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Os 120 anos de 'Os Sertões', apontado como primeiro livro-reportagem brasileiro

"O sertanejo é, antes de tudo, um forte." Talvez esta seja a frase mais lembrada quando se trata do livro "Os Sertões", obra-prima escrita por Euclides da Cunha e lançada há exatos 120 anos.

O livro, muitas vezes visto como uma epopeia da vida do sertanejo, numa luta diuturna contra as dificuldades impostas pela natureza e enfrentando ainda incompreensão daqueles que formam a elite nacional, é considerado o primeiro livro-reportagem brasileiro, posto que foi escrito como romance de não ficção.

Euclides da Cunha, um jornalista de formação militar, foi enviado pelo jornal O Estado de S. Paulo em 1897 para cobrir a Guerra de Canudos, conflito armado ocorrido em 1896 e 1897 para encerrar a suposta contestação popular ao regime republicano que surgiu no interior da Bahia.

O convite para ser o correspondente de guerra do matutino paulistano foi feito pelo jornalista Júlio de Mesquita, proprietário do jornal. Antes, Euclides da Cunha havia publicado um artigo no periódico, chamado "A Nossa Vendeia", no qual traçava um paralelo entre o movimento chefiado pelo líder messiânico Antônio Vicente Mendes Maciel, mais conhecido como Antônio Conselheiro, no povoado de Belo Monte, terras onde antes havia um arraial chamado Canudos, com o movimento monarquista francês que pretendia derrubar a república, no fim do século 18.

Um texto redigido pela equipe do acervo do jornal O Estado de S. Paulo enfatiza o nascedouro da obra durante os meses em que Cunha atuou na cobertura especial do conflito. "É em Canudos que começa a escrever as primeiras notas de sua obra-prima 'Os Sertões', cujas primeiras amostras públicas aparecem no Estado, ainda em 1898, sob o título 'Excerto de Um Livro Inédito'", afirma o texto publicado pelo acervo do jornal.

Segundo conta o biógrafo de Cunha, o diplomata, cientista político e historiador Luís Cláudio Villafañe Santos, o jornalista "já saiu de São Paulo [rumo à Bahia] com a intenção de escrever um livro". "O jornal havia prometido a ele que publicaria um livro, em forma de folhetim. Isso acabou não ocorrendo", comenta Santos, que no ano passado publicou a obra "Euclides da Cunha - Uma Biografia".

"Os Sertões" seria escrito ao longo de cinco anos, de 1897 a 1902. "E, sim, se pode dizer que foi um pioneiro livro-reportagem porque tem muito de um livro que procura ser mais do que literatura, procura ser um livro de não ficção. Uma não ficção literária, um livro de jornalismo literário, para usar a expressão mais correta", afirma Santos.

Nesse sentido, Cunha vestiu a carapuça do jornalista que era. "No livro, está a ideia de que ele estava relatando fatos, ainda que o fizesse de forma literária", comenta o biógrafo.

Contudo, o interessante é notar que, ao longo do processo de depuração e escrita do livro, a própria visão de Euclides da Cunha sobre a ocorrência histórica parece ter mudado substancialmente. Se durante o conflito, quando ele reportava ao jornal O Estado de S. Paulo, sua visão era "oficialesca", na obra literária ele se põe numa postura de denúncia da violência impetrada contra os sertanejos.

Para isso é preciso entender o contexto. Para atuar na cobertura, o jornalista resgatou sua patente militar — era primeiro-tenente, mas havia deixado de exercer— e assim foi que ele atuou e teve os acessos necessários ao trabalho. "O jornal o mandou como jornalista, mas ele também foi a Belo Monte como militar. Levou uniforme, teve ajudante de ordens e uma inserção dentro do comando militar", aponta Santos.

"Depois, a narrativa do livro acabou sendo imensamente diferente da narrativa de suas reportagens publicados ao longo da guerra", compara o biógrafo. "Antes, ele tinha uma visão pró-Exército, oficialista, governista. E isso não se verifica quando ele escreveu o livro, cinco anos depois."

Para Santos, isso pode ter decorrido por causa da própria mudança de mentalidade da época. Àquela altura, já eram conhecidas as "muitas denúncias de todos os absurdos" cometidos durante as batalhas em Belo Monte.

Estudioso da obra de Euclides da Cunha reconhecido internacionalmente, o professor Leopoldo Bernucci, da Universidade da Califórnia em Davis, nos Estados Unidos, também concorda com a classificação pioneira de "Os Sertões" como livro-reportagem. Segundo ele, a obra pode ser definida "como um livro que absorve, como nenhum antes dele, um tipo de discurso que chamamos de reportagem". [...]

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/12/os-120-anos-de-os-sertoes-apontado-como-primeiro-livro-reportagembrasileiro.shtml (adaptado)

Assinale a opção em que se encontra a voz verbal reflexiva:

 

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"O sertanejo é, antes de tudo, um forte." Talvez esta seja a frase mais lembrada quando se trata do livro "Os Sertões", obra-prima escrita por Euclides da Cunha e lançada há exatos 120 anos.

O livro, muitas vezes visto como uma epopeia da vida do sertanejo, numa luta diuturna contra as dificuldades impostas pela natureza e enfrentando ainda incompreensão daqueles que formam a elite nacional, é considerado o primeiro livro-reportagem brasileiro, posto que foi escrito como romance de não ficção.

Euclides da Cunha, um jornalista de formação militar, foi enviado pelo jornal O Estado de S. Paulo em 1897 para cobrir a Guerra de Canudos, conflito armado ocorrido em 1896 e 1897 para encerrar a suposta contestação popular ao regime republicano que surgiu no interior da Bahia.

