Foram encontradas 617 questões.
- Temas Educacionais PedagógicosInclusão e Exclusão: Diversidade, Desigualdade e Diferença
- Políticas Educacionais
- Direitos Humanos
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
O preconceito cotidiano e disfarçado
No mês em que se fala do orgulho de pertencer à
comunidade LGBTQIA+, também é preciso discutir as
diferentes formas de discriminação
"O que me preocupa nos seus exames é a possibilidade
de HIV."
Eu não lembro exatamente as palavras do médico,
tamanho o estresse que aquela consulta me causou. Eu
estava vivendo um momento muito delicado. Poucas
semanas antes, havia tido a primeira experiência com
um homem. Dentro de mim, uma confusão de emoções,
com muita culpa. Ninguém sabia daquilo, tudo ainda era
solitário.
Tinham me indicado o médico como capaz de desvendar
diagnósticos improváveis. Não o havia procurado por
algo ligado à minha sexualidade, mas para entender o
motivo de manchas vermelhas na pele com as quais eu
convivia havia anos, e que nenhum outro médico soube
explicar.
Na primeira consulta, o senhor de cabelos brancos havia
feito perguntas sobre meu histórico e rotina. "E, por
acaso, você está vivendo um momento de estresse?"
Hipocondríaco como sou, não consegui esconder e
acabei contando sobre a "novidade". Foi como uma
primeira saída do armário, ainda que protegida pelo sigilo
profissional. A reação dele foi fria, mas não estranhei,
mesmo que por dentro meu coração disparasse.
Quando me sentei de novo naquela cadeira, ele ficou
olhando para o computador por um bom tempo. Meu
chão desapareceu quando o silêncio foi quebrado pela
afirmação de que as manchas não o preocupavam, mas
sim "a possibilidade de HIV". Tentei controlar um ataque
de pânico enquanto ele me explicava a sua suspeita.
Pedi para fazer um exame no mesmo dia, mas ele disse
que eu teria que aguardar a janela imunológica de 90
dias. Ou seja, três meses de angústia, sem poder
compartilhar com ninguém.
Aquele gesto frio, em que a minha sexualidade pareceu
orientar a suspeita, reforçou estereótipos do "ser gay"
que me acompanhavam por muitos anos. Se em uma
única relação com um homem eu já teria adoecido, então
aquilo era mesmo errado e minha atitude havia me
condenado. Nunca retornei àquele consultório e fiz
testes de farmácia sozinho, toda semana, até o fim dos
90 dias. Todos negativos.
Seis anos depois, eu tenho consciência do episódio
covarde de preconceito que vivi, mas naquele momento
eu nem consegui enxergá-lo. Quando conversei com
amigos médicos sobre o episódio, todos me disseram
que aqueles resultados não acendiam alarme para o
diagnóstico. No mês em que se fala do orgulho de
pertencer à comunidade LGBTQIA+, também é preciso
discutir as diferentes formas de discriminação. Existem
as mais barulhentas, com gritos, projetos de lei ou
violência física. Mas também há o preconceito cotidiano
e disfarçado, em que o intolerante se aproveita da
vulnerabilidade do outro para agredir.
Hoje eu também sei que um diagnóstico de HIV está
longe de ser uma sentença de morte: o tratamento
permite uma vida comum e interrompe a transmissão do
vírus. O estigma e a desinformação, contudo,
permanecem.
Compartilho essa experiência não como denúncia, mas
por saber que muita gente está, neste momento, sentada
em uma cadeira parecida, ouvindo de quem deveria
cuidar uma frase que ecoa o pior que já pensou sobre si.
O orgulho é, além de celebração, a tentativa de mostrar
a essas pessoas que elas não estão sozinhas na sala,
como eu e muitos outros já estiveram.
Texto de O Globo: "O preconceito cotidiano e disfarçado". Publicado
em 10 jun. 2026.
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O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
O preconceito cotidiano e disfarçado
No mês em que se fala do orgulho de pertencer à
comunidade LGBTQIA+, também é preciso discutir as
diferentes formas de discriminação
"O que me preocupa nos seus exames é a possibilidade
de HIV."
Eu não lembro exatamente as palavras do médico,
tamanho o estresse que aquela consulta me causou. Eu
estava vivendo um momento muito delicado. Poucas
semanas antes, havia tido a primeira experiência com
um homem. Dentro de mim, uma confusão de emoções,
com muita culpa. Ninguém sabia daquilo, tudo ainda era
solitário.
