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A limitação da idade de acesso ..... redes sociais está no centro do debate político nos
últimos dias na Espanha. Trata-se de uma questão extremamente complexa que requer uma
abordagem ponderada e baseada em evidências.
Vários relatórios, como os elaborados pela EU Kids Online, ___ constatado de forma
consistente o crescimento significativo dos riscos da internet para os menores de idade. Há uma
queda constante na idade em que os jovens e crianças se conectam ..... internet, ___ um celular,
consomem pornografia ou se cadastram em uma rede social. O recente Relatório do UNICEF
sobre o impacto da tecnologia na infância e na adolescência confirma essa tendência com dados
preocupantes que apontam para um uso viciante dos smartphones e das redes sociais, para o
aumento dos conflitos ou da exposição à pornografia, acompanhados por demandas por
educação e até mesmo por desconexão.
O diagnóstico do relatório promovido pelo Ministério da Juventude e Infância da Espanha é
devastador. Ele aponta que as redes sociais geram um contexto de alto risco para a saúde mental
e física dos menores, de superexposição ao assédio e crimes contra ..... liberdade sexual, acesso
à pornografia e aquisição de hábitos e comportamentos nocivos. Isso coincide com estudos que
___ alertando sobre o aumento de doenças mentais em crianças e adolescentes. As redes sociais
podem substituir experiências presenciais e reduzir os espaços de socialização autônoma,
especialmente em usos intensivos.
As plataformas de redes sociais estão plenamente conscientes dos riscos do seu modelo de
negócios e, ainda assim, continuam a promovê-lo. As redes sociais se aproveitam de mecanismos
de recompensa que geram dependência. Esses mecanismos são acentuados pela
hiperestimulação e pelo uso noturno, que pode prejudicar a higiene do sono. Cada like, emoji,
chat ou filtro de imagem responde a um objetivo claro: promover o engajamento, manter a
atenção do usuário e monetizar a privacidade. Além disso, os algoritmos de personalização
favorecem o “engajamento” do usuário e proporcionam uma visão da realidade por meio de
filtros que geram uma bolha de conteúdos personalizados. Enquanto isso, a monetização
publicitária parece incentivar a polarização, o discurso de ódio, o negacionismo ou a pornografia.
Por outro lado, é inegável que existe uma quota de responsabilidade social e administrativa.
O primeiro contato de uma criança ou adolescente com uma rede social geralmente é promovido
pelos próprios pais ou a própria escola, por exemplo, ao adquirir um smartphone para eles ou
solicitar tarefas digitais. Nesse contexto, a ação legislativa empreendida pelo Ministério da
Juventude e Infância da Espanha é adequada. A limitação de idade encontra plena justificativa
na garantia de um desenvolvimento adequado da personalidade. Mas esta não deve ser a única
medida. Crianças e adolescentes devem ter voz. Devemos entender como viabilizar uma
socialização e um aprendizado da tecnologia inspirados em valores democráticos e inclusivos.
Não podemos ser vítimas da urgência regulatória e nos concentrar exclusivamente na proibição.
Vivemos na sociedade da inteligência artificial. É necessário que adotemos uma nova
maneira de fazer as coisas e novas capacidades. Não estamos em guerra com a tecnologia, mas
com um uso antissocial que coisifica as pessoas.
Por fim, os reguladores mais diretamente envolvidos devem passar da recomendação para
a fiscalização, a coerção e a sanção às plataformas. O tempo de contemporizar já passou. Existe
uma firme vontade por parte dos dirigentes das plataformas de ameaçar a regulamentação e
quebrá-la. A democracia nos tornou livres e nos transformou de súditos em cidadãos: não
permitamos que nos transformem em servos digitais, começando pelos nossos filhos, filhas e
jovens.
• “A limitação da idade de acesso ..... redes sociais está no centro do debate político”.
• “Há uma queda constante na idade em que os jovens e crianças se conectam ..... internet”.
• “as redes sociais geram um contexto de alto risco para a saúde mental e física dos menores, de superexposição ao assédio e crimes contra ..... liberdade sexual”.
