Foram encontradas 358.372 questões.
4200122
Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Nosso Rumo
Orgão: Pref. São João Boa Vista-SP
Disciplina: Português
Banca: Nosso Rumo
Orgão: Pref. São João Boa Vista-SP
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Analise o texto abaixo para responder à questão.
“Há, no campo de direito privado, normas cuja observância
oferece grande interesse para a coletividade, normas que, por
isso, não podem ser afastadas ainda que estejam de acordo em
não aplicá-las todos os indivíduos mais diretamente
interessados. Assim, por exemplo, não é lícito obrigar-se num
contrato de serviço por toda a vida, porque assim se anularia a
liberdade individual, que o direito tutela contra a própria vontade
do indivíduo, por considerações de interesse público.
Vice-versa, não seria lícito contratar matrimônio por dois
anos, porque é considerado de interesse público que o
matrimônio seja vínculo de natureza permanente.”
Costa, Dilvanir José da. Direito público e privado, ordem pública e direito social.
Revista de Informação Legislativa. Ano 44, nº 175, jul./set. Brasília2007.
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4200121
Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Nosso Rumo
Orgão: Pref. São João Boa Vista-SP
Disciplina: Português
Banca: Nosso Rumo
Orgão: Pref. São João Boa Vista-SP
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Analise o texto abaixo para responder à questão.
“Há, no campo de direito privado, normas cuja observância
oferece grande interesse para a coletividade, normas que, por
isso, não podem ser afastadas ainda que estejam de acordo em
não aplicá-las todos os indivíduos mais diretamente
interessados. Assim, por exemplo, não é lícito obrigar-se num
contrato de serviço por toda a vida, porque assim se anularia a
liberdade individual, que o direito tutela contra a própria vontade
do indivíduo, por considerações de interesse público.
Vice-versa, não seria lícito contratar matrimônio por dois
anos, porque é considerado de interesse público que o
matrimônio seja vínculo de natureza permanente.”
Costa, Dilvanir José da. Direito público e privado, ordem pública e direito social.
Revista de Informação Legislativa. Ano 44, nº 175, jul./set. Brasília2007.
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4200120
Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Nosso Rumo
Orgão: Pref. São João Boa Vista-SP
Disciplina: Português
Banca: Nosso Rumo
Orgão: Pref. São João Boa Vista-SP
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Considerando o contexto, assinale a alternativa que
apresenta a correta grafia das palavras, conforme a norma-padrão da Língua Portuguesa.
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4200119
Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Nosso Rumo
Orgão: Pref. São João Boa Vista-SP
Disciplina: Português
Banca: Nosso Rumo
Orgão: Pref. São João Boa Vista-SP
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Leia o excerto abaixo para responder à questão.
A função administrativa é exercida
preponderantemente pelo poder executivo
O Estado é composto de Poderes, segmentos estruturais
em que se divide o poder geral e abstrato decorrente de sua
soberania. “O art. 2º da Constituição Federal enunciou o princípio
da Tripartição de Poderes nos seguintes termos: “São Poderes
da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o
Executivo e o Judiciário” (Mazza, 2021, p. 173).
Os Poderes de Estado, como estruturas internas
destinadas a execução de certas funções, foram concebidos por
Montesquieu em sua clássica obra (Montesquieu, 1979),
pregando que entre eles deveria haver necessário equilíbrio, de
forma a ser evitada a supremacia de qualquer deles sobre outro
(Carvalho Filho, 2019).
A cada um dos Poderes de Estado foi atribuída
determinada função precípua. Assim, como principal tarefa, cabe
ao Poder Legislativo o caráter normativo (ou legislativo); ao
Executivo, a função administrativa; e, ao Judiciário, a função
jurisdicional (Carvalho Filho, 2019, p. 77).
Todavia, inexiste o exclusivo no efetuar, pelos Poderes, das
suas funções. Existe predomínio. Os detalhes que definem as
colocações desempenhadas pelos Poderes de viés político e
consideram na Constituição. Além disso, nessa direção pode se
alcançar a harmonia e a independência em meio a eles: se, de
uma direção, têm sua estrutura adequada, não se inferiorizando
a nenhum diverso, precisam focar, também, as finalidades
desenhadas na Constituição (Carvalho Filho, 2019).
