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Foram encontradas 5.194 questões.

3471275 Ano: 2024
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: FEPESE
Orgão: Pref. Chapecó-SC
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Texto 3


Passagem da obra Dom Casmurro (Machado de Assis)

Tinham-me lembrado a definição que José Dias dera deles, “olhos de cigana oblíqua e dissimulada”. Eu não sabia o que era oblíqua, mas dissimulada sabia, e queria ver se se podiam chamar assim. Capitu deixou-se fitar e examinar. Só me perguntava o que era, se nunca os vira; eu nada achei extraordinário; a cor e a doçura eram minhas conhecidas. A demora da contemplação creio que lhe deu outra ideia do meu intento; imaginou que era um pretexto para mirá-los mais de perto, com os meus olhos longos, constantes, enfiados neles, e a isto atribuo que entrassem a ficar crescidos, crescidos e sombrios, com tal expressão que…

Retórica dos namorados, dá-me uma comparação exata e poética para dizer o que foram aqueles olhos de Capitu. Não me acode imagem capaz de dizer, sem quebra da dignidade do estilo, o que eles foram e me fizeram. Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá ideia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca. Para não ser arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros; mas tão depressa buscava as pupilas, a onda que saía delas vinha crescendo, cava e escura, ameaçando envolver-me, puxar-me e tragar-me.

Fonte: ASSIS, Machado de. Dom Casmurro.

2ª edição [e-book], Brasília: Edições Câmara, 2019, p. 57-58.

Texto 4

Passagem da obra O cortiço (Aluísio Azevedo)

Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas.

Um acordar alegre e farto de quem dormiu de uma assentada sete horas de chumbo. Como que se sentiam ainda na indolência de neblina as derradeiras notas da última guitarra da noite antecedente, dissolvendo-se à luz loura e tenra da aurora, que nem um suspiro de saudade perdido em terra alheia.

A roupa lavada, que ficara de véspera nos coradouros, umedecia o ar e punha-lhe um farto acre de sabão ordinário. As pedras do chão, esbranquiçadas no lugar da lavagem e em alguns pontos azuladas pelo anil, mostravam uma palidez grisalha e triste, feita de acumulações de espumas secas.

Fonte: AZEVEDO, Aluísio. O cortiço.

30ª ed., São Paulo: Ática, 1997, p. 21.

Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ) considerando os textos 3 e 4 e as características das escolas da Literatura Brasileira.

( ) Dom Casmurro é obra do romantismo, estilo marcado pela análise psicológica e a temática do adultério feminino.

( ) O cortiço apresenta estética naturalista, escola marcada pela objetividade, crítica social e oposição ao romantismo.

( ) Os textos 3 e 4 são passagens tipológicas narrativas desenvolvidas para descrever personagens das duas obras.

( ) Da expressão “olhos de cigana oblíqua e dissimulada” infere-se o preconceito existente no século XIX em relação aos ciganos, tratados como falsos e de má índole.

( ) Em “Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava”, o autor produz uma personificação, figura de linguagem bastante utilizada em textos literários.

Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.

 

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3468226 Ano: 2024
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: Verbena
Orgão: Pref. Padre Bernardo-GO
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O crítico literário Antonio Candido, na obra “Formação da Literatura Brasileira” (2000), explica que o nacionalismo, no Brasil, consolidou-se como um conceito de grande relevância na literatura por manifestar a busca pela identidade nacional e por ter ocorrido paralelamente ao surgimento do Romantismo literário e, acima de tudo, ao processo de independência do Brasil. Nesse sentido, o trabalho dos autores românticos resultou
 

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3455063 Ano: 2024
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: FUVEST
Orgão: USP
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No texto intitulado Tarsila, a pesquisadora Aracy Amaral transcreve um trecho das impressões de Tarsila do Amaral sobre a viagem às cidades históricas coloniais mineiras, que realizara em 1924 com o grupo modernista, liderado por Mário de Andrade: “(...) As decorações murais de um modesto corredor de hotel; o forro das salas, feito de taquarinhas coloridas e trançadas; as pinturas das igrejas, simples e comoventes, executadas com amor e devoção por artistas anônimos; o Aleijadinho, nas suas estátuas e nas linhas geniais da sua arquitetura religiosa, tudo era motivo para as nossas exclamações admirativas. Encontrei em Minas as cores que adorava em criança. Ensinaram-me depois que eram feias e caipiras. Segui o ramerrão do gosto apurado... Mas depois vinguei-me da opressão passando-as para as minhas telas: azul puríssimo, rosa violáceo, amarelo vivo, verde cantante, tudo em gradações mais ou menos fortes, conforme a mistura de branco. Pintura limpa, sobretudo, sem medo de cânones convencionais. Liberdade e sinceridade, uma certa estilização que a adaptava à época moderna.”

