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4284132 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: FCPC
Orgão: Pref. Aracati-CE
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Chega-me do Japão, por essas correntes que atravessam o mundo mais depressa que

qualquer vírus que já estudei, a notícia de que o psicólogo Hideki Wada escreveu um livro

chamado "A parede dos 80 Anos" e vendeu, num sopro, meio milhão de exemplares. Caminha

para o milhão. O Japão inteiro, ao que parece, quer aprender a envelhecer. Como se já não

fossem experts no assunto.

[...] Fui ler as frases com a desconfiança profissional de quem sempre duvida de gurus. [...]

E eis que descubro que o best-seller japonês foi escrito, na verdade, pela minha avó em Ibiá, por

volta de 1958. Atualmente, contribui para a obra a avó da Joana, Maria Helena Andrés (1

anos) [...].

"Quanto mais você mastigar, mais ativos estarão seu cérebro e seu corpo". Minha avó dizia

isso à mesa, sem cobrar nada, enquanto o frango caipira esfriava no prato. "Tomar sol traz

felicidade" — descoberta que qualquer lagartixa do quintal da fazenda já havia patenteado.

"Continue caminhando" — em Ibiá não havia alternativa: caminhava-se para a escola, para a

missa, para a venda, para lugar nenhum, que era o destino mais frequentado da cidade.

O doutor Wada recomenda ainda: "Estar sozinho não é solidão; é passar o tempo em paz".

Isso, no interior de Minas, chama-se sentar no banco da praça ao entardecer. Não precisou de

livro. Precisou de banco.

[...] Tenho posto em prática o primeiro mandamento — continue caminhando — sob a

supervisão rigorosa do Sushi, meu cãozinho salsicha, personal trainer mais baixo e mais

implacável de que se tem notícia. Todo fim de tarde ele me olha com aqueles olhos de quem já

leu Hideki Wada no original e me arrasta para a rua. Caminhamos os dois, cada um no seu

ritmo, ele farejando o mundo, eu ruminando crônicas. O doutor Wada aprovaria: exercício, sol,

alegria e uma companhia que não discute política.

[...] Se algum dia eu chegar à tal parede dos 80, não pretendo escalá-la, nem derrubá-la.

Pretendo encostar nela como quem encosta no muro da infância ao entardecer, esperando o

vizinho aparecer do outro lado para uma prosa. Porque envelhecer, aprendi com o doutor Wada,

com minha avó de Ibiá, Vó Helena e com nosso presidente, não é bater na parede. É descobrir

que a parede, bem olhada, sempre foi janela.

STARLING, Carlos. Estado de Minas. 04/08/2026. Disponível em: https://www.em.com.br/colunistas/carlos-starling/2026/08/7473216-bem-viver-o-muro-dos-80-anos.html. Acesso em 12 set. 20

Assinale a alternativa cujo termo destacado exerce a função de sujeito.
 

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4284131 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: FCPC
Orgão: Pref. Aracati-CE
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Chega-me do Japão, por essas correntes que atravessam o mundo mais depressa que

qualquer vírus que já estudei, a notícia de que o psicólogo Hideki Wada escreveu um livro

chamado "A parede dos 80 Anos" e vendeu, num sopro, meio milhão de exemplares. Caminha

para o milhão. O Japão inteiro, ao que parece, quer aprender a envelhecer. Como se já não

fossem experts no assunto.

[...] Fui ler as frases com a desconfiança profissional de quem sempre duvida de gurus. [...]

E eis que descubro que o best-seller japonês foi escrito, na verdade, pela minha avó em Ibiá, por

volta de 1958. Atualmente, contribui para a obra a avó da Joana, Maria Helena Andrés (1

anos) [...].

"Quanto mais você mastigar, mais ativos estarão seu cérebro e seu corpo". Minha avó dizia

isso à mesa, sem cobrar nada, enquanto o frango caipira esfriava no prato. "Tomar sol traz

felicidade" — descoberta que qualquer lagartixa do quintal da fazenda já havia patenteado.

"Continue caminhando" — em Ibiá não havia alternativa: caminhava-se para a escola, para a

missa, para a venda, para lugar nenhum, que era o destino mais frequentado da cidade.