O convite para ser o correspondente de guerra do matutino paulistano foi feito pelo jornalista Júlio de Mesquita, proprietário do jornal. Antes, Euclides da Cunha havia publicado um artigo no periódico, chamado "A Nossa Vendeia", no qual traçava um paralelo entre o movimento chefiado pelo líder messiânico Antônio Vicente Mendes Maciel, mais conhecido como Antônio Conselheiro, no povoado de Belo Monte, terras onde antes havia um arraial chamado Canudos, com o movimento monarquista francês que pretendia derrubar a república, no fim do século 18.

Um texto redigido pela equipe do acervo do jornal O Estado de S. Paulo enfatiza o nascedouro da obra durante os meses em que Cunha atuou na cobertura especial do conflito. "É em Canudos que começa a escrever as primeiras notas de sua obra-prima 'Os Sertões', cujas primeiras amostras públicas aparecem no Estado, ainda em 1898, sob o título 'Excerto de Um Livro Inédito'", afirma o texto publicado pelo acervo do jornal.

Segundo conta o biógrafo de Cunha, o diplomata, cientista político e historiador Luís Cláudio Villafañe Santos, o jornalista "já saiu de São Paulo [rumo à Bahia] com a intenção de escrever um livro". "O jornal havia prometido a ele que publicaria um livro, em forma de folhetim. Isso acabou não ocorrendo", comenta Santos, que no ano passado publicou a obra "Euclides da Cunha - Uma Biografia".

"Os Sertões" seria escrito ao longo de cinco anos, de 1897 a 1902. "E, sim, se pode dizer que foi um pioneiro livro-reportagem porque tem muito de um livro que procura ser mais do que literatura, procura ser um livro de não ficção. Uma não ficção literária, um livro de jornalismo literário, para usar a expressão mais correta", afirma Santos.

Nesse sentido, Cunha vestiu a carapuça do jornalista que era. "No livro, está a ideia de que ele estava relatando fatos, ainda que o fizesse de forma literária", comenta o biógrafo.

Contudo, o interessante é notar que, ao longo do processo de depuração e escrita do livro, a própria visão de Euclides da Cunha sobre a ocorrência histórica parece ter mudado substancialmente. Se durante o conflito, quando ele reportava ao jornal O Estado de S. Paulo, sua visão era "oficialesca", na obra literária ele se põe numa postura de denúncia da violência impetrada contra os sertanejos.

Para isso é preciso entender o contexto. Para atuar na cobertura, o jornalista resgatou sua patente militar — era primeiro-tenente, mas havia deixado de exercer— e assim foi que ele atuou e teve os acessos necessários ao trabalho. "O jornal o mandou como jornalista, mas ele também foi a Belo Monte como militar. Levou uniforme, teve ajudante de ordens e uma inserção dentro do comando militar", aponta Santos.

"Depois, a narrativa do livro acabou sendo imensamente diferente da narrativa de suas reportagens publicados ao longo da guerra", compara o biógrafo. "Antes, ele tinha uma visão pró-Exército, oficialista, governista. E isso não se verifica quando ele escreveu o livro, cinco anos depois."

Para Santos, isso pode ter decorrido por causa da própria mudança de mentalidade da época. Àquela altura, já eram conhecidas as "muitas denúncias de todos os absurdos" cometidos durante as batalhas em Belo Monte.

Estudioso da obra de Euclides da Cunha reconhecido internacionalmente, o professor Leopoldo Bernucci, da Universidade da Califórnia em Davis, nos Estados Unidos, também concorda com a classificação pioneira de "Os Sertões" como livro-reportagem. Segundo ele, a obra pode ser definida "como um livro que absorve, como nenhum antes dele, um tipo de discurso que chamamos de reportagem". [...]

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/12/os-120-anos-de-os-sertoes-apontado-como-primeiro-livro-reportagembrasileiro.shtml (adaptado)

Assinale a opção em que as duas palavras devem ser acentuadas graficamente:

 

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"O sertanejo é, antes de tudo, um forte." Talvez esta seja a frase mais lembrada quando se trata do livro "Os Sertões", obra-prima escrita por Euclides da Cunha e lançada há exatos 120 anos.

O livro, muitas vezes visto como uma epopeia da vida do sertanejo, numa luta diuturna contra as dificuldades impostas pela natureza e enfrentando ainda incompreensão daqueles que formam a elite nacional, é considerado o primeiro livro-reportagem brasileiro, posto que foi escrito como romance de não ficção.

Euclides da Cunha, um jornalista de formação militar, foi enviado pelo jornal O Estado de S. Paulo em 1897 para cobrir a Guerra de Canudos, conflito armado ocorrido em 1896 e 1897 para encerrar a suposta contestação popular ao regime republicano que surgiu no interior da Bahia.

O convite para ser o correspondente de guerra do matutino paulistano foi feito pelo jornalista Júlio de Mesquita, proprietário do jornal. Antes, Euclides da Cunha havia publicado um artigo no periódico, chamado "A Nossa Vendeia", no qual traçava um paralelo entre o movimento chefiado pelo líder messiânico Antônio Vicente Mendes Maciel, mais conhecido como Antônio Conselheiro, no povoado de Belo Monte, terras onde antes havia um arraial chamado Canudos, com o movimento monarquista francês que pretendia derrubar a república, no fim do século 18.

Um texto redigido pela equipe do acervo do jornal O Estado de S. Paulo enfatiza o nascedouro da obra durante os meses em que Cunha atuou na cobertura especial do conflito. "É em Canudos que começa a escrever as primeiras notas de sua obra-prima 'Os Sertões', cujas primeiras amostras públicas aparecem no Estado, ainda em 1898, sob o título 'Excerto de Um Livro Inédito'", afirma o texto publicado pelo acervo do jornal.

