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Original até no plágio
Por Humberto Werneck
Sabem os cronistas ___ que extremos pode levá-los a obrigação de encher um palmo de
jornal ou revista e não ter assunto para rechear o espaço.
Este é todo um longo e divertido capítulo do ofício. Divertido, é claro, apenas para o leitor,
que nem sempre poderia imaginar o pesadelo que foi para Paulo Mendes Campos, por exemplo,
alinhavar a deliciosa “Vaidades e uma explicação” ou, para Antônio Maria, pôr de pé sua
impecável “Amanhecer no Margarida’s”.
Fernando Sabino lembrou com muita graça o dia em que o colega Rubem Braga, ___
míngua de assunto, lhe perguntou se tinha alguma crônica usada que pudesse lhe ceder.
Organizadíssimo, o escritor mineiro baixou a seus arquivos e de lá trouxe a história de uma sopa
servida a preço irrisório no Centro do Rio de Janeiro. O Velho Braga apanhou a crônica, deu um
tapinha no texto e publicou.
Tempos mais tarde, foi Sabino quem precisou de crônica de segunda mão, e fez ao amigo
a mesma pergunta que ele lhe fizera. Braga mexeu e remexeu em seus papéis e o que exumou
ali? Justamente ___ crônica da sopa dos pobres. Fernando ensaiou reclamação, mas, sem
alternativa, engoliu a requentada sopa, com o trabalho adicional de trocar alguns ingredientes,
de forma a disfarçar o sabor de coisa por demais manjada. Por via das dúvidas, para cortar
qualquer possibilidade de mais idas e vindas, enfiou ali a informação de que o maldito caldo ia
sumir do cardápio.
O mesmo Braga tem duas outras histórias célebres de saídas brilhantes para o sufoco da
falta de assunto. Numa das crises de inspiração zero, ainda no começo da carreira, ele encheu
sua coluna, num jornal paulistano, de impropérios contra o leitor, sobre o qual despejou até
mesmo pragas de forma tão graciosa, porém, que se tornou impossível abandonar a leitura,
arrematada com um “Passe mal!”.
Pela mesma época, Rubem Braga saiu-se ainda mais brilhantemente no dia em que, sem
outro recurso, decidiu simplesmente publicar crônica alheia, de autoria de um amigo, ainda por
cima, Carlos Drummond de Andrade, estampada fazia pouco num jornal de Belo Horizonte.
Não, não se vai contar aqui a saborosa história – trate, sem mais tardança, de buscá-la
por conta própria, e se regale com a criatividade de Rubem Braga, brilhante até mesmo quando
recorre a texto que não seja seu.
(Disponível em: cronicabrasileira.org.br/res-do-chao/12332/original-ate-no-plagio – texto adaptado especialmente para esta prova).
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Original até no plágio
Por Humberto Werneck
Sabem os cronistas ___ que extremos pode levá-los a obrigação de encher um palmo de
jornal ou revista e não ter assunto para rechear o espaço.
Este é todo um longo e divertido capítulo do ofício. Divertido, é claro, apenas para o leitor,
que nem sempre poderia imaginar o pesadelo que foi para Paulo Mendes Campos, por exemplo,
alinhavar a deliciosa “Vaidades e uma explicação” ou, para Antônio Maria, pôr de pé sua
impecável “Amanhecer no Margarida’s”.
Fernando Sabino lembrou com muita graça o dia em que o colega Rubem Braga, ___
míngua de assunto, lhe perguntou se tinha alguma crônica usada que pudesse lhe ceder.
Organizadíssimo, o escritor mineiro baixou a seus arquivos e de lá trouxe a história de uma sopa
servida a preço irrisório no Centro do Rio de Janeiro. O Velho Braga apanhou a crônica, deu um
tapinha no texto e publicou.
Tempos mais tarde, foi Sabino quem precisou de crônica de segunda mão, e fez ao amigo
a mesma pergunta que ele lhe fizera. Braga mexeu e remexeu em seus papéis e o que exumou
ali? Justamente ___ crônica da sopa dos pobres. Fernando ensaiou reclamação, mas, sem
alternativa, engoliu a requentada sopa, com o trabalho adicional de trocar alguns ingredientes,
de forma a disfarçar o sabor de coisa por demais manjada. Por via das dúvidas, para cortar
qualquer possibilidade de mais idas e vindas, enfiou ali a informação de que o maldito caldo ia
sumir do cardápio.
