Magna Concursos

Foram encontradas 100 questões.

2735270 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: CAIP-IMES
Orgão: Guarujá Prev

Por que a origem da linguagem ainda é uma incógnita para a ciência

A grande maioria das espécies que habitam nosso planeta se comunicam de alguma forma. Mas não tem nada que se pareça com a linguagem humana.

A linguagem em si é bastante difícil de definir, já que tem, por exemplo, expressões transitórias que não deixam rastros, nunca é inerte, muda com o tempo, é infinitamente flexível e quase globalmente presente.

O fato é que a complexidade da nossa linguagem, seja qual for o tipo que usamos, nos torna únicos. Nos permite interagir com os nossos pares e falar sobre o passado, presente ou futuro e transmitir conhecimento.

No entanto, apesar de ser nossa ferramenta mais preciosa — seja escrita, oral, por sinais, assobios ou em qualquer uma de suas formas —, ainda sabemos muito pouco sobre como a linguagem dos seres humanos surgiu.

Sua origem e evolução são uma grande incógnita para a comunidade científica, talvez a mais difícil de todas, dizem alguns especialistas.

"Sabemos muito mais sobre o Big Bang da física do que sobre o Big Bang humano", diz Morten Christiansen, professor de psicologia e codiretor do Programa de Ciências Cognitivas da Universidade de Cornell, em Nova York.

Mas há algumas pistas...

Se você tivesse que citar o idioma mais antigo, provavelmente diria babilônico ou egípcio antigo.

Mas isso ainda não está nem perto do início da história da linguagem, afirmou Maggie Tallerman, linguista da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, ao programa World of Mouth da BBC Radio 4.

Na verdade, essas línguas são fundamentalmente iguais às suas versões modernas, embora sejam consideradas "línguas antigas" com 6 mil anos de existência.

Acredita-se que a linguagem tenha pelo menos 50 mil anos, mas a maioria dos linguistas crê que seja bem mais antiga — alguns estimam que possa ter até meio milhão de anos.

Também é possível que, apesar da diversidade de idiomas que existem no mundo, todos descendam de um antepassado comum.

Isso é respaldado em parte pela biologia da nossa evolução.

De acordo com nossa genética, viemos de uma população relativamente pequena na África. Embora outras línguas possam ter surgido fora desse grupo, as que conhecemos agora provavelmente descendem de modificações da usada por aquele grupo.

Antes de começar a descrever as diferentes hipóteses dos cientistas sobre a origem da linguagem humana, é importante olhar os fósseis dos nossos ancestrais, uma vez que nos dão algumas pistas sobre quando começamos a falar.

"Respiramos com enorme controle para emitir sons", afirmou Robert Foley, antropólogo da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, ao programa World of Mouth.

Para fazer isso, devemos ter controle muscular de nosso diafragma, que tem muito mais nervos do que o diafragma de nossos parentes mais próximos, os macacos — que não falam.

Todos esses nervos fazem com que nossa medula espinhal seja um pouco mais espessa nessa área — e a coluna vertebral, um pouco mais larga.

Os neandertais de cerca de 600 mil anos atrás têm essa expansão na coluna. Mas se retrocedermos um milhão de anos ao Homo erectus, espécie anterior de humano primitivo, essa expansão não existe.

Segundo Foley, isso nos dá uma pista de quando os humanos começaram a usar a linguagem.

Há várias teorias sobre como a linguagem da nossa espécie se originou. Mas nenhuma ainda é conclusiva.

"Nossas chances de saber a verdadeira origem da linguagem são relativamente baixas", diz Morten Christiansen, um dos autores do estudo mencionado, à BBC News Mundo.

Mas isso não impediu muitos cientistas de desenvolver hipóteses sobre como pode ter começado.

Uma das mais difundidas — e debatidas — é que a linguagem humana se originou primeiro por meio de gestos manuais. "Como o que vemos em certos primatas, que os utilizam e combinam de diferentes maneiras para se comunicar", acrescenta Christiansen, que é especialista na interação das limitações biológicas e ambientais na evolução, aquisição e processamento da linguagem.

Embora haja evidências de que os primatas tenham alguma capacidade, embora limitada, para usar sequências de símbolos arbitrários em cativeiro para se comunicar, há um debate considerável se eles os utilizam para se referir a coisas na natureza.

Além disso, o fato de os primatas usarem gestos para se comunicar não significa automaticamente que os humanos tenham utilizado primeiro as mãos e depois a boca para se fazerem compreender.

"Não sei se o gesto veio primeiro. Acho que os humanos usaram a vocalização e os gestos manuais desde o início. Quero dizer que nossos parentes mais próximos, os chimpanzés, fazem isso", afirma Wendy Sandler, que dirige o Laboratório de Pesquisa de Linguagem de Sinais da Universidade de Haifa, em Israel.

Talvez nunca saibamos com certeza se os gestos vieram primeiro, seguidos da fala na comunicação humana ou se foi um trabalho complementar de ambas as habilidades.

Mas o que parece evidente é que a fala é predominante em relação aos gestos na maneira como nos comunicamos hoje. Por quê?

"Não sabemos, só podemos especular", diz Sandler.

Mas é um fato, porque "não existe comunidade auditiva que use linguagem de sinais". E certamente "se você e eu fôssemos surdos, inventaríamos uma linguagem" para nos comunicar, acrescenta.

A especialista destaca que parte de sua pesquisa se concentrou em uma linguagem de sinais que surgiu no deserto entre os beduínos, tribo nômade árabe na qual um clã apresenta alto percentual de surdez.

"Meus colegas e eu pudemos observar como a linguagem surge do nada."

"Então, podemos ver nos humanos modernos como uma língua se origina e como a estrutura linguística se desenvolve. Agora, não sabemos se foi assim na evolução" da nossa espécie, admite.

Christiansen, por sua vez, não concorda inteiramente que a comunicação oral seja predominante.