O doutor Wada recomenda ainda: "Estar sozinho não é solidão; é passar o tempo em paz".

Isso, no interior de Minas, chama-se sentar no banco da praça ao entardecer. Não precisou de

livro. Precisou de banco.

[...] Tenho posto em prática o primeiro mandamento — continue caminhando — sob a

supervisão rigorosa do Sushi, meu cãozinho salsicha, personal trainer mais baixo e mais

implacável de que se tem notícia. Todo fim de tarde ele me olha com aqueles olhos de quem já

leu Hideki Wada no original e me arrasta para a rua. Caminhamos os dois, cada um no seu

ritmo, ele farejando o mundo, eu ruminando crônicas. O doutor Wada aprovaria: exercício, sol,

alegria e uma companhia que não discute política.

[...] Se algum dia eu chegar à tal parede dos 80, não pretendo escalá-la, nem derrubá-la.

Pretendo encostar nela como quem encosta no muro da infância ao entardecer, esperando o

vizinho aparecer do outro lado para uma prosa. Porque envelhecer, aprendi com o doutor Wada,

com minha avó de Ibiá, Vó Helena e com nosso presidente, não é bater na parede. É descobrir

que a parede, bem olhada, sempre foi janela.

STARLING, Carlos. Estado de Minas. 04/08/2026. Disponível em: https://www.em.com.br/colunistas/carlos-starling/2026/08/7473216-bem-viver-o-muro-dos-80-anos.html. Acesso em 12 set. 20

Assinale a alternativa que reescreve o período: "Quanto mais você mastigar, mais ativos estarão seu cérebro e seu corpo" (linha 10), de modo a manter o sentido que apresenta no contexto.
 

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4284130 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: FCPC
Orgão: Pref. Aracati-CE
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Chega-me do Japão, por essas correntes que atravessam o mundo mais depressa que

qualquer vírus que já estudei, a notícia de que o psicólogo Hideki Wada escreveu um livro

chamado "A parede dos 80 Anos" e vendeu, num sopro, meio milhão de exemplares. Caminha

para o milhão. O Japão inteiro, ao que parece, quer aprender a envelhecer. Como se já não

fossem experts no assunto.

[...] Fui ler as frases com a desconfiança profissional de quem sempre duvida de gurus. [...]

E eis que descubro que o best-seller japonês foi escrito, na verdade, pela minha avó em Ibiá, por

volta de 1958. Atualmente, contribui para a obra a avó da Joana, Maria Helena Andrés (1

anos) [...].

"Quanto mais você mastigar, mais ativos estarão seu cérebro e seu corpo". Minha avó dizia

isso à mesa, sem cobrar nada, enquanto o frango caipira esfriava no prato. "Tomar sol traz

felicidade" — descoberta que qualquer lagartixa do quintal da fazenda já havia patenteado.

"Continue caminhando" — em Ibiá não havia alternativa: caminhava-se para a escola, para a

missa, para a venda, para lugar nenhum, que era o destino mais frequentado da cidade.

O doutor Wada recomenda ainda: "Estar sozinho não é solidão; é passar o tempo em paz".

Isso, no interior de Minas, chama-se sentar no banco da praça ao entardecer. Não precisou de

livro. Precisou de banco.

[...] Tenho posto em prática o primeiro mandamento — continue caminhando — sob a

supervisão rigorosa do Sushi, meu cãozinho salsicha, personal trainer mais baixo e mais

implacável de que se tem notícia. Todo fim de tarde ele me olha com aqueles olhos de quem já

leu Hideki Wada no original e me arrasta para a rua. Caminhamos os dois, cada um no seu

ritmo, ele farejando o mundo, eu ruminando crônicas. O doutor Wada aprovaria: exercício, sol,

alegria e uma companhia que não discute política.

[...] Se algum dia eu chegar à tal parede dos 80, não pretendo escalá-la, nem derrubá-la.

Pretendo encostar nela como quem encosta no muro da infância ao entardecer, esperando o

vizinho aparecer do outro lado para uma prosa. Porque envelhecer, aprendi com o doutor Wada,

com minha avó de Ibiá, Vó Helena e com nosso presidente, não é bater na parede. É descobrir

que a parede, bem olhada, sempre foi janela.