Tinham me indicado o médico como capaz de desvendar
diagnósticos improváveis. Não o havia procurado por
algo ligado à minha sexualidade, mas para entender o
motivo de manchas vermelhas na pele com as quais eu
convivia havia anos, e que nenhum outro médico soube
explicar.
Na primeira consulta, o senhor de cabelos brancos havia
feito perguntas sobre meu histórico e rotina. "E, por
acaso, você está vivendo um momento de estresse?"
Hipocondríaco como sou, não consegui esconder e
acabei contando sobre a "novidade". Foi como uma
primeira saída do armário, ainda que protegida pelo sigilo
profissional. A reação dele foi fria, mas não estranhei,
mesmo que por dentro meu coração disparasse.
Quando me sentei de novo naquela cadeira, ele ficou
olhando para o computador por um bom tempo. Meu
chão desapareceu quando o silêncio foi quebrado pela
afirmação de que as manchas não o preocupavam, mas
sim "a possibilidade de HIV". Tentei controlar um ataque
de pânico enquanto ele me explicava a sua suspeita.
Pedi para fazer um exame no mesmo dia, mas ele disse
que eu teria que aguardar a janela imunológica de 90
dias. Ou seja, três meses de angústia, sem poder
compartilhar com ninguém.
Aquele gesto frio, em que a minha sexualidade pareceu
orientar a suspeita, reforçou estereótipos do "ser gay"
que me acompanhavam por muitos anos. Se em uma
única relação com um homem eu já teria adoecido, então
aquilo era mesmo errado e minha atitude havia me
condenado. Nunca retornei àquele consultório e fiz
testes de farmácia sozinho, toda semana, até o fim dos
90 dias. Todos negativos.
Seis anos depois, eu tenho consciência do episódio
covarde de preconceito que vivi, mas naquele momento
eu nem consegui enxergá-lo. Quando conversei com
amigos médicos sobre o episódio, todos me disseram
que aqueles resultados não acendiam alarme para o
diagnóstico. No mês em que se fala do orgulho de
pertencer à comunidade LGBTQIA+, também é preciso
discutir as diferentes formas de discriminação. Existem
as mais barulhentas, com gritos, projetos de lei ou
violência física. Mas também há o preconceito cotidiano
e disfarçado, em que o intolerante se aproveita da
vulnerabilidade do outro para agredir.
Hoje eu também sei que um diagnóstico de HIV está
longe de ser uma sentença de morte: o tratamento
permite uma vida comum e interrompe a transmissão do
vírus. O estigma e a desinformação, contudo,
permanecem.
Compartilho essa experiência não como denúncia, mas
por saber que muita gente está, neste momento, sentada
em uma cadeira parecida, ouvindo de quem deveria
cuidar uma frase que ecoa o pior que já pensou sobre si.
O orgulho é, além de celebração, a tentativa de mostrar
a essas pessoas que elas não estão sozinhas na sala,
como eu e muitos outros já estiveram.
Texto de O Globo: "O preconceito cotidiano e disfarçado". Publicado
em 10 jun. 2026.
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O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
A remada viking e a herança cultural da Noruega
Na Copa do Mundo de 2026, a seleção da Noruega
chamou a atenção por uma comemoração que
rapidamente se tornou uma marca registrada de seus
jogadores e torcedores. Após as vitórias, os atletas se
sentavam no gramado e simulavam movimentos de
remada em perfeita sincronia, enquanto o capitão Martin ⌀degaard comandava um tambor. O gesto fazia
referência aos antigos navegadores escandinavos
conhecidos como vikings.
Os vikings eram povos originários da Escandinávia —
especialmente das regiões que hoje correspondem à
Noruega, à Suécia e à Dinamarca. Entre os séculos VIII
e XI, eles se destacaram por suas viagens marítimas,
atividades comerciais e expedições por diversas partes
da Europa e até da América do Norte.
A tecnologia naval desenvolvida por esse povo permitia
a construção de embarcações rápidas e resistentes,
capazes de navegar em mares e rios. Por isso, os navios
vikings tornaram-se símbolos de exploração, mobilidade
e expansão cultural.
