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TEXTO PARA A QUESTÃO 03

Piauí registra segundo tremor de terra em 48 horas; geógrafo explica fenômeno

Os dados foram captados pela estação NBPS do Laboratório Sismológico da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (LabSis-UFRN), instalada em Pedro II.

O estado do Piauí contabilizou o segundo tremor de terra em um intervalo de 48 horas. O registro mais recente ocorreu na noite de terça-feira (3), no município de Bocaina, com magnitude de 2,1. O primeiro abalo foi detectado em Castelo do Piauí, no domingo (1º), com intensidade de 1,5 na escala sismológica.

Os dados foram captados pela estação NBPS do Laboratório Sismológico da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (LabSis-UFRN), instalada em Pedro II. Segundo o geógrafo Rafael Marques, os casos são considerados de baixa intensidade e não resultaram em danos materiais.

O especialista afirma que os tremores podem ser causados por fatores de acomodação de terreno, devido à presença de falhas geológicas na região e ao planejamento estrutural das bacias do riacho Riachão e do Rio Guaribas.

Marques observa que a região é suscetível a esses pequenos tremores, que se diferenciam de terremotos por não comprometerem a saúde pública ou a estrutura das comunidades. De acordo com técnicos, abalos nessa magnitude geralmente passam despercebidos pela população e não oferecem riscos às edificações.

O diretor de Prevenção e Mitigação da Defesa Civil do Piauí, VVerton Costa, explica que esses movimentos são microajustes nas placas tectônicas, processos naturais e comuns no subsolo terrestre.

O climatologista ressalta que a instalação de sistemas de monitoramento em solo piauiense agora permite detectar ocorrências que antes passavam despercebidas. A Defesa Civil informou que monitora a área continuamente em parceria como LabSis-UFRN e reforça que não há qualquer risco para os moradores da região.

Disponível em: https://portalclubenews.com/2026/02/04/piaui-registra-segundo-tremor-de-terra-em-48-horas-geografo-explica-fenomeno/ Acesso em: 04 fev 2026.

Com base na leitura e na análise dos recursos linguísticos do texto, que pertence à esfera jornalística, julgue as proposições, assinalando, em seguida, a alternativa correta:

I. A palavra “que”, nas duas ocorrências em destaque no texto, classificam-se como pronome relativo e, além de ligar as ideias de forma mais eficiente, evita repetições desnecessárias.

II. No trecho “Piauí registra segundo tremor de terra em 48 horas”, o verbo está flexionado no presente do indicativo, algo comum em manchetes de notícias. O emprego desse tempo e modo proporciona títulos impactantes que conferem atualidade imediata ao fato, simulando que o evento está acontecendo no exato momento da leitura.

III. A locução conjuntiva “De acordo com” (l.26- 27) pode ser substituída por outra de valor conformativo, sem prejuízo de sentido.

IV. Em “devido à” (l.20) e “riscos às” (l.29), o acento grave, indicativo de crase, foi utilizado pela mesma regra fundamental, pois ambos são casos de preposição "a" + artigo definido feminino exigido pelo substantivo que o sucede.

 

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TEXTO PARA A QUESTÃO 02

A Ética no Cuidado Docente

"A prática educativa não se restringe a transmissão de conteúdos; ela exige uma postura de zelo constante. Durante o último semestre, o corpo pedagógico assistiu os estudantes com dificuldades de aprendizagem, oferecendo reforço no contraturno. Sabemos que tal medida implicará melhorias significativas nos índices de aprovação. Afinal, todo educador comprometido aspira a uma escola mais inclusiva e igualitária."

ALMEIDA, R. T. Gestão e Humanização no Ensino Técnico. Curitiba: Editora Acadêmica, 2024. Texto adaptado

A regência verbal estuda a relação de dependência entre o verbo e seus complementos. Considerando a norma-padrão da língua portuguesa e os sentidos expressos no texto "A Ética no cuidado docente", analise as proposições abaixo:

I. No trecho "...o corpo pedagógico assistiu os estudantes...", o verbo "assistir" é transitivo direto, pois foi empregado no sentido de "prestar socorro" ou "ajudar", dispensando o uso de preposição.

II. Em "...tal medida implicará melhorias...", o verbo "implicar" tem sentido de "acarretar" ou "ter como consequência". Segundo a gramática normativa, esse verbo é transitivo direto, o que torna incorreta a inserção da preposição "em" (implicará em melhorias).