STARLING, Carlos. Estado de Minas. 04/08/2026. Disponível em: https://www.em.com.br/colunistas/carlos-starling/2026/08/7473216-bem-viver-o-muro-dos-80-anos.html. Acesso em 12 set. 20

Assinale a alternativa que resume a visão do autor de como pretende viver sua chegada aos 80 anos.
 

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4284129 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: FCPC
Orgão: Pref. Aracati-CE
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Chega-me do Japão, por essas correntes que atravessam o mundo mais depressa que

qualquer vírus que já estudei, a notícia de que o psicólogo Hideki Wada escreveu um livro

chamado "A parede dos 80 Anos" e vendeu, num sopro, meio milhão de exemplares. Caminha

para o milhão. O Japão inteiro, ao que parece, quer aprender a envelhecer. Como se já não

fossem experts no assunto.

[...] Fui ler as frases com a desconfiança profissional de quem sempre duvida de gurus. [...]

E eis que descubro que o best-seller japonês foi escrito, na verdade, pela minha avó em Ibiá, por

volta de 1958. Atualmente, contribui para a obra a avó da Joana, Maria Helena Andrés (1

anos) [...].

"Quanto mais você mastigar, mais ativos estarão seu cérebro e seu corpo". Minha avó dizia

isso à mesa, sem cobrar nada, enquanto o frango caipira esfriava no prato. "Tomar sol traz

felicidade" — descoberta que qualquer lagartixa do quintal da fazenda já havia patenteado.

"Continue caminhando" — em Ibiá não havia alternativa: caminhava-se para a escola, para a

missa, para a venda, para lugar nenhum, que era o destino mais frequentado da cidade.

O doutor Wada recomenda ainda: "Estar sozinho não é solidão; é passar o tempo em paz".

Isso, no interior de Minas, chama-se sentar no banco da praça ao entardecer. Não precisou de

livro. Precisou de banco.

[...] Tenho posto em prática o primeiro mandamento — continue caminhando — sob a

supervisão rigorosa do Sushi, meu cãozinho salsicha, personal trainer mais baixo e mais

implacável de que se tem notícia. Todo fim de tarde ele me olha com aqueles olhos de quem já

leu Hideki Wada no original e me arrasta para a rua. Caminhamos os dois, cada um no seu

ritmo, ele farejando o mundo, eu ruminando crônicas. O doutor Wada aprovaria: exercício, sol,

alegria e uma companhia que não discute política.

[...] Se algum dia eu chegar à tal parede dos 80, não pretendo escalá-la, nem derrubá-la.

Pretendo encostar nela como quem encosta no muro da infância ao entardecer, esperando o

vizinho aparecer do outro lado para uma prosa. Porque envelhecer, aprendi com o doutor Wada,

com minha avó de Ibiá, Vó Helena e com nosso presidente, não é bater na parede. É descobrir

que a parede, bem olhada, sempre foi janela.

STARLING, Carlos. Estado de Minas. 04/08/2026. Disponível em: https://www.em.com.br/colunistas/carlos-starling/2026/08/7473216-bem-viver-o-muro-dos-80-anos.html. Acesso em 12 set. 20

No trecho "...personal trainer mais baixo e mais implacável de que se tem notícia" (linhas 19-20), o termo destacado pode ser substituído sem prejuízo do sentido por:
 

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4284128 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: FCPC
Orgão: Pref. Aracati-CE
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Chega-me do Japão, por essas correntes que atravessam o mundo mais depressa que

qualquer vírus que já estudei, a notícia de que o psicólogo Hideki Wada escreveu um livro

chamado "A parede dos 80 Anos" e vendeu, num sopro, meio milhão de exemplares. Caminha

para o milhão. O Japão inteiro, ao que parece, quer aprender a envelhecer. Como se já não

fossem experts no assunto.

[...] Fui ler as frases com a desconfiança profissional de quem sempre duvida de gurus. [...]