Durante muito tempo, a cultura popular difundiu a
imagem dos vikings como guerreiros loiros, de olhos
azuis e pertencentes a um povo homogêneo. Entretanto,
estudos genéticos recentes demonstraram que eles
possuíam grande diversidade étnica, com ascendência
proveniente de diferentes regiões da Europa e da Ásia.
As pesquisas também indicam que a identidade viking
não dependia da origem genética, mas de um modo de
vida compartilhado. Segundo os cientistas, havia vikings
que sequer possuíam genes escandinavos, o que reforça
a ideia de que as identidades culturais são construções
históricas e sociais, frequentemente mais diversas do
que os estereótipos sugerem.
Por essa razão, a remada viking adotada pela torcida
norueguesa durante a Copa do Mundo de 2026
ultrapassa uma simples comemoração esportiva. O gesto
representa a valorização de uma herança cultural que, à
luz das pesquisas atuais, revela-se mais plural e diversa
do que tradicionalmente se imaginava.
Texto adaptado de: BBC News Brasil. "Quem eram os vikings e por
que a Noruega celebra a 'remada viking' na Copa do Mundo".
Publicado em 23 jun. 2026.
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- SintaxeTermos Essenciais da Oração
- SintaxeConcordância
- MorfologiaVerbosConjugaçãoFlexão Verbal de Número
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
A remada viking e a herança cultural da Noruega
Na Copa do Mundo de 2026, a seleção da Noruega
chamou a atenção por uma comemoração que
rapidamente se tornou uma marca registrada de seus
jogadores e torcedores. Após as vitórias, os atletas se
sentavam no gramado e simulavam movimentos de
remada em perfeita sincronia, enquanto o capitão Martin ⌀degaard comandava um tambor. O gesto fazia
referência aos antigos navegadores escandinavos
conhecidos como vikings.
Os vikings eram povos originários da Escandinávia —
especialmente das regiões que hoje correspondem à
Noruega, à Suécia e à Dinamarca. Entre os séculos VIII
e XI, eles se destacaram por suas viagens marítimas,
atividades comerciais e expedições por diversas partes
da Europa e até da América do Norte.
A tecnologia naval desenvolvida por esse povo permitia
a construção de embarcações rápidas e resistentes,
capazes de navegar em mares e rios. Por isso, os navios
vikings tornaram-se símbolos de exploração, mobilidade
e expansão cultural.
Durante muito tempo, a cultura popular difundiu a
imagem dos vikings como guerreiros loiros, de olhos
azuis e pertencentes a um povo homogêneo. Entretanto,
estudos genéticos recentes demonstraram que eles
possuíam grande diversidade étnica, com ascendência
proveniente de diferentes regiões da Europa e da Ásia.
As pesquisas também indicam que a identidade viking
não dependia da origem genética, mas de um modo de
vida compartilhado. Segundo os cientistas, havia vikings
que sequer possuíam genes escandinavos, o que reforça
a ideia de que as identidades culturais são construções
históricas e sociais, frequentemente mais diversas do
que os estereótipos sugerem.
Por essa razão, a remada viking adotada pela torcida
norueguesa durante a Copa do Mundo de 2026
ultrapassa uma simples comemoração esportiva. O gesto
representa a valorização de uma herança cultural que, à
luz das pesquisas atuais, revela-se mais plural e diversa
do que tradicionalmente se imaginava.
Texto adaptado de: BBC News Brasil. "Quem eram os vikings e por
que a Noruega celebra a 'remada viking' na Copa do Mundo".
Publicado em 23 jun. 2026.
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O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
A remada viking e a herança cultural da Noruega
Na Copa do Mundo de 2026, a seleção da Noruega
chamou a atenção por uma comemoração que
rapidamente se tornou uma marca registrada de seus
jogadores e torcedores. Após as vitórias, os atletas se
sentavam no gramado e simulavam movimentos de
remada em perfeita sincronia, enquanto o capitão Martin ⌀degaard comandava um tambor. O gesto fazia
referência aos antigos navegadores escandinavos
conhecidos como vikings.
Os vikings eram povos originários da Escandinávia —
especialmente das regiões que hoje correspondem à
Noruega, à Suécia e à Dinamarca. Entre os séculos VIII
e XI, eles se destacaram por suas viagens marítimas,
atividades comerciais e expedições por diversas partes
da Europa e até da América do Norte.
