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Foram encontradas 80 questões.

1506658 Ano: 2017
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Rio de Janeiro
Orgão: Col.Mil. Rio Janeiro

TEXTO I

Só o homem entediado terá chance de salvação num futuro de smartphones

João Pereira Coutinho

1Assisto a conferências e a moda não engana: metade da sala (no mínimo) está

com a cabeça enfiada em smartphones. Como seriam as conferências antigamente? O

que fazia a audiência enquanto alguém falava no palanque?

Provavelmente, escutava. Ou dormia. Ou dormia e escutava, em intervalos

5saudáveis.

Hoje, ninguém dorme. Duvido que alguém escute. O smartphone é o inimigo do

tédio, ou da reflexão, proporcionando uma festa permanente.

Este seria o momento ideal para eu vestir a toga1 do moralista vulgar, lançando

raios homéricos sobre a nefasta2 tecnologia. A data, aliás, seria a mais apropriada: o

10iPhone nasceu dez anos atrás e o dilúvio começou.

Infelizmente, não posso pregar. Eu também faço parte do clube que prefere o

smartphone ao velho e bom cochilo.

Especialistas diversos gostam de explicar a compulsão. É como uma droga, dizem

eles: quando espreitamos3 as mensagens, o e-mail, as redes sociais, procuramos uma

15espécie de recompensa neurobiológica muito semelhante a um viciado.

O problema se agrava quando somos privados da nossa dose – e eu sei, o leitor

sabe, todos sabemos dessa miserável privação.

Tempos atrás, esqueci-me do celular em casa e parti em viagem. Quando dei conta

do estrago, uma inquietude foi crescendo com o passar das horas.

20Ainda pensei em pedir ao companheiro do lado para me emprestar o smartphone

dele. Só para eu ler as minhas mensagens. Ou até, sei lá, as mensagens dele. Qualquer

coisa servia. Eu era como alguns alcoólatras que, na ausência de bebidas legais,

começam a despejar perfume pela goela.

Controlei-me. Telefonei para casa – de um telefone fixo, entenda – e pedi, com um

25último fôlego, que me lessem as novidades. Nenhuma delas era urgente, sequer

interessante. Mas o corpo sossegou e mergulhou naquele estranho torpor4 que Thomas

de Quincey relatou nas suas "Confissões de um Comedor de Ópio5". Como se chegou

até aqui?

Verdade: o tédio sempre foi o grande terror dos homens modernos. Ter no bolso

30um aparelho que garante distração permanente é a melhor forma de afastar o fantasma.

Acontece que o tédio tem as suas vantagens. O filósofo Mark Kingwell tem escrito

sobre a matéria (...) Só o tédio, escreve ele, é capaz de sinalizar a existência de um

problema entre nós e o mundo. O tédio é a "suspensão da suspensão" em que vivemos

– uma forma terapêutica, e até brutal, de olharmos para a realidade sem fugas. E de

35agirmos em conformidade.

Quando abolimos o tédio, e o "dom da escuta" que só ele oferece, desaparece uma

parte da nossa humanidade – aquela parte que reflete, imagina ou cria. E que

problematiza, critica, propõe.

No futuro, não será apenas a audiência que estará mergulhada nas telas dos

40smartphones. Também suspeito que os próprios conferencistas, privados de pensar e

sem nada para dizer, terão o mesmo comportamento.

Imagino um encontro de silêncios, onde todos os presentes estarão ausentes – e

só o homem entediado terá chance de salvação.

Disponível em <http://www1.folha.uol.com.br/colunas/joaopereiracoutinho/2017/06/1897093-so-o-homem-entediado-tera-chance-de-salvacao-num-futuro-de-smartphones.shtml>. Último acesso em 06 de julho de 2017. (Adaptado).

VOCABULÁRIO:

1. Toga – traje preto e comprido, usado por advogados e por professores catedráticos e doutorados em ocasiões especiais.

2. Nefasto – nocivo, prejudicial, perverso, trágico, mau.

3. Espreitar – espiar, olhar demorada e fixamente.

4. Torpor – indiferença ou apatia moral; indolência, prostração.

5. Ópio – narcótico, droga que provoca adormecimento.

TEXTO II

Fiu-fiu

Luis Fernando Veríssimo

Existe coisa mais melancólica do que uma mesa de quatro pessoas, num restaurante, em que três estão dedilhando seus smartphones e uma está falando sozinha?

1Lançaram agora um celular à prova d’água, que você pode usar no chuveiro. Ou em qualquer outro lugar embaixo d’água. No mar, por exemplo.

– Bem, não me espere para o jantar...

– Onde você está?

5– Sabe a nossa pesca submarina?

– O que houve?

– Pensei que fosse uma garoupa e era um tubarão. E ele está vindo na minha direção.

– Você ainda está embaixo d’água?!

10– Estou.

– E o seu arpão?

– O tubarão engoliu!

– Ligue para a Guarda Costeira!

São cada vez mais raros os lugares em que você pode se ver livre de celulares,

15e agora nem as piscinas estão seguras.

Os celulares são práticos e se tornaram indispensáveis, eu sei, mas empobreceram a vida social. Existe coisa mais melancólica do que uma mesa de quatro pessoas, num restaurante, em que três estão dedilhando seus smartphones e uma está falando sozinha? Ou um casal em outra mesa, os 20dois mergulhados nos respectivos celulares sem nem se olharem, o que dirá se falarem – a não ser que estejam trocando mensagens silenciosas entre si, o que é ainda mais triste.