Por essa razão é que os Poderes estatais, embora tenham
suas funções principais (típicas), desempenham também funções
que materialmente deveriam pertencer a Poder diverso (funções
atípicas), sempre, é óbvio, que a Constituição o autorize
(Carvalho Filho, 2019).
O Poder Judiciário, além da função jurisdicional, perpetra
atos no exercício de função normativa, igualmente na preparação
dos regimentos internos dos Tribunais (Carvalho Filho, 2019).
Definir a função típica do Poder Executivo já não é algo tão
intuitivo como nos casos anteriores. A função típica do Poder
Executivo é a função administrativa, consistente na defesa
concreta do interesse público (Maza, 2019).
A função administrativa foi definida por Seabra Fagundes
como aquela consistente em “aplicar a lei de ofício”. Todavia, as
funções jurisdicional e administrativa detêm uma diferença
fundamental: enquanto o Judiciário depende de provocação para
que possa julgar aplicando a lei ao caso concreto, o Poder
Executivo “aplica de ofício a lei”, sem necessidade de
provocação. Vale dizer, o Poder Executivo é dinâmico, pois sua
atividade de aplicação da lei é desempenhada de ofício, como
narra Maza (2019, p. 108).
Neste contexto, o elemento nuclear da função típica do
Poder Executivo é o juízo de conveniência e oportunidade feito
sempre que se tornar necessária a tomada de decisão a respeito
do melhor caminho para defesa do interesse público. Em outras
palavras, o núcleo da função típica do Poder Executivo é a
análise do mérito dos atos discricionários, que é o juízo de
conveniência e oportunidade quanto à sua prática (Maza, 2019,
p. 110).
Para Meirelles (2002), o mérito é a margem de liberdade
existente nos requisitos do Motivo e do Objeto. Entretanto, os
Poderes não são somente independentes, mas também
harmônicos. Por isso, além de sua função típica (garantia de
independência), cada Poder exerce também, em caráter
excepcional, atividades próprias de outro Poder, denominadas
funções atípicas (garantia de harmonia), como afirma Maza
(2019, p. 111).
As funções atípicas consistem no exercício de uma função
prevista constitucionalmente para determinado Poder. Contudo,
fora das suas atribuições típicas, sem que isso implique em
violação ao princípio da tripartição e separação dos poderes, mas
apenas a um temperamento destes (Maza, 2019).
MORILLAS, Juan Pablo Moraes. Et al. Funções administrativas e as tendências do
direito administrativo no Brasil. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do
Conhecimento. Ano. 07, Ed. 11, Vol. 10, pp. 05-17, novembro de 2022.
Adaptado.
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4200117
Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Nosso Rumo
Orgão: Pref. São João Boa Vista-SP
Disciplina: Português
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Orgão: Pref. São João Boa Vista-SP
Provas:
Leia o excerto abaixo para responder à questão.
A função administrativa é exercida
preponderantemente pelo poder executivo
O Estado é composto de Poderes, segmentos estruturais
em que se divide o poder geral e abstrato decorrente de sua
soberania. “O art. 2º da Constituição Federal enunciou o princípio
da Tripartição de Poderes nos seguintes termos: “São Poderes
da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o
Executivo e o Judiciário” (Mazza, 2021, p. 173).
Os Poderes de Estado, como estruturas internas
destinadas a execução de certas funções, foram concebidos por
Montesquieu em sua clássica obra (Montesquieu, 1979),
pregando que entre eles deveria haver necessário equilíbrio, de
forma a ser evitada a supremacia de qualquer deles sobre outro
(Carvalho Filho, 2019).
A cada um dos Poderes de Estado foi atribuída
determinada função precípua. Assim, como principal tarefa, cabe
ao Poder Legislativo o caráter normativo (ou legislativo); ao
Executivo, a função administrativa; e, ao Judiciário, a função
jurisdicional (Carvalho Filho, 2019, p. 77).
Todavia, inexiste o exclusivo no efetuar, pelos Poderes, das
suas funções. Existe predomínio. Os detalhes que definem as
colocações desempenhadas pelos Poderes de viés político e
consideram na Constituição. Além disso, nessa direção pode se
alcançar a harmonia e a independência em meio a eles: se, de
uma direção, têm sua estrutura adequada, não se inferiorizando
a nenhum diverso, precisam focar, também, as finalidades
desenhadas na Constituição (Carvalho Filho, 2019).
