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Foram encontradas 815 questões.

4092725 Ano: 2026
Disciplina: Artes Visuais
Banca: UEPB
Orgão: Pref. Cuité-PB
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Para muitos, os registros fotográficos mais antigos são atraentes, enquanto que, para outros, registros fonográficos são ainda mais interessantes. Fato é que, hoje, existem muitas formas de se capturarem imagens e também de se registrarem sons.

A partir do exposto, analise as assertivas a seguir.

I- Leonardo da Vinci é considerado um dos maiores gênios criativos da história. Apesar de não ser comumente conhecido pelos dons musicais, ele também foi muito criativo nessa área artística, mas apenas sua música tornou-se muito utilizada em casamentos, sendo chamada de O Lundu Danúbio Azul Opus 314 ficou registrada e, mais tarde, tornou-se muito utilizada em casamentos, sendo chamada de Danúbio Azul.

II - O Lundu foi um dos primeiros gêneros musicais gravados no Brasil. Existe uma gravação feita com o fonograma de uma música do compositor Xisto Bahia e interpretada, em 1902, pelo cantor Cartola que é considerada como o primeiro registro fonográfico nacional.

III - Tanto a música quanto a fotografia sofreram grandes transformações entre o final do século XIX e início do século XX, pois a invenção do fonógrafo e do daguerreótipo (também conhecido como máquina Kodak) fizeram com que a humanidade se tornasse capaz de registrar imagens em movimento e sons.

IV - O Lundu é um dos primeiros estilos musicais registrados no Brasil. Apesar de ter uma proveniência incerta, sabe-se que deriva da musicalidade dos negros de Angola e do Congo. Dele derivam outros estilos musicais como o Samba.

V - É senso comum que os registros musicais mais antigos são mais valiosos que os fotográficos, pois uma fotografia antiga pode ser posada, a pessoa registrada pode ser maquiada, o cenário pode ser manipulado e demais características reais podem ser camufladas; já nos primeiros registros musicais, apenas a verdade pode ser capturada, pois não havia como editar o que era capturado pelos primeiros equipamentos.

É CORRETO o que se afirma em:

 

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4092724 Ano: 2026
Disciplina: Educação Artística
Banca: UEPB
Orgão: Pref. Cuité-PB
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Considerando o papel do professor de Arte e os conhecimentos que ele precisa ter a respeito da Prática Artística e da Prática Investigativa, avalie as assertivas a seguir:

I - A prática artística possibilita o compartilhamento de saberes e de produções entre os alunos por meio de exposições, saraus, espetáculos, performances, concertos, recitais, intervenções e outras apresentações e eventos artísticos e culturais, na escola ou em outros locais.

II - A prática investigativa constitui o modo de produção e organização dos conhecimentos em Arte. É no percurso do fazer artístico que os alunos criam, experimentam, desenvolvem e percebem uma poética pessoal.

III - A prática investigativa não necessariamente precisa ser compreendida como tão relevante quanto os eventuais produtos, pois o compartilhamento das ações artísticas produzidas pelos alunos, em diálogo com seus professores, acontece apenas em mostras e datas comemorativas.

IV - Os conhecimentos, processos e técnicas produzidos e acumulados ao longo do tempo em Artes visuais, Dança, Música e Teatro contribuem para a contextualização dos saberes e das práticas artísticas.

É CORRETO o que se afirma em:

 

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4092723 Ano: 2026
Disciplina: Educação Artística
Banca: UEPB
Orgão: Pref. Cuité-PB
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Entre as Ações Educativas de Combate ao Racismo e a Discriminações defendidas nas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN), o princípio encaminha para o (a):

 

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4092722 Ano: 2026
Disciplina: Educação Artística
Banca: UEPB
Orgão: Pref. Cuité-PB
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Os Parâmetros Curriculares Nacionais – Arte (PCNs – ARTE) aduzem que

I - O conhecimento da Arte não abre perspectivas para que o aluno tenha uma compreensão do mundo na qual a dimensão poética esteja presente.

II - A arte ensina que nossas experiências geram um movimento de transformação permanente.

III - É preciso reordenar referências a cada momento, ser flexível.

IV - Criar e conhecer são indissociáveis, embora a flexibilidade não seja condição fundamental para aprender.

É CORRETO o que se afirma em:

 

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4092721 Ano: 2026
Disciplina: Educação Artística
Banca: UEPB
Orgão: Pref. Cuité-PB
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Os três documentos que, atualmente, norteiam a educação brasileira são os Diretrizes Nacionais Curriculares (DNCs) e a Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) – Arte Base Nacional Comum Curricular (BNCC) – ARTE . , as Cada um deles apresenta características diferentes, conforme os grupos I, II e III, abaixo.