Os celulares podem ser perigosos de várias maneiras, mesmo que não derretam o cérebro, como se andou espalhando há algum tempo. Imagino uma velhinha que ganhou um celular dos netos sem 25que estes se dessem ao trabalho de explicar seu funcionamento para a vovó. Não contaram, por exemplo, que o celular dado assobia quando recebe uma mensagem. É um assovio humano, um nítido fiu-fiu avisando que alguém ligou, e que pode soar a qualquer hora do dia ou da noite. E imagino a vovó, que mora sozinha, dormindo e, de repente, acordando com o assovio. Um fiu-fiu no meio da noite! A vovó, se não morrer imediatamente do coração, pode ficar apavorada. Quem está 30lá? Um ladrão ou um fantasma assoviador? E o assovio tem algo de galante. A vovó pode muito bem sair da cama, sem saber se está acordada ou sonhando, e caminhar na direção do fiu-fiu sedutor, como se tivessem vindo buscá-la. Alguém pensou nas vovós solitárias quando inventou o assovio?

O fato é que não há mais refúgio. Nem castelos anti-smartphones com um fosso em volta. Eles 35agora podem atravessar o fosso.

Jornal O Globo, 03/08/2014. Disponível em <https://oglobo.globo.com/opiniao/fiu-fiu-13464128>. Último acesso em 30 de setembro de 2017

TEXTO III

O celular que escraviza

Eles roubam nosso tempo, atrapalham os relacionamentos e podem até causar acidentes de trânsito. Quando é a hora de desligar?

1Estamos viciados. Em qualquer lugar, a qualquer momento do dia, não

conseguimos deixar de lado o objeto de nossa dependência. Dormimos ao lado dele,

acordamos com ele, o levamos para o banheiro e para o café da manhã – e, se, por

enorme azar, o esquecemos em casa ao sair, voltamos correndo. Somos incapazes de

5ficar mais de um minuto sem olhar para ele. É através dele que nos conectamos com

o mundo, com os amigos, com o trabalho. Sabemos da vida de todos e informamos a todos

o que acontece por meio dele. Os neurocientistas dizem que ele nos fornece pequenos

estímulos prazerosos dos quais nos tornamos dependentes. Somos 21 milhões – número

de brasileiros com mais de 15 anos que têm smartphones, os celulares que fazem muito

10 mais que falar. Com eles, trocamos e-mails, usamos programas de GPS e navegamos

em redes sociais. O tempo todo. Observe a seu redor. Em qualquer situação, as pessoas

param, olham a tela do celular, dedilham uma mensagem. Enquanto conversam.

Enquanto namoram. Enquanto participam de uma reunião. E – pior de tudo – até mesmo

enquanto dirigem.

15 “É uma dependência difícil de eliminar”, diz o psiquiatra americano David

Greenfield, diretor do Centro para Tratamento de Vício em Internet e Tecnologia, na

cidade de West Hartford. “Nosso cérebro se acostuma a receber essas novidades

constantemente e passa a procurar por elas a todo instante.” O pai de todos os vícios,

claro, é o Facebook, maior rede social do mundo, onde publicamos notícias sobre nós

20mesmos como se alimentássemos um grande jornal coletivo sobre a vida cotidiana.

Depois dele, novas redes foram criadas e apertaram o nó da dependência. Programas

de troca de fotos como o Instagram conectam milhões de pessoas por meio das imagens

feitas pelas câmeras cada vez mais potentes dos celulares. Os aplicativos de trocas de

mensagem, como o Whatsapp, promovem bate-papos escritos que se assemelham a

25uma conversa na mesa do bar. O final dessa história pode ser dramático. Interagir com

o aparelho – e com centenas de amigos escondidos sob a tela de cristal – tornou-se para

alguns uma compulsão tão violenta que pode colocar a própria vida em risco.

Parece exagero? Pense na história da garota americana Taylor Sauer, de 18

anos. Em janeiro, Taylor dirigia numa rodovia interestadual que liga os Estados de Utah

30e Idaho quando bateu a 130 quilômetros por hora na traseira de um caminhão. Taylor

trocava mensagens com um amigo sobre um time de futebol americano. Uma a cada 90

segundos. Seu último post foi: “Não posso discutir isso agora. Dirigir e escrever no

Facebook não é seguro! Haha”. Se não estivesse teclando, provavelmente Taylor teria

avistado o veículo à frente, que andava a meros 25 quilômetros por hora. O caso terrível

35não é uma aberração estatística. A cada ano, 3 mil americanos morrem por causa da

distração no celular, de acordo com a agência federal National Transportation Safety

Board.

No Brasil, não é diferente – pelo menos é a impressão dos profissionais que

trabalham na área. “Minha experiência sugere que essa é a quarta maior causa de

40acidentes, só atrás do excesso de velocidade, uso de álcool e drogas e cansaço”, diz

Dirceu Júnior, diretor da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego. (...) O cérebro só

faz bem uma coisa ou outra. (...) Dirigir falando ao telefone duplica o risco de um acidente.

(...)

45A sensação de estar por fora é consequência da hiperconectividade, um conceito

elaborado por dois pesquisadores canadenses, Anabel Quan-Haase e Barry Wellman.

Eles criaram uma teoria para explicar como vive o dono de um celular moderno. Ele pode

se comunicar a partir de qualquer lugar a qualquer instante. Não há fronteiras entre ele,

seus amigos e o restante do mundo – com exceção (maldição!) de locais em que o sinal

50é fraco ou (pesadelo!) não chega. Um dos efeitos colaterais da hiperconectividade é ser

altamente viciante. Daí a desconfiança de especialistas de que motoristas que não

conseguem largar o celular enquanto dirigem são, na verdade, dependentes.