"Acho que dominou a pesquisa sobre a linguagem, mas não acho que necessariamente domina a maneira como nos comunicamos normalmente. Sim, podemos nos comunicar por uma linha telefônica sem nos ver, mas muitas vezes isso pode levar a mal-entendidos", afirma.

"Na linguagem falada, nunca abandonamos os gestos. Há um trabalho recente maravilhoso que mostra que se você olhar o mundo em diferentes idiomas, as pessoas usam todos os tipos de gestos, movimentos dos olhos, sobrancelhas ou outras coisas que são importantes para enfatizar algo ou acrescentar informações adicionais que não estão no discurso falado."

Segundo o cientista cognitivo, para descobrir como a linguagem se originou, é necessário entender como o nosso cérebro funciona, como a linguagem se estrutura e até mesmo como o aprendizado, a cultura e a evolução interagem. "Todas essas coisas fazem disso um problema realmente difícil" para a ciência, avalia.

Mas não menos fascinante.

Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/geral-55985319. Acesso em 20/03/2021. Texto adaptado.

Considere o seguinte trecho: Embora haja evidências de que os primatas tenham alguma capacidade, embora limitada, para usar sequências de símbolos arbitrários em cativeiro para se comunicar, há um debate considerável se eles os utilizam para se referir a coisas na natureza. O termo grifado “Embora” transmite a ideia de:

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2735269 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: CAIP-IMES
Orgão: Guarujá Prev

Por que a origem da linguagem ainda é uma incógnita para a ciência

A grande maioria das espécies que habitam nosso planeta se comunicam de alguma forma. Mas não tem nada que se pareça com a linguagem humana.

A linguagem em si é bastante difícil de definir, já que tem, por exemplo, expressões transitórias que não deixam rastros, nunca é inerte, muda com o tempo, é infinitamente flexível e quase globalmente presente.

O fato é que a complexidade da nossa linguagem, seja qual for o tipo que usamos, nos torna únicos. Nos permite interagir com os nossos pares e falar sobre o passado, presente ou futuro e transmitir conhecimento.

No entanto, apesar de ser nossa ferramenta mais preciosa — seja escrita, oral, por sinais, assobios ou em qualquer uma de suas formas —, ainda sabemos muito pouco sobre como a linguagem dos seres humanos surgiu.

Sua origem e evolução são uma grande incógnita para a comunidade científica, talvez a mais difícil de todas, dizem alguns especialistas.

"Sabemos muito mais sobre o Big Bang da física do que sobre o Big Bang humano", diz Morten Christiansen, professor de psicologia e codiretor do Programa de Ciências Cognitivas da Universidade de Cornell, em Nova York.

Mas há algumas pistas...

Se você tivesse que citar o idioma mais antigo, provavelmente diria babilônico ou egípcio antigo.

Mas isso ainda não está nem perto do início da história da linguagem, afirmou Maggie Tallerman, linguista da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, ao programa World of Mouth da BBC Radio 4.

Na verdade, essas línguas são fundamentalmente iguais às suas versões modernas, embora sejam consideradas "línguas antigas" com 6 mil anos de existência.

Acredita-se que a linguagem tenha pelo menos 50 mil anos, mas a maioria dos linguistas crê que seja bem mais antiga — alguns estimam que possa ter até meio milhão de anos.

Também é possível que, apesar da diversidade de idiomas que existem no mundo, todos descendam de um antepassado comum.

Isso é respaldado em parte pela biologia da nossa evolução.

De acordo com nossa genética, viemos de uma população relativamente pequena na África. Embora outras línguas possam ter surgido fora desse grupo, as que conhecemos agora provavelmente descendem de modificações da usada por aquele grupo.

Antes de começar a descrever as diferentes hipóteses dos cientistas sobre a origem da linguagem humana, é importante olhar os fósseis dos nossos ancestrais, uma vez que nos dão algumas pistas sobre quando começamos a falar.

"Respiramos com enorme controle para emitir sons", afirmou Robert Foley, antropólogo da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, ao programa World of Mouth.

Para fazer isso, devemos ter controle muscular de nosso diafragma, que tem muito mais nervos do que o diafragma de nossos parentes mais próximos, os macacos — que não falam.

Todos esses nervos fazem com que nossa medula espinhal seja um pouco mais espessa nessa área — e a coluna vertebral, um pouco mais larga.

Os neandertais de cerca de 600 mil anos atrás têm essa expansão na coluna. Mas se retrocedermos um milhão de anos ao Homo erectus, espécie anterior de humano primitivo, essa expansão não existe.

Segundo Foley, isso nos dá uma pista de quando os humanos começaram a usar a linguagem.

Há várias teorias sobre como a linguagem da nossa espécie se originou. Mas nenhuma ainda é conclusiva.

"Nossas chances de saber a verdadeira origem da linguagem são relativamente baixas", diz Morten Christiansen, um dos autores do estudo mencionado, à BBC News Mundo.

Mas isso não impediu muitos cientistas de desenvolver hipóteses sobre como pode ter começado.

Uma das mais difundidas — e debatidas — é que a linguagem humana se originou primeiro por meio de gestos manuais. "Como o que vemos em certos primatas, que os utilizam e combinam de diferentes maneiras para se comunicar", acrescenta Christiansen, que é especialista na interação das limitações biológicas e ambientais na evolução, aquisição e processamento da linguagem.

Embora haja evidências de que os primatas tenham alguma capacidade, embora limitada, para usar sequências de símbolos arbitrários em cativeiro para se comunicar, há um debate considerável se eles os utilizam para se referir a coisas na natureza.

Além disso, o fato de os primatas usarem gestos para se comunicar não significa automaticamente que os humanos tenham utilizado primeiro as mãos e depois a boca para se fazerem compreender.