O mesmo Braga tem duas outras histórias célebres de saídas brilhantes para o sufoco da
falta de assunto. Numa das crises de inspiração zero, ainda no começo da carreira, ele encheu
sua coluna, num jornal paulistano, de impropérios contra o leitor, sobre o qual despejou até
mesmo pragas de forma tão graciosa, porém, que se tornou impossível abandonar a leitura,
arrematada com um “Passe mal!”.
Pela mesma época, Rubem Braga saiu-se ainda mais brilhantemente no dia em que, sem
outro recurso, decidiu simplesmente publicar crônica alheia, de autoria de um amigo, ainda por
cima, Carlos Drummond de Andrade, estampada fazia pouco num jornal de Belo Horizonte.
Não, não se vai contar aqui a saborosa história – trate, sem mais tardança, de buscá-la
por conta própria, e se regale com a criatividade de Rubem Braga, brilhante até mesmo quando
recorre a texto que não seja seu.
(Disponível em: cronicabrasileira.org.br/res-do-chao/12332/original-ate-no-plagio – texto adaptado especialmente para esta prova).
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Sabem os cronistas ___ que extremos pode levá-los a obrigação de encher um palmo de
jornal ou revista e não ter assunto para rechear o espaço.
Este é todo um longo e divertido capítulo do ofício. Divertido, é claro, apenas para o leitor,
que nem sempre poderia imaginar o pesadelo que foi para Paulo Mendes Campos, por exemplo,
alinhavar a deliciosa “Vaidades e uma explicação” ou, para Antônio Maria, pôr de pé sua
impecável “Amanhecer no Margarida’s”.
Fernando Sabino lembrou com muita graça o dia em que o colega Rubem Braga, ___
míngua de assunto, lhe perguntou se tinha alguma crônica usada que pudesse lhe ceder.
Organizadíssimo, o escritor mineiro baixou a seus arquivos e de lá trouxe a história de uma sopa
servida a preço irrisório no Centro do Rio de Janeiro. O Velho Braga apanhou a crônica, deu um
tapinha no texto e publicou.
Tempos mais tarde, foi Sabino quem precisou de crônica de segunda mão, e fez ao amigo
a mesma pergunta que ele lhe fizera. Braga mexeu e remexeu em seus papéis e o que exumou
ali? Justamente ___ crônica da sopa dos pobres. Fernando ensaiou reclamação, mas, sem
alternativa, engoliu a requentada sopa, com o trabalho adicional de trocar alguns ingredientes,
de forma a disfarçar o sabor de coisa por demais manjada. Por via das dúvidas, para cortar
qualquer possibilidade de mais idas e vindas, enfiou ali a informação de que o maldito caldo ia
sumir do cardápio.
O mesmo Braga tem duas outras histórias célebres de saídas brilhantes para o sufoco da
falta de assunto. Numa das crises de inspiração zero, ainda no começo da carreira, ele encheu
sua coluna, num jornal paulistano, de impropérios contra o leitor, sobre o qual despejou até
mesmo pragas de forma tão graciosa, porém, que se tornou impossível abandonar a leitura,
arrematada com um “Passe mal!”.
Pela mesma época, Rubem Braga saiu-se ainda mais brilhantemente no dia em que, sem
outro recurso, decidiu simplesmente publicar crônica alheia, de autoria de um amigo, ainda por
cima, Carlos Drummond de Andrade, estampada fazia pouco num jornal de Belo Horizonte.
Não, não se vai contar aqui a saborosa história – trate, sem mais tardança, de buscá-la
por conta própria, e se regale com a criatividade de Rubem Braga, brilhante até mesmo quando
recorre a texto que não seja seu.
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jornal ou revista e não ter assunto para rechear o espaço.
