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Rios sem discurso
Quando um rio corta, corta-se de vez
o discurso-rio de água que ele fazia;
cortado, a água se quebra em pedaços,
em poços de água, em água paralítica.
Em situação de poço, a água equivale
a uma palavra em situação dicionária:
isolada, estanque no poço dela mesma,
e porque assim estanque, estancada;
e mais: porque assim estancada, muda
e muda porque com nenhuma comunica,
porque cortou-se a sintaxe desse rio,
o fio de água por que ele discorria.
O curso de um rio, seu discurso-rio,
chega raramente a se reatar de vez;
um rio precisa de muito fio de água
para refazer o fio antigo que o fez.
Salvo a grandiloquência de uma cheia
lhe impondo interina outra linguagem,
um rio precisa de muita água em fios
para que todos os poços se enfrasem:
se reatando, de um para outro poço,
em frases curtas, então frase e frase,
até a sentença-rio do discurso único
em que se tem voz a seca ele combate.
João Cabral de Melo Neto. Rios sem discurso. In: A educação pela pedra. Rio de Janeiro: José Olympio, 1979, p. 26.
Julgue os itens a seguir, acerca dos sentidos do texto acima e de seus aspectos linguísticos.
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Atlântida brasileira
Geólogos brasileiros e japoneses anunciaram que
foram encontrados, a 1.500 km da costa do Rio de Janeiro,
indícios de que estaria ali um pedaço de continente que
submergiu durante a separação da África e da América do Sul,
época em que surgiu o Oceano Atlântico. De acordo com
Roberto Ventura Santos, diretor de geologia de recursos
minerais da CPRM, há dois anos, durante um serviço de
dragagem (retirada de solo oceânico para análise) na região da
Elevação Rio Grande — uma cordilheira marítima em águas
brasileiras e internacionais —, foram encontradas amostras de
granito, rocha considerada continental. Ele explica que,
inicialmente, levantou-se a hipótese de que o recolhimento de
tais amostras fora engano ou acidente. No entanto, no último
mês, uma expedição com cientistas do Brasil e do Japão, a
bordo do equipamento submersível Shinkai 6.500, observou a
formação geológica que está em frente à costa brasileira e, a
partir de análises, passou a considerar que a região pode conter
um pedaço de continente que ficou perdido no mar por milhões
de anos. “Pode ser a Atlântida do Brasil. Estamos perto de ter
certeza, mas precisamos fortalecer essahipótese. A certificação
final deve ocorrer ainda este ano, quando vamos fazer
perfurações na região para encontrar mais amostras”, explicou
Ventura. O diretor da CPRM não especificou a idade dessas
rochas, no entanto contou que os pedaços de crosta continental
encontrados são mais antigos que as rochas encontradas no
assoalho oceânico, nome dado à superfície da Terra que fica
abaixo do nível das águas do mar.
Internet: http://g1.globo.com (com adaptações).
O emprego das formas e das locuções verbais “estaria” (l.3), “pode conter” (l.17), “Pode ser” (l.19) e “deve ocorrer” (l.21) indica que o fato abordado no texto relaciona-se a uma hipótese, que poderá ou não se confirmar no futuro.
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Apesar de certa retenção em 2012, o valor da maioria
dos metais tende a continuar em alta. Em seu último boletim
com previsões para o preço de commodities, divulgado em
janeiro, o Banco Mundial estima o aumento das cotações de
seis metais até 2025 (alumínio, ferro, chumbo, zinco, estanho
e níquel). Só o cobre e os preciosos (ouro, prata e platina)
devem baratear um pouco, mas nada que os devolva aos níveis
das décadas de 80 e 90 do século passado.
Qual a explicação para a reviravolta ocorrida no
mercado dos metais? “À medida que as nações ao redor do
mundo se industrializam e as populações se esforçam para
melhorar seus padrões de vida, a mineração vem para assumir
um papel mais central no cenário mundial”, é afirmado em um
relatório de 2012 da Deloitte, uma das maiores consultorias
globais.
Em outras palavras, o crescimento dos países
emergentes, liderado pela China, esquentou a compra de
metais, que estão por toda a parte. O ferro vira o aço que
fabrica máquinas, tratores, carros. O cobre é ótimo condutor de
eletricidade (a geração de energia segue a industrialização) e
matéria-prima de tubos de prédios e casas. A platina, além do
uso tradicional como joia, serve para refinar petróleo, outro
produto cuja procura cresce em ciclos de desenvolvimento.
