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Leia o texto a seguir.
Essa discrepância gritante entre pensamento e prática marcou o período de transformação do capitalismo global [...] Seria de se esperar, obviamente, que qualquer pensador racional e ‘esclarecido’ pudesse percebê-la. Contudo, não foi o que aconteceu.
BUCK-MORSS, Susan. Hegel e o Haiti. Tradução de Sebastião Nascimento. Prefácio de Vladimir Safatle. São Paulo: n-1 edições, 2017, p. 13-14.
Segundo o texto, qual era a contradição fundamental do pensamento iluminista?
Essa discrepância gritante entre pensamento e prática marcou o período de transformação do capitalismo global [...] Seria de se esperar, obviamente, que qualquer pensador racional e ‘esclarecido’ pudesse percebê-la. Contudo, não foi o que aconteceu.
BUCK-MORSS, Susan. Hegel e o Haiti. Tradução de Sebastião Nascimento. Prefácio de Vladimir Safatle. São Paulo: n-1 edições, 2017, p. 13-14.
Segundo o texto, qual era a contradição fundamental do pensamento iluminista?
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Leia o texto a seguir.
A noção de região, por exemplo, tem origem militar, vem do latim regione, e nomeava originalmente uma área sob o comando, que vem da palavra latina regere, de uma dada força militar, de uma dada legião romana, de um regimento. Ela se confunde, muitas vezes, com a noção de província, que vem do latim vincere, ou seja, território vencido ou habitado por povos vencidos, submetidos ao domínio romano.
ALBUQUERQUE JÚNIOR, Durval Muniz de. O objeto em fuga: algumas reflexões em torno do conceito de região. Fronteiras: Revista de História, Dourados, MS, v. 10, n. 17, p. 56-57 (texto completo), jan./jun. 2008.
Ao investigar a arqueologia do conceito de “região”, o autor do texto aponta que sua origem remete diretamente
A noção de região, por exemplo, tem origem militar, vem do latim regione, e nomeava originalmente uma área sob o comando, que vem da palavra latina regere, de uma dada força militar, de uma dada legião romana, de um regimento. Ela se confunde, muitas vezes, com a noção de província, que vem do latim vincere, ou seja, território vencido ou habitado por povos vencidos, submetidos ao domínio romano.
ALBUQUERQUE JÚNIOR, Durval Muniz de. O objeto em fuga: algumas reflexões em torno do conceito de região. Fronteiras: Revista de História, Dourados, MS, v. 10, n. 17, p. 56-57 (texto completo), jan./jun. 2008.
Ao investigar a arqueologia do conceito de “região”, o autor do texto aponta que sua origem remete diretamente
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O marco temporal realiza uma política anti-indígena ao exigir o critério da atualidade da ocupação para caracterizar o direito indígena, no sentido de que a presença indígena na área reivindicada deve estar dada como um fato atual no dia em que a Constituição foi promulgada.
Ramalho, Walderez. Marco temporal e políticas do tempo: raízes de um equívoco histórico. Revista Brasileira de História, São Paulo, v. 45, n. 98, p. 202.
A tese do “marco temporal” é considerada uma “política antiindígena”, porque
O marco temporal realiza uma política anti-indígena ao exigir o critério da atualidade da ocupação para caracterizar o direito indígena, no sentido de que a presença indígena na área reivindicada deve estar dada como um fato atual no dia em que a Constituição foi promulgada.
Ramalho, Walderez. Marco temporal e políticas do tempo: raízes de um equívoco histórico. Revista Brasileira de História, São Paulo, v. 45, n. 98, p. 202.
A tese do “marco temporal” é considerada uma “política antiindígena”, porque
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Leia o texto a seguir.
A instituição social (uma sociedade de estudos de...) permanece a condição de uma linguagem científica [...] A instituição não dá apenas estabilidade social a uma ‘doutrina’. Ela a torna possível e, sub-repticiamente, a determina.
CERTEAU, Michel de. A operação historiográfica. In: A escrita da história. 2ª edição. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2007, p. 70.
De acordo com o texto, a operação historiográfica está diretamente ligada
A instituição social (uma sociedade de estudos de...) permanece a condição de uma linguagem científica [...] A instituição não dá apenas estabilidade social a uma ‘doutrina’. Ela a torna possível e, sub-repticiamente, a determina.