"Não sei se o gesto veio primeiro. Acho que os humanos usaram a vocalização e os gestos manuais desde o início. Quero dizer que nossos parentes mais próximos, os chimpanzés, fazem isso", afirma Wendy Sandler, que dirige o Laboratório de Pesquisa de Linguagem de Sinais da Universidade de Haifa, em Israel.

Talvez nunca saibamos com certeza se os gestos vieram primeiro, seguidos da fala na comunicação humana ou se foi um trabalho complementar de ambas as habilidades.

Mas o que parece evidente é que a fala é predominante em relação aos gestos na maneira como nos comunicamos hoje. Por quê?

"Não sabemos, só podemos especular", diz Sandler.

Mas é um fato, porque "não existe comunidade auditiva que use linguagem de sinais". E certamente "se você e eu fôssemos surdos, inventaríamos uma linguagem" para nos comunicar, acrescenta.

A especialista destaca que parte de sua pesquisa se concentrou em uma linguagem de sinais que surgiu no deserto entre os beduínos, tribo nômade árabe na qual um clã apresenta alto percentual de surdez.

"Meus colegas e eu pudemos observar como a linguagem surge do nada."

"Então, podemos ver nos humanos modernos como uma língua se origina e como a estrutura linguística se desenvolve. Agora, não sabemos se foi assim na evolução" da nossa espécie, admite.

Christiansen, por sua vez, não concorda inteiramente que a comunicação oral seja predominante.

"Acho que dominou a pesquisa sobre a linguagem, mas não acho que necessariamente domina a maneira como nos comunicamos normalmente. Sim, podemos nos comunicar por uma linha telefônica sem nos ver, mas muitas vezes isso pode levar a mal-entendidos", afirma.

"Na linguagem falada, nunca abandonamos os gestos. Há um trabalho recente maravilhoso que mostra que se você olhar o mundo em diferentes idiomas, as pessoas usam todos os tipos de gestos, movimentos dos olhos, sobrancelhas ou outras coisas que são importantes para enfatizar algo ou acrescentar informações adicionais que não estão no discurso falado."

Segundo o cientista cognitivo, para descobrir como a linguagem se originou, é necessário entender como o nosso cérebro funciona, como a linguagem se estrutura e até mesmo como o aprendizado, a cultura e a evolução interagem. "Todas essas coisas fazem disso um problema realmente difícil" para a ciência, avalia.

Mas não menos fascinante.

Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/geral-55985319. Acesso em 20/03/2021. Texto adaptado.

Considere o seguinte trecho: “Talvez nunca saibamos com certeza se os gestos vieram primeiro, seguidos da fala na comunicação humana ou se foi um trabalho complementar de ambas as habilidades”. Os verbos “saibamos”, “vieram” e “foi” encontram-se conjugados, respectivamente, no:

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2735268 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: CAIP-IMES
Orgão: Guarujá Prev

Por que a origem da linguagem ainda é uma incógnita para a ciência

A grande maioria das espécies que habitam nosso planeta se comunicam de alguma forma. Mas não tem nada que se pareça com a linguagem humana.

A linguagem em si é bastante difícil de definir, já que tem, por exemplo, expressões transitórias que não deixam rastros, nunca é inerte, muda com o tempo, é infinitamente flexível e quase globalmente presente.

O fato é que a complexidade da nossa linguagem, seja qual for o tipo que usamos, nos torna únicos. Nos permite interagir com os nossos pares e falar sobre o passado, presente ou futuro e transmitir conhecimento.

No entanto, apesar de ser nossa ferramenta mais preciosa — seja escrita, oral, por sinais, assobios ou em qualquer uma de suas formas —, ainda sabemos muito pouco sobre como a linguagem dos seres humanos surgiu.

Sua origem e evolução são uma grande incógnita para a comunidade científica, talvez a mais difícil de todas, dizem alguns especialistas.

"Sabemos muito mais sobre o Big Bang da física do que sobre o Big Bang humano", diz Morten Christiansen, professor de psicologia e codiretor do Programa de Ciências Cognitivas da Universidade de Cornell, em Nova York.

Mas há algumas pistas...

Se você tivesse que citar o idioma mais antigo, provavelmente diria babilônico ou egípcio antigo.

Mas isso ainda não está nem perto do início da história da linguagem, afirmou Maggie Tallerman, linguista da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, ao programa World of Mouth da BBC Radio 4.

Na verdade, essas línguas são fundamentalmente iguais às suas versões modernas, embora sejam consideradas "línguas antigas" com 6 mil anos de existência.

Acredita-se que a linguagem tenha pelo menos 50 mil anos, mas a maioria dos linguistas crê que seja bem mais antiga — alguns estimam que possa ter até meio milhão de anos.

Também é possível que, apesar da diversidade de idiomas que existem no mundo, todos descendam de um antepassado comum.

Isso é respaldado em parte pela biologia da nossa evolução.

De acordo com nossa genética, viemos de uma população relativamente pequena na África. Embora outras línguas possam ter surgido fora desse grupo, as que conhecemos agora provavelmente descendem de modificações da usada por aquele grupo.

Antes de começar a descrever as diferentes hipóteses dos cientistas sobre a origem da linguagem humana, é importante olhar os fósseis dos nossos ancestrais, uma vez que nos dão algumas pistas sobre quando começamos a falar.

"Respiramos com enorme controle para emitir sons", afirmou Robert Foley, antropólogo da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, ao programa World of Mouth.

Para fazer isso, devemos ter controle muscular de nosso diafragma, que tem muito mais nervos do que o diafragma de nossos parentes mais próximos, os macacos — que não falam.

Todos esses nervos fazem com que nossa medula espinhal seja um pouco mais espessa nessa área — e a coluna vertebral, um pouco mais larga.

Os neandertais de cerca de 600 mil anos atrás têm essa expansão na coluna. Mas se retrocedermos um milhão de anos ao Homo erectus, espécie anterior de humano primitivo, essa expansão não existe.