Dispositivos eletrônicos como os celulares geram a sensação de prazer para o cérebro

porque ele se sente recompensado a cada novidade recebida. Uma mensagem é um

55pacotinho de prazer. A descarga de uma substância estimulante para nossos neurônios,

a dopamina, encarrega-se de gerar a sensação agradável. O Instituto de Informação e

Tecnologia de Helsinque, na Finlândia, fez um estudo para analisar quanto tempo do dia

gastamos com o hábito de verificar atualizações em busca desse barato cerebral. De

acesso em acesso, somamos duas horas e 40 minutos. É o mesmo tempo gasto nos

60Estados Unidos com televisão e dez vezes o que se gasta com leitura. (...)

Reportagem de Rafael Barifouse e Isabella Ayub, Revista Época,15/06/2012. Disponível em <http://revistaepoca.globo.com/vida/noticia/2012/06/o-celular-que-escraviza.html>. Último acesso em 03 de outubro de 2017.

TEXTO IV

enunciado 1506658-1

Infográfico retirado da reportagem “O celular que escraviza”, da Revista Época,15/06/2012. Disponível em <http://revistaepoca.globo.com/vida/noticia/2012/06/o-celular-que-escraviza.html>. Último acesso, 03/10/2017.

TEXTO V

enunciado 1506658-2

Disponível em <http://professoraelaine81e82.blogspot.com.br/2016/09/charges-sobre-internet-atividade-iii.html>.. Acesso em 23 de agosto de 2017.

VII. Sobre todos os textos lidos até aqui, responda à questão 20.

Em entrevista ao jornal O Globo (04/09/2017), o brasileiro Gil Giardelli, um Web Ativista, membro do XMedia da Universidade de Stanford, disse: “há uma pesquisa global sobre varejo, e o Brasil sempre esteve entre a primeira e a terceira colocação de bom atendimento e sorriso. Nos últimos anos, caímos para as últimas posições. Em virtude da hiperconexão, estamos deixando de sorrir, de atender bem. Em média, uma pessoa com smartphone tem 120 nanotédios por dia”. Ele também explica o que são esses nanotédios: “É quando, por exemplo, a aula não está boa, você saca o celular. O jantar com a família não está bom, eu saco o celular. Toda vez que você pega o seu celular ou tablet para olhar uma mídia social, você demora de 30 a 40 segundos para entender essa transição. E depois que você fica (na mídia social), demora também para se conectar ao que estava fazendo antes. Isso tem criado uma ansiedade grande nas pessoas”.

O que Giardelli explica confirma todas as informações abaixo, EXCETO,

 

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1506657 Ano: 2017
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Rio de Janeiro
Orgão: Col.Mil. Rio Janeiro

TEXTO V

enunciado 1506657-1

Disponível em <http://professoraelaine81e82.blogspot.com.br/2016/09/charges-sobre-internet-atividade-iii.html>.. Acesso em 23 de agosto de 2017.

VI. Sobre o texto V, responda à questão 19.

Qual é a crítica presente na charge (Texto V) e como o elemento verbal é inserido?

 

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1506656 Ano: 2017
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Rio de Janeiro
Orgão: Col.Mil. Rio Janeiro

TEXTO IV


enunciado 1506656-1

Infográfico retirado da reportagem “O celular que escraviza”, da Revista Época,15/06/2012. Disponível em <http://revistaepoca.globo.com/vida/noticia/2012/06/o-celular-que-escraviza.html>. Último acesso, 03/10/2017.


V. Sobre o texto IV, responda às questões de 16 a 18.

No período “As estimativas sugerem que o número de hiperconectados só deve aumentar” (texto IV), a oração sublinhada

 

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1506655 Ano: 2017
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Rio de Janeiro
Orgão: Col.Mil. Rio Janeiro

TEXTO IV


enunciado 1506655-1

Infográfico retirado da reportagem “O celular que escraviza”, da Revista Época,15/06/2012. Disponível em <http://revistaepoca.globo.com/vida/noticia/2012/06/o-celular-que-escraviza.html>. Último acesso, 03/10/2017.


V. Sobre o texto IV, responda às questões de 16 a 18.

No texto IV, ao observarmos os dados sobre local, finalidade e modo de utilização dos smartphones, notamos que os percentuais deixam de ser complementares, ou seja, os valores somados não totalizam 100%. Isso se dá porque

 

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1506654 Ano: 2017
Disciplina: Português
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Orgão: Col.Mil. Rio Janeiro

TEXTO IV


enunciado 1506654-1

Infográfico retirado da reportagem “O celular que escraviza”, da Revista Época,15/06/2012. Disponível em <http://revistaepoca.globo.com/vida/noticia/2012/06/o-celular-que-escraviza.html>. Último acesso, 03/10/2017.


V. Sobre o texto IV, responda às questões de 16 a 18.

Segundo o texto IV (infográfico), em 2012, 14% da população brasileira tinha um smartphone. Quando são observadas informações como idade, sexo e renda, vê-se que

 

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1506653 Ano: 2017
Disciplina: Português
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Orgão: Col.Mil. Rio Janeiro

TEXTO III

O celular que escraviza

Eles roubam nosso tempo, atrapalham os relacionamentos e podem até causar acidentes de trânsito. Quando é a hora de desligar?

