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Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: Pref. Frederico Westphalen-RS
Quando o mundo de fora passa a existir dentro de nós
Quero falar de sentimentos contraditórios, até porque talvez todos os sentimentos tragam em si lados opositores. Particularmente, nunca fui uma pessoa cem por cento caseira, ou obsecada em passar o tempo fora do lar. Sempre precisei de um certo equilíbrio entre ficar no meu cantinho e explorar o mundo exterior. Contraditório? Provavelmente. E, nestes tempos de voltar para o casulo em período integral, o que mais tenho feito – além de aspirar e esfregar cantos até então desconhecidos da minha casa –, tenho refletido bastante. Lembrei-me de uma ocasião em que, por um motivo de doença, tive de ficar em casa por dez dias, sem sair mesmo.Fui acometida por uma crise de labirintite, causada por uma bactéria do mar que se alojou no meu ouvido direito. Ficar quieta, naquela situação, não era uma escolha, era uma imposição do meu corpo que havia perdido o eixo de equilíbrio. Ficar em pé, ou mesmo mover a cabeça, eram um enorme desafio, posto que qualquer movimento me dava a sensação de estar em um barquinho numa tempestade em alto-mar. Vendo-me sem escolha, aquietei-me. Nada de ler, ou desenhar, ou pintar, ou bordar, ou fazer crochê. Tive de me contentar em ouvir música ou notícias pelo rádio; aprendi a relembrar histórias reais ou fictícias e conjurar filmes inteiros em minha imaginação; aprendi a meditar; fazia listas mentais de palavras em ordem alfabética; redecorava cômodos dentro da minha cabeça.
Aprendi com uma experiência bastante didática, a partir da qual compreendi o quanto somos vulneráveis e temos pouco controle sobre o que pode entrar em nossos corpos, sem nenhum tipo de convite. Bem, passados os dez dias, tenho viva na memória a sensação impactante que foi sair de casa pela primeira vez. Tudo parecia muito diferente, como se eu tivesse dormido por anos. Achei o mundo lá fora excessivamente ruidoso, iluminado e agressivo. Lembro-me de ter sentido até um desconforto físico, uma mistura de falta de ar com taquicardia. Precisei de tempo para me readaptar ao ritmo externo, depois de tanto tempo voltada para dentro de mim.Enquanto eu funcionava em câmera lenta, o mundo parecia acelerado por demais. Aos poucos,no entanto, o estranhamento foi passando. O mundo não se alterou por minha causa, mas eu tive de reaprender a me encaixar no seu ritmo.
Hoje, penso no quanto as nossas experiências pré-gressas são valiosos instrumentos de validação da nossa passagem por este mundo. Penso no quanto as memórias de momentos vividos são importantes para evocar a presença de pessoas queridas. Reflito sobre a importância dos espaços e dos tempos experiencia dos ou negligenciados na correria dos dias, congelados naquele tempo em que nunca havíamos ouvido falar de Covid-19. Hoje, além de querer falar de sentimentos contraditórios, quero também lhe contar que tenho visto, aqui da minha janela – real e virtual –, que o mundo está se transformando lá fora enquanto nos recolhemos. Quero lhe falar que tenho visto gente prestar sua ajuda a pessoas estranhas, distantes, desconhecidas.Também tenho visto gente que, endurecida em suas crenças cristalizadas, recusa-se a ver que o mundo exige de nós uma mudança de paradigmas. O planeta, saturado de nós, está nos dando a oportunidade de ressignificarmos nossa relação com o outro, com o espaço que ocupamos, com o que é essencial, com a nossa missão no mundo, com a nossa vulnerabilidade, com o dinheiro-papel (a popular grana), com o tempo, com a vida e o fim dela.