Grupo I:

- Define competências específicas de Arte e habilidades por etapa de ensino.

- Estrutura-se em cinco linguagens: artes visuais, dança, música, teatro e artes integradas (esta última, no Ensino Médio).

- Valoriza a criação, crítica, fruição e reflexão.

- Articula o ensino artístico à formação integral do estudante (intelectual, emocional, cultural e social). - Estimula o uso de tecnologias e mídias no fazer artístico.

- Têm caráter obrigatório para redes públicas e privadas.

Grupo II:

- Têm caráter normativo e obrigatório.

- Entendem a Arte como componente curricular obrigatório em todos os níveis da Educação Básica.

- Reforçam a importância da diversidade cultural e étnica brasileira.

- Estimulam o diálogo entre saberes locais e globais.

- Orientam que as práticas artísticas sejam interdisciplinares e contextualizadas.

- Destacam o papel da Arte na formação humana, ética, estética e cultural.

Grupo III:

- Propõem a Arte como área de conhecimento, não apenas como atividade expressiva.

- Defendem o ensino das linguagens artísticas: artes visuais, música, dança e teatro.

- Valorizam a leitura, produção e apreciação estética.

- Enfatizam o papel da arte na formação da sensibilidade e da cidadania.

- Estimulam o respeito à diversidade cultural e regional.

- Têm caráter orientador e flexível, servindo de base para currículos locais.

É CORRETO afirmar que os grupos I, II e III resumem, respectivamente, as características principais de:

 

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4092720 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: UEPB
Orgão: Pref. Cuité-PB
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A charge exposta na sequência apresenta o diálogo entre dois cidadãos que avaliam uma notícia televisiva sobre fraudes no INSS. Após a análise dos recursos linguísticos utilizados nas falas de cada personagem, responda à questão.
TEXTO V
Enunciado 4530499-1
Diálogo .


Personagem 1: - Agora todo mundo diz que é bom menino.
Personagem 2: - Se fossem bons meninos, minha aposentadoria não viria com tantos descontos, e eu não teria que fazer este bico pra complementar a renda!
Com relação à formação do período: “Se fossem bons meninos, minha aposentadoria não viria com tantos descontos, e eu não teria que fazer este bico pra complementar a renda!", é CORRETO afirmar que se trata de:
 

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4092719 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: UEPB
Orgão: Pref. Cuité-PB
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A charge exposta na sequência apresenta o diálogo entre dois cidadãos que avaliam uma notícia televisiva sobre fraudes no INSS. Após a análise dos recursos linguísticos utilizados nas falas de cada personagem, responda à questão.
TEXTO V
Enunciado 4530498-1
Diálogo .


Personagem 1: - Agora todo mundo diz que é bom menino.
Personagem 2: - Se fossem bons meninos, minha aposentadoria não viria com tantos descontos, e eu não teria que fazer este bico pra complementar a renda!
As frases proferidas pelos personagens permitem ao leitor fazer as seguintes inferências:

I- Os supostos autores da fraude se dizem inocentes, o que se deduz da expressão “bom menino”, empregada pelo personagem 1, quando assiste ao noticiário sobre a prisão de um dos envolvidos.

II - A inocência dos prováveis “fraudadores” é rejeitada pelo personagem 2, o que se depreende da oração “se fossem bons meninos”, que pressupõe “eles não são bons meninos”.

III- O personagem 2 é um senhor que tem idade de se aposentar, mas optou em continuar na ativa e complementando a renda com outra atividade a ter que se aposentar com baixo salário.

IV- A fraude fica atestada quando o personagem 2 declara: “se fossem ... minha aposentadoria não viria com tantos descontos”, que, nesse contexto, alude a descontos indevidos.

V- O trabalho informal, referido pelo personagem 2 por “fazer bico”, surge como uma alternativa muito lucrativa e viável para quem depende de aposentadoria.

É CORRETO o que se afirma em:
 

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4092718 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: UEPB
Orgão: Pref. Cuité-PB
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Com base na leitura dos dois textos abaixo expostos: a crônica de Ricardo Freire e o comentário do linguista Sírio Possenti, responda à questão.

TEXTO III

PARA você estar passando adiante (Ricardo Freire)

Este artigo foi feito especialmente para que você possa estar recortando e possa estar deixando discretamente sobre a mesa de alguém que não consiga estar falando sem estar espalhando essa praga terrível da comunicação moderna, o futuro do gerúndio.