1Estamos viciados. Em qualquer lugar, a qualquer momento do dia, não

conseguimos deixar de lado o objeto de nossa dependência. Dormimos ao lado dele,

acordamos com ele, o levamos para o banheiro e para o café da manhã – e, se, por

enorme azar, o esquecemos em casa ao sair, voltamos correndo. Somos incapazes de

5ficar mais de um minuto sem olhar para ele. É através dele que nos conectamos com

o mundo, com os amigos, com o trabalho. Sabemos da vida de todos e informamos a todos

o que acontece por meio dele. Os neurocientistas dizem que ele nos fornece pequenos

estímulos prazerosos dos quais nos tornamos dependentes. Somos 21 milhões – número

de brasileiros com mais de 15 anos que têm smartphones, os celulares que fazem muito

10 mais que falar. Com eles, trocamos e-mails, usamos programas de GPS e navegamos

em redes sociais. O tempo todo. Observe a seu redor. Em qualquer situação, as pessoas

param, olham a tela do celular, dedilham uma mensagem. Enquanto conversam.

Enquanto namoram. Enquanto participam de uma reunião. E – pior de tudo – até mesmo

enquanto dirigem.

15 “É uma dependência difícil de eliminar”, diz o psiquiatra americano David

Greenfield, diretor do Centro para Tratamento de Vício em Internet e Tecnologia, na

cidade de West Hartford. “Nosso cérebro se acostuma a receber essas novidades

constantemente e passa a procurar por elas a todo instante.” O pai de todos os vícios,

claro, é o Facebook, maior rede social do mundo, onde publicamos notícias sobre nós

20mesmos como se alimentássemos um grande jornal coletivo sobre a vida cotidiana.

Depois dele, novas redes foram criadas e apertaram o nó da dependência. Programas

de troca de fotos como o Instagram conectam milhões de pessoas por meio das imagens

feitas pelas câmeras cada vez mais potentes dos celulares. Os aplicativos de trocas de

mensagem, como o Whatsapp, promovem bate-papos escritos que se assemelham a

25uma conversa na mesa do bar. O final dessa história pode ser dramático. Interagir com

o aparelho – e com centenas de amigos escondidos sob a tela de cristal – tornou-se para

alguns uma compulsão tão violenta que pode colocar a própria vida em risco.

Parece exagero? Pense na história da garota americana Taylor Sauer, de 18

anos. Em janeiro, Taylor dirigia numa rodovia interestadual que liga os Estados de Utah

30e Idaho quando bateu a 130 quilômetros por hora na traseira de um caminhão. Taylor

trocava mensagens com um amigo sobre um time de futebol americano. Uma a cada 90

segundos. Seu último post foi: “Não posso discutir isso agora. Dirigir e escrever no

Facebook não é seguro! Haha”. Se não estivesse teclando, provavelmente Taylor teria

avistado o veículo à frente, que andava a meros 25 quilômetros por hora. O caso terrível

35não é uma aberração estatística. A cada ano, 3 mil americanos morrem por causa da

distração no celular, de acordo com a agência federal National Transportation Safety

Board.

No Brasil, não é diferente – pelo menos é a impressão dos profissionais que

trabalham na área. “Minha experiência sugere que essa é a quarta maior causa de

40acidentes, só atrás do excesso de velocidade, uso de álcool e drogas e cansaço”, diz

Dirceu Júnior, diretor da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego. (...) O cérebro só

faz bem uma coisa ou outra. (...) Dirigir falando ao telefone duplica o risco de um acidente.

(...)

45A sensação de estar por fora é consequência da hiperconectividade, um conceito

elaborado por dois pesquisadores canadenses, Anabel Quan-Haase e Barry Wellman.

Eles criaram uma teoria para explicar como vive o dono de um celular moderno. Ele pode

se comunicar a partir de qualquer lugar a qualquer instante. Não há fronteiras entre ele,

seus amigos e o restante do mundo – com exceção (maldição!) de locais em que o sinal

50é fraco ou (pesadelo!) não chega. Um dos efeitos colaterais da hiperconectividade é ser

altamente viciante. Daí a desconfiança de especialistas de que motoristas que não

conseguem largar o celular enquanto dirigem são, na verdade, dependentes.

Dispositivos eletrônicos como os celulares geram a sensação de prazer para o cérebro

porque ele se sente recompensado a cada novidade recebida. Uma mensagem é um

55pacotinho de prazer. A descarga de uma substância estimulante para nossos neurônios,

a dopamina, encarrega-se de gerar a sensação agradável. O Instituto de Informação e

Tecnologia de Helsinque, na Finlândia, fez um estudo para analisar quanto tempo do dia

gastamos com o hábito de verificar atualizações em busca desse barato cerebral. De

acesso em acesso, somamos duas horas e 40 minutos. É o mesmo tempo gasto nos

60Estados Unidos com televisão e dez vezes o que se gasta com leitura. (...)

Reportagem de Rafael Barifouse e Isabella Ayub, Revista Época,15/06/2012. Disponível em <http://revistaepoca.globo.com/vida/noticia/2012/06/o-celular-que-escraviza.html>. Último acesso em 03 de outubro de 2017.

IV. Sobre o texto III, responda às questões de 11 a 15.

Há várias marcas de oralidade no texto III. Escolha a opção em que o termo destacado é devidamente substituído por vocábulo ou expressão formal, presente nas reescrituras entre colchetes, sem que haja mudança de sentido.

 

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1506652 Ano: 2017
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Rio de Janeiro
Orgão: Col.Mil. Rio Janeiro

TEXTO III

O celular que escraviza

Eles roubam nosso tempo, atrapalham os relacionamentos e podem até causar acidentes de trânsito. Quando é a hora de desligar?