O mundo não será mais o mesmo depois dessa pandemia. Nós também não seremos mais os mesmos. E eu torço para que, quando tudo tiver passado, possamos dizer: “eu fiz a minha parte, entendi que é preciso que me recolha, que eu lute pela vida dos meus irmãos aqui na terra. Eu compreendi que, se cada um renunciar que em excesso, não há deter nenhum de nós sentindo fome, frio ou medo”. Em minha imaginação e em meu peito, eu conjuro uma humanidade que aprendeu – ainda que tenha sido de modo forçado – que não existe o outro. Somos todos um único organismo vivo. Quando um de nós perece, seja por falta de recursos materiais ou por irresponsabilidade, um pedacinho de nós desaparece junto com ele.
(Disponível em: https://www.contioutra.com/quando-o-mundo-de-fora-passa-a-existir-dentro-de-nos/ – texto adaptado especialmente para esta prova).
Com base no que é exclusivamente expresso pelo texto, é correto afirmar que:
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Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: Pref. Frederico Westphalen-RS
Quando o mundo de fora passa a existir dentro de nós
Quero falar de sentimentos contraditórios, até porque talvez todos os sentimentos tragam em si lados opositores. Particularmente, nunca fui uma pessoa cem por cento caseira, ou obsecada em passar o tempo fora do lar. Sempre precisei de um certo equilíbrio entre ficar no meu cantinho e explorar o mundo exterior. Contraditório? Provavelmente. E, nestes tempos de voltar para o casulo em período integral, o que mais tenho feito – além de aspirar e esfregar cantos até então desconhecidos da minha casa –, tenho refletido bastante. Lembrei-me de uma ocasião em que, por um motivo de doença, tive de ficar em casa por dez dias, sem sair mesmo.Fui acometida por uma crise de labirintite, causada por uma bactéria do mar que se alojou no meu ouvido direito. Ficar quieta, naquela situação, não era uma escolha, era uma imposição do meu corpo que havia perdido o eixo de equilíbrio. Ficar em pé, ou mesmo mover a cabeça, eram um enorme desafio, posto que qualquer movimento me dava a sensação de estar em um barquinho numa tempestade em alto-mar. Vendo-me sem escolha, aquietei-me. Nada de ler, ou desenhar, ou pintar, ou bordar, ou fazer crochê. Tive de me contentar em ouvir música ou notícias pelo rádio; aprendi a relembrar histórias reais ou fictícias e conjurar filmes inteiros em minha imaginação; aprendi a meditar; fazia listas mentais de palavras em ordem alfabética; redecorava cômodos dentro da minha cabeça.
Aprendi com uma experiência bastante didática, a partir da qual compreendi o quanto somos vulneráveis e temos pouco controle sobre o que pode entrar em nossos corpos, sem nenhum tipo de convite. Bem, passados os dez dias, tenho viva na memória a sensação impactante que foi sair de casa pela primeira vez. Tudo parecia muito diferente, como se eu tivesse dormido por anos. Achei o mundo lá fora excessivamente ruidoso, iluminado e agressivo. Lembro-me de ter sentido até um desconforto físico, uma mistura de falta de ar com taquicardia. Precisei de tempo para me readaptar ao ritmo externo, depois de tanto tempo voltada para dentro de mim.Enquanto eu funcionava em câmera lenta, o mundo parecia acelerado por demais. Aos poucos,no entanto, o estranhamento foi passando. O mundo não se alterou por minha causa, mas eu tive de reaprender a me encaixar no seu ritmo.
Hoje, penso no quanto as nossas experiências pré-gressas são valiosos instrumentos de validação da nossa passagem por este mundo. Penso no quanto as memórias de momentos vividos são importantes para evocar a presença de pessoas queridas. Reflito sobre a importância dos espaços e dos tempos experiencia dos ou negligenciados na correria dos dias, congelados naquele tempo em que nunca havíamos ouvido falar de Covid-19. Hoje, além de querer falar de sentimentos contraditórios, quero também lhe contar que tenho visto, aqui da minha janela – real e virtual –, que o mundo está se transformando lá fora enquanto nos recolhemos. Quero lhe falar que tenho visto gente prestar sua ajuda a pessoas estranhas, distantes, desconhecidas.Também tenho visto gente que, endurecida em suas crenças cristalizadas, recusa-se a ver que o mundo exige de nós uma mudança de paradigmas. O planeta, saturado de nós, está nos dando a oportunidade de ressignificarmos nossa relação com o outro, com o espaço que ocupamos, com o que é essencial, com a nossa missão no mundo, com a nossa vulnerabilidade, com o dinheiro-papel (a popular grana), com o tempo, com a vida e o fim dela.