III. Na oração "...todo educador comprometido aspira a uma escola...", o verbo "aspirar" é transitivo indireto, pois denota "desejar" ou "almejar", exigindo a preposição "a".

Está(ão) CORRETA(s) a(s) proposição(ões):

 

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TEXTO PARA A QUESTÃO 01

Tangerinos (fragmento)

Pois não é que a boiada arrancou! Nada de bonito como eu pensava. Chega fiquei me tremendo de medo! Com o coração em tempo de saltar pela boca. O gado vinha dividido não sei em quantas malocas. Mas pareceu que era assim como se uma combina. Que eles vinham de língua passada. A maloca da frente arrancou. As demais arrancaram também a um só tempo. Meteram os peitos na lagoa, que foi uma coisa doida! Parecia que a terra ia virando pelo avesso e a água toda se derramando nos ares. Atravessaram a lagoa e se atufaram na caatinga, lá no outro lado. Nunca vi zoada tão grande! Uma quebradeira de paus, um trovão estremecendo a terra! Tive mesmo a impressão que o mundo ia se acabar daquela vez.

IBIAPINA, Fontes. Trinta e dois e tangerinos. Teresina: Corisco, 2002.

Os recursos linguísticos mobilizados no fragmento de Tangerinos, de Fontes Ibiapina, evidenciam uma linguagem predominantemente caracterizada por:

 

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O machismo das ausências  


Com alguma frequência, respondo a entrevistas. Ou tento, quando o volume de trabalho me permite.

Fico feliz quando me procuram para falar de literatura, afinal, é meu trabalho, mas noto a repetição de

uma mesma pergunta: "você já sofreu machismo no meio literário?"

Como se não bastasse o machismo galopante que transborda do mundo e a que estão sujeitas todas

as mulheres, inclusive as escritoras, a pergunta vem com a expectativa de uma resposta contundente,

com exemplos que escandalizem, com depoimentos tocantes. É onde costumo decepcionar.

Veja bem, é fácil responder de forma a satisfazer a pessoa jornalista ou o público a quem é destinada

a matéria. Mas, considerando que o meio literário não é uma realidade à parte e que o machismo

raramente começa e termina num só lugar, responder fica difícil. Difícil porque a resposta mais

completa é aquela que a pergunta não contempla. Mas é especialmente difícil porque a resposta está

nas perguntas que não nos fazem. Nos exemplos que não existem. Nos "nãos" que nem chegam a ser

ditos porque nem precisa.

O problema do preconceito de gênero é que dificilmente ele é explícito; ele está mais presente nas

coisas que não vemos. Isso também na literatura: nos convites para eventos que deixamos de

receber. Quando uma autora é deixada de lado para darem destaque a um escritor. Nas faltas de

indicação a prêmios. No esquecimento.

Apesar da relevância do trabalho das escritoras, ainda é difícil vê-las podendo falar de seu trabalho

nas mesmas condições que um autor pode falar. Nas mesas de debates compostas só por homens,

por exemplo, eles podem transcender todas essas questões e falar de seus trabalhos, de seus

personagens, de literatura. Se convidada, a escritora provavelmente acabará tendo que falar sobre

suas dificuldades, sobre o preconceito, sobre ser mulher e escrever.

Ser homem é não ter gênero, é pairar acima dele; enquanto uma mulher, não importa que seja

escritora, cientista ou jardineira, será primeiramente e acima de tudo uma mulher.

A ausência está nas perguntas que não nos fazem, aquelas que são esquecidas enquanto vêm as

questões sobre as nossas maiores dificuldades de escrever sendo mulher, o único assunto que nos

cabe.

Mas as histórias que escrevemos não importam? Nosso trabalho, por si só, não interessa? Não

podemos falar sobre literatura, pura e simplesmente? Essa é uma barreira difícil de romper.

Esse é só mais um indício de como o machismo dentro da literatura se manifesta bem antes de chegar

no mercado editorial; e, como dito, é um machismo que se manifesta de forma sutil, empurrando as

autoras para as margens. É o machismo de tornar as mulheres invisíveis. É o machismo da ausência

de oportunidades. E isso vem desde muito cedo, desde quando as jovens mulheres, ainda mais

quando são pobres, especialmente quando são negras, são desmotivadas a escrever; quando

escrevem, têm dificuldade de ser publicadas; quando são publicadas, não recebem tanta projeção.

Dessa forma, mesmo que rompamos uma série de barreiras para poder chegar a ser escritoras,

mesmo quando conseguimos, ainda seremos barradas em algum momento. E nem poderemos usar

isso como um exemplo contundente de machismo, afinal, não aconteceu. Nada existiu.