CERTEAU, Michel de. A operação historiográfica. In: A escrita da história. 2ª edição. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2007, p. 70.
De acordo com o texto, a operação historiográfica está diretamente ligada
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No livro “Fases das tecnologias digitais em Educação Matemática: sala de aula e internet em movimento", publicado em 2014, os autores Borba, Silva e Gadanidis propõem quatro fases como forma de sistematizar e discutir o uso das tecnologias no ensino e aprendizagem da matemática, no Brasil. De maneira resumida, as fases foram assim caracterizadas:
Fase 1 (década de 1980): uso de instrumentos e dispositivos para calcular e para processar dados; surgimento de software educacional simples; influência do construcionismo (Seymour Papert).
Fase 2 (início da década de 1990): popularização dos computadores pessoais; muitos softwares educacionais produzidos; destaque para múltiplas representações (funções, geometria dinâmica).
Fase 3 (a partir de 1999): chegada da in
Fase 4 (a partir de 2004): consolidação das tecnologias digitais contemporâneas; internet mais rápida; uso de tecnologias móveis e portáteis; surgimento de novos ambientes digitais; relação entre mídias e aprendizagem.
Considerando o uso de tecnologias para ensino da matemática, no Brasil, são exemplos representativos da Fase 1
No livro “Fases das tecnologias digitais em Educação Matemática: sala de aula e internet em movimento", publicado em 2014, os autores Borba, Silva e Gadanidis propõem quatro fases como forma de sistematizar e discutir o uso das tecnologias no ensino e aprendizagem da matemática, no Brasil. De maneira resumida, as fases foram assim caracterizadas:
Fase 1 (década de 1980): uso de instrumentos e dispositivos para calcular e para processar dados; surgimento de software educacional simples; influência do construcionismo (Seymour Papert).
Fase 2 (início da década de 1990): popularização dos computadores pessoais; muitos softwares educacionais produzidos; destaque para múltiplas representações (funções, geometria dinâmica).
Fase 3 (a partir de 1999): chegada da in
Fase 4 (a partir de 2004): consolidação das tecnologias digitais contemporâneas; internet mais rápida; uso de tecnologias móveis e portáteis; surgimento de novos ambientes digitais; relação entre mídias e aprendizagem.
Considerando o uso de tecnologias para ensino da matemática, no Brasil, são exemplos representativos da Fase 1
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Leia o texto a seguir.
A hora e vez do Português Brasileiro
A sociedade brasileira tem-se caracterizado nos últimos 30 anos por uma enorme mobilidade, causada pela intensa urbanização e pela expansão da fronteira agrícola. No começo do século passado, apenas 8% da população habitavam as cidades, porcentagem que passou para 36% nos anos 50, 67,6% nos anos 80, e pouco mais de 80% no final do século. Nos dois casos, passam a conviver brasileiros de regiões geográficas diferentes, usuários de falares igualmente diferentes. No caso daqueles que se deslocam para as capitais, como é o caso de Brasília e de São Paulo, para ficar apenas com dois exemplos, tem-se observado que quem chega ou procura outros conterrâneos, isolando-se com eles da sociedade envolvente, ou procura integrar-se em seu novo meio. Os primeiros conservam os traços típicos de seu falar. Os segundos apagam os traços mais salientes de seu falar, o que tem permitido descobrir o que eles mesmos consideram mais típico, mais característico. Já se notou que os candangos nordestinos de Brasília se livram logo das vogais pretônicas abertas, como em còronel, èvidentemente, etc.
CASTILHO, Ataliba. A hora e a vez do Português Brasileiro. Museu da Língua, Portuguesa: São Paulo, 2017, p. 21-22.
No texto, destaca-se a compreensão de que a variação linguística no Português do Brasil apresenta
A hora e vez do Português Brasileiro
A sociedade brasileira tem-se caracterizado nos últimos 30 anos por uma enorme mobilidade, causada pela intensa urbanização e pela expansão da fronteira agrícola. No começo do século passado, apenas 8% da população habitavam as cidades, porcentagem que passou para 36% nos anos 50, 67,6% nos anos 80, e pouco mais de 80% no final do século. Nos dois casos, passam a conviver brasileiros de regiões geográficas diferentes, usuários de falares igualmente diferentes. No caso daqueles que se deslocam para as capitais, como é o caso de Brasília e de São Paulo, para ficar apenas com dois exemplos, tem-se observado que quem chega ou procura outros conterrâneos, isolando-se com eles da sociedade envolvente, ou procura integrar-se em seu novo meio. Os primeiros conservam os traços típicos de seu falar. Os segundos apagam os traços mais salientes de seu falar, o que tem permitido descobrir o que eles mesmos consideram mais típico, mais característico. Já se notou que os candangos nordestinos de Brasília se livram logo das vogais pretônicas abertas, como em còronel, èvidentemente, etc.