1Estamos viciados. Em qualquer lugar, a qualquer momento do dia, não

conseguimos deixar de lado o objeto de nossa dependência. Dormimos ao lado dele,

acordamos com ele, o levamos para o banheiro e para o café da manhã – e, se, por

enorme azar, o esquecemos em casa ao sair, voltamos correndo. Somos incapazes de

5ficar mais de um minuto sem olhar para ele. É através dele que nos conectamos com

o mundo, com os amigos, com o trabalho. Sabemos da vida de todos e informamos a todos

o que acontece por meio dele. Os neurocientistas dizem que ele nos fornece pequenos

estímulos prazerosos dos quais nos tornamos dependentes. Somos 21 milhões – número

de brasileiros com mais de 15 anos que têm smartphones, os celulares que fazem muito

10 mais que falar. Com eles, trocamos e-mails, usamos programas de GPS e navegamos

em redes sociais. O tempo todo. Observe a seu redor. Em qualquer situação, as pessoas

param, olham a tela do celular, dedilham uma mensagem. Enquanto conversam.

Enquanto namoram. Enquanto participam de uma reunião. E – pior de tudo – até mesmo

enquanto dirigem.

15 “É uma dependência difícil de eliminar”, diz o psiquiatra americano David

Greenfield, diretor do Centro para Tratamento de Vício em Internet e Tecnologia, na

cidade de West Hartford. “Nosso cérebro se acostuma a receber essas novidades

constantemente e passa a procurar por elas a todo instante.” O pai de todos os vícios,

claro, é o Facebook, maior rede social do mundo, onde publicamos notícias sobre nós

20mesmos como se alimentássemos um grande jornal coletivo sobre a vida cotidiana.

Depois dele, novas redes foram criadas e apertaram o nó da dependência. Programas

de troca de fotos como o Instagram conectam milhões de pessoas por meio das imagens

feitas pelas câmeras cada vez mais potentes dos celulares. Os aplicativos de trocas de

mensagem, como o Whatsapp, promovem bate-papos escritos que se assemelham a

25uma conversa na mesa do bar. O final dessa história pode ser dramático. Interagir com

o aparelho – e com centenas de amigos escondidos sob a tela de cristal – tornou-se para

alguns uma compulsão tão violenta que pode colocar a própria vida em risco.

Parece exagero? Pense na história da garota americana Taylor Sauer, de 18

anos. Em janeiro, Taylor dirigia numa rodovia interestadual que liga os Estados de Utah

30e Idaho quando bateu a 130 quilômetros por hora na traseira de um caminhão. Taylor

trocava mensagens com um amigo sobre um time de futebol americano. Uma a cada 90

segundos. Seu último post foi: “Não posso discutir isso agora. Dirigir e escrever no

Facebook não é seguro! Haha”. Se não estivesse teclando, provavelmente Taylor teria

avistado o veículo à frente, que andava a meros 25 quilômetros por hora. O caso terrível

35não é uma aberração estatística. A cada ano, 3 mil americanos morrem por causa da

distração no celular, de acordo com a agência federal National Transportation Safety

Board.

No Brasil, não é diferente – pelo menos é a impressão dos profissionais que

trabalham na área. “Minha experiência sugere que essa é a quarta maior causa de

40acidentes, só atrás do excesso de velocidade, uso de álcool e drogas e cansaço”, diz

Dirceu Júnior, diretor da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego. (...) O cérebro só

faz bem uma coisa ou outra. (...) Dirigir falando ao telefone duplica o risco de um acidente.

(...)

45A sensação de estar por fora é consequência da hiperconectividade, um conceito

elaborado por dois pesquisadores canadenses, Anabel Quan-Haase e Barry Wellman.

Eles criaram uma teoria para explicar como vive o dono de um celular moderno. Ele pode

se comunicar a partir de qualquer lugar a qualquer instante. Não há fronteiras entre ele,

seus amigos e o restante do mundo – com exceção (maldição!) de locais em que o sinal

50é fraco ou (pesadelo!) não chega. Um dos efeitos colaterais da hiperconectividade é ser

altamente viciante. Daí a desconfiança de especialistas de que motoristas que não

conseguem largar o celular enquanto dirigem são, na verdade, dependentes.

Dispositivos eletrônicos como os celulares geram a sensação de prazer para o cérebro

porque ele se sente recompensado a cada novidade recebida. Uma mensagem é um

55pacotinho de prazer. A descarga de uma substância estimulante para nossos neurônios,

a dopamina, encarrega-se de gerar a sensação agradável. O Instituto de Informação e

Tecnologia de Helsinque, na Finlândia, fez um estudo para analisar quanto tempo do dia

gastamos com o hábito de verificar atualizações em busca desse barato cerebral. De

acesso em acesso, somamos duas horas e 40 minutos. É o mesmo tempo gasto nos

60Estados Unidos com televisão e dez vezes o que se gasta com leitura. (...)

Reportagem de Rafael Barifouse e Isabella Ayub, Revista Época,15/06/2012. Disponível em <http://revistaepoca.globo.com/vida/noticia/2012/06/o-celular-que-escraviza.html>. Último acesso em 03 de outubro de 2017.

IV. Sobre o texto III, responda às questões de 11 a 15.

Sobre o trecho “Dormimos ao lado dele, acordamos com ele, o levamos para o banheiro e para o café da manhã – e, se, por enorme azar, o esquecemos em casa ao sair, voltamos correndo.” (l. 2-4), pode-se afirmar que

 

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1506651 Ano: 2017
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Rio de Janeiro
Orgão: Col.Mil. Rio Janeiro

TEXTO III

O celular que escraviza

Eles roubam nosso tempo, atrapalham os relacionamentos e podem até causar acidentes de trânsito. Quando é a hora de desligar?