Segundo conta o biógrafo de Cunha, o diplomata, cientista político e historiador Luís Cláudio Villafañe Santos, o jornalista "já saiu de São Paulo [rumo à Bahia] com a intenção de escrever um livro". "O jornal havia prometido a ele que publicaria um livro, em forma de folhetim. Isso acabou não ocorrendo", comenta Santos, que no ano passado publicou a obra "Euclides da Cunha - Uma Biografia".

"Os Sertões" seria escrito ao longo de cinco anos, de 1897 a 1902. "E, sim, se pode dizer que foi um pioneiro livro-reportagem porque tem muito de um livro que procura ser mais do que literatura, procura ser um livro de não ficção. Uma não ficção literária, um livro de jornalismo literário, para usar a expressão mais correta", afirma Santos.

Nesse sentido, Cunha vestiu a carapuça do jornalista que era. "No livro, está a ideia de que ele estava relatando fatos, ainda que o fizesse de forma literária", comenta o biógrafo.

Contudo, o interessante é notar que, ao longo do processo de depuração e escrita do livro, a própria visão de Euclides da Cunha sobre a ocorrência histórica parece ter mudado substancialmente. Se durante o conflito, quando ele reportava ao jornal O Estado de S. Paulo, sua visão era "oficialesca", na obra literária ele se põe numa postura de denúncia da violência impetrada contra os sertanejos.

Para isso é preciso entender o contexto. Para atuar na cobertura, o jornalista resgatou sua patente militar — era primeiro-tenente, mas havia deixado de exercer— e assim foi que ele atuou e teve os acessos necessários ao trabalho. "O jornal o mandou como jornalista, mas ele também foi a Belo Monte como militar. Levou uniforme, teve ajudante de ordens e uma inserção dentro do comando militar", aponta Santos.

"Depois, a narrativa do livro acabou sendo imensamente diferente da narrativa de suas reportagens publicados ao longo da guerra", compara o biógrafo. "Antes, ele tinha uma visão pró-Exército, oficialista, governista. E isso não se verifica quando ele escreveu o livro, cinco anos depois."

Para Santos, isso pode ter decorrido por causa da própria mudança de mentalidade da época. Àquela altura, já eram conhecidas as "muitas denúncias de todos os absurdos" cometidos durante as batalhas em Belo Monte.

Estudioso da obra de Euclides da Cunha reconhecido internacionalmente, o professor Leopoldo Bernucci, da Universidade da Califórnia em Davis, nos Estados Unidos, também concorda com a classificação pioneira de "Os Sertões" como livro-reportagem. Segundo ele, a obra pode ser definida "como um livro que absorve, como nenhum antes dele, um tipo de discurso que chamamos de reportagem". [...]

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/12/os-120-anos-de-os-sertoes-apontado-como-primeiro-livro-reportagembrasileiro.shtml (adaptado)

Observe as frases abaixo no que diz respeito à sintaxe de concordância nominal ou verbal:

1. Seguem anexas ao roteiro do filme “Guerra de Canudos” as imagens que registram as locações das filmagens.

2. Segundo a versão oficial, não houveram incidentes na campanha de Canudos, tudo transcorreu normalmente.

Avalie as assertivas corretas sobre as frases e marque a opção correta:

 

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Os 120 anos de 'Os Sertões', apontado como primeiro livro-reportagem brasileiro

"O sertanejo é, antes de tudo, um forte." Talvez esta seja a frase mais lembrada quando se trata do livro "Os Sertões", obra-prima escrita por Euclides da Cunha e lançada há exatos 120 anos.

O livro, muitas vezes visto como uma epopeia da vida do sertanejo, numa luta diuturna contra as dificuldades impostas pela natureza e enfrentando ainda incompreensão daqueles que formam a elite nacional, é considerado o primeiro livro-reportagem brasileiro, posto que foi escrito como romance de não ficção.

Euclides da Cunha, um jornalista de formação militar, foi enviado pelo jornal O Estado de S. Paulo em 1897 para cobrir a Guerra de Canudos, conflito armado ocorrido em 1896 e 1897 para encerrar a suposta contestação popular ao regime republicano que surgiu no interior da Bahia.

O convite para ser o correspondente de guerra do matutino paulistano foi feito pelo jornalista Júlio de Mesquita, proprietário do jornal. Antes, Euclides da Cunha havia publicado um artigo no periódico, chamado "A Nossa Vendeia", no qual traçava um paralelo entre o movimento chefiado pelo líder messiânico Antônio Vicente Mendes Maciel, mais conhecido como Antônio Conselheiro, no povoado de Belo Monte, terras onde antes havia um arraial chamado Canudos, com o movimento monarquista francês que pretendia derrubar a república, no fim do século 18.

Um texto redigido pela equipe do acervo do jornal O Estado de S. Paulo enfatiza o nascedouro da obra durante os meses em que Cunha atuou na cobertura especial do conflito. "É em Canudos que começa a escrever as primeiras notas de sua obra-prima 'Os Sertões', cujas primeiras amostras públicas aparecem no Estado, ainda em 1898, sob o título 'Excerto de Um Livro Inédito'", afirma o texto publicado pelo acervo do jornal.

Segundo conta o biógrafo de Cunha, o diplomata, cientista político e historiador Luís Cláudio Villafañe Santos, o jornalista "já saiu de São Paulo [rumo à Bahia] com a intenção de escrever um livro". "O jornal havia prometido a ele que publicaria um livro, em forma de folhetim. Isso acabou não ocorrendo", comenta Santos, que no ano passado publicou a obra "Euclides da Cunha - Uma Biografia".