Este é todo um longo e divertido capítulo do ofício. Divertido, é claro, apenas para o leitor,
que nem sempre poderia imaginar o pesadelo que foi para Paulo Mendes Campos, por exemplo,
alinhavar a deliciosa “Vaidades e uma explicação” ou, para Antônio Maria, pôr de pé sua
impecável “Amanhecer no Margarida’s”.
Fernando Sabino lembrou com muita graça o dia em que o colega Rubem Braga, ___
míngua de assunto, lhe perguntou se tinha alguma crônica usada que pudesse lhe ceder.
Organizadíssimo, o escritor mineiro baixou a seus arquivos e de lá trouxe a história de uma sopa
servida a preço irrisório no Centro do Rio de Janeiro. O Velho Braga apanhou a crônica, deu um
tapinha no texto e publicou.
Tempos mais tarde, foi Sabino quem precisou de crônica de segunda mão, e fez ao amigo
a mesma pergunta que ele lhe fizera. Braga mexeu e remexeu em seus papéis e o que exumou
ali? Justamente ___ crônica da sopa dos pobres. Fernando ensaiou reclamação, mas, sem
alternativa, engoliu a requentada sopa, com o trabalho adicional de trocar alguns ingredientes,
de forma a disfarçar o sabor de coisa por demais manjada. Por via das dúvidas, para cortar
qualquer possibilidade de mais idas e vindas, enfiou ali a informação de que o maldito caldo ia
sumir do cardápio.
O mesmo Braga tem duas outras histórias célebres de saídas brilhantes para o sufoco da
falta de assunto. Numa das crises de inspiração zero, ainda no começo da carreira, ele encheu
sua coluna, num jornal paulistano, de impropérios contra o leitor, sobre o qual despejou até
mesmo pragas de forma tão graciosa, porém, que se tornou impossível abandonar a leitura,
arrematada com um “Passe mal!”.
Pela mesma época, Rubem Braga saiu-se ainda mais brilhantemente no dia em que, sem
outro recurso, decidiu simplesmente publicar crônica alheia, de autoria de um amigo, ainda por
cima, Carlos Drummond de Andrade, estampada fazia pouco num jornal de Belo Horizonte.
Não, não se vai contar aqui a saborosa história – trate, sem mais tardança, de buscá-la
por conta própria, e se regale com a criatividade de Rubem Braga, brilhante até mesmo quando
recorre a texto que não seja seu.
(Disponível em: cronicabrasileira.org.br/res-do-chao/12332/original-ate-no-plagio – texto adaptado especialmente para esta prova).
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Sabem os cronistas ___ que extremos pode levá-los a obrigação de encher um palmo de
jornal ou revista e não ter assunto para rechear o espaço.
Este é todo um longo e divertido capítulo do ofício. Divertido, é claro, apenas para o leitor,
que nem sempre poderia imaginar o pesadelo que foi para Paulo Mendes Campos, por exemplo,
alinhavar a deliciosa “Vaidades e uma explicação” ou, para Antônio Maria, pôr de pé sua
impecável “Amanhecer no Margarida’s”.
Fernando Sabino lembrou com muita graça o dia em que o colega Rubem Braga, ___
míngua de assunto, lhe perguntou se tinha alguma crônica usada que pudesse lhe ceder.
Organizadíssimo, o escritor mineiro baixou a seus arquivos e de lá trouxe a história de uma sopa
servida a preço irrisório no Centro do Rio de Janeiro. O Velho Braga apanhou a crônica, deu um
tapinha no texto e publicou.
Tempos mais tarde, foi Sabino quem precisou de crônica de segunda mão, e fez ao amigo
a mesma pergunta que ele lhe fizera. Braga mexeu e remexeu em seus papéis e o que exumou
ali? Justamente ___ crônica da sopa dos pobres. Fernando ensaiou reclamação, mas, sem
alternativa, engoliu a requentada sopa, com o trabalho adicional de trocar alguns ingredientes,
de forma a disfarçar o sabor de coisa por demais manjada. Por via das dúvidas, para cortar
qualquer possibilidade de mais idas e vindas, enfiou ali a informação de que o maldito caldo ia
sumir do cardápio.
