958. Atualmente, contribui para a obra a avó da Joana, Maria Helena Andrés (1
anos) [...].
"Quanto mais você mastigar, mais ativos estarão seu cérebro e seu corpo". Minha avó dizia
isso à mesa, sem cobrar nada, enquanto o frango caipira esfriava no prato. "Tomar sol traz
felicidade" — descoberta que qualquer lagartixa do quintal da fazenda já havia patenteado.
"Continue caminhando" — em Ibiá não havia alternativa: caminhava-se para a escola, para a
missa, para a venda, para lugar nenhum, que era o destino mais frequentado da cidade.
O doutor Wada recomenda ainda: "Estar sozinho não é solidão; é passar o tempo em paz".
Isso, no interior de Minas, chama-se sentar no banco da praça ao entardecer. Não precisou de
livro. Precisou de banco.
[...] Tenho posto em prática o primeiro mandamento — continue caminhando — sob a
supervisão rigorosa do Sushi, meu cãozinho salsicha, personal trainer mais baixo e mais
implacável de que se tem notícia. Todo fim de tarde ele me olha com aqueles olhos de quem já
leu Hideki Wada no original e me arrasta para a rua. Caminhamos os dois, cada um no seu
ritmo, ele farejando o mundo, eu ruminando crônicas. O doutor Wada aprovaria: exercício, sol,
alegria e uma companhia que não discute política.
[...] Se algum dia eu chegar à tal parede dos 80, não pretendo escalá-la, nem derrubá-la.
Pretendo encostar nela como quem encosta no muro da infância ao entardecer, esperando o
vizinho aparecer do outro lado para uma prosa. Porque envelhecer, aprendi com o doutor Wada,
com minha avó de Ibiá, Vó Helena e com nosso presidente, não é bater na parede. É descobrir
que a parede, bem olhada, sempre foi janela.
STARLING, Carlos. Estado de Minas. 04/08/2026. Disponível em: https://www.em.com.br/colunistas/carlos-starling/2026/08/7473216-bem-viver-o-muro-dos-80-anos.html. Acesso em 12 set. 20
Provas
Chega-me do Japão, por essas correntes que atravessam o mundo mais depressa que
qualquer vírus que já estudei, a notícia de que o psicólogo Hideki Wada escreveu um livro
chamado "A parede dos 80 Anos" e vendeu, num sopro, meio milhão de exemplares. Caminha
para o milhão. O Japão inteiro, ao que parece, quer aprender a envelhecer. Como se já não
fossem experts no assunto.
[...] Fui ler as frases com a desconfiança profissional de quem sempre duvida de gurus. [...]
E eis que descubro que o best-seller japonês foi escrito, na verdade, pela minha avó em Ibiá, por
volta de 1958. Atualmente, contribui para a obra a avó da Joana, Maria Helena Andrés (1
anos) [...].
"Quanto mais você mastigar, mais ativos estarão seu cérebro e seu corpo". Minha avó dizia
isso à mesa, sem cobrar nada, enquanto o frango caipira esfriava no prato. "Tomar sol traz
felicidade" — descoberta que qualquer lagartixa do quintal da fazenda já havia patenteado.
"Continue caminhando" — em Ibiá não havia alternativa: caminhava-se para a escola, para a
missa, para a venda, para lugar nenhum, que era o destino mais frequentado da cidade.
O doutor Wada recomenda ainda: "Estar sozinho não é solidão; é passar o tempo em paz".
Isso, no interior de Minas, chama-se sentar no banco da praça ao entardecer. Não precisou de
livro. Precisou de banco.
[...] Tenho posto em prática o primeiro mandamento — continue caminhando — sob a
supervisão rigorosa do Sushi, meu cãozinho salsicha, personal trainer mais baixo e mais
implacável de que se tem notícia. Todo fim de tarde ele me olha com aqueles olhos de quem já
leu Hideki Wada no original e me arrasta para a rua. Caminhamos os dois, cada um no seu
ritmo, ele farejando o mundo, eu ruminando crônicas. O doutor Wada aprovaria: exercício, sol,
alegria e uma companhia que não discute política.
[...] Se algum dia eu chegar à tal parede dos 80, não pretendo escalá-la, nem derrubá-la.
Pretendo encostar nela como quem encosta no muro da infância ao entardecer, esperando o
vizinho aparecer do outro lado para uma prosa. Porque envelhecer, aprendi com o doutor Wada,
com minha avó de Ibiá, Vó Helena e com nosso presidente, não é bater na parede. É descobrir
que a parede, bem olhada, sempre foi janela.
STARLING, Carlos. Estado de Minas. 04/08/2026. Disponível em: https://www.em.com.br/colunistas/carlos-starling/2026/08/7473216-bem-viver-o-muro-dos-80-anos.html. Acesso em 12 set. 20
Provas
Caderno Container