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"O silêncio dos inocentes"
O escritor, cujas obras haviam sido aclamadas pela crítica e pelo público, sentia-se, paradoxalmente, cada vez mais oco. As palavras, que outrora lhe fluíam com a naturalidade de um rio em despenhadeiro, agora resistiam em brotar. Era como se a linguagem o tivesse traído, abandonando-o justamente quando mais precisava dela. O que o angustiava, porém, não era a possibilidade de nunca mais escrever, mas a terrível suspeita de que tudo o que produzira fora, no fundo, uma longa e elaborada mentira. E se ele não passasse de um impostor? E se a verdade que buscara revelar estivesse, na verdade, oculta sob camadas tão densas de artifício que nem mesmo ele próprio conseguia mais distinguir onde terminava a sinceridade e começava a farsa?
ROTH, Philip. A marca humana. Tradução de Paulo Henriques Britto. 1. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2002, p. 94
Considerando a estrutura sintática do período "As palavras, que outrora lhe fluíam com a naturalidade de um rio em despenhadeiro, agora resistiam em brotar", é correto afirmar que:
 

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"A última crônica"
[...]
    A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.
    São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: "Parabéns pra você, parabéns pra você..." Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura — ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido — vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.
    Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.
Fonte: SABINO, Fernando. A Companheira de Viagem. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1965. (Disponível em: https://rubem.wordpress.com/2023/04/19/a-ultima-cronica-fernando-sabino/)
O sorriso final do pai, descrito como puro, através da comparação textual com a própria crônica - "pura como esse sorriso" -, configura-se como elemento que:
 

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"A última crônica"
[...]
    A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.
    São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: "Parabéns pra você, parabéns pra você..." Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura — ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido — vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.
    Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.
Fonte: SABINO, Fernando. A Companheira de Viagem. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1965. (Disponível em: https://rubem.wordpress.com/2023/04/19/a-ultima-cronica-fernando-sabino/)
A expressão "contida na sua expectativa", referente à menina, sugere que ela:
 

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4120158 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: IPEFAE
Orgão: Pref. Andradas-MG
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Texto para a questão

Observe o trecho:

Maria encontrou a sacola no chão — palma da mão doía do corte —, esperava o ônibus após o trabalho à patroa, quando surgiu-lhe a lembrança de que assistira, na véspera, àquele filme de que tanto lhe falaram. “Aquela puta, aquela negra safada estava com os ladrões!”, gritou a voz, e lincharam-na até o sangue jorrar.

Conto "Maria", Conceição Evaristo. Disponível em scribd.com/document/349757324/Conto-Maria-Conceicao-Evaristo

Na sequência "Maria encontrou a sacola no chão — palma da mão doía do corte —, esperava o ônibus após o trabalho à patroa, quando surgiu-lhe a lembrança de que assistira, na véspera, àquele filme de que tanto lhe falaram", é correto analisar que
 

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4120157 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: IPEFAE
Orgão: Pref. Andradas-MG
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Texto para a questão

Observe o trecho:

Maria encontrou a sacola no chão — palma da mão doía do corte —, esperava o ônibus após o trabalho à patroa, quando surgiu-lhe a lembrança de que assistira, na véspera, àquele filme de que tanto lhe falaram. “Aquela puta, aquela negra safada estava com os ladrões!”, gritou a voz, e lincharam-na até o sangue jorrar.

Conto "Maria", Conceição Evaristo. Disponível em scribd.com/document/349757324/Conto-Maria-Conceicao-Evaristo

Sobre pronomes e coesão no texto, analise as assertivas:

I. “À patroa” exige crase por fusão de preposição “a” (após “trabalho”) com artigo “a” (“patroa”, palavra feminina).
II. O pronome “a” em “lincharam-na” retoma “Maria”, garantindo coesão anafórica e evitando repetição.
III. “Aquela” em “aquela puta” é demonstrativo de reforço depreciativo, coeso com o contexto de ódio originado na multidão.
IV. “A voz” é sujeito indeterminado; sem pronome oblíquo, quebra a coesão referencial.

Está correto o que se afirma em:
 

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4120156 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: IPEFAE
Orgão: Pref. Andradas-MG
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Texto para a questão
[...]
As palavras, que outrora lhe fluíam com a naturalidade de um rio em despenhadeiro — agora resistiam em brotar — , traíam-no na angústia maior: a suspeita de que tudo o que produzira fora mentira.
BOTELHO, Verônica. O Inverno do Coronel. São Paulo: Editora Aqualume, 2024. P. 25
Considerando “a suspeita de que tudo o que produzira fora mentira”, é correto afirmar que
 

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4120155 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: IPEFAE
Orgão: Pref. Andradas-MG
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Texto para a questão
[...]
As palavras, que outrora lhe fluíam com a naturalidade de um rio em despenhadeiro — agora resistiam em brotar — , traíam-no na angústia maior: a suspeita de que tudo o que produzira fora mentira.
BOTELHO, Verônica. O Inverno do Coronel. São Paulo: Editora Aqualume, 2024. P. 25
Na estrutura “As palavras, que outrora lhe fluíam com a naturalidade de um rio em despenhadeiro — agora resistiam em brotar —, traíam-no”, assinale a alternativa correta quanto à pontuação e à concordância verbal:
 

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4120154 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: IPEFAE
Orgão: Pref. Andradas-MG
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Texto para a questão
Numa pensão frege-moscas, o caminhoneiro que ganhava uma nota alta com contrabando se incomoda com a comida ruim, uns anões hóspedes e, principalmente, o som insistente de saxofone vindo de um quarto. O moço do saxofone ensaia o dia todo, enquanto a mulher o engana até com o papagaio. A música melancólica persiste, solitária, apesar de tudo no lugar.
Fonte: Análise do conto “O moço do saxofone”, Lygia Fagundes Telles (1966). Disponível em http://pescandoletras.blogspot.com/2012/03/analisedo-conto-o-moco-do-saxofone.html
A persistência da música do saxofone configura-se como elemento que
 

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4120153 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: IPEFAE
Orgão: Pref. Andradas-MG
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Texto para a questão
Numa pensão frege-moscas, o caminhoneiro que ganhava uma nota alta com contrabando se incomoda com a comida ruim, uns anões hóspedes e, principalmente, o som insistente de saxofone vindo de um quarto. O moço do saxofone ensaia o dia todo, enquanto a mulher o engana até com o papagaio. A música melancólica persiste, solitária, apesar de tudo no lugar.
Fonte: Análise do conto “O moço do saxofone”, Lygia Fagundes Telles (1966). Disponível em http://pescandoletras.blogspot.com/2012/03/analisedo-conto-o-moco-do-saxofone.html
No texto, o som do saxofone é descrito como “insistente”, sugerindo que o instrumentista
 

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4120131 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: IPEFAE
Orgão: Pref. Andradas-MG
Texto para a questão.
O que perdemos por deixar de escrever à mão
    Excluídas as coisas que adoraríamos esquecer, a felicidade se mede pelas tantas que merecemos lembrar. E neste quesito, tudo o que favorece a memorização tem importância.
    Vilmar Sanches, um colega sempre bem-informado, trouxe para o grupo da nossa ATM um texto que coloca em xeque o futuro da escrita manual, uma forma de comunicação desenvolvida há mais de 2,5 mil anos e que está perdendo espaço para o uso exclusivo de telas entre os jovens da geração Z (nascidos entre 1997 e 2012).
    O hábito de escrever no papel tornou-se menos frequente devido à predominância de celulares, tablets e computadores, alterando uma prática fundamental da civilização humana.
    Seria razão para comemoração plena se essa transformação profunda no processamento de informações não significasse perdas para as novas gerações. Estudos indicam que o ato físico de escrever ativa áreas cerebrais essenciais para o aprendizado e o raciocínio crítico, de forma muito mais intensa do que a digitação.
    O esforço muscular e tátil da escrita manual, com movimentos específicos no desenho de cada letra, ajuda o cérebro a ancorar a informação à memória, enquanto na digitação o movimento é homogeneizado: nada distingue um clique para digitar um A ou um Z.
    Quando toda a novidade presume avanço, aqui estão alguns efeitos dessa mudança:
    1. Impacto no aprendizado e na memória. O abandono gradual da escrita à mão, em favor da digitação, é um fenômeno que altera não apenas a forma como nos comunicamos, mas também como o nosso cérebro processa informações. Essa mudança de costumes traz benefícios de eficiência, mas impõe perdas significativas em termos cognitivos e motores. Ao escrever à mão, o cérebro precisa planejar e executar movimentos complexos para cada letra, o que reforça a retenção de informações
    2. Codificação profunda. Estudos sugerem que o tempo mais lento da escrita manual permite que o cérebro processe melhor o conteúdo
    3. Quem digita usa com frequência o "copie e cole", o que resulta numa retenção superficial, enquanto quem escreve à mão é forçado a resumir e selecionar conceitos-chave, o que facilita a compreensão e o armazenamento. A escrita manual é uma tarefa multissensorial. Ela envolve a integração da visão, do tato e do controle motor fino, muito valorizados na alfabetização infantil
    4. Refinamento da coordenação fina. A perda da prática manual pode levar a uma atrofia de habilidades motoras delicadas, essenciais em áreas como cirurgia, artes plásticas e mecânica de precisão
    Exauridos os argumentos técnicos, ainda restará lamentar a falta do deslumbramento de receber uma carta de amor, com aquela caligrafia inconfundível, falando de saudade. 
    Acredite, a vida do robô é um modelo de eficiência vazia. Ele, coitado, nem tem onde guardar cartas para reler em dias tristes.
J.J. Camargo. Disponível em . <https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/jj-camargo/noticia/2026/02/oque-perdemos-por-deixar-de-escrever-a-maocmltur7cr003401jnhitonyvt.html>.
Considere os enunciados do texto: “Essa mudança de costumes traz benefícios de eficiência.” e “Ela envolve a integração da visão.” Assinale a alternativa que classifica corretamente os pronomes destacados, na ordem em que aparecem.
 

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