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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: AMEOSC
Orgão: Pref. Descanso-SC
Analise as assertivas com (V) verdadeiro ou (F) falso.
( )Os gêneros literários são uma classificação teórica que tem o objetivo de separar cada texto literário segundo suas características específicas e suas semelhanças com textos da mesma espécie, de maneira a facilitar o estudo e a compreensão de cada um deles.
( )O texto literário pode ser classificado como épico ou narrativo, lírico ou dramático, no entanto, essas categorias não podem e nem devem ser subcategorizadas, isto é, um gênero não pode ser subdividido.
( )O texto literário do gênero dramático é aquele escrito para ser encenado, ou seja, peças de teatro e roteiros de cinema. Normalmente, ele tem a seguinte estrutura: os atos são as partes da peça, as cenas compõem os atos, as rubricas servem para dar instruções do dramaturgo sobre como os personagens devem iniciar a apresentação, as falas dos personagens.
Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA dos itens acima, de cima para baixo:
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: VUNESP
Orgão: PM-SP
Adeus, meus sonhos, eu pranteio e morro!
Não levo da existência uma saudade!
E tanta vida que meu peito enchia
Morreu na minha triste mocidade!
Misérrimo! votei meus pobres dias
À sina doida de um amor sem fruto…
E minh’alma na treva agora dorme
Como um olhar que a morte envolve em luto.
Que me resta, meu Deus?!… morra comigo
A estrela de meus cândidos amores,
Já que não levo no meu peito morto
Um punhado sequer de murchas flores!
(Lira dos vinte anos, 1996.)
Uma característica do Romantismo evidente nesse poema é o
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: VUNESP
Orgão: PM-SP
Adeus, meus sonhos, eu pranteio e morro!
Não levo da existência uma saudade!
E tanta vida que meu peito enchia
Morreu na minha triste mocidade!
Misérrimo! votei meus pobres dias
À sina doida de um amor sem fruto…
E minh’alma na treva agora dorme
Como um olhar que a morte envolve em luto.
Que me resta, meu Deus?!… morra comigo
A estrela de meus cândidos amores,
Já que não levo no meu peito morto
Um punhado sequer de murchas flores!
(Lira dos vinte anos, 1996.)
O tom predominante no poema é de
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: ASSEGE
Orgão: Pref. Aramari-BA
São características do Romantismo no Brasil:
I- Subjetivismo
II- Idealização feminina
III- Objetivismo
IV- Morbidez
V- Ironia
Estão corretas:
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: ASSEGE
Orgão: Pref. Aramari-BA
PRONOMINAIS
Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro.
Oswald de Andrade
O poema acima faz parte da primeira geração modernista do Brasil. Assinale a alternativa que apresenta características da primeira geração modernista presentes no poema.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: ASSEGE
Orgão: Pref. Aramari-BA
A narrativa a seguir faz parte do romance Quincas Borba, de Machado de Assis, leia com atenção para responder as questões 22 a 24.
CAPÍTULO XVI
- Quincas Borba! Quincas Borba! eh! Quincas Borba! bradou ele entrando em casa.
Nada de Quincas Borba. Só então é que ele se lembrou de havê-lo mandado dar à comadre Angélica. Correu à casa da comadre, que era longe da cidade. De caminho acudiram-lhe todas as ideias feias à cabeça, algumas extraordinárias. Uma ideia feia, é que o cão tivesse fugido. Outra extraordinária é que algum inimigo, sabedor da cláusula e do presente, fosse ter com a comadre, e roubasse o cachorro, e o escondesse ou matasse. Neste caso a herança... Passou-lhe uma nuvem pelos olhos; depois começou a ver mais claro.
- Não conheço negócios de justiça, pensava ele, mas parece que não tenho nada com isso. A cláusula supõe o cão vivo ou em casa; mas se ele fugiu ou morreu... Não se há de inventar um cão; logo a intenção principal... Mas são capazes de fazer chicana... os meus inimigos... Não cumprida a cláusula...
Aqui a testa e as costas das mãos do nosso homem ficaram em água. Outra nuvem... E o coração batendo-lhe rápido, rápido... A cláusula começava a parecer-lhe extravagante... Pois agora um cachorro? Desse o defunto todo seu dinheiro a quem quisesse, mais obrigar a gente a cousas esquisitas... Era isso; era o caiporismo; quando o mal parecia extinto, lá vinha a ponta do rabo do diabo. Rubião pedia a Deus, prometia missas, dez missas... Mas lá estava a casa da comadre.... Rubião picou o passo, viu a própria comadre... Era ela? era, era ela, encostada à porta e rindo.