"Os Sertões" seria escrito ao longo de cinco anos, de 1897 a 1902. "E, sim, se pode dizer que foi um pioneiro livro-reportagem porque tem muito de um livro que procura ser mais do que literatura, procura ser um livro de não ficção. Uma não ficção literária, um livro de jornalismo literário, para usar a expressão mais correta", afirma Santos.

Nesse sentido, Cunha vestiu a carapuça do jornalista que era. "No livro, está a ideia de que ele estava relatando fatos, ainda que o fizesse de forma literária", comenta o biógrafo.

Contudo, o interessante é notar que, ao longo do processo de depuração e escrita do livro, a própria visão de Euclides da Cunha sobre a ocorrência histórica parece ter mudado substancialmente. Se durante o conflito, quando ele reportava ao jornal O Estado de S. Paulo, sua visão era "oficialesca", na obra literária ele se põe numa postura de denúncia da violência impetrada contra os sertanejos.

Para isso é preciso entender o contexto. Para atuar na cobertura, o jornalista resgatou sua patente militar — era primeiro-tenente, mas havia deixado de exercer— e assim foi que ele atuou e teve os acessos necessários ao trabalho. "O jornal o mandou como jornalista, mas ele também foi a Belo Monte como militar. Levou uniforme, teve ajudante de ordens e uma inserção dentro do comando militar", aponta Santos.

"Depois, a narrativa do livro acabou sendo imensamente diferente da narrativa de suas reportagens publicados ao longo da guerra", compara o biógrafo. "Antes, ele tinha uma visão pró-Exército, oficialista, governista. E isso não se verifica quando ele escreveu o livro, cinco anos depois."

Para Santos, isso pode ter decorrido por causa da própria mudança de mentalidade da época. Àquela altura, já eram conhecidas as "muitas denúncias de todos os absurdos" cometidos durante as batalhas em Belo Monte.

Estudioso da obra de Euclides da Cunha reconhecido internacionalmente, o professor Leopoldo Bernucci, da Universidade da Califórnia em Davis, nos Estados Unidos, também concorda com a classificação pioneira de "Os Sertões" como livro-reportagem. Segundo ele, a obra pode ser definida "como um livro que absorve, como nenhum antes dele, um tipo de discurso que chamamos de reportagem". [...]

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/12/os-120-anos-de-os-sertoes-apontado-como-primeiro-livro-reportagembrasileiro.shtml (adaptado)

Marque a opção correta quanto à regência verbal de acordo com o padrão da língua:

 

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"O sertanejo é, antes de tudo, um forte." Talvez esta seja a frase mais lembrada quando se trata do livro "Os Sertões", obra-prima escrita por Euclides da Cunha e lançada há exatos 120 anos.

O livro, muitas vezes visto como uma epopeia da vida do sertanejo, numa luta diuturna contra as dificuldades impostas pela natureza e enfrentando ainda incompreensão daqueles que formam a elite nacional, é considerado o primeiro livro-reportagem brasileiro, posto que foi escrito como romance de não ficção.

Euclides da Cunha, um jornalista de formação militar, foi enviado pelo jornal O Estado de S. Paulo em 1897 para cobrir a Guerra de Canudos, conflito armado ocorrido em 1896 e 1897 para encerrar a suposta contestação popular ao regime republicano que surgiu no interior da Bahia.

O convite para ser o correspondente de guerra do matutino paulistano foi feito pelo jornalista Júlio de Mesquita, proprietário do jornal. Antes, Euclides da Cunha havia publicado um artigo no periódico, chamado "A Nossa Vendeia", no qual traçava um paralelo entre o movimento chefiado pelo líder messiânico Antônio Vicente Mendes Maciel, mais conhecido como Antônio Conselheiro, no povoado de Belo Monte, terras onde antes havia um arraial chamado Canudos, com o movimento monarquista francês que pretendia derrubar a república, no fim do século 18.

Um texto redigido pela equipe do acervo do jornal O Estado de S. Paulo enfatiza o nascedouro da obra durante os meses em que Cunha atuou na cobertura especial do conflito. "É em Canudos que começa a escrever as primeiras notas de sua obra-prima 'Os Sertões', cujas primeiras amostras públicas aparecem no Estado, ainda em 1898, sob o título 'Excerto de Um Livro Inédito'", afirma o texto publicado pelo acervo do jornal.

Segundo conta o biógrafo de Cunha, o diplomata, cientista político e historiador Luís Cláudio Villafañe Santos, o jornalista "já saiu de São Paulo [rumo à Bahia] com a intenção de escrever um livro". "O jornal havia prometido a ele que publicaria um livro, em forma de folhetim. Isso acabou não ocorrendo", comenta Santos, que no ano passado publicou a obra "Euclides da Cunha - Uma Biografia".

"Os Sertões" seria escrito ao longo de cinco anos, de 1897 a 1902. "E, sim, se pode dizer que foi um pioneiro livro-reportagem porque tem muito de um livro que procura ser mais do que literatura, procura ser um livro de não ficção. Uma não ficção literária, um livro de jornalismo literário, para usar a expressão mais correta", afirma Santos.

Nesse sentido, Cunha vestiu a carapuça do jornalista que era. "No livro, está a ideia de que ele estava relatando fatos, ainda que o fizesse de forma literária", comenta o biógrafo.

