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O lugar do produto obtido pela mimésis é o do “terceiro descendente partindo-se do rei, quer dizer, da verdade,” diz Platão, no livro X d’A República, em que analisa não mais o valor psicológico da mimésis, mas seu valor ontológico, e reforça a condenação moral por meio de uma apreciação metafisica. Primeiramente a da verdade ou a da realidade: há a forma única ou a ideia de cada coisa (a ideia de cama ou de mesa, a mesa ou a cama em si), cujo criador é Deus; em segundo lugar, há o objeto de uso que o operário ou o artesão produz segundo o modelo único, e que é cópia da realidade; em terceiro lugar, enfim, a imagem obtida pelo pintor ou pelo poeta e que é cópia da cópia, pois é imitação do objeto do artesão e não da ideia.
COMPAGNON, Antoine. O trabalho da citação. Belo Horizonte: Editora UFMG, 1996, com adaptações.
Com base no texto e na noção platônica de mimésis, assinale a alternativa correta.
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Junto do leito meus poetas dormem
- O Dante, a Bíblia, Shakespeare e Byron -
Na mesa confundidos. Junto deles
Meu velho candeeiro se espreguiça
E parece pedir a formatura.
Ó meu amigo, ó velador noturno,
Tu não me abandonaste nas vigílias,
Quer eu perdesse a noite sobre os livros,
Quer, sentado no leito, pensativo
Relesse as minhas cartas de namoro!
Quero-te muito bem, ó meu comparsa
Nas doudas cenas de meu drama obscuro!
E num dia de spleen, vindo a pachorra,
Hei de evocar-te num poema heróico
Na rima de Camões e de Ariosto
Como padrão às lâmpadas futuras!
AZEVEDO, Álvares de. Poemas malditos. 3. ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1988.
Segundo a teoria literária e a literatura comparada, assinale a alternativa correta.
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Caiu a noite, do azulado manto,
Como gotas de orvalho, sacudindo
Estrelas cintilantes. – Veio a lua
Banhando de tristeza o céu noturno:
Derrama aos corações melancolia,
Derrama no ar cheiroso molemente
Cerúlea chama, dia incerto e pálido
Que ao lado da floresta ajunta as sombras
E lança pelas águas da campina
Alvacentos clarões que as flores bebem.
A galope, de volta do noivado,
Passa o Conde Solfier, e a noiva Elfrida.
Seguem fidalgos que o sarau reclama.
[...]
AZEVEDO, Álvares de. Poemas malditos. 3. ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1988.
Com base no poema de Álvares de Azevedo e nos conhecimentos acerca da literatura brasileira, assinale a alternativa correta.
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A cruz na testa
Os dados do que fui
Do que serei:
Nasci matemático, mago
Nasci poeta.
A cruz na testa
O riso seco
O grito
Descubro-me rei
Lantejoulado de treva
As facas golpeando
Tempo e sensatez
Deus? Uma superfície de gelo ancorada no riso. Isso era Deus. Ainda assim, tentava agarrar-se àquele nada, deslisava geladas cambalhotas até encontrar o cordame grosso da âncora e descia descia em direção àquele riso. Tocou-se. Estava vivo sim. [...]. Amós Kéres, quarenta e oito anos, matemático, parou o carro no topo da pequena colina, abriu a porta e desceu. De onde estava via o edifício da Universidade. Prostíbulos igreja Estado Universidade. Todos se pareciam. Cochichos, confissões, vaidade, discursos, paramentos, obscenidades, confraria. [...]
HILST, Hilda. Com os meus olhos de cão. São Paulo: Globo, 2006.
Com base no texto e nos gêneros literários, é correto afirmar que o fragmento citado apresenta
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A respeito do gênero dramático tradicional, assinale a alternativa correta.
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O primeiro indício da evolução que vai culminar na morte da narrativa é o surgimento do romance no início do período moderno. O que separa o romance da narrativa (e da epopeia no sentido estrito) é que ele está essencialmente vinculado ao livro [...]. A tradição oral [...] tem uma natureza fundamentalmente distinta da que caracteriza o romance.
BENJAMIN, Walter. Magia e Técnica, Arte e Política (Obras escolhidas, v. 1). São Paulo: Brasiliense, 1985, com adaptações.