1Estamos viciados. Em qualquer lugar, a qualquer momento do dia, não

conseguimos deixar de lado o objeto de nossa dependência. Dormimos ao lado dele,

acordamos com ele, o levamos para o banheiro e para o café da manhã – e, se, por

enorme azar, o esquecemos em casa ao sair, voltamos correndo. Somos incapazes de

5ficar mais de um minuto sem olhar para ele. É através dele que nos conectamos com

o mundo, com os amigos, com o trabalho. Sabemos da vida de todos e informamos a todos

o que acontece por meio dele. Os neurocientistas dizem que ele nos fornece pequenos

estímulos prazerosos dos quais nos tornamos dependentes. Somos 21 milhões – número

de brasileiros com mais de 15 anos que têm smartphones, os celulares que fazem muito

10 mais que falar. Com eles, trocamos e-mails, usamos programas de GPS e navegamos

em redes sociais. O tempo todo. Observe a seu redor. Em qualquer situação, as pessoas

param, olham a tela do celular, dedilham uma mensagem. Enquanto conversam.

Enquanto namoram. Enquanto participam de uma reunião. E – pior de tudo – até mesmo

enquanto dirigem.

15 “É uma dependência difícil de eliminar”, diz o psiquiatra americano David

Greenfield, diretor do Centro para Tratamento de Vício em Internet e Tecnologia, na

cidade de West Hartford. “Nosso cérebro se acostuma a receber essas novidades

constantemente e passa a procurar por elas a todo instante.” O pai de todos os vícios,

claro, é o Facebook, maior rede social do mundo, onde publicamos notícias sobre nós

20mesmos como se alimentássemos um grande jornal coletivo sobre a vida cotidiana.

Depois dele, novas redes foram criadas e apertaram o nó da dependência. Programas

de troca de fotos como o Instagram conectam milhões de pessoas por meio das imagens

feitas pelas câmeras cada vez mais potentes dos celulares. Os aplicativos de trocas de

mensagem, como o Whatsapp, promovem bate-papos escritos que se assemelham a

25uma conversa na mesa do bar. O final dessa história pode ser dramático. Interagir com

o aparelho – e com centenas de amigos escondidos sob a tela de cristal – tornou-se para

alguns uma compulsão tão violenta que pode colocar a própria vida em risco.

Parece exagero? Pense na história da garota americana Taylor Sauer, de 18

anos. Em janeiro, Taylor dirigia numa rodovia interestadual que liga os Estados de Utah

30e Idaho quando bateu a 130 quilômetros por hora na traseira de um caminhão. Taylor

trocava mensagens com um amigo sobre um time de futebol americano. Uma a cada 90

segundos. Seu último post foi: “Não posso discutir isso agora. Dirigir e escrever no

Facebook não é seguro! Haha”. Se não estivesse teclando, provavelmente Taylor teria

avistado o veículo à frente, que andava a meros 25 quilômetros por hora. O caso terrível

35não é uma aberração estatística. A cada ano, 3 mil americanos morrem por causa da

distração no celular, de acordo com a agência federal National Transportation Safety

Board.

No Brasil, não é diferente – pelo menos é a impressão dos profissionais que

trabalham na área. “Minha experiência sugere que essa é a quarta maior causa de

40acidentes, só atrás do excesso de velocidade, uso de álcool e drogas e cansaço”, diz

Dirceu Júnior, diretor da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego. (...) O cérebro só

faz bem uma coisa ou outra. (...) Dirigir falando ao telefone duplica o risco de um acidente.

(...)

45A sensação de estar por fora é consequência da hiperconectividade, um conceito

elaborado por dois pesquisadores canadenses, Anabel Quan-Haase e Barry Wellman.

Eles criaram uma teoria para explicar como vive o dono de um celular moderno. Ele pode

se comunicar a partir de qualquer lugar a qualquer instante. Não há fronteiras entre ele,

seus amigos e o restante do mundo – com exceção (maldição!) de locais em que o sinal

50é fraco ou (pesadelo!) não chega. Um dos efeitos colaterais da hiperconectividade é ser

altamente viciante. Daí a desconfiança de especialistas de que motoristas que não

conseguem largar o celular enquanto dirigem são, na verdade, dependentes.

Dispositivos eletrônicos como os celulares geram a sensação de prazer para o cérebro

porque ele se sente recompensado a cada novidade recebida. Uma mensagem é um

55pacotinho de prazer. A descarga de uma substância estimulante para nossos neurônios,

a dopamina, encarrega-se de gerar a sensação agradável. O Instituto de Informação e

Tecnologia de Helsinque, na Finlândia, fez um estudo para analisar quanto tempo do dia

gastamos com o hábito de verificar atualizações em busca desse barato cerebral. De

acesso em acesso, somamos duas horas e 40 minutos. É o mesmo tempo gasto nos

60Estados Unidos com televisão e dez vezes o que se gasta com leitura. (...)

Reportagem de Rafael Barifouse e Isabella Ayub, Revista Época,15/06/2012. Disponível em <http://revistaepoca.globo.com/vida/noticia/2012/06/o-celular-que-escraviza.html>. Último acesso em 03 de outubro de 2017.

IV. Sobre o texto III, responda às questões de 11 a 15.

No trecho “O cérebro só faz bem uma coisa ou outra. (...) Dirigir falando ao telefone duplica o risco de um acidente.” (l. 41-43), a oração reduzida de gerúndio pode ser desenvolvida sem mudança de sentido em

 

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Questão presente nas seguintes provas
1506650 Ano: 2017
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Rio de Janeiro
Orgão: Col.Mil. Rio Janeiro

TEXTO III

O celular que escraviza

Eles roubam nosso tempo, atrapalham os relacionamentos e podem até causar acidentes de trânsito. Quando é a hora de desligar?