- Que figura que o senhor vem fazendo, meu compadre, disse ela ainda de longe. Meio tonto, jogando com os braços.
CAPÍTULO XVII
A comadre era muito feia. Peço desculpa de ser tão feia a primeira mulher que aqui aparece; mas as bonitas hão de vir. Creio até que já estão nos bastidores, impacientes de entrar em cena. Sossegai, muchachas! Não me façais cair a peça. Aqui vireis todas, em tempo idôneo... Deixai a comadre que é feia, muito feia.
CAPÍTULO XVIII
- Sinhá comadre, o cachorro? perguntou Rubião com indiferença, mas pálido.
- Entre, e sente-se, respondeu ela oferecendo-lhe um banco. Que cachorro?
- Que cachorro? tornou Rubião cada vez mais pálido. O que lhe mandei. Pois não se lembra que lhe mandei um cachorro para ficar aqui alguns dias, descansando a ver se... em suma, um animal de muita estimação... Não é meu... Veio para ... Mas não se lembra?
- Ah! não me fale nesse bicho! respondeu ela precipitando as palavras.
Era pequena, tremia por qualquer cousa, e quando se apaixonava, engrossavam-lhe as veias do pescoço. Repetiu que lhe não falasse do bicho.
- Mas que lhe fez ele, sinhá comadre?
- Que me fez? Que é que me faria o pobre animal? Não come nada, não bebe, chora que parece gente, e anda só com o olho para fora, a ver se foge...
Rubião respirou. Ela continuou a dizer as melancolias do bicho; falava com tais ternuras que (Deus me perdoe!) que até parecia bonita. Rubião, ansioso, queria ir vê-lo. Onde estava?
- Está lá no fundo, no cercado grande; está só para que os outros não bulam com ele. Mas o meu compadre vem buscá-lo? Não foi isso o que me disseram. Pareceu-me ouvir que era para mim, que era dado...
- Daria cinco ou seis, se pudesse, respondeu Rubião com ar contrito. Este não posso; sou apenas depositário. Mas deixe estar, prometo-lhe um filho. Há uma cadelinha que veio de Inglaterra... Creia que o recado veio torto.
Rubião ia mentindo e andando; e a comadre, em vez de o guiar, acompanhava-o. Lá estava o cão, dentro do cercado, deitado à distância de um alguidar de comida. Cães, gatos, saltavam de todos os lados, cá fora; a um lado havia um galinheiro, mais longe porcos, e ali perto um bonito pavão, que era o feitiço da comadre.
- Olhe o meu pavão! dizia ela ao compadre.
- Rubião tinha os olhos no cercado. O cão ouvindo passos, deu um salto, e veio à cerca farejar; logo que o nosso homem lhe pôs a mão e falou, houve uma explosão de prazer, de delírio. Rubião entrou no cercado, e então é que foi uma cena de comover a feia Angélica. Ela, do lado de fora, olhava enternecida, tão enternecida que não podia falar. Quando eles saíram do cercado, ela ainda fez ao cachorro alguns carinhos; ele correspondeu-lhe, mas pouco, rápido, toda a sua felicidade estava agora no Rubião. Perdera um Deus, aqui estava outro Deus.
ASSIS,Machado de. Quincas Borba. Obras completaem quatro volumes. Rio de Janeiro: Nova Aguilar,2008.p.773-774.v.1.(Fragmento)
Das proposições abaixo, quais apresentam características do Realismo brasileiro:
I- Objetividade
II- Subjetividade
III- Idealização feminina
IV- Mal do século
V- Fim das idealizações: retratos de adultério, miséria e fracasso social
VI- Abordagem psicológica das personagens como composição da realidade que veem.
São características do Realismo brasileiro as proposições:
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: ASSEGE
Orgão: Pref. Aramari-BA
A narrativa a seguir faz parte do romance Quincas Borba, de Machado de Assis, leia com atenção para responder as questões 22 a 24.
CAPÍTULO XVI
- Quincas Borba! Quincas Borba! eh! Quincas Borba! bradou ele entrando em casa.
