Magna Concursos

Foram encontradas 358.372 questões.

4200001 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: IDCAP
Orgão: Pref. Vitória-ES
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Saudade (Rachel de Queiróz)
Conversávamos sobre saudade. E de repente me apercebi de que não tenho saudade de nada. Isso independente de qualquer recordação de felicidade ou de tristeza, de tempo mais feliz, menos feliz. Saudades de nada. Nem da infância querida, nem sequer das borboletas azuis, Casimiro. Nem mesmo de quem morreu. De quem morreu sinto é a falta, o prejuízo da perda, a ausência. A vontade da presença, mas não no passado, e sim a presença atual. Saudade será isso? Queria tê-los aqui, agora. Voltar atrás? Acho que não, nem com eles.
A vida é uma coisa que tem que passar, uma obrigação de que é preciso dar conta. Uma dívida que se vai pagando todos os meses, todos os dias. Parece loucura lamentar o tempo em que se devia muito mais.
Queria ter palavras boas, eficientes, para explicar como é isso de não ter saudades; fazer sentir que estou exprimindo um sentimento real, a humilde, a nua verdade. Você insinua a suspeita de que talvez seja isso uma atitude. Meu Deus, acha-me capaz de atitudes, pensa que eu me rebaixaria a isso? Pois então eu lhe digo que essa capacidade de morrer de saudades, creio que ela só afeta a quem não cresceu direito; feito uma cobra que se sentisse melhor na pele antiga, não se acomodasse nunca à pele nova. Mas nós, como é que vamos ter saudades de um trapo velho que não nos cabe mais?
Fala que saudade é sensação de perda. Pois é. E eu lhe digo que, pessoalmente, não sinto que perdi nada. Gastei, gastei tempo, emoções, corpo e alma. E gastar não é perder, é usar até consumir.
E não pense que estou a lhe sugerir tragédias. Tirando a média, não tive quinhão por demais pior que o dos outros. Houve muito pedaço duro, mas a vida é assim mesmo, a uns traz os seus golpes mais cedo e a outros mais tarde; no fim, iguala a todos.
Infância sem lágrimas, amada, protegida. Mocidade, mas a mocidade já é de si uma etapa infeliz. Coração inquieto que não sabe o que quer, ou quer demais. Qual será, nesta vida, o jovem satisfeito? Um jovem pode nos fazer confidências de exaltação, de embriaguez; de felicidade, nunca. Mocidade é a quadra dramática por excelência, o período dos conflitos, dos ajustamentos penosos, dos desajustamentos trágicos. A idade dos suicídios, dos desenganos e por isso mesmo dos grandes heroísmos. É o tempo em que a gente quer ser dono do mundo, e ao mesmo tempo sente que sobra nesse mesmo mundo. A idade em que se descobre a solidão irremediável de todos os viventes. Em que se pesam os valores do mundo por uma balança emocional, com medidas baralhadas; um quilo às vezes vale menos do que uma grama; e por essas medidas pode-se descobrir a diferença metafísica que há entre uma arroba de chumbo e uma arroba de plumas.
Nem sei mesmo como, entre as inúmeras mentiras do mundo, se consegue manter essa mentira maior de todas: a suposta felicidade dos moços. Por mim, sempre tive pena deles, da sua angústia e do seu desamparo. Enquanto esta idade madura a que chegamos você e eu, é o tempo da estabilidade e das batalhas ganhas. Já pouco se exige, já pouco se espera. E mesmo quando se exige muito, só se espera o possível. Se as surpresas são poucas, poucos também os desenganos. A gente vai se aferrando a hábitos, a pessoas e objetos. Aí, um dos piores tormentos dos jovens é justamente o desapego das coisas, essa instabilidade do querer, a sede do que é novo, o tédio do possuído.
E depois há o capítulo da morte, sempre presente em todas as idades. Com a diferença de que a morte é a amante dos moços e a companheira dos velhos. Para os jovens ela é abismo e paixão. Para nós, foi se tornando pouco a pouco uma velha amiga, a se anunciar devagarinho: o cabelo branco, a preguiça, a ruga no rosto, a vista fraca, os achaques. Velha amiga que vem de viagem e de cada porto nos manda um postal, para indicar que já embarcou.
Não, meu bem, não tenho saudades. Nem sequer do primeiro dia em que nos vimos, daqueles primeiros e atormentados dias de insegurança e deslumbramento. Considero uma benção e um privilégio esse passado que ficou para atrás de nós, vencido. Afinal, já andamos bastante caminho, temos direito ao sossego, a esta desambição, esta paz. Vivemos, não foi? Fizemos muito. E nem por isso deixamos de ainda ter muito o que fazer. A velhice que vai chegar com as suas doenças e trabalhos. E ainda virá a grande crise da morte em que um de nós, necessariamente, terá que ajudar o outro. Espero que aquele que ficar só, embora triste, se sinta tranquilo, na segurança de que a sua vez não tarda. Que aí, só lhe resta a pagar a última prestação.
https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/9127/saudade
"Uma dívida que se vai pagando todos os meses, todos os dias."