O mesmo Braga tem duas outras histórias célebres de saídas brilhantes para o sufoco da
falta de assunto. Numa das crises de inspiração zero, ainda no começo da carreira, ele encheu
sua coluna, num jornal paulistano, de impropérios contra o leitor, sobre o qual despejou até
mesmo pragas de forma tão graciosa, porém, que se tornou impossível abandonar a leitura,
arrematada com um “Passe mal!”.
Pela mesma época, Rubem Braga saiu-se ainda mais brilhantemente no dia em que, sem
outro recurso, decidiu simplesmente publicar crônica alheia, de autoria de um amigo, ainda por
cima, Carlos Drummond de Andrade, estampada fazia pouco num jornal de Belo Horizonte.
Não, não se vai contar aqui a saborosa história – trate, sem mais tardança, de buscá-la
por conta própria, e se regale com a criatividade de Rubem Braga, brilhante até mesmo quando
recorre a texto que não seja seu.
(Disponível em: cronicabrasileira.org.br/res-do-chao/12332/original-ate-no-plagio – texto adaptado especialmente para esta prova).
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Por Humberto Werneck
Sabem os cronistas ___ que extremos pode levá-los a obrigação de encher um palmo de
jornal ou revista e não ter assunto para rechear o espaço.
Este é todo um longo e divertido capítulo do ofício. Divertido, é claro, apenas para o leitor,
que nem sempre poderia imaginar o pesadelo que foi para Paulo Mendes Campos, por exemplo,
alinhavar a deliciosa “Vaidades e uma explicação” ou, para Antônio Maria, pôr de pé sua
impecável “Amanhecer no Margarida’s”.
Fernando Sabino lembrou com muita graça o dia em que o colega Rubem Braga, ___
míngua de assunto, lhe perguntou se tinha alguma crônica usada que pudesse lhe ceder.
Organizadíssimo, o escritor mineiro baixou a seus arquivos e de lá trouxe a história de uma sopa
servida a preço irrisório no Centro do Rio de Janeiro. O Velho Braga apanhou a crônica, deu um
tapinha no texto e publicou.
Tempos mais tarde, foi Sabino quem precisou de crônica de segunda mão, e fez ao amigo
a mesma pergunta que ele lhe fizera. Braga mexeu e remexeu em seus papéis e o que exumou
ali? Justamente ___ crônica da sopa dos pobres. Fernando ensaiou reclamação, mas, sem
alternativa, engoliu a requentada sopa, com o trabalho adicional de trocar alguns ingredientes,
de forma a disfarçar o sabor de coisa por demais manjada. Por via das dúvidas, para cortar
qualquer possibilidade de mais idas e vindas, enfiou ali a informação de que o maldito caldo ia
sumir do cardápio.
O mesmo Braga tem duas outras histórias célebres de saídas brilhantes para o sufoco da
falta de assunto. Numa das crises de inspiração zero, ainda no começo da carreira, ele encheu
sua coluna, num jornal paulistano, de impropérios contra o leitor, sobre o qual despejou até
mesmo pragas de forma tão graciosa, porém, que se tornou impossível abandonar a leitura,
arrematada com um “Passe mal!”.
Pela mesma época, Rubem Braga saiu-se ainda mais brilhantemente no dia em que, sem
outro recurso, decidiu simplesmente publicar crônica alheia, de autoria de um amigo, ainda por
cima, Carlos Drummond de Andrade, estampada fazia pouco num jornal de Belo Horizonte.
Não, não se vai contar aqui a saborosa história – trate, sem mais tardança, de buscá-la
por conta própria, e se regale com a criatividade de Rubem Braga, brilhante até mesmo quando
recorre a texto que não seja seu.
(Disponível em: cronicabrasileira.org.br/res-do-chao/12332/original-ate-no-plagio – texto adaptado especialmente para esta prova).
Considerando a distinção entre fato e hipótese na construção do texto, analise as assertivas a seguir:
I. A afirmação de que o leitor “nem sempre poderia imaginar o pesadelo” vivenciado pelos escritores ao “alinhavar” um texto constitui uma hipótese do autor sobre a percepção e o estado mental do público.