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A limitação da idade de acesso ..... redes sociais está no centro do debate político nos
últimos dias na Espanha. Trata-se de uma questão extremamente complexa que requer uma
abordagem ponderada e baseada em evidências.
Vários relatórios, como os elaborados pela EU Kids Online, ___ constatado de forma
consistente o crescimento significativo dos riscos da internet para os menores de idade. Há uma
queda constante na idade em que os jovens e crianças se conectam ..... internet, ___ um celular,
consomem pornografia ou se cadastram em uma rede social. O recente Relatório do UNICEF
sobre o impacto da tecnologia na infância e na adolescência confirma essa tendência com dados
preocupantes que apontam para um uso viciante dos smartphones e das redes sociais, para o
aumento dos conflitos ou da exposição à pornografia, acompanhados por demandas por
educação e até mesmo por desconexão.
O diagnóstico do relatório promovido pelo Ministério da Juventude e Infância da Espanha é
devastador. Ele aponta que as redes sociais geram um contexto de alto risco para a saúde mental
e física dos menores, de superexposição ao assédio e crimes contra ..... liberdade sexual, acesso
à pornografia e aquisição de hábitos e comportamentos nocivos. Isso coincide com estudos que
___ alertando sobre o aumento de doenças mentais em crianças e adolescentes. As redes sociais
podem substituir experiências presenciais e reduzir os espaços de socialização autônoma,
especialmente em usos intensivos.
As plataformas de redes sociais estão plenamente conscientes dos riscos do seu modelo de
negócios e, ainda assim, continuam a promovê-lo. As redes sociais se aproveitam de mecanismos
de recompensa que geram dependência. Esses mecanismos são acentuados pela
hiperestimulação e pelo uso noturno, que pode prejudicar a higiene do sono. Cada like, emoji,
chat ou filtro de imagem responde a um objetivo claro: promover o engajamento, manter a
atenção do usuário e monetizar a privacidade. Além disso, os algoritmos de personalização
favorecem o “engajamento” do usuário e proporcionam uma visão da realidade por meio de
filtros que geram uma bolha de conteúdos personalizados. Enquanto isso, a monetização
publicitária parece incentivar a polarização, o discurso de ódio, o negacionismo ou a pornografia.
Por outro lado, é inegável que existe uma quota de responsabilidade social e administrativa.
O primeiro contato de uma criança ou adolescente com uma rede social geralmente é promovido
pelos próprios pais ou a própria escola, por exemplo, ao adquirir um smartphone para eles ou
solicitar tarefas digitais. Nesse contexto, a ação legislativa empreendida pelo Ministério da
Juventude e Infância da Espanha é adequada. A limitação de idade encontra plena justificativa
na garantia de um desenvolvimento adequado da personalidade. Mas esta não deve ser a única
medida. Crianças e adolescentes devem ter voz. Devemos entender como viabilizar uma
socialização e um aprendizado da tecnologia inspirados em valores democráticos e inclusivos.
Não podemos ser vítimas da urgência regulatória e nos concentrar exclusivamente na proibição.
Vivemos na sociedade da inteligência artificial. É necessário que adotemos uma nova
maneira de fazer as coisas e novas capacidades. Não estamos em guerra com a tecnologia, mas
com um uso antissocial que coisifica as pessoas.
Por fim, os reguladores mais diretamente envolvidos devem passar da recomendação para
a fiscalização, a coerção e a sanção às plataformas. O tempo de contemporizar já passou. Existe
uma firme vontade por parte dos dirigentes das plataformas de ameaçar a regulamentação e
quebrá-la. A democracia nos tornou livres e nos transformou de súditos em cidadãos: não
permitamos que nos transformem em servos digitais, começando pelos nossos filhos, filhas e
jovens.
I. Jovens e crianças se conectam à internet cada vez mais cedo.
II. O uso dos celulares e das redes sociais pode ser viciante, com alto risco para a saúde mental de crianças e adolescentes.
III. A dependência das redes sociais está ligada ao mecanismo de recompensa que as plataformas propiciam.
IV. A solução para proteger as crianças está na proibição de acesso ao mundo digital.
Quais estão corretas?
