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Leia os fragmentos, ambos de Oswald de Andrade.
falação
A língua sem arcaísmos. Sem erudição. Natural e neológica. A contribuição milionária de todos os erros.
bonde
O transatlântico mesclado
Dlendlena e esguicha luz
Postretutas e famias sacolejam
É correto concluir, da apreciação de ambos os fragmentos, que
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Leia os sonetos de Camões e de Juó Bananére, pseudônimo de Alexandre R. Marcondes Machado.
Sete anos de pastor Jacó servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
Mas não servia ao pai, servia a ela,
E a ela só por prêmio pretendia.
Os dias, na esperança de um só dia,
Passava, contentando-se com vê-la;
Porém o pai, usando de cautela,
Em lugar de Raquel lhe dava Lia.
Vendo o triste pastor que com enganos
Lhe fora assim negada a sua pastora,
Como se não a tivera merecida,
Começa de servir outros sete anos
Dizendo: – Mais servira, se não fora,
Para tão longo amor tão curta a vida.
Sette anno di pastore, Giacó servia Labó
Padre da Raffaela, serrana bella,
Ma non servia o pai, che illo non era trouxa nó!
Servia a Raffaela p’ra si gazá c’oella.
I os dia, na speranza di un dia só,
Apassava spiano na gianella;
Ma o páio, fugino da gombinaçó,
Deu a Lia inveiz da Raffaela.
Quano o Giacó adiscobri o ingano,
E che tigna gaido na sparella
Ficô c’um brutto d’um garó di arara,
I incominciô di servi otros sete anno
Dizeno: Si o Labó non fossi o pai d’ella
Io pigava elli e li quebrava a gara.
Constata-se que há entre os textos uma relação de intertextualidade. O poema de Juó Bananére se apresenta, em relação ao texto camoniano, como uma imitação, por paródia,
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Leia o texto para responder à questão.
A escravidão levou consigo ofícios e aparelhos, como terá sucedido a outras instituições sociais. Não cito alguns aparelhos senão por se ligarem a certo ofício. Um deles era o ferro ao pescoço, outro o ferro ao pé; havia também a máscara de folha de flandres. A máscara fazia perder o vício da embriaguez aos escravos, por lhes tapar a boca. Tinha só três buracos, dous para ver, um para respirar, e era fechada atrás da cabeça por um cadeado. Com o vício de beber, perdiam a tentação de furtar, porque geralmente era dos vinténs do senhor que eles tiravam com que matar a sede, e aí ficavam dous pecados extintos, e a sobriedade e a honestidade, certas. Era grotesca tal máscara, mas a ordem social e humana nem sempre se alcança sem o grotesco, e alguma vez o cruel. Os funileiros as tinham penduradas, à venda, na porta das lojas. Mas não cuidemos de máscaras.
O ferro ao pescoço era aplicado aos escravos fujões. Imaginai uma coleira grossa, com a haste grossa também, à direita ou à esquerda, até ao alto da cabeça e fechada atrás com chave. Pesava, naturalmente, mas era menos castigo que sinal. Escravo que fugia assim, onde quer que andasse, mostrava um reincidente, e com pouco era pegado.
No trecho “era grotesca tal máscara mas a ordem humana nem sempre se alcança sem o grotesco”, estamos diante do estilo irônico de Machado de Assis
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Leia o texto a seguir, para responder à questão.
Pais e Filhos
Estátuas, e cofres, e paredes pintadas
Ninguém sabe o que aconteceu
Hum, ela se jogou da janela do quinto andar
Nada é fácil de entender
Dorme agora
Hum, hum
É só o vento lá fora
Quero colo
Vou fugir de casa
Posso dormir aqui com vocês?
Estou com medo
Tive um pesadelo
Só vou voltar depois das três
Meu filho vai ter nome de santo
Quero o nome mais bonito
É preciso amar
As pessoas como se não houvesse amanhã
Porque se você parar pra pensar
Na verdade, não há
Me diz por que que o céu é azul
Explica a grande fúria do mundo
São meus filhos que tomam conta de mim
Eu moro com a minha mãe, mas meu pai vem me visitar
Eu moro na rua, não tenho ninguém
Eu moro em qualquer lugar
Já morei em tanta casa que nem me lembro mais
Eu moro com meus pais
É preciso amar
As pessoas como se não houvesse amanhã
Porque se você parar pra pensar
Na verdade, não há
Sou uma gota d’água
Sou um grão de areia
Você me diz que seus pais não o entendem
Mas você não entende seus pais
Você culpa seus pais por tudo
Isso é um absurdo
São crianças como você
O que você vai ser
Quando você crescer?
Considerando o texto e o que se sabe a respeito do texto literário, pode-se afirmar que a canção
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Leia o texto para responder à questão.
Era um leilão de escravos. Na fileira dos infelizes que estavam ali de mistura com os móveis, havia uma pobre criancinha abrindo olhos espantados e ignorantes para todos. Todos foram atraídos pela tenra idade e triste singeleza da pequena. Entre outros, notei um indivíduo que, mais curioso que compadecido, conjeturava a meia voz o preço por que se venderia aquele semovente.
Travamos conversa e fizemos conhecimento; quando ele soube que eu manejava a enxadinha com que agora revolvo estas terras do folhetim [da crônica], deixou escapar dos lábios uma exclamação:
— Ah!