Por essa razão é que os Poderes estatais, embora tenham
suas funções principais (típicas), desempenham também funções
que materialmente deveriam pertencer a Poder diverso (funções
atípicas), sempre, é óbvio, que a Constituição o autorize
(Carvalho Filho, 2019).
O Poder Judiciário, além da função jurisdicional, perpetra
atos no exercício de função normativa, igualmente na preparação
dos regimentos internos dos Tribunais (Carvalho Filho, 2019).
Definir a função típica do Poder Executivo já não é algo tão
intuitivo como nos casos anteriores. A função típica do Poder
Executivo é a função administrativa, consistente na defesa
concreta do interesse público (Maza, 2019).
A função administrativa foi definida por Seabra Fagundes
como aquela consistente em “aplicar a lei de ofício”. Todavia, as
funções jurisdicional e administrativa detêm uma diferença
fundamental: enquanto o Judiciário depende de provocação para
que possa julgar aplicando a lei ao caso concreto, o Poder
Executivo “aplica de ofício a lei”, sem necessidade de
provocação. Vale dizer, o Poder Executivo é dinâmico, pois sua
atividade de aplicação da lei é desempenhada de ofício, como
narra Maza (2019, p. 108).
Neste contexto, o elemento nuclear da função típica do
Poder Executivo é o juízo de conveniência e oportunidade feito
sempre que se tornar necessária a tomada de decisão a respeito
do melhor caminho para defesa do interesse público. Em outras
palavras, o núcleo da função típica do Poder Executivo é a
análise do mérito dos atos discricionários, que é o juízo de
conveniência e oportunidade quanto à sua prática (Maza, 2019,
p. 110).
Para Meirelles (2002), o mérito é a margem de liberdade
existente nos requisitos do Motivo e do Objeto. Entretanto, os
Poderes não são somente independentes, mas também
harmônicos. Por isso, além de sua função típica (garantia de
independência), cada Poder exerce também, em caráter
excepcional, atividades próprias de outro Poder, denominadas
funções atípicas (garantia de harmonia), como afirma Maza
(2019, p. 111).
As funções atípicas consistem no exercício de uma função
prevista constitucionalmente para determinado Poder. Contudo,
fora das suas atribuições típicas, sem que isso implique em
violação ao princípio da tripartição e separação dos poderes, mas
apenas a um temperamento destes (Maza, 2019).
MORILLAS, Juan Pablo Moraes. Et al. Funções administrativas e as tendências do
direito administrativo no Brasil. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do
Conhecimento. Ano. 07, Ed. 11, Vol. 10, pp. 05-17, novembro de 2022.
Adaptado.
“A cada um dos Poderes de Estado foi atribuída determinada função precípua.”
Assinale a alternativa cuja substituição da palavra em destaque no trecho NÃO causou prejuízo semântico.
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A Bossa Nova consolidou-se no final da década de 1950,
no Rio de Janeiro, e é reconhecida como um dos marcos
da canção popular brasileira, projetando
internacionalmente compositores e intérpretes como Tom
Jobim, Vinicius de Moraes e João Gilberto. Considerando
as características estético-musicais associadas ao
movimento, assinale a alternativa correta.
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A oralidade e a escrita não são opostas, mas sim formas
diferentes de uso da língua dentro de um mesmo
sistema linguístico. Considerando as diferenças entre
formas faladas e escritas, relacione as colunas a seguir.
Coluna 1
1. Oralidade
2. Escrita
Coluna 2
( ) A recepção ocorre de forma imediata, favorecendo a interação, ao possibilitar que o emissor perceba, em tempo real, as reações do interlocutor.
( ) Dependência direta da entonação para atribuição de sentido.
( ) Forma expressa por meio de fonemas.
( ) Possibilidade de registro duradouro e fixação da mensagem.
Assinale a sequência numérica que relaciona as colunas.
Coluna 1
1. Oralidade
2. Escrita
Coluna 2
( ) A recepção ocorre de forma imediata, favorecendo a interação, ao possibilitar que o emissor perceba, em tempo real, as reações do interlocutor.
( ) Dependência direta da entonação para atribuição de sentido.
( ) Forma expressa por meio de fonemas.
( ) Possibilidade de registro duradouro e fixação da mensagem.
Assinale a sequência numérica que relaciona as colunas.