Segundo Foley, isso nos dá uma pista de quando os humanos começaram a usar a linguagem.

Há várias teorias sobre como a linguagem da nossa espécie se originou. Mas nenhuma ainda é conclusiva.

"Nossas chances de saber a verdadeira origem da linguagem são relativamente baixas", diz Morten Christiansen, um dos autores do estudo mencionado, à BBC News Mundo.

Mas isso não impediu muitos cientistas de desenvolver hipóteses sobre como pode ter começado.

Uma das mais difundidas — e debatidas — é que a linguagem humana se originou primeiro por meio de gestos manuais. "Como o que vemos em certos primatas, que os utilizam e combinam de diferentes maneiras para se comunicar", acrescenta Christiansen, que é especialista na interação das limitações biológicas e ambientais na evolução, aquisição e processamento da linguagem.

Embora haja evidências de que os primatas tenham alguma capacidade, embora limitada, para usar sequências de símbolos arbitrários em cativeiro para se comunicar, há um debate considerável se eles os utilizam para se referir a coisas na natureza.

Além disso, o fato de os primatas usarem gestos para se comunicar não significa automaticamente que os humanos tenham utilizado primeiro as mãos e depois a boca para se fazerem compreender.

"Não sei se o gesto veio primeiro. Acho que os humanos usaram a vocalização e os gestos manuais desde o início. Quero dizer que nossos parentes mais próximos, os chimpanzés, fazem isso", afirma Wendy Sandler, que dirige o Laboratório de Pesquisa de Linguagem de Sinais da Universidade de Haifa, em Israel.

Talvez nunca saibamos com certeza se os gestos vieram primeiro, seguidos da fala na comunicação humana ou se foi um trabalho complementar de ambas as habilidades.

Mas o que parece evidente é que a fala é predominante em relação aos gestos na maneira como nos comunicamos hoje. Por quê?

"Não sabemos, só podemos especular", diz Sandler.

Mas é um fato, porque "não existe comunidade auditiva que use linguagem de sinais". E certamente "se você e eu fôssemos surdos, inventaríamos uma linguagem" para nos comunicar, acrescenta.

A especialista destaca que parte de sua pesquisa se concentrou em uma linguagem de sinais que surgiu no deserto entre os beduínos, tribo nômade árabe na qual um clã apresenta alto percentual de surdez.

"Meus colegas e eu pudemos observar como a linguagem surge do nada."

"Então, podemos ver nos humanos modernos como uma língua se origina e como a estrutura linguística se desenvolve. Agora, não sabemos se foi assim na evolução" da nossa espécie, admite.

Christiansen, por sua vez, não concorda inteiramente que a comunicação oral seja predominante.

"Acho que dominou a pesquisa sobre a linguagem, mas não acho que necessariamente domina a maneira como nos comunicamos normalmente. Sim, podemos nos comunicar por uma linha telefônica sem nos ver, mas muitas vezes isso pode levar a mal-entendidos", afirma.

"Na linguagem falada, nunca abandonamos os gestos. Há um trabalho recente maravilhoso que mostra que se você olhar o mundo em diferentes idiomas, as pessoas usam todos os tipos de gestos, movimentos dos olhos, sobrancelhas ou outras coisas que são importantes para enfatizar algo ou acrescentar informações adicionais que não estão no discurso falado."

Segundo o cientista cognitivo, para descobrir como a linguagem se originou, é necessário entender como o nosso cérebro funciona, como a linguagem se estrutura e até mesmo como o aprendizado, a cultura e a evolução interagem. "Todas essas coisas fazem disso um problema realmente difícil" para a ciência, avalia.

Mas não menos fascinante.

Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/geral-55985319. Acesso em 20/03/2021. Texto adaptado.

Após a leitura atenta, pode-se deduzir que o tema central do texto é:

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2735267 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: CAIP-IMES
Orgão: Guarujá Prev

Por que a origem da linguagem ainda é uma incógnita para a ciência

A grande maioria das espécies que habitam nosso planeta se comunicam de alguma forma. Mas não tem nada que se pareça com a linguagem humana.

A linguagem em si é bastante difícil de definir, já que tem, por exemplo, expressões transitórias que não deixam rastros, nunca é inerte, muda com o tempo, é infinitamente flexível e quase globalmente presente.

O fato é que a complexidade da nossa linguagem, seja qual for o tipo que usamos, nos torna únicos. Nos permite interagir com os nossos pares e falar sobre o passado, presente ou futuro e transmitir conhecimento.

No entanto, apesar de ser nossa ferramenta mais preciosa — seja escrita, oral, por sinais, assobios ou em qualquer uma de suas formas —, ainda sabemos muito pouco sobre como a linguagem dos seres humanos surgiu.

Sua origem e evolução são uma grande incógnita para a comunidade científica, talvez a mais difícil de todas, dizem alguns especialistas.

"Sabemos muito mais sobre o Big Bang da física do que sobre o Big Bang humano", diz Morten Christiansen, professor de psicologia e codiretor do Programa de Ciências Cognitivas da Universidade de Cornell, em Nova York.

Mas há algumas pistas...

Se você tivesse que citar o idioma mais antigo, provavelmente diria babilônico ou egípcio antigo.

Mas isso ainda não está nem perto do início da história da linguagem, afirmou Maggie Tallerman, linguista da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, ao programa World of Mouth da BBC Radio 4.

Na verdade, essas línguas são fundamentalmente iguais às suas versões modernas, embora sejam consideradas "línguas antigas" com 6 mil anos de existência.

Acredita-se que a linguagem tenha pelo menos 50 mil anos, mas a maioria dos linguistas crê que seja bem mais antiga — alguns estimam que possa ter até meio milhão de anos.

Também é possível que, apesar da diversidade de idiomas que existem no mundo, todos descendam de um antepassado comum.