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Uma das minhas primeiras memórias de criança é o dia em que os meus irmãos mais
novos nasceram. Ou melhor, o dia seguinte. Eu e meu pai despertamos com o sol que entrava
pela janela do quarto dele. Rapidinho saímos de casa, em Guarulhos, rumo ..... maternidade na
Avenida Paulista. Uma viagem de distância intergaláctica quando se tem 2 anos e pouco. E depois
disso também. No caminho, decidimos levar um presente para a minha mãe e os gêmeos. Não
sei onde meu pai estava com a cabeça, mas eu fiquei encarregado da decisão. Compramos um
pinguim de geladeira.
A história desse tipo de enfeite começou nos anos 1950. Antes dos modelos retos e em
inox, as geladeiras tinham jeitão de móvel, com design mais robusto e colorido. Para evitar que
as pessoas confundissem os seus refrigeradores com outros itens nas lojas, a fabricante
Kelvinator começou a distribuir pinguins de cerâmica aos vendedores, para que eles os
colocassem em cima dos aparelhos da empresa. Uma forma de distinção que pegou: com o
tempo, as pessoas começaram a pedir para levar também as estatuetas. Elas foram bastante
populares até algumas décadas atrás. Hoje, nem tanto. Pertencem ao mesmo grupo do relógio
de parede, da fruta de plástico e da capa de botijão em crochê. Do alto da geladeira, os pinguins
___ a vida passar no cômodo mais cheio de vida das casas brasileiras: a cozinha. Testemunham
cafezinhos e almoços de domingo, mas também DRs e brigas de família. Tudo isso de forma
discreta, com cara (ou seria bico?) de paisagem. Em resumo: dariam ótimos fofoqueiros. E você
vai entender que isso não é necessariamente algo ruim.
Convido os leitores a ___ de lado o preconceito contra a fofoca por um momento e
analisá-la sob as lentes da psicologia evolucionista. Fuxicar tem seu lado ruim, claro - mas
também nos dá munição para entender o mundo ao nosso redor, além de ajudar a regular o
convívio social. Sem tricotar, talvez não tivéssemos chegado até aqui.
Colocando isso em prática, vou compartilhar duas fofocas do bem. A primeira é sobre uma
colega de trabalho: este é o seu último mês na revista antes de começar em um novo emprego
bacana. Sentiremos saudade - mas conforta saber que ela continuará produzindo ótimas
matérias. Seguirei como um fiel leitor. A segunda é sobre o pinguim que comprei 25 anos atrás.
No momento em que escrevo este texto, ele saiu do armário de casa (já bem desbotado, coitado)
e se encontra naquele mesmo hospital da Paulista. Desta vez, nas mãos da minha irmã,
Fernanda, que deu ..... luz sua primeira filha, Alice, a quem dedico esta edição. O bom pinguim
...... casa torna.
Até logo, caro leitor. Fofoque com moderação.
I. Em “a fabricante Kelvinator começou a distribuir pinguins de cerâmica aos vendedores, para que eles os colocassem em cima dos aparelhos da empresa”, o pronome oblíquo “os” retoma o termo “pinguins”.
II. Em “com o tempo, as pessoas começaram a pedir para levar também as estatuetas. Elas foram bastante populares até algumas décadas atrás”, o pronome “Elas” retoma o termo “pessoas”.
III. Em “Convido os leitores a ___ de lado o preconceito contra a fofoca por um momento e analisá-la sob as lentes da psicologia evolucionista”, o pronome oblíquo “la” retoma o termo “fofoca”.
Quais estão corretas?
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Uma das minhas primeiras memórias de criança é o dia em que os meus irmãos mais
novos nasceram. Ou melhor, o dia seguinte. Eu e meu pai despertamos com o sol que entrava
pela janela do quarto dele. Rapidinho saímos de casa, em Guarulhos, rumo ..... maternidade na
Avenida Paulista. Uma viagem de distância intergaláctica quando se tem 2 anos e pouco. E depois
disso também. No caminho, decidimos levar um presente para a minha mãe e os gêmeos. Não
sei onde meu pai estava com a cabeça, mas eu fiquei encarregado da decisão. Compramos um
pinguim de geladeira.