Esse “não estar” é mais cruel do que alguém fazendo um comentário machista na minha cara, porque

é mais difícil apontar para essa ausência de oportunidades do que para um preconceito explícito.

Não é um caso isolado de machismo dentro do meio literário que cria barreiras para as escritoras. É

todo um sistema, presente no mundo no qual estamos imersas, que garante que fiquemos à margem.

São essas ausências que garantem que o escritor a quem se refere o Dia do Escritor, comemorado no

dia 25 de julho, seja homem (como 72% dos autores brasileiros publicados) e branco (como 93,9%

dos que escrevem literatura no Brasil). Então é sobretudo nas ausências que precisamos prestar

atenção.

VALEK, Aline.

Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/cultura/o-machismo-das-ausencias/.

Acesso em: 26/01/2026 (adaptado).

A pontuação muitas vezes é empregada para além das regras gramaticais, de forma expressiva, com o objetivo de atender à determinada intenção do autor. No texto, o trecho que faz uso de pontuação expressiva, construindo um sentido de ênfase, é:
 

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O machismo das ausências  


Com alguma frequência, respondo a entrevistas. Ou tento, quando o volume de trabalho me permite.

Fico feliz quando me procuram para falar de literatura, afinal, é meu trabalho, mas noto a repetição de

uma mesma pergunta: "você já sofreu machismo no meio literário?"

Como se não bastasse o machismo galopante que transborda do mundo e a que estão sujeitas todas

as mulheres, inclusive as escritoras, a pergunta vem com a expectativa de uma resposta contundente,

com exemplos que escandalizem, com depoimentos tocantes. É onde costumo decepcionar.

Veja bem, é fácil responder de forma a satisfazer a pessoa jornalista ou o público a quem é destinada

a matéria. Mas, considerando que o meio literário não é uma realidade à parte e que o machismo

raramente começa e termina num só lugar, responder fica difícil. Difícil porque a resposta mais

completa é aquela que a pergunta não contempla. Mas é especialmente difícil porque a resposta está

nas perguntas que não nos fazem. Nos exemplos que não existem. Nos "nãos" que nem chegam a ser

ditos porque nem precisa.

O problema do preconceito de gênero é que dificilmente ele é explícito; ele está mais presente nas

coisas que não vemos. Isso também na literatura: nos convites para eventos que deixamos de

receber. Quando uma autora é deixada de lado para darem destaque a um escritor. Nas faltas de

indicação a prêmios. No esquecimento.

Apesar da relevância do trabalho das escritoras, ainda é difícil vê-las podendo falar de seu trabalho

nas mesmas condições que um autor pode falar. Nas mesas de debates compostas só por homens,

por exemplo, eles podem transcender todas essas questões e falar de seus trabalhos, de seus

personagens, de literatura. Se convidada, a escritora provavelmente acabará tendo que falar sobre

suas dificuldades, sobre o preconceito, sobre ser mulher e escrever.

Ser homem é não ter gênero, é pairar acima dele; enquanto uma mulher, não importa que seja

escritora, cientista ou jardineira, será primeiramente e acima de tudo uma mulher.

A ausência está nas perguntas que não nos fazem, aquelas que são esquecidas enquanto vêm as

questões sobre as nossas maiores dificuldades de escrever sendo mulher, o único assunto que nos

cabe.

Mas as histórias que escrevemos não importam? Nosso trabalho, por si só, não interessa? Não

podemos falar sobre literatura, pura e simplesmente? Essa é uma barreira difícil de romper.

Esse é só mais um indício de como o machismo dentro da literatura se manifesta bem antes de chegar

no mercado editorial; e, como dito, é um machismo que se manifesta de forma sutil, empurrando as

autoras para as margens. É o machismo de tornar as mulheres invisíveis. É o machismo da ausência

de oportunidades. E isso vem desde muito cedo, desde quando as jovens mulheres, ainda mais

quando são pobres, especialmente quando são negras, são desmotivadas a escrever; quando

escrevem, têm dificuldade de ser publicadas; quando são publicadas, não recebem tanta projeção.

Dessa forma, mesmo que rompamos uma série de barreiras para poder chegar a ser escritoras,

mesmo quando conseguimos, ainda seremos barradas em algum momento. E nem poderemos usar

isso como um exemplo contundente de machismo, afinal, não aconteceu. Nada existiu.