Em relação à “morte da narrativa” e ao surgimento do romance, assinale a alternativa correta.
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A lírica europeia do século 20 não é de fácil acesso. [...] Mas é de uma produtividade surpreendente. A obra dos líricos alemães, do Rilke dos últimos tempos e de Trakl a G. Benn, dos franceses, de Apollinaire a Saint-John Perse, dos espanhóis, de García Lorca a Guillén, dos italianos, de Palazzeschi a Ungaretti, dos anglossaxônicos, de Yeats a T. S. Eliot, não pode mais ser colocada em dúvida quanto à sua significação. Esta obra mostra que a força de expressão da lírica, na situação espiritual do presente, não é inferior à força de expressão da filosofia, do romance, do teatro, da pintura e da música.
FRIEDRICH, Hugo. Estrutura da lírica moderna: da metade do século XIX a meados do século XX. São Paulo: Duas cidades, 1978, com adaptações.
Considerando o texto, assinale a alternativa que indica traços distintivos da lírica europeia do século 20.
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A escrita está atualmente ligada ao sacrifício, ao sacrífico da própria vida; apagamento voluntário que não é para ser representado nos livros, pois ele é consumado na própria existência do escritor. A obra que tinha o dever de trazer a imortalidade recebeu agora o direito de matar, de ser assassina do seu autor, [...] essa relação da escrita com a morte também se manifesta no desaparecimento das características individuais do sujeito que escreve.
FOUCAULT, Michel. O que é um autor? In: Ditos e escritos III: Estética, e pintura, música e cinema. Rio de Janiero: Forense universitária, 2009.
As reflexões quanto à autoria são centrais nos estudos literários. Nesse sentido, com base no texto e nos conhecimentos acerca do tema, assinale a alternativa correta.
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A classificação de obras literárias segundo gêneros tem a sua raiz na República de Platão. [...] A definição aristotélica, no terceiro capítulo da Arte Poética, coincide até certo ponto com a do seu mestre. Há, segundo Aristóteles, várias maneiras literárias de imitar a natureza [...]. Por mais que a teoria dos [...] gêneros, categorias ou arquiformas literárias tenha sido combatida, ela se mantém, em essência, inabalada. Evidentemente ela é, até certo ponto, artificial como toda a conceituação científica. Estabelece um esquema a que a realidade literária multiforme, na sua grande variedade histórica, nem sempre corresponde. [...] A pureza em matéria de literatura não é necessariamente um valor positivo. Ademais, não existe pureza de gêneros em sentido absoluto. Ainda assim o uso da classificação de obras literárias por gêneros parece ser indispensável, simplesmente pela necessidade de toda ciência de introduzir certa ordem na multiplicidade dos fenômenos.
ROSENFELD, Anatol. O teatro épico. São Paulo: Editora Perspectiva, 2010, com adaptações.
Com base no texto e nos conhecimentos acerca da classificação tradicional de obras literárias fundamentadas nas reflexões de Platão e Aristóteles, os gêneros literários canônicos são
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A classificação de obras literárias segundo gêneros tem a sua raiz na República de Platão. [...] A definição aristotélica, no terceiro capítulo da Arte Poética, coincide até certo ponto com a do seu mestre. Há, segundo Aristóteles, várias maneiras literárias de imitar a natureza [...]. Por mais que a teoria dos [...] gêneros, categorias ou arquiformas literárias tenha sido combatida, ela se mantém, em essência, inabalada. Evidentemente ela é, até certo ponto, artificial como toda a conceituação científica. Estabelece um esquema a que a realidade literária multiforme, na sua grande variedade histórica, nem sempre corresponde. [...] A pureza em matéria de literatura não é necessariamente um valor positivo. Ademais, não existe pureza de gêneros em sentido absoluto. Ainda assim o uso da classificação de obras literárias por gêneros parece ser indispensável, simplesmente pela necessidade de toda ciência de introduzir certa ordem na multiplicidade dos fenômenos.
ROSENFELD, Anatol. O teatro épico. São Paulo: Editora Perspectiva, 2010, com adaptações.
Conforme Aristóteles, na arte poética, há diversas maneiras de imitar a natureza. Segundo esse filósofo, é possível imitar
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