Isso é respaldado em parte pela biologia da nossa evolução.

De acordo com nossa genética, viemos de uma população relativamente pequena na África. Embora outras línguas possam ter surgido fora desse grupo, as que conhecemos agora provavelmente descendem de modificações da usada por aquele grupo.

Antes de começar a descrever as diferentes hipóteses dos cientistas sobre a origem da linguagem humana, é importante olhar os fósseis dos nossos ancestrais, uma vez que nos dão algumas pistas sobre quando começamos a falar.

"Respiramos com enorme controle para emitir sons", afirmou Robert Foley, antropólogo da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, ao programa World of Mouth.

Para fazer isso, devemos ter controle muscular de nosso diafragma, que tem muito mais nervos do que o diafragma de nossos parentes mais próximos, os macacos — que não falam.

Todos esses nervos fazem com que nossa medula espinhal seja um pouco mais espessa nessa área — e a coluna vertebral, um pouco mais larga.

Os neandertais de cerca de 600 mil anos atrás têm essa expansão na coluna. Mas se retrocedermos um milhão de anos ao Homo erectus, espécie anterior de humano primitivo, essa expansão não existe.

Segundo Foley, isso nos dá uma pista de quando os humanos começaram a usar a linguagem.

Há várias teorias sobre como a linguagem da nossa espécie se originou. Mas nenhuma ainda é conclusiva.

"Nossas chances de saber a verdadeira origem da linguagem são relativamente baixas", diz Morten Christiansen, um dos autores do estudo mencionado, à BBC News Mundo.

Mas isso não impediu muitos cientistas de desenvolver hipóteses sobre como pode ter começado.

Uma das mais difundidas — e debatidas — é que a linguagem humana se originou primeiro por meio de gestos manuais. "Como o que vemos em certos primatas, que os utilizam e combinam de diferentes maneiras para se comunicar", acrescenta Christiansen, que é especialista na interação das limitações biológicas e ambientais na evolução, aquisição e processamento da linguagem.

Embora haja evidências de que os primatas tenham alguma capacidade, embora limitada, para usar sequências de símbolos arbitrários em cativeiro para se comunicar, há um debate considerável se eles os utilizam para se referir a coisas na natureza.

Além disso, o fato de os primatas usarem gestos para se comunicar não significa automaticamente que os humanos tenham utilizado primeiro as mãos e depois a boca para se fazerem compreender.

"Não sei se o gesto veio primeiro. Acho que os humanos usaram a vocalização e os gestos manuais desde o início. Quero dizer que nossos parentes mais próximos, os chimpanzés, fazem isso", afirma Wendy Sandler, que dirige o Laboratório de Pesquisa de Linguagem de Sinais da Universidade de Haifa, em Israel.

Talvez nunca saibamos com certeza se os gestos vieram primeiro, seguidos da fala na comunicação humana ou se foi um trabalho complementar de ambas as habilidades.

Mas o que parece evidente é que a fala é predominante em relação aos gestos na maneira como nos comunicamos hoje. Por quê?

"Não sabemos, só podemos especular", diz Sandler.

Mas é um fato, porque "não existe comunidade auditiva que use linguagem de sinais". E certamente "se você e eu fôssemos surdos, inventaríamos uma linguagem" para nos comunicar, acrescenta.

A especialista destaca que parte de sua pesquisa se concentrou em uma linguagem de sinais que surgiu no deserto entre os beduínos, tribo nômade árabe na qual um clã apresenta alto percentual de surdez.

"Meus colegas e eu pudemos observar como a linguagem surge do nada."

"Então, podemos ver nos humanos modernos como uma língua se origina e como a estrutura linguística se desenvolve. Agora, não sabemos se foi assim na evolução" da nossa espécie, admite.

Christiansen, por sua vez, não concorda inteiramente que a comunicação oral seja predominante.

"Acho que dominou a pesquisa sobre a linguagem, mas não acho que necessariamente domina a maneira como nos comunicamos normalmente. Sim, podemos nos comunicar por uma linha telefônica sem nos ver, mas muitas vezes isso pode levar a mal-entendidos", afirma.

"Na linguagem falada, nunca abandonamos os gestos. Há um trabalho recente maravilhoso que mostra que se você olhar o mundo em diferentes idiomas, as pessoas usam todos os tipos de gestos, movimentos dos olhos, sobrancelhas ou outras coisas que são importantes para enfatizar algo ou acrescentar informações adicionais que não estão no discurso falado."

Segundo o cientista cognitivo, para descobrir como a linguagem se originou, é necessário entender como o nosso cérebro funciona, como a linguagem se estrutura e até mesmo como o aprendizado, a cultura e a evolução interagem. "Todas essas coisas fazem disso um problema realmente difícil" para a ciência, avalia.

Mas não menos fascinante.

Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/geral-55985319. Acesso em 20/03/2021. Texto adaptado.

Considere o seguinte trecho: “Então, podemos ver nos humanos modernos como uma língua se origina e como a estrutura linguística se desenvolve”. O uso da vírgula, no trecho grifado e no contexto em que se apresenta, justifica-se por tratar-se de:

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2735266 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: CAIP-IMES
Orgão: Guarujá Prev

Por que a origem da linguagem ainda é uma incógnita para a ciência

A grande maioria das espécies que habitam nosso planeta se comunicam de alguma forma. Mas não tem nada que se pareça com a linguagem humana.

A linguagem em si é bastante difícil de definir, já que tem, por exemplo, expressões transitórias que não deixam rastros, nunca é inerte, muda com o tempo, é infinitamente flexível e quase globalmente presente.

O fato é que a complexidade da nossa linguagem, seja qual for o tipo que usamos, nos torna únicos. Nos permite interagir com os nossos pares e falar sobre o passado, presente ou futuro e transmitir conhecimento.