O mundo não será mais o mesmo depois dessa pandemia. Nós também não seremos mais os mesmos. E eu torço para que, quando tudo tiver passado, possamos dizer: “eu fiz a minha parte, entendi que é preciso que me recolha, que eu lute pela vida dos meus irmãos aqui na terra. Eu compreendi que, se cada um renunciar que em excesso, não há deter nenhum de nós sentindo fome, frio ou medo”. Em minha imaginação e em meu peito, eu conjuro uma humanidade que aprendeu – ainda que tenha sido de modo forçado – que não existe o outro. Somos todos um único organismo vivo. Quando um de nós perece, seja por falta de recursos materiais ou por irresponsabilidade, um pedacinho de nós desaparece junto com ele.
(Disponível em: https://www.contioutra.com/quando-o-mundo-de-fora-passa-a-existir-dentro-de-nos/ – texto adaptado especialmente para esta prova).
A conjunção “ou” reiteradamente empregada no período “Nada de ler, ou desenhar, ou pintar, ou bordar, ou fazer crochê”, exprime uma condição vivenciada pela autora que é marcada pela falta de:
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Disciplina: Direitos Humanos
Banca: FUNDATEC
Orgão: Pref. Frederico Westphalen-RS
A abolição da escravatura no Brasil ocorreu há mais de 130 anos. Todavia, o Brasil viveu mais de 350 anos oprimindo pessoas retiradas de seus lares contra a sua vontade, para viver uma vida de dor e sofrimento, o que ainda compõe a sociedade brasileira. Por isso, foi criada a Lei Estadual nº 13.694/2011, que institui o Estatuto Estadual da Igualdade Racial e de Combate à Intolerância Religiosa contra quaisquer religiões. Em sua atividade diária, os Agentes de Trânsito, como servidores públicos, devem atuar de modo a preservar as diretrizes e os objetivos do Estatuto. Dentre as várias ações previstas na lei citada, existem “os programas e as medidas especiais adotados pelo Estado e pela iniciativa privada para a correção das desigualdades raciais e para a promoção da igualdade de oportunidades”. Qual das alternativas abaixo apresenta corretamente a expressão que compreende esse conceito?
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Disciplina: Direito Ambiental
Banca: FUNDATEC
Orgão: Pref. Frederico Westphalen-RS
A Lei Federal nº 11.428/2006 afirma que incentivos econômicos poderão ser utilizados para estimular a proteção e o uso sustentável do Bioma Mata Atlântica. Para a regulação dos incentivos, a análise da situação de fato deverá observar características da área beneficiada, descritas nas alternativas abaixo. De acordo com a literalidade dessa Lei, qual alternativa abaixo apresenta INCORRETAMENTE uma dessas características?
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Disciplina: Direito Constitucional
Banca: FUNDATEC
Orgão: Pref. Frederico Westphalen-RS
Determinado motorista, rotineiramente dirigindo o mesmo veículo pessoal, comete constantemente infração prevista no Código de Trânsito Brasileiro. Nas diversas vezes em que foi flagrado ao cometer uma das infrações citadas, os Agentes de Trânsito do Município lavraram Autos de Infração. Algum tempo depois, o motorista ingressou com uma ação na justiça para declarar a nulidade dos Autos de Infração lavrados pelos Agentes de Trânsito, pois, segundo ele, os atos administrativos tinham vícios que implicavam sua invalidade, já que nem todos os seus campos foram preenchidos, faltando informações essenciais como as razões de fato e de direito que autorizam ou determinam a prática de um ato jurídico, exemplificando a tipificação da infração e o local, data e hora do cometimento da infração, o que dificulta a defesa e o conhecimento dos motivos. Após alguns meses tramitando na justiça, os Autos de Infração foram declarados nulos. Tendo por referência as informações dispostas, considerando os Direitos e Deveres Individuais e os Princípios Constitucionais da Administração Pública, assinale a alternativa que demonstre corretamente os motivos do dever de fundamentação, por meio do preenchimento correto dos campos do Auto de Infração.