II. O relato sobre Rubem Braga ter publicado uma crônica de autoria de Carlos Drummond de Andrade, originalmente impressa em um jornal de Belo Horizonte, é apresentado como um fato que sustenta a argumentação.
III. A caracterização da crônica de Antônio Maria como “impecável” e a de Paulo Mendes Campos como “deliciosa” são tratadas como fatos linguísticos objetivos, independentes do juízo de valor do narrador.
IV. A sugestão de que o leitor “se regale” com a criatividade de Braga ao buscar a história por conta própria configura uma hipótese ou projeção do autor sobre o efeito que a leitura causará.
Quais estão corretas?
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Sabem os cronistas ___ que extremos pode levá-los a obrigação de encher um palmo de
jornal ou revista e não ter assunto para rechear o espaço.
Este é todo um longo e divertido capítulo do ofício. Divertido, é claro, apenas para o leitor,
que nem sempre poderia imaginar o pesadelo que foi para Paulo Mendes Campos, por exemplo,
alinhavar a deliciosa “Vaidades e uma explicação” ou, para Antônio Maria, pôr de pé sua
impecável “Amanhecer no Margarida’s”.
Fernando Sabino lembrou com muita graça o dia em que o colega Rubem Braga, ___
míngua de assunto, lhe perguntou se tinha alguma crônica usada que pudesse lhe ceder.
Organizadíssimo, o escritor mineiro baixou a seus arquivos e de lá trouxe a história de uma sopa
servida a preço irrisório no Centro do Rio de Janeiro. O Velho Braga apanhou a crônica, deu um
tapinha no texto e publicou.
Tempos mais tarde, foi Sabino quem precisou de crônica de segunda mão, e fez ao amigo
a mesma pergunta que ele lhe fizera. Braga mexeu e remexeu em seus papéis e o que exumou
ali? Justamente ___ crônica da sopa dos pobres. Fernando ensaiou reclamação, mas, sem
alternativa, engoliu a requentada sopa, com o trabalho adicional de trocar alguns ingredientes,
de forma a disfarçar o sabor de coisa por demais manjada. Por via das dúvidas, para cortar
qualquer possibilidade de mais idas e vindas, enfiou ali a informação de que o maldito caldo ia
sumir do cardápio.
O mesmo Braga tem duas outras histórias célebres de saídas brilhantes para o sufoco da
falta de assunto. Numa das crises de inspiração zero, ainda no começo da carreira, ele encheu
sua coluna, num jornal paulistano, de impropérios contra o leitor, sobre o qual despejou até
mesmo pragas de forma tão graciosa, porém, que se tornou impossível abandonar a leitura,
arrematada com um “Passe mal!”.
Pela mesma época, Rubem Braga saiu-se ainda mais brilhantemente no dia em que, sem
outro recurso, decidiu simplesmente publicar crônica alheia, de autoria de um amigo, ainda por
cima, Carlos Drummond de Andrade, estampada fazia pouco num jornal de Belo Horizonte.
Não, não se vai contar aqui a saborosa história – trate, sem mais tardança, de buscá-la
por conta própria, e se regale com a criatividade de Rubem Braga, brilhante até mesmo quando
recorre a texto que não seja seu.
(Disponível em: cronicabrasileira.org.br/res-do-chao/12332/original-ate-no-plagio – texto adaptado especialmente para esta prova).
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Original até no plágio
Por Humberto Werneck
Sabem os cronistas ___ que extremos pode levá-los a obrigação de encher um palmo de
jornal ou revista e não ter assunto para rechear o espaço.
Este é todo um longo e divertido capítulo do ofício. Divertido, é claro, apenas para o leitor,
que nem sempre poderia imaginar o pesadelo que foi para Paulo Mendes Campos, por exemplo,
alinhavar a deliciosa “Vaidades e uma explicação” ou, para Antônio Maria, pôr de pé sua
impecável “Amanhecer no Margarida’s”.
Fernando Sabino lembrou com muita graça o dia em que o colega Rubem Braga, ___
míngua de assunto, lhe perguntou se tinha alguma crônica usada que pudesse lhe ceder.