Estava longe de conhecer o que havia neste — Ah! — tão misterioso e tão significativo.
Minutos depois começou o pregão da pequena. O meu indivíduo cobria os lanços, com incrível desespero, a ponto de pôr fora de combate todos os pretendentes, exceto um que lutou ainda por algum tempo, mas que afinal teve de ceder.
O preço definitivo da desgraçadinha era fabuloso. Só o amor à humanidade podia explicar aquela luta da parte do meu novo conhecimento; não perdi de vista o comprador, convencido de que iria disfarçadamente ao leiloeiro dizer-lhe que a quantia lançada era aplicada à liberdade da infeliz. Pus-me à espreita da virtude.
O comprador não me desiludiu, porque, apenas começava a espreitá-lo, ouvi-lhe dizer alto e bom som:
— É para a liberdade!
O último combatente do leilão foi ao filantropo, apertou- lhe as mãos e disse-lhe:
— Eu tinha a mesma intenção.
O filantropo voltou-se para mim e pronunciou baixinho as seguintes palavras, acompanhadas de um sorriso:
— Não vá agora dizer lá na folha que eu pratiquei este ato de caridade.
Satisfiz religiosamente o dito do filantropo, mas nem assim me furtei à honra de ver o caso publicado e comentado nos outros jornais.
A ironia que permeia a crônica machadiana acaba por evidenciar
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Leia um trecho do romance Iracema, do escritor José de Alencar, para responder à questão.
Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema. Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna1, e mais longos que seu talhe de palmeira. O favo da jati2 não era doce como seu sorriso, nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado.
Um dia, ao pino do Sol, ela repousava em um claro da floresta. Banhava-lhe o corpo a sombra da oiticica3, mais fresca do que o orvalho da noite. Os ramos da acácia silvestre esparziam flores sobre os úmidos cabelos. Escondidos na folhagem os pássaros ameigavam o canto.
Rumor suspeito quebra a doce harmonia da sesta. Ergue a virgem os olhos, que o sol não deslumbra; sua vista perturba-se. Diante dela e todo a contemplá-la, está um guerreiro estranho, se é guerreiro e não algum mau espírito da floresta. Tem nas faces o branco das areias que bordam o mar, nos olhos o azul triste das águas profundas. Ignotas4 armas e tecidos ignotos cobrem-lhe o corpo.
Foi rápido, como o olhar, o gesto de Iracema. A flecha embebida no arco partiu. Gotas de sangue borbulham na face do desconhecido. Sofreu mais d’alma que da ferida. O sentimento que ele pôs nos olhos e no rosto, não o sei eu. Porém a virgem lançou de si o arco e a uiraçaba5 e correu para o guerreiro, sentida da mágoa que causara. A mão que rápida ferira estancou mais rápida e compassiva o sangue que gotejava.
Um traço característico da prosa romântica que pode ser encontrado no trecho transcrito é
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Leia o soneto do poeta português Manuel Maria Barbosa du Bocage, para responder à questão.
De cima dessas pedras escabrosas1,
Que pouco a pouco as ondas têm minado,
Da lua com o reflexo prateado
Distingo de Marília as mãos formosas.
Ah!, que lindas que são, que melindrosas2!
Sinto-me louco, sinto-me encantado.
Ah!, quando elas vos colhem lá no prado,
Nem vós, lírios, brilhais, nem vós, ó rosas!
Deuses! Céus! Tudo o mais que tendes feito,
Vendo tão belas mãos, me dá desgosto;
Nada, onde elas estão, nada é perfeito.
Oh!, quem pudera uni-las ao meu rosto!
Quem pudera apertá-las no meu peito!
Dar-lhes mil beijos e expirar3 de gosto!
(Manuel Maria Barbosa du Bocage. Poemas escolhidos, 1974)
Uma característica presente no soneto que antecipa a estética romântica é
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Leia o soneto do poeta português Manuel Maria Barbosa du Bocage, para responder à questão.
A loira Fílis na estação das flores,
Comigo passeou por este prado1
Mil vezes; por sinal, trazia ao lado
As Graças, os Prazeres e os Amores.
Quantos mimos2 então, quantos favores,
Que inocente afeição, que puro agrado
Me não viram gozar (oh, doce estado!),
Mordendo-se de inveja, os mais pastores!
Porém, segundo o feminil3 costume,
Já Fílis se esqueceu do amor mais terno,
E como Jônio se ri de meu queixume4.
Ah!, se nos corações fosses eterno,
Tormento abrasador, negro ciúme,
Serias tão cruel como os do Inferno!
Uma característica da estética árcade presente nesse soneto é
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O fragmento a seguir pertence ao livro Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto:
“Além disto, os subúrbios têm mais aspectos interessantes [...] as casas de cômodos (quem as suporia lá!) constituem um deles bem inédito. Casas que mal dariam para uma pequena família, são divididas, subdivididas, e os minúsculos aposentos assim obtidos, alugados à população miserável da cidade. Aí, nesses caixotins humanos, é que se encontra a fauna menos observada da nossa vida, sobre a qual a miséria paira com um rigor londrino.”
É CORRETO afirmar que:
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São características do Naturalismo, EXCETO:
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