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Disciplina: Engenharia Ambiental e Sanitária
Banca: FUNDATEC
Orgão: Pref. Frederico Westphalen-RS
Como é chamado o espaço territorial e seus recursos ambientais, incluindo as águas jurisdicionais, com características naturais relevantes, legalmente instituído pelo Poder Público, com objetivos de conservação e limites definidos, sob regime especial de administração, ao qual se aplicam garantias adequadas de proteção?
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Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: Pref. Frederico Westphalen-RS
Quando o mundo de fora passa a existir dentro de nós
Quero falar de sentimentos contraditórios, até porque talvez todos os sentimentos tragam em si lados opositores. Particularmente, nunca fui uma pessoa cem por cento caseira, ou obsecada em passar o tempo fora do lar. Sempre precisei de um certo equilíbrio entre ficar no meu cantinho e explorar o mundo exterior. Contraditório? Provavelmente. E, nestes tempos de voltar para o casulo em período integral, o que mais tenho feito – além de aspirar e esfregar cantos até então desconhecidos da minha casa –, tenho refletido bastante. Lembrei-me de uma ocasião em que, por um motivo de doença, tive de ficar em casa por dez dias, sem sair mesmo.Fui acometida por uma crise de labirintite, causada por uma bactéria do mar que se alojou no meu ouvido direito. Ficar quieta, naquela situação, não era uma escolha, era uma imposição do meu corpo que havia perdido o eixo de equilíbrio. Ficar em pé, ou mesmo mover a cabeça, eram um enorme desafio, posto que qualquer movimento me dava a sensação de estar em um barquinho numa tempestade em alto-mar. Vendo-me sem escolha, aquietei-me. Nada de ler, ou desenhar, ou pintar, ou bordar, ou fazer crochê. Tive de me contentar em ouvir música ou notícias pelo rádio; aprendi a relembrar histórias reais ou fictícias e conjurar filmes inteiros em minha imaginação; aprendi a meditar; fazia listas mentais de palavras em ordem alfabética; redecorava cômodos dentro da minha cabeça.
Aprendi com uma experiência bastante didática, a partir da qual compreendi o quanto somos vulneráveis e temos pouco controle sobre o que pode entrar em nossos corpos, sem nenhum tipo de convite. Bem, passados os dez dias, tenho viva na memória a sensação impactante que foi sair de casa pela primeira vez. Tudo parecia muito diferente, como se eu tivesse dormido por anos. Achei o mundo lá fora excessivamente ruidoso, iluminado e agressivo. Lembro-me de ter sentido até um desconforto físico, uma mistura de falta de ar com taquicardia. Precisei de tempo para me readaptar ao ritmo externo, depois de tanto tempo voltada para dentro de mim.Enquanto eu funcionava em câmera lenta, o mundo parecia acelerado por demais. Aos poucos,no entanto, o estranhamento foi passando. O mundo não se alterou por minha causa, mas eu tive de reaprender a me encaixar no seu ritmo.