Contudo, o interessante é notar que, ao longo do processo de depuração e escrita do livro, a própria visão de Euclides da Cunha sobre a ocorrência histórica parece ter mudado substancialmente. Se durante o conflito, quando ele reportava ao jornal O Estado de S. Paulo, sua visão era "oficialesca", na obra literária ele se põe numa postura de denúncia da violência impetrada contra os sertanejos.

Para isso é preciso entender o contexto. Para atuar na cobertura, o jornalista resgatou sua patente militar — era primeiro-tenente, mas havia deixado de exercer— e assim foi que ele atuou e teve os acessos necessários ao trabalho. "O jornal o mandou como jornalista, mas ele também foi a Belo Monte como militar. Levou uniforme, teve ajudante de ordens e uma inserção dentro do comando militar", aponta Santos.

"Depois, a narrativa do livro acabou sendo imensamente diferente da narrativa de suas reportagens publicados ao longo da guerra", compara o biógrafo. "Antes, ele tinha uma visão pró-Exército, oficialista, governista. E isso não se verifica quando ele escreveu o livro, cinco anos depois."

Para Santos, isso pode ter decorrido por causa da própria mudança de mentalidade da época. Àquela altura, já eram conhecidas as "muitas denúncias de todos os absurdos" cometidos durante as batalhas em Belo Monte.

Estudioso da obra de Euclides da Cunha reconhecido internacionalmente, o professor Leopoldo Bernucci, da Universidade da Califórnia em Davis, nos Estados Unidos, também concorda com a classificação pioneira de "Os Sertões" como livro-reportagem. Segundo ele, a obra pode ser definida "como um livro que absorve, como nenhum antes dele, um tipo de discurso que chamamos de reportagem". [...]

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/12/os-120-anos-de-os-sertoes-apontado-como-primeiro-livro-reportagembrasileiro.shtml (adaptado)

De acordo com o texto, a Guerra de Canudos foi realizada tendo como justificativa:

 

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"O sertanejo é, antes de tudo, um forte." Talvez esta seja a frase mais lembrada quando se trata do livro "Os Sertões", obra-prima escrita por Euclides da Cunha e lançada há exatos 120 anos.

O livro, muitas vezes visto como uma epopeia da vida do sertanejo, numa luta diuturna contra as dificuldades impostas pela natureza e enfrentando ainda incompreensão daqueles que formam a elite nacional, é considerado o primeiro livro-reportagem brasileiro, posto que foi escrito como romance de não ficção.

Euclides da Cunha, um jornalista de formação militar, foi enviado pelo jornal O Estado de S. Paulo em 1897 para cobrir a Guerra de Canudos, conflito armado ocorrido em 1896 e 1897 para encerrar a suposta contestação popular ao regime republicano que surgiu no interior da Bahia.

O convite para ser o correspondente de guerra do matutino paulistano foi feito pelo jornalista Júlio de Mesquita, proprietário do jornal. Antes, Euclides da Cunha havia publicado um artigo no periódico, chamado "A Nossa Vendeia", no qual traçava um paralelo entre o movimento chefiado pelo líder messiânico Antônio Vicente Mendes Maciel, mais conhecido como Antônio Conselheiro, no povoado de Belo Monte, terras onde antes havia um arraial chamado Canudos, com o movimento monarquista francês que pretendia derrubar a república, no fim do século 18.

Um texto redigido pela equipe do acervo do jornal O Estado de S. Paulo enfatiza o nascedouro da obra durante os meses em que Cunha atuou na cobertura especial do conflito. "É em Canudos que começa a escrever as primeiras notas de sua obra-prima 'Os Sertões', cujas primeiras amostras públicas aparecem no Estado, ainda em 1898, sob o título 'Excerto de Um Livro Inédito'", afirma o texto publicado pelo acervo do jornal.

Segundo conta o biógrafo de Cunha, o diplomata, cientista político e historiador Luís Cláudio Villafañe Santos, o jornalista "já saiu de São Paulo [rumo à Bahia] com a intenção de escrever um livro". "O jornal havia prometido a ele que publicaria um livro, em forma de folhetim. Isso acabou não ocorrendo", comenta Santos, que no ano passado publicou a obra "Euclides da Cunha - Uma Biografia".

"Os Sertões" seria escrito ao longo de cinco anos, de 1897 a 1902. "E, sim, se pode dizer que foi um pioneiro livro-reportagem porque tem muito de um livro que procura ser mais do que literatura, procura ser um livro de não ficção. Uma não ficção literária, um livro de jornalismo literário, para usar a expressão mais correta", afirma Santos.

Nesse sentido, Cunha vestiu a carapuça do jornalista que era. "No livro, está a ideia de que ele estava relatando fatos, ainda que o fizesse de forma literária", comenta o biógrafo.

Contudo, o interessante é notar que, ao longo do processo de depuração e escrita do livro, a própria visão de Euclides da Cunha sobre a ocorrência histórica parece ter mudado substancialmente. Se durante o conflito, quando ele reportava ao jornal O Estado de S. Paulo, sua visão era "oficialesca", na obra literária ele se põe numa postura de denúncia da violência impetrada contra os sertanejos.

Para isso é preciso entender o contexto. Para atuar na cobertura, o jornalista resgatou sua patente militar — era primeiro-tenente, mas havia deixado de exercer— e assim foi que ele atuou e teve os acessos necessários ao trabalho. "O jornal o mandou como jornalista, mas ele também foi a Belo Monte como militar. Levou uniforme, teve ajudante de ordens e uma inserção dentro do comando militar", aponta Santos.

"Depois, a narrativa do livro acabou sendo imensamente diferente da narrativa de suas reportagens publicados ao longo da guerra", compara o biógrafo. "Antes, ele tinha uma visão pró-Exército, oficialista, governista. E isso não se verifica quando ele escreveu o livro, cinco anos depois."