Internet: www.fazenda.gov.br (com adaptações).
Feitas as necessárias alterações na grafia das palavras, o deslocamento do vocábulo “certa” (l.1) para logo após o substantivo a que se refere manteria a correção gramatical e o sentido original do texto.
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A presença de petróleo abundante na Guiana Francesa
explica a disputa pelos blocos que a Agência Nacional do
Petróleo ofertou no Amapá. Praticamente inexplorada pela
indústria petrolífera, a Bacia da Foz do Amazonas, da qual o
Amapá faz parte, passou a ser cobiçada pelas grandes
petroleiras há dois anos, quando, no território ultramarino da
França, foi achado farto reservatório de óleo. O raciocínio das
empresas é lógico. Se, no offshore da Guiana, há muito
petróleo, no litoral do Amapá, de similar formação geológica
e muito próximo, também deve haver. Afinal, a costa guianense
é a continuação da margem equatorial brasileira, em cuja
extremidade esquerda está situada a Bacia da Foz do
Amazonas.
Sérgio Torres. Semelhança explica Interesse no Amapá. In: O Estado de S.Paulo, 15/5/2013. Internet: www.estadao.com.br (com adaptações).
Com correção gramatical e sem prejuízo da coerência textual, o ponto final empregado na linha 8 poderia ser substituído, feitas as devidas alterações de maiúscula e minúscula, por dois-pontos.
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A contribuição do conhecimento geológico para a educação ambiental
A observação do tempo geológico contrapõe-se à
percepção histórica construída na sociedade moderna
capitalista vinculada ao imediatismo. A concepção do tempo
geológico pode contribuir para uma mudança cultural dessa
percepção imediatista que tem se refletido em um consumismo
exacerbado de produtos, produtos esses que se originaram a
partir de bens minerais que se formaram ao longo do tempo
geológico e que levarão anos até serem incorporados pela terra,
quando passarão novamente a ser fonte de recurso. Os
conhecimentos do Sistema Terra oferecem condições de se
pensar a realidade de forma complexa e integrada, em diversas
escalas de tempo e espaço, o que permite a construção do
mundo físico em que vivemos. As discussões dos conteúdos
das geociências transformam a visão de mundo, tornando-a
significativa, não fragmentada, não linear, e estabelecem
conexões, expressas por características criativas, sem
mecanismos repetitivos e descontextualizados, propiciando o
conhecimento em uma rede de relações com significado,
transformando seus agentes, flexibilizando tarefas e saberes,
formando cidadãos aptos a entender e atuar em um mundo em
transformação de forma participativa.
Denise de La Corte Bacci. A contribuição do conhecimento geológico para a educação ambiental. In: Pesquisa em debate. Edição 11, V. 6, n.º 2, jul. / dez. 2009, p. 17 e 19 (com adaptações).
Julgue os itens subsequentes, relativos aos sentidos e a aspectos estruturais e linguísticos do texto acima.
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A 1.500 km da costa do Rio de Janeiro, a
aproximadamente 2.000 m de profundidade, repousa, abaixo
do Oceano Atlântico, um pequeno continente perdido. Esse
pedaço de terra, chamado Elevado do Rio Grande e de
tamanho próximo ao do estado de São Paulo, provavelmente se
desprendeu do território que hoje forma o Brasil em algum
ponto da separação da África e da América, iniciada há cerca
de 60 milhões de anos. Por isso, recebeu o apelido de a
Atlântida Brasileira, em referência ao mítico continente que
teria sido submerso pelo mar. A suspeita de que a região não
era uma porção comum do fundo atlântico, mas uma parte
continental afundada, surgiu há dois anos, quando um trabalho
de dragagem feito pelo Serviço Geológico do Brasil encontrou
granito no local. A presença dessa espécie de rocha no elevado
surpreendeu os pesquisadores, uma vez que ela é típica de
terras não submersas.
HumbertoRezende. Atlântidabrasileira. In: CorreioBraziliense, 7/5/2013, Caderno Ciência, p. 18 (com adaptações).
Não haveria prejuízo para a correção gramatical nem para a coerência do texto se seu último período fosse assim reescrito: A presença dessa espécie de rocha no elevado, típica de terras não submersas, surpreendeu os pesquisadores.
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Apesar de certa retenção em 2012, o valor da maioria
dos metais tende a continuar em alta. Em seu último boletim
com previsões para o preço de commodities, divulgado em
janeiro, o Banco Mundial estima o aumento das cotações de
seis metais até 2025 (alumínio, ferro, chumbo, zinco, estanho
e níquel). Só o cobre e os preciosos (ouro, prata e platina)
devem baratear um pouco, mas nada que os devolva aos níveis
das décadas de 80 e 90 do século passado.