A história desse tipo de enfeite começou nos anos 1950. Antes dos modelos retos e em
inox, as geladeiras tinham jeitão de móvel, com design mais robusto e colorido. Para evitar que
as pessoas confundissem os seus refrigeradores com outros itens nas lojas, a fabricante
Kelvinator começou a distribuir pinguins de cerâmica aos vendedores, para que eles os
colocassem em cima dos aparelhos da empresa. Uma forma de distinção que pegou: com o
tempo, as pessoas começaram a pedir para levar também as estatuetas. Elas foram bastante
populares até algumas décadas atrás. Hoje, nem tanto. Pertencem ao mesmo grupo do relógio
de parede, da fruta de plástico e da capa de botijão em crochê. Do alto da geladeira, os pinguins
___ a vida passar no cômodo mais cheio de vida das casas brasileiras: a cozinha. Testemunham
cafezinhos e almoços de domingo, mas também DRs e brigas de família. Tudo isso de forma
discreta, com cara (ou seria bico?) de paisagem. Em resumo: dariam ótimos fofoqueiros. E você
vai entender que isso não é necessariamente algo ruim.
Convido os leitores a ___ de lado o preconceito contra a fofoca por um momento e
analisá-la sob as lentes da psicologia evolucionista. Fuxicar tem seu lado ruim, claro - mas
também nos dá munição para entender o mundo ao nosso redor, além de ajudar a regular o
convívio social. Sem tricotar, talvez não tivéssemos chegado até aqui.
Colocando isso em prática, vou compartilhar duas fofocas do bem. A primeira é sobre uma
colega de trabalho: este é o seu último mês na revista antes de começar em um novo emprego
bacana. Sentiremos saudade - mas conforta saber que ela continuará produzindo ótimas
matérias. Seguirei como um fiel leitor. A segunda é sobre o pinguim que comprei 25 anos atrás.
No momento em que escrevo este texto, ele saiu do armário de casa (já bem desbotado, coitado)
e se encontra naquele mesmo hospital da Paulista. Desta vez, nas mãos da minha irmã,
Fernanda, que deu ..... luz sua primeira filha, Alice, a quem dedico esta edição. O bom pinguim
...... casa torna.
Até logo, caro leitor. Fofoque com moderação.
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Uma das minhas primeiras memórias de criança é o dia em que os meus irmãos mais
novos nasceram. Ou melhor, o dia seguinte. Eu e meu pai despertamos com o sol que entrava
pela janela do quarto dele. Rapidinho saímos de casa, em Guarulhos, rumo ..... maternidade na
Avenida Paulista. Uma viagem de distância intergaláctica quando se tem 2 anos e pouco. E depois
disso também. No caminho, decidimos levar um presente para a minha mãe e os gêmeos. Não
sei onde meu pai estava com a cabeça, mas eu fiquei encarregado da decisão. Compramos um
pinguim de geladeira.
A história desse tipo de enfeite começou nos anos 1950. Antes dos modelos retos e em
inox, as geladeiras tinham jeitão de móvel, com design mais robusto e colorido. Para evitar que
as pessoas confundissem os seus refrigeradores com outros itens nas lojas, a fabricante
Kelvinator começou a distribuir pinguins de cerâmica aos vendedores, para que eles os
colocassem em cima dos aparelhos da empresa. Uma forma de distinção que pegou: com o
tempo, as pessoas começaram a pedir para levar também as estatuetas. Elas foram bastante
populares até algumas décadas atrás. Hoje, nem tanto. Pertencem ao mesmo grupo do relógio
de parede, da fruta de plástico e da capa de botijão em crochê. Do alto da geladeira, os pinguins
___ a vida passar no cômodo mais cheio de vida das casas brasileiras: a cozinha. Testemunham
cafezinhos e almoços de domingo, mas também DRs e brigas de família. Tudo isso de forma
discreta, com cara (ou seria bico?) de paisagem. Em resumo: dariam ótimos fofoqueiros. E você
vai entender que isso não é necessariamente algo ruim.
Convido os leitores a ___ de lado o preconceito contra a fofoca por um momento e
analisá-la sob as lentes da psicologia evolucionista. Fuxicar tem seu lado ruim, claro - mas
também nos dá munição para entender o mundo ao nosso redor, além de ajudar a regular o
convívio social. Sem tricotar, talvez não tivéssemos chegado até aqui.