Para Santos, isso pode ter decorrido por causa da própria mudança de mentalidade da época. Àquela altura, já eram conhecidas as "muitas denúncias de todos os absurdos" cometidos durante as batalhas em Belo Monte.

Estudioso da obra de Euclides da Cunha reconhecido internacionalmente, o professor Leopoldo Bernucci, da Universidade da Califórnia em Davis, nos Estados Unidos, também concorda com a classificação pioneira de "Os Sertões" como livro-reportagem. Segundo ele, a obra pode ser definida "como um livro que absorve, como nenhum antes dele, um tipo de discurso que chamamos de reportagem". [...]

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/12/os-120-anos-de-os-sertoes-apontado-como-primeiro-livro-reportagembrasileiro.shtml (adaptado)

Marque a opção em que os verbos estão conjugados na terceira pessoa do plural no tempo presente do modo indicativo:

 

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Os 120 anos de 'Os Sertões', apontado como primeiro livro-reportagem brasileiro

"O sertanejo é, antes de tudo, um forte." Talvez esta seja a frase mais lembrada quando se trata do livro "Os Sertões", obra-prima escrita por Euclides da Cunha e lançada há exatos 120 anos.

O livro, muitas vezes visto como uma epopeia da vida do sertanejo, numa luta diuturna contra as dificuldades impostas pela natureza e enfrentando ainda incompreensão daqueles que formam a elite nacional, é considerado o primeiro livro-reportagem brasileiro, posto que foi escrito como romance de não ficção.

Euclides da Cunha, um jornalista de formação militar, foi enviado pelo jornal O Estado de S. Paulo em 1897 para cobrir a Guerra de Canudos, conflito armado ocorrido em 1896 e 1897 para encerrar a suposta contestação popular ao regime republicano que surgiu no interior da Bahia.

O convite para ser o correspondente de guerra do matutino paulistano foi feito pelo jornalista Júlio de Mesquita, proprietário do jornal. Antes, Euclides da Cunha havia publicado um artigo no periódico, chamado "A Nossa Vendeia", no qual traçava um paralelo entre o movimento chefiado pelo líder messiânico Antônio Vicente Mendes Maciel, mais conhecido como Antônio Conselheiro, no povoado de Belo Monte, terras onde antes havia um arraial chamado Canudos, com o movimento monarquista francês que pretendia derrubar a república, no fim do século 18.

Um texto redigido pela equipe do acervo do jornal O Estado de S. Paulo enfatiza o nascedouro da obra durante os meses em que Cunha atuou na cobertura especial do conflito. "É em Canudos que começa a escrever as primeiras notas de sua obra-prima 'Os Sertões', cujas primeiras amostras públicas aparecem no Estado, ainda em 1898, sob o título 'Excerto de Um Livro Inédito'", afirma o texto publicado pelo acervo do jornal.

Segundo conta o biógrafo de Cunha, o diplomata, cientista político e historiador Luís Cláudio Villafañe Santos, o jornalista "já saiu de São Paulo [rumo à Bahia] com a intenção de escrever um livro". "O jornal havia prometido a ele que publicaria um livro, em forma de folhetim. Isso acabou não ocorrendo", comenta Santos, que no ano passado publicou a obra "Euclides da Cunha - Uma Biografia".

"Os Sertões" seria escrito ao longo de cinco anos, de 1897 a 1902. "E, sim, se pode dizer que foi um pioneiro livro-reportagem porque tem muito de um livro que procura ser mais do que literatura, procura ser um livro de não ficção. Uma não ficção literária, um livro de jornalismo literário, para usar a expressão mais correta", afirma Santos.

Nesse sentido, Cunha vestiu a carapuça do jornalista que era. "No livro, está a ideia de que ele estava relatando fatos, ainda que o fizesse de forma literária", comenta o biógrafo.

Contudo, o interessante é notar que, ao longo do processo de depuração e escrita do livro, a própria visão de Euclides da Cunha sobre a ocorrência histórica parece ter mudado substancialmente. Se durante o conflito, quando ele reportava ao jornal O Estado de S. Paulo, sua visão era "oficialesca", na obra literária ele se põe numa postura de denúncia da violência impetrada contra os sertanejos.

Para isso é preciso entender o contexto. Para atuar na cobertura, o jornalista resgatou sua patente militar — era primeiro-tenente, mas havia deixado de exercer— e assim foi que ele atuou e teve os acessos necessários ao trabalho. "O jornal o mandou como jornalista, mas ele também foi a Belo Monte como militar. Levou uniforme, teve ajudante de ordens e uma inserção dentro do comando militar", aponta Santos.

"Depois, a narrativa do livro acabou sendo imensamente diferente da narrativa de suas reportagens publicados ao longo da guerra", compara o biógrafo. "Antes, ele tinha uma visão pró-Exército, oficialista, governista. E isso não se verifica quando ele escreveu o livro, cinco anos depois."

Para Santos, isso pode ter decorrido por causa da própria mudança de mentalidade da época. Àquela altura, já eram conhecidas as "muitas denúncias de todos os absurdos" cometidos durante as batalhas em Belo Monte.

Estudioso da obra de Euclides da Cunha reconhecido internacionalmente, o professor Leopoldo Bernucci, da Universidade da Califórnia em Davis, nos Estados Unidos, também concorda com a classificação pioneira de "Os Sertões" como livro-reportagem. Segundo ele, a obra pode ser definida "como um livro que absorve, como nenhum antes dele, um tipo de discurso que chamamos de reportagem". [...]