CASTILHO, Ataliba. A hora e a vez do Português Brasileiro. Museu da Língua, Portuguesa: São Paulo, 2017, p. 21-22.
No texto, destaca-se a compreensão de que a variação linguística no Português do Brasil apresenta
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Texto 7
A música na era da velocidade: reflexões sobre consumo e
experiência
Se analisarmos os desdobramentos das últimas três décadas,
veremos um movimento acelerado de transformações
tecnológicas e culturais, cujas tendências surgem e
desaparecem em um intervalo muito curto. Vivemos na
“sociedade líquida”, conforme o sociólogo Zygmunt Bauman
(1925-2017), cujo vetor dominante é o da velocidade. Práticas
culturais cotidianas como ler um livro ou um jornal, assistir a um
filme ou ouvir um álbum de música, continuam nos informando,
entretendo e alimentando, mas já não são as mesmas
experiências de outrora. Hoje essas práticas aparecem
fragmentadas, sintetizadas nas linguagens do ciberespaço,
distantes do formato que nos provocava o desejo de mergulho
profundo.
Não quero soar saudosista. Sou fascinado pelas soluções
digitais e reconheço o quanto elas facilitam nossas vidas.
Contudo, como lembra o pensador Edgar Morin, precisamos
praticar o que ele chama de pensamento complexo. É nesse
espírito que convido o leitor a refletir sobre o caso da música –
uma expressão artística fugidia, noturna, de contornos
indefinidos e de inapreensível imaterialidade. Diferentemente de
um quadro que podemos contemplar por longos minutos, a
música escapa no instante em que a ouvimos.
Os discos de vinil são exemplo emblemático. Para além da
função sonora, eles condensavam um universo estético: capas
elaboradas que traduzem visualmente o conceito das músicas,
encartes com letras e imagens, sequências pensadas como
narrativas coesas. Era um convite ao mergulho integral na obra.
Após o reinado dos vinis, o fenômeno do downsizing levou ao
surgimento de mídias mais compactas, como o CD, pequeno,
portátil, moderno, cabia na mochila, no carro ou no discman. Em
seguida vieram os mp3 players, que permitia que criássemos
nossas próprias listas. A experiência musical se individualizou,
fragmentando-se em canções avulsas. O tempo correu ainda
mais rápido até chegarmos à era do streaming, em que
plataformas e algoritmos não apenas oferecem acesso ilimitado,
mas também ditam, em grande medida, o que vamos ouvir. Não
se trata de negar as vantagens desse modelo. O ponto é outro:
até que ponto essa abundância de opções, mediada por
algoritmos, não torna nossas relações mais superficiais?
A música se abre a múltiplas formas de fruição. Alguns a
escutam como pano de fundo para atividades diárias. Outros,
com fones de ouvido, mergulham em melodias e harmonias. Há
quem explore playlists com canções de artistas variados, e há
quem prefira a imersão no vinil, interagindo intensamente com
capas e letras. Nenhum desses modos é superior. Como diria
Wittgenstein, há uma forma de ouvir – e há outra forma de ouvir.
O que me interessa sublinhar é a complexidade dessa arte tão
profundamente entrelaçada às nossas memórias afetivas e às
nossas histórias de vida. Não há problema em consumir música
em um ambiente midiático hiperdinâmico e supersaturado de
estímulos, desde que não nos esqueçamos do impacto
transformador que ela possui. Mesmo em meio à rotina
acelerada, com smartphones sempre à mão, podemos abrir
nosso serviço de streaming favorito e nos entregar à
contemplação de uma obra. Não importa o formato: vinil, CD,
mp3 ou playlist. O essencial é cultivar o espaço para que a
música continue sendo aquilo que sempre foi – uma das
experiências mais intensas de habitar o mundo.
Disponível em: https://diplomatique.org.br/a-musica-na-era-da-velocidadereflexoes-sobre-consumo-e-experiencia/ Acesso em: 10 jan. 2026. [Adaptado].