A tecnologia naval desenvolvida por esse povo permitia
a construção de embarcações rápidas e resistentes,
capazes de navegar em mares e rios. Por isso, os navios
vikings tornaram-se símbolos de exploração, mobilidade
e expansão cultural.
Durante muito tempo, a cultura popular difundiu a
imagem dos vikings como guerreiros loiros, de olhos
azuis e pertencentes a um povo homogêneo. Entretanto,
estudos genéticos recentes demonstraram que eles
possuíam grande diversidade étnica, com ascendência
proveniente de diferentes regiões da Europa e da Ásia.
As pesquisas também indicam que a identidade viking
não dependia da origem genética, mas de um modo de
vida compartilhado. Segundo os cientistas, havia vikings
que sequer possuíam genes escandinavos, o que reforça
a ideia de que as identidades culturais são construções
históricas e sociais, frequentemente mais diversas do
que os estereótipos sugerem.
Por essa razão, a remada viking adotada pela torcida
norueguesa durante a Copa do Mundo de 2026
ultrapassa uma simples comemoração esportiva. O gesto
representa a valorização de uma herança cultural que, à
luz das pesquisas atuais, revela-se mais plural e diversa
do que tradicionalmente se imaginava.
Texto adaptado de: BBC News Brasil. "Quem eram os vikings e por
que a Noruega celebra a 'remada viking' na Copa do Mundo".
Publicado em 23 jun. 2026.
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O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
A remada viking e a herança cultural da Noruega
Na Copa do Mundo de 2026, a seleção da Noruega
chamou a atenção por uma comemoração que
rapidamente se tornou uma marca registrada de seus
jogadores e torcedores. Após as vitórias, os atletas se
sentavam no gramado e simulavam movimentos de
remada em perfeita sincronia, enquanto o capitão Martin ⌀degaard comandava um tambor. O gesto fazia
referência aos antigos navegadores escandinavos
conhecidos como vikings.
Os vikings eram povos originários da Escandinávia —
especialmente das regiões que hoje correspondem à
Noruega, à Suécia e à Dinamarca. Entre os séculos VIII
e XI, eles se destacaram por suas viagens marítimas,
atividades comerciais e expedições por diversas partes
da Europa e até da América do Norte.
A tecnologia naval desenvolvida por esse povo permitia
a construção de embarcações rápidas e resistentes,
capazes de navegar em mares e rios. Por isso, os navios
vikings tornaram-se símbolos de exploração, mobilidade
e expansão cultural.
Durante muito tempo, a cultura popular difundiu a
imagem dos vikings como guerreiros loiros, de olhos
azuis e pertencentes a um povo homogêneo. Entretanto,
estudos genéticos recentes demonstraram que eles
possuíam grande diversidade étnica, com ascendência
proveniente de diferentes regiões da Europa e da Ásia.
As pesquisas também indicam que a identidade viking
não dependia da origem genética, mas de um modo de
vida compartilhado. Segundo os cientistas, havia vikings
que sequer possuíam genes escandinavos, o que reforça
a ideia de que as identidades culturais são construções
históricas e sociais, frequentemente mais diversas do
que os estereótipos sugerem.
Por essa razão, a remada viking adotada pela torcida
norueguesa durante a Copa do Mundo de 2026
ultrapassa uma simples comemoração esportiva. O gesto
representa a valorização de uma herança cultural que, à
luz das pesquisas atuais, revela-se mais plural e diversa
do que tradicionalmente se imaginava.
Texto adaptado de: BBC News Brasil. "Quem eram os vikings e por
que a Noruega celebra a 'remada viking' na Copa do Mundo".
Publicado em 23 jun. 2026.
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O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
De quem são os meninos de rua?
Eu, na rua, com pressa, e o menino segurou no meu
braço, falou qualquer coisa que não entendi. Fui logo
dizendo que não tinha, certa de que ele estava pedindo
dinheiro. Não estava. Queria saber a hora.
Talvez não fosse um Menino De Família, mas também
não era um Menino De Rua. É assim que a gente divide.
Menino De Família é aquele bem-vestido com tênis da
moda e camiseta de marca, que usa relógio e a mãe dá
outro se o dele for roubado por um Menino De Rua.