Hoje, penso no quanto as nossas experiências pré-gressas são valiosos instrumentos de validação da nossa passagem por este mundo. Penso no quanto as memórias de momentos vividos são importantes para evocar a presença de pessoas queridas. Reflito sobre a importância dos espaços e dos tempos experiencia dos ou negligenciados na correria dos dias, congelados naquele tempo em que nunca havíamos ouvido falar de Covid-19. Hoje, além de querer falar de sentimentos contraditórios, quero também lhe contar que tenho visto, aqui da minha janela – real e virtual –, que o mundo está se transformando lá fora enquanto nos recolhemos. Quero lhe falar que tenho visto gente prestar sua ajuda a pessoas estranhas, distantes, desconhecidas.Também tenho visto gente que, endurecida em suas crenças cristalizadas, recusa-se a ver que o mundo exige de nós uma mudança de paradigmas. O planeta, saturado de nós, está nos dando a oportunidade de ressignificarmos nossa relação com o outro, com o espaço que ocupamos, com o que é essencial, com a nossa missão no mundo, com a nossa vulnerabilidade, com o dinheiro-papel (a popular grana), com o tempo, com a vida e o fim dela.
O mundo não será mais o mesmo depois dessa pandemia. Nós também não seremos mais os mesmos. E eu torço para que, quando tudo tiver passado, possamos dizer: “eu fiz a minha parte, entendi que é preciso que me recolha, que eu lute pela vida dos meus irmãos aqui na terra. Eu compreendi que, se cada um renunciar que em excesso, não há deter nenhum de nós sentindo fome, frio ou medo”. Em minha imaginação e em meu peito, eu conjuro uma humanidade que aprendeu – ainda que tenha sido de modo forçado – que não existe o outro. Somos todos um único organismo vivo. Quando um de nós perece, seja por falta de recursos materiais ou por irresponsabilidade, um pedacinho de nós desaparece junto com ele.
(Disponível em: https://www.contioutra.com/quando-o-mundo-de-fora-passa-a-existir-dentro-de-nos/ – texto adaptado especialmente para esta prova).
Considere as seguintes propostas de substituição de termos localizados no texto por outros que são seus sinônimos:
I. casulo – abrigo.
II. vulneráveis – aplacáveis.
III. conjuro – antevejo.
Quais estão corretas?
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Disciplina: Atualidades e Conhecimentos Gerais
Banca: FUNDATEC
Orgão: Pref. Frederico Westphalen-RS
“A comunidade, através de alguns cidadãos, decidiu por escolher um nome oficial para a Vila. Em 09 de outubro de 1927, ocorreu uma reunião nos “fundos” do Hotel Castelo, sendo acordado por todos os presentes que o nome deveria homenagear o primeiro Chefe do Escritório da Comissão de Terras: Frederico Westphalen. Em 15 de novembro de 1928, através do ato 30 assinado pelo Intendente de Palmeira, foi oficializado o 13º Distrito de Frederico Westphalen, pertencente ao município de Palmeira das Missões”
(Texto adaptado, retirado do site da Câmara Municipal de Frederico Westphalen)
Frederico Westphalen teve expressiva atuação política, econômica e social no período da República Velha Rio-grandense. Como membro do Partido Republicano, atuou na direção da Comissão de Terras e Colonização de Palmeira. Sua graduação era em:
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Disciplina: Raciocínio Lógico
Banca: FUNDATEC
Orgão: Pref. Frederico Westphalen-RS
Considere as seguintes representações para os conetivos: conjunção (!$ \land !$), negação ( ¬ ), condicional ( → ) e bicondicional ( ↔ ). Para os símbolos proposicionais P e Q, a tabela-verdade da fórmula (!$ P \rightarrow ¬ Q !$) ↔ (!$ P \land Q !$) é uma:
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Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: Pref. Frederico Westphalen-RS
Quando o mundo de fora passa a existir dentro de nós
Quero falar de sentimentos contraditórios, até porque talvez todos os sentimentos tragam em si lados opositores. Particularmente, nunca fui uma pessoa cem por cento caseira, ou obsecada em passar o tempo fora do lar. Sempre precisei de um certo equilíbrio entre ficar no meu cantinho e explorar o mundo exterior. Contraditório? Provavelmente. E, nestes tempos de voltar para o casulo em período integral, o que mais tenho feito – além de aspirar e esfregar cantos até então desconhecidos da minha casa –, tenho refletido bastante. Lembrei-me de uma ocasião em que, por um motivo de doença, tive de ficar em casa por dez dias, sem sair mesmo.Fui acometida por uma crise de labirintite, causada por uma bactéria do mar que se alojou no meu ouvido direito. Ficar quieta, naquela situação, não era uma escolha, era uma imposição do meu corpo que havia perdido o eixo de equilíbrio. Ficar em pé, ou mesmo mover a cabeça, eram um enorme desafio, posto que qualquer movimento me dava a sensação de estar em um barquinho numa tempestade em alto-mar. Vendo-me sem escolha, aquietei-me. Nada de ler, ou desenhar, ou pintar, ou bordar, ou fazer crochê. Tive de me contentar em ouvir música ou notícias pelo rádio; aprendi a relembrar histórias reais ou fictícias e conjurar filmes inteiros em minha imaginação; aprendi a meditar; fazia listas mentais de palavras em ordem alfabética; redecorava cômodos dentro da minha cabeça.