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Texto 7
A música na era da velocidade: reflexões sobre consumo e
experiência
Se analisarmos os desdobramentos das últimas três décadas,
veremos um movimento acelerado de transformações
tecnológicas e culturais, cujas tendências surgem e
desaparecem em um intervalo muito curto. Vivemos na
“sociedade líquida”, conforme o sociólogo Zygmunt Bauman
(1925-2017), cujo vetor dominante é o da velocidade. Práticas
culturais cotidianas como ler um livro ou um jornal, assistir a um
filme ou ouvir um álbum de música, continuam nos informando,
entretendo e alimentando, mas já não são as mesmas
experiências de outrora. Hoje essas práticas aparecem
fragmentadas, sintetizadas nas linguagens do ciberespaço,
distantes do formato que nos provocava o desejo de mergulho
profundo.
Não quero soar saudosista. Sou fascinado pelas soluções
digitais e reconheço o quanto elas facilitam nossas vidas.
Contudo, como lembra o pensador Edgar Morin, precisamos
praticar o que ele chama de pensamento complexo. É nesse
espírito que convido o leitor a refletir sobre o caso da música –
uma expressão artística fugidia, noturna, de contornos
indefinidos e de inapreensível imaterialidade. Diferentemente de
um quadro que podemos contemplar por longos minutos, a
música escapa no instante em que a ouvimos.
Os discos de vinil são exemplo emblemático. Para além da
função sonora, eles condensavam um universo estético: capas
elaboradas que traduzem visualmente o conceito das músicas,
encartes com letras e imagens, sequências pensadas como
narrativas coesas. Era um convite ao mergulho integral na obra.
Após o reinado dos vinis, o fenômeno do downsizing levou ao
surgimento de mídias mais compactas, como o CD, pequeno,
portátil, moderno, cabia na mochila, no carro ou no discman. Em
seguida vieram os mp3 players, que permitia que criássemos
nossas próprias listas. A experiência musical se individualizou,
fragmentando-se em canções avulsas. O tempo correu ainda
mais rápido até chegarmos à era do streaming, em que
plataformas e algoritmos não apenas oferecem acesso ilimitado,
mas também ditam, em grande medida, o que vamos ouvir. Não
se trata de negar as vantagens desse modelo. O ponto é outro:
até que ponto essa abundância de opções, mediada por
algoritmos, não torna nossas relações mais superficiais?
A música se abre a múltiplas formas de fruição. Alguns a
escutam como pano de fundo para atividades diárias. Outros,
com fones de ouvido, mergulham em melodias e harmonias. Há
quem explore playlists com canções de artistas variados, e há
quem prefira a imersão no vinil, interagindo intensamente com
capas e letras. Nenhum desses modos é superior. Como diria
Wittgenstein, há uma forma de ouvir – e há outra forma de ouvir.
O que me interessa sublinhar é a complexidade dessa arte tão
profundamente entrelaçada às nossas memórias afetivas e às
nossas histórias de vida. Não há problema em consumir música
em um ambiente midiático hiperdinâmico e supersaturado de
estímulos, desde que não nos esqueçamos do impacto
transformador que ela possui. Mesmo em meio à rotina
acelerada, com smartphones sempre à mão, podemos abrir
nosso serviço de streaming favorito e nos entregar à
contemplação de uma obra. Não importa o formato: vinil, CD,
mp3 ou playlist. O essencial é cultivar o espaço para que a
música continue sendo aquilo que sempre foi – uma das
experiências mais intensas de habitar o mundo.
Disponível em: https://diplomatique.org.br/a-musica-na-era-da-velocidadereflexoes-sobre-consumo-e-experiencia/ Acesso em: 10 jan. 2026. [Adaptado].
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Texto 7
A música na era da velocidade: reflexões sobre consumo e
experiência
Se analisarmos os desdobramentos das últimas três décadas,
veremos um movimento acelerado de transformações
tecnológicas e culturais, cujas tendências surgem e
desaparecem em um intervalo muito curto. Vivemos na
“sociedade líquida”, conforme o sociólogo Zygmunt Bauman
(1925-2017), cujo vetor dominante é o da velocidade. Práticas
culturais cotidianas como ler um livro ou um jornal, assistir a um
filme ou ouvir um álbum de música, continuam nos informando,
entretendo e alimentando, mas já não são as mesmas
experiências de outrora. Hoje essas práticas aparecem
fragmentadas, sintetizadas nas linguagens do ciberespaço,
distantes do formato que nos provocava o desejo de mergulho
profundo.
