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A história de Canudos é uma metonímia para a história do Brasil. Publicado em 1902, Os Sertões, de Euclides da Cunha, foi uma das principais obras de literatura brasileira a abordar a Guerra de Canudos. Acerca de Os Sertões, assinale a alternativa correta.
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O gênero literário é uma categoria de composição literária. As arquiformas literárias não correspondem necessariamente à realidade multiforme da literatura, e os textos não precisam se encaixar nas categorias que funcionam como uma forma didática, histórica e estética de entender a literatura.
Com base nisso, assinale o trecho que apresenta uma narrativa com características líricas.
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A ESCRAVIDÃO levou consigo ofícios e aparelhos, como terá sucedido a outras instituições sociais. Não cito alguns aparelhos senão por se ligarem a certo ofício. Um deles era o ferro ao pescoço, outro o ferro ao pé; havia também a máscara de folha-de-flandres. A máscara fazia perder o vício da embriaguez aos escravos, por lhes tapar a boca. Tinha só três buracos, dous para ver, um para respirar, e era fechada atrás da cabeça por um cadeado. [...] Era grotesca tal máscara, mas a ordem social e humana nem sempre se alcança sem o grotesco, e alguma vez o cruel. Os funileiros as tinham penduradas, à venda, na porta das lojas. Mas não cuidemos de máscaras.
O ferro ao pescoço era aplicado aos escravos fujões. Imaginai uma coleira grossa, com a haste grossa também à direita ou à esquerda, até ao alto da cabeça e fechada atrás com chave. Pesava, naturalmente, mas era menos castigo que sinal. Escravo que fugia assim, onde quer que andasse, mostrava um reincidente, e com pouco era pegado.
[...]
Ora, pegar escravos fugidios era um ofício do tempo. Não seria nobre, mas por ser instrumento da força com que se mantêm a lei e a propriedade, trazia esta outra nobreza implícita das ações reivindicadoras. Ninguém se metia em tal ofício por desfastio ou estudo; a pobreza, a necessidade de uma achega, a inaptidão para outros trabalhos, o acaso, e alguma vez o gosto de servir também, ainda que por outra via, davam o impulso ao homem que se sentia bastante rijo para pôr ordem à desordem.
ASSIS, Machado de. Pai contra a mãe. In: JOHN, Gledson (org.). 50 contos de Machado de Assis. São Paulo: Companhia das Letras, 2007, p. 466.
A principal característica da obra machadiana presente no fragmento é a (o)
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A ESCRAVIDÃO levou consigo ofícios e aparelhos, como terá sucedido a outras instituições sociais. Não cito alguns aparelhos senão por se ligarem a certo ofício. Um deles era o ferro ao pescoço, outro o ferro ao pé; havia também a máscara de folha-de-flandres. A máscara fazia perder o vício da embriaguez aos escravos, por lhes tapar a boca. Tinha só três buracos, dous para ver, um para respirar, e era fechada atrás da cabeça por um cadeado. [...] Era grotesca tal máscara, mas a ordem social e humana nem sempre se alcança sem o grotesco, e alguma vez o cruel. Os funileiros as tinham penduradas, à venda, na porta das lojas. Mas não cuidemos de máscaras.
O ferro ao pescoço era aplicado aos escravos fujões. Imaginai uma coleira grossa, com a haste grossa também à direita ou à esquerda, até ao alto da cabeça e fechada atrás com chave. Pesava, naturalmente, mas era menos castigo que sinal. Escravo que fugia assim, onde quer que andasse, mostrava um reincidente, e com pouco era pegado.
[...]
Ora, pegar escravos fugidios era um ofício do tempo. Não seria nobre, mas por ser instrumento da força com que se mantêm a lei e a propriedade, trazia esta outra nobreza implícita das ações reivindicadoras. Ninguém se metia em tal ofício por desfastio ou estudo; a pobreza, a necessidade de uma achega, a inaptidão para outros trabalhos, o acaso, e alguma vez o gosto de servir também, ainda que por outra via, davam o impulso ao homem que se sentia bastante rijo para pôr ordem à desordem.
ASSIS, Machado de. Pai contra a mãe. In: JOHN, Gledson (org.). 50 contos de Machado de Assis. São Paulo: Companhia das Letras, 2007, p. 466.
No que se refere ao texto apresentado, assinale a alternativa correta.