Menino De Rua é aquele que quando a gente passa
perto segura a bolsa com força porque pensa que ele é
pivete, trombadinha, ladrão.
Ouvindo essas expressões tem-se a impressão de que
as coisas se passam muito naturalmente, uns nascendo
De Família, outros nascendo De Rua. Como se a rua, e
não uma família, não um pai e uma mãe, ou mesmo
apenas uma mãe os tivesse gerado, sendo eles filhos
diretos dos paralelepípedos e das calçadas, diferentes,
portanto, das outras crianças, e excluídos das
preocupações que temos com elas. É por isso, talvez,
que, se vemos uma criança bem-vestida chorando
sozinha num shopping center ou num supermercado,
logo nos acercamos protetores, perguntando se está
perdida, ou precisando de alguma coisa. Mas se vemos
uma criança maltrapilha chorando num sinal com uma
caixa de chicletes na mão, engrenamos a primeira no
carro e nos afastamos pensando vagamente no seu
abandono.
Na verdade, não existem meninos de Rua. Existem
meninos na Rua. E toda vez que um menino está na rua
é porque alguém o botou lá. Os meninos não vão
sozinhos aos lugares. Assim como são postos no mundo,
durante muitos anos também são postos onde quer que
estejam. Resta ver quem os põe na rua e por quê.
Quando eu era criança, ouvi contar muitas vezes a
história de João e Maria, dois irmãos filhos de pobres
lenhadores, em cuja casa a fome chegou a um ponto em
que, não havendo mais comida nenhuma, foram levados
pelo pai ao bosque, e ali abandonados. Não creio que os
7 milhões de crianças brasileiras abandonadas
conheçam a história de João e Maria. Se conhecessem
talvez nem vissem a semelhança. Pois João e Maria
tinham uma casa de verdade, um casal de pais, roupas e
sapatos. João e Maria tinham começado a vida como
Meninos de Família, e pelas mãos do pai foram levados
ao abandono.
Quem leva nossas crianças ao abandono? Quando
dizemos "crianças abandonadas" subentendemos que
foram abandonadas pela família, pelos pais. E, embora
penalizados, circunscrevemos o problema ao âmbito
familiar, de uma família gigantesca e generalizada, à
qual não pertencemos e com a qual não queremos nos meter. Apaziguamos assim nossa consciência, enquanto
tratamos, isso sim, de cuidar amorosamente de nossos
próprios filhos, aqueles que "nos pertencem".
Mas, embora uma criança possa ser abandonada pelos
pais, ou duas ou dez crianças possam ser abandonadas
pela família, 7 milhões de crianças só podem ser
abandonadas pela coletividade. Até recentemente,
tínhamos o direito de atribuir esse abandono ao governo
e responsabilizá-Io. Mas, em tempos de Nova República,
quando queremos que os cidadãos sejam o governo, já
não podemos apenas passar adiante a responsabilidade.
A hora chegou, portanto, de irmos ao bosque, buscar as
crianças brasileiras que ali foram deixadas.
Marina Colasanti. Revista Manchete, 1986.
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O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
De quem são os meninos de rua?
Eu, na rua, com pressa, e o menino segurou no meu
braço, falou qualquer coisa que não entendi. Fui logo
dizendo que não tinha, certa de que ele estava pedindo
dinheiro. Não estava. Queria saber a hora.
Talvez não fosse um Menino De Família, mas também
não era um Menino De Rua. É assim que a gente divide.
Menino De Família é aquele bem-vestido com tênis da
moda e camiseta de marca, que usa relógio e a mãe dá
outro se o dele for roubado por um Menino De Rua.
Menino De Rua é aquele que quando a gente passa
perto segura a bolsa com força porque pensa que ele é
pivete, trombadinha, ladrão.
Ouvindo essas expressões tem-se a impressão de que
as coisas se passam muito naturalmente, uns nascendo
De Família, outros nascendo De Rua. Como se a rua, e
não uma família, não um pai e uma mãe, ou mesmo
apenas uma mãe os tivesse gerado, sendo eles filhos
diretos dos paralelepípedos e das calçadas, diferentes,
portanto, das outras crianças, e excluídos das
preocupações que temos com elas. É por isso, talvez,
que, se vemos uma criança bem-vestida chorando
sozinha num shopping center ou num supermercado,
logo nos acercamos protetores, perguntando se está
perdida, ou precisando de alguma coisa. Mas se vemos
uma criança maltrapilha chorando num sinal com uma
caixa de chicletes na mão, engrenamos a primeira no
carro e nos afastamos pensando vagamente no seu
abandono.