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O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Saudade (Rachel de Queiróz)
Conversávamos sobre saudade. E de repente me
apercebi de que não tenho saudade de nada. Isso
independente de qualquer recordação de felicidade ou
de tristeza, de tempo mais feliz, menos feliz. Saudades
de nada. Nem da infância querida, nem sequer das
borboletas azuis, Casimiro. Nem mesmo de quem
morreu. De quem morreu sinto é a falta, o prejuízo da
perda, a ausência. A vontade da presença, mas não no
passado, e sim a presença atual. Saudade será isso?
Queria tê-los aqui, agora. Voltar atrás? Acho que não,
nem com eles.
A vida é uma coisa que tem que passar, uma obrigação
de que é preciso dar conta. Uma dívida que se vai
pagando todos os meses, todos os dias. Parece loucura
lamentar o tempo em que se devia muito mais.
Queria ter palavras boas, eficientes, para explicar como
é isso de não ter saudades; fazer sentir que estou
exprimindo um sentimento real, a humilde, a nua
verdade. Você insinua a suspeita de que talvez seja isso uma atitude. Meu Deus, acha-me capaz de atitudes,
pensa que eu me rebaixaria a isso? Pois então eu lhe
digo que essa capacidade de morrer de saudades, creio
que ela só afeta a quem não cresceu direito; feito uma
cobra que se sentisse melhor na pele antiga, não se
acomodasse nunca à pele nova. Mas nós, como é que
vamos ter saudades de um trapo velho que não nos
cabe mais?
Fala que saudade é sensação de perda. Pois é. E eu lhe
digo que, pessoalmente, não sinto que perdi nada.
Gastei, gastei tempo, emoções, corpo e alma. E gastar
não é perder, é usar até consumir.
E não pense que estou a lhe sugerir tragédias. Tirando a
média, não tive quinhão por demais pior que o dos
outros. Houve muito pedaço duro, mas a vida é assim
mesmo, a uns traz os seus golpes mais cedo e a outros
mais tarde; no fim, iguala a todos.
Infância sem lágrimas, amada, protegida. Mocidade, mas
a mocidade já é de si uma etapa infeliz. Coração inquieto
que não sabe o que quer, ou quer demais. Qual será,
nesta vida, o jovem satisfeito? Um jovem pode nos fazer
confidências de exaltação, de embriaguez; de felicidade,
nunca. Mocidade é a quadra dramática por excelência, o
período dos conflitos, dos ajustamentos penosos, dos
desajustamentos trágicos. A idade dos suicídios, dos
desenganos e por isso mesmo dos grandes heroísmos.
É o tempo em que a gente quer ser dono do mundo, e ao
mesmo tempo sente que sobra nesse mesmo mundo. A
idade em que se descobre a solidão irremediável de
todos os viventes. Em que se pesam os valores do
mundo por uma balança emocional, com medidas
baralhadas; um quilo às vezes vale menos do que uma
grama; e por essas medidas pode-se descobrir a
diferença metafísica que há entre uma arroba de chumbo
e uma arroba de plumas.
Nem sei mesmo como, entre as inúmeras mentiras do
mundo, se consegue manter essa mentira maior de
todas: a suposta felicidade dos moços. Por mim, sempre
tive pena deles, da sua angústia e do seu desamparo.
Enquanto esta idade madura a que chegamos você e eu,
é o tempo da estabilidade e das batalhas ganhas. Já
pouco se exige, já pouco se espera. E mesmo quando se
exige muito, só se espera o possível. Se as surpresas
são poucas, poucos também os desenganos. A gente vai
se aferrando a hábitos, a pessoas e objetos. Aí, um dos
piores tormentos dos jovens é justamente o desapego
das coisas, essa instabilidade do querer, a sede do que
é novo, o tédio do possuído.
E depois há o capítulo da morte, sempre presente em
todas as idades. Com a diferença de que a morte é a
amante dos moços e a companheira dos velhos. Para os
jovens ela é abismo e paixão. Para nós, foi se tornando
pouco a pouco uma velha amiga, a se anunciar
devagarinho: o cabelo branco, a preguiça, a ruga no
rosto, a vista fraca, os achaques. Velha amiga que vem
de viagem e de cada porto nos manda um postal, para
indicar que já embarcou.