Nada de Quincas Borba. Só então é que ele se lembrou de havê-lo mandado dar à comadre Angélica. Correu à casa da comadre, que era longe da cidade. De caminho acudiram-lhe todas as ideias feias à cabeça, algumas extraordinárias. Uma ideia feia, é que o cão tivesse fugido. Outra extraordinária é que algum inimigo, sabedor da cláusula e do presente, fosse ter com a comadre, e roubasse o cachorro, e o escondesse ou matasse. Neste caso a herança... Passou-lhe uma nuvem pelos olhos; depois começou a ver mais claro.
- Não conheço negócios de justiça, pensava ele, mas parece que não tenho nada com isso. A cláusula supõe o cão vivo ou em casa; mas se ele fugiu ou morreu... Não se há de inventar um cão; logo a intenção principal... Mas são capazes de fazer chicana... os meus inimigos... Não cumprida a cláusula...
Aqui a testa e as costas das mãos do nosso homem ficaram em água. Outra nuvem... E o coração batendo-lhe rápido, rápido... A cláusula começava a parecer-lhe extravagante... Pois agora um cachorro? Desse o defunto todo seu dinheiro a quem quisesse, mais obrigar a gente a cousas esquisitas... Era isso; era o caiporismo; quando o mal parecia extinto, lá vinha a ponta do rabo do diabo. Rubião pedia a Deus, prometia missas, dez missas... Mas lá estava a casa da comadre.... Rubião picou o passo, viu a própria comadre... Era ela? era, era ela, encostada à porta e rindo.
- Que figura que o senhor vem fazendo, meu compadre, disse ela ainda de longe. Meio tonto, jogando com os braços.
CAPÍTULO XVII
A comadre era muito feia. Peço desculpa de ser tão feia a primeira mulher que aqui aparece; mas as bonitas hão de vir. Creio até que já estão nos bastidores, impacientes de entrar em cena. Sossegai, muchachas! Não me façais cair a peça. Aqui vireis todas, em tempo idôneo... Deixai a comadre que é feia, muito feia.
CAPÍTULO XVIII
- Sinhá comadre, o cachorro? perguntou Rubião com indiferença, mas pálido.
- Entre, e sente-se, respondeu ela oferecendo-lhe um banco. Que cachorro?
- Que cachorro? tornou Rubião cada vez mais pálido. O que lhe mandei. Pois não se lembra que lhe mandei um cachorro para ficar aqui alguns dias, descansando a ver se... em suma, um animal de muita estimação... Não é meu... Veio para ... Mas não se lembra?
- Ah! não me fale nesse bicho! respondeu ela precipitando as palavras.
Era pequena, tremia por qualquer cousa, e quando se apaixonava, engrossavam-lhe as veias do pescoço. Repetiu que lhe não falasse do bicho.
- Mas que lhe fez ele, sinhá comadre?
- Que me fez? Que é que me faria o pobre animal? Não come nada, não bebe, chora que parece gente, e anda só com o olho para fora, a ver se foge...
Rubião respirou. Ela continuou a dizer as melancolias do bicho; falava com tais ternuras que (Deus me perdoe!) que até parecia bonita. Rubião, ansioso, queria ir vê-lo. Onde estava?
- Está lá no fundo, no cercado grande; está só para que os outros não bulam com ele. Mas o meu compadre vem buscá-lo? Não foi isso o que me disseram. Pareceu-me ouvir que era para mim, que era dado...
- Daria cinco ou seis, se pudesse, respondeu Rubião com ar contrito. Este não posso; sou apenas depositário. Mas deixe estar, prometo-lhe um filho. Há uma cadelinha que veio de Inglaterra... Creia que o recado veio torto.
Rubião ia mentindo e andando; e a comadre, em vez de o guiar, acompanhava-o. Lá estava o cão, dentro do cercado, deitado à distância de um alguidar de comida. Cães, gatos, saltavam de todos os lados, cá fora; a um lado havia um galinheiro, mais longe porcos, e ali perto um bonito pavão, que era o feitiço da comadre.
- Olhe o meu pavão! dizia ela ao compadre.
