No contexto da crise do regime militar brasileiro,
especialmente a partir do final da década de 1970, a
abertura política foi marcada por ambiguidades
estruturais, nas quais a ampliação da participação
social convivia com mecanismos institucionais de
contenção e controle. Segundo Boris Fausto, a
transição brasileira caracterizou-se por um processo
negociado, no qual a pressão popular exerceu papel
relevante, mas não determinante de forma exclusiva
(FAUSTO, 2013). O movimento das Diretas Já
emergiu, nesse cenário, como uma das maiores
mobilizações de massa da história republicana,
articulando partidos políticos, movimentos sociais,
setores da sociedade civil e frações das elites, em torno
da reivindicação por eleições diretas para a
Presidência da República. Entretanto, a derrota da
Emenda Dante de Oliveira no Congresso Nacional
revelou os limites institucionais da mobilização
popular dentro da estrutura autoritária ainda vigente.
À luz dessa interpretação historiográfica, assinale a
alternativa que melhor expressa o papel histórico
das Diretas Já no processo de redemocratização
brasileira.
Nas últimas décadas, parte da historiografia
passou a se interessar de modo mais atento pelas
formas pelas quais a violência histórica se inscreve nos
corpos e afeta a experiência dos sujeitos em situaçõeslimite. Nesse horizonte interpretativo, o texto “O
corpo e o campo de concentração”, de Annette
Becker, propõe uma leitura do universo
concentracionário que não dissocia a vivência
corporal das estruturas políticas e institucionais que
organizam o sistema dos campos (BECKER, 2008).
Ao analisar a experiência concentracionária, Becker
evidencia como a organização administrativa, militar
e normativa dos campos produziu um tipo específico
de experiência histórica, na qual o corpo se torna alvo
privilegiado de dispositivos de poder voltados à degradação, ao controle e à destruição progressiva do
sujeito (BECKER, 2008).
Considerando essa abordagem, assinale a alternativa
que melhor expressa a interpretação da autora
sobre a relação entre corpo, poder e experiência
histórica.
O golpe civil-militar de 1964 instaurou, no Brasil,
um regime autoritário que articulou legalidade formal
e suspensão seletiva de direitos. A noção de estado de
exceção tem sido utilizada pela historiografia para
interpretar esse período não como simples ruptura
institucional, mas como uma forma específica de
exercício do poder. Considerando essa chave analítica,
assinale a alternativa que melhor expressa a lógica
do estado de exceção instaurado após 1964.
Os movimentos sociais da Primeira República
brasileira foram frequentemente interpretados pelas
elites políticas, militares e intelectuais a partir de
matrizes explicativas que combinavam evolucionismo
social, cientificismo e projetos autoritários de
modernização. Nesse contexto, a experiência de
Canudos foi alvo de leituras que justificaram sua
repressão extrema. Considerando as interpretações
dominantes no discurso oficial e intelectual da
época, assinale a alternativa correta.
A escravidão africana no Brasil integrou-se a um
sistema atlântico de larga escala, marcado pelas
viagens ultramarinas, pelo deslocamento forçado e
pela reorganização compulsória da vida dos africanos
no espaço colonial. Ao longo desse processo,
observam-se tanto estratégias de sobrevivência,
adaptação e recriação sociocultural por parte dos
africanos escravizados quanto a consolidação de discursos raciais voltados à legitimação da ordem
escravista. Considerando essa dinâmica histórica,
assinale a alternativa que apresenta a interpretação
historiograficamente mais consistente sobre a
relação entre travessia atlântica, adaptação dos
africanos e racismo no Brasil.
A escola histórica social inglesa consolidou-se
como uma vertente crítica às interpretações
economicistas e às leituras teleológicas da história
social, propondo uma abordagem atenta às
experiências vividas, às práticas culturais e aos
conflitos sociais. Nesse campo, a obra de E. P.
Thompson (2012) ocupa lugar central ao redefinir a
noção de classe e o papel da experiência histórica na
constituição dos sujeitos sociais. Considerando essa
perspectiva, assinale a alternativa que expressa de
forma mais precisa a concepção thompsoniana de
classe social e sua implicação metodológica para a
escrita da história.
No Brasil das primeiras décadas do século XX, o
discurso médico-higienista consolidou-se como um
saber institucionalizado, mobilizado pelo Estado
republicano para enfrentar crises sanitárias, urbanas e
sociais. Em situações de emergência, como as grandes
secas, esse discurso orientou políticas de contenção
populacional, entre elas a criação dos campos de
concentração para retirantes no estado do Ceará,
notadamente nos anos de 1915 e 1932. À luz desse
contexto histórico, assinale a alternativa que apresenta
a interpretação historicamente mais consistente do
ponto de vista do discurso médico-higienista, tal
como formulado e defendido pelas autoridades da
época.
A ocupação do interior da colônia resultou da busca por
riqueza e expansão territorial. As bandeiras, a pecuária e
a mineração redefiniram o espaço colonial e
intensificaram conflitos. Esse movimento ampliou o
controle português sobre o território. A análise histórica
exige considerar seus impactos sociais.
Qual interpretação é correta?
A passagem do feudalismo ao capitalismo ocorreu de
forma desigual e complexa. Transformações
econômicas, urbanas e sociais alteraram gradualmente
as relações de produção. Elementos antigos coexistiram
com novas práticas econômicas. Esse processo
envolveu tensões e permanências estruturais. Neste
contexto, analise as assertivas a seguir e classifique
cada uma como verdadeira (V) ou falsa (F):
(__)O crescimento urbano estimulou novas relações
econômicas.
(__)A servidão desapareceu de forma imediata.
(__)A expansão do comércio favoreceu a monetarização.
A Revolução Francesa provocou profundas mudanças
políticas e sociais ao questionar o Antigo Regime. Seus
princípios redefiniram noções de cidadania, direitos e
soberania. O processo revolucionário foi marcado por conflitos internos. Seus impactos ultrapassaram as
fronteiras francesas.
Qual aspecto expressa essa ruptura?