Não, meu bem, não tenho saudades. Nem sequer do
primeiro dia em que nos vimos, daqueles primeiros e atormentados dias de insegurança e deslumbramento.
Considero uma benção e um privilégio esse passado que
ficou para atrás de nós, vencido. Afinal, já andamos
bastante caminho, temos direito ao sossego, a esta
desambição, esta paz. Vivemos, não foi? Fizemos muito.
E nem por isso deixamos de ainda ter muito o que fazer.
A velhice que vai chegar com as suas doenças e
trabalhos. E ainda virá a grande crise da morte em que
um de nós, necessariamente, terá que ajudar o outro.
Espero que aquele que ficar só, embora triste, se sinta
tranquilo, na segurança de que a sua vez não tarda. Que
aí, só lhe resta a pagar a última prestação.
https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/9127/saudade
Com base na função sintática que os vocábulos exercem no contexto, assinale a alternativa incorreta.
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Questão presente nas seguintes provas
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Saudade (Rachel de Queiróz)
Conversávamos sobre saudade. E de repente me
apercebi de que não tenho saudade de nada. Isso
independente de qualquer recordação de felicidade ou
de tristeza, de tempo mais feliz, menos feliz. Saudades
de nada. Nem da infância querida, nem sequer das
borboletas azuis, Casimiro. Nem mesmo de quem
morreu. De quem morreu sinto é a falta, o prejuízo da
perda, a ausência. A vontade da presença, mas não no
passado, e sim a presença atual. Saudade será isso?
Queria tê-los aqui, agora. Voltar atrás? Acho que não,
nem com eles.
A vida é uma coisa que tem que passar, uma obrigação
de que é preciso dar conta. Uma dívida que se vai
pagando todos os meses, todos os dias. Parece loucura
lamentar o tempo em que se devia muito mais.
Queria ter palavras boas, eficientes, para explicar como
é isso de não ter saudades; fazer sentir que estou
exprimindo um sentimento real, a humilde, a nua
verdade. Você insinua a suspeita de que talvez seja isso uma atitude. Meu Deus, acha-me capaz de atitudes,
pensa que eu me rebaixaria a isso? Pois então eu lhe
digo que essa capacidade de morrer de saudades, creio
que ela só afeta a quem não cresceu direito; feito uma
cobra que se sentisse melhor na pele antiga, não se
acomodasse nunca à pele nova. Mas nós, como é que
vamos ter saudades de um trapo velho que não nos
cabe mais?
Fala que saudade é sensação de perda. Pois é. E eu lhe
digo que, pessoalmente, não sinto que perdi nada.
Gastei, gastei tempo, emoções, corpo e alma. E gastar
não é perder, é usar até consumir.
E não pense que estou a lhe sugerir tragédias. Tirando a
média, não tive quinhão por demais pior que o dos
outros. Houve muito pedaço duro, mas a vida é assim
mesmo, a uns traz os seus golpes mais cedo e a outros
mais tarde; no fim, iguala a todos.
Infância sem lágrimas, amada, protegida. Mocidade, mas
a mocidade já é de si uma etapa infeliz. Coração inquieto
que não sabe o que quer, ou quer demais. Qual será,
nesta vida, o jovem satisfeito? Um jovem pode nos fazer
confidências de exaltação, de embriaguez; de felicidade,
nunca. Mocidade é a quadra dramática por excelência, o
período dos conflitos, dos ajustamentos penosos, dos
desajustamentos trágicos. A idade dos suicídios, dos
desenganos e por isso mesmo dos grandes heroísmos.
É o tempo em que a gente quer ser dono do mundo, e ao
mesmo tempo sente que sobra nesse mesmo mundo. A
idade em que se descobre a solidão irremediável de
todos os viventes. Em que se pesam os valores do
mundo por uma balança emocional, com medidas
baralhadas; um quilo às vezes vale menos do que uma
grama; e por essas medidas pode-se descobrir a
diferença metafísica que há entre uma arroba de chumbo
e uma arroba de plumas.
Nem sei mesmo como, entre as inúmeras mentiras do
mundo, se consegue manter essa mentira maior de
todas: a suposta felicidade dos moços. Por mim, sempre
tive pena deles, da sua angústia e do seu desamparo.