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Na configuração romântica da origem, o encontro entre o índio e europeu é deslocado da circunstância religiosa (e de ritual que, também por ironia, reencena o sacrifício e a morte em nome de um devir mais pleno), para ser representado no plano mais produtivo da conjunção familiar, legitimada pelo afeto. Na reapresentação corrigida da origem, entretanto, são os mesmos os elementos de cena: a atividade do colonizador, a receptividade do índio e um projeto de Estado que, para se efetivar, necessita da interação, mesmo que apenas do simbólico instituído, das duas partes em confronto. Ao dar uma outra forma à cena primária do consórcio entre europeu e índio, a produção romântica corrige a representação inicial da legitimidade da origem e do devir que aí se instaura, altera regras de composição e elementos de cena, sem ferir o imaginário que a produziu. As novas representações da origem estão marcadas pelo sentido mais puro de corrigir, que não suporta rupturas ou alterações de fundo. Pressupõe sempre tornar algo mais perfeito, mais adequado, fazendo-o corresponder a um ideal ou a uma necessidade
CUNHA, Eneida Leal. Estampas do imaginário: literatura, história e identidade cultural. Belo Horizonte: UFMG, 2006, p. 124.
De acordo com o fragmento e as concepções relativas ao Romantismo no Brasil, assinale a afirmativa correta.
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A história literária “oficial” nos tem apresentado uma listagem de nomes alinhados em sequência cronológica, como se essa fosse a única lógica. A própria concepção romântica da história, como embate de antagonismo, foi assimilada e normalizada pelo racionalismo positivista sob a forma de sucessão mecânica, linha oscilante, mas contínua. Conforme os manuais literários que ainda reinam nas instituições de ensino, os “movimentos” ou “escolas” ter-se-iam sucedido uns aos outros. Segundo um balando regular e compreensível: oposições e sínteses.
PERRONE-MOISES, Leyla. Altas Literaturas. São Paulo: Companhia das Letras, 1998, p. 28, com adaptações.
Acerca da história literária brasileira, assinale a alternativa correta.
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A especificidade da linguagem literária, aquilo que a distinguia de outras formas de discurso, era o fato de ela "deformar" a linguagem comum de várias maneiras. Sob a pressão dos artifícios literários, a linguagem comum era intensificada, condensada, torcida, reduzida, ampliada, invertida.
EAGLETON, Terry. Teoria da literatura: uma introdução. São Paulo: Martins Fontes, 2006, p. 5.
Assinale a alternativa que indica termo o qual sintetiza o conceito de literariedade para a teoria da literatura.
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Denilson Baniwa, Re-Antropofagia, 2018. Técnica mista. Cortesia do artista
Re-Antropofagia
era primeiro de maio de vinte e oito
dia de manifesto da fome do trabaiadô
só a antropofagia nos une, coração
em página reciclada de mato-virgem
desvirginou pindorama num falso-coito
urgências do artista-moderno-devorado
de pulmões, rins, fígado e coração
filé oswald de andrade à barbecue
tupy or not tupy, that is true
or that's future-já-passado
wirandé seu honoris-doutô
mário bom mesmo é o encanador
que faz assado de tartaruga
a arte moderna já nasceu antiga
com seus talheres forjados à la paris
faca, fork, prato raso e bourdeaux
páris que por fuck faz bobagem
se a arte indígena durará dez anos
eu quero ser aquiles: que será famoso
e morrerá antes de receber o troféu
na queda do céu ser estrela cadente
- pintou e bordou, dirão na cantiga
a arte-macunaíma no moquém
fará uga-uga com as mãos nos lábios
pois é um totem, um pau-de-sebo
onde ninguém consegue o prêmio
grêmio de colecionadores, ratos
brancos de laboratório estéril
onde pratos fake-antropofágicos
são menu para abutre-cinéreo
sério, nasceria de fórceps uma arte brasileira?
sem índios na canoa que falha-trágica
quero quem come com as mãos, alguém?
sem limites-geo e conectada à máter
ReAntropofagia posta à mesa nostálgica
é arte-indígena crua sem nenhum caráter
quando desta arte pau-brasil-tropical
não sobrar um só osso mastigado
sobrará o tal epitáfio como recado:
aqui jaz o simulacro macunaíma
jazem juntos a ideia de povo brasileiro
e a antropofagia temperada
com bordeaux e pax mongólica
que desta longa digestão
renasça Makünaimî
e a antropofogia originária
que pertence a Nós
indígenas
BANIWA, Denilson. Re-antropofagia. Disponível em<: https://brooklynrail.org/2021/02/criticspage/ReAntropofagia>. Acesso em: 26 set. 2022.
as metáforas são feitas pelo encadeamento de duas coisas diversas
BORGES, Jorge Luis. A metáfora. In: Esse ofício do verso. Tradução de José Marcos Macedo. São Paulo: Companhia das letras, 2019, p. 30.
Com base na definição de metáfora, assinale a alternativa correspondente ao trecho do poema apresentado que melhor exemplifica esse conceito.