- Rubião tinha os olhos no cercado. O cão ouvindo passos, deu um salto, e veio à cerca farejar; logo que o nosso homem lhe pôs a mão e falou, houve uma explosão de prazer, de delírio. Rubião entrou no cercado, e então é que foi uma cena de comover a feia Angélica. Ela, do lado de fora, olhava enternecida, tão enternecida que não podia falar. Quando eles saíram do cercado, ela ainda fez ao cachorro alguns carinhos; ele correspondeu-lhe, mas pouco, rápido, toda a sua felicidade estava agora no Rubião. Perdera um Deus, aqui estava outro Deus.
ASSIS,Machado de. Quincas Borba. Obras completaem quatro volumes. Rio de Janeiro: Nova Aguilar,2008.p.773-774.v.1.(Fragmento)
Considerando o texto, analise as proposições abaixo, levando em conta as características da obra do autor e o período em que foi escrito.
I- Em pleno vigor da estética Realista, Joaquim Maria Machado de Assis utilizou, dentre outros temas, e por mais de uma vez, o da loucura, valendo-se da ironia, da análise tragicômica e psicológica das personagens.
II- Machado de Assis criticou vários valores burgueses por meio de ironias e metalinguagens. Precedendo não só o próprio realismo, instaurou o realismo psicológico, claramente visto em seus romances por fazer diálogos diretos com o leitor e também por conta de pensamentos pontuais que surgem ao longo da narrativa.
III- Na obra de Machado de Assis, os personagens envolvidos na trama apresentam complexidade psicológica, são personagens esféricos e o narrador dialoga com o leitor, permitindo a este fazer reflexões sobre a obra.
IV- Na maioria dos textos machadianos, o narrador torna-se o centro do eixo narrativo e, portanto, a linearidade do enredo dissolve-se.
É ou são verdadeira(s).
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: ASSEGE
Orgão: Pref. Aramari-BA
A narrativa a seguir faz parte do romance Quincas Borba, de Machado de Assis, leia com atenção para responder as questões 22 a 24.
CAPÍTULO XVI
- Quincas Borba! Quincas Borba! eh! Quincas Borba! bradou ele entrando em casa.
Nada de Quincas Borba. Só então é que ele se lembrou de havê-lo mandado dar à comadre Angélica. Correu à casa da comadre, que era longe da cidade. De caminho acudiram-lhe todas as ideias feias à cabeça, algumas extraordinárias. Uma ideia feia, é que o cão tivesse fugido. Outra extraordinária é que algum inimigo, sabedor da cláusula e do presente, fosse ter com a comadre, e roubasse o cachorro, e o escondesse ou matasse. Neste caso a herança... Passou-lhe uma nuvem pelos olhos; depois começou a ver mais claro.
- Não conheço negócios de justiça, pensava ele, mas parece que não tenho nada com isso. A cláusula supõe o cão vivo ou em casa; mas se ele fugiu ou morreu... Não se há de inventar um cão; logo a intenção principal... Mas são capazes de fazer chicana... os meus inimigos... Não cumprida a cláusula...
Aqui a testa e as costas das mãos do nosso homem ficaram em água. Outra nuvem... E o coração batendo-lhe rápido, rápido... A cláusula começava a parecer-lhe extravagante... Pois agora um cachorro? Desse o defunto todo seu dinheiro a quem quisesse, mais obrigar a gente a cousas esquisitas... Era isso; era o caiporismo; quando o mal parecia extinto, lá vinha a ponta do rabo do diabo. Rubião pedia a Deus, prometia missas, dez missas... Mas lá estava a casa da comadre.... Rubião picou o passo, viu a própria comadre... Era ela? era, era ela, encostada à porta e rindo.
- Que figura que o senhor vem fazendo, meu compadre, disse ela ainda de longe. Meio tonto, jogando com os braços.
CAPÍTULO XVII
A comadre era muito feia. Peço desculpa de ser tão feia a primeira mulher que aqui aparece; mas as bonitas hão de vir. Creio até que já estão nos bastidores, impacientes de entrar em cena. Sossegai, muchachas! Não me façais cair a peça. Aqui vireis todas, em tempo idôneo... Deixai a comadre que é feia, muito feia.
CAPÍTULO XVIII
- Sinhá comadre, o cachorro? perguntou Rubião com indiferença, mas pálido.
- Entre, e sente-se, respondeu ela oferecendo-lhe um banco. Que cachorro?