Esse “não estar” é mais cruel do que alguém fazendo um comentário machista na minha cara, porque

é mais difícil apontar para essa ausência de oportunidades do que para um preconceito explícito.

Não é um caso isolado de machismo dentro do meio literário que cria barreiras para as escritoras. É

todo um sistema, presente no mundo no qual estamos imersas, que garante que fiquemos à margem.

São essas ausências que garantem que o escritor a quem se refere o Dia do Escritor, comemorado no

dia 25 de julho, seja homem (como 72% dos autores brasileiros publicados) e branco (como 93,9%

dos que escrevem literatura no Brasil). Então é sobretudo nas ausências que precisamos prestar

atenção.

VALEK, Aline.

Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/cultura/o-machismo-das-ausencias/.

Acesso em: 26/01/2026 (adaptado).

O período que, reescrito, apresenta o mesmo sentido de “é um machismo que se manifesta de forma sutil, empurrando as autoras para as margens” (l. 30-31) é:
 

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Com alguma frequência, respondo a entrevistas. Ou tento, quando o volume de trabalho me permite.

Fico feliz quando me procuram para falar de literatura, afinal, é meu trabalho, mas noto a repetição de

uma mesma pergunta: "você já sofreu machismo no meio literário?"

Como se não bastasse o machismo galopante que transborda do mundo e a que estão sujeitas todas

as mulheres, inclusive as escritoras, a pergunta vem com a expectativa de uma resposta contundente,

com exemplos que escandalizem, com depoimentos tocantes. É onde costumo decepcionar.

Veja bem, é fácil responder de forma a satisfazer a pessoa jornalista ou o público a quem é destinada

a matéria. Mas, considerando que o meio literário não é uma realidade à parte e que o machismo

raramente começa e termina num só lugar, responder fica difícil. Difícil porque a resposta mais

completa é aquela que a pergunta não contempla. Mas é especialmente difícil porque a resposta está

nas perguntas que não nos fazem. Nos exemplos que não existem. Nos "nãos" que nem chegam a ser

ditos porque nem precisa.

O problema do preconceito de gênero é que dificilmente ele é explícito; ele está mais presente nas

coisas que não vemos. Isso também na literatura: nos convites para eventos que deixamos de

receber. Quando uma autora é deixada de lado para darem destaque a um escritor. Nas faltas de

indicação a prêmios. No esquecimento.

Apesar da relevância do trabalho das escritoras, ainda é difícil vê-las podendo falar de seu trabalho

nas mesmas condições que um autor pode falar. Nas mesas de debates compostas só por homens,

por exemplo, eles podem transcender todas essas questões e falar de seus trabalhos, de seus

personagens, de literatura. Se convidada, a escritora provavelmente acabará tendo que falar sobre

suas dificuldades, sobre o preconceito, sobre ser mulher e escrever.

Ser homem é não ter gênero, é pairar acima dele; enquanto uma mulher, não importa que seja

escritora, cientista ou jardineira, será primeiramente e acima de tudo uma mulher.

A ausência está nas perguntas que não nos fazem, aquelas que são esquecidas enquanto vêm as

questões sobre as nossas maiores dificuldades de escrever sendo mulher, o único assunto que nos

cabe.

Mas as histórias que escrevemos não importam? Nosso trabalho, por si só, não interessa? Não

podemos falar sobre literatura, pura e simplesmente? Essa é uma barreira difícil de romper.

Esse é só mais um indício de como o machismo dentro da literatura se manifesta bem antes de chegar

no mercado editorial; e, como dito, é um machismo que se manifesta de forma sutil, empurrando as

autoras para as margens. É o machismo de tornar as mulheres invisíveis. É o machismo da ausência

de oportunidades. E isso vem desde muito cedo, desde quando as jovens mulheres, ainda mais

quando são pobres, especialmente quando são negras, são desmotivadas a escrever; quando

escrevem, têm dificuldade de ser publicadas; quando são publicadas, não recebem tanta projeção.

Dessa forma, mesmo que rompamos uma série de barreiras para poder chegar a ser escritoras,

mesmo quando conseguimos, ainda seremos barradas em algum momento. E nem poderemos usar

isso como um exemplo contundente de machismo, afinal, não aconteceu. Nada existiu.

Esse “não estar” é mais cruel do que alguém fazendo um comentário machista na minha cara, porque

é mais difícil apontar para essa ausência de oportunidades do que para um preconceito explícito.

Não é um caso isolado de machismo dentro do meio literário que cria barreiras para as escritoras. É

todo um sistema, presente no mundo no qual estamos imersas, que garante que fiquemos à margem.