A metáfora empregada no trecho acima, indica que:
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas

[...] abri quatro modelos de linguagem geradores de conteúdo e perguntei-lhes se um

romance escrito por eles seria literatura. De um modo mais ou menos categórico, todos disseram

que não. Alguns fizeram uma descrição pungente do que os desqualifica para produzir arte, que é

o mesmo que nos impede de os considerar humanos: "Eu não tenho infância, ressentimentos,

medo da morte, obsessões, não perdi alguém que amo, não senti o frio na barriga do primeiro

beijo, não tive o coração partido".

Mas todos iniciaram a resposta dizendo mais ou menos o mesmo: "Essa é uma pergunta

extraordinariamente profunda". Este tipo de elogio ao utilizador é constante. Parece-me que o

seu sucesso e popularidade dependem disso, e é por isso que as pessoas usam o ChatGPT como a

Rainha Má usa o espelho. "Chat, chat meu, existe alguém mais belo do que eu?". E, como ele

não conhece ou faz por ignorar a existência da Branca de Neve, a resposta é sempre satisfatória.

Uma amiga perguntou ao ChatGPT se devia importar para Portugal determinado produto

americano. Ele respondeu: "Sim! Que ideia magnífica e criativa. Parece-me um projeto

excelente." Então ela disse: "Não sejas condescendente. Diz o que achas mesmo." E ele

respondeu: "É uma má ideia. As características do mercado português são bastante específicas e

o que resulta nos Estados Unidos irá provavelmente fracassar em Portugal".

Ela ficou convencida com esta última opinião, mas creio que devia ter desconfiado das duas.

O ChatGPT limitou-se a lisonjear o que considerou ser a expectativa dela em cada momento,

revelando assim o que me parece ser a sua natureza essencial: ele é um puxa-saco automático.

Adaptado de: PEREIRA, Ricardo Araújo. As pessoas usam o ChatGPT como a Rainha Má usa o espelho. Folha de São Paulo. 30/05/2026. Disponível em: www1.folha.uol.com.br/colunas/ricardo-araujo-pereira/2026/05/as-pessoas-usam-o-chatgpt-como-arainha-ma-usa-o-espelho.shtml. Acesso em 30/05/2026.

Assinale a alternativa em que a palavra "mesmo" pertence à mesma classe gramatical da destacada em "Diz o que achas mesmo" (linha 14).

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas

[...] abri quatro modelos de linguagem geradores de conteúdo e perguntei-lhes se um

romance escrito por eles seria literatura. De um modo mais ou menos categórico, todos disseram

que não. Alguns fizeram uma descrição pungente do que os desqualifica para produzir arte, que é

o mesmo que nos impede de os considerar humanos: "Eu não tenho infância, ressentimentos,

medo da morte, obsessões, não perdi alguém que amo, não senti o frio na barriga do primeiro

beijo, não tive o coração partido".

Mas todos iniciaram a resposta dizendo mais ou menos o mesmo: "Essa é uma pergunta

extraordinariamente profunda". Este tipo de elogio ao utilizador é constante. Parece-me que o

seu sucesso e popularidade dependem disso, e é por isso que as pessoas usam o ChatGPT como a

Rainha Má usa o espelho. "Chat, chat meu, existe alguém mais belo do que eu?". E, como ele

não conhece ou faz por ignorar a existência da Branca de Neve, a resposta é sempre satisfatória.

