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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: FUMARC
Orgão: CBM-MG
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: EXATUS
Orgão: PM-ES
O soneto “Cárcere das Almas” exemplifica a temática simbolista da obra de Cruz e Souza, que só não se caracteriza pelo(a):
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: ESCS
Sítio
O morro está pegando fogo.
O ar incômodo, grosso,
faz do menor movimento um esforço,
como andar sob outra atmosfera,
entre panos úmidos, mudos,
num caldo sujo de claras em neve.
Os carros, no viaduto,
engatam sua centopeia:
olhos acesos, suor de diesel,
ruído motor, desespero surdo.
O sol devia estar se pondo, agora
mas como confirmar sua trajetória
debaixo desta cúpula de pó,
este céu invertido?
Olhar o mar não traz nenhum consolo
(se ele é um cachorro imenso, trêmulo,
vomitando uma espuma de bile,
e vem acabar de morrer na nossa porta).
Uma penugem antagonista
deitou nas folhas dos crisântemos
e vai escurecendo, dia a dia,
os olhos das margaridas,
o coração das rosas.
De madrugada,
muda na caixa refrigerada,
a carga de agulhas cai queimando
tímpanos, pálpebras:
O menino brincando na varanda.
Dizem que ele não percebeu.
De que outro modo poderia ainda
ter virado o rosto: — Pai!
acho que um bicho me mordeu! assim
que a bala varou sua cabeça?
Claudia Roquette-Pinto. Margem de manobra. Rio de Janeiro:
Editora Aeroplano, 2005 (com adaptações).
A respeito da construção literária do texto, assinale a opção correta.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: ESCS
Dois velhinhos
Dois pobres inválidos, bem velhinhos, esquecidos numa cela de asilo.
Ao lado da janela, retorcendo os aleijões e esticando a cabeça, apenas um podia olhar lá fora.
Junto à porta, no fundo da cama, o outro espiava a parede úmida, o crucifixo negro, as moscas no fio de luz. Com inveja, perguntava o que acontecia. Deslumbrado, anunciava o primeiro:
— Um cachorro ergue a perninha no poste.
Mais tarde:
— Uma menina de vestido branco pulando corda.
Ou ainda:
— Agora é um enterro de luxo.
Sem nada ver, o amigo remordia-se no seu canto. O mais velho acabou morrendo, para alegria do segundo, instalado afinal debaixo da janela.
Não dormiu, antegozando a manhã. Bem desconfiava que o outro não revelava tudo.
Cochilou um instante — era dia. Sentou-se na cama, com dores espichou o pescoço: entre os muros em ruína, ali no beco, um monte de lixo.
Dalton Trevisan. Mistérios de Curitiba.
Rio de Janeiro: Editora Record, 1979, p. 110.
Tendo em vista a linguagem e a estrutura da narrativa, assinale a opção correta, a respeito do conto de Dalton Trevisan.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: ESCS
Dois velhinhos
Dois pobres inválidos, bem velhinhos, esquecidos numa cela de asilo.
Ao lado da janela, retorcendo os aleijões e esticando a cabeça, apenas um podia olhar lá fora.
Junto à porta, no fundo da cama, o outro espiava a parede úmida, o crucifixo negro, as moscas no fio de luz. Com inveja, perguntava o que acontecia. Deslumbrado, anunciava o primeiro:
— Um cachorro ergue a perninha no poste.
Mais tarde:
— Uma menina de vestido branco pulando corda.
Ou ainda:
— Agora é um enterro de luxo.
Sem nada ver, o amigo remordia-se no seu canto. O mais velho acabou morrendo, para alegria do segundo, instalado afinal debaixo da janela.
Não dormiu, antegozando a manhã. Bem desconfiava que o outro não revelava tudo.
Cochilou um instante — era dia. Sentou-se na cama, com dores espichou o pescoço: entre os muros em ruína, ali no beco, um monte de lixo.
Dalton Trevisan. Mistérios de Curitiba.
Rio de Janeiro: Editora Record, 1979, p. 110.
A respeito da construção literária do texto, é correto afirmar que o conto de Dalton Trevisan é
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: ESCS
Pneumotórax
Febre, hemoptise, dispneia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.
Mandou chamar o médico:
— Diga trinta e três.
— Trinta e três... trinta e três... trinta e três...
— Respire.
— O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
— Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
— Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.
Manuel Bandeira. Antologia poética. Rio de Janeiro:
Editora Nova Fronteira, 2001 (com adaptações).
Ainda a respeito do poema de Manuel Bandeira, assinale a opção correta.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: ESCS
Pneumotórax
Febre, hemoptise, dispneia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.
Mandou chamar o médico:
— Diga trinta e três.
— Trinta e três... trinta e três... trinta e três...
— Respire.
— O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
— Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
— Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.
Manuel Bandeira. Antologia poética. Rio de Janeiro:
Editora Nova Fronteira, 2001 (com adaptações).
Tendo em vista a estética modernista brasileira, é correto afirmar que, no poema Pneumotórax,
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O texto II desta prova foi extraído do segundo capítulo da novela A indesejada aposentadoria, do escritor maranhense Josué Montello (*1917 — †2006). Contemporâneo dos escritores que fizeram o romance de 30, Montello enveredou por outro caminho: explorou a narrativa urbana. Escreveu uma das obras-primas da literatura brasileira: Os tambores de São Luís (1975). A novela A indesejada aposentadoria, de 1972, conta a história de Guihermino Pereira, um funcionário público, já nas vésperas de se aposentar. Guilhermino pertencia a uma casta de burocratas que já desapareceu de nossas repartições públicas. De sua espécie talvez tenha sido o derradeiro exemplar conhecido, tanto no trajo quanto nos modos e na figura. Nos últimos tempos de sua existência medíocre, já era um anacronismo. Por isso mesmo está ele a reclamar papel e tinta, únicos instrumentos possíveis de sua merecida sobrevivência. Não propriamente para servir de paradigma, acentue-se logo — mas para ilustrar e exprimir com o seu modelo uma casta que o tempo consumiu.
Era magro, alto, rosto comprido, com um pouco de poste e outro tanto de Dom Quixote(a). Deste só tinha a figura, não a índole romântica: era mesmo o oposto do personagem de Cervantes, na sua conformada aceitação da vida. Tinha as orelhas um pouco saltadas do crânio, o pomo-de-adão saliente, e era calvo, de uma calvície bem composta, que lhe adoçava a fisionomia subalterna(b). Ao chegar à repartição no seu lento passo de cegonha, sempre de guarda-chuva pendente do braço, trocava o paletó de casemira azul por outro de alpaca preta e instalava-se na sua cadeira rotativa. Sentado, sua longa espinha dorsal vergava, numa curva de caniço puxado pelo peixe, que no seu caso eram a caneta e a pena. Quando se erguia, parecia desembainhar a espinha, crescendo de tamanho(c).
Guilhermino ali sentava às onze horas, ou pouco antes e às cinco e trinta se levantava para ir embora. Conservador por natureza, teve ele a boa fortuna de servir sempre na mesma repartição, no mesmo prédio e na mesma sala, desde que entrou no serviço público. Ao ser empossado, deram-lhe aquela mesa. Não queria outra.(d)
A repartição, com a sua sala, os seus móveis e os seus funcionários, constituía o mundo ideal de Guilhermino. Somente ali, experimentava a sensação ambiental de plenitude que há de gozar o peixe na água e o *pássaro nos ares.
Entretanto, malgrado a euforia que o deixava mais a gosto na repartição do que na porta-e-janela de seu modesto lar suburbano, Guilhermino nunca deixava de abandonar a mesa de trabalho à hora fixada no Regimento para o fim do expediente.
— A lei é a lei — dizia.
Não há exagero em afirmar-se que a sua casa de subúrbio, adornada de cortinas de renda, com um vaso de tinhorão à entrada, era, para ele, o lugar onde aguardava que a repartição voltasse a abrir: de pijama, os pés nos chinelos de trança, lendo o seu jornal ou conversando com os vizinhos, estava ali de passagem.
Para sermos exatos, era na repartição, à sua mesa de trabalho, que Guilhermino Pereira se sentia realmente em casa.
Josué Montello. A indesejada aposentadoria. Capítulo II, p. 11-14. Texto adaptado.
Assinale a alternativa em que aparecem traços do tradicionalismo e/ou da índole burocrática de Guilhermino.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: FUMARC
Orgão: CBM-MG
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: EXATUS
Orgão: PM-ES
Leia o texto a seguir:
Cárcere das almas
Cruz e Souza
Ah! toda a alma num cárcere anda presa,
Soluçando nas trevas, entre as grades
Do calabouço olhando imensidades,
Mares, estrelas, tardes, natureza.
Tudo se veste de uma igual nobreza
Olhando a alma entre grilhões as liberdades
Sonha e, sonhando, as imortalidades
Rasga no etéreo o Espaço funéreo!
Ó almas presas, mudas e fechadas
Nas prisões colossais e abandonadas,
Da Dor no calabouço, atroz, funéreo!
Nesses silêncios solitários, graves,
que chaveiro do Céu possui as chaves
para abrir-vos as portas do Mistério?!
No soneto “Cárcere das Almas” percebemos com nitidez a dicotomia existencial do poeta angustiado, ser humano conflitado entre:
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