São essas ausências que garantem que o escritor a quem se refere o Dia do Escritor, comemorado no

dia 25 de julho, seja homem (como 72% dos autores brasileiros publicados) e branco (como 93,9%

dos que escrevem literatura no Brasil). Então é sobretudo nas ausências que precisamos prestar

atenção.

VALEK, Aline.

Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/cultura/o-machismo-das-ausencias/.

Acesso em: 26/01/2026 (adaptado).

Em “Dessa forma, mesmo que rompamos uma série de barreiras para poder chegar a ser escritoras, mesmo quando conseguimos, ainda seremos barradas em algum momento” (l. 35-36), a conjunção que pode substituir a locução conjuntiva em destaque, sem alteração do sentido do trecho, é:
 

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Com alguma frequência, respondo a entrevistas. Ou tento, quando o volume de trabalho me permite.

Fico feliz quando me procuram para falar de literatura, afinal, é meu trabalho, mas noto a repetição de

uma mesma pergunta: "você já sofreu machismo no meio literário?"

Como se não bastasse o machismo galopante que transborda do mundo e a que estão sujeitas todas

as mulheres, inclusive as escritoras, a pergunta vem com a expectativa de uma resposta contundente,

com exemplos que escandalizem, com depoimentos tocantes. É onde costumo decepcionar.

Veja bem, é fácil responder de forma a satisfazer a pessoa jornalista ou o público a quem é destinada

a matéria. Mas, considerando que o meio literário não é uma realidade à parte e que o machismo

raramente começa e termina num só lugar, responder fica difícil. Difícil porque a resposta mais

completa é aquela que a pergunta não contempla. Mas é especialmente difícil porque a resposta está

nas perguntas que não nos fazem. Nos exemplos que não existem. Nos "nãos" que nem chegam a ser

ditos porque nem precisa.

O problema do preconceito de gênero é que dificilmente ele é explícito; ele está mais presente nas

coisas que não vemos. Isso também na literatura: nos convites para eventos que deixamos de

receber. Quando uma autora é deixada de lado para darem destaque a um escritor. Nas faltas de

indicação a prêmios. No esquecimento.

Apesar da relevância do trabalho das escritoras, ainda é difícil vê-las podendo falar de seu trabalho

nas mesmas condições que um autor pode falar. Nas mesas de debates compostas só por homens,

por exemplo, eles podem transcender todas essas questões e falar de seus trabalhos, de seus

personagens, de literatura. Se convidada, a escritora provavelmente acabará tendo que falar sobre

suas dificuldades, sobre o preconceito, sobre ser mulher e escrever.

Ser homem é não ter gênero, é pairar acima dele; enquanto uma mulher, não importa que seja

escritora, cientista ou jardineira, será primeiramente e acima de tudo uma mulher.

A ausência está nas perguntas que não nos fazem, aquelas que são esquecidas enquanto vêm as

questões sobre as nossas maiores dificuldades de escrever sendo mulher, o único assunto que nos

cabe.

Mas as histórias que escrevemos não importam? Nosso trabalho, por si só, não interessa? Não

podemos falar sobre literatura, pura e simplesmente? Essa é uma barreira difícil de romper.

Esse é só mais um indício de como o machismo dentro da literatura se manifesta bem antes de chegar

no mercado editorial; e, como dito, é um machismo que se manifesta de forma sutil, empurrando as

autoras para as margens. É o machismo de tornar as mulheres invisíveis. É o machismo da ausência

de oportunidades. E isso vem desde muito cedo, desde quando as jovens mulheres, ainda mais

quando são pobres, especialmente quando são negras, são desmotivadas a escrever; quando

escrevem, têm dificuldade de ser publicadas; quando são publicadas, não recebem tanta projeção.

Dessa forma, mesmo que rompamos uma série de barreiras para poder chegar a ser escritoras,

mesmo quando conseguimos, ainda seremos barradas em algum momento. E nem poderemos usar

isso como um exemplo contundente de machismo, afinal, não aconteceu. Nada existiu.

Esse “não estar” é mais cruel do que alguém fazendo um comentário machista na minha cara, porque

é mais difícil apontar para essa ausência de oportunidades do que para um preconceito explícito.

Não é um caso isolado de machismo dentro do meio literário que cria barreiras para as escritoras. É

todo um sistema, presente no mundo no qual estamos imersas, que garante que fiquemos à margem.