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/12/os-120-anos-de-os-sertoes-apontado-como-primeiro-livro-reportagembrasileiro.shtml (adaptado)

Assinale a opção que apresenta corretamente a justificativa para a crase em: “...já saiu de São Paulo [rumo à Bahia]” (6° parágrafo).

 

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Os 120 anos de 'Os Sertões', apontado como primeiro livro-reportagem brasileiro

"O sertanejo é, antes de tudo, um forte." Talvez esta seja a frase mais lembrada quando se trata do livro "Os Sertões", obra-prima escrita por Euclides da Cunha e lançada há exatos 120 anos.

O livro, muitas vezes visto como uma epopeia da vida do sertanejo, numa luta diuturna contra as dificuldades impostas pela natureza e enfrentando ainda incompreensão daqueles que formam a elite nacional, é considerado o primeiro livro-reportagem brasileiro, posto que foi escrito como romance de não ficção.

Euclides da Cunha, um jornalista de formação militar, foi enviado pelo jornal O Estado de S. Paulo em 1897 para cobrir a Guerra de Canudos, conflito armado ocorrido em 1896 e 1897 para encerrar a suposta contestação popular ao regime republicano que surgiu no interior da Bahia.

O convite para ser o correspondente de guerra do matutino paulistano foi feito pelo jornalista Júlio de Mesquita, proprietário do jornal. Antes, Euclides da Cunha havia publicado um artigo no periódico, chamado "A Nossa Vendeia", no qual traçava um paralelo entre o movimento chefiado pelo líder messiânico Antônio Vicente Mendes Maciel, mais conhecido como Antônio Conselheiro, no povoado de Belo Monte, terras onde antes havia um arraial chamado Canudos, com o movimento monarquista francês que pretendia derrubar a república, no fim do século 18.

Um texto redigido pela equipe do acervo do jornal O Estado de S. Paulo enfatiza o nascedouro da obra durante os meses em que Cunha atuou na cobertura especial do conflito. "É em Canudos que começa a escrever as primeiras notas de sua obra-prima 'Os Sertões', cujas primeiras amostras públicas aparecem no Estado, ainda em 1898, sob o título 'Excerto de Um Livro Inédito'", afirma o texto publicado pelo acervo do jornal.

Segundo conta o biógrafo de Cunha, o diplomata, cientista político e historiador Luís Cláudio Villafañe Santos, o jornalista "já saiu de São Paulo [rumo à Bahia] com a intenção de escrever um livro". "O jornal havia prometido a ele que publicaria um livro, em forma de folhetim. Isso acabou não ocorrendo", comenta Santos, que no ano passado publicou a obra "Euclides da Cunha - Uma Biografia".

"Os Sertões" seria escrito ao longo de cinco anos, de 1897 a 1902. "E, sim, se pode dizer que foi um pioneiro livro-reportagem porque tem muito de um livro que procura ser mais do que literatura, procura ser um livro de não ficção. Uma não ficção literária, um livro de jornalismo literário, para usar a expressão mais correta", afirma Santos.

Nesse sentido, Cunha vestiu a carapuça do jornalista que era. "No livro, está a ideia de que ele estava relatando fatos, ainda que o fizesse de forma literária", comenta o biógrafo.

Contudo, o interessante é notar que, ao longo do processo de depuração e escrita do livro, a própria visão de Euclides da Cunha sobre a ocorrência histórica parece ter mudado substancialmente. Se durante o conflito, quando ele reportava ao jornal O Estado de S. Paulo, sua visão era "oficialesca", na obra literária ele se põe numa postura de denúncia da violência impetrada contra os sertanejos.

Para isso é preciso entender o contexto. Para atuar na cobertura, o jornalista resgatou sua patente militar — era primeiro-tenente, mas havia deixado de exercer— e assim foi que ele atuou e teve os acessos necessários ao trabalho. "O jornal o mandou como jornalista, mas ele também foi a Belo Monte como militar. Levou uniforme, teve ajudante de ordens e uma inserção dentro do comando militar", aponta Santos.

"Depois, a narrativa do livro acabou sendo imensamente diferente da narrativa de suas reportagens publicados ao longo da guerra", compara o biógrafo. "Antes, ele tinha uma visão pró-Exército, oficialista, governista. E isso não se verifica quando ele escreveu o livro, cinco anos depois."

Para Santos, isso pode ter decorrido por causa da própria mudança de mentalidade da época. Àquela altura, já eram conhecidas as "muitas denúncias de todos os absurdos" cometidos durante as batalhas em Belo Monte.

Estudioso da obra de Euclides da Cunha reconhecido internacionalmente, o professor Leopoldo Bernucci, da Universidade da Califórnia em Davis, nos Estados Unidos, também concorda com a classificação pioneira de "Os Sertões" como livro-reportagem. Segundo ele, a obra pode ser definida "como um livro que absorve, como nenhum antes dele, um tipo de discurso que chamamos de reportagem". [...]

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/12/os-120-anos-de-os-sertoes-apontado-como-primeiro-livro-reportagembrasileiro.shtml (adaptado)

Assinale a opção que apresenta corretamente uma afirmação sobre a frase retirada do texto, com base na palavra sublinhada:

 

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Os 120 anos de 'Os Sertões', apontado como primeiro livro-reportagem brasileiro

"O sertanejo é, antes de tudo, um forte." Talvez esta seja a frase mais lembrada quando se trata do livro "Os Sertões", obra-prima escrita por Euclides da Cunha e lançada há exatos 120 anos.