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Denilson Baniwa, Re-Antropofagia, 2018. Técnica mista. Cortesia do artista
Re-Antropofagia
era primeiro de maio de vinte e oito
dia de manifesto da fome do trabaiadô
só a antropofagia nos une, coração
em página reciclada de mato-virgem
desvirginou pindorama num falso-coito
urgências do artista-moderno-devorado
de pulmões, rins, fígado e coração
filé oswald de andrade à barbecue
tupy or not tupy, that is true
or that's future-já-passado
wirandé seu honoris-doutô
mário bom mesmo é o encanador
que faz assado de tartaruga
a arte moderna já nasceu antiga
com seus talheres forjados à la paris
faca, fork, prato raso e bourdeaux
páris que por fuck faz bobagem
se a arte indígena durará dez anos
eu quero ser aquiles: que será famoso
e morrerá antes de receber o troféu
na queda do céu ser estrela cadente
- pintou e bordou, dirão na cantiga
a arte-macunaíma no moquém
fará uga-uga com as mãos nos lábios
pois é um totem, um pau-de-sebo
onde ninguém consegue o prêmio
grêmio de colecionadores, ratos
brancos de laboratório estéril
onde pratos fake-antropofágicos
são menu para abutre-cinéreo
sério, nasceria de fórceps uma arte brasileira?
sem índios na canoa que falha-trágica
quero quem come com as mãos, alguém?
sem limites-geo e conectada à máter
ReAntropofagia posta à mesa nostálgica
é arte-indígena crua sem nenhum caráter
quando desta arte pau-brasil-tropical
não sobrar um só osso mastigado
sobrará o tal epitáfio como recado:
aqui jaz o simulacro macunaíma
jazem juntos a ideia de povo brasileiro
e a antropofagia temperada
com bordeaux e pax mongólica
que desta longa digestão
renasça Makünaimî
e a antropofogia originária
que pertence a Nós
indígenas
BANIWA, Denilson. Re-antropofagia. Disponível em<: https://brooklynrail.org/2021/02/criticspage/ReAntropofagia>. Acesso em: 26 set. 2022.
O título Re-antropofagia do poema e do quadro de Denilson Baniwa é uma revisão crítica do Manifesto Antropófago de Oswald de Andrade. O manifesto reconfigura o mito originário de Brasil a partir da antropofagia, no qual se comia a carne do inimigo acreditando assimilar sua força. Nesse sentido, a literatura brasileira se apropriaria da cultura estrangeira para incorporá-la à sua.
Diante dessas informações, no que se refere ao conceito de antropofagia e ao movimento modernista, assinale a alternativa correta.
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Denilson Baniwa, Re-Antropofagia, 2018. Técnica mista. Cortesia do artista
Re-Antropofagia
era primeiro de maio de vinte e oito
dia de manifesto da fome do trabaiadô
só a antropofagia nos une, coração
em página reciclada de mato-virgem
desvirginou pindorama num falso-coito
urgências do artista-moderno-devorado
de pulmões, rins, fígado e coração
filé oswald de andrade à barbecue
tupy or not tupy, that is true
or that's future-já-passado
wirandé seu honoris-doutô
mário bom mesmo é o encanador
que faz assado de tartaruga
a arte moderna já nasceu antiga
com seus talheres forjados à la paris
faca, fork, prato raso e bourdeaux
páris que por fuck faz bobagem
se a arte indígena durará dez anos
eu quero ser aquiles: que será famoso
e morrerá antes de receber o troféu
na queda do céu ser estrela cadente
- pintou e bordou, dirão na cantiga
a arte-macunaíma no moquém
fará uga-uga com as mãos nos lábios
pois é um totem, um pau-de-sebo
onde ninguém consegue o prêmio
grêmio de colecionadores, ratos
brancos de laboratório estéril
onde pratos fake-antropofágicos
são menu para abutre-cinéreo
sério, nasceria de fórceps uma arte brasileira?
sem índios na canoa que falha-trágica
quero quem come com as mãos, alguém?
sem limites-geo e conectada à máter
ReAntropofagia posta à mesa nostálgica
é arte-indígena crua sem nenhum caráter
quando desta arte pau-brasil-tropical
não sobrar um só osso mastigado
sobrará o tal epitáfio como recado:
aqui jaz o simulacro macunaíma
jazem juntos a ideia de povo brasileiro
e a antropofagia temperada
com bordeaux e pax mongólica
que desta longa digestão
renasça Makünaimî
e a antropofogia originária
que pertence a Nós
indígenas
BANIWA, Denilson. Re-antropofagia. Disponível em<: https://brooklynrail.org/2021/02/criticspage/ReAntropofagia>. Acesso em: 26 set. 2022.
Tendo em vista os conhecimentos acerca do Modernismo brasileiro, assinale a alternativa correta.
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