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Respondida
Em um processo administrativo, a autoridade tomou decisão sem indicar fundamentos fáticos e jurídicos.
Assinale a alternativa correta:
Respondida
A compreensão da estrutura da Administração
Pública e dos regimes jurídicos aplicáveis à prestação de serviços públicos é crucial para a atuação do
Ministério Público na fiscalização e defesa dos interesses sociais. Sobre a organização administrativa e
os serviços públicos, assinale a alternativa correta.
A
As empresas públicas e sociedades de economia
mista, por possuírem personalidade jurídica de
direito privado, submetem-se integralmente ao
regime jurídico das empresas privadas, inclusive no que tange à dispensa de licitação para
contratações e à livre contratação de pessoal,
sem concurso público.
B
A Lei nº 13.460/2017, que estabelece normas
básicas para a participação, proteção e defesa
dos direitos dos usuários de serviços públicos,
aplica-se exclusivamente aos serviços públicos
prestados diretamente pela Administração Pública, não abrangendo os serviços delegados a
concessionárias e permissionárias.
C
As Parcerias Público-Privadas (PPPs) e as concessões de serviços públicos, embora transfiram
a execução do serviço ao particular, não eximem
o Poder Público da responsabilidade pela sua
fiscalização e pela garantia da continuidade e
adequação da prestação, podendo o Ministério Público atuar para assegurar a efetividade
desses deveres.
D
Os consórcios públicos, instituídos pela Lei
nº 11.107/2005, podem adquirir personalidade
jurídica de direito público ou privado, sendo
que, na primeira hipótese, submetem-se ao
regime de direito público, mas, na segunda,
ficam dispensados de observar as normas de
licitação e concurso público para contratação
de pessoal.
E
O Ministério Público possui atribuição para fiscalizar os repasses de recursos públicos para
entidades do Terceiro Setor (Organizações Sociais, OSCIPs e OSCs), mas sua atuação se
restringe à verificação da legalidade formal dos
convênios e termos de parceria, não podendo
adentrar na análise da economicidade ou da
efetividade da aplicação dos recursos.
Respondida
A Lei nº 14.133/2021 (Nova Lei de Licitações e
Contratos Administrativos) e a Lei nº 12.846/2013
(Lei Anticorrupção) estabelecem um regime de
responsabilização e prevenção de ilícitos que exige
profunda compreensão da interação entre seus dispositivos e a interpretação dos Tribunais Superiores.
Considerando a jurisprudência do Supremo Tribunal
Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ)
sobre a matéria, assinale a alternativa INCORRETA.
A
A responsabilidade objetiva da pessoa jurídica
por atos lesivos à administração pública, nos
termos da Lei Anticorrupção, não implica a extensão automática das sanções administrativas
a todas as empresas de um mesmo grupo econômico, exigindo-se a comprovação de atuação
conjunta ou de confusão patrimonial para tal
extensão, conforme entendimento do STJ.
B
A existência e a efetividade de um programa de
integridade, embora não afastem a responsabilidade objetiva da pessoa jurídica, são fatores
que devem ser considerados na dosimetria
das sanções administrativas e na avaliação da
boa-fé do licitante, conforme expressamente previsto na Lei nº 14.133/2021 e na Lei
nº 12.846/2013.
C
O acordo de leniência, celebrado com a Controladoria-Geral da União ou com o Ministério
Público, tem o condão de isentar a pessoa jurídica das sanções de proibição de contratar com
o poder público e de declaração de inidoneidade, mas não a exime da obrigação de reparar
integralmente o dano causado à Administração
Pública.
D
A sanção de declaração de inidoneidade
para licitar ou contratar, prevista na Lei
nº 14.133/2021, possui efeitos erga omnes e
impede a pessoa jurídica de participar de licitações e celebrar contratos com qualquer ente
da Administração Pública, em todos os níveis
de governo, independentemente do órgão que
a aplicou.
E
A Lei nº 14.133/2021, ao prever a exigência
de programa de integridade para contratações
de grande vulto, não dispensa a Administração
Pública de realizar diligência prévia para verificar a efetividade das medidas de compliance,
sendo insuficiente a mera apresentação formal
do programa para atestar a boa-fé do licitante.
Respondida
A interface entre a Lei de Acesso à Informação
(LAI), a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e os
mecanismos de solução consensual de conflitos com
o Poder Público representa um campo complexo e
de grande relevância para a atuação do Ministério
Público, especialmente no que tange à proteção
de direitos fundamentais e à eficiência da gestão
pública. Sobre esses temas, assinale a alternativa
correta.
A
A Lei de Acesso à Informação (Lei
nº 12.527/2011) estabelece que o acesso a
informações pessoais relativas à intimidade,
vida privada, honra e imagem é irrestrito, desde que a informação seja de interesse público,
prevalecendo o princípio da publicidade sobre
o da privacidade, conforme entendimento consolidado do Supremo Tribunal Federal.