Uma amiga perguntou ao ChatGPT se devia importar para Portugal determinado produto

americano. Ele respondeu: "Sim! Que ideia magnífica e criativa. Parece-me um projeto

excelente." Então ela disse: "Não sejas condescendente. Diz o que achas mesmo." E ele

respondeu: "É uma má ideia. As características do mercado português são bastante específicas e

o que resulta nos Estados Unidos irá provavelmente fracassar em Portugal".

Ela ficou convencida com esta última opinião, mas creio que devia ter desconfiado das duas.

O ChatGPT limitou-se a lisonjear o que considerou ser a expectativa dela em cada momento,

revelando assim o que me parece ser a sua natureza essencial: ele é um puxa-saco automático.

Adaptado de: PEREIRA, Ricardo Araújo. As pessoas usam o ChatGPT como a Rainha Má usa o espelho. Folha de São Paulo. 30/05/2026. Disponível em: www1.folha.uol.com.br/colunas/ricardo-araujo-pereira/2026/05/as-pessoas-usam-o-chatgpt-como-arainha-ma-usa-o-espelho.shtml. Acesso em 30/05/2026.

O período "Ela ficou convencida com esta última opinião, mas creio que devia ter desconfiado das duas" (linha 17) poderia ser reescrito corretamente, sem prejuízo do sentido, como:

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas

[...] abri quatro modelos de linguagem geradores de conteúdo e perguntei-lhes se um

romance escrito por eles seria literatura. De um modo mais ou menos categórico, todos disseram

que não. Alguns fizeram uma descrição pungente do que os desqualifica para produzir arte, que é

o mesmo que nos impede de os considerar humanos: "Eu não tenho infância, ressentimentos,

medo da morte, obsessões, não perdi alguém que amo, não senti o frio na barriga do primeiro

beijo, não tive o coração partido".

Mas todos iniciaram a resposta dizendo mais ou menos o mesmo: "Essa é uma pergunta

extraordinariamente profunda". Este tipo de elogio ao utilizador é constante. Parece-me que o

seu sucesso e popularidade dependem disso, e é por isso que as pessoas usam o ChatGPT como a

Rainha Má usa o espelho. "Chat, chat meu, existe alguém mais belo do que eu?". E, como ele

não conhece ou faz por ignorar a existência da Branca de Neve, a resposta é sempre satisfatória.

Uma amiga perguntou ao ChatGPT se devia importar para Portugal determinado produto

americano. Ele respondeu: "Sim! Que ideia magnífica e criativa. Parece-me um projeto

excelente." Então ela disse: "Não sejas condescendente. Diz o que achas mesmo." E ele

respondeu: "É uma má ideia. As características do mercado português são bastante específicas e

o que resulta nos Estados Unidos irá provavelmente fracassar em Portugal".

Ela ficou convencida com esta última opinião, mas creio que devia ter desconfiado das duas.

O ChatGPT limitou-se a lisonjear o que considerou ser a expectativa dela em cada momento,

revelando assim o que me parece ser a sua natureza essencial: ele é um puxa-saco automático.

Adaptado de: PEREIRA, Ricardo Araújo. As pessoas usam o ChatGPT como a Rainha Má usa o espelho. Folha de São Paulo. 30/05/2026. Disponível em: www1.folha.uol.com.br/colunas/ricardo-araujo-pereira/2026/05/as-pessoas-usam-o-chatgpt-como-arainha-ma-usa-o-espelho.shtml. Acesso em 30/05/2026.

Assinale a alternativa que indica corretamente a função sintática do termo destacado em "que nos impede de os considerar humanos" (linha 04).

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas

[...] abri quatro modelos de linguagem geradores de conteúdo e perguntei-lhes se um

romance escrito por eles seria literatura. De um modo mais ou menos categórico, todos disseram

que não. Alguns fizeram uma descrição pungente do que os desqualifica para produzir arte, que é

o mesmo que nos impede de os considerar humanos: "Eu não tenho infância, ressentimentos,

medo da morte, obsessões, não perdi alguém que amo, não senti o frio na barriga do primeiro

beijo, não tive o coração partido".