Qual a explicação para a reviravolta ocorrida no
mercado dos metais? “À medida que as nações ao redor do
mundo se industrializam e as populações se esforçam para
melhorar seus padrões de vida, a mineração vem para assumir
um papel mais central no cenário mundial”, é afirmado em um
relatório de 2012 da Deloitte, uma das maiores consultorias
globais.
Em outras palavras, o crescimento dos países
emergentes, liderado pela China, esquentou a compra de
metais, que estão por toda a parte. O ferro vira o aço que
fabrica máquinas, tratores, carros. O cobre é ótimo condutor de
eletricidade (a geração de energia segue a industrialização) e
matéria-prima de tubos de prédios e casas. A platina, além do
uso tradicional como joia, serve para refinar petróleo, outro
produto cuja procura cresce em ciclos de desenvolvimento.
Internet: www.fazenda.gov.br (com adaptações).
Infere-se do texto que os relatórios emitidos por grandes consultorias globais e os boletins do Banco Mundial são parâmetros confiáveis para a análise de previsões relativas ao futuro dos valores do mercado de metais.
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O boom de mineração despertou o apetite dos países
donos de reservas, não importa a linha política de seus
governos.
No Peru, onde metade da arrecadação depende do
extrativismo, a moderada gestão de Ollanta Humala dobrou em
2011 a cobrança de royalties para até 6%. Na Tanzânia, quarto
maior produtor de ouro da África, o governo do Partido
Revolucionário baixou uma nova lei de mineração em 20
e elevou de 3% para 4% os royalties dos metais preciosos.
A Índia, democracia mais populosa, subiu para 10% os
royalties da mineração em 2009. A China, regime autoritário
mais populoso, aumentou os impostos em 2011.
O ministro das Finanças de Quebec, maior província
do Canadá, convocou as mineradoras para uma reunião em
março para rever a taxação, sob o argumento de que “o
mercado de minerais não é o que era há dez anos” e de que é
necessário “maximizar os benefícios” à população.
Internet: www.fazenda.gov.br (com adaptações).
As expressões “moderada gestão” (l.5), “o governo do Partido Revolucionário” (l.7-8), “democracia mais populosa” (l.10) e “regime autoritário mais populoso” (l.11-12) reforçam o ponto de vista expresso no primeiro período do primeiro parágrafo do texto.
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Em relação ao ciclo hidrológico e aos balanços hídrico e energético de uma bacia hidrográfica, julgue o item a seguir.
Considerando que o calor latente de vaporização da água seja igual a 2,5 \( \times \) 106 J/kg, que a massa específica da água seja igual a 1.000 kg/m3 e que haja aproximadamente 2,5 \( \times \) 106 segundos em um mês, é correto afirmar que o fluxo de energia de 1 W/m2 equivale à taxa de evaporação de 10 mm/mês
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A terra voltou a tremer na segunda-feira (28/12/2012),
em Montes Claros, no norte de Minas Gerais, atingindo a
magnitude de 2,1 na escala Richter, conforme divulgado pelo
Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (UnB).
Foi o sexto abalo registrado pela UnB desde 19/5/2012,
quando a magnitude medida por sismógrafos atingiu 4,5. Oito
casas foram interditadas pela defesa civil em uma comunidade
na periferia da cidade. Os tremores de menor intensidade que
se seguiram desde então são comuns após o registro de um
abalo de maior intensidade, segundo a UnB. Por isso os
geólogos já tinham previsto essa possibilidade. Nos cinco
tremores seguintes — com escalas de 3; 2,9; 2,7; 2,6 e 2,1,
respectivamente —, não houve registro de danos. Segundo o
Observatório da UnB, moradores de Montes Claros relataram
que sentiram a terra tremer. Os geólogos da UnB estão
estudando os abalos sísmicos que ocorrem em Montes Claros
desde 2008. O governo de Minas pediu ajuda também a
especialistas do Japão. Há uma falha geológica na região
mineira.
Paulo Peixoto. Novo tremor de terra é registrado em Montes Claros. In: Folha de S.Paulo, 29/5/2012. Internet: www1.folha.uol.com.br (com adaptações).
Em “atingindo a magnitude” (l.2-3), “a” é preposição, exigida pela regência do verbo atingir .
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