Organizadíssimo, o escritor mineiro baixou a seus arquivos e de lá trouxe a história de uma sopa
servida a preço irrisório no Centro do Rio de Janeiro. O Velho Braga apanhou a crônica, deu um
tapinha no texto e publicou.
Tempos mais tarde, foi Sabino quem precisou de crônica de segunda mão, e fez ao amigo
a mesma pergunta que ele lhe fizera. Braga mexeu e remexeu em seus papéis e o que exumou
ali? Justamente ___ crônica da sopa dos pobres. Fernando ensaiou reclamação, mas, sem
alternativa, engoliu a requentada sopa, com o trabalho adicional de trocar alguns ingredientes,
de forma a disfarçar o sabor de coisa por demais manjada. Por via das dúvidas, para cortar
qualquer possibilidade de mais idas e vindas, enfiou ali a informação de que o maldito caldo ia
sumir do cardápio.
O mesmo Braga tem duas outras histórias célebres de saídas brilhantes para o sufoco da
falta de assunto. Numa das crises de inspiração zero, ainda no começo da carreira, ele encheu
sua coluna, num jornal paulistano, de impropérios contra o leitor, sobre o qual despejou até
mesmo pragas de forma tão graciosa, porém, que se tornou impossível abandonar a leitura,
arrematada com um “Passe mal!”.
Pela mesma época, Rubem Braga saiu-se ainda mais brilhantemente no dia em que, sem
outro recurso, decidiu simplesmente publicar crônica alheia, de autoria de um amigo, ainda por
cima, Carlos Drummond de Andrade, estampada fazia pouco num jornal de Belo Horizonte.
Não, não se vai contar aqui a saborosa história – trate, sem mais tardança, de buscá-la
por conta própria, e se regale com a criatividade de Rubem Braga, brilhante até mesmo quando
recorre a texto que não seja seu.
(Disponível em: cronicabrasileira.org.br/res-do-chao/12332/original-ate-no-plagio – texto adaptado especialmente para esta prova).
Provas
“Inglês avançado” que trava na entrevista. Conhecimento técnico que desaparece diante de uma pergunta simples. Cargos que parecem maiores no papel do que foram na prática. Essas são algumas das mentirinhas clássicas que ainda aparecem em currículos — e que recrutadores identificam com rapidez. Um levantamento da Robert Half, empresa global de recrutamento e consultoria em talentos humanos, feito com 774 profissionais no Brasil, mostra a dimensão do problema. Para 58% dos recrutadores, inconsistências no currículo já foram motivo para eliminar candidatos ainda no início do processo.
O estudo também revela quais são as distorções mais comuns e por que elas são tão fáceis de identificar. Algumas delas são, por exemplo, habilidades técnicas exageradas. O candidato declara domínio de ferramentas ou conhecimentos que não consegue comprovar na prática. Há, ainda, cargos e projetos apresentados de forma ampliada. A proficiência em idiomas acima do nível real é um clássico; o nível informado não se confirma em uma conversa simples. A lógica por trás dessas práticas é clara: aumentar as chances de passar pelo filtro inicial. Na prática, porém, o efeito costuma ser o contrário. As diferenças entre discurso e experiência aparecem ao longo da seleção e influenciam a decisão final.
Apesar disso, a maior parte dos profissionais afirma agir com transparência. Para 74%, nunca houve omissão ou distorção de informações. Ainda assim, 15% admitem já ter feito ajustes no currículo, enquanto 10% chegaram a considerar essa possibilidade. A pesquisa indica que esse comportamento está mais ligado à pressão do que à intenção de enganar. Entre os principais motivos estão o receio de perder espaço em um mercado competitivo, a tentativa de se alinhar ao perfil buscado pelas empresas e o medo de que lacunas na carreira prejudiquem a avaliação. Também pesam fatores como pressão financeira, urgência por recolocação e insegurança sobre a própria trajetória. Esse conjunto de elementos leva alguns profissionais a “embelezar” a forma como apresentam suas experiências.