Enquanto esta idade madura a que chegamos você e eu,
é o tempo da estabilidade e das batalhas ganhas. Já
pouco se exige, já pouco se espera. E mesmo quando se
exige muito, só se espera o possível. Se as surpresas
são poucas, poucos também os desenganos. A gente vai
se aferrando a hábitos, a pessoas e objetos. Aí, um dos
piores tormentos dos jovens é justamente o desapego
das coisas, essa instabilidade do querer, a sede do que
é novo, o tédio do possuído.
E depois há o capítulo da morte, sempre presente em
todas as idades. Com a diferença de que a morte é a
amante dos moços e a companheira dos velhos. Para os
jovens ela é abismo e paixão. Para nós, foi se tornando
pouco a pouco uma velha amiga, a se anunciar
devagarinho: o cabelo branco, a preguiça, a ruga no
rosto, a vista fraca, os achaques. Velha amiga que vem
de viagem e de cada porto nos manda um postal, para
indicar que já embarcou.
Não, meu bem, não tenho saudades. Nem sequer do
primeiro dia em que nos vimos, daqueles primeiros e atormentados dias de insegurança e deslumbramento.
Considero uma benção e um privilégio esse passado que
ficou para atrás de nós, vencido. Afinal, já andamos
bastante caminho, temos direito ao sossego, a esta
desambição, esta paz. Vivemos, não foi? Fizemos muito.
E nem por isso deixamos de ainda ter muito o que fazer.
A velhice que vai chegar com as suas doenças e
trabalhos. E ainda virá a grande crise da morte em que
um de nós, necessariamente, terá que ajudar o outro.
Espero que aquele que ficar só, embora triste, se sinta
tranquilo, na segurança de que a sua vez não tarda. Que
aí, só lhe resta a pagar a última prestação.
https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/9127/saudade
Com a implementação do Novo Acordo Ortográfico, diversas palavras passaram por alterações, seja no âmbito da acentuação gráfica, seja no da ortografia. Com base nisso, analise as afirmativas a seguir:
I. O vocábulo 'para' exemplifica caso de alteração, uma vez que, quando empregado como forma verbal, deixou de receber acento gráfico, anteriormente registrado como 'pára'.
II. As palavras formadas com ditongos abertos 'éi' e 'ói' sofreram alteração em sua acentuação, assim, deixaram de ser acentuados vocábulos como 'joia', 'ideia' e 'bateis'.
III. Diferentemente de 'para', o verbo 'pôr', no infinitivo, manteve o acento gráfico para diferenciar-se da preposição 'por', que não é acentuada.
IV. O vocábulo 'ultrassom', anteriormente grafado como 'ultra-som', perdeu o hífen e passou a ser grafado com acréscimo de consoante, em conformidade com as regras de hifenização.
Assinale a alternativa que apresenta apenas as proposições corretas.
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- SintaxeTermos Integrantes da Oração
- MorfologiaAdjetivos
- MorfologiaPronomesPronomes Indefinidos
- MorfologiaPronomesPronomes PessoaisPronomes Pessoais Oblíquos
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Saudade (Rachel de Queiróz)
Conversávamos sobre saudade. E de repente me
apercebi de que não tenho saudade de nada. Isso
independente de qualquer recordação de felicidade ou
de tristeza, de tempo mais feliz, menos feliz. Saudades
de nada. Nem da infância querida, nem sequer das
borboletas azuis, Casimiro. Nem mesmo de quem
morreu. De quem morreu sinto é a falta, o prejuízo da
perda, a ausência. A vontade da presença, mas não no
passado, e sim a presença atual. Saudade será isso?
Queria tê-los aqui, agora. Voltar atrás? Acho que não,
nem com eles.
A vida é uma coisa que tem que passar, uma obrigação
de que é preciso dar conta. Uma dívida que se vai
pagando todos os meses, todos os dias. Parece loucura
lamentar o tempo em que se devia muito mais.
Queria ter palavras boas, eficientes, para explicar como
é isso de não ter saudades; fazer sentir que estou
exprimindo um sentimento real, a humilde, a nua
verdade. Você insinua a suspeita de que talvez seja isso uma atitude. Meu Deus, acha-me capaz de atitudes,
pensa que eu me rebaixaria a isso? Pois então eu lhe
digo que essa capacidade de morrer de saudades, creio
que ela só afeta a quem não cresceu direito; feito uma
cobra que se sentisse melhor na pele antiga, não se
acomodasse nunca à pele nova. Mas nós, como é que
vamos ter saudades de um trapo velho que não nos
cabe mais?