B
O Ministério Público, em sua função de fiscal da
lei e defensor dos direitos e interesses difusos
e coletivos, não possui competência para atuar
na fiscalização do cumprimento da Lei Geral de Proteção de Dados (Lei nº 13.709/2018) por
órgãos públicos e entidades privadas, sendo
a Autoridade Nacional de Proteção de Dados
(ANPD) o único órgão com atribuição para
impor sanções administrativas e promover a
adequação.
C
A celebração de Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) pelo Ministério Público com entes
da Administração Pública, visando à adequação
de condutas e à reparação de danos, constitui
um instrumento de autocomposição que, uma
vez homologado judicialmente, adquire eficácia
de título executivo extrajudicial, vinculando as
partes e evitando a propositura de ação judicial,
mas não impede a responsabilização por atos
de improbidade administrativa que exijam dolo
específico.
D
A Lei nº 13.655/2018, ao alterar a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB),
preconiza que as decisões administrativas, controladoras ou judiciais que impuserem compensação ou sanção devem considerar a existência
de obstáculos e dificuldades reais do gestor, as
circunstâncias práticas que levaram à decisão
e as consequências jurídicas, administrativas
e econômicas da anulação, o que exige uma
análise consequencialista e proporcional, sem,
contudo, afastar a responsabilização por condutas ilegais ou ímprobas.
E
Os portais da transparência, embora essenciais
para a LAI, não podem divulgar dados pessoais
de servidores públicos, como remuneração e
lotação, sob pena de violação da LGPD, prevalecendo o direito à privacidade sobre o princípio da publicidade na Administração Pública,
mesmo após o Tema 483 de Repercussão Geral
do STF.
Respondida
O controle da Administração Pública e a fiscalização das políticas públicas pelo Ministério Público
são temas de complexidade crescente, especialmente diante das diretrizes da Lei nº 13.655/2018 (que
alterou a LINDB) e da jurisprudência do Supremo
Tribunal Federal sobre o ativismo judicial e os limites da intervenção do Poder Judiciário. Analise as
proposições a seguir e assinale a alternativa correta.
A
A Lei nº 13.655/2018, ao introduzir o art.
20 na LINDB, impõe aos órgãos de controle,
incluindo o Ministério Público, o dever de considerar as consequências práticas da decisão
administrativa, o que implica uma mitigação do
controle de legalidade em favor de uma análise de custo-benefício da intervenção, vedando a
anulação de atos administrativos com base em
vícios meramente formais.
B
A intervenção do Poder Judiciário, e por extensão do Ministério Público, no mérito das políticas
públicas é vedada em qualquer hipótese, sob
pena de violação ao princípio da separação dos
poderes e da discricionariedade administrativa, ainda que a omissão estatal comprometa
o mínimo existencial e a dignidade da pessoa
humana, pois a reserva do possível prevalece
sobre o direito fundamental.
C
O controle exercido pelos Tribunais de Contas
possui natureza exclusivamente fiscalizatória e
opinativa, não produzindo efeitos vinculantes
para o Ministério Público em suas ações de responsabilização, que deve reavaliar integralmente a matéria de fato e de direito, independentemente da decisão da Corte de Contas, mesmo
em face de imputação de débito ou multa.
D
A teoria dos motivos determinantes, aplicada
aos atos administrativos discricionários, permite ao Poder Judiciário invalidar o ato caso
os motivos declarados pela Administração não
correspondam à realidade, mas não autoriza a
substituição da motivação ou a imposição de
nova conduta ao administrador, sendo que a
Lei nº 13.655/2018 reforça essa limitação ao
controle judicial.
E
O Ministério Público, ao atuar no controle de
políticas públicas, pode propor a judicialização
de demandas para exigir a implementação de
medidas que garantam direitos fundamentais,
mesmo que isso implique a definição de prioridades orçamentárias e a escolha de métodos
de execução, desde que haja omissão inconstitucional ou ilegalidade manifesta e a decisão
judicial observe o consequencialismo e a ponderação de interesses públicos.
Respondida
A Lei nº 14.230/2021 promoveu substanciais
alterações na Lei de Improbidade Administrativa (Lei
nº 8.429/1992), impactando diretamente a atuação do Ministério Público na defesa do patrimônio
público. Considerando as inovações legislativas e
a jurisprudência consolidada do Supremo Tribunal
Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ),
assinale a alternativa correta.
A
A exigência de dolo específico para a configuração de todos os atos de improbidade administrativa, introduzida pela Lei nº 14.230/2021,
retroage para beneficiar todos os atos ímprobos
culposos praticados antes de sua vigência, em
razão do princípio da retroatividade da lei penal
mais benéfica, aplicado subsidiariamente ao
direito administrativo sancionador.
B
A celebração de acordo de não persecução cível
(ANPC) pelo Ministério Público, nos termos da
nova LIA, obsta a propositura de ação de improbidade administrativa contra o agente público,
mas não impede a responsabilização da pessoa
jurídica por meio de processo administrativo
de responsabilização (PAR) com base na Lei
Anticorrupção.