Não quero soar saudosista. Sou fascinado pelas soluções
digitais e reconheço o quanto elas facilitam nossas vidas.
Contudo, como lembra o pensador Edgar Morin, precisamos
praticar o que ele chama de pensamento complexo. É nesse
espírito que convido o leitor a refletir sobre o caso da música –
uma expressão artística fugidia, noturna, de contornos
indefinidos e de inapreensível imaterialidade. Diferentemente de
um quadro que podemos contemplar por longos minutos, a
música escapa no instante em que a ouvimos.
Os discos de vinil são exemplo emblemático. Para além da
função sonora, eles condensavam um universo estético: capas
elaboradas que traduzem visualmente o conceito das músicas,
encartes com letras e imagens, sequências pensadas como
narrativas coesas. Era um convite ao mergulho integral na obra.
Após o reinado dos vinis, o fenômeno do downsizing levou ao
surgimento de mídias mais compactas, como o CD, pequeno,
portátil, moderno, cabia na mochila, no carro ou no discman. Em
seguida vieram os mp3 players, que permitia que criássemos
nossas próprias listas. A experiência musical se individualizou,
fragmentando-se em canções avulsas. O tempo correu ainda
mais rápido até chegarmos à era do streaming, em que
plataformas e algoritmos não apenas oferecem acesso ilimitado,
mas também ditam, em grande medida, o que vamos ouvir. Não
se trata de negar as vantagens desse modelo. O ponto é outro:
até que ponto essa abundância de opções, mediada por
algoritmos, não torna nossas relações mais superficiais?
A música se abre a múltiplas formas de fruição. Alguns a
escutam como pano de fundo para atividades diárias. Outros,
com fones de ouvido, mergulham em melodias e harmonias. Há
quem explore playlists com canções de artistas variados, e há
quem prefira a imersão no vinil, interagindo intensamente com
capas e letras. Nenhum desses modos é superior. Como diria
Wittgenstein, há uma forma de ouvir – e há outra forma de ouvir.
O que me interessa sublinhar é a complexidade dessa arte tão
profundamente entrelaçada às nossas memórias afetivas e às
nossas histórias de vida. Não há problema em consumir música
em um ambiente midiático hiperdinâmico e supersaturado de
estímulos, desde que não nos esqueçamos do impacto
transformador que ela possui. Mesmo em meio à rotina
acelerada, com smartphones sempre à mão, podemos abrir
nosso serviço de streaming favorito e nos entregar à
contemplação de uma obra. Não importa o formato: vinil, CD,
mp3 ou playlist. O essencial é cultivar o espaço para que a
música continue sendo aquilo que sempre foi – uma das
experiências mais intensas de habitar o mundo.
Disponível em: https://diplomatique.org.br/a-musica-na-era-da-velocidadereflexoes-sobre-consumo-e-experiencia/ Acesso em: 10 jan. 2026. [Adaptado].
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PODCAST
Bem viver nas cidades/ #3 águas urbanas
Neste episódio, uma conversa sobre águas urbanas com
Raquel Ludermir, da Habitat para a Humanidade Brasil; Joice
Paixão, da Associação Gris; e Halan Jackson de Assis, do
Fórum de Juventudes do Bom Jardim.
Ouça agora o 3º e último episódio da série “Bem viver nas
cidades: lutas por direitos e movimentos populares urbanos”,
nova parceria do Guilhotina, o podcast do Le Monde
Diplomatique, com a com a Coordenadoria Ecumênica de
Serviço (Cese).
Neste episódio, conversamos sobre águas urbanas com Raquel
Ludermir (@raquel_ludermir), doutora em desenvolvimento
urbano e que está como gerente de incidência política da
Habitat para a Humanidade Brasil; Joice Paixão, cofundadora e
presidente da Associação Gris, no bairro da Várzea em Recife;
e Halan Jackson de Assis (@halan.aksom), do Fórum de
Juventudes do Bom Jardim, Fortaleza.
Disponível agora no Guilhotina!
Disponível em: https://diplomatique.org.br/bem-viver-nas-cidades-3-aguasurbanas/. Acesso em: 15 jan. 2026.
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