1Estamos viciados. Em qualquer lugar, a qualquer momento do dia, não

conseguimos deixar de lado o objeto de nossa dependência. Dormimos ao lado dele,

acordamos com ele, o levamos para o banheiro e para o café da manhã – e, se, por

enorme azar, o esquecemos em casa ao sair, voltamos correndo. Somos incapazes de

5ficar mais de um minuto sem olhar para ele. É através dele que nos conectamos com

o mundo, com os amigos, com o trabalho. Sabemos da vida de todos e informamos a todos

o que acontece por meio dele. Os neurocientistas dizem que ele nos fornece pequenos

estímulos prazerosos dos quais nos tornamos dependentes. Somos 21 milhões – número

de brasileiros com mais de 15 anos que têm smartphones, os celulares que fazem muito

10 mais que falar. Com eles, trocamos e-mails, usamos programas de GPS e navegamos

em redes sociais. O tempo todo. Observe a seu redor. Em qualquer situação, as pessoas

param, olham a tela do celular, dedilham uma mensagem. Enquanto conversam.

Enquanto namoram. Enquanto participam de uma reunião. E – pior de tudo – até mesmo

enquanto dirigem.

15 “É uma dependência difícil de eliminar”, diz o psiquiatra americano David

Greenfield, diretor do Centro para Tratamento de Vício em Internet e Tecnologia, na

cidade de West Hartford. “Nosso cérebro se acostuma a receber essas novidades

constantemente e passa a procurar por elas a todo instante.” O pai de todos os vícios,

claro, é o Facebook, maior rede social do mundo, onde publicamos notícias sobre nós

20mesmos como se alimentássemos um grande jornal coletivo sobre a vida cotidiana.

Depois dele, novas redes foram criadas e apertaram o nó da dependência. Programas

de troca de fotos como o Instagram conectam milhões de pessoas por meio das imagens

feitas pelas câmeras cada vez mais potentes dos celulares. Os aplicativos de trocas de

mensagem, como o Whatsapp, promovem bate-papos escritos que se assemelham a

25uma conversa na mesa do bar. O final dessa história pode ser dramático. Interagir com

o aparelho – e com centenas de amigos escondidos sob a tela de cristal – tornou-se para

alguns uma compulsão tão violenta que pode colocar a própria vida em risco.

Parece exagero? Pense na história da garota americana Taylor Sauer, de 18

anos. Em janeiro, Taylor dirigia numa rodovia interestadual que liga os Estados de Utah

30e Idaho quando bateu a 130 quilômetros por hora na traseira de um caminhão. Taylor

trocava mensagens com um amigo sobre um time de futebol americano. Uma a cada 90

segundos. Seu último post foi: “Não posso discutir isso agora. Dirigir e escrever no

Facebook não é seguro! Haha”. Se não estivesse teclando, provavelmente Taylor teria

avistado o veículo à frente, que andava a meros 25 quilômetros por hora. O caso terrível

35não é uma aberração estatística. A cada ano, 3 mil americanos morrem por causa da

distração no celular, de acordo com a agência federal National Transportation Safety

Board.

No Brasil, não é diferente – pelo menos é a impressão dos profissionais que

trabalham na área. “Minha experiência sugere que essa é a quarta maior causa de

40acidentes, só atrás do excesso de velocidade, uso de álcool e drogas e cansaço”, diz

Dirceu Júnior, diretor da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego. (...) O cérebro só

faz bem uma coisa ou outra. (...) Dirigir falando ao telefone duplica o risco de um acidente.

(...)

45A sensação de estar por fora é consequência da hiperconectividade, um conceito

elaborado por dois pesquisadores canadenses, Anabel Quan-Haase e Barry Wellman.

Eles criaram uma teoria para explicar como vive o dono de um celular moderno. Ele pode

se comunicar a partir de qualquer lugar a qualquer instante. Não há fronteiras entre ele,

seus amigos e o restante do mundo – com exceção (maldição!) de locais em que o sinal

50é fraco ou (pesadelo!) não chega. Um dos efeitos colaterais da hiperconectividade é ser

altamente viciante. Daí a desconfiança de especialistas de que motoristas que não

conseguem largar o celular enquanto dirigem são, na verdade, dependentes.

Dispositivos eletrônicos como os celulares geram a sensação de prazer para o cérebro

porque ele se sente recompensado a cada novidade recebida. Uma mensagem é um

55pacotinho de prazer. A descarga de uma substância estimulante para nossos neurônios,

a dopamina, encarrega-se de gerar a sensação agradável. O Instituto de Informação e

Tecnologia de Helsinque, na Finlândia, fez um estudo para analisar quanto tempo do dia

gastamos com o hábito de verificar atualizações em busca desse barato cerebral. De

acesso em acesso, somamos duas horas e 40 minutos. É o mesmo tempo gasto nos

60Estados Unidos com televisão e dez vezes o que se gasta com leitura. (...)

Reportagem de Rafael Barifouse e Isabella Ayub, Revista Época,15/06/2012. Disponível em <http://revistaepoca.globo.com/vida/noticia/2012/06/o-celular-que-escraviza.html>. Último acesso em 03 de outubro de 2017.

IV. Sobre o texto III, responda às questões de 11 a 15.

Em diversas passagens do texto, o autor enreda o leitor, travando com ele um diálogo informal. Como marca notória dessa interlocução, podemos citar o uso

 

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1506649 Ano: 2017
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Rio de Janeiro
Orgão: Col.Mil. Rio Janeiro

TEXTO III

O celular que escraviza

Eles roubam nosso tempo, atrapalham os relacionamentos e podem até causar acidentes de trânsito. Quando é a hora de desligar?