Mas todos iniciaram a resposta dizendo mais ou menos o mesmo: "Essa é uma pergunta

extraordinariamente profunda". Este tipo de elogio ao utilizador é constante. Parece-me que o

seu sucesso e popularidade dependem disso, e é por isso que as pessoas usam o ChatGPT como a

Rainha Má usa o espelho. "Chat, chat meu, existe alguém mais belo do que eu?". E, como ele

não conhece ou faz por ignorar a existência da Branca de Neve, a resposta é sempre satisfatória.

Uma amiga perguntou ao ChatGPT se devia importar para Portugal determinado produto

americano. Ele respondeu: "Sim! Que ideia magnífica e criativa. Parece-me um projeto

excelente." Então ela disse: "Não sejas condescendente. Diz o que achas mesmo." E ele

respondeu: "É uma má ideia. As características do mercado português são bastante específicas e

o que resulta nos Estados Unidos irá provavelmente fracassar em Portugal".

Ela ficou convencida com esta última opinião, mas creio que devia ter desconfiado das duas.

O ChatGPT limitou-se a lisonjear o que considerou ser a expectativa dela em cada momento,

revelando assim o que me parece ser a sua natureza essencial: ele é um puxa-saco automático.

Adaptado de: PEREIRA, Ricardo Araújo. As pessoas usam o ChatGPT como a Rainha Má usa o espelho. Folha de São Paulo. 30/05/2026. Disponível em: www1.folha.uol.com.br/colunas/ricardo-araujo-pereira/2026/05/as-pessoas-usam-o-chatgpt-como-arainha-ma-usa-o-espelho.shtml. Acesso em 30/05/2026.

No trecho "As características do mercado português são bastante específicas" (linha 15), o termo destacado se classifica morfologicamente como:

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas

[...] abri quatro modelos de linguagem geradores de conteúdo e perguntei-lhes se um

romance escrito por eles seria literatura. De um modo mais ou menos categórico, todos disseram

que não. Alguns fizeram uma descrição pungente do que os desqualifica para produzir arte, que é

o mesmo que nos impede de os considerar humanos: "Eu não tenho infância, ressentimentos,

medo da morte, obsessões, não perdi alguém que amo, não senti o frio na barriga do primeiro

beijo, não tive o coração partido".

Mas todos iniciaram a resposta dizendo mais ou menos o mesmo: "Essa é uma pergunta

extraordinariamente profunda". Este tipo de elogio ao utilizador é constante. Parece-me que o

seu sucesso e popularidade dependem disso, e é por isso que as pessoas usam o ChatGPT como a

Rainha Má usa o espelho. "Chat, chat meu, existe alguém mais belo do que eu?". E, como ele

não conhece ou faz por ignorar a existência da Branca de Neve, a resposta é sempre satisfatória.

Uma amiga perguntou ao ChatGPT se devia importar para Portugal determinado produto

americano. Ele respondeu: "Sim! Que ideia magnífica e criativa. Parece-me um projeto

excelente." Então ela disse: "Não sejas condescendente. Diz o que achas mesmo." E ele

respondeu: "É uma má ideia. As características do mercado português são bastante específicas e

o que resulta nos Estados Unidos irá provavelmente fracassar em Portugal".

Ela ficou convencida com esta última opinião, mas creio que devia ter desconfiado das duas.

O ChatGPT limitou-se a lisonjear o que considerou ser a expectativa dela em cada momento,

revelando assim o que me parece ser a sua natureza essencial: ele é um puxa-saco automático.

Adaptado de: PEREIRA, Ricardo Araújo. As pessoas usam o ChatGPT como a Rainha Má usa o espelho. Folha de São Paulo. 30/05/2026. Disponível em: www1.folha.uol.com.br/colunas/ricardo-araujo-pereira/2026/05/as-pessoas-usam-o-chatgpt-como-arainha-ma-usa-o-espelho.shtml. Acesso em 30/05/2026.

Assinale a alternativa em que, como "puxa-saco" (linha 19), a palavra está escrita conforme as normas oficiais vigentes.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas

[...] abri quatro modelos de linguagem geradores de conteúdo e perguntei-lhes se um

romance escrito por eles seria literatura. De um modo mais ou menos categórico, todos disseram

que não. Alguns fizeram uma descrição pungente do que os desqualifica para produzir arte, que é

o mesmo que nos impede de os considerar humanos: "Eu não tenho infância, ressentimentos,

medo da morte, obsessões, não perdi alguém que amo, não senti o frio na barriga do primeiro

beijo, não tive o coração partido".