Você pode também estar passando por fax, estar mandando pelo correio ou estar enviando pela Internet. O importante é estar garantindo que a pessoa em questão vá estar recebendo esta mensagem, de modo que ela possa estar lendo e, quem sabe, consiga até mesmo estar se dando conta da maneira como tudo o que ela costuma estar falando deve estar soando nos ouvidos de quem precisa estar escutando.

[...]

As pessoas precisam estar entendendo a maneira como esse vício maldito conseguiu estar entrando na linguagem do dia-a-dia. Tudo começou a estar acontecendo quando alguém precisou estar traduzindo manuais de atendimento por telemarketing. Daí a estar pensando que “We'll be sending it tomorrow” possa estar tendo o mesmo significado que “Nós vamos estar mandando isso amanhã” acabou por estar sendo só um passo.

Pouco a pouco a coisa deixou de estar acontecendo apenas no âmbito dos atendentes de telemarketing para estar ganhando os escritórios. Todo o mundo passou a estar marcando reuniões, a estar considerando pedidos e a estar retornando ligações.

[...]

Deus. O que a gente pode tá fazendo pra que as pessoas tejam entendendo o que esse negócio pode tá provocando no cérebro das novas gerações?

A única solução vai estar sendo submeter o futuro do gerúndio à mesma campanha de desmoralização à qual precisaram estar sendo expostos seus coleguinhas contagiosos, como o “a nível de”, o “enquanto”, o “pra se ter uma ideia” e outros menos votados.

A nível de linguagem, enquanto pessoa, o que você acha de tá insistindo em tá falando desse jeito?

Fonte: As cem melhores crônicas brasileiras / Joaquim Ferreira dos Santos, organização e introdução. - Rio de Janeiro: Objetiva, 2007.

TEXTO IV


Gerundismo

[...] Assim, a nova locução está em perfeito acordo com a sintaxe do português: sua ordem auxiliar+ estar + -ndo é absolutamente  gramatical.

Vejamos agora o que a locução significa. Os que não gostam da forma dizem que não serve para nada, que há outra melhor para expressar a mesma coisa. Em vez de Vou estar mandando, que se diga Vou mandar ou Mandarei. Pode ser que nem todos os casos sejam claros, mas em muitos, nitidamente, a nova forma veicula um aspecto progressivo (ou seja, anuncia um evento que durará algum tempo para se realizar). Para que isso não pareça estranho, relembre-se de que o conhecido imperfeito do indicativo apresenta o mesmo aspecto: formas como amanhecia, pintava, etc. descrevem eventos ou ações não instantâneos, mas que têm alguma duração. Por isso, não é a mesma coisa dizer Vou mandar e Vou estar mandando , exatamente por causa da diferença entre “ir” (que marca só futuro) e “ir + estar” (que marca futuro, por causa do “ir” e “duração” por causa de “estar”). Vou estar providenciando significa, entre outras coisas, que a providência não se dará instantaneamente. Além disso, o compromisso expresso em Vou providenciar é mais incisivo do que o expresso em Vou estar providenciando , assim como é mais incisivo dizer Providenciarei do que Vou providenciar.

Além desses, a meu ver, há outro aspecto importante, de cunho pragmático ou interpessoal: a expressão conota gentileza, formalidade, deferência (se verdadeira ou simulada, pouco importa). [...]

Fonte: Possenti, Sírio. In: Questões de linguagem : passeio gramatical dirigido, São Paulo: Parábola editorial, 2011. p.160-161.

Sírio Possenti não repudia o uso do gerúndio para a expressão de futuro, pois a nova locução em uso na língua

 

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4092717 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: UEPB
Orgão: Pref. Cuité-PB
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Com base na leitura dos dois textos abaixo expostos: a crônica de Ricardo Freire e o comentário do linguista Sírio Possenti, responda à questão.

TEXTO III

PARA você estar passando adiante (Ricardo Freire)

Este artigo foi feito especialmente para que você possa estar recortando e possa estar deixando discretamente sobre a mesa de alguém que não consiga estar falando sem estar espalhando essa praga terrível da comunicação moderna, o futuro do gerúndio.

Você pode também estar passando por fax, estar mandando pelo correio ou estar enviando pela Internet. O importante é estar garantindo que a pessoa em questão vá estar recebendo esta mensagem, de modo que ela possa estar lendo e, quem sabe, consiga até mesmo estar se dando conta da maneira como tudo o que ela costuma estar falando deve estar soando nos ouvidos de quem precisa estar escutando.