E eis que descubro que o best-seller japonês foi escrito, na verdade, pela minha avó em Ibiá, por

volta de 1958. Atualmente, contribui para a obra a avó da Joana, Maria Helena Andrés (1

anos) [...].

"Quanto mais você mastigar, mais ativos estarão seu cérebro e seu corpo". Minha avó dizia

isso à mesa, sem cobrar nada, enquanto o frango caipira esfriava no prato. "Tomar sol traz

felicidade" — descoberta que qualquer lagartixa do quintal da fazenda já havia patenteado.

"Continue caminhando" — em Ibiá não havia alternativa: caminhava-se para a escola, para a

missa, para a venda, para lugar nenhum, que era o destino mais frequentado da cidade.

O doutor Wada recomenda ainda: "Estar sozinho não é solidão; é passar o tempo em paz".

Isso, no interior de Minas, chama-se sentar no banco da praça ao entardecer. Não precisou de

livro. Precisou de banco.

[...] Tenho posto em prática o primeiro mandamento — continue caminhando — sob a

supervisão rigorosa do Sushi, meu cãozinho salsicha, personal trainer mais baixo e mais

implacável de que se tem notícia. Todo fim de tarde ele me olha com aqueles olhos de quem já

leu Hideki Wada no original e me arrasta para a rua. Caminhamos os dois, cada um no seu

ritmo, ele farejando o mundo, eu ruminando crônicas. O doutor Wada aprovaria: exercício, sol,

alegria e uma companhia que não discute política.

[...] Se algum dia eu chegar à tal parede dos 80, não pretendo escalá-la, nem derrubá-la.

Pretendo encostar nela como quem encosta no muro da infância ao entardecer, esperando o

vizinho aparecer do outro lado para uma prosa. Porque envelhecer, aprendi com o doutor Wada,

com minha avó de Ibiá, Vó Helena e com nosso presidente, não é bater na parede. É descobrir

que a parede, bem olhada, sempre foi janela.

STARLING, Carlos. Estado de Minas. 04/08/2026. Disponível em: https://www.em.com.br/colunistas/carlos-starling/2026/08/7473216-bem-viver-o-muro-dos-80-anos.html. Acesso em 12 set. 20

No trecho "E eis que descubro que o best-seller japonês foi escrito, na verdade, pela minha avó em Ibiá, por volta de 1958" (linhas 07-08), o autor expressa:
 

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Durante toda a minha vida recebi apenas amor condicional. Desde criança, para me sentir

amada, intuía que precisava “brilhar”. Não sei por qual razão, ou talvez até saiba, nunca me

pareceu que seria amada por ser exatamente quem eu era e, por isso, não media esforços para

superar as expectativas que as pessoas tinham sobre mim. Eu simplesmente não suportava ver

alguém dos meus precisando de algo que eu, ainda que não fosse solicitada, já estava a postos

para oferecer ajuda. De ouvido amigo à pintura de apartamento ou faxina, eu sempre estava

lá. A princípio eu não sabia, mas esse era o meu jeito de me fazer presente e, quem sabe, de

também me sentir amada.

Demorei muitos anos para notar o detalhe mais relevante dessa história que narro: ninguém

pedia. Eu sempre chegava antes do pedido, me antecipando e me fazendo imprescindível ou,

pelo menos, eu acreditava nisso. Foi lendo o livro 'O Ser e o Nada', de Sartre, que notei que eu

era como o garçom que o filósofo descreve no livro.

Sartre narra que, ao observar um garçom em um café parisiense, notou que seus gestos

eram precisos demais: o passo era um pouco apressado, a bandeja era equilibrada com o que o

autor chamou de virtuosismo desnecessário, e a voz solícita demais ao anotar o pedido.

Olhando para a cena, o filósofo se perguntou, afinal, o que aquele homem estava fazendo e

conclui que ele estava brincando de ser garçom. Ele estava representando para si mesmo e para

os demais o garçom ideal, num papel que precisa ser encenado o tempo inteiro, com zelo e com

sobra. Naquele caso, percebeu Sartre, o exagero era a prova de que se tratava de uma atuação.