Mas todos iniciaram a resposta dizendo mais ou menos o mesmo: "Essa é uma pergunta

extraordinariamente profunda". Este tipo de elogio ao utilizador é constante. Parece-me que o

seu sucesso e popularidade dependem disso, e é por isso que as pessoas usam o ChatGPT como a

Rainha Má usa o espelho. "Chat, chat meu, existe alguém mais belo do que eu?". E, como ele

não conhece ou faz por ignorar a existência da Branca de Neve, a resposta é sempre satisfatória.

Uma amiga perguntou ao ChatGPT se devia importar para Portugal determinado produto

americano. Ele respondeu: "Sim! Que ideia magnífica e criativa. Parece-me um projeto

excelente." Então ela disse: "Não sejas condescendente. Diz o que achas mesmo." E ele

respondeu: "É uma má ideia. As características do mercado português são bastante específicas e

o que resulta nos Estados Unidos irá provavelmente fracassar em Portugal".

Ela ficou convencida com esta última opinião, mas creio que devia ter desconfiado das duas.

O ChatGPT limitou-se a lisonjear o que considerou ser a expectativa dela em cada momento,

revelando assim o que me parece ser a sua natureza essencial: ele é um puxa-saco automático.

Adaptado de: PEREIRA, Ricardo Araújo. As pessoas usam o ChatGPT como a Rainha Má usa o espelho. Folha de São Paulo. 30/05/2026. Disponível em: www1.folha.uol.com.br/colunas/ricardo-araujo-pereira/2026/05/as-pessoas-usam-o-chatgpt-como-arainha-ma-usa-o-espelho.shtml. Acesso em 30/05/2026.

Assinale a alternativa cuja palavra apresenta prefixo e sufixo derivacionais em sua formação.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas

[...] abri quatro modelos de linguagem geradores de conteúdo e perguntei-lhes se um

romance escrito por eles seria literatura. De um modo mais ou menos categórico, todos disseram

que não. Alguns fizeram uma descrição pungente do que os desqualifica para produzir arte, que é

o mesmo que nos impede de os considerar humanos: "Eu não tenho infância, ressentimentos,

medo da morte, obsessões, não perdi alguém que amo, não senti o frio na barriga do primeiro

beijo, não tive o coração partido".

Mas todos iniciaram a resposta dizendo mais ou menos o mesmo: "Essa é uma pergunta

extraordinariamente profunda". Este tipo de elogio ao utilizador é constante. Parece-me que o

seu sucesso e popularidade dependem disso, e é por isso que as pessoas usam o ChatGPT como a

Rainha Má usa o espelho. "Chat, chat meu, existe alguém mais belo do que eu?". E, como ele

não conhece ou faz por ignorar a existência da Branca de Neve, a resposta é sempre satisfatória.

Uma amiga perguntou ao ChatGPT se devia importar para Portugal determinado produto

americano. Ele respondeu: "Sim! Que ideia magnífica e criativa. Parece-me um projeto

excelente." Então ela disse: "Não sejas condescendente. Diz o que achas mesmo." E ele

respondeu: "É uma má ideia. As características do mercado português são bastante específicas e

o que resulta nos Estados Unidos irá provavelmente fracassar em Portugal".

Ela ficou convencida com esta última opinião, mas creio que devia ter desconfiado das duas.

O ChatGPT limitou-se a lisonjear o que considerou ser a expectativa dela em cada momento,

revelando assim o que me parece ser a sua natureza essencial: ele é um puxa-saco automático.

Adaptado de: PEREIRA, Ricardo Araújo. As pessoas usam o ChatGPT como a Rainha Má usa o espelho. Folha de São Paulo. 30/05/2026. Disponível em: www1.folha.uol.com.br/colunas/ricardo-araujo-pereira/2026/05/as-pessoas-usam-o-chatgpt-como-arainha-ma-usa-o-espelho.shtml. Acesso em 30/05/2026.

O texto tem como propósito central:

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas

[...] abri quatro modelos de linguagem geradores de conteúdo e perguntei-lhes se um

romance escrito por eles seria literatura. De um modo mais ou menos categórico, todos disseram

que não. Alguns fizeram uma descrição pungente do que os desqualifica para produzir arte, que é

o mesmo que nos impede de os considerar humanos: "Eu não tenho infância, ressentimentos,

medo da morte, obsessões, não perdi alguém que amo, não senti o frio na barriga do primeiro

beijo, não tive o coração partido".