Fala que saudade é sensação de perda. Pois é. E eu lhe
digo que, pessoalmente, não sinto que perdi nada.
Gastei, gastei tempo, emoções, corpo e alma. E gastar
não é perder, é usar até consumir.
E não pense que estou a lhe sugerir tragédias. Tirando a
média, não tive quinhão por demais pior que o dos
outros. Houve muito pedaço duro, mas a vida é assim
mesmo, a uns traz os seus golpes mais cedo e a outros
mais tarde; no fim, iguala a todos.
Infância sem lágrimas, amada, protegida. Mocidade, mas
a mocidade já é de si uma etapa infeliz. Coração inquieto
que não sabe o que quer, ou quer demais. Qual será,
nesta vida, o jovem satisfeito? Um jovem pode nos fazer
confidências de exaltação, de embriaguez; de felicidade,
nunca. Mocidade é a quadra dramática por excelência, o
período dos conflitos, dos ajustamentos penosos, dos
desajustamentos trágicos. A idade dos suicídios, dos
desenganos e por isso mesmo dos grandes heroísmos.
É o tempo em que a gente quer ser dono do mundo, e ao
mesmo tempo sente que sobra nesse mesmo mundo. A
idade em que se descobre a solidão irremediável de
todos os viventes. Em que se pesam os valores do
mundo por uma balança emocional, com medidas
baralhadas; um quilo às vezes vale menos do que uma
grama; e por essas medidas pode-se descobrir a
diferença metafísica que há entre uma arroba de chumbo
e uma arroba de plumas.
Nem sei mesmo como, entre as inúmeras mentiras do
mundo, se consegue manter essa mentira maior de
todas: a suposta felicidade dos moços. Por mim, sempre
tive pena deles, da sua angústia e do seu desamparo.
Enquanto esta idade madura a que chegamos você e eu,
é o tempo da estabilidade e das batalhas ganhas. Já
pouco se exige, já pouco se espera. E mesmo quando se
exige muito, só se espera o possível. Se as surpresas
são poucas, poucos também os desenganos. A gente vai
se aferrando a hábitos, a pessoas e objetos. Aí, um dos
piores tormentos dos jovens é justamente o desapego
das coisas, essa instabilidade do querer, a sede do que
é novo, o tédio do possuído.
E depois há o capítulo da morte, sempre presente em
todas as idades. Com a diferença de que a morte é a
amante dos moços e a companheira dos velhos. Para os
jovens ela é abismo e paixão. Para nós, foi se tornando
pouco a pouco uma velha amiga, a se anunciar
devagarinho: o cabelo branco, a preguiça, a ruga no
rosto, a vista fraca, os achaques. Velha amiga que vem
de viagem e de cada porto nos manda um postal, para
indicar que já embarcou.
Não, meu bem, não tenho saudades. Nem sequer do
primeiro dia em que nos vimos, daqueles primeiros e atormentados dias de insegurança e deslumbramento.
Considero uma benção e um privilégio esse passado que
ficou para atrás de nós, vencido. Afinal, já andamos
bastante caminho, temos direito ao sossego, a esta
desambição, esta paz. Vivemos, não foi? Fizemos muito.
E nem por isso deixamos de ainda ter muito o que fazer.
A velhice que vai chegar com as suas doenças e
trabalhos. E ainda virá a grande crise da morte em que
um de nós, necessariamente, terá que ajudar o outro.
Espero que aquele que ficar só, embora triste, se sinta
tranquilo, na segurança de que a sua vez não tarda. Que
aí, só lhe resta a pagar a última prestação.
https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/9127/saudade
I. O vocábulo 'que', nas duas ocorrências, pertence à mesma classe gramatical, exercendo idêntica função sintática.
II. O termo 'nos' classifica-se como pronome pessoal oblíquo átono, exercendo função de objeto indireto.
III. A palavra 'cada' atua como pronome indefinido, determinando o substantivo 'porto' com valor distributivo.
IV. O termo 'velha' é um adjetivo que, caso seja posposto ao substantivo a que se refere, alterará seu valor semântico, assim como ocorrerá na frase 'Ele é um simples professor'.
Assinale a alternativa que apresenta as proposições corretas.
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