[...]

As pessoas precisam estar entendendo a maneira como esse vício maldito conseguiu estar entrando na linguagem do dia-a-dia. Tudo começou a estar acontecendo quando alguém precisou estar traduzindo manuais de atendimento por telemarketing. Daí a estar pensando que “We'll be sending it tomorrow” possa estar tendo o mesmo significado que “Nós vamos estar mandando isso amanhã” acabou por estar sendo só um passo.

Pouco a pouco a coisa deixou de estar acontecendo apenas no âmbito dos atendentes de telemarketing para estar ganhando os escritórios. Todo o mundo passou a estar marcando reuniões, a estar considerando pedidos e a estar retornando ligações.

[...]

Deus. O que a gente pode tá fazendo pra que as pessoas tejam entendendo o que esse negócio pode tá provocando no cérebro das novas gerações?

A única solução vai estar sendo submeter o futuro do gerúndio à mesma campanha de desmoralização à qual precisaram estar sendo expostos seus coleguinhas contagiosos, como o “a nível de”, o “enquanto”, o “pra se ter uma ideia” e outros menos votados.

A nível de linguagem, enquanto pessoa, o que você acha de tá insistindo em tá falando desse jeito?

Fonte: As cem melhores crônicas brasileiras / Joaquim Ferreira dos Santos, organização e introdução. - Rio de Janeiro: Objetiva, 2007.

TEXTO IV


Gerundismo

[...] Assim, a nova locução está em perfeito acordo com a sintaxe do português: sua ordem auxiliar+ estar + -ndo é absolutamente  gramatical.

Vejamos agora o que a locução significa. Os que não gostam da forma dizem que não serve para nada, que há outra melhor para expressar a mesma coisa. Em vez de Vou estar mandando, que se diga Vou mandar ou Mandarei. Pode ser que nem todos os casos sejam claros, mas em muitos, nitidamente, a nova forma veicula um aspecto progressivo (ou seja, anuncia um evento que durará algum tempo para se realizar). Para que isso não pareça estranho, relembre-se de que o conhecido imperfeito do indicativo apresenta o mesmo aspecto: formas como amanhecia, pintava, etc. descrevem eventos ou ações não instantâneos, mas que têm alguma duração. Por isso, não é a mesma coisa dizer Vou mandar e Vou estar mandando , exatamente por causa da diferença entre “ir” (que marca só futuro) e “ir + estar” (que marca futuro, por causa do “ir” e “duração” por causa de “estar”). Vou estar providenciando significa, entre outras coisas, que a providência não se dará instantaneamente. Além disso, o compromisso expresso em Vou providenciar é mais incisivo do que o expresso em Vou estar providenciando , assim como é mais incisivo dizer Providenciarei do que Vou providenciar.

Além desses, a meu ver, há outro aspecto importante, de cunho pragmático ou interpessoal: a expressão conota gentileza, formalidade, deferência (se verdadeira ou simulada, pouco importa). [...]

Fonte: Possenti, Sírio. In: Questões de linguagem : passeio gramatical dirigido, São Paulo: Parábola editorial, 2011. p.160-161.

A respeito do Texto III, podem ser feitas as seguintes asserções:

I - O autor considera o gerundismo um vício de linguagem, por não ser a forma verbal apropriada para sinalizar futuro.

II - O autor apela para que o futuro do gerúndio não seja utilizado, argumentando que tal estrutura fere as regras de formação de locução verbal e gera problema de compreensão, dificultando o ensino dos tempos verbais.

III - Para demonstrar o quão chato é uso do dessa estrutura que tem se fixado na língua, o cronista se utiliza da estratégia da repetição, configurando uma ironia.

Está em conformidade com o texto, o que se assevera apenas em:

 

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4092716 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: UEPB
Orgão: Pref. Cuité-PB
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Utilize a crônica abaixo para responder à questão.