Na verdade, não existem meninos de Rua. Existem
meninos na Rua. E toda vez que um menino está na rua
é porque alguém o botou lá. Os meninos não vão
sozinhos aos lugares. Assim como são postos no mundo,
durante muitos anos também são postos onde quer que
estejam. Resta ver quem os põe na rua e por quê.
Quando eu era criança, ouvi contar muitas vezes a
história de João e Maria, dois irmãos filhos de pobres
lenhadores, em cuja casa a fome chegou a um ponto em
que, não havendo mais comida nenhuma, foram levados
pelo pai ao bosque, e ali abandonados. Não creio que os
7 milhões de crianças brasileiras abandonadas
conheçam a história de João e Maria. Se conhecessem
talvez nem vissem a semelhança. Pois João e Maria
tinham uma casa de verdade, um casal de pais, roupas e
sapatos. João e Maria tinham começado a vida como
Meninos de Família, e pelas mãos do pai foram levados
ao abandono.
Quem leva nossas crianças ao abandono? Quando
dizemos "crianças abandonadas" subentendemos que
foram abandonadas pela família, pelos pais. E, embora
penalizados, circunscrevemos o problema ao âmbito
familiar, de uma família gigantesca e generalizada, à
qual não pertencemos e com a qual não queremos nos meter. Apaziguamos assim nossa consciência, enquanto
tratamos, isso sim, de cuidar amorosamente de nossos
próprios filhos, aqueles que "nos pertencem".
Mas, embora uma criança possa ser abandonada pelos
pais, ou duas ou dez crianças possam ser abandonadas
pela família, 7 milhões de crianças só podem ser
abandonadas pela coletividade. Até recentemente,
tínhamos o direito de atribuir esse abandono ao governo
e responsabilizá-Io. Mas, em tempos de Nova República,
quando queremos que os cidadãos sejam o governo, já
não podemos apenas passar adiante a responsabilidade.
A hora chegou, portanto, de irmos ao bosque, buscar as
crianças brasileiras que ali foram deixadas.
Marina Colasanti. Revista Manchete, 1986.
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4226317
Ano: 2026
Disciplina: Inglês (Língua Inglesa)
Banca: AMEOSC
Orgão: Pref. São Miguel Oeste-SC
Disciplina: Inglês (Língua Inglesa)
Banca: AMEOSC
Orgão: Pref. São Miguel Oeste-SC
Provas:
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Peru's Nazca lines were paths for prehistoric culture:
Japanese researchers
Tokyo, 16 Jan (EFE).- The mysteries shrouding Peru's
Nazca Lines have intrigued scientists for decades. Now,
a group of Japanese researchers has developed a new
theory that the geoglyphs etched into the ground served
as paths and routes. The lines forged into myriad figures
of animals and plants straddle an area of 1,000 square
kilometers of the immense Ica desert in southern Peru.
They were created during the Nazca culture, a
pre-Columbian archaeological culture that flourished
between the 1st and 7th centuries BC. A research team
led by Masato Sakai, of the University of Yamagata in
western Japan, has discovered, with the help of local
archaeologists, aerial images and drones, over 350 new
etchings since 2004. Sakai says there are two types of
geoglyphs, linear motifs that were created by removing
the upper black stones to reveal the white earth
underneath and raised lines that give the pictorial
representations depth and that archeologists call relief
lines. «The linear ones exist at the beginning and end of
straight paths and can be used to travel from one valley
to another (...) while the relief ones are on the sides of
paths that are not straight and are usually etched on a
slope,» the expert says. The meaning of the lines has
long been up for debate. Some say they represented an
astronomical calendar, others considered they were
religious figures and some have even suggested that
they serve as landing pads for UFOs. «I'm interested in
letters,» Sakai says. «Everyone uses alphabets, but in
Andean civilization, they didn't have that way of
communicating, so I wanted to discover how they did
(communicate).»