Me identifiquei nessa narrativa de um modo desconcertante. O meu excesso era o mesmo

do garçom: chegar antes do pedido, antecipar a necessidade, estar a postos sem ser chamada,

nada disso é exigência de quem ajuda, mas sim de quem representa. O ajudar genuíno admite

pausa, ausência e até mesmo dizer não de vez em quando. Mas quem está atuando não pode se

recusar nunca, pois o papel precisa ser reafirmado diariamente diante do olhar dos outros,

senão desmancha. A conclusão, de todo amarga, era que eu não estava apenas ajudando os

meus, mas provando que eu era útil, para eles e para mim. Hoje não quero mais ser amada por

ser útil. Quero ser amada por quem eu sou [...].

CARDOSO, Juraciara Vieira. A vida útil. Estado de Minas. 20/07/2026. Disponível em: https://www.em.com.br/colunistas/vitalidade/2026/07/7463360-a-vida-util.html. Acesso em 12 set. 2026.

Assinale a alternativa que identifica corretamente a função sintática do termo destacado em: "...num papel que precisa ser encenado o tempo inteiro, com zelo e com sobra" (linhas 18-19).
 

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Durante toda a minha vida recebi apenas amor condicional. Desde criança, para me sentir

amada, intuía que precisava “brilhar”. Não sei por qual razão, ou talvez até saiba, nunca me

pareceu que seria amada por ser exatamente quem eu era e, por isso, não media esforços para

superar as expectativas que as pessoas tinham sobre mim. Eu simplesmente não suportava ver

alguém dos meus precisando de algo que eu, ainda que não fosse solicitada, já estava a postos

para oferecer ajuda. De ouvido amigo à pintura de apartamento ou faxina, eu sempre estava

lá. A princípio eu não sabia, mas esse era o meu jeito de me fazer presente e, quem sabe, de

também me sentir amada.

Demorei muitos anos para notar o detalhe mais relevante dessa história que narro: ninguém

pedia. Eu sempre chegava antes do pedido, me antecipando e me fazendo imprescindível ou,

pelo menos, eu acreditava nisso. Foi lendo o livro 'O Ser e o Nada', de Sartre, que notei que eu

era como o garçom que o filósofo descreve no livro.

Sartre narra que, ao observar um garçom em um café parisiense, notou que seus gestos

eram precisos demais: o passo era um pouco apressado, a bandeja era equilibrada com o que o

autor chamou de virtuosismo desnecessário, e a voz solícita demais ao anotar o pedido.

Olhando para a cena, o filósofo se perguntou, afinal, o que aquele homem estava fazendo e

conclui que ele estava brincando de ser garçom. Ele estava representando para si mesmo e para

os demais o garçom ideal, num papel que precisa ser encenado o tempo inteiro, com zelo e com

sobra. Naquele caso, percebeu Sartre, o exagero era a prova de que se tratava de uma atuação.

Me identifiquei nessa narrativa de um modo desconcertante. O meu excesso era o mesmo

do garçom: chegar antes do pedido, antecipar a necessidade, estar a postos sem ser chamada,

nada disso é exigência de quem ajuda, mas sim de quem representa. O ajudar genuíno admite

pausa, ausência e até mesmo dizer não de vez em quando. Mas quem está atuando não pode se

recusar nunca, pois o papel precisa ser reafirmado diariamente diante do olhar dos outros,

senão desmancha. A conclusão, de todo amarga, era que eu não estava apenas ajudando os

meus, mas provando que eu era útil, para eles e para mim. Hoje não quero mais ser amada por

ser útil. Quero ser amada por quem eu sou [...].

CARDOSO, Juraciara Vieira. A vida útil. Estado de Minas. 20/07/2026. Disponível em: https://www.em.com.br/colunistas/vitalidade/2026/07/7463360-a-vida-util.html. Acesso em 12 set. 2026.

Assinale a alternativa em que o verbo está empregado no mesmo modo verbal do destacado em: "ainda que não fosse solicitada" (linha 05).
 