- Que cachorro? tornou Rubião cada vez mais pálido. O que lhe mandei. Pois não se lembra que lhe mandei um cachorro para ficar aqui alguns dias, descansando a ver se... em suma, um animal de muita estimação... Não é meu... Veio para ... Mas não se lembra?
- Ah! não me fale nesse bicho! respondeu ela precipitando as palavras.
Era pequena, tremia por qualquer cousa, e quando se apaixonava, engrossavam-lhe as veias do pescoço. Repetiu que lhe não falasse do bicho.
- Mas que lhe fez ele, sinhá comadre?
- Que me fez? Que é que me faria o pobre animal? Não come nada, não bebe, chora que parece gente, e anda só com o olho para fora, a ver se foge...
Rubião respirou. Ela continuou a dizer as melancolias do bicho; falava com tais ternuras que (Deus me perdoe!) que até parecia bonita. Rubião, ansioso, queria ir vê-lo. Onde estava?
- Está lá no fundo, no cercado grande; está só para que os outros não bulam com ele. Mas o meu compadre vem buscá-lo? Não foi isso o que me disseram. Pareceu-me ouvir que era para mim, que era dado...
- Daria cinco ou seis, se pudesse, respondeu Rubião com ar contrito. Este não posso; sou apenas depositário. Mas deixe estar, prometo-lhe um filho. Há uma cadelinha que veio de Inglaterra... Creia que o recado veio torto.
Rubião ia mentindo e andando; e a comadre, em vez de o guiar, acompanhava-o. Lá estava o cão, dentro do cercado, deitado à distância de um alguidar de comida. Cães, gatos, saltavam de todos os lados, cá fora; a um lado havia um galinheiro, mais longe porcos, e ali perto um bonito pavão, que era o feitiço da comadre.
- Olhe o meu pavão! dizia ela ao compadre.
- Rubião tinha os olhos no cercado. O cão ouvindo passos, deu um salto, e veio à cerca farejar; logo que o nosso homem lhe pôs a mão e falou, houve uma explosão de prazer, de delírio. Rubião entrou no cercado, e então é que foi uma cena de comover a feia Angélica. Ela, do lado de fora, olhava enternecida, tão enternecida que não podia falar. Quando eles saíram do cercado, ela ainda fez ao cachorro alguns carinhos; ele correspondeu-lhe, mas pouco, rápido, toda a sua felicidade estava agora no Rubião. Perdera um Deus, aqui estava outro Deus.
ASSIS,Machado de. Quincas Borba. Obras completaem quatro volumes. Rio de Janeiro: Nova Aguilar,2008.p.773-774.v.1.(Fragmento)
Considerando o texto, analise as proposições abaixo, colocando ( V) para o que for verdadeiro e ( F ) para o que for falso:
( ) Rubião era um homem interesseiro, materialista e frio, pouco apegado a sentimentos.
( ) Rubião se mostra aflito por não encontrar Quincas Borba de imediato e teme que algo lhe tenha acontecido.
( ) A palidez de Rubião enquanto dialoga com a comadre representa um enorme medo de que o cão não estivesse mais ali,motivo pelo qual perderia o direito à herança.
( ) Rubião demonstra sentimento de culpa por ter abandonado Quincas Borba.
( ) Quincas Borba se emociona com a volta de Rubião, depois do abandono, numa reação de verdadeiro delírio . Rubião, por sua vez, também demonstra alegria por encontrar o cão vivo, mas só porque esse fato garantiria sua herança.
( ) Há uma profunda ironia nas palavras do autor ao produzir o diálogo final entre a comadre e Rubião.
A sequência correta de cima para baixo é :
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: ASSEGE
Orgão: Pref. Aramari-BA
Leia o poema abaixo para responder a questão 18:
ROMPE O POETA COM A PRIMEIRA IMPACIÊNCIA QUERENDO DECLARAR-SE E TEMENDO PERDER POR OUSADO
Anjo no nome, Angélica na cara,
Isso é ser flor, e Anjo juntamente,
Se Angélica flor, e Anjo florente,
Em quem, senão em vós se uniformara?
Quem veria uma flor, que a não cortara
De verde pé, de rama florescente?
E quem um Anjo vira tão luzente,
Que por seu Deus, o não idolatrara?
Se como Anjo dos meus altares,
Fôreis o meu custódio, e minha guarda,
Livrara eu de diabólicos azares.