Aprendi com uma experiência bastante didática, a partir da qual compreendi o quanto somos vulneráveis e temos pouco controle sobre o que pode entrar em nossos corpos, sem nenhum tipo de convite. Bem, passados os dez dias, tenho viva na memória a sensação impactante que foi sair de casa pela primeira vez. Tudo parecia muito diferente, como se eu tivesse dormido por anos. Achei o mundo lá fora excessivamente ruidoso, iluminado e agressivo. Lembro-me de ter sentido até um desconforto físico, uma mistura de falta de ar com taquicardia. Precisei de tempo para me readaptar ao ritmo externo, depois de tanto tempo voltada para dentro de mim.Enquanto eu funcionava em câmera lenta, o mundo parecia acelerado por demais. Aos poucos,no entanto, o estranhamento foi passando. O mundo não se alterou por minha causa, mas eu tive de reaprender a me encaixar no seu ritmo.
Hoje, penso no quanto as nossas experiências pré-gressas são valiosos instrumentos de validação da nossa passagem por este mundo. Penso no quanto as memórias de momentos vividos são importantes para evocar a presença de pessoas queridas. Reflito sobre a importância dos espaços e dos tempos experiencia dos ou negligenciados na correria dos dias, congelados naquele tempo em que nunca havíamos ouvido falar de Covid-19. Hoje, além de querer falar de sentimentos contraditórios, quero também lhe contar que tenho visto, aqui da minha janela – real e virtual –, que o mundo está se transformando lá fora enquanto nos recolhemos. Quero lhe falar que tenho visto gente prestar sua ajuda a pessoas estranhas, distantes, desconhecidas.Também tenho visto gente que, endurecida em suas crenças cristalizadas, recusa-se a ver que o mundo exige de nós uma mudança de paradigmas. O planeta, saturado de nós, está nos dando a oportunidade de ressignificarmos nossa relação com o outro, com o espaço que ocupamos, com o que é essencial, com a nossa missão no mundo, com a nossa vulnerabilidade, com o dinheiro-papel (a popular grana), com o tempo, com a vida e o fim dela.
O mundo não será mais o mesmo depois dessa pandemia. Nós também não seremos mais os mesmos. E eu torço para que, quando tudo tiver passado, possamos dizer: “eu fiz a minha parte, entendi que é preciso que me recolha, que eu lute pela vida dos meus irmãos aqui na terra. Eu compreendi que, se cada um renunciar que em excesso, não há deter nenhum de nós sentindo fome, frio ou medo”. Em minha imaginação e em meu peito, eu conjuro uma humanidade que aprendeu – ainda que tenha sido de modo forçado – que não existe o outro. Somos todos um único organismo vivo. Quando um de nós perece, seja por falta de recursos materiais ou por irresponsabilidade, um pedacinho de nós desaparece junto com ele.
(Disponível em: https://www.contioutra.com/quando-o-mundo-de-fora-passa-a-existir-dentro-de-nos/ – texto adaptado especialmente para esta prova).
O termo “ajuda” é decorrente do processo de formação de palavras denominado derivação:
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