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Durante toda a minha vida recebi apenas amor condicional. Desde criança, para me sentir

amada, intuía que precisava “brilhar”. Não sei por qual razão, ou talvez até saiba, nunca me

pareceu que seria amada por ser exatamente quem eu era e, por isso, não media esforços para

superar as expectativas que as pessoas tinham sobre mim. Eu simplesmente não suportava ver

alguém dos meus precisando de algo que eu, ainda que não fosse solicitada, já estava a postos

para oferecer ajuda. De ouvido amigo à pintura de apartamento ou faxina, eu sempre estava

lá. A princípio eu não sabia, mas esse era o meu jeito de me fazer presente e, quem sabe, de

também me sentir amada.

Demorei muitos anos para notar o detalhe mais relevante dessa história que narro: ninguém

pedia. Eu sempre chegava antes do pedido, me antecipando e me fazendo imprescindível ou,

pelo menos, eu acreditava nisso. Foi lendo o livro 'O Ser e o Nada', de Sartre, que notei que eu

era como o garçom que o filósofo descreve no livro.

Sartre narra que, ao observar um garçom em um café parisiense, notou que seus gestos

eram precisos demais: o passo era um pouco apressado, a bandeja era equilibrada com o que o

autor chamou de virtuosismo desnecessário, e a voz solícita demais ao anotar o pedido.

Olhando para a cena, o filósofo se perguntou, afinal, o que aquele homem estava fazendo e

conclui que ele estava brincando de ser garçom. Ele estava representando para si mesmo e para

os demais o garçom ideal, num papel que precisa ser encenado o tempo inteiro, com zelo e com

sobra. Naquele caso, percebeu Sartre, o exagero era a prova de que se tratava de uma atuação.

Me identifiquei nessa narrativa de um modo desconcertante. O meu excesso era o mesmo

do garçom: chegar antes do pedido, antecipar a necessidade, estar a postos sem ser chamada,

nada disso é exigência de quem ajuda, mas sim de quem representa. O ajudar genuíno admite

pausa, ausência e até mesmo dizer não de vez em quando. Mas quem está atuando não pode se

recusar nunca, pois o papel precisa ser reafirmado diariamente diante do olhar dos outros,

senão desmancha. A conclusão, de todo amarga, era que eu não estava apenas ajudando os

meus, mas provando que eu era útil, para eles e para mim. Hoje não quero mais ser amada por

ser útil. Quero ser amada por quem eu sou [...].

CARDOSO, Juraciara Vieira. A vida útil. Estado de Minas. 20/07/2026. Disponível em: https://www.em.com.br/colunistas/vitalidade/2026/07/7463360-a-vida-util.html. Acesso em 12 set. 2026.

Sobre os termos "ajuda" (linha 06) e "ajudar" (linha 22), é correto afirmar que:
 

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Durante toda a minha vida recebi apenas amor condicional. Desde criança, para me sentir

amada, intuía que precisava “brilhar”. Não sei por qual razão, ou talvez até saiba, nunca me

pareceu que seria amada por ser exatamente quem eu era e, por isso, não media esforços para

superar as expectativas que as pessoas tinham sobre mim. Eu simplesmente não suportava ver

alguém dos meus precisando de algo que eu, ainda que não fosse solicitada, já estava a postos

para oferecer ajuda. De ouvido amigo à pintura de apartamento ou faxina, eu sempre estava

lá. A princípio eu não sabia, mas esse era o meu jeito de me fazer presente e, quem sabe, de

também me sentir amada.

Demorei muitos anos para notar o detalhe mais relevante dessa história que narro: ninguém

pedia. Eu sempre chegava antes do pedido, me antecipando e me fazendo imprescindível ou,

pelo menos, eu acreditava nisso. Foi lendo o livro 'O Ser e o Nada', de Sartre, que notei que eu

era como o garçom que o filósofo descreve no livro.

Sartre narra que, ao observar um garçom em um café parisiense, notou que seus gestos

eram precisos demais: o passo era um pouco apressado, a bandeja era equilibrada com o que o

autor chamou de virtuosismo desnecessário, e a voz solícita demais ao anotar o pedido.

Olhando para a cena, o filósofo se perguntou, afinal, o que aquele homem estava fazendo e

conclui que ele estava brincando de ser garçom. Ele estava representando para si mesmo e para

os demais o garçom ideal, num papel que precisa ser encenado o tempo inteiro, com zelo e com

sobra. Naquele caso, percebeu Sartre, o exagero era a prova de que se tratava de uma atuação.