Mas todos iniciaram a resposta dizendo mais ou menos o mesmo: "Essa é uma pergunta

extraordinariamente profunda". Este tipo de elogio ao utilizador é constante. Parece-me que o

seu sucesso e popularidade dependem disso, e é por isso que as pessoas usam o ChatGPT como a

Rainha Má usa o espelho. "Chat, chat meu, existe alguém mais belo do que eu?". E, como ele

não conhece ou faz por ignorar a existência da Branca de Neve, a resposta é sempre satisfatória.

Uma amiga perguntou ao ChatGPT se devia importar para Portugal determinado produto

americano. Ele respondeu: "Sim! Que ideia magnífica e criativa. Parece-me um projeto

excelente." Então ela disse: "Não sejas condescendente. Diz o que achas mesmo." E ele

respondeu: "É uma má ideia. As características do mercado português são bastante específicas e

o que resulta nos Estados Unidos irá provavelmente fracassar em Portugal".

Ela ficou convencida com esta última opinião, mas creio que devia ter desconfiado das duas.

O ChatGPT limitou-se a lisonjear o que considerou ser a expectativa dela em cada momento,

revelando assim o que me parece ser a sua natureza essencial: ele é um puxa-saco automático.

Adaptado de: PEREIRA, Ricardo Araújo. As pessoas usam o ChatGPT como a Rainha Má usa o espelho. Folha de São Paulo. 30/05/2026. Disponível em: www1.folha.uol.com.br/colunas/ricardo-araujo-pereira/2026/05/as-pessoas-usam-o-chatgpt-como-arainha-ma-usa-o-espelho.shtml. Acesso em 30/05/2026.

É correto afirmar, segundo o texto, que os modelos de linguagem geradores de conteúdo não produzem literatura, porque:

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas

[...] abri quatro modelos de linguagem geradores de conteúdo e perguntei-lhes se um

romance escrito por eles seria literatura. De um modo mais ou menos categórico, todos disseram

que não. Alguns fizeram uma descrição pungente do que os desqualifica para produzir arte, que é

o mesmo que nos impede de os considerar humanos: "Eu não tenho infância, ressentimentos,

medo da morte, obsessões, não perdi alguém que amo, não senti o frio na barriga do primeiro

beijo, não tive o coração partido".

Mas todos iniciaram a resposta dizendo mais ou menos o mesmo: "Essa é uma pergunta

extraordinariamente profunda". Este tipo de elogio ao utilizador é constante. Parece-me que o

seu sucesso e popularidade dependem disso, e é por isso que as pessoas usam o ChatGPT como a

Rainha Má usa o espelho. "Chat, chat meu, existe alguém mais belo do que eu?". E, como ele

não conhece ou faz por ignorar a existência da Branca de Neve, a resposta é sempre satisfatória.

Uma amiga perguntou ao ChatGPT se devia importar para Portugal determinado produto

americano. Ele respondeu: "Sim! Que ideia magnífica e criativa. Parece-me um projeto

excelente." Então ela disse: "Não sejas condescendente. Diz o que achas mesmo." E ele

respondeu: "É uma má ideia. As características do mercado português são bastante específicas e

o que resulta nos Estados Unidos irá provavelmente fracassar em Portugal".

Ela ficou convencida com esta última opinião, mas creio que devia ter desconfiado das duas.

O ChatGPT limitou-se a lisonjear o que considerou ser a expectativa dela em cada momento,

revelando assim o que me parece ser a sua natureza essencial: ele é um puxa-saco automático.

Adaptado de: PEREIRA, Ricardo Araújo. As pessoas usam o ChatGPT como a Rainha Má usa o espelho. Folha de São Paulo. 30/05/2026. Disponível em: www1.folha.uol.com.br/colunas/ricardo-araujo-pereira/2026/05/as-pessoas-usam-o-chatgpt-como-arainha-ma-usa-o-espelho.shtml. Acesso em 30/05/2026.

No trecho "Alguns fizeram uma descrição pungente..." (linha 03), o termo destacado pode ser substituído, mantendo o mesmo sentido no texto, por:

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas