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Texto 3
Por que o leite é um “apito de cachorro” racista?
Uma foto em preto e branco de Donald Trump com um bigode
de leite, publicada pelo perfil do Departamento de Agricultura
dos Estados Unidos no X, tem provocado considerações a
respeito da real mensagem. A imagem remete à
campanha “Got Milk?”, dos anos 1990 e foi rapidamente
replicada por aliados do republicano, gerando reação nas
redes. A postagem veio após mudanças nas regras federais de
nutrição escolar, que voltaram a permitir a oferta de leite integral
nas escolas públicas do país. A decisão coloca em pauta o
debate antigo sobre alimentação, gordura saturada e o papel
do Estado na definição do que crianças consomem no dia a dia,
mesmo com especialistas em saúde pública alertando para os
riscos do incentivo do consumo de leite integral sem considerar
o conjunto da dieta. Trump passou a tratar o produto como
símbolo de uma alimentação “de verdade”, em oposição ao leite
desnatado ou semidesnatado.
O uso do leite, porém, não se limita ao debate nutricional. Nos
Estados Unidos, o alimento vem sendo apropriado como
símbolo por grupos supremacistas brancos. Essa associação
tem contexto histórico, segundo o qual, dentre as décadas de
1920-1930, panfletos e relatórios afirmavam que pessoas que
consumiam mais leite seriam mais avançadas
intelectualmente e que povos arianos eram os maiores
consumidores de laticínios, hábito relacionado a um suposto
desenvolvimento superior.
Em artigo publicado no The Conversation, a professora de
direito Andrea Freeman, da Universidade do Havaí, observa
que a ligação entre leite e supremacismo branco é direta e
contínua. A autora afirma que a indústria alimentícia dos EUA
explorou diferenças raciais na digestão da lactose para
estimular o consumo entre elites brancas, embora grande
parte da população mundial não digira bem o leite. No Brasil,
o símbolo considerado um “apito de cachorro” carrega
significados específicos para determinados grupos e passou
a ser usado para descrever estratégias de comunicação
indireta, constituindo um código político, conectando
alimentação, identidade racial e poder.
Disponível em: https://revistaforum.com.br/global/por-que-o-leite-e-um-apitode-cachorro-racista. Acesso em: 15 jan. 2026. [Adaptado].
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Texto 3
Por que o leite é um “apito de cachorro” racista?
Uma foto em preto e branco de Donald Trump com um bigode
de leite, publicada pelo perfil do Departamento de Agricultura
dos Estados Unidos no X, tem provocado considerações a
respeito da real mensagem. A imagem remete à
campanha “Got Milk?”, dos anos 1990 e foi rapidamente
replicada por aliados do republicano, gerando reação nas
redes. A postagem veio após mudanças nas regras federais de
nutrição escolar, que voltaram a permitir a oferta de leite integral
nas escolas públicas do país. A decisão coloca em pauta o
debate antigo sobre alimentação, gordura saturada e o papel
do Estado na definição do que crianças consomem no dia a dia,
mesmo com especialistas em saúde pública alertando para os
riscos do incentivo do consumo de leite integral sem considerar
o conjunto da dieta. Trump passou a tratar o produto como
símbolo de uma alimentação “de verdade”, em oposição ao leite
desnatado ou semidesnatado.
O uso do leite, porém, não se limita ao debate nutricional. Nos
Estados Unidos, o alimento vem sendo apropriado como
símbolo por grupos supremacistas brancos. Essa associação
tem contexto histórico, segundo o qual, dentre as décadas de
1920-1930, panfletos e relatórios afirmavam que pessoas que
consumiam mais leite seriam mais avançadas
intelectualmente e que povos arianos eram os maiores
consumidores de laticínios, hábito relacionado a um suposto
desenvolvimento superior.
Em artigo publicado no The Conversation, a professora de
direito Andrea Freeman, da Universidade do Havaí, observa
que a ligação entre leite e supremacismo branco é direta e
contínua. A autora afirma que a indústria alimentícia dos EUA
explorou diferenças raciais na digestão da lactose para
estimular o consumo entre elites brancas, embora grande
parte da população mundial não digira bem o leite. No Brasil,
o símbolo considerado um “apito de cachorro” carrega
significados específicos para determinados grupos e passou
a ser usado para descrever estratégias de comunicação
indireta, constituindo um código político, conectando
alimentação, identidade racial e poder.
Disponível em: https://revistaforum.com.br/global/por-que-o-leite-e-um-apitode-cachorro-racista. Acesso em: 15 jan. 2026. [Adaptado].
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Analise a imagem a seguir.

FRAGA, Gilmar. Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/opiniao/noticia/2025/02/gilmar-fraga-riocm72lg7vk008g015amyr4z0nk.html. Acesso em: 10 jan. 2026.
A charge faz alusão a uma situação recorrente no Rio de Janeiro. O efeito de sentido expresso pela imagem indica que
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De acordo com os estudos de Mikhail Bakhtin, a linguagem
é constituída socialmente. Nesse viés, nenhum enunciado é
isolado; ele é sempre uma resposta a enunciados anteriores
e se dirige a enunciados futuros. Essa característica
intrínseca da linguagem, que pressupõe a presença de
múltiplas vozes (sejam elas convergentes ou divergentes)
dentro de um mesmo texto, é definida tecnicamente como
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No âmbito da linguística brasileira, o movimento de crítica à
gramática normativa impôs a necessidade de reconfigurar o
ensino de Língua Portuguesa. João Wanderley Geraldi, um
dos principais pesquisadores que orientou a nova forma de
ensino do idioma materno, propôs que o estudo da língua
fosse retirado de seu isolamento e articulado com o uso
efetivo da linguagem, sob uma prática de ensino de natureza
funcional e reflexiva. Essa perspectiva de ensino se
materializa na articulação de três práticas pedagógicas que
devem compor o ensino de Língua Portuguesa, que são:
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A concepção de texto como um evento comunicativo e não
apenas uma estrutura formal exige que sua análise e
produção não se limitem à superfície do enunciado. Nesse
sentido, o conceito que representa o resultado da ativação
do conhecimento de mundo, da relação entre discursos para
a construção do sentido é
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Nos documentos curriculares atuais, a Análise Linguística
(AL) é entendida como um eixo de ensino que deve ser
realizado de forma reflexiva e contextualizada. Essa prática
se opõe à concepção tradicional de ensino da língua que
dissocia o estudo da gramática do uso real da língua,
transformando-o em um fim em si mesmo. Considerando a
perspectiva funcional e reflexiva da Análise Linguística (AL)
nas aulas de Língua Portuguesa, o objetivo principal dessa
prática pedagógica é
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Leia o texto a seguir.
O círculo de Bakhtin compreende o enunciado como memória discursiva, isto é, todo enunciado é uma resposta a algo já dito, orientado a um público em um dado contexto social (FARACO, 2009). Na psicologia do corpo social, os atos humanos são construídos por cadeias ininterruptas dos enunciados como, por exemplo, as conversas de corredor, as trocas de opinião nas diferentes reuniões sociais e as trocas puramente fortuitas (BAKHTIN, 2011).
CAMPOS, Paula Angélica da Silva. O gênero do discurso no ensinoaprendizagem: em direção a uma abordagem desestabilizadora e sóciohistórica da linguagem. Entretextos, Londrina, v. 18, n. 2, p. 51–76, 2018. Disponível em: https://ojs.uel.br/revistas/uel/index.php/entretextos/article/view/31994. Acesso em: 29 nov. 2025.
A compreensão do enunciado como memória discursiva e como ato sempre orientado a um contexto social deve ser levado em consideração nas aulas de língua portuguesa para que se desloque a abordagem normativa tradicional para uma prática de ensino funcional e reflexiva. Nessa perspectiva, qual é a principal implicação metodológica para o ensino de língua que contemple a dimensão social e discursiva da linguagem?
O círculo de Bakhtin compreende o enunciado como memória discursiva, isto é, todo enunciado é uma resposta a algo já dito, orientado a um público em um dado contexto social (FARACO, 2009). Na psicologia do corpo social, os atos humanos são construídos por cadeias ininterruptas dos enunciados como, por exemplo, as conversas de corredor, as trocas de opinião nas diferentes reuniões sociais e as trocas puramente fortuitas (BAKHTIN, 2011).
CAMPOS, Paula Angélica da Silva. O gênero do discurso no ensinoaprendizagem: em direção a uma abordagem desestabilizadora e sóciohistórica da linguagem. Entretextos, Londrina, v. 18, n. 2, p. 51–76, 2018. Disponível em: https://ojs.uel.br/revistas/uel/index.php/entretextos/article/view/31994. Acesso em: 29 nov. 2025.
A compreensão do enunciado como memória discursiva e como ato sempre orientado a um contexto social deve ser levado em consideração nas aulas de língua portuguesa para que se desloque a abordagem normativa tradicional para uma prática de ensino funcional e reflexiva. Nessa perspectiva, qual é a principal implicação metodológica para o ensino de língua que contemple a dimensão social e discursiva da linguagem?
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Leia o texto a seguir.
Frequentemente, tem-se feito referência às habilidades dos falantes para distinguirem entre uma sequência aleatória de palavras e um texto. Parece inteiramente razoável admitir que, mesmo intuitivamente, tal discernimento tem em conta a forma como os elementos linguísticos se dispõem e se organizam na superfície do texto. Ou seja, distingue-se um texto de um nãotexto, também, pela sequência que as palavras assumem.
ANTUNES, Irandé. A coesão como propriedade textual: bases para o ensino do texto. Calidoscópio Vol. 7, n. 1, p. 62-71, jan/abr 2009. Disponível em: https://revistas.unisinos.br/index.php/calidoscopio/article/view/4855/2113. Acesso em: 28 nov. 2025.
A organização dos elementos na superfície textual e as relações sequenciais que as palavras assumem são a base para a distinção entre um texto e um não-texto. O conceito que define o estabelecimento dessas relações formais e estruturais entre os elementos da superfície de um texto é denominado:
Frequentemente, tem-se feito referência às habilidades dos falantes para distinguirem entre uma sequência aleatória de palavras e um texto. Parece inteiramente razoável admitir que, mesmo intuitivamente, tal discernimento tem em conta a forma como os elementos linguísticos se dispõem e se organizam na superfície do texto. Ou seja, distingue-se um texto de um nãotexto, também, pela sequência que as palavras assumem.
ANTUNES, Irandé. A coesão como propriedade textual: bases para o ensino do texto. Calidoscópio Vol. 7, n. 1, p. 62-71, jan/abr 2009. Disponível em: https://revistas.unisinos.br/index.php/calidoscopio/article/view/4855/2113. Acesso em: 28 nov. 2025.
A organização dos elementos na superfície textual e as relações sequenciais que as palavras assumem são a base para a distinção entre um texto e um não-texto. O conceito que define o estabelecimento dessas relações formais e estruturais entre os elementos da superfície de um texto é denominado:
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Leia os textos a seguir.
As pesquisas em leitura, principalmente na área da psicologia e da psicolinguística, são unânimes em afirmar que, na leitura proficiente, as palavras são lidas não letra por letra ou sílaba por sílaba, mas como um todo não analisado, isto é, por reconhecimento instantâneo e não por processamento analítico-sintético.
KATO, Mary. O aprendizado da leitura. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
Leitura é uma atividade interativa altamente complexa de produção de sentidos, que se realiza com base na relação entre o conhecimento que o leitor traz armazenado na memória e as informações veiculadas no texto.
KOCH, I. V.; ELIAS, V. Escrever e escrever: estratégias de produção textual. São Paulo: Contexto, 2009.
Acerca da atividade de leitura, os textos concebem que a leitura proficiente é dada pela combinação do reconhecimento holístico da palavra com a interação entre texto e leitor. Dentre as diversas estratégias a serem mobilizadas para aumentar a competência leitora dos alunos, o professor de língua portuguesa pode priorizar
As pesquisas em leitura, principalmente na área da psicologia e da psicolinguística, são unânimes em afirmar que, na leitura proficiente, as palavras são lidas não letra por letra ou sílaba por sílaba, mas como um todo não analisado, isto é, por reconhecimento instantâneo e não por processamento analítico-sintético.
KATO, Mary. O aprendizado da leitura. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
Leitura é uma atividade interativa altamente complexa de produção de sentidos, que se realiza com base na relação entre o conhecimento que o leitor traz armazenado na memória e as informações veiculadas no texto.
KOCH, I. V.; ELIAS, V. Escrever e escrever: estratégias de produção textual. São Paulo: Contexto, 2009.
Acerca da atividade de leitura, os textos concebem que a leitura proficiente é dada pela combinação do reconhecimento holístico da palavra com a interação entre texto e leitor. Dentre as diversas estratégias a serem mobilizadas para aumentar a competência leitora dos alunos, o professor de língua portuguesa pode priorizar
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