TEXTO II
Queixa de defunto (Lima Barreto)
        Antônio da Conceição, natural desta cidade, residente que foi em vida, na Boca do Mato, no Méier, onde acaba de morrer, por meios que não posso tornar público, mandou-me a carta abaixo que é endereçada ao prefeito. Ei-la: Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor Doutor Prefeito do Distrito Federal.
      Sou um pobre homem que em vida nunca deu trabalho às autoridades públicas nem a elas fez reclamação alguma. Nunca exerci ou pretendi exercer isso que se chama os direitos sagrados de cidadão. Nasci, vivi e morri modestamente, julgando sempre que o meu único dever era ser lustrador de móveis e admitir que os outros os tivessem para eu lustrar e eu não.
       Não fui republicano, não fui florianista, não fui custodista, não fui hermista, não me meti em greves, nem em cousa alguma de reivindicações e revoltas; mas morri na santa paz do Senhor quase sem pecados e sem agonia.
          Toda a minha vida de privações e necessidades era guiada pela esperança de gozar depois de minha morte um sossego, uma calma de vida que não sou capaz de descrever, mas que pressenti pelo pensamento, graças à doutrinação das seções católicas dos jornais.
        Nunca fui ao espiritismo, nunca fui aos “bíblias”, nem a feiticeiros, e apesar de ter tido um filho que penou dez anos nas mãos dos médicos, nunca procurei macumbeiros nem médiuns.
         Vivi uma vida santa e obedecendo às prédicas do Padre André do Santuário do Sagrado Coração de Maria, em Todos os Santos, conquanto as não entendesse bem por serem pronunciadas com toda eloquência em galego ou vasconço.
        Segui-as, porém, com todo o rigor e humildade, e esperava gozar da mais dúlcida paz depois de minha morte. Morri afinal um dia destes. Não descrevo as cerimônias porque são muito conhecidas e os meus parentes e amigos deixaram-me sinceramente porque eu não deixava dinheiro algum. É bom, meu caro Senhor Doutor Prefeito, viver na pobreza, mas muito melhor é morrer nela. Não se levam para a cova maldições dos parentes e amigos deserdados; só carregamos lamentações e bênçãos daqueles a quem não pagamos mais a casa.
       Foi o que aconteceu comigo e estava certo de ir direitinho para o Céu, quando, por culpa do Senhor e da Repartição que o Senhor dirige, tive que ir para o inferno penar alguns anos ainda.
       Embora a pena seja leve, eu me amolei, por não ter contribuído para ela de forma alguma. A culpa é da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro que não cumpre os seus deveres, calçando convenientemente as ruas. Vamos ver por quê. Tendo sido enterrado no cemitério de Inhaúma e vindo o meu enterro do Méier, o coche e o acompanhamento tiveram que atravessar em toda a extensão a Rua José Bonifácio, em Todos os Santos.
    Esta rua foi calçada há perto de cinquenta anos a macadame e nunca mais foi o seu calçamento substituído. Há caldeirões de todas as profundidades e larguras, por ela afora. Dessa forma, um pobre defunto que vai dentro do caixão em cima de um coche que por ela rola sofre o diabo. De uma feita um até, após um trambolhão do carro mortuário, saltou do esquife, vivinho da silva, tendo ressuscitado com o susto.
    Comigo não aconteceu isso, mas o balanço violento do coche machucou-me muito e cheguei diante de São Pedro cheio de arranhaduras pelo corpo. O bom do velho santo interpelou-me logo:
    — Que diabo é isto? Você está todo machucado! Tinham-me dito que você era bem-comportado — como é então que você arranjou isso? Brigou depois de morto?
      Expliquei-lhe, mas não me quis atender e mandou que me fosse purificar um pouco no inferno.
     Está aí como, meu caro Senhor Doutor Prefeito, ainda estou penando por sua culpa, embora tenha tido vida a mais santa possível. Sou, etc., etc. Posso garantir a fidelidade da cópia a aguardar com paciência as providências da municipalidade.
Fonte: As cem melhores crônicas brasileiras / Joaquim Ferreira dos Santos, organização e introdução. - Rio de Janeiro: Objetiva, 2007.
Diferentes mecanismos são empregados para promover a relação entre as informações no texto, dentre eles a coesão referencial, que se manifesta por formas linguísticas diversas, entre as quais pronomes, advérbios e até verbos. Analise as ocorrências indicadas na sequência e avalie as explicações fornecidas para cada situação.
Enunciado 4530495-1
I- O verbo “posso” e o pronome oblíquo “me” são formas dêiticas que se referem ao emissor/locutor Antônio da Conceição.
II- O advérbio relativo “onde” é uma forma referencial anafórica que recupera o sintagma “no Méier.”
III- O verbo “carregamos” é uma forma referencial dêitica que faz referência genérica a todos os cidadãos, incluindo o falante/locutor – Antônio da Conceição.
IV- O pronome demonstrativo “esta” é uma forma referencial catafórica que integra um sintagma nominal, fazendo remissão ao sintagma “a rua José Bonifácio”.

É CORRETO o que se afirma apenas em:
 

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