1Estamos viciados. Em qualquer lugar, a qualquer momento do dia, não

conseguimos deixar de lado o objeto de nossa dependência. Dormimos ao lado dele,

acordamos com ele, o levamos para o banheiro e para o café da manhã – e, se, por

enorme azar, o esquecemos em casa ao sair, voltamos correndo. Somos incapazes de

5ficar mais de um minuto sem olhar para ele. É através dele que nos conectamos com

o mundo, com os amigos, com o trabalho. Sabemos da vida de todos e informamos a todos

o que acontece por meio dele. Os neurocientistas dizem que ele nos fornece pequenos

estímulos prazerosos dos quais nos tornamos dependentes. Somos 21 milhões – número

de brasileiros com mais de 15 anos que têm smartphones, os celulares que fazem muito

10 mais que falar. Com eles, trocamos e-mails, usamos programas de GPS e navegamos

em redes sociais. O tempo todo. Observe a seu redor. Em qualquer situação, as pessoas

param, olham a tela do celular, dedilham uma mensagem. Enquanto conversam.

Enquanto namoram. Enquanto participam de uma reunião. E – pior de tudo – até mesmo

enquanto dirigem.

15 “É uma dependência difícil de eliminar”, diz o psiquiatra americano David

Greenfield, diretor do Centro para Tratamento de Vício em Internet e Tecnologia, na

cidade de West Hartford. “Nosso cérebro se acostuma a receber essas novidades

constantemente e passa a procurar por elas a todo instante.” O pai de todos os vícios,

claro, é o Facebook, maior rede social do mundo, onde publicamos notícias sobre nós

20mesmos como se alimentássemos um grande jornal coletivo sobre a vida cotidiana.

Depois dele, novas redes foram criadas e apertaram o nó da dependência. Programas

de troca de fotos como o Instagram conectam milhões de pessoas por meio das imagens

feitas pelas câmeras cada vez mais potentes dos celulares. Os aplicativos de trocas de

mensagem, como o Whatsapp, promovem bate-papos escritos que se assemelham a

25uma conversa na mesa do bar. O final dessa história pode ser dramático. Interagir com

o aparelho – e com centenas de amigos escondidos sob a tela de cristal – tornou-se para

alguns uma compulsão tão violenta que pode colocar a própria vida em risco.

Parece exagero? Pense na história da garota americana Taylor Sauer, de 18

anos. Em janeiro, Taylor dirigia numa rodovia interestadual que liga os Estados de Utah

30e Idaho quando bateu a 130 quilômetros por hora na traseira de um caminhão. Taylor

trocava mensagens com um amigo sobre um time de futebol americano. Uma a cada 90

segundos. Seu último post foi: “Não posso discutir isso agora. Dirigir e escrever no

Facebook não é seguro! Haha”. Se não estivesse teclando, provavelmente Taylor teria

avistado o veículo à frente, que andava a meros 25 quilômetros por hora. O caso terrível

35não é uma aberração estatística. A cada ano, 3 mil americanos morrem por causa da

distração no celular, de acordo com a agência federal National Transportation Safety

Board.

No Brasil, não é diferente – pelo menos é a impressão dos profissionais que

trabalham na área. “Minha experiência sugere que essa é a quarta maior causa de

40acidentes, só atrás do excesso de velocidade, uso de álcool e drogas e cansaço”, diz

Dirceu Júnior, diretor da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego. (...) O cérebro só

faz bem uma coisa ou outra. (...) Dirigir falando ao telefone duplica o risco de um acidente.

(...)

45A sensação de estar por fora é consequência da hiperconectividade, um conceito

elaborado por dois pesquisadores canadenses, Anabel Quan-Haase e Barry Wellman.

Eles criaram uma teoria para explicar como vive o dono de um celular moderno. Ele pode

se comunicar a partir de qualquer lugar a qualquer instante. Não há fronteiras entre ele,

seus amigos e o restante do mundo – com exceção (maldição!) de locais em que o sinal

50é fraco ou (pesadelo!) não chega. Um dos efeitos colaterais da hiperconectividade é ser

altamente viciante. Daí a desconfiança de especialistas de que motoristas que não

conseguem largar o celular enquanto dirigem são, na verdade, dependentes.

Dispositivos eletrônicos como os celulares geram a sensação de prazer para o cérebro

porque ele se sente recompensado a cada novidade recebida. Uma mensagem é um

55pacotinho de prazer. A descarga de uma substância estimulante para nossos neurônios,

a dopamina, encarrega-se de gerar a sensação agradável. O Instituto de Informação e

Tecnologia de Helsinque, na Finlândia, fez um estudo para analisar quanto tempo do dia

gastamos com o hábito de verificar atualizações em busca desse barato cerebral. De

acesso em acesso, somamos duas horas e 40 minutos. É o mesmo tempo gasto nos

60Estados Unidos com televisão e dez vezes o que se gasta com leitura. (...)

Reportagem de Rafael Barifouse e Isabella Ayub, Revista Época,15/06/2012. Disponível em <http://revistaepoca.globo.com/vida/noticia/2012/06/o-celular-que-escraviza.html>. Último acesso em 03 de outubro de 2017.

IV. Sobre o texto III, responda às questões de 11 a 15.

No subtítulo o autor lança uma pergunta: “Quando é a hora de desligar?”. Considerando o contexto em que foi usada, trata-se de um convite à reflexão que, na prática, vai lidar com conhecimentos de mundo, envolvendo a relação do usuário com o aparelho, tais como

 

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