Me identifiquei nessa narrativa de um modo desconcertante. O meu excesso era o mesmo

do garçom: chegar antes do pedido, antecipar a necessidade, estar a postos sem ser chamada,

nada disso é exigência de quem ajuda, mas sim de quem representa. O ajudar genuíno admite

pausa, ausência e até mesmo dizer não de vez em quando. Mas quem está atuando não pode se

recusar nunca, pois o papel precisa ser reafirmado diariamente diante do olhar dos outros,

senão desmancha. A conclusão, de todo amarga, era que eu não estava apenas ajudando os

meus, mas provando que eu era útil, para eles e para mim. Hoje não quero mais ser amada por

ser útil. Quero ser amada por quem eu sou [...].

CARDOSO, Juraciara Vieira. A vida útil. Estado de Minas. 20/07/2026. Disponível em: https://www.em.com.br/colunistas/vitalidade/2026/07/7463360-a-vida-util.html. Acesso em 12 set. 2026.

Assinale a alternativa cuja grafia do verbo intuir segue as normas vigentes, como "intuía" (linha 02).
 

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Durante toda a minha vida recebi apenas amor condicional. Desde criança, para me sentir

amada, intuía que precisava “brilhar”. Não sei por qual razão, ou talvez até saiba, nunca me

pareceu que seria amada por ser exatamente quem eu era e, por isso, não media esforços para

superar as expectativas que as pessoas tinham sobre mim. Eu simplesmente não suportava ver

alguém dos meus precisando de algo que eu, ainda que não fosse solicitada, já estava a postos

para oferecer ajuda. De ouvido amigo à pintura de apartamento ou faxina, eu sempre estava

lá. A princípio eu não sabia, mas esse era o meu jeito de me fazer presente e, quem sabe, de

também me sentir amada.

Demorei muitos anos para notar o detalhe mais relevante dessa história que narro: ninguém

pedia. Eu sempre chegava antes do pedido, me antecipando e me fazendo imprescindível ou,

pelo menos, eu acreditava nisso. Foi lendo o livro 'O Ser e o Nada', de Sartre, que notei que eu

era como o garçom que o filósofo descreve no livro.

Sartre narra que, ao observar um garçom em um café parisiense, notou que seus gestos

eram precisos demais: o passo era um pouco apressado, a bandeja era equilibrada com o que o

autor chamou de virtuosismo desnecessário, e a voz solícita demais ao anotar o pedido.

Olhando para a cena, o filósofo se perguntou, afinal, o que aquele homem estava fazendo e

conclui que ele estava brincando de ser garçom. Ele estava representando para si mesmo e para

os demais o garçom ideal, num papel que precisa ser encenado o tempo inteiro, com zelo e com

sobra. Naquele caso, percebeu Sartre, o exagero era a prova de que se tratava de uma atuação.

Me identifiquei nessa narrativa de um modo desconcertante. O meu excesso era o mesmo

do garçom: chegar antes do pedido, antecipar a necessidade, estar a postos sem ser chamada,

nada disso é exigência de quem ajuda, mas sim de quem representa. O ajudar genuíno admite

pausa, ausência e até mesmo dizer não de vez em quando. Mas quem está atuando não pode se

recusar nunca, pois o papel precisa ser reafirmado diariamente diante do olhar dos outros,

senão desmancha. A conclusão, de todo amarga, era que eu não estava apenas ajudando os

meus, mas provando que eu era útil, para eles e para mim. Hoje não quero mais ser amada por

ser útil. Quero ser amada por quem eu sou [...].

CARDOSO, Juraciara Vieira. A vida útil. Estado de Minas. 20/07/2026. Disponível em: https://www.em.com.br/colunistas/vitalidade/2026/07/7463360-a-vida-util.html. Acesso em 12 set. 2026.

Assinale a alternativa em que o pronome pessoal de primeira pessoa está empregado conforme a norma padrão escrita, como em "...provando que eu era útil para eles e para mim" (linha 26).
 

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