Colocando isso em prática, vou compartilhar duas fofocas do bem. A primeira é sobre uma
colega de trabalho: este é o seu último mês na revista antes de começar em um novo emprego
bacana. Sentiremos saudade - mas conforta saber que ela continuará produzindo ótimas
matérias. Seguirei como um fiel leitor. A segunda é sobre o pinguim que comprei 25 anos atrás.
No momento em que escrevo este texto, ele saiu do armário de casa (já bem desbotado, coitado)
e se encontra naquele mesmo hospital da Paulista. Desta vez, nas mãos da minha irmã,
Fernanda, que deu ..... luz sua primeira filha, Alice, a quem dedico esta edição. O bom pinguim
...... casa torna.
Até logo, caro leitor. Fofoque com moderação.
Provas
Uma das minhas primeiras memórias de criança é o dia em que os meus irmãos mais
novos nasceram. Ou melhor, o dia seguinte. Eu e meu pai despertamos com o sol que entrava
pela janela do quarto dele. Rapidinho saímos de casa, em Guarulhos, rumo ..... maternidade na
Avenida Paulista. Uma viagem de distância intergaláctica quando se tem 2 anos e pouco. E depois
disso também. No caminho, decidimos levar um presente para a minha mãe e os gêmeos. Não
sei onde meu pai estava com a cabeça, mas eu fiquei encarregado da decisão. Compramos um
pinguim de geladeira.
A história desse tipo de enfeite começou nos anos 1950. Antes dos modelos retos e em
inox, as geladeiras tinham jeitão de móvel, com design mais robusto e colorido. Para evitar que
as pessoas confundissem os seus refrigeradores com outros itens nas lojas, a fabricante
Kelvinator começou a distribuir pinguins de cerâmica aos vendedores, para que eles os
colocassem em cima dos aparelhos da empresa. Uma forma de distinção que pegou: com o
tempo, as pessoas começaram a pedir para levar também as estatuetas. Elas foram bastante
populares até algumas décadas atrás. Hoje, nem tanto. Pertencem ao mesmo grupo do relógio
de parede, da fruta de plástico e da capa de botijão em crochê. Do alto da geladeira, os pinguins
___ a vida passar no cômodo mais cheio de vida das casas brasileiras: a cozinha. Testemunham
cafezinhos e almoços de domingo, mas também DRs e brigas de família. Tudo isso de forma
discreta, com cara (ou seria bico?) de paisagem. Em resumo: dariam ótimos fofoqueiros. E você
vai entender que isso não é necessariamente algo ruim.
Convido os leitores a ___ de lado o preconceito contra a fofoca por um momento e
analisá-la sob as lentes da psicologia evolucionista. Fuxicar tem seu lado ruim, claro - mas
também nos dá munição para entender o mundo ao nosso redor, além de ajudar a regular o
convívio social. Sem tricotar, talvez não tivéssemos chegado até aqui.
Colocando isso em prática, vou compartilhar duas fofocas do bem. A primeira é sobre uma
colega de trabalho: este é o seu último mês na revista antes de começar em um novo emprego
bacana. Sentiremos saudade - mas conforta saber que ela continuará produzindo ótimas
matérias. Seguirei como um fiel leitor. A segunda é sobre o pinguim que comprei 25 anos atrás.
No momento em que escrevo este texto, ele saiu do armário de casa (já bem desbotado, coitado)
e se encontra naquele mesmo hospital da Paulista. Desta vez, nas mãos da minha irmã,
Fernanda, que deu ..... luz sua primeira filha, Alice, a quem dedico esta edição. O bom pinguim
...... casa torna.
Até logo, caro leitor. Fofoque com moderação.
Provas
Uma das minhas primeiras memórias de criança é o dia em que os meus irmãos mais
novos nasceram. Ou melhor, o dia seguinte. Eu e meu pai despertamos com o sol que entrava
pela janela do quarto dele. Rapidinho saímos de casa, em Guarulhos, rumo ..... maternidade na
Avenida Paulista. Uma viagem de distância intergaláctica quando se tem 2 anos e pouco. E depois
disso também. No caminho, decidimos levar um presente para a minha mãe e os gêmeos. Não
sei onde meu pai estava com a cabeça, mas eu fiquei encarregado da decisão. Compramos um
pinguim de geladeira.
