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1455023 Ano: 2018
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: UECE
Orgão: UECE
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Uma vela para Dario

Dalton Trevisan

Dario vinha apressado, guarda-chuva no braço esquerdo e, assim que dobrou a esquina, diminuiu o passo até parar, encostando-se à parede de uma casa. Por ela escorregando, sentou-se na calçada, ainda úmida de chuva, e descansou na pedra o cachimbo.

Dois ou três passantes rodearam-no e indagaram se não se sentia bem(a). Dario abriu a boca, moveu os lábios, não se ouviu resposta. O senhor gordo, de branco, sugeriu que devia sofrer de ataque(b).

Ele reclinou-se mais um pouco, estendido agora na calçada, e o cachimbo tinha apagado. O rapaz de bigode pediu aos outros que se afastassem e o deixassem respirar. Abriu-lhe o paletó, o colarinho, a gravata e a cinta. Quando lhe retiraram os sapatos, Dario roncou feio e bolhas de espuma surgiram no canto da boca.

Cada pessoa que chegava erguia-se na ponta dos pés, embora não o pudesse ver. Os moradores da rua conversavam de uma porta à outra, as crianças foram despertadas e de pijama acudiram à janela. O senhor gordo repetia que Dario sentara-se na calçada(c), soprando ainda a fumaça do cachimbo e encostando o guarda-chuva na parede. Mas não se via guarda-chuva ou cachimbo ao seu lado.

A velhinha de cabeça grisalha gritou que ele estava morrendo(d). Um grupo o arrastou para o táxi da esquina. Já no carro a metade do corpo, protestou o motorista: quem pagaria a corrida? Concordaram chamar a ambulância. Dario conduzido de volta e recostado à parede – não tinha os sapatos nem o alfinete de pérola na gravata.

Alguém informou da farmácia na outra rua. Não carregaram Dario além da esquina; a farmácia no fim do quarteirão e, além do mais, muito pesado. Foi largado na porta de uma peixaria. Enxame de moscas lhe cobriu o rosto, sem que fizesse um gesto para espantá-las.

Ocupado o café próximo pelas pessoas que vieram apreciar o incidente e, agora, comendo e bebendo, gozavam as delícias da noite. Dario ficou torto como o deixaram, no degrau da peixaria, sem o relógio de pulso. Um terceiro sugeriu que lhe examinassem os papéis, retirados – com vários objetos – de seus bolsos e alinhados sobre a camisa branca. Ficaram sabendo do nome, idade; sinal de nascença. O endereço na carteira era de outra cidade.

Registrou-se correria de mais de duzentos curiosos que, a essa hora, ocupavam toda a rua e as calçadas: era a polícia. O carro negro investiu a multidão. Várias pessoas tropeçaram no corpo de Dario, que foi pisoteado dezessete vezes.

O guarda aproximou-se do cadáver e não pôde identificá-lo – os bolsos vazios. Restava a aliança de ouro na mão esquerda, que ele próprio – quando vivo – só podia destacar umedecida com sabonete. Ficou decidido que o caso era com o rabecão.

A última boca repetiu “Ele morreu, ele morreu”. A gente começou a se dispersar. Dario levara duas horas para morrer, ninguém acreditou que estivesse no fim. Agora, aos que podiam vê-lo, tinha todo o ar de um defunto.

Um senhor piedoso despiu o paletó de Dario para lhe sustentar a cabeça. Cruzou as suas mãos no peito. Não pôde fechar os olhos nem a boca, onde a espuma tinha desaparecido. Apenas um homem morto e a multidão se espalhou, as mesas do café ficaram vazias. Na janela alguns moradores com almofadas para descansar os cotovelos.

Um menino de cor e descalço veio com uma vela, que acendeu ao lado do cadáver. Parecia morto há muitos anos, quase o retrato de um morto desbotado pela chuva. Fecharam-se uma a uma as janelas e, três horas depois, lá estava Dario à espera do rabecão. A cabeça agora na pedra, sem o paletó, e o dedo sem a aliança. A vela tinha queimado até a metade e apagou-se às primeiras gotas da chuva, que voltava a cair.

TREVISAN, Dalton. Vinte Contos Menores. Rio de Janeiro: Record, 1979.

Sobre o uso do verbo dicendi na introdução da fala das personagens no conto de Dalton Trevisan, é correto afirmar que

 

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1454684 Ano: 2018
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: UECE
Orgão: UECE
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TEXTO 1

O Bicho

Manuel Bandeira

Vi ontem um bicho

Na imundície do pátio

Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,

Não examinava nem cheirava:

Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,

Não era um gato,

Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.

BANDEIRA, M. Poesias completas. 4. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1986.

Em relação à estrutura do poema em análise, é INCORRETO afirmar que

 

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1454683 Ano: 2018
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: UECE
Orgão: UECE
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TEXTO 1

O Bicho

Manuel Bandeira

Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.

BANDEIRA, M. Poesias completas. 4. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1986.

A característica da temática e do estilo próprios da escrita literária de Manuel Bandeira que NÃO está presente no poema O Bicho é

 

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1452151 Ano: 2018
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: IBRASP
Orgão: Pref. Água Fria Goiás-GO
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Leia o texto:


Versos Íntimos

Vês! Ninguém assistiu ao formidável

Enterro de tua última quimera.

Somente a Ingratidão – esta pantera –

Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!


O Homem, que, nesta terra miserável,

Mora entre feras, sente inevitável

Necessidade de também ser fera.


Toma um fósforo. Acende teu cigarro!

O beijo, amigo, é a véspera do escarro,

A mão que afaga é a mesma que apedreja.


Se a alguém causa inda pena a tua chaga,

Apedreja essa mão vil que te afaga,

Escarra nessa boca que te beija!


Augusto dos Anjos

Que tipo de linguagem Augusto dos Anjos usa para criticar o Parnasianismo e o Simbolismo?

 

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1440594 Ano: 2018
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: FUNDATEC
Orgão: Pref. Monte Belo do Sul-RS
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Relativamente aos movimentos literários e autores brasileiros, analise as assertivas abaixo:
I. José de Alencar, Raul Pompéia e Machado de Assis são representantes do Realismo.
II. As obras de Machado de Assis distribuem-se entre o Realismo e o Pré-Modernismo.
III. Lima Barreto, Euclides da Cunha e Monteiro Lobato são autores pré-modernistas.
Quais estão INCORRETAS?
 

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1421102 Ano: 2018
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: FUNDATEC
Orgão: Pref. Monte Belo do Sul-RS
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Modernismo: movimento literário
O Modernismo é definido como um movimento literário que teve como características principais as vanguardas artísticas provindas da Europa antes da eclosão da Primeira Grande Guerra Mundial, tais como o futurismo e o cubismo. A língua artística europeia que foi trazida para o Brasil por meio do movimento condensou-se com elementos da cultura Brasileira, fazendo com que o modernismo mantivesse a tradição cultural do Brasil com as linguagens que eram tendências no continente europeu. Graça Aranha, um artista considerado pré-modernista, foi um dos mentores do movimento, que iniciou na década de 1920, com a realização da mostra da Semana da Arte Moderna, que ocorreu em São Paulo.
(Fonte: http://cultura.culturamix.com/literatura/fases-do-modernismo - fragmento)
Sobre a obra de Graça Aranha, um artista pré-modernista, e sua principal obra – Canaã, são feitas as seguintes afirmações:
I. Artista maranhense, foi muito jovem para a Academia Brasileira de Letras. Além de Canaã, A estética da vida também foi escrita por ele.
II. A obra Canaã trata-se de um romance de cavalaria, em que imigrantes italianos emitem suas teorias sobre a imigração e seu papel no desenvolvimento brasileiro.
III. Canaã é, como romance, um sucesso, pois tem caráter de ensaio, não demonstrando total conexão entre os episódios que apresenta.
Quais estão corretas?
 

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Dentre estas obras e os seus respectivos autores, indique aquela que pertença ao Realismo brasileiro.
 

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1315999 Ano: 2018
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: ENEM
Orgão: ENEM
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Somente uns tufos secos de capim empedrados crescem na silenciosa baixada que se perde de vista. Somente uma árvore, grande e esgalhada mas com pouquíssimas folhas, abre-se em farrapos de sombra. Único ser nas cercanias, a mulher é magra, ossuda, seu rosto está lanhado de vento. Não se vê o cabelo, coberto por um pano desidratado. Mas seus olhos, a boca, a pele – tudo é de uma aridez sufocante. Ela está de pé. A seu lado está uma pedra. O sol explode.
Ela estava de pé no fim do mundo. Como se andasse para aquela baixada largando para trás suas noções de si mesma. Não tem retratos na memória. Desapossada e despojada, não se abate em autoacusações e remorsos. Vive.
Sua sombra somente é que lhe faz companhia. Sua sombra, que se derrama em traços grossos na areia, é que adoça como um gesto a claridade esquelética. A mulher esvaziada emudece, se dessangra, se cristaliza, se mineraliza. Já é quase de pedra como a pedra a seu lado. Mas os traços de sua sombra caminham e, tornando-se mais longos e finos, esticam-se para os farrapos de sombra da ossatura da árvore, com os quais se enlaçam.
FRÓES, L. Vertigens: obra reunida. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.
Na apresentação da paisagem e da personagem, o narrador estabelece uma correlação de sentidos em que esses elementos se entrelaçam. Nesse processo, a condição humana configura-se
 

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1314696 Ano: 2018
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: FADURPE
Orgão: CESMAC
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Ao lado de Cláudio Manoel da Costa, Silva Alvarenga e Alvarenga Peixoto, Tomás Antônio Gonzaga é um dos nomes mais representativos do arcadismo brasileiro. No entanto, além de poeta, Gonzaga escreveu um conjunto de sátiras ao Governador de Minas Gerais, Luís da Cunha Menezes. Como se chamam essas sátiras?
 

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1307514 Ano: 2018
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: URCA
Orgão: URCA
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(URCA/2019.1) Caboclo Roceiro, das plaga do Norte/ Que vive sem sorte, sem terra e sem lar/ A tua desdita é tristonho que canto/ Se escuto o meu pranto me ponho a chorar.
Este fragmento pertence ao poema Caboclo Roceiro, de um(a) expressivo(a) representante da nossa Literatura. Ao dá voz ao clamor do povo representa as figuras sociais do camponês, do agregado sem terra, do vaqueiro, da pessoa que vive nas margens das camadas sociais; a linguagem do(A) poeta realiza um vasto material para a pesquisa sociológica e esteticamente é a consumação de algo muito diverso daquilo que acontece quando poetas de outra extração social vem falar destas mesmas personagens. O poema e as informações referem-se a:
 

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