The researcher is convinced that the Nazca lines were
used as a means of prehistoric communication
Despite their antiquity, the geoglyphs were not
discovered until 1930 because these could only be
appreciated with an aerial view or from some of the site's
surrounding hills. The team of Japanese researchers
started the project using satellite and aerial photos, and
more recently using drones, and have now identified
hundreds of figures, including a spider, a monkey, a
hummingbird, a condor, a pelican, a gull, a snail, a whale,
a snake and a llama. The team struck a deal with tech
giant IBM in 2019 and have tapped into state-of-the-art
artificial intelligence (AI) that could help reveal the
location of more figures and help with deciphering their
meaning. «It is always a hypothesis, but we hope that
with AI we can check whether theories are correct or
suggest better ones that coincide with the new data,» the
expert adds. Finding all the figures, which according to
the expert could be in the thousands, is key to their
conservation from both the weather and mining and
agriculture which is prevalent in the region. «For the
people of Nazca, the geoglyphs are a source of pride because the city is not very big, but many people come to
see the figures. When we find new ones, we share the
information with the local people because we know that
they will respect and defend them, because it is the work
of their ancestors» Sakai says. EFE
https://efe.com/other-news/2023-01-16/nazca-lines/
"Everyone uses alphabets, but in Andean civilization, they didn't have that way of communicating, so I wanted to discover how they did (communicate)."
In the context of the text, Sakai's statement indicates that his research is concerned with:
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4226316
Ano: 2026
Disciplina: Inglês (Língua Inglesa)
Banca: AMEOSC
Orgão: Pref. São Miguel Oeste-SC
Disciplina: Inglês (Língua Inglesa)
Banca: AMEOSC
Orgão: Pref. São Miguel Oeste-SC
Provas:
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Peru's Nazca lines were paths for prehistoric culture:
Japanese researchers
Tokyo, 16 Jan (EFE).- The mysteries shrouding Peru's
Nazca Lines have intrigued scientists for decades. Now,
a group of Japanese researchers has developed a new
theory that the geoglyphs etched into the ground served
as paths and routes. The lines forged into myriad figures
of animals and plants straddle an area of 1,000 square
kilometers of the immense Ica desert in southern Peru.
They were created during the Nazca culture, a
pre-Columbian archaeological culture that flourished
between the 1st and 7th centuries BC. A research team
led by Masato Sakai, of the University of Yamagata in
western Japan, has discovered, with the help of local
archaeologists, aerial images and drones, over 350 new
etchings since 2004. Sakai says there are two types of
geoglyphs, linear motifs that were created by removing
the upper black stones to reveal the white earth
underneath and raised lines that give the pictorial
representations depth and that archeologists call relief
lines. «The linear ones exist at the beginning and end of
straight paths and can be used to travel from one valley
to another (...) while the relief ones are on the sides of
paths that are not straight and are usually etched on a
slope,» the expert says. The meaning of the lines has
long been up for debate. Some say they represented an
astronomical calendar, others considered they were
religious figures and some have even suggested that
they serve as landing pads for UFOs. «I'm interested in
letters,» Sakai says. «Everyone uses alphabets, but in
Andean civilization, they didn't have that way of
communicating, so I wanted to discover how they did
(communicate).»
The researcher is convinced that the Nazca lines were
used as a means of prehistoric communication
Despite their antiquity, the geoglyphs were not
discovered until 1930 because these could only be
appreciated with an aerial view or from some of the site's
surrounding hills. The team of Japanese researchers
started the project using satellite and aerial photos, and
more recently using drones, and have now identified
hundreds of figures, including a spider, a monkey, a
hummingbird, a condor, a pelican, a gull, a snail, a whale,
a snake and a llama. The team struck a deal with tech
giant IBM in 2019 and have tapped into state-of-the-art
artificial intelligence (AI) that could help reveal the
location of more figures and help with deciphering their
meaning. «It is always a hypothesis, but we hope that
with AI we can check whether theories are correct or
suggest better ones that coincide with the new data,» the
expert adds. Finding all the figures, which according to
the expert could be in the thousands, is key to their
conservation from both the weather and mining and
agriculture which is prevalent in the region. «For the
people of Nazca, the geoglyphs are a source of pride because the city is not very big, but many people come to
see the figures. When we find new ones, we share the
information with the local people because we know that
they will respect and defend them, because it is the work
of their ancestors» Sakai says. EFE
https://efe.com/other-news/2023-01-16/nazca-lines/
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