C
A Lei nº 12.846/2013 (Lei Anticorrupção) estabelece a responsabilidade objetiva da pessoa
jurídica por atos lesivos à administração pública,
sendo que a sua aplicação não afasta a possibilidade de responsabilização do agente público
por improbidade administrativa, desde que
comprovado o dolo em sua conduta, conforme
a nova sistemática da LIA.
D
O reconhecimento da prescrição intercorrente
na ação de improbidade administrativa, após a
Lei nº 14.230/2021, opera-se de forma automática e independe de provocação das partes,
bastando o transcurso do prazo de quatro anos
sem prolação de sentença ou acórdão que confirme a condenação.
E
A sanção de perda da função pública, aplicada em sede de improbidade administrativa,
restringe-se à função exercida pelo agente no
momento da prática do ato ímprobo, não alcançando eventual novo vínculo funcional que o
agente venha a ocupar após a condenação, em
observância ao princípio da proporcionalidade.
Respondida
Em relação à Lei de Improbidade Administrativa - LIA (Lei nº 8.429, de 2 de junho de 1992,
atualizada pela Lei nº 14.230, de 25 de outubro de
2021), assinale a alternativa INCORRETA.
A
Não é mais admitida a forma culposa de ato
de improbidade administrativa, passando-se a
exigir um elemento subjetivo especial do tipo
para a caracterização de todo e qualquer ato
ofensivo aos princípios da administração pública
previsto na LIA ou em leis esparsas.
B
O prazo prescricional passou a ser único, de
8 (oito) anos, contados a partir da ocorrência
do fato ou, no caso de infrações permanentes,
do dia em que cessou a permanência, independentemente da natureza do vínculo entre
o agente ímprobo e o ente lesado.
C
A nova LIA não prevê expressamente a figura
do nepotismo como um dos atos de improbidade
administrativa que atentam contra os princípios
da administração pública.
D
A LIA prevê duas espécies de medidas cautelares, quais sejam: I - indisponibilidade dos
bens, assecuratória do resultado útil da tutela
jurisdicional e II - afastamento do agente público do exercício do cargo, emprego ou função,
que tem por finalidade assegurar a normalidade
da instrução processual ou evitar a iminente
prática de novos ilícitos.
E
Uma característica importante dos chamados
acordos de não persecução cível, previstos na
LIA, é que a colaboração do agente infrator
com as investigações não é um pressuposto do
acordo, diferindo, portando, dos institutos de
direito premial, como os acordos de leniência
e acordos de colaboração premiada.
Respondida
A Lei Anticorrupção Empresarial – Lei
nº 12.846/2013 representa um importante marco
no cumprimento de compromissos internacionais
assumidos pelo Brasil, com o fim de promover um
efetivo combate à corrupção. Sobre referido diploma
legal, é INCORRETO afirmar que:
A
dentre as principais inovações, destaca-se a
possibilidade de atenuação da sanção por intermédio de mecanismos de integridade da pessoa
jurídica (compliance ) e a previsão do chamado
acordo de leniência, a ser celebrado com as
pessoas jurídicas responsáveis pela prática dos
atos lesivos previstos na lei, para incentivá-las
a colaborar efetivamente com as investigações
e o processo administrativo.
B
o STJ pacificou o entendimento de que a Lei
Anticorrupção (para empresas) e a Lei de Improbidade Administrativa (para agentes públicos
e pessoas que induzem/concorrem para o ato)
não podem ser aplicadas de forma conjunta.
C
uma das grandes inovações trazidas pela Lei
Anticorrupção foi a imposição de responsabilidade objetiva, civil e administrativa à pessoa
jurídica por atos lesivos à Administração Pública, nacional ou estrangeira, estando fundada na
teoria do risco-proveito, na qual o responsável
é aquele que tira proveito da atividade danosa.
D
se houver simulação ou fraude na fusão ou incorporação, permanecerá íntegra a possiblidade
de responsabilização da pessoa jurídica, com
transmissibilidade de todas as sanções previstas
na Lei Anticorrupção à empresa sucessora, não
limitadas ao patrimônio transferido.
E
será adotado o rito previsto na Lei nº 7.347/1985
– Lei de Ação Civil Pública nas ações de responsabilização judicial tratadas pela Lei Anticorrupção.
Respondida
O CAU/CE decide lançar um edital para financiar projetos de reformas arquitetônicas específicas para comunidades compostas por famílias de baixa renda. Considerando a legislação federal que regulamenta a assistência técnica gratuita, é correto
afirmar que a seleção dos arquitetos responsáveis:
Respondida
Claudete atua como diretora de uma autarquia federal e foi questionada por seus pares sobre a possiblidade de classificação
de informações de forma sigilosa. De acordo com a Lei de Acesso à Informação (LAI), a classificação de informação como
sigilosa por razão de interesse público exige: