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TEXTO PARA A QUESTÃO 60
"A disposição das vozes depende da partitura musical. Isto significaria que um coro, sob o ponto de vista ideal, teria que mudar constantemente sua posição em relação às vozes. [...] Os blocos sonoros, agudos, médios e graves formam a perspectiva auditiva. É muito útil nos ensaios para dar segurança, e pode ser tolerada em músicas corais mais simples, naquelas que seguem uma técnica mais homofônica. [...] Nas composições a mais de um coro, se o ambiente for propício, a disposição dos diferentes coros deve formar contraste, isto é, opor-se espacialmente um ao outro."
ZANDER, Oscar. Regência coral. 5. ed. Porto Alegre: Movimento, 2003. p. 184, 188, 194.
A organização espacial do coro não cumpre apenas uma função estética, constituindo recurso determinante para a acústica e a interpretação da textura musical. À luz do pensamento de Oscar Zander e da praxis da regência coral, analise as afirmativas a seguir:
I. A disposição em "quartetos" (vozes mistas intercaladas) é eficaz para a homogeneidade timbrística em texturas homofônicas, pois favorece a audição vertical do acorde pelo cantor; todavia, essa formação tende a prejudicar a clareza da condução das vozes (voice leading) em obras de contraponto denso, nas quais a disposição por naipes (blocos) facilita a definição da perspectiva auditiva.
II. A formação em círculo fechado é a disposição recomendada para a performance em palcos italianos, uma vez que elimina a barreira da "quarta parede", permitindo que a projeção sonora alcance a plateia com o mesmo equilíbrio de frequências que os cantores percebem internamente durante a execução.
III. No repertório policoral, notadamente na estética da Escola Veneziana (ex: Gabrieli), a disposição espacial deve atender ao princípio dos cori spezzati; assim, o distanciamento físico entre os grupos é imperativo para realçar o efeito estereofônico e o contraste dinâmico previstos na escritura da obra.
IV. A norma padrão para a montagem de obras sinfônico-corais posiciona o coro à frente da orquestra (entre o regente e as cordas), configuração necessária para evitar que a massa instrumental mascare as vozes e para garantir a inteligibilidade do texto literário em detrimento da fusão harmônica.
Está CORRETO apenas o que se afirma em:
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TEXTO PARA A QUESTÃO 59
De acordo com Rosário (2019, p. 13), a transição do Renascimento para o Barroco, consolidada ao longo do século XVII, marcou a passagem do sistema modal para o tonal e a implementação de uma métrica mais rígida. Nesse contexto, gêneros preexistentes foram ressignificados e novas formas de expressão dramática surgiram, atendendo tanto às necessidades da liturgia quanto às demandas das cortes, resultando na cristalização de gêneros como a ópera, o oratório e a cantata.
ROSÁRIO, W. C. Canto coral. São Luís: UEMA, 2019. p. 13.
Com base na obra de referência e nos conhecimentos sobre a morfologia e a evolução dos gêneros vocais no período Barroco, relacione a Coluna I à Coluna II.
Coluna I
(1) Ópera
(2) Madrigal Inglês
(3) Cantata
(4) Oratório
Coluna II
( ) Gênero que, embora compartilhe o estilo dramático, distingue-se pela ausência de encenação teatral e figurinos, utilizando a figura do Historicus (narrador) para conduzir a trama, geralmente baseada no Antigo Testamento.
( ) Floresceu na Grã-Bretanha, coexistindo com formas como o Ballet (marcado por sílabas "fa-la-la") e o Ayre; reflete a adaptação dos modelos italianos ao gosto da sociedade elisabetana.
( ) Gênero de câmara (da camera) destinado a ambientes domésticos ou privados; estruturou-se inicialmente como uma narrativa curta, alternando recitativos e árias, sem o aparato cênico dos grandes teatros.
( ) Teve na Escola Napolitana e em Alessandro Scarlatti seus vetores de padronização, consolidando a estrutura da Ária Da Capo (A-B-A) e a distinção funcional entre o recitativo secco e o accompagnato.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA.
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TEXTO PARA A QUESTÃO 57
"Neste capítulo, destacam-se: fermatas, acentos, staccatos, ritardandos e accelerandos. As fermatas classificam-se em três categorias: em notas [...]; em pausas [...]; e em barras de compasso [...]. Ressalta-se que a execução de cada exercício deve ser precisa e sem hesitações antes da progressão para o seguinte, visando, primordialmente, à automatização dos movimentos."
RINALDI, Arthur et al. O Regente sem orquestra. São Paulo: Algol Editora, 2008. p. 89.
Na prática da regência sinfônica, a interpretação correta das fermatas é crucial para a clareza da comunicação com o grupo. O regente deve dominar a mecânica gestual de suspensão, corte e retomada, distinguindo as nuances exigidas quando o sinal recai sobre uma nota, uma pausa ou uma barra de compasso.
Com base nas definições técnicas de Rinaldi (2008), associe os tipos de fermata da Coluna I aos respectivos procedimentos gestuais descritos na Coluna II e assinale a alternativa CORRETA.
Coluna I (Tipo de Fermata)
1. Fermatas em notas.
2. Fermatas em pausas.
3. Fermatas em barras de compasso.
Coluna II (Procedimento Gestual)
( ) Exige gesto preparatório de corte para interromper o som, seguido pela sustentação do silêncio (suspensão do diagrama no tempo da fermata); a retomada ocorre mediante novo gesto de antecipação.
( ) Localizadas após o tempo final, demandam corte antecipado deste tempo, manutenção do silêncio via suspensão do gesto e retomada no compasso seguinte, rebatendo o último tempo anterior.
( ) Consiste na suspensão do gesto sobre o tempo da fermata, conforme o diagrama; cabe ao regente analisar se executa antecipação para corte seguido de retomada ou apenas antecipação (caso não haja interrupção do som).
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TEXTO PARA A QUESTÃO 56
Marcelo Brazil (2017), ao discutir a criação de arranjos e a adaptação de repertório para o ensino coletivo de violão, aborda a relação entre a escrita musical e a ergonomia do instrumento. Segundo o autor, a escolha da tonalidade deve considerar não apenas a sonoridade, mas também as implicações físicas para a mão esquerda do aluno iniciante.
BRAZIL, M. A criação de exercícios e repertório para aulas coletivas de violão. In: DANTAS, T.; SANTIAGO, D. (Org.). Ensino coletivo de instrumentos musicais: contribuições da pesquisa científica. Salvador: EDUFBA, 2017. p. 73.
Com base nessa premissa, assinale a alternativa que reflete CORRETAMENTE a diretriz metodológica proposta pelo autor:
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Em A Afinação do Mundo, Murray Schafer discute a transformação da percepção auditiva na modernidade, contrastando a clareza da definição espacial com a saturação sonora contemporânea. Leia o trecho a seguir:
"Notamos muitas vezes como a audição focalizada, com sua implicação de distância a separar o ouvinte do evento sonoro, está se desintegrando ante as paredes sonoras do mundo moderno. A moderna paisagem sonora lo-fi não possui perspectiva; em vez disso, os sons massageiam o ouvinte com sua presença contínua. À medida que a população de sons aumenta, os gestos solistas são substituídos por texturas agregadas."
SCHAFER, R. M. A afinação do mundo. São Paulo: UNESP, 2001, p. 222.
Com base na leitura da obra e nos conceitos de perspectiva, figura/fundo e morfologia sonora, classifique as afirmações abaixo como Verdadeiras (V) ou Falsas (F):
( ) Ao contrário do que ocorre na pintura renascentista, a técnica de mixagem conhecida como "plano de três palcos" (comum na radiodramaturgia e na música orquestral) busca eliminar a sensação de profundidade e perspectiva, aproximando-se da noção de "espaço acústico esférico" dos esquimós.
( ) A definição de um som como "figura" (sinal) ou "fundo" (tônica) não é uma propriedade física imutável do evento sonoro, dependendo, em grande parte, do condicionamento cultural, do hábito e do foco de interesse do ouvinte no momento da escuta.
( ) O conceito de "textura" refere-se a grandes aglomerados sonoros (como o tráfego intenso ou multidões) onde os eventos individuais perdem a identidade; nesse contexto, a perspectiva clara e o isolamento dos sons dão lugar a uma massa contínua, típica das paisagens lo-fi.
( ) Para a análise de massas sonoras complexas (texturas), Schafer sugere a manutenção da lógica linear da música clássica, onde a compreensão do todo depende obrigatoriamente da identificação precisa e isolada de cada gesto sonoro individual que compõe a massa.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
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TEXTO PARA A QUESTÃO 52
Em Harmonia Funcional, Carlos Almada (2012, p. 93-95) explica que as inflexões foram, historicamente, as primeiras sonoridades conflitantes a serem aceitas no discurso musical, funcionando como elementos que conferem dinamismo através da alternância entre tensão e repouso. A classificação dessas notas não estruturais exige a análise de três pilares: a métrica, a preparação e a resolução.
ALMADA, Carlos. Harmonia Funcional. 2. ed. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2012. p. 93-95.
Com base na sistematização proposta pelo autor, correlacione as categorias de inflexão da Coluna I com suas descrições específicas na Coluna II:
Coluna I
(1) Apogiatura

Autor: MED (2012)
(2) Bordadura

Autor: MED (2012)
(3) Escapada

Autor: MED (2012)
(4) Suspensão

Autor: MED (2012)
Coluna II
( ) Caracteriza-se pelo movimento de "ida e volta": a nota parte de um grau estrutural por grau conjunto e retorna para a mesma nota de origem. Ocorre predominantemente em tempos fracos.
( ) É a única inflexão que ocorre invariavelmente em posição métrica forte em relação à sua resolução. Destaca-se por dispensar a preparação, surgindo frequentemente após um salto ("ataque de surpresa").
( ) Sua preparação difere das demais por envolver uma ligadura de extensão (ou repetição), onde uma nota estrutural do acorde anterior se prolonga, transformando-se em dissonância no novo acorde antes de resolver.
( ) Descrita pelo autor como um "maneirismo estilístico" comum no Classicismo, esta inflexão ocorre em tempo fraco; ela é preparada por grau conjunto, mas "foge" da resolução imediata através de um salto.
A sequência CORRETA, de cima para baixo, é:
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TEXTO PARA A QUESTÃO 51
Segundo Bohumil Med, os modos litúrgicos (eclesiásticos ou gregorianos) são fundamentais para compreender a evolução da música ocidental. Diferentemente do sistema tonal moderno, cada modo possui uma sonoridade única derivada da disposição de seus tons e semitons. Na teoria contemporânea, a identificação desses modos ocorre pela comparação com as escalas maiores e menores, observando-se a "nota diferencial" que gera a identidade sonora de cada um.
MED, B. Teoria da música. 4. ed. rev. e ampl. Brasília, DF: Musimed, 1996. p. 166-168.
Relacione os modos listados na Coluna I às suas respectivas características estruturais e notas diferenciais descritas na Coluna II, considerando a comparação com as escalas diatônicas do sistema tonal.
Coluna I (Modos)
(1) Modo Dórico
(2) Modo Frígio
(3) Modo Lídio
(4) Modo Mixolídio
Coluna II
( ) Modo maior cuja estrutura se diferencia da escala maior natural pela elevação do IV grau, criando um intervalo de quarta aumentada.
( ) Modo menor que se distingue da escala menor antiga (primitiva) pela presença da sexta maior, sua nota característica.
( ) Modo de caráter maior, idêntico à escala fundamental, exceto pelo VII grau, que forma um intervalo de sétima menor com a tônica.
( ) Modo menor caracterizado imediatamente pelo intervalo de segunda menor (semitom) entre o I e o II graus.
Assinale a alternativa que traz a relação CORRETA.
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Considerando um cenário de desenvolvimento de um protótipo que utilize vibração, luz e elementos gráficos, baseando-se em ferramentas, como Pure Data (PD), MobMuPlat e Frescobaldi, para alunos de música com deficiência auditiva, analise as afirmações abaixo.
REIS, T. A. E. G. Instrumentos musicais digitais e dispositivos para ampliação da prática musical de pessoas surdas: desenvolvimento de protótipos para criação e performance. Dissertação - Escola de Música, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2024.
I. O software Pure Data (PD) é um ambiente de programação gráfica que permite a síntese e processamento de áudio em tempo real. Sua arquitetura permite a programação da “lógica sonora” que é capaz de gerar frequências específicas bem como integrar bibliotecas gráficas para gerar imagens que reagem a sons.
II. O MobMuPlat (Mobile Music Platform) é a aplicação que viabiliza a portabilidade do protótipo, permitindo que a interface e o processamento de áudio criados sejam executados em dispositivos móveis. Pedagogicamente, isso facilita a inclusão ao permitir o aluno segurar o dispositivo e sentir sua vibração e interagir com a interface gráfica.
III. O Frescobaldi (Lilypond), por ser um software livre de edição musical, atua como motor central de síntese sonora deste protótipo. É através dele que o professor programa a geração de ondas em tempo real sendo responsável pelas luzes na tela do dispositivo móvel sincronizadas com a vibração.
As afirmações CORRETAS são:
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