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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
o silêncio
se mete a maltratar
me ditando
abreviaturas de mim
e,
quem sabe,
a mim mesmo me dilatando
Paulo Leminski. Toda poesia. São Paulo:
Companhia das Letras, 2013, p. 22.
Ângelus
Desmaia a tarde. Além, pouco e pouco, no poente,
O sol, rei fatigado, em seu leito adormece:
Uma ave canta, ao longe; o ar pesado estremece
Do ângelus ao soluço agoniado e plangente.
Salmos cheios de dor, impregnados de prece,
Sobem da terra ao céu numa ascensão ardente.
E enquanto o vento chora e o crepúsculo desce,
A Ave-Maria vai cantando, tristemente.
Nest’hora, muita vez, em que fala a saudade
Pela boca da noite e pelo som que passa,
Lausperene de amor cuja mágoa me invade,
Quisera ser o som, ser a noite, ébria e doida
De trevas, o silêncio, esta nuvem que esvoaça,
Ou fundir-me na luz e desfazer-me toda.
Francisca Júlia. Ângelus. In: Manuel Bandeira (Org.). Antologia dos poetas brasileiros:
poesia da fase parnasiana. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1996, p. 293-4.
Considerando os poemas acima, julgue o item a seguir e faça o que se pede.
O tom prosaico do poema de Paulo Leminski é uma das marcas da consolidação do projeto de poesia moderna no contexto literário brasileiro.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
56. ÓRFÃO
O céu jogava tinas de água sobre o noturno que me devolvia a São Paulo.
O comboio brecou lento para as ruas molhadas, furou a gare suntuosa e me jogou nos óculos menineiros de um grupo negro.
Sentaram-me num automóvel de pêsames.
Longo soluço empurrou o corredor conhecido contra o peito magro de tia Gabriela no ritmo de luto que vestia a casa.
Oswald de Andrade. Memórias sentimentais de
João Miramar. São Paulo: Globo, 1998, p. 62.
.
Considerando o texto acima, de Oswald de Andrade, e as questões nele suscitadas, julgue o item a seguir.
A simultaneidade das imagens é característica da prosa oswaldiana, assim como dos textos em prosa produzidos pelos romancistas brasileiros modernos.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
56. ÓRFÃO
O céu jogava tinas de água sobre o noturno que me devolvia a São Paulo.
O comboio brecou lento para as ruas molhadas, furou a gare suntuosa e me jogou nos óculos menineiros de um grupo negro.
Sentaram-me num automóvel de pêsames.
Longo soluço empurrou o corredor conhecido contra o peito magro de tia Gabriela no ritmo de luto que vestia a casa.
Oswald de Andrade. Memórias sentimentais de
João Miramar. São Paulo: Globo, 1998, p. 62.
.
Considerando o texto acima, de Oswald de Andrade, e as questões nele suscitadas, julgue o item a seguir.
No texto apresentado, a descontinuidade cênica está evidenciada na estrutura de planos distintos, à maneira da linguagem cinematográfica.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
56. ÓRFÃO
O céu jogava tinas de água sobre o noturno que me devolvia a São Paulo.
O comboio brecou lento para as ruas molhadas, furou a gare suntuosa e me jogou nos óculos menineiros de um grupo negro.
Sentaram-me num automóvel de pêsames.
Longo soluço empurrou o corredor conhecido contra o peito magro de tia Gabriela no ritmo de luto que vestia a casa.
Oswald de Andrade. Memórias sentimentais de
João Miramar. São Paulo: Globo, 1998, p. 62.
.
Considerando o texto acima, de Oswald de Andrade, e as questões nele suscitadas, julgue o item a seguir.
A aceleração das sensações e das imagens aponta um novo paradigma da prosa de ficção no Brasil, que pode ser compreendido como um processo de dependência ainda mais aguçado das tendências internacionais da literatura moderna, em comparação com outros períodos literários.