Outro ponto que ganhou força recente é o uso de Inteligência Artificial (IA) na preparação de currículos e entrevistas. A tecnologia pode ajudar na organização e na clareza das informações. Mas, quando usada em excesso, deixa sinais claros – e os recrutadores já sabem identificá-los, como respostas mecânicas padronizadas, falta de profundidade ao detalhar experiências, uso de linguagem excessivamente formal, entre outros aspectos.
Para Marcela Esteves, diretora da Robert Half, o ponto central é o equilíbrio: “Há diversos recursos para ajudar na organização de ideias e na estrutura do currículo, mas nenhum deles substitui a experiência real do profissional. Como costumamos reforçar, a IA deve ser parceira, não substituta. Quando o documento se distancia demais da trajetória do candidato, isso tende a aparecer rapidamente durante as entrevistas e, sem dúvida, pode prejudicar sua reputação”, conclui.
(Disponível em: g1.globo.com/trabalho-e-carreira/noticia/2026/03/25/as-5-mentiras-mais-comuns-noscurriculos-e-como-elas-sao-descobertas-por-recrutadores.ghtml – texto adaptado especialmente para esta prova).
Provas
“Inglês avançado” que trava na entrevista. Conhecimento técnico que desaparece diante de uma pergunta simples. Cargos que parecem maiores no papel do que foram na prática. Essas são algumas das mentirinhas clássicas que ainda aparecem em currículos — e que recrutadores identificam com rapidez. Um levantamento da Robert Half, empresa global de recrutamento e consultoria em talentos humanos, feito com 774 profissionais no Brasil, mostra a dimensão do problema. Para 58% dos recrutadores, inconsistências no currículo já foram motivo para eliminar candidatos ainda no início do processo.
O estudo também revela quais são as distorções mais comuns e por que elas são tão fáceis de identificar. Algumas delas são, por exemplo, habilidades técnicas exageradas. O candidato declara domínio de ferramentas ou conhecimentos que não consegue comprovar na prática. Há, ainda, cargos e projetos apresentados de forma ampliada. A proficiência em idiomas acima do nível real é um clássico; o nível informado não se confirma em uma conversa simples. A lógica por trás dessas práticas é clara: aumentar as chances de passar pelo filtro inicial. Na prática, porém, o efeito costuma ser o contrário. As diferenças entre discurso e experiência aparecem ao longo da seleção e influenciam a decisão final.
Apesar disso, a maior parte dos profissionais afirma agir com transparência. Para 74%, nunca houve omissão ou distorção de informações. Ainda assim, 15% admitem já ter feito ajustes no currículo, enquanto 10% chegaram a considerar essa possibilidade. A pesquisa indica que esse comportamento está mais ligado à pressão do que à intenção de enganar. Entre os principais motivos estão o receio de perder espaço em um mercado competitivo, a tentativa de se alinhar ao perfil buscado pelas empresas e o medo de que lacunas na carreira prejudiquem a avaliação. Também pesam fatores como pressão financeira, urgência por recolocação e insegurança sobre a própria trajetória. Esse conjunto de elementos leva alguns profissionais a “embelezar” a forma como apresentam suas experiências.
Outro ponto que ganhou força recente é o uso de Inteligência Artificial (IA) na preparação de currículos e entrevistas. A tecnologia pode ajudar na organização e na clareza das informações. Mas, quando usada em excesso, deixa sinais claros – e os recrutadores já sabem identificá-los, como respostas mecânicas padronizadas, falta de profundidade ao detalhar experiências, uso de linguagem excessivamente formal, entre outros aspectos.
Para Marcela Esteves, diretora da Robert Half, o ponto central é o equilíbrio: “Há diversos recursos para ajudar na organização de ideias e na estrutura do currículo, mas nenhum deles substitui a experiência real do profissional. Como costumamos reforçar, a IA deve ser parceira, não substituta. Quando o documento se distancia demais da trajetória do candidato, isso tende a aparecer rapidamente durante as entrevistas e, sem dúvida, pode prejudicar sua reputação”, conclui.
(Disponível em: g1.globo.com/trabalho-e-carreira/noticia/2026/03/25/as-5-mentiras-mais-comuns-noscurriculos-e-como-elas-sao-descobertas-por-recrutadores.ghtml – texto adaptado especialmente para esta prova).
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