A história desse tipo de enfeite começou nos anos 1950. Antes dos modelos retos e em
inox, as geladeiras tinham jeitão de móvel, com design mais robusto e colorido. Para evitar que
as pessoas confundissem os seus refrigeradores com outros itens nas lojas, a fabricante
Kelvinator começou a distribuir pinguins de cerâmica aos vendedores, para que eles os
colocassem em cima dos aparelhos da empresa. Uma forma de distinção que pegou: com o
tempo, as pessoas começaram a pedir para levar também as estatuetas. Elas foram bastante
populares até algumas décadas atrás. Hoje, nem tanto. Pertencem ao mesmo grupo do relógio
de parede, da fruta de plástico e da capa de botijão em crochê. Do alto da geladeira, os pinguins
___ a vida passar no cômodo mais cheio de vida das casas brasileiras: a cozinha. Testemunham
cafezinhos e almoços de domingo, mas também DRs e brigas de família. Tudo isso de forma
discreta, com cara (ou seria bico?) de paisagem. Em resumo: dariam ótimos fofoqueiros. E você
vai entender que isso não é necessariamente algo ruim.
Convido os leitores a ___ de lado o preconceito contra a fofoca por um momento e
analisá-la sob as lentes da psicologia evolucionista. Fuxicar tem seu lado ruim, claro - mas
também nos dá munição para entender o mundo ao nosso redor, além de ajudar a regular o
convívio social. Sem tricotar, talvez não tivéssemos chegado até aqui.
Colocando isso em prática, vou compartilhar duas fofocas do bem. A primeira é sobre uma
colega de trabalho: este é o seu último mês na revista antes de começar em um novo emprego
bacana. Sentiremos saudade - mas conforta saber que ela continuará produzindo ótimas
matérias. Seguirei como um fiel leitor. A segunda é sobre o pinguim que comprei 25 anos atrás.
No momento em que escrevo este texto, ele saiu do armário de casa (já bem desbotado, coitado)
e se encontra naquele mesmo hospital da Paulista. Desta vez, nas mãos da minha irmã,
Fernanda, que deu ..... luz sua primeira filha, Alice, a quem dedico esta edição. O bom pinguim
...... casa torna.
Até logo, caro leitor. Fofoque com moderação.
Provas
Uma das minhas primeiras memórias de criança é o dia em que os meus irmãos mais
novos nasceram. Ou melhor, o dia seguinte. Eu e meu pai despertamos com o sol que entrava
pela janela do quarto dele. Rapidinho saímos de casa, em Guarulhos, rumo ..... maternidade na
Avenida Paulista. Uma viagem de distância intergaláctica quando se tem 2 anos e pouco. E depois
disso também. No caminho, decidimos levar um presente para a minha mãe e os gêmeos. Não
sei onde meu pai estava com a cabeça, mas eu fiquei encarregado da decisão. Compramos um
pinguim de geladeira.
A história desse tipo de enfeite começou nos anos 1950. Antes dos modelos retos e em
inox, as geladeiras tinham jeitão de móvel, com design mais robusto e colorido. Para evitar que
as pessoas confundissem os seus refrigeradores com outros itens nas lojas, a fabricante
Kelvinator começou a distribuir pinguins de cerâmica aos vendedores, para que eles os
colocassem em cima dos aparelhos da empresa. Uma forma de distinção que pegou: com o
tempo, as pessoas começaram a pedir para levar também as estatuetas. Elas foram bastante
populares até algumas décadas atrás. Hoje, nem tanto. Pertencem ao mesmo grupo do relógio
de parede, da fruta de plástico e da capa de botijão em crochê. Do alto da geladeira, os pinguins
___ a vida passar no cômodo mais cheio de vida das casas brasileiras: a cozinha. Testemunham
cafezinhos e almoços de domingo, mas também DRs e brigas de família. Tudo isso de forma
discreta, com cara (ou seria bico?) de paisagem. Em resumo: dariam ótimos fofoqueiros. E você
vai entender que isso não é necessariamente algo ruim.