O livro, muitas vezes visto como uma epopeia da vida do sertanejo, numa luta diuturna contra as dificuldades impostas pela natureza e enfrentando ainda incompreensão daqueles que formam a elite nacional, é considerado o primeiro livro-reportagem brasileiro, posto que foi escrito como romance de não ficção.

Euclides da Cunha, um jornalista de formação militar, foi enviado pelo jornal O Estado de S. Paulo em 1897 para cobrir a Guerra de Canudos, conflito armado ocorrido em 1896 e 1897 para encerrar a suposta contestação popular ao regime republicano que surgiu no interior da Bahia.

O convite para ser o correspondente de guerra do matutino paulistano foi feito pelo jornalista Júlio de Mesquita, proprietário do jornal. Antes, Euclides da Cunha havia publicado um artigo no periódico, chamado "A Nossa Vendeia", no qual traçava um paralelo entre o movimento chefiado pelo líder messiânico Antônio Vicente Mendes Maciel, mais conhecido como Antônio Conselheiro, no povoado de Belo Monte, terras onde antes havia um arraial chamado Canudos, com o movimento monarquista francês que pretendia derrubar a república, no fim do século 18.

Um texto redigido pela equipe do acervo do jornal O Estado de S. Paulo enfatiza o nascedouro da obra durante os meses em que Cunha atuou na cobertura especial do conflito. "É em Canudos que começa a escrever as primeiras notas de sua obra-prima 'Os Sertões', cujas primeiras amostras públicas aparecem no Estado, ainda em 1898, sob o título 'Excerto de Um Livro Inédito'", afirma o texto publicado pelo acervo do jornal.

Segundo conta o biógrafo de Cunha, o diplomata, cientista político e historiador Luís Cláudio Villafañe Santos, o jornalista "já saiu de São Paulo [rumo à Bahia] com a intenção de escrever um livro". "O jornal havia prometido a ele que publicaria um livro, em forma de folhetim. Isso acabou não ocorrendo", comenta Santos, que no ano passado publicou a obra "Euclides da Cunha - Uma Biografia".

"Os Sertões" seria escrito ao longo de cinco anos, de 1897 a 1902. "E, sim, se pode dizer que foi um pioneiro livro-reportagem porque tem muito de um livro que procura ser mais do que literatura, procura ser um livro de não ficção. Uma não ficção literária, um livro de jornalismo literário, para usar a expressão mais correta", afirma Santos.

Nesse sentido, Cunha vestiu a carapuça do jornalista que era. "No livro, está a ideia de que ele estava relatando fatos, ainda que o fizesse de forma literária", comenta o biógrafo.

Contudo, o interessante é notar que, ao longo do processo de depuração e escrita do livro, a própria visão de Euclides da Cunha sobre a ocorrência histórica parece ter mudado substancialmente. Se durante o conflito, quando ele reportava ao jornal O Estado de S. Paulo, sua visão era "oficialesca", na obra literária ele se põe numa postura de denúncia da violência impetrada contra os sertanejos.

Para isso é preciso entender o contexto. Para atuar na cobertura, o jornalista resgatou sua patente militar — era primeiro-tenente, mas havia deixado de exercer— e assim foi que ele atuou e teve os acessos necessários ao trabalho. "O jornal o mandou como jornalista, mas ele também foi a Belo Monte como militar. Levou uniforme, teve ajudante de ordens e uma inserção dentro do comando militar", aponta Santos.

"Depois, a narrativa do livro acabou sendo imensamente diferente da narrativa de suas reportagens publicados ao longo da guerra", compara o biógrafo. "Antes, ele tinha uma visão pró-Exército, oficialista, governista. E isso não se verifica quando ele escreveu o livro, cinco anos depois."

Para Santos, isso pode ter decorrido por causa da própria mudança de mentalidade da época. Àquela altura, já eram conhecidas as "muitas denúncias de todos os absurdos" cometidos durante as batalhas em Belo Monte.

Estudioso da obra de Euclides da Cunha reconhecido internacionalmente, o professor Leopoldo Bernucci, da Universidade da Califórnia em Davis, nos Estados Unidos, também concorda com a classificação pioneira de "Os Sertões" como livro-reportagem. Segundo ele, a obra pode ser definida "como um livro que absorve, como nenhum antes dele, um tipo de discurso que chamamos de reportagem". [...]

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/12/os-120-anos-de-os-sertoes-apontado-como-primeiro-livro-reportagembrasileiro.shtml (adaptado)

Assinale a alternativa que apresenta uma afirmação correta sobre o texto:

 

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Dos diversos tipos de aprendizagem humana, ARREDONDO E GONZÁLEZ destacam em seu livro Ensine a estudar... aprenda a aprender: didática do estudo (vol. I, 2012:26-27) três tipos básicos: a aprendizagem por reflexo condicionado, a aprendizagem por memorização e a aprendizagem por ensaio e erro. Tomando como base essa classificação, enumere a segunda coluna de acordo com a primeira, associando cada tipo de aprendizagem à sua respectiva base conceitual:

Coluna 1

1. Aprendizagem por reflexo condicionado.

2. Aprendizagem por memorização.

3. Aprendizagem por ensaio e erro.

Coluna 2

( ) Baseia-se num trabalho de reflexão para resolver problemas que envolve pesquisa, seleção, comparação, organização e ensaio.

( ) Baseia-se no princípio psicológico preconizado pelo comportamentalismo, para o qual um estímulo é sempre seguido de uma resposta. ( ) Baseia-se num conjunto de operações metódicas que auxiliam na codificação, armazenamento e recuperação de dados, seja de forma mecânica, seja de forma consciente.

A sequência correta do preenchimento dos parênteses de cima para baixo é:

Questão Anulada

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