São essas ausências que garantem que o escritor a quem se refere o Dia do Escritor, comemorado no

dia 25 de julho, seja homem (como 72% dos autores brasileiros publicados) e branco (como 93,9%

dos que escrevem literatura no Brasil). Então é sobretudo nas ausências que precisamos prestar

atenção.

VALEK, Aline.

Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/cultura/o-machismo-das-ausencias/.

Acesso em: 26/01/2026 (adaptado).

De forma geral, as informações são organizadas nos textos com o objetivo de promover a continuidade do tema de forma coesa e coerente. No texto em análise, o décimo parágrafo (l. 35-37) desenvolve, em relação ao parágrafo anterior (l. 29-34), uma ideia de:
 

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Com alguma frequência, respondo a entrevistas. Ou tento, quando o volume de trabalho me permite.

Fico feliz quando me procuram para falar de literatura, afinal, é meu trabalho, mas noto a repetição de

uma mesma pergunta: "você já sofreu machismo no meio literário?"

Como se não bastasse o machismo galopante que transborda do mundo e a que estão sujeitas todas

as mulheres, inclusive as escritoras, a pergunta vem com a expectativa de uma resposta contundente,

com exemplos que escandalizem, com depoimentos tocantes. É onde costumo decepcionar.

Veja bem, é fácil responder de forma a satisfazer a pessoa jornalista ou o público a quem é destinada

a matéria. Mas, considerando que o meio literário não é uma realidade à parte e que o machismo

raramente começa e termina num só lugar, responder fica difícil. Difícil porque a resposta mais

completa é aquela que a pergunta não contempla. Mas é especialmente difícil porque a resposta está

nas perguntas que não nos fazem. Nos exemplos que não existem. Nos "nãos" que nem chegam a ser

ditos porque nem precisa.

O problema do preconceito de gênero é que dificilmente ele é explícito; ele está mais presente nas

coisas que não vemos. Isso também na literatura: nos convites para eventos que deixamos de

receber. Quando uma autora é deixada de lado para darem destaque a um escritor. Nas faltas de

indicação a prêmios. No esquecimento.

Apesar da relevância do trabalho das escritoras, ainda é difícil vê-las podendo falar de seu trabalho

nas mesmas condições que um autor pode falar. Nas mesas de debates compostas só por homens,

por exemplo, eles podem transcender todas essas questões e falar de seus trabalhos, de seus

personagens, de literatura. Se convidada, a escritora provavelmente acabará tendo que falar sobre

suas dificuldades, sobre o preconceito, sobre ser mulher e escrever.

Ser homem é não ter gênero, é pairar acima dele; enquanto uma mulher, não importa que seja

escritora, cientista ou jardineira, será primeiramente e acima de tudo uma mulher.

A ausência está nas perguntas que não nos fazem, aquelas que são esquecidas enquanto vêm as

questões sobre as nossas maiores dificuldades de escrever sendo mulher, o único assunto que nos

cabe.

Mas as histórias que escrevemos não importam? Nosso trabalho, por si só, não interessa? Não

podemos falar sobre literatura, pura e simplesmente? Essa é uma barreira difícil de romper.

Esse é só mais um indício de como o machismo dentro da literatura se manifesta bem antes de chegar

no mercado editorial; e, como dito, é um machismo que se manifesta de forma sutil, empurrando as

autoras para as margens. É o machismo de tornar as mulheres invisíveis. É o machismo da ausência

de oportunidades. E isso vem desde muito cedo, desde quando as jovens mulheres, ainda mais

quando são pobres, especialmente quando são negras, são desmotivadas a escrever; quando

escrevem, têm dificuldade de ser publicadas; quando são publicadas, não recebem tanta projeção.

Dessa forma, mesmo que rompamos uma série de barreiras para poder chegar a ser escritoras,

mesmo quando conseguimos, ainda seremos barradas em algum momento. E nem poderemos usar

isso como um exemplo contundente de machismo, afinal, não aconteceu. Nada existiu.

Esse “não estar” é mais cruel do que alguém fazendo um comentário machista na minha cara, porque

é mais difícil apontar para essa ausência de oportunidades do que para um preconceito explícito.

Não é um caso isolado de machismo dentro do meio literário que cria barreiras para as escritoras. É

todo um sistema, presente no mundo no qual estamos imersas, que garante que fiquemos à margem.

São essas ausências que garantem que o escritor a quem se refere o Dia do Escritor, comemorado no

dia 25 de julho, seja homem (como 72% dos autores brasileiros publicados) e branco (como 93,9%

dos que escrevem literatura no Brasil). Então é sobretudo nas ausências que precisamos prestar

atenção.