No entanto, apesar de ser nossa ferramenta mais preciosa — seja escrita, oral, por sinais, assobios ou em qualquer uma de suas formas —, ainda sabemos muito pouco sobre como a linguagem dos seres humanos surgiu.

Sua origem e evolução são uma grande incógnita para a comunidade científica, talvez a mais difícil de todas, dizem alguns especialistas.

"Sabemos muito mais sobre o Big Bang da física do que sobre o Big Bang humano", diz Morten Christiansen, professor de psicologia e codiretor do Programa de Ciências Cognitivas da Universidade de Cornell, em Nova York.

Mas há algumas pistas...

Se você tivesse que citar o idioma mais antigo, provavelmente diria babilônico ou egípcio antigo.

Mas isso ainda não está nem perto do início da história da linguagem, afirmou Maggie Tallerman, linguista da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, ao programa World of Mouth da BBC Radio 4.

Na verdade, essas línguas são fundamentalmente iguais às suas versões modernas, embora sejam consideradas "línguas antigas" com 6 mil anos de existência.

Acredita-se que a linguagem tenha pelo menos 50 mil anos, mas a maioria dos linguistas crê que seja bem mais antiga — alguns estimam que possa ter até meio milhão de anos.

Também é possível que, apesar da diversidade de idiomas que existem no mundo, todos descendam de um antepassado comum.

Isso é respaldado em parte pela biologia da nossa evolução.

De acordo com nossa genética, viemos de uma população relativamente pequena na África. Embora outras línguas possam ter surgido fora desse grupo, as que conhecemos agora provavelmente descendem de modificações da usada por aquele grupo.

Antes de começar a descrever as diferentes hipóteses dos cientistas sobre a origem da linguagem humana, é importante olhar os fósseis dos nossos ancestrais, uma vez que nos dão algumas pistas sobre quando começamos a falar.

"Respiramos com enorme controle para emitir sons", afirmou Robert Foley, antropólogo da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, ao programa World of Mouth.

Para fazer isso, devemos ter controle muscular de nosso diafragma, que tem muito mais nervos do que o diafragma de nossos parentes mais próximos, os macacos — que não falam.

Todos esses nervos fazem com que nossa medula espinhal seja um pouco mais espessa nessa área — e a coluna vertebral, um pouco mais larga.

Os neandertais de cerca de 600 mil anos atrás têm essa expansão na coluna. Mas se retrocedermos um milhão de anos ao Homo erectus, espécie anterior de humano primitivo, essa expansão não existe.

Segundo Foley, isso nos dá uma pista de quando os humanos começaram a usar a linguagem.

Há várias teorias sobre como a linguagem da nossa espécie se originou. Mas nenhuma ainda é conclusiva.

"Nossas chances de saber a verdadeira origem da linguagem são relativamente baixas", diz Morten Christiansen, um dos autores do estudo mencionado, à BBC News Mundo.

Mas isso não impediu muitos cientistas de desenvolver hipóteses sobre como pode ter começado.

Uma das mais difundidas — e debatidas — é que a linguagem humana se originou primeiro por meio de gestos manuais. "Como o que vemos em certos primatas, que os utilizam e combinam de diferentes maneiras para se comunicar", acrescenta Christiansen, que é especialista na interação das limitações biológicas e ambientais na evolução, aquisição e processamento da linguagem.

Embora haja evidências de que os primatas tenham alguma capacidade, embora limitada, para usar sequências de símbolos arbitrários em cativeiro para se comunicar, há um debate considerável se eles os utilizam para se referir a coisas na natureza.

Além disso, o fato de os primatas usarem gestos para se comunicar não significa automaticamente que os humanos tenham utilizado primeiro as mãos e depois a boca para se fazerem compreender.

"Não sei se o gesto veio primeiro. Acho que os humanos usaram a vocalização e os gestos manuais desde o início. Quero dizer que nossos parentes mais próximos, os chimpanzés, fazem isso", afirma Wendy Sandler, que dirige o Laboratório de Pesquisa de Linguagem de Sinais da Universidade de Haifa, em Israel.

Talvez nunca saibamos com certeza se os gestos vieram primeiro, seguidos da fala na comunicação humana ou se foi um trabalho complementar de ambas as habilidades.

Mas o que parece evidente é que a fala é predominante em relação aos gestos na maneira como nos comunicamos hoje. Por quê?

"Não sabemos, só podemos especular", diz Sandler.

Mas é um fato, porque "não existe comunidade auditiva que use linguagem de sinais". E certamente "se você e eu fôssemos surdos, inventaríamos uma linguagem" para nos comunicar, acrescenta.

A especialista destaca que parte de sua pesquisa se concentrou em uma linguagem de sinais que surgiu no deserto entre os beduínos, tribo nômade árabe na qual um clã apresenta alto percentual de surdez.

"Meus colegas e eu pudemos observar como a linguagem surge do nada."

"Então, podemos ver nos humanos modernos como uma língua se origina e como a estrutura linguística se desenvolve. Agora, não sabemos se foi assim na evolução" da nossa espécie, admite.

Christiansen, por sua vez, não concorda inteiramente que a comunicação oral seja predominante.

"Acho que dominou a pesquisa sobre a linguagem, mas não acho que necessariamente domina a maneira como nos comunicamos normalmente. Sim, podemos nos comunicar por uma linha telefônica sem nos ver, mas muitas vezes isso pode levar a mal-entendidos", afirma.

"Na linguagem falada, nunca abandonamos os gestos. Há um trabalho recente maravilhoso que mostra que se você olhar o mundo em diferentes idiomas, as pessoas usam todos os tipos de gestos, movimentos dos olhos, sobrancelhas ou outras coisas que são importantes para enfatizar algo ou acrescentar informações adicionais que não estão no discurso falado."