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Invernáculo
Esta língua não é minha,
qualquer um percebe.
Quando o sentido caminha,
a palavra permanece.
Quem sabe mal digo mentiras,
vai ver que só minto verdades.
Assim me falo, eu, mínima,
quem sabe, eu sinto, mal sabe.
Esta não é minha língua.
A língua que eu falo trava
uma canção longínqua,
a voz, além, nem palavra.
O dialeto que se usa
à margem esquerda da frase,
eis a fala que me lusa,
eu, meio, eu dentro, eu, quase.
LEMINSKI , P. Toda Poesia: Paulo Leminsk. São Paulo: Companhia das Letras, 2013. 329.
Os múltiplos sentidos do código linguístico embotam a liberdade criativa do sujeito poético.
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Invernáculo
Esta língua não é minha,
qualquer um percebe.
Quando o sentido caminha,
a palavra permanece.
Quem sabe mal digo mentiras,
vai ver que só minto verdades.
Assim me falo, eu, mínima,
quem sabe, eu sinto, mal sabe.
Esta não é minha língua.
A língua que eu falo trava
uma canção longínqua,
a voz, além, nem palavra.
O dialeto que se usa
à margem esquerda da frase,
eis a fala que me lusa,
eu, meio, eu dentro, eu, quase.
LEMINSKI , P. Toda Poesia: Paulo Leminsk. São Paulo: Companhia das Letras, 2013. 329.
No poema, estabelece-se uma fronteira evidente entre o que é e o que não é matéria poética.
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Invernáculo
Esta língua não é minha,
qualquer um percebe.
Quando o sentido caminha,
a palavra permanece.
Quem sabe mal digo mentiras,
vai ver que só minto verdades.
Assim me falo, eu, mínima,
quem sabe, eu sinto, mal sabe.
Esta não é minha língua.
A língua que eu falo trava
uma canção longínqua,
a voz, além, nem palavra.
O dialeto que se usa
à margem esquerda da frase,
eis a fala que me lusa,
eu, meio, eu dentro, eu, quase.
LEMINSKI , P. Toda Poesia: Paulo Leminsk. São Paulo: Companhia das Letras, 2013. 329.
No repertório linguístico utilizado para o trabalho do sujeito poético, ele jogou com recursos estilísticos, como a polissemia e a antítese.
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Invernáculo
Esta língua não é minha,
qualquer um percebe.
Quando o sentido caminha,
a palavra permanece.
Quem sabe mal digo mentiras,
vai ver que só minto verdades.
Assim me falo, eu, mínima,
quem sabe, eu sinto, mal sabe.
Esta não é minha língua.
A língua que eu falo trava
uma canção longínqua,
a voz, além, nem palavra.
O dialeto que se usa
à margem esquerda da frase,
eis a fala que me lusa,
eu, meio, eu dentro, eu, quase.
LEMINSKI , P. Toda Poesia: Paulo Leminsk. São Paulo: Companhia das Letras, 2013. 329.
O título do poema, no contexto em foco, remete à negação da língua, à recusa do português castiço, da norma padrão com seus critérios rígidos de correção.
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Invernáculo
Esta língua não é minha,
qualquer um percebe.
Quando o sentido caminha,
a palavra permanece.
Quem sabe mal digo mentiras,
vai ver que só minto verdades.
Assim me falo, eu, mínima,
quem sabe, eu sinto, mal sabe.
Esta não é minha língua.
A língua que eu falo trava
uma canção longínqua,
a voz, além, nem palavra.
O dialeto que se usa
à margem esquerda da frase,
eis a fala que me lusa,
eu, meio, eu dentro, eu, quase.
LEMINSKI , P. Toda Poesia: Paulo Leminsk. São Paulo: Companhia das Letras, 2013. 329.
O sujeito poético, ao se expressar na própria língua materna, depara-se com a sensação de exilado sociocultural.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: FUMARC
Orgão: CBM-MG
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