VALEK, Aline.

Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/cultura/o-machismo-das-ausencias/.

Acesso em: 26/01/2026 (adaptado).

Ambiguidade é o fenômeno que permite interpretações distintas e plausíveis de uma mesma frase, palavra, expressão. Entre as frases a seguir, aquela que não apresenta ambiguidades, construindo uma única possibilidade de interpretação, é:
 

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O machismo das ausências  


Com alguma frequência, respondo a entrevistas. Ou tento, quando o volume de trabalho me permite.

Fico feliz quando me procuram para falar de literatura, afinal, é meu trabalho, mas noto a repetição de

uma mesma pergunta: "você já sofreu machismo no meio literário?"

Como se não bastasse o machismo galopante que transborda do mundo e a que estão sujeitas todas

as mulheres, inclusive as escritoras, a pergunta vem com a expectativa de uma resposta contundente,

com exemplos que escandalizem, com depoimentos tocantes. É onde costumo decepcionar.

Veja bem, é fácil responder de forma a satisfazer a pessoa jornalista ou o público a quem é destinada

a matéria. Mas, considerando que o meio literário não é uma realidade à parte e que o machismo

raramente começa e termina num só lugar, responder fica difícil. Difícil porque a resposta mais

completa é aquela que a pergunta não contempla. Mas é especialmente difícil porque a resposta está

nas perguntas que não nos fazem. Nos exemplos que não existem. Nos "nãos" que nem chegam a ser

ditos porque nem precisa.

O problema do preconceito de gênero é que dificilmente ele é explícito; ele está mais presente nas

coisas que não vemos. Isso também na literatura: nos convites para eventos que deixamos de

receber. Quando uma autora é deixada de lado para darem destaque a um escritor. Nas faltas de

indicação a prêmios. No esquecimento.

Apesar da relevância do trabalho das escritoras, ainda é difícil vê-las podendo falar de seu trabalho

nas mesmas condições que um autor pode falar. Nas mesas de debates compostas só por homens,

por exemplo, eles podem transcender todas essas questões e falar de seus trabalhos, de seus

personagens, de literatura. Se convidada, a escritora provavelmente acabará tendo que falar sobre

suas dificuldades, sobre o preconceito, sobre ser mulher e escrever.

Ser homem é não ter gênero, é pairar acima dele; enquanto uma mulher, não importa que seja

escritora, cientista ou jardineira, será primeiramente e acima de tudo uma mulher.

A ausência está nas perguntas que não nos fazem, aquelas que são esquecidas enquanto vêm as

questões sobre as nossas maiores dificuldades de escrever sendo mulher, o único assunto que nos

cabe.

Mas as histórias que escrevemos não importam? Nosso trabalho, por si só, não interessa? Não

podemos falar sobre literatura, pura e simplesmente? Essa é uma barreira difícil de romper.

Esse é só mais um indício de como o machismo dentro da literatura se manifesta bem antes de chegar

no mercado editorial; e, como dito, é um machismo que se manifesta de forma sutil, empurrando as

autoras para as margens. É o machismo de tornar as mulheres invisíveis. É o machismo da ausência

de oportunidades. E isso vem desde muito cedo, desde quando as jovens mulheres, ainda mais

quando são pobres, especialmente quando são negras, são desmotivadas a escrever; quando

escrevem, têm dificuldade de ser publicadas; quando são publicadas, não recebem tanta projeção.

Dessa forma, mesmo que rompamos uma série de barreiras para poder chegar a ser escritoras,

mesmo quando conseguimos, ainda seremos barradas em algum momento. E nem poderemos usar

isso como um exemplo contundente de machismo, afinal, não aconteceu. Nada existiu.

Esse “não estar” é mais cruel do que alguém fazendo um comentário machista na minha cara, porque

é mais difícil apontar para essa ausência de oportunidades do que para um preconceito explícito.

Não é um caso isolado de machismo dentro do meio literário que cria barreiras para as escritoras. É

todo um sistema, presente no mundo no qual estamos imersas, que garante que fiquemos à margem.

São essas ausências que garantem que o escritor a quem se refere o Dia do Escritor, comemorado no

dia 25 de julho, seja homem (como 72% dos autores brasileiros publicados) e branco (como 93,9%

dos que escrevem literatura no Brasil). Então é sobretudo nas ausências que precisamos prestar

atenção.

VALEK, Aline.

Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/cultura/o-machismo-das-ausencias/.

Acesso em: 26/01/2026 (adaptado).

As figuras de linguagem são recursos empregados para dar mais expressividade às ideias no texto; entre elas, a metáfora. O trecho que se configura como metafórico é:
 

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Com alguma frequência, respondo a entrevistas. Ou tento, quando o volume de trabalho me permite.

Fico feliz quando me procuram para falar de literatura, afinal, é meu trabalho, mas noto a repetição de

uma mesma pergunta: "você já sofreu machismo no meio literário?"

Como se não bastasse o machismo galopante que transborda do mundo e a que estão sujeitas todas

as mulheres, inclusive as escritoras, a pergunta vem com a expectativa de uma resposta contundente,

com exemplos que escandalizem, com depoimentos tocantes. É onde costumo decepcionar.

Veja bem, é fácil responder de forma a satisfazer a pessoa jornalista ou o público a quem é destinada

a matéria. Mas, considerando que o meio literário não é uma realidade à parte e que o machismo

raramente começa e termina num só lugar, responder fica difícil. Difícil porque a resposta mais

completa é aquela que a pergunta não contempla. Mas é especialmente difícil porque a resposta está

nas perguntas que não nos fazem. Nos exemplos que não existem. Nos "nãos" que nem chegam a ser

ditos porque nem precisa.

O problema do preconceito de gênero é que dificilmente ele é explícito; ele está mais presente nas

coisas que não vemos. Isso também na literatura: nos convites para eventos que deixamos de

receber. Quando uma autora é deixada de lado para darem destaque a um escritor. Nas faltas de

indicação a prêmios. No esquecimento.

Apesar da relevância do trabalho das escritoras, ainda é difícil vê-las podendo falar de seu trabalho

nas mesmas condições que um autor pode falar. Nas mesas de debates compostas só por homens,

por exemplo, eles podem transcender todas essas questões e falar de seus trabalhos, de seus

personagens, de literatura. Se convidada, a escritora provavelmente acabará tendo que falar sobre

suas dificuldades, sobre o preconceito, sobre ser mulher e escrever.

Ser homem é não ter gênero, é pairar acima dele; enquanto uma mulher, não importa que seja

escritora, cientista ou jardineira, será primeiramente e acima de tudo uma mulher.

A ausência está nas perguntas que não nos fazem, aquelas que são esquecidas enquanto vêm as

questões sobre as nossas maiores dificuldades de escrever sendo mulher, o único assunto que nos

cabe.

Mas as histórias que escrevemos não importam? Nosso trabalho, por si só, não interessa? Não

podemos falar sobre literatura, pura e simplesmente? Essa é uma barreira difícil de romper.

Esse é só mais um indício de como o machismo dentro da literatura se manifesta bem antes de chegar

no mercado editorial; e, como dito, é um machismo que se manifesta de forma sutil, empurrando as

autoras para as margens. É o machismo de tornar as mulheres invisíveis. É o machismo da ausência

de oportunidades. E isso vem desde muito cedo, desde quando as jovens mulheres, ainda mais

quando são pobres, especialmente quando são negras, são desmotivadas a escrever; quando

escrevem, têm dificuldade de ser publicadas; quando são publicadas, não recebem tanta projeção.

Dessa forma, mesmo que rompamos uma série de barreiras para poder chegar a ser escritoras,

mesmo quando conseguimos, ainda seremos barradas em algum momento. E nem poderemos usar

isso como um exemplo contundente de machismo, afinal, não aconteceu. Nada existiu.

Esse “não estar” é mais cruel do que alguém fazendo um comentário machista na minha cara, porque

é mais difícil apontar para essa ausência de oportunidades do que para um preconceito explícito.

Não é um caso isolado de machismo dentro do meio literário que cria barreiras para as escritoras. É

todo um sistema, presente no mundo no qual estamos imersas, que garante que fiquemos à margem.

São essas ausências que garantem que o escritor a quem se refere o Dia do Escritor, comemorado no

dia 25 de julho, seja homem (como 72% dos autores brasileiros publicados) e branco (como 93,9%

dos que escrevem literatura no Brasil). Então é sobretudo nas ausências que precisamos prestar

atenção.

VALEK, Aline.

Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/cultura/o-machismo-das-ausencias/.

Acesso em: 26/01/2026 (adaptado).

Como estratégia persuasiva, a autora busca uma aproximação maior com o leitor por meio da interlocução direta. No texto, essa estratégia se constrói pelo emprego do(a):
 

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