Segundo o cientista cognitivo, para descobrir como a linguagem se originou, é necessário entender como o nosso cérebro funciona, como a linguagem se estrutura e até mesmo como o aprendizado, a cultura e a evolução interagem. "Todas essas coisas fazem disso um problema realmente difícil" para a ciência, avalia.

Mas não menos fascinante.

Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/geral-55985319. Acesso em 20/03/2021. Texto adaptado.

Considere o seguinte trecho: “Talvez nunca saibamos com certeza se os gestos vieram primeiro, seguidos da fala na comunicação humana ou se foi um trabalho complementar de ambas as habilidades”. Os termos “certeza”, “primeiro” e “seguidos” podem ser melhor substituídos, sem perda significativa de sentido, no contexto em que se apresentam, respectivamente, por:

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2735265 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: CAIP-IMES
Orgão: Guarujá Prev

Por que a origem da linguagem ainda é uma incógnita para a ciência

A grande maioria das espécies que habitam nosso planeta se comunicam de alguma forma. Mas não tem nada que se pareça com a linguagem humana.

A linguagem em si é bastante difícil de definir, já que tem, por exemplo, expressões transitórias que não deixam rastros, nunca é inerte, muda com o tempo, é infinitamente flexível e quase globalmente presente.

O fato é que a complexidade da nossa linguagem, seja qual for o tipo que usamos, nos torna únicos. Nos permite interagir com os nossos pares e falar sobre o passado, presente ou futuro e transmitir conhecimento.

No entanto, apesar de ser nossa ferramenta mais preciosa — seja escrita, oral, por sinais, assobios ou em qualquer uma de suas formas —, ainda sabemos muito pouco sobre como a linguagem dos seres humanos surgiu.

Sua origem e evolução são uma grande incógnita para a comunidade científica, talvez a mais difícil de todas, dizem alguns especialistas.

"Sabemos muito mais sobre o Big Bang da física do que sobre o Big Bang humano", diz Morten Christiansen, professor de psicologia e codiretor do Programa de Ciências Cognitivas da Universidade de Cornell, em Nova York.

Mas há algumas pistas...

Se você tivesse que citar o idioma mais antigo, provavelmente diria babilônico ou egípcio antigo.

Mas isso ainda não está nem perto do início da história da linguagem, afirmou Maggie Tallerman, linguista da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, ao programa World of Mouth da BBC Radio 4.

Na verdade, essas línguas são fundamentalmente iguais às suas versões modernas, embora sejam consideradas "línguas antigas" com 6 mil anos de existência.

Acredita-se que a linguagem tenha pelo menos 50 mil anos, mas a maioria dos linguistas crê que seja bem mais antiga — alguns estimam que possa ter até meio milhão de anos.

Também é possível que, apesar da diversidade de idiomas que existem no mundo, todos descendam de um antepassado comum.

Isso é respaldado em parte pela biologia da nossa evolução.

De acordo com nossa genética, viemos de uma população relativamente pequena na África. Embora outras línguas possam ter surgido fora desse grupo, as que conhecemos agora provavelmente descendem de modificações da usada por aquele grupo.

Antes de começar a descrever as diferentes hipóteses dos cientistas sobre a origem da linguagem humana, é importante olhar os fósseis dos nossos ancestrais, uma vez que nos dão algumas pistas sobre quando começamos a falar.

"Respiramos com enorme controle para emitir sons", afirmou Robert Foley, antropólogo da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, ao programa World of Mouth.

Para fazer isso, devemos ter controle muscular de nosso diafragma, que tem muito mais nervos do que o diafragma de nossos parentes mais próximos, os macacos — que não falam.

Todos esses nervos fazem com que nossa medula espinhal seja um pouco mais espessa nessa área — e a coluna vertebral, um pouco mais larga.

Os neandertais de cerca de 600 mil anos atrás têm essa expansão na coluna. Mas se retrocedermos um milhão de anos ao Homo erectus, espécie anterior de humano primitivo, essa expansão não existe.

Segundo Foley, isso nos dá uma pista de quando os humanos começaram a usar a linguagem.

Há várias teorias sobre como a linguagem da nossa espécie se originou. Mas nenhuma ainda é conclusiva.

"Nossas chances de saber a verdadeira origem da linguagem são relativamente baixas", diz Morten Christiansen, um dos autores do estudo mencionado, à BBC News Mundo.

Mas isso não impediu muitos cientistas de desenvolver hipóteses sobre como pode ter começado.

Uma das mais difundidas — e debatidas — é que a linguagem humana se originou primeiro por meio de gestos manuais. "Como o que vemos em certos primatas, que os utilizam e combinam de diferentes maneiras para se comunicar", acrescenta Christiansen, que é especialista na interação das limitações biológicas e ambientais na evolução, aquisição e processamento da linguagem.

Embora haja evidências de que os primatas tenham alguma capacidade, embora limitada, para usar sequências de símbolos arbitrários em cativeiro para se comunicar, há um debate considerável se eles os utilizam para se referir a coisas na natureza.

Além disso, o fato de os primatas usarem gestos para se comunicar não significa automaticamente que os humanos tenham utilizado primeiro as mãos e depois a boca para se fazerem compreender.

"Não sei se o gesto veio primeiro. Acho que os humanos usaram a vocalização e os gestos manuais desde o início. Quero dizer que nossos parentes mais próximos, os chimpanzés, fazem isso", afirma Wendy Sandler, que dirige o Laboratório de Pesquisa de Linguagem de Sinais da Universidade de Haifa, em Israel.

Talvez nunca saibamos com certeza se os gestos vieram primeiro, seguidos da fala na comunicação humana ou se foi um trabalho complementar de ambas as habilidades.

Mas o que parece evidente é que a fala é predominante em relação aos gestos na maneira como nos comunicamos hoje. Por quê?

"Não sabemos, só podemos especular", diz Sandler.

Mas é um fato, porque "não existe comunidade auditiva que use linguagem de sinais". E certamente "se você e eu fôssemos surdos, inventaríamos uma linguagem" para nos comunicar, acrescenta.