AMARAL, Tarsila, 1939. Apud AMARAL, Aracy. Tarsila, In: Tarsila do Amaral. São Paulo: Fundação Finambras, s.d, p.4.

Enunciado 3987943-1

Tarsila do Amaral, O mamoeiro, 1925, óleo s/ tela, 65,0 cm x 70,0 cm. Coleção Mário de Andrade - Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo. Reprodução fotográfica: Rômulo Fialdini. Disponível em: https://enciclopedia.itaucultural.org.br/.

Considerando a obra O Mamoeiro, de Tarsila do Amaral, qual é o principal elemento que caracteriza a influência do movimento modernista brasileiro na pintura?

 

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3455062 Ano: 2024
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: FUVEST
Orgão: USP
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“Se a derrama for lançada,

há levante, com certeza.

Corre-se por essas ruas?

Corta-se alguma cabeça?

Do cimo de alguma escada, profere-se alguma arenga?

Que bandeira se desdobra?

Com que figura ou legenda?

Coisas da Maçonaria,

do Paganismo ou da Igreja?

A Santíssima Trindade?

Um gênio a quebrar algemas?

Atrás de portas fechadas,

à luz de velas acesas,

entre sigilo e espionagem,

acontece a Inconfidência.”

Os versos de Cecília Meireles, no Romanceiro da Inconfidência, remetem

 

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3455061 Ano: 2024
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: FUVEST
Orgão: USP
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Leia os trechos das obras Marília de Dirceu e Romanceiro da Inconfidência:

Lira VII (Parte II)

“Meu prezado Glauceste,

Se fazes o conceito

Que, bem que réu, abrigo

A cândida Virtude no meu peito;

Se julgas, digo, que mereço ainda

Da tua mão socorro;

Ah! Vem dar-mo agora,

Agora, sim, que morro!

Não quero que, montado

No Pégaso fogoso,

Venhas com dura lança

Ao monstro infame traspassar, raivoso.

Deixa que viva a pérfida calúnia,

E forje o meu tormento:

Com menos, meu Glauceste,

Com menos me contento.”

Tomás Antônio Gonzaga. Marília de Dirceu.

Romance LXVI ou De Outros Maldizentes

“- Que fica, na fortaleza,

daquele poeta Gonzaga?

- Um par de esporas, somente.

Um par de esporas de prata.

(...)

Dizem que tinha um cavalo

que Pégaso se chamava.

Não pisava neste mundo,

mas nos planaltos da Arcádia!”

Cecília Meireles. Romanceiro da Inconfidência.

Considerando o substantivo Pégaso, presente nos dois excertos, é correto afirmar:

 

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3455022 Ano: 2024
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: FUVEST
Orgão: USP
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Carlos Drummond de Andrade foi o criador de uma obra lírica que, ao mesmo tempo, se aproxima e se afasta do Modernismo de 1922, propondo, a partir de traços desse movimento, uma poética original. Com base no exposto, em Alguma poesia (1930),

 

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Leia:
Este é o rio, a montanha é esta,
Estes os troncos, estes os rochedos;
São estes inda os mesmos arvoredos;
Esta é a mesma rústica floresta.
Tudo cheio de horror se manifesta,
Rio, montanha, troncos, e penedos;
Que de amor nos suavíssimos enredos
Foi cena alegre, e urna é já funesta.
Oh quão lembrado estou de haver subido
Aquele monte, e às vezes, que baixando
Deixei do pranto o vale umedecido!
Tudo me está a memória retratando;
Que da mesma saudade o infame ruído
Vem as mortas espécies despertando."
(https://www.todamateria.com.b)
"As escolas literárias (também chamadas de "estilos de época") são movimentos literários cujas obras apresentam características em comum. Tais características estão associadas a determinado período histórico. Desse modo, os costumes e a visão de mundo que sobressaem em uma época acabam influenciando a forma como autoras e autores criam suas obras.
https://brasilescola.uol.com.br/literatura/escolasliterarias.htm)
No soneto acima, temos como autor e característica:
 

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“[...] foi um poeta, contista e cronista do século XX, sendo considerado um dos principais poetas da segunda geração do Modernismo brasileiro.

Sua poesia falava sobre o questionamento em torno da existência, das aflições sociais, filosóficas, religiosas e do amor. Seu estilo poético possui traços de ironia, de humor, pessimismo em relação a vida e observações do cotidiano. [...] Em 1928, publicou um de seus principais e mais famosos poemas “No Meio do Caminho” na Revista de Antropofagia de São Paulo. Em 1930, lançou seu primeiro livro “Alguma Poesia” que reunia poesias de sua autoria.”

(Fonte: https://www.abramus.org.br/autores/)

O texto acima faz uma breve biografia de um dos principais escritores e poetas brasileiros, que teve muitas obras consagradas como “Sentimento do Mundo” (1940) e “A Rosa do povo” (1945).

A quem o trecho se refere?

 

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3442131 Ano: 2024
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: MS CONCURSOS
Orgão: SAAE-São Carlos-SP

Sobre as obras de Machado de Assis, relacione a Coluna I com a Coluna II e marque a alternativa correta.

Coluna I.

A- Memórias Póstumas de Brás Cubas.

B- Quincas Borba.

C- Esaú e Jacó.

D- Memorial de Aires.

E- Dom Casmurro.

Coluna II.

1- Rubião, herdeiro de Quincas Borba, é envolvido por Sofia e seu marido Cristiano Palha, é levado à miséria e à loucura.

2- Narrado por Bento Santiago que na velhice procura atar as duas pontas da vida.

3- É o romance da ambiguidade, narrado em terceira pessoa pelo Conselheiro Aires. Pedro e Paulo seriam os dois lados da verdade.

4- Narrado por um defunto-autor, em posição transtemporal, que do outro lado do mistério, revê a sua existência de homem que tudo tentou e nada conseguiu.

5- Narrado sobre a forma de um diário, tematiza a solidão e desencanto da velhice.

 

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O texto adiante servirá de base para as próxima questão.

“Contrariamente ao teatro e à poesia, a crônica inscrevia-se no cosmos machadiano como expressão legítima do seu temperamento literário. Mais próxima da tendência para a narrativa, a crônica tornar-se-ia atividade relevante na trajetória do escritor, não só pelo aspecto quantitativo como pelo qualitativo. Se a imagem de Machado de Assis não ficaria prejudicada caso excluíssemos o teatro e a poesia, acabaria deformada se deixássemos de considerar-lhe a produção no território da crônica. Enquanto o teatro e a poesia constituíram “pecados” da juventude, a crônica se alinhará entre os frutos permanentes de sua atividade; já em 1859 começam a aparecer crônicas suas em O Espelho, e até fins de 1900 as redigirá. O fato é tanto mais digno de nota quanto mais sabemos que a partir dessa data pouco publicará em revista. Quando se afastar da crônica, deixará praticamente o mais, como se, fazendo o balanço da vida, apenas tivesse forças para recolher os dispersos e completar as obras em andamento. Talvez mais do que as outras expressões estéticas, a crônica manteve-se constante e relevante na carreira de Machado, a ponto de sugerir um cronista que produziu, ao mesmo tempo, romances, contos, peças de teatro, poemas e textos críticos.

Quantitativamente, a crônica predomina na obra de Machado, haja vista o que publicou em vida, na forma de livro, e o que foi reunido postumamente em volume. No tocante à sua importância, basta sublinhar que, sem a crônica, o mais da obra machadiana conserva fechados alguns segredos: Machado era tão medularmente cronista que seus contos e romances são narrativas de cronista, que extrai do dia a dia a matéria da ficção. O tipo do parasita, por exemplo, presente já em Ressurreição, brota-lhe numa crônica de 18 de setembro de 1859. A crônica servia-lhe de posto de observação ao que ia dentro e fora do País; e de exercício permanente da escrita, permitindo-lhe apurar o estilo, atingir a decantada limpidez, que não vinha apenas do compulsar com “mão diuturna” os clássicos da Língua. Por outro lado, crônicas há tão bem armadas, ricas de fantasia e senso crítico, que pensamos estar perante verdadeiros contos; logravam a definição e a maturidade que depois se tornariam modelares: mestre da crônica, Machado soprou-lhe grandeza, tornando-a prática relevante, literariamente válida, graças a ter-lhe emprestado a gravidade que punha nos contos e romances. De onde a permanência de algumas crônicas, resistindo ao desgaste natural nesse gênero de atividade entre jornalística e literária. É que não raro Machado toma os acontecimentos como pretexto para erigir uma história ou tecer considerações que, mercê do filosofismo, tendem ao universal subjacente no efêmero cotidiano. Ao mesmo tempo, fixa o momento que passa, transformando cada crônica num testemunho interessado do tempo. Crônicas dum ficcionista de lei, poderíamos dizer, e nisso se resumiriam a força que ainda guardam.

MOISÉS, Massaud. História da Literatura Brasileira. Cultrix, São Paulo: 2001. (p. 84-85)

Dadas as assertivas:

I. A produção cronística de Machado de Assis é bem menos relevante do que a sua produção poética e teatral. II. Em quantidade, a produção de crônicas de Machado de Assis predomina no conjunto de sua obra. III. O desgaste natural da crônica, gênero híbrido que transita pela literatura e pelo jornalismo, se atenua na fixação e permanência dadas por Machado de Assis.

Está(Estão) correta(s) a(s) seguinte(s) assertiva(s):
 

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