Convido os leitores a ___ de lado o preconceito contra a fofoca por um momento e
analisá-la sob as lentes da psicologia evolucionista. Fuxicar tem seu lado ruim, claro - mas
também nos dá munição para entender o mundo ao nosso redor, além de ajudar a regular o
convívio social. Sem tricotar, talvez não tivéssemos chegado até aqui.
Colocando isso em prática, vou compartilhar duas fofocas do bem. A primeira é sobre uma
colega de trabalho: este é o seu último mês na revista antes de começar em um novo emprego
bacana. Sentiremos saudade - mas conforta saber que ela continuará produzindo ótimas
matérias. Seguirei como um fiel leitor. A segunda é sobre o pinguim que comprei 25 anos atrás.
No momento em que escrevo este texto, ele saiu do armário de casa (já bem desbotado, coitado)
e se encontra naquele mesmo hospital da Paulista. Desta vez, nas mãos da minha irmã,
Fernanda, que deu ..... luz sua primeira filha, Alice, a quem dedico esta edição. O bom pinguim
...... casa torna.
Até logo, caro leitor. Fofoque com moderação.
Provas
Uma das minhas primeiras memórias de criança é o dia em que os meus irmãos mais
novos nasceram. Ou melhor, o dia seguinte. Eu e meu pai despertamos com o sol que entrava
pela janela do quarto dele. Rapidinho saímos de casa, em Guarulhos, rumo ..... maternidade na
Avenida Paulista. Uma viagem de distância intergaláctica quando se tem 2 anos e pouco. E depois
disso também. No caminho, decidimos levar um presente para a minha mãe e os gêmeos. Não
sei onde meu pai estava com a cabeça, mas eu fiquei encarregado da decisão. Compramos um
pinguim de geladeira.
A história desse tipo de enfeite começou nos anos 1950. Antes dos modelos retos e em
inox, as geladeiras tinham jeitão de móvel, com design mais robusto e colorido. Para evitar que
as pessoas confundissem os seus refrigeradores com outros itens nas lojas, a fabricante
Kelvinator começou a distribuir pinguins de cerâmica aos vendedores, para que eles os
colocassem em cima dos aparelhos da empresa. Uma forma de distinção que pegou: com o
tempo, as pessoas começaram a pedir para levar também as estatuetas. Elas foram bastante
populares até algumas décadas atrás. Hoje, nem tanto. Pertencem ao mesmo grupo do relógio
de parede, da fruta de plástico e da capa de botijão em crochê. Do alto da geladeira, os pinguins
___ a vida passar no cômodo mais cheio de vida das casas brasileiras: a cozinha. Testemunham
cafezinhos e almoços de domingo, mas também DRs e brigas de família. Tudo isso de forma
discreta, com cara (ou seria bico?) de paisagem. Em resumo: dariam ótimos fofoqueiros. E você
vai entender que isso não é necessariamente algo ruim.
Convido os leitores a ___ de lado o preconceito contra a fofoca por um momento e
analisá-la sob as lentes da psicologia evolucionista. Fuxicar tem seu lado ruim, claro - mas
também nos dá munição para entender o mundo ao nosso redor, além de ajudar a regular o
convívio social. Sem tricotar, talvez não tivéssemos chegado até aqui.
Colocando isso em prática, vou compartilhar duas fofocas do bem. A primeira é sobre uma
colega de trabalho: este é o seu último mês na revista antes de começar em um novo emprego
bacana. Sentiremos saudade - mas conforta saber que ela continuará produzindo ótimas
matérias. Seguirei como um fiel leitor. A segunda é sobre o pinguim que comprei 25 anos atrás.
No momento em que escrevo este texto, ele saiu do armário de casa (já bem desbotado, coitado)
e se encontra naquele mesmo hospital da Paulista. Desta vez, nas mãos da minha irmã,
Fernanda, que deu ..... luz sua primeira filha, Alice, a quem dedico esta edição. O bom pinguim
...... casa torna.
Até logo, caro leitor. Fofoque com moderação.
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