Mas vejo, que tão bela, e tão galharda,
Posto que os Anjos nunca dão pesares,
Sois Anjo, que me tenta, e não me guarda.
MATOS, Gregório de. Poemas escolhidos. Seleção, introdução e notas de José Miguel Wisnik.13 ed. São Paulo: Cultrix,1997.p.200
Considerando o poema acima, analise as proposições abaixo como ( V) verdadeiras ou ( F ) falsa.
( ) A figura feminina presente no soneto é vista pelo eu lírico como “anjo” e “flor” ao mesmo tempo.
( ) A metáfora anjo remete à perspectiva imaterial da figura feminina, ao passo que flor se associa à dimensão material. Anjo e flor representam alma e corpo, espiritualidade e sensualidade, respectivamente.
( ) No verso “Sois anjo, que me tenta, e não me guarda” há um paradoxo.
( ) O soneto transcrito revela muito do estilo cultista adotado por Gregório em suas composições. Desenvolve-se por meio do jogo de palavras e imagens: “Ângela” = “Angélica” = “Anjo”, “flor” = “florente”. Gregório segue uma tradição explorada por Shakespeare e Camões ao comparar a beleza da mulher à natureza.
( ) O poeta trabalha com duas entidades – flor e anjo – que se irmanam pela beleza, mas que se distanciam pela duração. A flor significa brevidade, enquanto que o anjo é ser eterno. Essa duplicidade emerge do nome da mulher amada, cuja beleza indiscutível lança o poeta em tensão.
( ) A última estrofe começa com a conjunção adversativa ´´Mas" dando prosseguimento ao raciocínio da estrofe anterior, deixando clara a contradição que há na condição de sua amada.
( ) O soneto que se inicia com a louvação de uma beleza angelical, encerra-se como advertência contra uma tentação demoníaca..
A sequência correta de cima para baixo é:
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: ASSEGE
Orgão: Pref. Aramari-BA
Leia uma passagem de um sermão de Padre Antônio Vieira: “O Sermão da Sexagésima”:
Será porventura o estilo que hoje se usa nos púlpitos? Um estilo tão empeçado, um estilo tão dificultoso, um estilo tão afectado, um estilo tão encontrado a toda a arte e a toda a natureza? Boa razão é também esta. O estilo há-de ser muito fácil e muito natural. Por isso Cristo comparou o pregar ao semear: Exiit, qui seminat, seminare. Compara Cristo o pregar ao semear, porque o semear é uma arte que tem mais de natureza que de arte.
[...]
Já que falo contra os estilos modernos, quero alegar por mim o estilo do mais antigo pregador que houve no Mundo. E qual foi ele? – O mais antigo pregador que houve no Mundo foi o céu. [...] Suposto que o céu é pregador, deve de ter sermões e deve de ter: palavras.[...] E quais são estes sermões e estas palavras do céu? ? – As palavras são as estrelas, os sermões são a composição, a ordem, a harmonia e o curso delas. [...] O pregar há de ser como quem semeia, e não como quem ladrilha ou azuleja.[...] Não fez Deus o céu em xadrez de estrelas, como os pregadores fazem o sermão em xadrez de palavras. Se de uma parte há de estar branco, da outra há de estar negro; se de uma parte dizem luz, da outra hão de dizer sombra; se de uma parte dizem desceu, da outra hão de dizer subiu. Basta que não havemos de ver num sermão duas palavras em paz? Todas hão de estar sempre em fronteira com o seu contrário? [...]
Mas dir-me-eis: Padre, os pregadores de hoje não pregam do Evangelho, não pregam das Sagradas Escrituras? Pois como não pregam a palavra de Deus? – Esse é o mal. Pregam palavras de Deus, mas não pregam a palavra de Deus.
Considerando o texto de Antônio Vieira, analise as proposições abaixo:
I- “O pregar há de ser como quem semeia, e não como quem ladrilha ou azuleja”. Nesse trecho, Padre Antônio Vieira opõe pregação correta à pregação incorreta.
II- Na expressão “ladrilha ou azuleja” o autor faz uso de uma metáfora.
III- Na passagem do texto que se lê: “Pregam palavras de Deus, mas não pregam a palavra de Deus”, há uma aparente contradição.
IV- Padre Antônio Vieira é um representante do Arcadismo.
É ou são verdadeira(s):
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