A especialista destaca que parte de sua pesquisa se concentrou em uma linguagem de sinais que surgiu no deserto entre os beduínos, tribo nômade árabe na qual um clã apresenta alto percentual de surdez.

"Meus colegas e eu pudemos observar como a linguagem surge do nada."

"Então, podemos ver nos humanos modernos como uma língua se origina e como a estrutura linguística se desenvolve. Agora, não sabemos se foi assim na evolução" da nossa espécie, admite.

Christiansen, por sua vez, não concorda inteiramente que a comunicação oral seja predominante.

"Acho que dominou a pesquisa sobre a linguagem, mas não acho que necessariamente domina a maneira como nos comunicamos normalmente. Sim, podemos nos comunicar por uma linha telefônica sem nos ver, mas muitas vezes isso pode levar a mal-entendidos", afirma.

"Na linguagem falada, nunca abandonamos os gestos. Há um trabalho recente maravilhoso que mostra que se você olhar o mundo em diferentes idiomas, as pessoas usam todos os tipos de gestos, movimentos dos olhos, sobrancelhas ou outras coisas que são importantes para enfatizar algo ou acrescentar informações adicionais que não estão no discurso falado."

Segundo o cientista cognitivo, para descobrir como a linguagem se originou, é necessário entender como o nosso cérebro funciona, como a linguagem se estrutura e até mesmo como o aprendizado, a cultura e a evolução interagem. "Todas essas coisas fazem disso um problema realmente difícil" para a ciência, avalia.

Mas não menos fascinante.

Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/geral-55985319. Acesso em 20/03/2021. Texto adaptado.

A respeito do texto, julgue V, para verdadeiro; F, para falso e assinale a alternativa correta:

( ) A linguagem em si é bastante difícil de definir, já que tem, por exemplo, expressões transitórias que não deixam rastros, nunca é inerte, muda com o tempo, é infinitamente flexível e quase globalmente presente.

( ) Uma das hipóteses mais difundidas — e debatidas — é que a linguagem humana se originou primeiro por meio de gestos manuais.

( ) "Na linguagem falada, nunca abandonamos os gestos. Há um trabalho recente maravilhoso que mostra que se você olhar o mundo em diferentes idiomas, as pessoas usam todos os tipos de gestos, movimentos dos olhos, sobrancelhas ou outras coisas que são importantes para enfatizar algo ou acrescentar informações adicionais que não estão no discurso falado".

( ) Há consenso entre linguistas de que a linguagem tenha pelo menos 50 mil anos.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2735363 Ano: 2021
Disciplina: Direito Previdenciário
Banca: CAIP-IMES
Orgão: Guarujá Prev

A Lei Complementar Municipal n. 179/15 dispõe a reestruturação do regime próprio de previdência social - RPPS do Município do Guarujá e além de outras providências, cria a autarquia previdenciária GUARUJÁ PREVIDÊNCIA.

Assim, de acordo com a Lei, considere as afirmações abaixo e assinale a alternativa correta.

I. Para cobertura das despesas administrativas da Guarujá Previdência, fica estabelecida a titulo de taxa de administração, 1% (um por cento) do valor total das remunerações, proventos e pensões dos segurados vinculados ao Regime Próprio de Previdência Social - RPPS, relativo ao exercício financeiro anterior, a ser custeado pelos Entes patronais, Executivo, Legislativo, Autarquias e Fundações, a partir de 01 de janeiro de 2021.

II. O Programa de Prevenção de Riscos Ambientais - PPRA e o Programa Médico de Saúde Ocupacional - PCMSO da autarquia Guarujá Previdência, contemplando os servidores elencados no caput, serão de responsabilidade da unidade gestora do RPPS - Regime Próprio de Previdência Social.

III. A estrutura de governança da Guarujá Previdência será composta pelos órgãos, Conselho de Administração e Conselho Fiscal.

IV. Na condição de Autarquia Previdenciária, a GUARUJÁ PREVIDÊNCIA se sujeitará apenas à fiscalização dos órgãos de controle interno, respondendo seus gestores pelo descumprimento das normas estabelecidas nesta Lei, bem como da legislação federal aplicada à organização e funcionamento dos Regimes Próprios de Previdência Social - RPPS.

Questão Anulada

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2735336 Ano: 2021
Disciplina: Informática
Banca: CAIP-IMES
Orgão: Guarujá Prev

Analise os ícones abaixo extraídos do Excel 2010.

Enunciado 3500426-1

Assinale a alternativa que contém, correta e respectivamente, as funções dos ícones:

Questão Anulada

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2735296 Ano: 2021
Disciplina: Auditoria
Banca: CAIP-IMES
Orgão: Guarujá Prev

Com relação à execução dos trabalhos, temos as seguintes normas: Planejamento da Auditoria Interna, Riscos da Auditoria Interna, Procedimentos da Auditoria Interna, Amostragem, Processamento Eletrônico de Dados.

Analise as afirmativas abaixo e assinale a alternativa correta:

Questão Anulada

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2735291 Ano: 2021
Disciplina: Matemática
Banca: CAIP-IMES
Orgão: Guarujá Prev

Três amigos, Ana, José e Caio, resolveram arriscar a sorte para tentar ganhar o prêmio da loteria que estava acumulado em R$ 19.000.000,00 (dezenove milhões de reais). Para isso fizeram um bolão entre eles, Amanda apostou R$ 90,00, José apostou R$ 60,00 e Caio R$ 40,00. Por Caio estar com dificuldades financeiras resolveram dividir o prêmio, caso ganhassem, em partes inversamente proporcionais ao valor que cada um apostou.

Supondo que esse prêmio da loteria saia apenas para esse grupo, distribuídos os valores, Caio receberia:

Questão Anulada

Provas

Questão presente nas seguintes provas